Plano de Aposentadoria

Crítica – Plano de Aposentadoria

Sinopse (imdb): Quando Ashley e sua filha Sarah se envolvem em um empreendimento criminoso que coloca suas vidas em risco, ela recorre ao pai afastado Matt, atualmente vivendo a vida de um vagabundo de praia aposentado nas Ilhas Cayman.

Não costumo ver trailers, mas me enviaram o trailer deste Plano de Aposentadoria (The Retirement Plan, no original) acabei vendo e curti a ideia. Parecia ser um “novo John Wick”, com o Nicolas Cage no papel principal. Ok, vamos ver qualé.

A comparação é válida, afinal são dois super mega assassinos, aposentados, que são forçados a voltarem à ação. O problema é que John Wick pode até ter uma premissa clichê, mas a execução é bem longe disso. Já Plano de Aposentadoria tem uma execução burocrática, o que nos entrega um filme bem genérico. Escrito e dirigido por Tim Brown, Plano de Aposentadoria é extremamente óbvio. A gente consegue prever tudo o que vai acontecer.

Se tem algo aproveitável é o elenco. Porque, se a trama é previsível e cheia de clichês, pelo menos vemos na tela atores como Nicolas Cage, Ron Perlman, Jackie Earle Haley e Ernie Hudson – inclusive este último é aquele clichê do “amigo do mocinho que entra na trama só pra se ferrar”.

Falei desses quatro atores, mas o melhor personagem é sem dúvida o do Ron Perlman, assassino brutamontes e ao mesmo tempo carinhoso. Se uma coisa vale a pena em Plano de Aposentadoria, é o personagem do Ron Perlman!

As cenas de ação são ok. Não tem nenhuma coreografia de luta que chama a atenção. Mas, pelo menos, mostra sangue quando precisa mostrar.

Por fim, uma coisa curiosa: os diálogos repetem insistentemente que estão procurando um HD, mas o filme só mostra um pen drive. Se a gente vê um pen drive, por que não mudaram o texto dos diálogos?

Pode divertir os menos exigentes. Mas é daquele tipo de filme que a gente esquece na semana seguinte.

Madame Teia

Crítica – Madame Teia

Sinopse (imdb): Forçada a confrontar seu passado, Cassandra Webb, uma paramédica em Manhattan que pode ter habilidades de clarividência, cria uma relação com três jovens destinadas a futuros poderosos, se elas conseguirem sobreviver ao presente ameaçador.

Atrasado, mas vamos falar de Madame Teia.

Antes, uma pequena explicação sobre a causa do atraso. Não teve sessão de imprensa no Rio de Janeiro (me falaram que teve em SP, mas não posso afirmar). E, pra piorar, estou em uma cidade do interior. Fui ao cinema, estava escrito que o ingresso nas quartas era 28 reais, mas resolveram cobrar 40. Por que? Deve ser porque é o único cinema da cidade, então eles podem cobrar o que quiserem. Só não podem reclamar depois quando as pessoas escolherem o streaming!

Bem, vamulá. Heu nunca tinha ouvido falar nessa tal de Madame Teia, e também não tinha visto o trailer. Entrei no cinema de coração aberto. E posso dizer que não odiei tanto como a maioria. Sim, Madame Teia está bem longe de ser bom, mas, achei do mesmo nível de Morbius e dos dois Venom. Ou seja, apenas mais um filme ruim no meio de outros igualmente ruins.

Dirigido pela pouco conhecida S J Clarkson, Madame Teia (Madame Web, no original) parece um filme de super herói dos anos 80 ou 90, época que a gente tinha poucos filmes desse sub gênero e por isso a gente aceitava mais fácil aceitar certas coisas. Depois de duas décadas de MCU, fica complicado ver uma personagem que está sendo procurada pela polícia e que resolve visitar o Peru – ué, e as fronteiras?

O roteiro é cheio de pontos fracos. Começo falando da cena inicial. A mãe da protagonista está grávida no meio da Amazônia peruana. O vilão se revela, dá um tiro nela, aparece uma tribo de índios-aranha (num efeito especial que parece videogame mal renderizado) e salva o bebê antes dela morrer, 30 anos se passam, e o vilão está com a mesma cara! Será que ele não envelhece? Não sabemos.

