Guerreiras do K-Pop

Crítica – Guerreiras do K-Pop

Sinopse (imdb): Um grupo feminino de K-Pop de renome mundial está conciliando sua vida sob os holofotes com sua identidade secreta como caçadoras de demônios.

Pra quem não sabe, faço parte do podcast Podcrastinadores, e temos um grupo de apoiadores, onde trocamos mensagens quase todos os dias. A apoiadora Mariane Paiva tinha comentado, meses atrás, sobre esse Guerreiras do K-Pop, mas pensei “não curto K-pop, deve ser infantil, não sou o público alvo”, por isso deixei pra lá. Aí veio a temporada de prêmios e o longa começou a se destacar. E no Globo de Ouro, levou dois prêmios, melhor longa do animação e melhor canção. Aí lembrei do meme do Leonardo Dicaprio: “você tinha a minha curiosidade, agora tem a minha atenção”.

Ou seja, bem atrasado, vou fazer meus comentários. Terei poucos views. Mas pelo menos vou cumprir com o prometido para a Mariane.

Guerreiras do K-Pop (KPop Demon Hunters, no original) é o novo longa de animação da Sony, mesmo estúdio de Homem Aranha no Aranhaverso e A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas. Inicialmente a gente repara alguma semelhança nos traços, mas um elogio que podemos fazer ao estúdio é que seus projetos não parecem ctrl c ctrl v do anterior (a Pixar, que já foi sinônimos de qualidade, tem se repetido bastante ultimamente). Enquanto no Aranhaverso o desenho parece emular as imperfeições de uma página impressa de um gibi, e em Família Mitchell temos elementos gráficos e colagens espalhados pela trama; aqui os personagens às vezes têm traços de animes e mangás em algumas reações exageradas. E preciso dizer que isso ficou bem engraçado.

Falemos sobre o Kpop. Não conheço absolutamente nada de Kpop. Pra mim, o som tocado no filme é igual a qualquer outro pop atual, se fosse uma Taylor Swift ou Ariana Grande, pra mim era a mesma coisa. Dito isso, não achei as músicas ruins, mas não entrariam na minha playlist. Mas, entraram na playlist de muita gente – Golden, a música principal do filme, alcançou o topo do Spotify Global e bateu 1 bilhão de streams.

(Um breve parênteses sobre música pop ser tudo parecido. Uma vez fiz um “teste cego” com minha filha e o namorado, mostrando músicas da Madonna e da Cyndi Lauper pra eles dizerem quem cantava cada música. Eles erraram mais da metade. Ou seja, música pop é meio tudo igual mesmo.)

A trama apresentada no filme é meio clichê – a menina que esconde um segredo e fica na dúvida se suas amigas vão aceitá-la como ela é. Mas é um clichê bem conduzido, e os personagens são carismáticos. Ou seja, é bobinho mas está longe de ser ruim.

No elenco, nunca tinha ouvido falar dos principais Arden Cho e Ahn Hyo-seop. Mas Guerreiras do K-Pop tem alguns nomes conhecidos nos papéis secundários, como Ken Jeong (Se Beber Não Case), Lee Byung-hun (que estava concorrendo ao Globo de Ouro de melhor ator por A Única Saída), e Yunjin Kim e Daniel Dae Kim (o casal oriental de Lost).

Guerreiras do K-Pop está na Netflix, todo mundo que era o público alvo já viu. Aliás, hoje, é o filme mais visto da história da Netflix, com 325 milhões de views nos primeiros três meses. E agora é a hora dos retardatários que só se interessaram depois dos prêmios. As indicações ao Oscar saem nos próximos dias, grandes chances deste filme estar na lista.

Zootopia 2

Crítica – Zootopia 2

Sinopse (imdb): A corajosa coelha policial Judy Hopps e seu amigo, a raposa Nick Wilde, unem-se novamente para solucionar um novo caso, o mais perigoso e intrincado de suas carreiras.

Nove anos depois do primeiro Zootopia, aparece a continuação. Se a gente lembrar que aquele filme ganhou o Oscar de melhor animação e que passou de um bilhão de dólares na bilheteria, até que a continuação demorou…

A história aqui é bem parecida. Se no primeiro filme existe um atrito entre presas e predadores, aqui o atrito é entre mamíferos e répteis. Novamente acompanhamos a dupla de policiais formada pela coelha Judy e a raposa macho Nick, desta vez investigando uma possível existência de cobras – animais que não são vistos há tempos no universo do filme.

