Ruby Marinho, Monstro Adolescente

Crítica – Ruby Marinho, Monstro Adolescente

Sinopse (imdb): A doce e desajeitada Ruby Marinho, de 16 anos, descobre que é descendente direta das rainhas guerreiras Kraken e precisará se esforçar para proteger aqueles que ela mais ama contra sereias vaidosas e famintas por poder.

Talvez seja um problema você colocar no pôster do filme os dizeres “da DreamWorks, que criou Shrek e Como Treinar seu Dragão“. Porque isso vai elevar as expectativas, e às vezes o novo filme é bem bobinho. Como é o caso aqui de Ruby Marinho, Monstro Adolescente.

Dirigido por Kirk DeMicco e Faryn Pearl, Ruby Marinho, Monstro Adolescente (Ruby Gillman, Teenage Kraken, no original) traz uma história que já foi contada um monte de vezes, com uma adolescente vivendo mudanças no seu corpo e com problemas de relacionamento com a mãe, ao mesmo tempo que tem os problemas de sempre na escola, como o medo de convidar seu crush para a festa de fim de ano. Parece uma receita de bolo, tem até os momentos musicais quando ela está nadando no fundo do mar.

Ok, a gente sabe que a Dreamworks tem um histórico de copiar a Disney (Monstros S.A. / Shrek, Vida de Inseto / Formiguinhaz, Procurando Nemo / O Espanta Tubarões). Achei que isso tinha ficado no passado mas Ruby Marinho parece uma cópia de Luca (monstro marinho adolescente que vive entre humanos), com toques de Red (menina adolescente que precisa controlar mudanças no corpo).

(Em Luca o monstro marinho fica igual a um humano. Aqui os krakens são azuis e não têm ossos. Mesmo assim, vivem entre os humanos, e dizem que são diferentes porque são canadenses. Ok, entendi a piada, mas achei forçada.)

Ainda falando em plágios, aqui tem uma sereia que é IGUAL à Ariel. Mas, nesse ponto em particular, achei divertido você colocar uma Ariel como a antagonista. Foi uma boa sacada.

A sessão de imprensa foi dublada. A dublagem brasileira é muito boa, não tenho queixas quanto a isso. Mas, dá pena de ver que perdemos as vozes de Toni Collette como a mãe e Jane Fonda como a avó.

Como falei, Ruby Marinho, Monstro Adolescente não é ruim, mas é tão bobinho que decepciona – assim como aconteceu com o recente Elementos da Pixar, lançado duas semanas atrás. Nessa briga entre Dreamworks e Pixar, quem está se dando bem em 2023 é a Illumination com o seu Super Mario Bros.*

*Não esqueci do Aranhaverso 2, é que considero ele feito para outro público alvo

Elementos

Crítica – Elementos

Sinopse (imdb): Em uma cidade onde cidadãos de fogo, água, terra e ar vivem juntos, Faísca, uma jovem impetuosa, e Gota, um cara que segue o fluxo da vida, irão descobrir algo elementar: o quanto eles têm em comum.

Às vezes, o rótulo “o novo filme da Pixar” pode atrapalhar. Porque a gente se lembra de Toy Story, Monstros S.A., Wall E, Divertida Mente, Os Incríveis, Up, Soul, e às vezes o novo filme é um filme bem bobinho, como é o caso deste Elementos (Elemental, no original).

A direção é de Peter Sohn, que fez O Bom Dinossauro, filme que IMHO é um dos piores do catálogo da Pixar. Não só é um filme besta, que parece uma versão de Procurando Nemo com sequências tiradas de O Rei Leão, como tem algumas cenas meio bizarras se a gente pensar que é um desenho pra crianças (tem um animal sendo decepado, e tem uma cena onde os personagens experimentam efeitos alucinógenos que funcionam como drogas).

Elementos não é tão ruim quanto O Bom Dinossauro. Mas ainda falta muito pra ser um grande filme. O grande problema aqui é o roteiro. Pra começar, a divulgação do filme tenta forçar uma barra pra falar dos quatro elementos, mas o filme só foca em dois (fogo e água). Aí na porta do cinema tem quatro cartazes, dois deles com os personagens principais, os outros dois com personagens bem secundários (tem um poster do Turrão (acho que e esse o nome), personagem que acho que só aparece umas três vezes, durante poucos segundos cada vez.)