Aproveito pra falar do vilão. Por que ele queria a aranha? Não sabemos. Ele é um cara rico. Ele já era rico ou ficou rico depois de roubar a aranha? Não sabemos. Quais são os poderes dele além de andar nas paredes e soltar veneno pelas mãos? Não sabemos. Qual é o objetivo dele? Não sabemos. Só sabemos que ele tem um sonho premonitório. Todos os dias o mesmo sonho. E, pra piorar, diz que sempre tem o mesmo sonho, mas acaba morrendo de outra forma.

A gente podia seguir, mas o texto ia ficar muito longo. Mas ainda preciso falar da cena onde ela vai para o Peru (mesmo foragida). Pra começar que seria bem difícil ela encontrar o local exato da aldeia dos índios aranha. Mas, ok, é filme, a gente aceita. Agora, todo o diálogo do líder indígena com ela é péééssimo! Como é que ele sabe tantos detalhes sobre o poder dela, se é um poder tão único?

Ah, só mais um! A protagonista não sabe como enfrentar o vilão, então ela joga o carro em cima e o atropela. Ok. Algumas cenas depois, ela o atropela de novo! Sério que os roteiristas repetiram o atropelamento? Pior: ela não tinha como saber se ia atropelar mais alguém no processo.

(Ainda sobre o primeiro atropelamento – por que na visão dela ela anda a pé e chega mais rápido do que depois quando vai de carro?)

Mas, isso não é o pior. Acho que o pior de Madame Teia é ser um filme de super herói sem super heróis. A protagonista passa o filme inteiro tentando entender seus poderes, e são poderes que não servem pra muita coisa enquanto ela não aprender a controlá-los. E as três jovens Mulheres Aranhas só aparecem em uma cena, e é uma cena dentro de um sonho. O único personagem com super poderes é o vilão.

Ou seja, venderam um filme de super heróis e entregaram um filme onde personagens fogem de um vilão.

Agora um comentário de alguém que não lê quadrinhos. O filme se passa no universo do Homem Aranha – um dos personagens é o tio Ben Parker, e a irmã dele está grávida de um menino (não dizem o nome, mas fica implícito que é o Peter Parker). Ou seja, anos antes do Peter ser picado por uma aranha radioativa, já existiam várias pessoas Aranha, e com origens diferentes? Isso faz algum sentido nos quadrinhos?

Também queria falar sobre o product placement. Entendo que muitos filmes colocam propagandas escondidas no roteiro dos filmes, mas não me lembro de um filme recente com uma propaganda tão explícita da Pepsi. Tem uma cena longa onde a protagonista está com uma lata na mão, e toda a sequência final é debaixo de um enorme luminoso da Pepsi. Agora, a Pepsi deveria repensar seu marketing. Não só escolheu um filme errado, como pelo diálogo, não dá vontade de beber Pepsi, afinal a personagem diz que só vai beber Pepsi porque não deixaram ela beber cerveja.

O elenco tem bons nomes, mas ninguém está bem. Dakota Johnson tem cara de paisagem, acho que nunca a vi atuando bem, mas ela não atrapalha. As três jovens, Sydney Sweeney, Isabela Merced e Celeste O’Connor, parecem sofrer com um roteiro ruim e personagens mal desenvolvidas. Agora, Tahar Rahim está péssimo, seu vilão entra fácil na galeria de piores vilões de filmes de super heróis. Adam Scott está apenas ok, e juro que não entendi um nome com o star power da Emma Roberts num papel tão pequeno.

Dito tudo isso, posso afirmar que não saí do cinema com raiva. Ok, raiva de pagar um ingresso mais caro por um filme que não merecia, mas, não tive raiva do filme. Acho que esperar algo do nível de Morbius e Venom ajudou a baixar a expectativa.

Freelance

Crítica – Freelance

Sinopse (imdb): Um ex-agente das forças especiais trabalha fornecendo segurança para uma jornalista que vai entrevistar um ditador. No meio da entrevista, ocorre um golpe militar e eles são forçados a fugir para a selva, onde precisam sobreviver.

Alguns filmes se propõem a ser grandes filmes que vão mudar paradigmas do cinema. Outros apenas querem proporcionar uma leve diversão. Este é o caso de Freelance, novo filme de ação de Pierre Morel, diretor francês que chamou a atenção 20 anos atrás com B13 – 13º Distrito (com roteiro e produção de Luc Besson), e que quatro anos depois dirigiria o filme que mais marcou a carreira do Liam Neeson (Busca Implacável).