Um dos grandes méritos aqui está na boa dinâmica entre os dois personagens principais. Zootopia 2 explora bem o clichê “buddy cop”, aquele onde uma dupla precisa superar suas diferenças pra trabalharem juntos. Judy e Nick são personagens muito bons, e funcionam perfeitamente juntos.

Além de protagonistas carismáticos, Zootopia 2 tem alguns coadjuvantes muito bons. Além disso, tem um bom ritmo e algumas boas cenas de ação. E não sei se dá pra chamar de comédia, mas tem algumas cenas bem engraçadas. Enfim, é um filme bem equilibrado, num pacote que vai agradar a maioria.

A parte técnica também é impressionante. Não que isso seja exatamente uma surpresa, claro que a gente esperaria isso do “novo longa da Disney”. Mas mesmo assim os gráficos enchem os olhos. Em algumas cenas vemos o vento batendo nos pelos dos personagens, e temos a impressão de que cada pelo balança independente dos outros.

A empolgante trilha sonora do Michael Giacchino também é muito boa. Agora, tem um número musical da Shakira, que interpreta a Gazelle (que também estava no primeiro filme), número que provavelmente foi incluído pra tentar um Oscar de melhor canção. E não que a música seja ruim, mas… Fui o único que achou a música exatamente igual à música da Shakira na Copa do Mundo?

Uma coisa que gosto muito é de referências a outros filmes, e Zootopia 2 tem algumas. Foi uma boa sacada usar uma ovelha na citação ao Silêncio dos Inocentes (afinal o título original é The Silence of the Lambs, ou “O Silêncio das Ovelhas”), e ri alto no “momento O Iluminado“. Tem outra muito boa, rapidinha, citando um longa da Pixar, mas não vou dizer qual.

Zootopia 2 é bem divertido mas a gente precisa reconhecer que é um “prato requentado”, quase tudo aqui é repetição do que vimos no primeiro Zootopia. Agora, lembrando que o outro filme passou quase 10 anos atrás, acredito que muita gente nem vai lembrar. E ainda tem toda uma nova geração que vai conhecer primeiro o segundo filme.

O elenco original tem alguns bons nomes, mas a sessão de imprensa foi dublada, então não posso comentar sobre os atores escolhidos. Mas, deu pena de não ter ouvido a voz do Danny Trejo fazendo o lagarto Jesus…

No finzinho dos créditos tem uma cena com gancho pra Zootopia 3 – e segundo essa cena, grandes chances de repetirmos a mesma trama no próximo filme. Aguardemos.

Elio

Crítica – Elio

Sinopse (imdb): Elio, de onze anos, se vê transportado pela galáxia e confundido com o embaixador intergalático do planeta Terra.

Hoje, vai ser um texto curtinho, porque não queria deixar passar um longa da Pixar. Mas, não tenho muito a falar sobre Elio.

Talvez o problema não seja do filme, seja meu. É que a Pixar já fez tantos filmes que são muito elaborados, com camadas, filmes que alcançam tanto as crianças quanto os adultos. E Elio é tão bobinho… Não é ruim, mas definitivamente é um filme infantil demais.

Heu soube que Elio teve vários problemas na produção. Era pra ter sido lançado anos atrás, mas foi adiado – chegou a rolar um trailer em 2023 que apontava para uma história bem diferente da que foi lançada (uma das mudanças é nítida: o protagonista antes não queria ser abduzido, e agora ele até pede para que isso aconteça). O diretor era Adrian Molina, que se desligou do projeto (provavelmente por causa do atraso), e outras duas diretoras assumiram a direção, Domee Shi e Madeline Sharafian (mas os três estão creditados). E oito pessoas assinam o roteiro! Não sei até que ponto isso atrapalhou o resultado final, mas o ponto é que, comparado com outros filmes da Pixar, Elio fica bem abaixo.

O roteiro é extremamente previsível. Qualquer um que já viu outros longas de animação vai saber tudo o que vai acontecer, cada passo dos personagens, inclusive o vilão e sua redenção. E, diferente de outras animações para crianças, Elio não tem muitas piadas. Acho que só ri na cena onde o vilão está praticando tiro ao alvo.

Pelo menos o visual é bem bonito. Quando o garoto chega no “Comuniverso”, vemos vários seres diferentes, de muitas cores diferentes. Neste aspecto o filme é bom. Outra coisa que achei boa nessa parte foi que os outros seres não são necessariamente antropomórficos, característica bem comum em desenhos infantis.

