Nosferatu (2024)

Crítica – Nosferatu

Sinopse (imdb): Um conto gótico de obsessão entre uma jovem assombrada na Alemanha do século XIX e o antigo vampiro da Transilvânia que a persegue, trazendo consigo um horror incalculável.

Comecemos pelo original, de mais de 100 anos atrás. Em 1922, F.W. Murnau resolveu fazer uma adaptação do livro Drácula, de Bram Stoker. Alterou os nomes dos personagens, alterou o país onde se passa a história, alterou quais são os dentes do vampiro (incisivos em vez de caninos). O resto é exatamente igual. Exatamente a mesma história. A viúva de Bram Stoker descobriu o plágio, entrou com um processo, e pediu para que todas as cópias fossem destruídas. Por sorte, alguns colecionadores e cinematecas guardaram cópias, se não hoje não teríamos essa obra icônica.

Heu nunca tinha visto este Nosferatu de 1922. Vi agora, e entendo todos os méritos, mas preciso admitir que não gosto muito do estilo usado na época. Como era cinema mudo, todas as atuações parecem exageradas, isso me incomoda um pouco. Mas reconheço a importância do filme.

(Existe outra versão de Nosferatu, de 1979, dirigida por Werner Herzog e estrelada por Isabelle Adjani e Klaus Kinski. Vi muitos anos atrás, me lembro de pouca coisa desta versão.)

Finalmente chegamos em 2024 (apesar de já estarmos em 2025). Gosto do estilo do Robert Eggers, gostei de A Bruxa, e gostei mais ainda de O Homem do Norte – apesar de não ter gostado nem um pouco de O Farol, achei chato e pretensioso. Mas estava curioso em ver como Eggers ia apresentar sua versão de Nosferatu.

A história todo mundo conhece: o jovem corretor de imóveis Hutter vai até a Transilvânia para fechar um contrato de venda de um imóvel para o misterioso conde Orlok, que vai até a Alemanha atrás da esposa de Hutter.

Se a história é batida, o visual não é. Goste ou não do estilo de Robert Eggers, seus filmes são sempre belíssimos, com várias sequências com visual deslumbrante. E isso acontece aqui, Nosferatu enche os olhos. A trilha sonora também é muito boa. Além disso, todo o figurino e reconstituição de época são perfeitos.

Um parágrafo à parte pra falar da maquiagem. Bill Skarsgård está irreconhecível. A divulgação do filme fez bem em não explorar o visual deste novo Nosferatu, porque quando ele aparece, está assustador, tanto na aparência quanto na voz – ele treinou a voz por semanas pra baixar uma oitava do seu registro natural para seu personagem ter a voz o mais grave possível.

O vampiro de Bill Skarsgård é assustador, e o clima do filme segue a mesma linha. Nosferatu ainda tem alguns jump scares bem bolados (daqueles que a gente não adivinha quando vão chegar). Mas o mais importante aqui não são os jump scares, e sim o clima tenso de terror. Sim, Robert Eggers sabe trabalhar o clima como poucos no cinema contemporâneo.

(Achei estranho o personagem ter bigode. Deve ser porque Vlad Tepes também tinha.)

Bill Skarsgård não é o único destaque do elenco. Lily-Rose Depp também está excelente (parece que o papel seria da Anya Taylor-Joy, mas ela teve que passar adiante por problemas de conflito de agenda quando foi fazer Furiosa). Também no elenco, Nicholas Hoult, Willem Dafoe, Aaron Taylor-Johnson, Emma Corrin e Ralph Ineson.

Gostei muito deste novo Nosferatu, mas reconheço que não é um filme para qualquer um. Aliás, todo o cinema de Eggers tem essa característica, seus filmes são o oposto do pop. Provavelmente vai ter parte do público saindo insatisfeita do cinema. Mesmo assim, recomendo: filmão!

Por fim, um mimimi que não é um problema deste filme, porque na verdade estava na versão de 1922. Na história original do Bram Stoker, Drácula vai de navio até a Inglaterra. É longe, sair da Transilvânia e ir até a Inglaterra, mas tem lógica se a gente pensar que a Inglaterra é uma ilha, então teria alguma lógica ir pelo mar. Na versão “pirata”, a história se passa na Alemanha, e mesmo assim, Orlok vai de navio. Não entendo muito de geografia europeia, mas a Alemanha só tem acesso ao mar pelo norte. O navio nesta versão teve que dar uma volta enorme! Não vejo lógica em ele ir de navio da Romênia até a Alemanha. Fui o único que pensei nisso?

Kraven, O Caçador

Crítica – Kraven, O Caçador

Sinopse (imdb): A complexa relação de Kraven com o pai, Nikolai Kravinoff, o leva a uma jornada de vingança com consequências brutais, o motivando a se tornar um dos maiores e mais temidos caçadores do mundo.