Se Busca Implacável foi um grande filme, este Freelance parece uma nova versão de Cidade Perdida, de 2022. Se Cidade Perdida era uma mistura de comédia com ação que se baseava no carisma de seus protagonistas Sandra Bullock e Channing Tatum, Freelance faz o mesmo, só que com John Cena e Alison Brie.

A história é clichê e previsível: uma jornalista vai para um país fictício entrevistar o ditador, e contrata um segurança particular. Quando chegam lá, acontece um golpe de estado, tentam matar o presidente ditador, e o trio “se mete em muitas confusões!”

O que vale no filme é o carisma do elenco. É sempre agradável ver John Cena em cena, se ele aparece pouco em Argylle, pelo menos aqui ele está durante o filme inteiro. A personagem de Alison Brie não é muito consistente, às vezes ela parece querer uma coisa, logo depois parece querer outra, mas a atriz também tem carisma. E gostei de Juan Pablo Raba e seu ditador divertido e irônico. Também no elenco, Christian Slater, Alice Eve e Marton Csokas (como o vilão caricato – por que sempre tem que ter um vilão caricato?).

Agora, todo o filme é genérico. Cenas de perseguição genéricas, tiroteios genéricos… Sim, a gente já viu esse filme antes. Mas serve para os fãs do John Cena e da Alison Brie.

Argylle – O Superespião

Critica – Argylle – O Superespião

Sinopse (imdb): Quando as tramas dos livros de uma reclusa autora de romances de espionagem sobre o agente secreto Argylle começam a espelhar as ações de uma verídica organização de espionagem, as linhas entre o fictício e o real começam a se entrelaçar.

Filme novo do Matthew Vaughn!

Sempre curti a carreira de Matthew Vaughn, desde X-Men Primeira Classe e Kick-Ass. Mas, seu último filme, King’s Man A Origem, foi bem fraco. O trailer deste Argylle – O Superespião (Argylle, no original) prometia algo mais próximo do primeiro Kingsman, o que me fez colocar Argylle na minha lista de expectativas para 2024.

Então, valeu o lugar na lista? Ou foi uma grande decepção como Turma da Mônica Jovem Reflexos do Medo?

Olha, pode não ser tão bom quando Kingsman, mas, me diverti muito. O filme é engraçado, tem cenas de ação muito bem filmadas, tecnicamente enche os olhos e tem um elenco sensacional. Saí da sessão feliz, isso pra mim conta muito.

Algumas sequências são muito bem filmadas. Tem uma luta num trem onde a protagonista está vendo o agente “real” lutando ao mesmo tempo que imagina o personagem dela. Ou seja, uma coreografia de luta onde troca o ator que está lutando. Deve ter dado um trabalho enorme pra coreografar, filmar e editar isso!

Ouvi uma crítica negativa comparando com Missão Impossível, porque lá tudo é mais “real”. Mas aqui nunca teve uma proposta de algo real! Tem uma cena com uma luta em cima de uma enorme poça de petróleo que é completamente galhofa! E tem uma cena usando fumaça colorida que, além de galhofa, é linda! E achei genial a solução dada para o “tiro no coração”. Sim, é absurdo; e sim, é por ser absurdo que curti!

Agora, o filme tem uma quebra no meio e a segunda metade dá umas escorregadas. Existe um plot twist onde muda todo o ponto de vista sobre os personagens, e a partir daí o filme tem uma queda. Não chega a ficar ruim, mas a primeira metade é melhor.

Adorei a trilha sonora! Desde a cena inicial com Barry White, até a nova música Electric Energy, de Ariana DeBose, Boy George, Nile Rodgers – que tem muita cara de música feita nos anos 70! Ok, entendo que a trilha me pegou pelo lado nostálgico, mas, todas as músicas se encaixam perfeitamente!

O elenco é muito bom. Um amigo crítico estava vendo ao meu lado e criticou a escolha dos dois protagonistas, Bryce Dallas Howard e Sam Rockwell, porque eles não têm o perfil para “blockbuster de ação”. Verdade, eles não têm esse perfil. Na página do imdb, os primeiros nomes são Sofia Boutella e Henry Cavill, dois nomes que teriam mais a ver. Mas, curiosamente, o mesmo motivo que fez o meu amigo criticar é o motivo que me faz defender: gostei de ter dois nomes “diferentões” como protagonistas. Henry Cavill aparece bem menos, e Sofia Boutella só aparece em uma única cena, e não é uma cena de ação! Ainda no elenco, Bryan Cranston, John Cena, Samuel L Jackson, Dua Lipa, Catherine O’Hara e Ariana DeBose.