Mas, como falei, achei bobo demais. E meus filhos hoje são adolescentes, eles nem devem querer ver este novo Pixar nos cinemas. Mas, repito, talvez o problema seja meu e não do filme. Se você tiver crianças pequenas para levar ao cinema, pode ser um bom programa.

Por fim, queria falar do 3D. A sessão para a imprensa foi em 3D, e nem me lembro qual tinha sido o meu último filme assim, achei que tinham desistido do recurso. Voltaram com o 3D, e, como quase sempre, foi desnecessário. Acho que só teve uma cena onde o efeito foi bem usado, quando a “câmera” passa ao lado de um satélite. No resto, pareceu só desculpa pra vender ingresso mais caro.

Predador: Assassino de Assassinos

Crítica – Predador: Assassino de Assassinos

Sinopse (imdb): Três dos guerreiros mais ferozes da história da humanidade se tornam vítimas do maior assassino de assassinos.

A saga O Predador traz um conceito muito bom, apesar do péssimo nome – o cara não é um predador, ele é um caçador, que pratica caça como esporte, e procura adversários fortes, porque ele quer encarar desafios. (Aliás, por causa deste conceito, a ideia de “Alien vs Predador” é muito boa, porque é um exímio caçador enfrentando um animal muito perigoso. Pena que os dois filmes são ruins.)

Pensando nisso, podemos ter um vasto leque de continuações e spin offs. E acredito que este Predador: Assassino de Assassinos quer abrir essa porta.

Um dos diretores é Dan Trachtenberg, que aparentemente é o novo “dono” da franquia – ele dirigiu anterior, O Predador: A Caçada, de 2022, e também o próximo, Predador: Terras Selvagens, com previsão de lançamento ainda este ano. A diferença é que este Predador: Assassino de Assassinos é uma animação.

Predador: Assassino de Assassinos é curto, pouco menos de uma hora e meia, e traz três histórias independentes, além de uma quarta história que une as três. São três momentos históricos distintos, onde aparece um “Yautja” (a raça dos Predadores) diferente em cada momento, enfrentando um grande adversário – uma guerreira viking no ano 841, um samurai (ou ninja, não sei ao certo) no Japão feudal, em 1609, e um piloto de avião da Segunda Guerra Mundial. Na quarta parte, vemos os três personagens juntos, no planeta dos Yautjas.

Achei as duas primeiras histórias muito boas. Ursa, a guerreira viking, tem uma cena sensacional em “plano sequência” (as aspas são porque é uma animação) onde ela ataca inimigos. Muita violência, muito sangue, a sequência é muito boa. A segunda parte, onde o Yautja entra no meio de uma briga entre os irmãos Kenji e Kiyoshi, também é muito bem executada. Pena que não posso dizer o mesmo sobre a terceira. É uma batalha entre uma nave espacial e pequenos aviões monomotores, uma briga muito injusta – e não me lembro de algum Yautja usando uma nave para brigar nos outros filmes, o lance deles sempre foi a batalha no mano a mano, mesmo usando armas e aparelhos tecnológicos.

A quarta história traz os três juntos, lutando numa arena. E é a parte que menos gostei. Primeiro porque Torres, o piloto da Segunda Guerra, não teria condições de enfrentar os outros, é um personagem nitidamente mais fraco que Ursa e Kenji. Aí tiveram que transformá-lo em alívio cômico.

Mas tem outra coisa ainda pior (mesmo que seja, infelizmente, algo relativamente comum em filmes). Primeiro, vemos um monstro alienígena, que come um Yautja, e o despedaça com seus dentes. Logo depois, ele come o Torres – que logo aparece, vivo e inteiro, dentro da barriga do monstro. Cara, se o monstro engole sem mastigar, por que mostrar ele mastigando logo antes? Mas calma que piora. Torres é um bom piloto, mas não é bom na parte mecânica. Ele tem dificuldade em consertar um avião, com tecnologia terrestre. Mas, encontra uma peça de tecnologia alien dentro da barriga do monstro, e consegue hackear a tecnologia Yautja, a ponto de fugir do monstro, dirigir um pequeno transporte e depois pilotar a nave deles! Caramba, de onde surgiram essas habilidades? Ele foi apresentado como alguém que não sabia da parte mecânica e tecnológica!

Tem outro problema, mas talvez isso não seja nada grave, heu que sou chato. A primeira história é falada em inglês, a Ursa é viking mas fala inglês. A segunda é em japonês. Aí quando os três estão juntos, o roteiro vem me dizer que existe uma barreira linguística entre eles, porque cada um fala uma língua diferente. Eles precisam lutar juntos mas não conseguem se comunicar. Mas, caramba, se a Ursa falava inglês antes, por que agora não entende???