Mas calma que piora. Os dois protagonistas não têm nenhum carisma. O Gota é um cara bobão, que só se envolveu com a Faísca porque a prejudicou intencionalmente. A Faísca também não é uma boa personagem, se irrita por qualquer bobagem, mas é menos ruim que o Gota. Mas o ponto é: são personagens que não cativam o espectador.

Ok, entendo que existe um paralelo sobre racismo / xenofobia. Me pareceu que o povo do Fogo era um paralelo com povos árabes, pelo som do dialeto deles e pelo visual de sua terra natal. Mas, lendo no imdb, o diretor Peter Sohn disse que se inspirou na sua família, que veio da Coreia sem saber falar inglês, se estabeleceu no Bronx e abriu um mercado com o nome da família. Até aí, ok. A gente vê que o povo do Fogo sofre preconceito – em uma cena, vemos que eles são proibidos de entrar em certos lugares. Mas… Se era pra ser um povo que sofre com o preconceito, como é que a Faísca é tão bem recebida pela família do Gota, vários seres de Água que são extremamente simpáticos com a pessoa do Fogo. Se era pra mostrar preconceito, pelo menos um dos personagens de Água deveria tratá-la mal.

Além disso, a trama é extremamente previsível. Cada coisa que aparece na tela já telegrafa para um momento futuro. Zero surpresa. E o fato da trama não ter um antagonista também é ruim. Se a gente parar pra pensar, o vilão do filme é a falta de manutenção do encanamento da cidade. Sim, o vilão é a Cedae.

Dito tudo isso, precisamos admitir que o visual do filme é fantástico. Procurando Nemo, de 2003, tinha 923 cores. Agora, vinte anos depois, Elementos tem 151 mil cores. E a gente vê isso na tela, o visual da cidade dos Elementos é de encher os olhos. Várias cenas você pode pausar e criar um quadro pra pendurar na parede. Nesta parte técnica, o filme realmente é impressionante.

(Um amigo comentou, depois da sessão, que não gostou dos personagens do Fogo, porque é um visual meio 2D em um filme onde tudo tem profundidade. Mas isso não me incomodou, já que o fogo não tem exatamente uma forma.)

Outra coisa divertida são pequenos detalhes ao longo da projeção fazendo piadinhas sobre os elementos, como por exemplo um dirigível zepelin que transporta personagens de Ar que esvazia quando os passageiros saem, mas infla novamente com os novos passageiros.

Mas é pouco. No fim, fica a sensação de um produto bonito, mas vazio.

Por fim, não cheguem atrasados na sessão. Antes do filme, tem um divertido curta com o Carl, de Up.

Homem-Aranha: Através do Aranhaverso

Crítica – Homem-Aranha: Através do Aranhaverso

Sinopse (imdb): Miles Morales, o amigão da vizinhança Homem-Aranha, é transportado através do multiverso para unir forças com Gwen Stacy e um novo time de Pessoas-Aranha para enfrentar um vilão mais poderoso do que qualquer coisa que já tenham encontrado.

Antes de tudo, preciso criticar a postura da Sony, distribuidora, que não fez sessão de imprensa aqui no Rio. O texto era pra ter saído na quinta, como acontece com a maioria dos grandes lançamentos. Mas tive que esperar estrear pra ver no circuito. (E parece que SP teve sessão de imprensa, mas várias pessoas foram barradas. Ou seja, aparentemente a desorganização é geral).

Mas, vamos ao filme. Dirigido por Joaquim Dos Santos, Kemp Powers e Justin K. Thompson, Homem-Aranha: Através do Aranhaverso (Spider-Man: Across the Spider-Verse no original) é um espetáculo visual. Assim como aconteceu no primeiro, o estilo da imagem é bem diferente do padrão Disney / Pixar / Dreamworks que estamos acostumados. Em vez de procurar um traço realista, muitas vezes o visual lembra páginas de quadrinhos, com cenários abstratos, cores que mudam de tom sem um motivo, eventuais textos na tela, rolam até efeitos visuais simbolizando sons. Se o primeiro filme sacudiu os grandes estúdios com esse visual, essa continuação deve causar o mesmo efeito.