O final traz uma solução “deus ex machina” que achei completamente desnecessária e que diminuiu um pouco o valor do filme na minha humilde opinião. E tem uma cena pós créditos que aparentemente é um teaser de uma nova franquia.

Beekeeper – Rede de Vingança

Crítica – Beekeeper – Rede de Vingança

Sinopse (imdb) A tentativa brutal de vingança de um homem gera riscos para toda a nação depois que ele é revelado como sendo ex-agente de uma organização poderosa e clandestina conhecida como “Beekeepers”.

Pensa num cara que tem trabalhado muito. Ano passado tivemos quatro filmes com o Jason Statham. Em um deles, Velozes e Furiosos 10, ele aparece pouco, mas nos outros três ele é o protagonista – Esquema de Risco, Megatubarão 2 e Mercenários 4. O ano acabou de começar e, olha lá, já tem filme novo dele em cartaz…

Beekeeper – Rede de Vingança (The Beekeeper, no original) não é um grande filme, mas, se a gente tiver boa vontade, é melhor que os três do ano passado. A direção é de David Ayer, responsável por aquele Esquadrão Suicida ruim; o roteiro é de Kurt Wimmer, que tem uns filmes bem ruins no currículo (como o péssimo The Misfits), mas tem o meu respeito por ter escrito e dirigido Equilibrium (talvez o único filme bom da sua filmografia).

Temos alguns problemas básicos aqui. Começo por Beekeeper – Rede de Vingança ter um argumento quase igual a John Wick. Adam Clay é um assassino extremamente eficiente que sai da aposentadoria e começa a matar um monte de gente para se vingar. “Ah, mas em John Wick matam o cachorro dele” – ué, aqui matam as abelhas!

Mas, já comentei aqui diversas vezes, não me incomodo com ideias repetidas desde que o filme seja bom. O que mais me incomodou aqui foi outra coisa: o cara tem que ser “bonzinho” quando enfrenta policiais. John Wick mata todos os seus adversários, o que é coerente, afinal use o adversário sobreviver, ele pode reagir e atacar de novo. Quando Adam Clay enfrenta adversários que trabalham apara os vilões, ele mata (e algumas dessas cenas são muito boas). Mas quando ele enfrenta adversários da polícia ou do FBI, ele só atira no colete ou na perna. Tem uma cena – que está no trailer – onde ele, sozinho, enfrenta uns 15 homens do FBI, e bate em todos, e nenhum dos adversários atira nele. Desculpa, mas essas cenas forçaram a barra.

Agora, se o espectador se desligar desses “detalhes”, pode se divertir. Inclusive, tem uma cena que parece que foi colocada só pra estabelecer que o filme não deve ser levado a sério. Não entrarei em detalhes, mas é a cena do posto. Aquilo ficou tão exagerado que parece cartunesco! Isso ajuda a engolir a sequência final – aquela festa nunca teria mercenários como seguranças.

Algumas sequências de ação são muito boas. Gostei da cena do celeiro, a gente entende como ele, desarmado, consegue enfrentar adversários armados. E a cena do elevador caindo é sensacional. Na minha humilde opinião, se o filme seguisse mais por esse caminho, seria melhor.

No elenco, Jason Statham interpreta Jason Statham, e ele é bom fazendo o Jason Statham de sempre. Emmy Rever-Lampman faz a principal coadjuvante, mas é uma personagem meio incoerente – ela quer achar quem matou sua mãe, mas ao mesmo tempo quer caçar quem está agindo ao lado dela. Jeremy Irons não consegue estar mal, mas é um bom ator desperdiçado num papel besta. Ainda no elenco, Josh Hutcherson, Bobby Naderi, Jemma Redgrave e uma ponta da Minnie Driver.

Como falei, Beekeeper – Rede de Vingança não é um grande filme. Mas quem entrar na galhofa proposta na cena do posto vai se divertir.

O Silêncio da Vingança

Crítica – O Silêncio da Vingança

Sinopse (imdb): Um pai enlutado realiza sua tão esperada vingança contra uma gangue implacável na véspera de Natal.

Filme novo do John Woo!