Por fim, outro problema comum nos dias de hoje: Predador: Assassino de Assassinos não acaba. No fim, os mocinhos fogem, o vilão manda naves atrás deles, e… aguardemos a continuação. Qual é o problema de se fechar uma história?

Durante esta parte final, fiquei na dúvida se o filme envolvia viagem no tempo, mas tem um detalhe bem no finzinho que mostra que os guerreiros que vencem Yautjas ficam congelados para lutas futuras. E o filme acaba com um easter egg, mas nada surpreendente.

No fim, a gente lembra daquele meme do desenho do cavalo. Porque Predador:Assassino de Assassinos começa bem, mas vai piorando cada vez mais.

Como Treinar o seu Dragão (live action)

Crítica – Como Treinar o seu Dragão (live action)

Sinopse (imdb): Quando uma ameaça coloca em perigo tanto vikings quanto dragões na ilha de Berk, a amizade entre Soluço, um viking inventivo, e Banguela, um dragão Fúria da Noite, se torna a chave para ambas as espécies construírem um novo futuro juntas.

Falei aqui outro dia sobre Lilo & Stitch, live action quase igual ao desenho original. Poizé, Como Treinar o seu Dragão é a mesma coisa. Quase igual ao desenho original. Deu vontade de ser preguiçoso e copiar o meu texto sobre o longa animado, de 2010. Mas, vamulá, o leitor merece um novo texto.

Estamos vivendo uma onda de adaptações live action, mas é quase tudo Disney (este ano já foram duas, Branca de Neve e Lilo & Stitch). Mas aqui não é Disney, Como Treinar o seu Dragão é o primeiro live action da Dreamworks. A direção é do mesmo Dean DeBlois que co-dirigiu a animação (Chris Sanders foi o parceiro no desenho, mas não está neste filme, ano passado ele fez Robô Selvagem). Curiosidades do mercado cinematográfico: além de Como Treinar o seu Dragão, a dupla também dirigiu o Lilo & Stitch original. Já reparou que o Banguela e o Stitch são um pouco parecidos?

No filme, o jovem Soluço, filho do líder de uma aldeia viking que é frequentemente atacada por dragões, tenta capturar um dragão Fúria da Noite, o mais perigoso de todos, mas quando consegue, acaba se afeiçoando ao animal.

A história é igual, dragões vs humanos, humanos vs dragões, até que um humano descobre que as espécies podem conviver pacificamente. Mas existe um problema quando você troca de animação pra atores reais. Porque se um dragão cospe fogo em um personagem desenhado, dependendo de como isso for apresentado, isso pode ser algo engraçadinho. Mas com atores humanos, fica muito mais violento. Fiquei preocupado em uma cena onde um dragão solta labaredas em cima da plateia da arena, ia ter gente morrendo ali. Mas é filme pra criança, então dragões atacam casas e barcos, humanos caçam dragões, mas no fim ninguém se machuca, nem humanos, nem dragões.

Tem outro problema que é a “polêmica desnecessária da vez”. São vikings, e escolheram Nico Parker, uma atriz de ascendência negra, para o principal papel feminino – apesar dela ter olhos claros e a pele bem mais clara que a da sua mãe, Thandiwe Newton. Ela não é uma atriz ruim, mas, fica aquela dúvida: precisava? Se no desenho era uma menina loira, pra que alterar? É o tipo da provocação que só serve pra alimentar polêmicas, na minha humilde opinião.

Pelo menos o filme apresenta um exuberante espetáculo visual, assim como acontece na animação – li que foi filmado na Islândia, nas mesmas paisagens onde se inspiraram pra fazer a animação. Além disso, os efeitos de cgi dos dragões são perfeitos. Quase dá pra acreditar que são reais.

No papel principal, temos o jovem Mason Thames, que já tinha mostrado talento em O Telefone Preto – esse garoto vai longe! Nico Parker faz a principal personagem feminina, como falei, ela está bem, só achei que podiam ter escolhido uma atriz mais parecida com a do desenho (como o resto do elenco). Gerard Butler repete o papel que fez na animação, o pai do protagonist; Nick Frost também está bem, não o reconheci logo de cara, mas fiquei pensando “esse cara parece o Nick Frost…”.