Ah, uma característica presente no primeiro filme está de volta: desenhos de estilos diferentes misturados. Por exemplo, o Spider Punk é um ótimo personagem, e desenhado com um estilo completamente diferente.

(Aliás, tem uma sequência onde vemos dezenas (talvez centenas) de Aranhas diferentes, e deve ter um monte de referências e easter eggs escondidos.)

Quem me conhece sabe que só o visual já era o suficiente pra heu achar um bom filme. Mas Homem-Aranha: Através do Aranhaverso ainda traz uma história boa. Temos um bom desenvolvimento de personagem, tanto do Miles Morales, quanto da Gwen Stacy, e além disso o filme ainda desenvolve o relacionamento entre os dois. E o roteiro ainda equilibra bem as cenas de ação e os momentos engraçados.

Homem-Aranha: Através do Aranhaverso não é uma comédia, mas tem umas piadas muito boas (o que não chega a ser uma surpresa se a gente vê que Phil Lord e Chris Miller estão entre os roteiristas). Tem uma sequência onde um personagem descobre portais para outros universos que é muito engraçada, e tem um momento que faz uma piada hilária com o clássico meme dos Aranhas apontando um para o outro.

O vilão é bem construído. Inicialmente parece ser um bobão, mas ao longo da projeção a periculosidade dele vai crescendo. Ah, uma coisa curiosa: o roteiro deixa o vilão de lado por boa parte da projeção!

Agora, vamos à crítica. O filme estava excelente, heu realmente “entrei” naquele universo, estava curtindo muito. Mas, do nada, veio um “continua”. Caramba, qual é o problema de se avisar que o filme não tem fim. Será que alguém ia deixar de ir ao cinema só por isso? Acho uma falta de respeito com o espectador, e já é a terceira vez em poucos meses (aconteceu o mesmo com Os Três Mosqueteiros e Velozes e Furiosos 10). Reclamei de Os Três Mosqueteiros, mas foi menos mal, porque fechou uma história e deixou um gancho aberto para começar outra. Aqui em Homem-Aranha: Através do Aranhaverso acontece o mesmo que em Velozes e Furiosos 10: a história vai num crescente e de repente para tudo. E o pior de tudo é que isso não é avisado em nenhum lugar, não está no pôster nem no título do filme.

Quando um filme mais ou menos termina bem, ele ganha pontos. E quando termina mal, claro que perde pontos. Esse “não final” foi um grande balde de água fria. O filme estava indo muito bem, mas terminou com gosto amargo. Pena.

Parece que ano que vem o filme termina. Aguardemos.

A Pequena Sereia (2023)

A Pequena Sereia (2023)

Sinopse (imdb): A filha do rei Tritão, Ariel, se apaixona loucamente por um príncipe que salvou de um naufrágio. Ela decide ir procurá-lo em terra firme e pede ajuda à bruxa do mar, Úrsula.

Mais um live action da Disney. Se quase todos até agora furam ruins, a expectativa era zero. (Acho que só gostei de Cruella, os outros todos variam entre “sofrível” e “ruim de doer”: Pinóquio, Rei Leão, Aladdin, Dumbo, Christopher Robin, A Bela e a Fera – nenhum desses a gente pode afirmar que é bom. Cheguei a gravar dois Podcrastinadores comentando alguns dos títulos.)

Dirigido por Rob Marshall (Chicago, Caminhos da Floresta, O Retorno de Mary Poppins), A Pequena Sereia (The Little Mermaid no original) mantém a tradição “live action desnecessário da Disney”. Ok, não é um dos piores, mas está bem longe de ser um bom filme. Vamulá.

O filme segue basicamente a mesma história do desenho de 1989. Uma pequena alteração aqui, outra ali, nada muito significativo. Mas não vou comparar as duas obras, porque faz tempo que não revejo o original.