Lembro de quando estava procurando possíveis títulos para a minha lista de expectativas não óbvias pra 2023, mencionei este O Silêncio da Vingança (Silent Night, no original) mesmo sem ter a certeza se ele ia estrear. Foi uma boa surpresa ver que entrou em cartaz no circuito (apesar da outra surpresa, negativa, de não ter tido sessão de imprensa).

A proposta era ousada: um longa metragem de ação sem diálogos. Não é um filme mudo, tem efeitos sonoros, trilha sonora, uma frase dita aqui e outra ali, mas, zero diálogos.

A princípio a gente acha que vai ser o formato clichê de sempre: o cara sofre uma perda, passa por uma fase de treinamento e vai enfrentar os adversários. Mas o roteiro espertamente coloca falhas no plano do protagonista. Ele treinou meses para o confronto, mas está enfrentando oponentes que estão nessa vida há muito mais tempo. Ou seja, nem tudo funciona e ele descobre que é bem mais difícil do que esperava. Prefiro assim do que filmes onde o protagonista quase ganha super poderes.

A proposta de não ter diálogos trouxe um problema: algumas partes ficaram meio lentas. A parte do meio, quando acontece o treinamento, é arrastada e dura tempo demais. Por outro lado, as cenas de ação são excelentes. Woo ainda manja dos paranauês quando o assunto é filmar cenas de ação. Tiroteios, perseguições de carro, uso de armas brancas, o repertório é farto.

(Aliás, tem uma cena numa escada, “plano sequência fake”, que fiquei imaginando onde estava o cameraman.)

Tem uma característica que talvez incomode parte do público. O protagonista carrega uma caixinha de música que toca sempre a mesma melodia, e isso acontece em todas as cenas onde ele se lembra do filho. Isso acontece muitas vezes! Mas, se a gente analisar a carreira do diretor, vai lembrar que acontece algo semelhante em Bala na Cabeça – uma melodia insistente que permeia todo o filme. Ou seja, goste ou não, é coerente com o diretor.

Aliás, falando nas características de Woo, reclamação por um head canon meu: em um momento cabia a clássica cena dos dois oponentes um com a arma no pescoço do outro. Além disso, não tem pombas voando em câmera lenta! Woo, é você mesmo?

Um filme nesse formato precisa de um ator inspirado pra funcionar, e Joel Kinnaman (Robocop, Esquadrão Suicida) não decepciona nessa tarefa. Que bom que ele tem muito mais tempo de tela do que qualquer outro personagem, porque o vilãozão malvadão é caricato ao extremo.

Por fim, um comentário aleatório: em inglês, faz sentido ser um “filme de natal” pelo trocadilho com “Silent Night”. Em português o trocadilho se perdeu. E pro filme, tanto faz ser no Natal ou em qualquer outra época do ano.

Godzilla Minus One

Crítica – Godzilla Minus One

Sinopse (imdb): Em um Japão social e economicamente devastado após o término da Segunda Guerra Mundial, a situação chega a um nível ainda mais crítico quando uma gigantesca e misteriosa criatura surge do mar para assolar o país.

Heu preciso confessar que eu não sou muito fã de “filme de monstro gigante”. Vejo porque gosto de filmes de ação e de blockbusters. Mas nem sabia que ia ter um filme novo do Godzilla. Só depois é que fui descobrir que essa é uma versão japonesa. E posso dizer que gostei bastante do resultado final, gostei mais deste Godzilla Minus One do que dos últimos hollywoodianos do “monsterverse”, lançados em 2014 (Godzilla), 2019 (Godzilla Rei dos Monstros) e 2021 (Godzilla vs Kong).

Fui catar na internet, segundo a wikipedia já são 40 títulos desde 1954. Segundo o que me disseram, este Godzilla Minus One seria para comemorar os 70 anos do Godzilla, mas como ano que vem tem filme novo do “monsterverse”, lançaram este em 2023 pra não confundir.

Diferente dos últimos filmes do Godzilla, esse se passa no Japão, logo depois da Segunda Guerra Mundial. Boa sacada, o país acabara de sair arrasado de uma guerra. Aliás, o nome do filme é relativo a isso: com a devastação causada pela guerra, o Japão foi reduzido a zero. Um monstro gigante reduziria ainda mais, por isso virou “menos um”.

Ainda aproveitando a ambientação da Segunda Guerra Mundial, o filme traz um piloto kamikaze como protagonista. Ele não era para estar lá, era para ter morrido durante a guerra, mas ele teve questionamentos e carrega esses questionamentos ao longo do filme inteiro. Foi uma ideia legal, não costumamos ver esse tipo de personagem sob este ângulo.