Antes de tudo, uma informação importante: nunca li os quadrinhos desse Kraven. Todo o meu texto será baseado no filme.

Ninguém esperava que Kraven, O Caçador seria bom. Afinal, é o sexto filme de um universo todo errado: “vilões do Homem Aranha sem a presença do Homem Aranha”. Pra piorar, não teve sessão de imprensa, coisa que normalmente acontece quando a distribuidora não acredita no potencial do filme. Mesmo assim fui ver. É bom? Não. Mas não é o pior do ano.

(Só pra deixar registrado: os outros filmes são Morbius, Madame Teia e os três Venom. Todos ruins.)

Dirigido por J.C. Chandor, Kraven, O Caçador (Kraven the Hunter no original) sofre do mesmo problema dos outros: como o protagonista é um vilão sem oponente, o filme força uma barra pra ele virar uma espécie de anti herói. Ou seja, é um vilão mas não pode ser “do mal”. E, como nos outros filmes, essa construção de personagem não foi muito boa.

Tem outro problema que é a grande quantidade de personagens. Por exemplo, são três vilões, um deles ficou sobrando. Podia focar só no pai e no Rino, aquele que conta até 3 e congela tudo é meio desnecessário.

(Me falaram que nos quadrinhos a Calypso também é vilã, mas isso não acontece aqui neste filme. E no finzinho do filme, o irmão, Dmitri, dá a impressão de que vai virar outro vilão, mas isso ficaria pra uma suposta continuação.)

Some-se a isso efeitos especiais que parece que a gente está vendo um filme dos anos 90. Algumas cenas de ação o herói é um boneco de cgi que não respeita as leis da física. Mas… isso me incomoda pouco. Um roteiro mal escrito me incomoda mais. Um exemplo claro está na personagem Calypso, que entra e sai da trama quando o roteiro está precisando de uma ajuda. Ela está no passado do protagonista, e volta justamente quando ele precisa de ajuda. Um pouco mais tarde no filme a gente descobre que ela sabe atirar com arco e flecha, mas logo depois que o roteiro usa suas habilidades, ela some do filme.

Agora, uma coisa boa de Kraven é que tem mais sangue e violência que o padrão dos “filmes de super herói”. Nada muito gráfico, mas pelo menos vemos sangue, coisa que costuma faltar em filmes do gênero.

Sobre o elenco, Aaron Taylor-Johnson não está mal como o protagonista. Mas não podemos dizer o mesmo de Russell Crowe, caricato demais como o mafioso russo. Ariana DeBose como Calypso também não está bem. Também no elenco, Fred Hechinger, Alessandro Nivola e Christopher Abbott.

Agora queria terminar meu texto com uma listinha curta de coisas sem sentido em Kraven, O Caçador. Vamulá?

– Sua avó lhe entrega uma poção mágica, segredo da sua família, que vai dar super poderes a quem tomá-la. Que tal dar essa poção pro primeiro desconhecido que encontrar pela frente?

– Se Kraven teve contato com o sangue de um leão e tomou uma poção mágica que lhe deu os poderes de um leão, como é que ele escala paredes e tem a visão de um elfo?

– Kraven é “O Caçador”, mas ninguém sabe o nome dele, porque ele diz que mata todos os que ouvem isso. Ok. Aí o vilãozão pega uma filmagem de câmera de segurança e descobre, por reconhecimento facial, que aquele cara é Sergei Kravinoff e também é o Caçador. Como é que ele descobre que também é chamado de Kraven?

– Ainda nesse reconhecimento facial, da primeira vez que vemos, deu 97,3% de compatibilidade. Na segunda vez, mudou pra 99,99%. O que mudou?

– Você é um vilão malvadão e manda um capanga matar o herói. O capanga diz “vou matá-lo”, mas não volta. Por que diabos você vai acreditar que seu capanga conseguiu e vai embora achando que o herói está morto?

Parece que vão acabar com esse universo de “Homem Aranha sem Homem Aranha”. É, talvez seja a melhor opção.

O Dublê

Crítica – O Dublê

Sinopse (imdb): Após um acidente que quase acabou com sua carreira, um dublê precisa descobrir o paradeiro de um astro de cinema desaparecido, desmascarar uma conspiração e tentar reconquistar o amor de sua vida enquanto ainda faz seu trabalho diário.

E vamos para mais um filme da minha lista de expectativas pra 2024!

Mas, antes de entrar no filme, quero reclamar do título nacional. O Dublê é uma versão do seriado Duro na Queda, do produtor Glen A Larson (o mesmo de Battlestar Galactica), sucesso na TV brasileira nos anos 80, que passou na Globo entre 1983 e 89. Heu descobri isso porque, como já comentei, minha memória guarda detalhes bizarros e inúteis relacionados a cinema, e me lembrava do nome do protagonista da série, Colt Seavers. Mas, fica a pergunta: por que não usar “Duro na Queda”? Se fosse pra repetir o nome gringo “Fall Guy”, até entendia, mas ter um nome brasileiro diferente???