Uma coisa que funcionou foi o cgi do fundo do mar. Temos belas imagens debaixo d’água – aliás, tem uma sequência logo no início do filme onde a “câmera” faz um passeio entre peixes e plantas, que tem a maior cara de sequência pra vender o filme em 3D. E gostei da sequência musical de Under The Sea, grandiosa, cheia de cores e elementos.

Por outro lado, o cgi nos bichos atrapalhou. Exatamente como aconteceu em O Rei Leão, os bichos são realistas – e portanto não têm expressões. Assim você tem um personagem que é um peixe, que deveria ser o principal coadjuvante, mas que tem exatamente a mesma cara ao longo de todo o filme. Deve ser por isso que o Linguado tem um papel menor no filme do que tinha no desenho. Os outros dois, Sebastian e Sabidão (que virou Sabidona), por serem animais mais articulados, têm uma participação maior.

Tenho outra reclamação, mas admito que é mimimi. O filme abre com a frase de Hans Christian Andersen: “Mas uma sereia não tem lágrimas, e, portanto, ela sofre muito mais… “. Ok. Mas, se não tem lágrimas, também não deveria piscar o olho, certo? Por que sereias debaixo d’água piscam o olho? Detalhe: só reparei nesse detalhe por causa da frase que abre o filme. Se não fosse por isso, nem repararia nos olhos piscando.

Sobre o elenco, achei uma forçação de barra enorme postar duas vezes na trivia do imdb que pessoas “choraram ao ouvir a voz da Halle Bailey”. Ok, a menina canta bem, mas canta igual a dezenas (centenas?) de boas cantoras por aí. Uma pessoa que chora de emoção ao ouvir alguém cantando bem precisa trocar a playlist do spotify, porque está ouvindo as músicas erradas.

Dito isso, o casal Halle Bailey e Jonah Hauer-king funciona pro que o filme pede. Javier Bardem está bem (como sempre); Melissa McCarthy está caricata, mas, caramba, é uma vilã da Disney, claro que precisa ser caricata. Agora, preciso dizer que gostei muito da Sabidona da Awkwafina. Já falei mal da Awkwafina outras vezes, tipo no recente Renfield, onde o tipo de humor da atriz não encaixou no filme. Mas aqui admito: ela está perfeita como a ave desengonçada e estabanada, tanto nos gestos quanto nas falas. Digo mais: curti a música que ela canta. Pela primeira vez, posso dizer que entendi o motivo do grande fã clube que a atriz tem. Também no elenco, Jacob Tremblay, Daveed Diggs, Art Malik e Noma Dumezweni.

Agora, IMHO, o principal problema é que é um filme longo demais. O original tem uma hora e vinte e três minutos, esta nova versão tem duas horas e quinze! São cinquenta e dois minutos a mais, e não tem uma nova história que precise desse acréscimo todo. Aí o filme fica cansativo.

Sobre a polêmica. Desde que a Disney anunciou que a Ariel seria interpretada por uma negra, isso virou uma guerra na internet. Por um lado, uns defendiam que a sereias não existem, e por isso tanto faz a cor da pele. Ok, bom argumento. Por outro lado, outros defendiam que sereias não existem, mas a personagem Ariel existe. Seria como trocar a etnia do Batman, ou do Thor, ou do Pantera Negra, ou sei lá, ter um Mario que não é italiano. Ok, outro bom argumento. E qual e a minha opinião? Heu digo que a Disney acertou, porque o objetivo nunca foi promover diversidade e inclusão, e sim gerar buzz pra vender ingressos. E essa polêmica gerou um buzz enorme! Muita gente quer ver o filme pra defender ou atacar! Objetivo alcançado!

E por que digo que a Disney nunca quis promover diversidade e inclusão? Ora, existe uma princesa negra: a Tiana, de A Princesa e o Sapo, de 2009. Uma princesa que nem todos conhecem, afinal as outras são muito mais badaladas – Cinderela, Bela, Branca de Neve, Rapunzel, Aurora, Elsa e Ana, a galera lembra até da Mulan e da Moana. Mas ninguém se lembra da Tiana, o que é uma pena, porque o desenho dela é bem legal. E por que a Disney não promove a Tiana, ou faz uma continuação, ou melhor ainda, um live action? Porque isso não geraria um trending topics no twitter. Um live action da Tiana ia ter 100 pessoas comentando. Um live action da Pequena Sereia mudando a etnia da personagem vai ter 100 mil pessoas comentando. É, a Disney acertou. Polêmica vende.