A direção é de Takashi Yamazaki, não vi nenhum outro filme dele. Mas achei curioso o nome bem parecido com a brasileira Tizuka Yamasaki, que fez alguns títulos “sérios” nos anos 80, como Gaijin Os Caminhos da Liberdade (1980) ou Parahyba Mulher Macho (1983) e depois fez vários filmes com a Xuxa. Cheguei a achar que podiam ser parentes, mas vi que a grafia é diferente, não devem ser parentes.

É uma produção japonesa, até onde entendi não tem a grana de um grande estúdio hollywoodiano. Não sei qual foi o orçamento, tampouco sei quais são os recursos que o estúdio japonês tem. Mas preciso dizer que existe uma cena de destruição de cidade aqui que é sensacional, é uma das melhores cenas de destruição de cidade que heu já vi no cinema! Essa cena da destruição da cidade só tem um problema: o ponto alto do filme acontece na primeira metade. Claro que existe uma batalha final, que é até boa, mas inferior à sequência da destruição.

Aliás é bom dizer que os efeitos do monstro são excelentes. É cgi, mas foi feito pra parecer uma pessoa dentro de uma fantasia, como os Godzillas clássicos. E o bichão é assustador!

Nem tudo funciona. Achei os momentos dramáticos um pouco acima do tom. O cinema oriental tem essa característica de ter atuações muito exageradas, isso acontece aqui, e, na minha humilde opinião o filme dedica tempo demais aos momentos dramáticos.

Felizmente isso não atrapalha o bom resultado final. Godzilla Minus One é um filme empolgante, e a plateia não vai sair decepcionada das salas de cinema. E a boa trilha sonora que lembra batalhas épicas vai ajudar na empolgação da plateia.

Não tem exatamente uma cena pós créditos, mas vale ficar até o final, fica a dica!

A Chamada

9 tosqueiras em A Chamada

Sinopse (imdb): Um executivo se prepara para levar os filhos na escola. Ao ligar o carro, ele recebe uma ligação anônima informando que há uma bomba embaixo do seu assento e não poderão sair do carro.

Dirigido por Nimród Antal (Predadores), A Chamada (Retribution, no original) é a refilmagem de El Desconocido, filme espanhol de 2015, e que já teve uma versão alemã e uma sul coreana. Não vi nenhum dos três antecessores, não posso comparar. Mas posso dizer que este aqui parece ser apenas mais um filme genérico do Liam Neeson. Pelo menos esse deve ter sido fácil de filmar, ele fica no carro quase todo o filme.

Dois terços do filme são um filme genérico meia boca. Mas, no terço final, vira um genérico ruim. Então, em vez de comentar “mais um genérico do Liam Neeson”, que tal comentar uma lista de coisas que não fazem sentido?

Claro, spoilers liberados a partir de agora!

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

– Começo pelo tradicional erro de casting. Liam Neeson tem 71 anos. Está em boa forma, mas, tem 71 anos. Embeth Davidtz tem 58. E os atores que interpretam os filhos têm 15 e 18 anos. A idade parece ser incompatível. É impossível? Não, inclusive o casal pode ter adotado. Mas, ficou estranha essa diferença de idade tão grande.

– Aos 16 minutos de filme, Liam Neeson descobre que tem uma bomba debaixo do seu banco e para o carro. A primeira coisa que qualquer um faria seria mandar os filhos saírem! Depois você descobre se a bomba é real ou não, primeiro libera os filhos!

– O carro do personagem do Matthew Modine explode. Depois descobrimos que ele é o vilão e que está vivo. Não existe investigação policial pra descobrir que não tinha nenhum cadáver no carro e colocar Modine entre os suspeitos?

– Ainda sobre esta cena. Liam Neeson está conversando ao mesmo tempo com o Matthew Modine e com o vilão, que depois descobrimos que são a mesma pessoa. Só que ele fala com cada um através de um celular diferente. Modine mostra como consegue alterar entre a voz normal e a voz do vilão, mas não tinha como alterar entre dois celulares diferentes.

– Tem uma cena onde o personagem está cercado por dezenas de policiais. E o filme mostra – mais de uma vez – que existe pelo menos um sniper apontando para ele. No momento em que ele arrancasse com o carro, o sniper ia atirar. A policial que estava negociando só disse pra suspenderem as armas depois que ele partiu.