Enfim, vamos ao filme. Achei perfeito uma nova versão de Duro na Queda ser feita por David Leitch e sua produtora 87North. Leitch era dublê, virou diretor, e fundou uma produtora que faz filmes onde as cenas que exigem dublês são valorizadas. A 87North é responsável por alguns dos melhores filmes de ação recentes, como Atômica, Trem Bala (ambos dirigidos por Leitch), Anônimo, Kate, Noite Infeliz e toda a franquia John Wick. Se tem alguém certo pra fazer um filme sobre os bastidores dos dublês, esse alguém é David Leitch! (Inclusive vemos o logo da 87North algumas vezes ao longo do filme).

(Na minha sessão, antes do filme, tem um videozinho com o David Leitch e o Ryan Gosling pra falar que não é pra usar celular durante o fime, e Leitch explica que foi dublê.)

O Dublê (Fall Guy, no original) mostra um dublê, que era um dos melhores do ramo, mas que se acidenta e se afasta da profissão, até que é chamado pra voltar, pra trabalhar no set do primeiro filme dirigido por sua ex namorada. E claro que existe uma trama maior de mistério por trás de tudo.

Tecnicamente, o filme é um deslumbre. A cena inicial, quando conhecemos os dois personagens principais e vemos o acidente, é em plano sequência! Assim como a sequência aonde conhecemos o set de filmagem da Emily Blunt! E são várias sequências bem coreografada e bem filmadas. Inclusive, na introdução vemos bastidores de sequências de dublês de outros filmes da 87North (uma sequência tão rápida que deu vontade de pausar e voltar); e durante os créditos vemos bastidores das filmagens deste filme. O cinema de hoje em dia muitas vezes prefere usar o cgi do que os dublês, inclusive essa discussão está presente no filme.

Além disso, temos inúmeras referências, algumas bem explícitas (como Miami Vice) e outras mais discretas (como o efeito sonoro de O Homem de Seis Milhões de Dólares, outra série estrelada pelo mesmo ator de Duro na Queda). Também temos citações a diálogos de filmes famosos, entre os personagens do Ryan Gosling e do Winston Duke, e uma cena de ação onde os dois repetem ações de dublês em cenas famosas de filmes de ação.

Queria falar de uma sequência que achei sensacional, a sequência do karaoke intercalada com a perseguição no caminhão. Enquanto estamos na perseguição, toda a edição da cena é sincronizada com I Was Made For Lovig You, do Kiss, e sempre quando alterna pro karaoke, não perde a sincronia. Aí a Emily Blunt começa a cantar Against All Odds, do Phil Collins, e enquanto está no karaoke é a voz dela, quando intercala com a perseguição muda pro Phil Collins, e tudo continua sincronizado com a música. Toda a sequência é muito boa!

(Só achei que faltaram legendas na letra da música, quem não entende inglês ou não conhece a música vai perder parte do significado.)

Aproveito pra falar da trilha sonora. I Was Made for Loving You abre o filme e volta algumas vezes durante o filme, mas O Dublê ainda tem outras músicas pop boas ao longo da projeção, incidindo ACDC, The Darkness e uma cena engraçadíssima com uma música da Taylor Swift – além do já citado ótimo momento com Phil Collins.

Ah, O Dublê é um filme de ação, mas tem um pé na comédia romântica. Tem uma cena com uma DR usando metáforas do roteiro que está sendo filmado, na frente de toda a equipe, que é típica de comédias românticas!

Se tem uma crítica que posso fazer é que algumas coisas funcionavam décadas atrás, mas hoje não funcionam mais. Por exemplo: se criminosos armados entram num set de filmagem, “brincar de dublê” em volta deles fica forçado. Pior: os criminosos entram no set procurando por um personagem, e na cena seguinte este personagem está passeando em volta de todos, alegre e faceiro, e nada acontece. Essas paradas funcionavam nos anos 80, hoje em dia fica estranho. Mas, como o filme “quer ser anos 80”, a gente pode relevar.

Sobre o elenco, achei curioso ver Ryan Gosling e Emily Blunt juntos pouco depois do Oscar, onde os dois apresentaram um prêmio se alfinetando porque estavam “em lados opostos” (ele estava em Barbie, ela em Oppenheimer). Ambos estão muito bem juntos. Também no elenco, Aaron Taylor-Johnson, Hannah Waddingham, Winston Duke, Teresa Palmer, Stephanie Hsu, e uma divertida participação especial de Jason Momoa. Ah, na cena final, Lee Majors, que era o Colt Seavers na série, aparece como um policial, ao lado de Heather Thomas, sua parceira na série!

(E, depois de Anatomia de uma Queda, temos um novo cachorro ator: o Jean Claude é ótimo!)

Filmão. Estava na lista de Expectativas, boas chances de voltar na lista de Melhores do Ano.