(E nem vou entrar na próxima polêmica, que vai ser uma Branca de Neve estrelada por uma latina. Sim, Branca de Neve, aquela que é descrita como “lábios vermelhos como sangue, cabelo negro como ébano e pele branca como a neve”.)

Planeta Fantástico

Crítica – Planeta Fantástico

Sinopse (imdb): Em um planeta distante onde gigantes azuis governam, humanoides oprimidos se rebelam contra seus líderes mecânicos.

Quando a gente pensa em longa de animação, a primeira coisa que a gente pensa é em filme infantil. Bem, nem toda animação é infantil. Ficção científica, Planeta Fantástico é um bom exemplo.

Dirigido por René Laloux em 1973, Planeta Fantástico (La Planète Sauvage no original) foi baseado no livro “Oms en série”, escrito por Stefan Wul apresenta um mundo diferente, onde os habitantes são humanoides azuis, os “draags”, muito maiores que os humanos. Sabemos disso porque eles usam humanos, chamados de “oms”, como animais de estimação.

Apesar de ter sido idealizado na França, Planeta Fantástico foi animado na Checoslováquia, e teve atrasos na produção porque em 1968 a União Soviética invadiu a Checoslováquia. O filme demorou cinco anos para ser finalizado.

Tenho dois comentários quase opostos sobre a técnica de animação. O primeiro é um elogio à riqueza visual do planeta Ygam. Pensa só: era 1973, se fosse um filme, usaria cenários toscos e animatronics igualmente toscos, dificilmente ia ter um visual impressionante. O fato de ser uma animação permitiu algumas excentricidades visuais, tem alguns animais e plantas bem “fora da caixinha”, isso foi muito positivo. E a excelente trilha sonora de rock psicodélico composta por Alain Goraguer ajuda a criar esse clima.

Por outro lado, a qualidade da animação é bem básica. Às vezes parecia aquelas animações de colagens feitas pelo Terry Gilliam nos filmes do Monty Python. Mas, não me pareceu um problema, e sim uma opção estilística. Ok, aceito. Mas, me sinto na obrigação de avisar que a animação é bem simples.

O tema do filme levanta interessantes discussões sobre aspectos sociais e políticos, sobre oprimidos e opressores, cutuca a religião, e ainda levanta questões sobre o modo como cuidamos de nossos animais de estimação. Daqueles filmes que te fazem pensar quando acaba.

Normalmente sou contra refilmagens, mas, taí, seria legal uma nova versão deste filme, desta vez em live action, explorando os efeitos visuais que temos hoje em dia. Será que um dia vão fazer?

Super Mario Bros. – O Filme

Crítica – Super Mario Bros. – O Filme

Sinopse (imdb): Um encanador chamado Mario viaja por um labirinto subterrâneo com seu irmão, Luigi, tentando salvar uma princesa capturada

Sempre comento aqui que não jogo videogames, mas, nesse caso, joguei. Claro que não conheço todas as versões, mas conheço o suficiente pra saber que era uma ideia arriscada – e não estou falando da versão de trinta anos atrás com o Bob Hoskins. O problema é que o universo do jogo é muito maluco. Fica difícil criar uma história coerente quando você está num local onde comer um cogumelo faz você crescer – dentre muitas outras coisas completamente nonsense. E o roteiro aqui conseguiu essa tarefa. Não só o filme flui apesar desse lore louco, como ainda é repleto de easter eggs.

O visual não traz nada de revolucionário, mas pelo menos é extremamente bem feito – às vezes parece que são bonecos reais. Além disso, o filme é bem colorido, com cenários malucos e coerentes com os mundos apresentados no videogame. Ah, claro, o filme é muito engraçado, algumas piadas são muito boas (é uma produção da Illumination, eles têm tradição de filmes bem engraçados).