– O cara está cercado por dezenas de policiais. Aí consegue escapar – com o carro sem portas! Dezenas de carros de polícia estão seguindo. Mas, do nada, eles param a perseguição. Wait, what?

– Ele vai para uma manifestação, cheia de policiais, com o carro sem portas. Depois estaciona o carro em um local aberto e fica longos minutos parado conversando com o antagonista. Cadê os policiais? Deu a hora deles e eles resolveram ir pra casa?

– A gente passa o filme inteiro ouvindo que a bomba é ativada pelo peso do Liam Neeson. Que, se ele levantar, a bomba explode. Aí o carro fica de lado. O peso dele estaria no cinto de segurança, não no banco! Por que a bomba não explodiu?

– Por fim, a cena onde ele salta do carro pra bomba explodir é fisicamente impossível. E mesmo que ele caísse em linha reta, a explosão ia pegá-lo, antes no filme a gente vê um carro explodindo e pegando uma pessoa que tentou escapar.

O Protetor: Capitulo Final

Crítica – O Protetor: Capitulo Final

Sinopse (imdb): Robert McCall se sente em casa no sul da Itália, mas descobre que seus amigos estão sob o controle do crime local. À medida que os eventos se tornam mortais, McCall sabe que deve tornar-se o protetor de seus amigos enfrentando a máfia.

Vamos ao terceiro filme da franquia O Protetor, os três estrelados por Denzel Washington, os três dirigidos por Antoine Fuqua (que aliás já fez outros dois filmes com Denzel, Dia de Treinamento e Sete Homens e um Destino).

O Protetor: Capítulo Final (The Equalizer 3, no original) tem uma característica que é ao mesmo tempo um ponto positivo e um ponto negativo. O ponto negativo é que a fórmula é a mesma usada nos outros dois filmes. O cara chega no lugar e quer tentar ajudar alguém. Ele é um cara muito habilidoso, e quando vai ajudar essa pessoa, acaba cutucando algum vilão ou grupo de vilões. E esse vilão ou grupo de vilões está apoiado por um grupo maior de vilões, mais perigosos ainda, e aí ele tem que enfrentar sozinho o grupo mais perigoso de vilões. Ou seja, a gente já viu essa história antes.

Por outro lado, é que nem quando você vai num restaurante novo e come um prato muito gostoso, e você pensa, “quero voltar a esse restaurante para repetir este prato”. Se por um lado a história é repetida e você já viu isso antes, por outro lado é muito bem feito e muito bem filmado.

Eu não lembro de detalhes dos outros dois filmes. Vi quando lançaram e nunca revi. Relendo meus textos vi que não curti tanto assim, mas é porque o personagem não tinha me convencido. Curioso, agora me convenceu. Provavelmente é porque o Denzel Washington convence a gente, como sempre. Só que precisamos de uma grande suspensão de descrença, afinal, o ator está com quase 70 anos, e enfrenta, sozinho, vários adversários mais novos e mais fortes. Comentei outro dia, na crítica sobre Resistência, sobre a falta de carisma de John David Washington – filho do Denzel. E agora, logo depois, estreia o filme com o pai, e a gente vê a diferença. Mesmo velho, Denzel convence como um ex-agente da CIA extremamente habilidoso.

Não me lembro se os outros filmes têm muitas sequências de ação. Achei que aqui foram poucas. Pelo menos podemos reconhecer que são muito bem filmadas. E a gente entende como é que o personagem Robert McCall age e como é que ele enfrenta os adversários. A sequência inicial já mostra isso, primeiro vemos vários inimigos mortos, pra depois vê-lo em ação contra uns quatro ou cinco. Ah, a trilha sonora alta e agressiva nesses momentos ajuda a criar o clima.

Ah, quase esqueço. Ok, o cara é muito bom, mas, lembrem-se: precisa de suspensão de descrença. Tem uma cena onde a máfia chega e ele se entrega, e que dificilmente ele sairia ileso. Mas, ok, a gente aceita.

Heu não conhecia quase ninguém do elenco – aparentemente são todos italianos, já que o filme se passa na Itália. O único nome conhecido é Dakota Fanning, num papel de agente da CIA. A gente lembra que ela já tinha trabalhado com Denzel em Chamas da Vingança, quando tinha apenas dez anos, em 2004, é bacana vê-los trabalhando juntos de novo. Mas a personagem dela meio que não acrescenta nada. Heu só não digo que é um personagem completamente inútil porque a cena onde eles conversam ao vivo pela primeira vez é uma cena bem divertida – é uma cena onde ele mostra como ele é bom no que faz, além de ser irônico. Agora, se a personagem dela não tem muita importância durante o filme ela, pelo menos tem relevância na trama, no fim do filme explicam a conexão dela com os outros filmes.