Trem Bala

Crítica – Trem Bala

Sinopse (imdb): Joaninha (Brad Pitt) é um assassino azarado determinado a fazer seu trabalho pacificamente depois de muitos outros saírem dos trilhos. O destino, no entanto, pode ter outros planos, pois a última missão de Joaninha o coloca em rota de colisão com adversários letais de todo o mundo – todos com objetivos conectados, mas conflitantes – no trem mais rápido do mundo. O fim da linha é apenas o começo nesta emocionante viagem sem parar pelo Japão moderno.

Tem gente que se empolga com filme novo de determinados super heróis. Heu me empolgo com filme novo de determinados diretores, como é o caso de David Leitch (não confundir com David Lynch!). Trem Bala (Bullet Train no original) estava no topo da minha lista de expectativas para 2022!

David Leitch era dublê, e virou diretor ao lado de Chad Stahelski com John Wick. Sozinho, fez Atômica, o melhor dos filmes de ação girl power que vi nos últimos anos. Leitch também fez Deadpool 2 e Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw, divertidos (mas inferiores a Atômica).

Se Atômica tinha um tom mais sério, Trem Bala está mais próximo de Deadpool e Hobbes & Shaw e abraça a comédia sem medo de ser feliz. Algumas cenas são engraçadíssimas. E mesmo assim o filme é bem violento. Humor negro rola solto aqui.

O clima às vezes lembra os filmes do Tarantino, com violência e bom humor. Mas acho que ficou mais próximo do trabalho do Guy Ritchie, que sabe trabalhar bem com personagens marginais e descolados, e isso tudo envolto numa edição estilosa.

Quando li a sinopse e a duração, rolou uma preocupação, porque um filme de mais de duas horas todo dentro de um trem com uma trama aparentemente simples podia ficar cansativo. Mas o roteiro é bem construído, com bons diálogos, temos flashbacks aqui e ali apresentando elementos extras, e temos uma excelente galeria de personagens. Ah, o desenho Thomas o Trem tem uma grande importância na trama!

Já que falei dos personagens, estes merecem um parágrafo à parte. Não tem nenhum personagem “normal” – talvez só o japonês atrás de vingança. Todos são esquisitos, todos são excêntricos. E o filme ainda usa uns letreiros para apresentá-los. E a dinâmica entre eles é muito boa, porque são objetivos diferentes, mas todos entrelaçados.

Aproveito pra falar do elenco. Brad Pitt é ótimo, sempre foi, sou fã do cara desde 12 Macacos e Clube da Luta, e aqui ele está sensacional. A gente lê a premissa e imagina um personagem sério tipo um John Wick, mas o seu Joaninha é um assassino profissional em busca da paz interior, então ele passa boa parte do filme em diálogos contra a violência. Aaron Taylor-Johnson (Kick-Ass) e Brian Tyree Henry (Eternos) são Limão e Tangerina, irmãos gêmeos (???), e têm uma ótima dinâmica juntos. Sandra Bullock aparece pouco, mas está ao telefone durante todo o filme, falando com o Joaninha; Michael Shannon também aparece pouco, mas é um personagem central. Joey King (A Princesa) convence com sua aparente fragilidade; Logan Lerman (Percy Jackson) tem um papel importante mas passa quase o filme todo morto; Zazie Beetz (Deadpool) aparece pouco mas é uma peça essencial para o quebra cabeça. Também no elenco, Andrew Koji, Hiroyuki Sanada e Bad Bunny. Ah, prestem atenção no condutor, é o Masi Oka de Heroes; e a atendente que interrompe a luta entre o Joaninha e o Tangerina é Karen Fukuhara, a Kimiko de The Boys.

(Tem duas participações especiais não creditadas, não sei se posso citar aqui, pode ser um spoiler. Bem, um deles esteve recentemente nas telas com Brad Pitt e Sandra Bullock; o outro já estrelou um filme do mesmo diretor.)

(Uma curiosidade: o diretor David Leitch era dublê e já tinha trabalhado como duble do Brad Pitt algumas vezes, em filmes como Clube da Luta, Onze Homens e um Segredo, Troia e Sr e Sra Smith).

Entendo que é um filme exagerado. Tem muita coisa forçada. Tem lutas no trem, tem gente andando armada e suja de sangue, e o trem tem passageiros que não estão na trama. E determinado momento o trem fica vazio – pra onde foram as pessoas que trabalham no trem, como o condutor? Quem se importar com isso, vai se incomodar.

Uma coisa que gostei e que admiro é que Trem Bala não é franquia, não é continuação e traz uma história fechada – acho difícil virar franquia. Por mais que tenha gostado de todo esse universo criado para o filme, sei que uma franquia pode estragar o universo. Por isso fico feliz com a proposta!

 

King’s Man: A Origem

Crítica – King’s Man: A Origem

Sinopse (imdb): Um spinoff da franquia Kingsman sobre essa organização de espiões no início do século XX.