Dito tudo isso, volto ao ponto de partida. Como Treinar o seu Dragão não é ruim, mas é igual ao desenho, então a gente pode pensar que é um filme desnecessário. Mas vou lembrar da minha reflexão de dias atrás, sobre Lilo & Stitch: se Como Treinar o seu Dragão trouxer público para o cinema, tá valendo.

Que traga muito público. A continuação já está prevista para 2027.

Lilo & Stitch

Crítica – Lilo & Stitch

Sinopse (imdb): Uma menina havaiana solitária faz amizade com um alienígena fugitivo, ajudando a remendar sua família fragmentada.

É complicado falar de um filme como Lilo & Stitch. Porque é divertido e engraçado, e o Stitch é fofinho, então certamente vai agradar o público. Mas, por outro lado, é exatamente igual ao desenho de 2002. Ou seja, é divertido, mas na verdade é um prato requentado.

A Disney errou muito nas adaptações live action, quase todos os filmes são ruins ou péssimos – na minha humilde opinião, o único bom é Cruella, que não é uma versão de 101 Dálmatas e sim uma história independente usando a personagem. Todo o resto é sofrível, e o último a ser lançado, Branca de Neve, foi ruim com força. Olhando sob este ângulo, Lilo & Stitch nem é tão ruim.

Tem uma coisa que merece elogios, que é a animação do Stitch. Acho que só teve uma cena onde reparei falhas na interação com os personagens humanos – uma cena no fim onde as irmãs abraçam o Stitch e dá pra ver pelos braços delas que estão abraçando o ar. Porque em todo o resto do filme, parecia um bicho real. Devem ter colocado um Stitch de pelúcia em tamanho real interagindo com o elenco de carne e osso. O efeito especial é realmente bem feito.

Aproveitando o elogio, preciso dizer que o roteiro teve uma pequena alteração positiva. No desenho, os alienígenas que vêm pra Terra pra tentar capturar o Stitch se vestem como humanos e ficam no meio das pessoas e ninguém repara que são alienígenas. Isso era meio tosco no desenho, e aqui foi consertado, agora eles usam uma camuflagem e se parecem com humanos.

Mas fora isso, tudo é igual ao original. Bonitinho, fofinho… e repetido.

Preciso comentar sobre a dublagem. A sessão de imprensa foi anunciada legendada, mas na hora exibiram o filme dublado. E a atriz que faz a Lilo, a estreante Maia Kealoha, foi prejudicada pela dublagem. Me parece que é uma boa atriz mirim, mas em várias cenas ela soou artificial.

Aproveito pra falar do elenco. Maia Kealoha e Sydney Agudong interpretam as irmãs. Chris Sanders, diretor do desenho original, volta a fazer a voz do Stitch (repetindo o papel, ele fez o mesmo em 2002). Tia Carrere e Jason Scott Lee estavam no desenho, e voltam aqui com outros personagens. Zach Galifianakis e Billy Magnussen fazem as versões humanas dos alienígenas, e estão bem caricatos, mas funcionam no estilo do filme. E fiquei com pena de não ter ouvido a voz da Hannah Waddingham porque era a versão dublada.

Lilo & Stitch vai agradar, vai vender ingresso, vai levar pessoas ao cinema, e isso é algo sempre positivo. E por isso vou me contradizer. Sim, é um prato requentado, e o desenho original está no Disney+. Mas é sempre positivo ver alguém deixando o streaming e indo ao cinema. Por este motivo, apesar de não ter nenhuma novidade, torço por mais projetos como esse.

Branca de Neve

Crítica – Branca de Neve

Sinopse (imdb): Adaptação em live-action do filme de animação da Disney de 1937 “Branca de Neve e os Sete Anões”.

Estreou o filme mais polêmico de todos os tempos da última semana!

Não tem como não falar desta nova versão de Branca de Neve (Snow White, no original) sem lembrar das diversas polêmicas. Teve a escalação de uma atriz latina para um papel que deveria ser “branca como a neve”; teve esta mesma protagonista dando entrevistas falando mal da história original; teve a polêmica entre as duas atrizes principais, uma apoiando Israel e outra apoiando a Palestina; teve o Peter Dinklage reclamando da história desvalorizar os anões, e por isso supostamente os atores foram trocados por cgi… Muitas polêmicas, mas hoje vou falar do filme. (Sobre as polêmicas, procurem outros sites.)

