Vitória

Crítica – Vitória

Sinopse (imdb): Baseado em uma história real, o filme conta a história de uma senhora de 80 anos que, sozinha, desmantelou um esquema de tráfico de drogas em Copacabana.

Lembro de quando gravamos o Podcrastinadores de Expectativas pra 2025, e o host, GG, trouxe este filme. A curiosidade era em dois aspectos. O primeiro era porque era uma história real, e uma história real muito boa. O outro era porque era o novo filme da Fernanda Montenegro – em tempos de overdose de Fernandinha, é legal ver que a Fernandona ainda está em forma.

Mas, infelizmente, temos pouca coisa a mais pra se comentar sobre Vitória

Pra quem não conhece ou não se lembra: em 2005, uma senhorinha, moradora de Copacabana, resolveu denunciar à polícia sobre o tráfico que tomou conta do morro ao lado da janela do seu apartamento. Como é ignorada pela polícia, ela resolve comprar uma filmadora e registra várias irregularidades, incluindo tráfico de drogas, assassinato e corrupção policial. Ela quer tornar públicas suas gravações, mas não quer sair do seu apartamento. Mas, eventualmente, acaba cedendo e entrando no sistema de proteção à testemunha.

Vitória teve um problema grave durante a produção, que não sei ao certo o quanto afetou o resultado. O filme seria dirigido por Breno Silveira (criador da série Dom), mas ele morreu de ataque cardíaco fulminante durante o período de filmagens. Andrucha Waddington, parceiro de longa data, assumiu a direção. E não sei o que foi filmado por cada um – procurei saber, mas ouvi várias versões – desde que Breno só filmou a primeira cena, até que ele teria filmado quase tudo e Andrucha só teria finalizado. Gosto muito do trabalho do Andrucha (Sob Pressão, O Juízo), e ele assina Vitória, mas não sei o quanto do filme é realmente dele.

(Ah, e pra quem não sabe, Andrucha é casado com a Fernanda Torres. Sim, virou um projeto em família, quem assumiu a direção foi o genro da atriz principal.)

Sobre as locações: fui morador de Copacabana por 16 anos, e não sei qual morro é aquele que aparece no filme. As cenas do calçadão foram filmadas no Leme, a rua onde a protagonista mora é no Catete, e existe um morro com o mesmo nome do morro do filme, mas no Centro em vez de Copacabana. Me parece que criaram um local fictício no Rio.

Como falei lá em cima, um dos maiores méritos é a protagonista Fernanda Montenegro. Ela hoje está com 95 anos, não sei que idade tinha quando foi filmado. Mas é impressionante ver uma nonagenária “carregando” um filme. Praticamente todo Vitória é em cima da sua personagem, que passa a impressão de estar muito bem fisicamente! Conheço pessoas com muito menos idade que estão muito mais fragilizadas!

No resto do elenco, queria destacar o menino Thawan Lucas, que faz o Marcinho, garoto que ajuda a protagonista. Ele está muito bem, guardemos este nome para o futuro!

Agora, fora isso, não tem muito mais o que se falar sobre Vitória. Não é ruim, tecnicamente é um filme correto. Mas não é empolgante. A impressão que fica é que se tirasse a Fernanda Montenegro, seria um filme besta.

(Ah, se tem gente pensando na Fernandona pro Oscar ano que vem, calma, galera. Acho muito difícil um filme como Vitória chamar a atenção da Academia.)

Por fim, queria falar de uma polêmica meio vazia. Tem gente reclamando que a “Vitória” original era negra, então seria errado ela ser interpretada pela Fernanda Montenegro, uma branca. Mas, a Vitória original estava escondida, no sistema de proteção à testemunha. Ninguém sabia como ela era fisicamente! Só foi divulgada sua imagem depois que ela faleceu, e o filme já estava sendo feito. Ou seja, não foi “white washing”. E, convenhamos, acho que se ela estivesse viva, duvido que reclamasse de ser interpretada por uma das maiores atrizes do Brasil!

O Juízo

Crítica  – O Juízo

Sinopse (google): Em crise no casamento devido ao alcoolismo e por ter perdido o emprego, Augusto Menezes decide se mudar com esposa e o filho para uma fazenda herdada de seu avô. O que ele não imaginava era que a propriedade fosse assombrada por Couraça e Ana, escravos decididos a se vingar dos antepassados de Augusto.

Oba! Mais filme de gênero nacional!

O Juízo é um “suspense sobrenatural”*. Mas, diferente da maior parte dos filmes nacionais fantásticos feitos com poucos recursos, O Juízo tem pedigree, é uma produção da grande Conspiração Filmes. Digo mais: parece ser um projeto da família Torres Waddington – o filme é dirigido por Andrucha Waddington, roteirizado por sua esposa Fernanda Torres, e tem no no elenco Fernanda Montenegro (mãe da Fernanda Torres) e Joaquim Torres Waddington (o filho mais velho do casal). Curioso que uma família tão ligada ao cinema tradicional tenha um projeto com cinema de gênero…

O Juízo não é um grande filme, não é um “novo clássico do cinema nacional”. Mas tem seus méritos. Gosto muito da câmera do Andrucha Waddington. Os cenários no casarão no meio do mato são ótimos – o detalhe de não ter energia elétrica na casa ajuda no clima. A trama ainda tem plot twists, e adorei a cena do acidente de carro.

O elenco é excelente. O casal principal, Felipe Camargo e Carol Castro, está bem; Joaquim Torres Waddington, em seu primeiro filme, também segura a onda. Fernanda Montenegro e Lima Duarte, monstros da atuação brasileira, são sempre ótimos. Mas, pra mim, o destaque é Criolo, que está assustador.

Agora, uma história pessoal. Meu filho estuda no colégio com o filho caçula do Andrucha. Num evento na escola, comentei que estava ansioso pra ver o filme, e ele me disse “vou te chamar pra pré estreia”. Veio o convite, fui feliz ao cinema, acompanhado do meu amigo Sergio Junior, do podcast Frequência Fantasma – ver um filme de graça, com direito a pipoca e refri, já era um bom programa por si só. Mas, encontrei a Fernanda Torres, e a sessão virou um evento inesquecível. Ela me perguntou qual sala que heu estava. “Vem ver o filme com a gente, na nossa sala”, e a assessora me deu dois convitinhos com um “R” escrito no canto. Entramos na sala, nos informaram “o ‘R’ é de reservado, vocês podem sentar ali, junto com a equipe e o elenco”. Sentamos numa fileira meio vazia, e aos poucos vieram sentar em volta. Na poltrona ao meu lado, Lima Duarte. Ao lado dele, Carol Castro, e logo depois, Felipe Camargo. Fernanda Montenegro e Gilberto Gil se sentaram pouco atrás.

É, amigos. Ver um filme com essa galera em volta foi uma grande noite!

*Lima Duarte, ao meu lado, antes do filme, puxou papo, e disse que esse era um “suspense sobrenatural”. Gostei, vou usar!