Ah, a expectativa. Já falei aqui diversas vezes, quando a gente cria expectativas, a chance de uma decepção é grande.

Gosto muito do primeiro Kingsman, um excelente filme com cenas de ação insanas e um humor no ponto exato. O segundo é mais galhofa, mas ainda é muito divertido. Fui ao cinema querendo ver algo nessa pegada. Mas esse terceiro filme é muito mais sério. Poucas cenas de ação, e quase nada de humor. E, pra piorar, o filme demora muito tempo no setup inicial, quase uma hora até as coisas começarem a acontecer.

E aí vem a minha dúvida: o problema foi do filme, ou heu que queria ver uma coisa e me foi apresentada outra? Pelo meu head canon, afirmo: achei uma decepção. Talvez vendo uma segunda vez heu mude de ideia, mas, dessa primeira vez, não curti.

Uma coisa que achei estranha foi que é do mesmo Matthew Vaughn que dirigiu os outros dois. Se tivesse mudado o diretor, dava pra entender a mudança de estilo, mas, sendo escrito e dirigido pelo mesmo cara, por que ele resolveu mudar?

Este filme traz uma coisa curiosa. Assim como Tarantino fez em Bastardos Inglórios e Era uma Vez em Hollywood, este King’s Man: A Origem traz personagens históricos reais dentro da trama do filme. Li uma crítica onde falavam que isso era um problema, porque você já sabe o destino de alguns personagens. Mas, admito, falha minha, conheço pouco sobre a história da primeira guerra mundial, então não sabia de nenhum dos acontecimentos.

O primeiro filme tem uma sequência sensacional, que poderia estar em listas de melhores sequências da história do cinema, a cena da igreja. A cena é extremamente bem filmada, e além disso ela tem uma importância muito grande na narrativa, porque o espectador se pergunta “e agora, pra onde a história vai?” Neste novo filme, não tem nenhuma cena que chama a atenção tecnicamente falando, mas tem um desses momentos de “pra onde a história vai?”. Sem spoilers, mas a parte na guerra me causou essa boa estranheza.

O elenco é bom. Como esse filme se passa cem anos antes do primeiro Kingsman, claro que não tem ninguém dos outros filmes – tive a impressão de ter visto Mark Strong na cena final, mas precisaria rever pra ter certeza, no imdb não fala nada. Ralph Fiennes manda bem como o protagonista, e se tiver que dar um destaque, vou de Rhys Ifans (irreconhecível) como Rasputin. Também no elenco, Gemma Arterton, Harris Dickinson, Djimon Hounsou, Matthew Goode, Charles Dance, Alexandra Maria Lara, Daniel Brühl, Tom Hollander e participações menores de Aaron Taylor-Johnson e Stanley Tucci.

King’s Man: A Origem estreia nos cinemas esta semana. Vou tentar rever pra ter uma segunda opinião.

Tenet

Crítica – Tenet

Sinopse (imdb) – Armado com apenas uma palavra, Tenet, e lutando pela sobrevivência do mundo inteiro, um Protagonista viaja por um mundo crepuscular de espionagem internacional em uma missão que se desdobrará em algo além do tempo real.

O filme mais aguardado do ano!

Calma, explico. Tenet pode tranquilamente usar o apelido “o lançamento mais aguardado do ano”. Dos grandes lançamentos previstos para 2020 – todos adiados por causa da pandemia – foi o único que até agora resolveu encarar as salas de cinema. Então, de um modo geral, é o filme que simboliza a volta das salas de cinema, depois de sete meses fechados.

Tenet (idem, no original) é o novo projeto de Christopher Nolan. E quem conhece a sua filmografia sabe que um filme desses perde muito se visto numa tela de tv, dentro de um streaming. Tenet é cinemão, pra ser visto numa tela enorme. Por mais que isso seja perigoso nos dias de hoje. Vou voltar a esse assunto mais abaixo, agora vamos ao filme.

Vamos primeiro ao que funcionou. O cinema precisa de gente que nem Christopher Nolan. Tem uma cena onde um avião explode num hangar. O avião era real, a produção comprou um avião para ser destruído! Quase todos os efeitos especiais são efeitos práticos, Nolan não gosta de usar CGI. Outro dia comentei como as cenas de carros eram fracas em Invasão Zumbi 2, aqui é o oposto. Carros reais sendo filmados aparecem muito melhor na tela (e a cena de perseguição de carros de Tenet é de tirar o fôlego!). E isso funciona muito melhor numa tela grande. A sessão de imprensa foi na sala Imax, e Tenet ocupa toda a tela!

Tenet trabalha com viagem no tempo, mas diferente do que o cinema costuma apresentar. Vemos um “tempo reverso” – a pessoa anda pra frente enquanto tudo em volta anda ao contrário. Coerente com as ideias malucas de Nolan: Amnésia tem uma história que vai de trás pra frente; Interestelar,  Inception e Dunkirk têm linhas temporais paralelas que se desenvolvem em tempos diferentes.