A trilha sonora de Brian Tyler é excelente! O tema do jogo é super famoso, e a trilha orquestrada usa trechos do tema ao longo de todo o filme.

Os personagens são bons. Não sei se a Peach teve alguma atualização em algum jogo – na época que heu jogava ela era literalmente uma “donzela em perigo”, coisa que não funciona mais nos dias de hoje. Agora Peach tem um bom protagonismo. O Luigi também tem um papel importante, não é só “escada” para o Mario como no jogo. Dentre os personagens secundários, adorei a estrelinha azul que está presa, acho que ela é do Super Mario Galaxy.

(A sessão de imprensa foi com cópia dublada. A dublagem é boa, mas preferia ter visto ouvindo as vozes de Chris Pratt, Anya Taylor-Joy, Jack Black, Seth Rogen, Charlie Day e Keegan-Michael Key.

Por fim, não é Marvel, mas tem duas cenas pós créditos, uma no início e outra lá no finzinho.

Gato de Botas 2: O Último Pedido

Crítica – Gato de Botas 2: O Último Pedido

Sinopse (imdb): O Gato de Botas descobre que sua paixão pela aventura cobrou seu preço: ele esgotou oito de suas nove vidas. O Gato de Botas embarca em uma jornada épica para encontrar o mítico Último Desejo e recuperar suas nove vidas.

Lembro de quando a Dreamworks começou. A Disney reinava sozinha nos longas de animação, então surgiram a Pixar e a Dreamworks, e por um tempo eram as três no topo, com algumas poucas exceções. Mas com o passar do tempo, a Dreamworks investiu em várias continuações e spin offs, e, pelo menos pra mim, perdeu parte da graça (tirando Toy Story, a Pixar demorou bastante pra entrar no mundo das continuações).

E finalmente, 11 anos depois do primeiro filme, chegamos a Gato de Botas 2, que é uma continuação de um spin off de Shrek. Mas… Não é que o filme é bom?

Podemos citar dois méritos de Gato de Botas 2: O Último Pedido. O primeiro é meio previsível: uma boa história, com bons personagens. Nem me lembro se vi o primeiro filme do Gato de Botas, só me lembrava do personagem pelos grandes olhos na cara de pidão. Mas pelo menos neste novo filme, é um personagem muito bom: ele é um guerreiro, um espadachim, canta, toca violão, e depois de tudo isso vai beber leite como um gatinho normal.

E não é só ele, mas temos vários bons coadjuvantes. O time formado pela Cachinhos Dourados e os três ursos é genial, e o Perrito é um coadjuvante sensacional. E, de quebra, ainda tem vários easter eggs de contos de fada – coisa que sempre aconteceu na franquia Shrek.

O outro ponto a ser citado é a qualidade da animação. Hoje, em 2023, quando a gente vê um grande lançamento vindo de um grande estúdio, a qualidade da imagem é meio que obrigação. Ver imagens perfeitas não é mais do que obrigação. Não gostei de Os Caras Malvados, mas não gostei por causa da história e dos personagens, não tenho queixas à qualidade da animação.

Mas… Gato de Botas 2 vai um pouco além. Se chegamos a um ponto onde não tem como a animação ser mais perfeita, como fazer para se diferenciar? As cenas de ação aqui trazem um traço diferente, uma textura diferente. Procurei pela Internet elementos técnicos pra trazer aqui, mas não achei nada que explique muito o que foi feito. O que descobri é que depois do sucesso do Homem Aranha no Aranhaverso – que trazia texturas diferentes – outras animações estão pegando este caminho. E aqui a gente vê, nas cenas de ação, que o filme muda o estilo e essas cenas ficam muito mais agradáveis de se ver do que as mesmas cenas de sempre, repetindo o mesmo estilo de sempre.

Longa de animação muitas vezes é exibido dublado em português. Por sorte vi o original em inglês. O lobo é dublado pelo Wagner Moura! Gostei de vê-lo (ouvi-lo?) com uma voz diferente do que estamos acostumados! Outro detalhe que não sei se conseguiram traduzir: os capangas do vilão são os “baker dozen”, que poderia ser traduzido como “uma dúzia de padeiros”, mas na verdade é uma expressão em inglês que significa treze (catei no Google, parece que quando você comprava uma dúzia de pãezinhos e ganhava um extra de cortesia).