Dirigido por Marc Webb (que fez os filmes do Homem Aranha com o Andrew Garfield), Branca de Neve se propõe a atualizar a história contada no desenho lançado em 1937. Algumas alterações até funcionaram, mas outras não. Mas, no fim, nem é um filme tão ruim. É apenas mais um live action desnecessário – como aliás, quase todos os live actions da Disney (na minha humilde opinião, o único live action bom é Cruella, que não é uma adaptação, é um spin off com uma história independente do desenho original). Ou seja, a gente esperava um grande lixo, mas é apenas mais um filme esquecível. E, claro, inferior à obra original.

Rachel Zegler foi uma escolha errada, porque na história original, a rainha fala “Como eu queria ter uma filha com a pele branca como a neve, lábios vermelhos como sangue e cabelos negros como ébano.” Tiveram que alterar a origem dela, no filme ela se chama Branca de Neve porque nasceu num dia que estava nevando – uma grande forçação de barra. Além disso, ela deu a entender através de entrevistas que não gosta do desenho. Pra que escalar uma atriz assim? Mas, pelo menos ela canta bem. Pena que Branca de Neve não tem nenhuma música empolgante – a única música que fica na cabeça quando acaba o filme é a dos anões, que todo mundo já conhece há décadas: “Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou…”

Escalar Rachel Zegler e Gal Gadot trazia outro problema, semelhante ao filme de 2012, Branca de Neve e o Caçador, quando Kristen Stewart era a Branca de Neve e Charlize Theron era a Rainha Má. Uma das falas mais famosas da história original é “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?” – e, assim como Kristen Stewart nunca vai ser mais bela que Charlize Theron, Rachel Zegler nunca vai ser mais bela que Gal Gadot. Mas, reclamei disso em 2012, não sei se vale reclamar igual agora, treze anos depois. O que posso dizer sobre a Gal Gadot: ela está caricata, talvez um pouco acima do que deveria estar, mas não chega a atrapalhar. E ela canta, até canta bem, mas, nos dias de hoje, não sei se é a voz dela ou não.

Sobre os anões: eles viraram criaturas mágicas que vivem na floresta há centenas de anos, e todos são em cgi. Achei que ficou bom. O cgi dos anões é muito bem feito – assim como o cgi dos animais da floresta. Não sei muito sobre os bastidores da polêmica com o Peter Dinklage, se os anões em cgi foi por causa disso, mas sei que o resultado final, pelo menos pra mim, foi satisfatório.

Agora, o que foi bem ruim foi um núcleo de personagens que acompanha o “mocinho” – agora não pode ser mais príncipe, porque a Branca de Neve, empoderada, não pode ser salva por um príncipe (decisão que a produção tomou, que questiono se foi correta ou não). Enfim, em vez de príncipe, é um ladrão, e esse ladrão tem um bando, que não estava na história clássica, e que tem várias representatividades – e que parece saído de uma faculdade de Humanas na UFRJ. Já é uma grande forçação isso, mas calma que piora. O problema é que, tirando um (logo o anão!), essas pessoas do grupo são meros figurantes. Não têm nomes, não têm diálogos, não têm nenhuma importância para a trama. Caramba, se você vai incluir diversidade no seu filme, dê alguma relevância pra esses personagens!

Algumas coisas foram atualizadas para os dias de hoje, ok, a gente entende que se passaram quase 90 anos. Mas não entendo como não adaptaram o beijo do príncipe / ladrão no final. O cara encontra a Branca de Neve morta, e dá um beijo na boca dela? Quem beijaria a boca de um cadáver??? Não seria melhor um beijo na cabeça?

Enfim, Branca de Neve nem é tão ruim quanto esperado, mas é esquecível. O desenho ainda é muito melhor.

Flow

Crítica – Flow

Sinopse (imdb): Gato é um animal solitário, mas quando seu lar é destruído por uma grande inundação, ele encontra refúgio em um barco habitado por diversas espécies, tendo que se juntar a eles apesar das diferenças.

E vamos para uma das mais badaladas animações de 2024!

Escrito e dirigido por Gints Zilbalodis, Flow (Straume, no original) é um longa de animação feito na Letônia, que está indo tão bem na temporada de prêmios, que não só está concorrendo ao Oscar de melhor Animação, como também está concorrendo ao Oscar de melhor Filme Internacional (sim, é um dos concorrentes de Ainda Estou Aqui).

E realmente é um desenho belíssimo. Vou repetir algo que já falei algumas vezes recentemente: às vezes um traço não precisa ser perfeito para ser bonito. Assim como Homem Aranha no Aranhaverso, Gato de Botas 2, Tartarugas Ninja e Robô Selvagem, Flow não tem traços perfeitos, como vemos nos longas da Pixar e da Disney. Digo mais, aqui, às vezes o traço parece meio borrado, parece que pintaram e não finalizaram o desenho. E isso traz um charme especial. Longas de animação descobriram que as imperfeições podem melhorar a qualidade visual de algumas obras!