Esse novo conceito traz cenas onde temos ao mesmo tempo alguns personagens no “tempo normal” e outros no “tempo reverso”. E algumas cenas assim são muito boas! Ok, fica confuso, é difícil de entender tudo, mas… Dá vontade de rever!

Ah, claro, esqueci de dizer: a fotografia é fantástica, e as locações idem. Tenet é um espetáculo visual sob todos os aspectos.

Agora, não gostei de vários pontos do roteiro. Várias coisas são explicadas (coisa comum em se falando de Nolan), mas coisas básicas ficam no ar – tipo quem são essas pessoas, o que é um “tenet”? Não seria legal a gente conhecer uma agência que recrutasse “agentes temporais”? Porque vemos personagens que não sabemos quem são e de onde vem, e, principalmente, quem está bancando financeiramente.

Além disso, a motivação de alguns personagens não convenceu ninguém. Por exemplo, por que o Protagonista (sim, esse é o nome do personagem) tinha tanto interesse na Kat? Isso dentre outros casos que não vou falar por causa de spoilers. O fato é: temos uma história confusa, com personagens que não convencem.

Tem um outro detalhe, mas isso é algo pessoal, que já me incomodou em outros filmes do Nolan. Em Inception, é estabelecida uma rígida regra de tempo – dentro do sonho, o tempo se passa x mais devagar, então se é sonho dentro do sonho, fica 2x mais devagar. Isso me incomodou porque um sonho não é algo “matemático”, não tem como controlar o tempo assim. E isso acontece aqui, as regras propostas pelo filme me soaram forçadas.

No elenco, acho que só se salva o Robert Pattinson (por incrível que pareça). John David Washington, que estava bem em Infiltrado na Klan, tem um Protagonista com falta de carisma. Kenneth Branagh faz um vilão russo caricato, que lembrou o vilão russo caricato que ele fez em Operação Sombra – Jack Ryan. Elizabeth Debicki não está mal, mas o seu personagem é outro ponto forçado no roteiro – por que ela é tão importante? Ainda no elenco, Clémence Poésy, Dimple Kapadia, Aaron Taylor-Johnson, Himesh Patel, Martin Donovan, e uma ponta de Michael Caine, figurinha recorrente nos filmes do Nolan.

Mas, mesmo com esses pontos negativos, achei o saldo positivo. É sempre bom ver um “filmão” como esses, e foi bem agradável voltar a uma sala de cinema sete meses depois, mesmo com todas as restrições.

Antes de acabar meu texto, preciso falar do “novo normal no cinema”. A cada três poltronas, duas estão bloqueadas. Todos ficam de máscara durante toda a permanência dentro da sala. O UCI anunciou antes de começar a sessão um sistema de ionização dos dutos de ar condicionado, um processo que ajuda a eliminar boa parte dos microorganismos dos ambientes climatizados (tecnologia usada na área de saúde – como em ambulatórios e centros cirúrgicos).

Ir ao cinema é um programa 100% seguro? Não, não é. Mas me pareceu mais seguro do que boa parte das coisas que já estão liberadas há meses.

Cuidem-se!

Na Mira do Atirador

Na Mira do AtiradorCrítica – Na Mira do Atirador

No Iraque, dois soldados americanos se veem encurralados por um atirador letal, com apenas uma parede instável entre eles.

Sinal dos tempos. A Netflix tem lançado muito conteúdo original, mas não é o único novo “estúdio alternativo”. A Amazon (que, não podemos nos esquecer, estava na produção de Manchester À Beira-Mar, que chegou a concorrer ao Oscar) também quer se firmar como produtora de conteúdo, e agora apresenta seu novo longa metragem.

Apesar de trazer um diretor (Doug Liman) e um protagonista (Aaron Taylor-Johnson) com um certo star power, Na Mira do Assassino (The Wall, no original) é uma produção bem pequena. São apenas três atores, sendo que um (John Cena) aparece pouco, e o outro, Laith Nakli, nem aparece, só ouvimos a sua voz. E tudo se passa no mesmo cenário. Não sei se o filme é uma peça de teatro filmada, mas funcionaria nos palcos. A Amazon foi esperta: Na Mira do Assassino pode ter cara de superprodução, mas deve ter sido um filme bem barato.

O ritmo é um pouco lento, mas como o filme é curtinho (88 minutos), tudo flui mais fácil. Além disso, Aaron Taylor-Johnson está bem, e seus diálogos pelo rádio conduzem bem a trama.

Nada essencial, mas pode ser uma boa opção pra quem curtir o estilo.

Vingadores: Era de Ultron

Vingadores 2Crítica – Vingadores: Era de Ultron

Finalmente, uma das continuações mais esperadas dos últimos anos!