Pra quem curte ação bem filmada e com um bom ator, O Protetor: Capitulo Final estreia quinta agora.

O Continental: Do Mundo de John Wick

Crítica – O Continental: Do Mundo de John Wick

Sinopse (imdb): O Continental é uma rede de hotéis localizados em todo o mundo que funciona como um território neutro para membros do submundo do crime. Eles são frequentados por muitos assassinos notórios.

Falei ontem sobre Os Mercenários 4. Agora pensem em uma situação curiosa: de um lado tem um filme, pra cinema, estrelado por Sylvester Stallone e Jason Statham; do outro lado tem uma série de TV, spin off de um filme de ação, e o único nome conhecido é o Mel Gibson, em um papel secundário. Alguém poderia imaginar que o seriado ia ser muito melhor?

O Continental: Do Mundo de John Wick (The Continental: From the World of John Wick, no original) é um prequel de John Wick, e vai mostrar como o Winston (Ian McShane nos filmes) virou o cara tão importante que ele é em toda a saga. A série se passa nos anos 70, ou seja, provavelmente não veremos o próprio John Wick – se ele já nasceu, é apenas uma criança. Ah, o Charon, que nos filmes foi vivido pelo recém falecido Lance Reddick, também aparece. Por enquanto, só esses dois personagens.

O grande diferencial da franquia John Wick são as coreografias de luta. O primeiro filme foi dirigido por Chad Stahelski e David Leitch, os três seguintes por Stahelski (Leitch estava só na produção), e ambos têm um extenso currículo como dublês. Logicamente, eles vão querer mostrar lutas bem filmadas. Stahelski e Leitch aqui são só produtores executivos, a direção é de Albert Hughes (O Livro de Eli), que, curiosamente, não tem nenhum crédito como dublê. Mas ele conseguiu captar muito bem o estilo dos filmes.

Claro que o que mais chama a atenção são as cenas de luta – temos algumas excepcionalmente bem filmadas. Mas heu ainda citaria como destaque toda a ambientação nos anos 70, incluindo a trilha sonora que alterna entre disco music e clássicos do rock setentista. O mesmo falo sobre a fotografia – o visual da série lembra muito o dos filmes. Pra completar, O Continental: Do Mundo de John Wick ainda traz alguns personagens bem esquisitos, o que é coerente com o conceito dos filmes.

Um parágrafo à parte pra falar dos doze primeiros minutos do primeiro episódio, que começa com um plano sequência muito bom, passeando por uma festa. E pouco depois tem uma sequência de tiro porrada e bomba que vai agradar até o mais xiita fã dos filmes.

Se heu puder fazer uma crítica: não gostei da perseguição de carros. Entendo que deve ter tido um problema orçamentário que limitou os takes, mas, sei lá, se não tinha dinheiro pra fazer a cena, era melhor trocar por outra coisa. Não chega a estragar o episódio, mas precisamos reconhecer que ficou estranha.

O Continental: Do Mundo de John Wick será uma série curta, apenas três episódios. Mas, cada episódio é quase um filme de longa metragem – o primeiro, “Brothers in Arms” (único disponível até agora) tem uma hora e vinte e seis minutos. A boa notícia (pelo menos pra mim) é que só tem um episódio por semana – não gosto do conceito de maratonar séries, prefiro um tempo pra digerir o que vimos.

No elenco, o único nome conhecido é Mel Gibson, num papel importante mas secundário. O resto do elenco é de nomes pouco conhecidos. Gostei das atuações de todos, mas, tive um problema, achei que alguns atores são meio parecidos, isso me causou uma certa confusão (os dois que roubam o artefato na primeira sequência não são “iguais”?). Nomes pouco conhecidos, mas, já comentei antes que minha memória bizarra guarda alguns nomes, né? Sabe a irmã de cabelo esquisito, que aparece se alongando? É a Marina Mazepa, que fez a criatura em Maligno.

O primeiro episódio termina com um ótimo gancho (com uma frase usada pelo próprio John Wick, “guns, a lot of guns”). Aguardo ansiosamente pelo segundo!