Vou além: nos acostumamos com animais antropomorfizados, que é quando um animal tem traços humanos, tipo andar sobre as patas traseiras, usar as patas dianteiras como mãos, falar e ter expressões faciais. Isso virou algo normal em longas de animação. Mas aqui em Flow os animais se portam como animais (durante quase todo o filme). Tenho cachorro e já tive gato, e posso dizer que os movimentos dos animais são bem semelhantes a animais reais. Inclusive tem uma sequência onde a capivara tem um problema porque ela não consegue saltar como um gato ou um cachorro.

Flow conta a jornada de um gato, que, fugindo de uma enchente, se une a outros animais em um barco. Não tem nenhum humano, ou seja, o filme não tem diálogos. O gato se une a um cachorro, uma capivara, um lêmure e um pássaro (não sei qual espécie), e eles navegam em busca da sobrevivência.

Flow é bonito e emocionante, mas tive três problemas com o filme. Em primeiro lugar, achei que faltou um contexto pra gente se situar sobre o que está acontecendo. Não preciso de explicações detalhadas sobre tudo, mas queria saber que mundo é aquele, por que a água estava subindo. E, afinal, estamos no planeta Terra nos dias atuais? Porque tem um monstro marinho que não me parece um bicho dos dias de hoje.

Outro problema é sobre a “antropomorfização seletiva”. Durante quase todo o filme, animais se portam como animais. Mas… Quando o filme pede, eles sabem usar o leme do barco pra controlar o barco durante a navegação. Caramba, por que não deixar o barco apenas flutuando?

Agora, aceito esses dois detalhes. Quando um filme é bom, a gente aceita alguns probleminhas aqui e ali. Mas, existe um terceiro problema que quase me fez não gostar de Flow. Mas como é na cena final, vou colocar um aviso de spoilers.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Na cena final vemos o monstro marinho morrendo. Caramba, pra que terminar o filme com um bicho morrendo??? Era um personagem secundário, a gente não precisava saber o que aconteceu com ele!!! “Ah, mas tem uma cena pós créditos onde a gente vê barbatanas ao fundo, de repente ele não morreu…” Pra mim, aquelas barbatanas são de outro monstro marinho. O que estava na jornada do gato MORREU.

Esse final foi PÉSSIMO!

FIM DOS SPOILERS!

Mesmo não tendo gostado nem um pouco da cena final, reconheço que Flow é um grande filme. Não acho que consiga o Oscar, mas, ganhar duas indicações já é um grande feito para um desenho da Letônia!

Mufasa: O Rei Leão

Mufasa: O Rei Leão

Sinopse (imdb): Mufasa, um filhote perdido e sozinho, conhece um simpático leãozinho chamado Taka, o herdeiro de uma linhagem real. O encontro casual dá início a uma jornada transformadora de um grupo de desajustados em busca de seus destinos.

E vamos pra mais um filme desnecessário…

Lançado em 1994, O Rei Leão é um desenho muito bom e muito marcante, que traz personagens carismáticos e uma trilha sonora inspiradíssima. Aí em 2019, aproveitando a onda caça níqueis de versões live action, resolveram lançar um “live action” do Rei Leão – que não tinha absolutamente nada de live action, era apenas uma animação em outro estilo. E este filme de 2019 falhou em quase tudo, mas principalmente em dois aspectos. Primeiro porque era uma história exatamente igual à do filme de 94, e, além disso, por ter traços realistas, os bichos não tinham expressões faciais. O resultado parecia um documentário ruim do National Geographic.

Dirigido por Barry Jenkins, este Mufasa pelo menos traz uma história original, e deram uma aliviada no problema das expressões. Menos mal. Mas mesmo assim, ainda falta bastante pra ser um filme bom.

Mas, antes de tudo, um elogio à qualidade das imagens. Mufasa é colorido, traz vários cenários diferentes, tem cenas debaixo d’água, e ainda tem animais simplesmente perfeitos. Quem estiver interessado na parte técnica vai curtir.

Vamos ao filme. Em Mufasa, Rafiki aparece pra contar para Kiara, filha de Simba, a história de seu avô. Timão e Pumba estão presentes, fazendo o alívio cômico e falando bobagens a cada momento de respiro da história – coisa que incomodou algumas pessoas, mas heu reconheço que gostei de algumas das piadas, principalmente quando eles fazem referências “off filme”, tipo quando mencionam a versão musical.