Quando Tony Stark tenta usar um programa de inteligência artificial com objetivo de alcançar a paz e as coisas dão errado, os Vingadores precisam se unir para deter o vilão Ultron e seu terrível plano.

Os Vingadores foi um dos melhores filmes de 2012, e um dos melhores filmes de super heróis de quadrinhos de todos os tempos. Claro que a expectativa era muito alta. E acredito que este é o maior problema de Vingadores: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron, no original). O filme não é ruim. Mas é bem inferior ao primeiro.

Na verdade, esta não é uma continuação direta do primeiro Vingadores, e sim do segundo Capitão América. Palmas para a Marvel, que conseguiu construir um universo sólido, com vários bons filmes independentes, mas interligados!

Mais uma vez dirigido por Joss Whedon, este segundo Vingadores tem um início alucinante. Vemos os seis heróis em ação juntos – Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro mostram um bom entrosamento, pra nos provar logo de cara que o time é muito forte. Toda a sequência – que inclui um plano sequência muito bem orquestrado – é sensacional. Aliás, justiça seja feita, todas as sequências de ação são muito boas. A briga do Hulk com uma versão “bombada” do Homem de Ferro também chama a atenção.

Não só a ação é muito bem montada, como temos vários momentos de humor – a grande diferença entre a Marvel e a DC é que enquanto a DC quer criar personagens sombrios, o universo Marvel parece se basear na premissa “o cinema é a maior diversão” (na minha humilde opinião, um caminho muito melhor). Alguns trechos são pura comédia, a plateia deu boas risadas. E todas as citações ao martelo do Thor são geniais.

O problema aqui é que o primeiro filme tinha duas horas e vinte e três minutos e não cansava, enquanto este novo tem quase a mesma duração (são dois minutos a menos), e vemos algumas “gordurinhas” que poderiam ser cortadas. Por exemplo, aquela sequência na fazenda podia ser bem menor. E a subtrama do Thor ficou confusa e pareceu incompleta, de repente é algo só para quem acompanha os heróis pelos quadrinhos.

O elenco é um grande destaque. O bom trabalho da Marvel na construção do seu universo, com bons filmes e boas bilheterias, garante a manutenção dos vários nomes do grande elenco. Assim, temos de volta Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Scarlet Johansson, Jeremy Renner, Samuel L. Jackson, Don Cheadle, Cobie Smulders, Anthony Mackie, Hayley Atwell, Idris Elba e Stellan Skarsgard – as personagens de Gwyneth Paltrow e Natalie Portman são citadas, mas as atrizes não aparecem. Paul Bettany – a voz do Jarvis – finalmente mostra a cara (ou quase). De novidade, temos Elizabeth Olsen, Aaron Taylor Johnson, Andy Serkis (ele mesmo, sem captura de movimento), Julie Delpy e a voz de James Spader no vilão Ultron. Ah, claro, Stan Lee, como sempre, faz uma ponta.

Por fim, preciso citar os efeitos especiais. É impressionante a qualidade e clareza das imagens em todas as cenas de ação e – principalmente – de destruição. E o vilão Ultron é um absurdo de bem feito.

Vingadores: Era de Ultron pode não ser tão bom quanto o primeiro, mas acho que vai agradar os fãs. E nem precisa mencionar que tem um gancho para um próximo filme, né?

p.s.1: Não tem cena pós créditos, tem uma cena curta durante, logo depois dos créditos principais.

p.s.2: Não conheço os quadrinhos, mas sei que os X-Men atuais não fazem parte do mesmo universo Marvel dos Vingadores. Afinal, Quicksilver aparece no útlimo X-Men, numa cena dos anos 70 e é americano, enquanto no Vingadores ele é jovem e nasceu na fictícia Sokovia…

Godzilla (2014)

0-Godzilla-Crítica – Godzilla

O novo Godzilla!

O monstro mais famoso do mundo está de volta, para enfrentar criaturas gigantescas que, alimentadas pela arrogância da humanidade, ameaçam a nossa própria existência.

Antes de tudo, um fato curioso: este é apenas o segundo longa para cinema do diretor Gareth Edwards, que chamou a atenção quatro anos atrás com o filme Monstros, um filme independente que custou apenas 15 mil dólares, mas tem excelentes efeitos especiais. Provavelmente o chamaram por causa deste filme.

O último blockbuster com o famoso monstro japonês foi a versão de 1998 dirigida pelo Roland Emmerich. É um divertido filme catástrofe, mas os fãs reclamaram que aquele lagarto gigante pouco parece com o Godzilla original.

Neste aspecto, o novo filme não vai decepcionar os fãs. O Godzilla atual é fiel ao original nipônico. Tem até outro monstro gigante pra brigar com o Godzilla. Nisso o filme acerta. Pena que erra em outros aspectos.

Godzilla tem basicamente dois problemas. O primeiro é que o montro Godzilla é um personagem secundário, que pouco aparece – ele só mostra a cara com quase uma hora de filme. A trama é centrada no “soldado mais azarado do mundo” – acabou de chegar em casa depois de meses fora e logo tem que viajar de novo por motivos pessoais. E onde ele vai, aparecem monstros gigantes destruindo tudo. O cara passa por três continentes, sempre os bichões estão por perto.

O outro problema não sei se é do filme ou da cópia que vi. A sessão de imprensa foi com uma cópia em 3D que estava escura demais. Boa parte do filme é de noite, mal vemos as brigas dos monstros no escuro e através de fumaça – e, pra piorar, provavelmente por razões estilísticas, o diretor inventou de colocar pessoas passando na frente das câmeras, pra dar ao espectador a sensação de estar no meio da ação. Resumindo: evite o 3D. Não tem nenhuma cena que justifique o efeito!

Se o 3D fica devendo, não podemos falar o mesmo sobre os efeitos especiais. Os monstros são extremamente bem feitos, a destruição das cidades idem. O cgi é tão real que impressiona!

O roteiro não é lá grandes coisas. Como temos pouca coisa dos monstros, os roteiristas enchem linguiça com dramas familiares. Lembra até filmes do Spielberg, é um tal de criança separada dos pais, cachorro separado dos donos… E isso porque não vou parar pra listar certas inconsistências – por exemplo, pra que usar o trem pra carregar a bomba, se tinha a opção do helicóptero?

O elenco tem um problema. Não adianta você ter Bryan Cranston, Juliette Binoche, Ken Watanabe e David Strathairn se o papel principal está com um Aaron Taylor-Johnson apático. Johnson estava bem em Kick-Ass, mas aqui ele é um dos pontos fracos. Ah, Elizabeth Olsen faz quase uma ponta.

Enfim, não é um filme essencial, mas os fãs vão gostar. E vão gostar mais ainda se virem em 2D, claro.

Kick-Ass 2

Crítica – Kick-Ass 2

Estreou a continuação de Kick-Ass!

O “super heroi caseiro” Kick-Ass está de volta, junto com outros cidadãos comuns que também se fantasiam para combater o crime. Enquanto isso, Red Mist planeja vingar a morte do seu pai.

O primeiro Kick-Ass foi uma agradável surpresa, uma adaptação de quadrinhos pouco conhecidos que misturava bem ação e humor, usando muita violência gráfica (às vezes até demais). E a continuação pode não ser tão boa quanto o original, pelo menos consegue manter o alto nível.

Houve uma troca de diretor. Mathew Vaughn, que foi para a franquia X-Men – Primeira Classe, deixou o cargo para Jeff Wadlow. Pelo menos continuou no projeto como produtor, talvez para fazer um “controle de qualidade”.

Uma das melhores coisas do primeiro filme era a Hit Girl de Chloe Grace Moretz. Parece que não sou o único a pensar assim: Chloe aqui tem um papel tão importante quanto o protagonista Aaron Taylor-Johnson, talvez até mais importante – se o filme se chamasse “Hit Girl” em vez de “Kick-Ass”, não seria estranho. Chloe continua carismática e boa atriz, ela consegue um equilíbrio perfeito na sua adolescente que pende entre a escola e o combate ao crime. Chloe tem apenas 16 anos e já tem uma currículo com vários filmes legais. Essa menina vai longe!

Outro destaque do elenco é Christopher Mintz-Plasse, que está ótimo, careteiro e exagerado na medida exata com o seu vilão Motherf$#@cker. E, se Nicolas Cage não volta (seu personagem morreu), temos um Jim Carrey menos careteiro que o habitual – o que ajuda no seu papel. Ainda no elenco, John Leguizamo, Morris Chestnut, Clark Duke, Lindy Booth, Olga Kurkulina e Donald Faison.

Ainda sobre o elenco: a Mother Russia da estreante Olga Kurkulina é uma personagem ótima, uma espécie de Ivan Drago (Rocky IV) com seios (mas nem por isso podemos chamar de uma “versão feminina” de Drago). E a cena quer ela briga com vários policiais ao som de uma versão rock’n’roll de Tetris é sensacional!

Aliás, a trilha sonora funciona muito bem, tanto nas canções quanto nos temas instrumentais. E traz uma coisa particularmente interessante para o público brasileiro: uma versão, em português (com sotaque), de A Minha Menina, aquela do Jorge Ben que Os Mutantes gravaram.

Pena que nem tudo funciona. Algumas coisas ficam difíceis de “engolir”, como, por exemplo, por que ninguém usa armas de fogo na cena final? E uma cena em particular traz uma escatologia que não combinou muito bem com o resto do filme. Um filme desses não precisa de piadas com excrementos.

Mesmo com esses pequenos escorregões, Kick-Ass 2 ainda é bem divertido, e deve agradar ao público que gostou do primeiro filme.

Ah, e não se esqueçam de ver a cena depois dos créditos!