Mas a história é fraca. O “plot twist” do irmão do Mufasa é tão óbvio que transformaram numa piada, quando Kiara fala “já sei quem que ele vai virar!”. E o personagem me pareceu mal construído: por que um leão que teve toda a sua família assassinada por um vilão se uniria a este mesmo vilão? (Sem contar que este vilão também não é um bom personagem.)

É um filme pra crianças, então não tem sangue, nem bichos mortos. Ok, entendo a proposta. Mas fica estranho, porque nas lutas entre leões, heu nunca conseguia saber o que estava acontecendo. E o fato do Mufasa e do Taka serem muito parecidos atrapalhava, porque quando estamos vendo dois leões quase iguais correndo, como saber qual é qual? (Lembrando que, no desenho, Mufasa e Scar são bem diferentes!)

Tem outro problema: a trilha sonora composta por Lin-Manuel Miranda. Não que seja uma trilha ruim, mas é uma trilha insossa, principalmente se comparada à trilha do desenho de 94, composta por Elton John. Assim como aconteceu em Moana 2, a trilha é esquecível e perde pontos na comparação.

Por fim, um mimimi relativo à dublagem. A dublagem não é ruim, mas, na versão original de 1994, Mufasa é dublado por James Earl Jones (o Darth Vader!), que faleceu este ano. Ok, se ele não pode dublar, vamos usar outro ator com as mesmas características na voz, tem que ser uma voz encorpada e imponente. Mas a voz do Mufasa na dublagem brasileira é uma voz “normal”. Aí fui catar quem fez a voz na versão original, é Aaron Pierre, ator que não conheço. Fui procurar a voz dele no youtube, ok, é uma voz compatível. Por que diabos o Mufasa brasileiro tem voz fina?

Mufasa é ruim? Não, garotada vai ver e vai curtir. Mas, como falei no início, é desnecessário.

O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim

Crítica – O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim

Sinopse (imdb): Em Rohan, um ataque surpresa de Wulf, um senhor Dunlendino astuto e implacável em busca de vingança pela morte de seu pai, força o rei Helm Mão-de-Martelo e seu povo a fazerem uma última resistência ousada na antiga fortaleza de Hornburg.

Depois de décadas, O Senhor dos Anéis volta para a animação!

(Pra quem não sabe ou não se lembra, em 1978, muito antes da famosa e premiada trilogia do Peter Jackson, Ralph Bahshi dirigiu uma versão animada dos livros de Tolkien!)

A novidade agora é que a animação, dirigida por Kenji Kamiyama, é em estilo anime. O visual da animação é muito bonito. É curioso ver nos cinemas uma animação “old school”, comentei aqui outro dia sobre Moana 2 e sua animação perfeita. O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim está longe dessa proposta, mas mesmo assim traz um belo visual.

O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim conta uma história que se passa 200 anos antes dos acontecimentos principais dos livros. Acompanhamos Hera, a filha do rei Helm Mão de Martelo. Li os três livros, mas não me considero um grande conhecedor de Tolkien. Me disseram que nos livros é citado que Helm tem uma filha, mas ela nem tem nome. Resolveram desenvolver então esta personagem, que ganhou o nome de Hera e virou a protagonista aqui.

Pra quem não gostou da série Anéis de Poder, a boa notícia é que aqui existe uma justificativa pra personagem feminina forte, não pareceu lacração. Afinal, ela é uma antepassada da Éowyn, que era uma personagem feminina forte nos livros e filmes. Gostei da Hera.

Aproveitando que falei dela, Miranda Otto, a Éowyn dos filmes, tem um papel aqui, narrando a história. Billy Boyd e Dominic Monaghan, Merry e Pippin nos filmes, também estão aqui, mas em outros papéis. Tem mais uma participação, numa cena curta no final, cena que parece ter sido inserida apenas por fan service.

O roteiro traz um problema. O nome do filme é “A Guerra dos Rohirrim”, e a gente lembra que no filme As Duas Torres tem uma batalha grandiosa no mesmo cenário, o Abismo de Helm. Aí a gente pensa no nome, e espera uma guerra ainda mais grandiosa. E a tal batalha do desenho é boa, mas bem inferior à do filme de 2002.

Como falei, no fim do filme rolam uns fan services. Nada importante pra trama, mas quem é fã vai curtir. Mas, talvez fosse melhor se colocassem como cenas pós créditos…