Já que falei do Wagner Moura, vamos ao resto do elenco. O gato é dublado pelo Antonio Banderas, e o filme ainda conta com Salma Hayek, Florence Pugh, Olivia Colman, Ray Winstone, Samson Kayo e Harvey Guillén.

Gato de Botas 2 funcionou tão bem que está concorrendo ao Oscar de melhor longa de animação. Claro que acho que não tem chances, porque o Pinóquio do Del Toro é uma coisa de outro mundo. Mas, ser considerado pela Academia um dos cinco melhores desenhos do ano já é uma coisa boa para um filme que a principio seria apenas uma continuação de um spin off.

Desencantada

Crítica – Desencantada

Sinopse (imdb): Dez anos depois de “e eles viveram felizes para sempre”, Giselle questiona sua felicidade, abalando a vida de todos ao seu redor, tanto no mundo real quanto na Andalasia.

Encantada, de 2007, era uma divertida brincadeira com os clichês de histórias de princesas clássicas – tipo, se uma princesa conversa com os animais nas florestas; quando essa princesa está em Nova York, quais são os animais disponíveis? Ela conversa com pombos, ratos e baratas!

15 anos depois, temos a continuação: o que acontece depois do “felizes para sempre” (a sinopse fala dez anos, mas deve ser até menos – a atriz que faz a enteada Morgan tinha 9 anos na época do filme, e a personagem ainda é adolescente neste novo filme). Com a chegada de um bebê, a família resolve se mudar para o subúrbio. E acaba que um acidente torna este subúrbio em um conto de fadas.

Se o primeiro filme fazia piadas com uma princesa no mundo real, a piada agora é que como ela é madrasta ela tem que ser vilã. E graças ao talento e inspiração da Amy Adams, isso gera algumas cenas bem legais. E aproveito o gancho pra falar do plot das duas vilãs. Para que a personagem da Maya Rudolph? Se você tira essa personagem, o filme não perde nada. Seria melhor só o plot da mocinha virando vilã.

A direção é de Adam Shankman, o mesmo dos geniais Hairspray e Rock of Ages. Alguns números musicais são bem legais, mas não sei se este será um filme a ser lembrado em sua filmografia. A trilha sonora do Alan Menken é boa, mas não tem nenhuma música memorável, quando acaba o filme na tem nenhuma música grudada na cabeça. Mas preciso dizer que curti a música das duas vilãs.

Ainda na parte musical: a voz da Idina Menzel é impressionante! Todo o elenco canta bem, mas a voz da Idina é um degrau acima. Quando ela começa a cantar, dá até arrepio!

No elenco, assim como aconteceu no primeiro filme, o nome é Amy Adams, que sabe muito bem equilibrar a dualidade da sua personagem. Patrick Dempsey, James Marsden e Idina Menzel reprisam seus papéis (Patrick Dempsey às vezes parece perdido, podiam ter escrito cenas melhores para ele). De novidade, temos Gabriella Baldacchino como a nova Morgan, e a já citada Maya Rudolph.

Ouvi um comentário que compara esse Desencantada com produções que rolavam muito décadas atrás, quando um filme “de cinema” fazia sucesso, era lançada uma continuação com qualidade inferior, direto para o mercado de VHS/DVD. Ok, entendo que este não é tão genial quanto o primeiro filme, mas, ora, é uma continuação, a proposta era repetir o que tinha dado certo em Encantada. Enfim, tem gente que não curtiu por ser inferior, mas heu me diverti.

Mundo Estranho

Crítica – Mundo Estranho

Sinopse (imdb): Os lendários Clades são uma família de exploradores cujas diferenças ameaçaram derrubar sua última e mais crucial missão.

O longa de animação, Mundo Estranho (Strange World, no original) é o novo lançamento da Disney nos cinemas. Sim, nos cinemas – depois de lançar alguns títulos direto no streaming, este vai para o circuito e só chega no Disney+ no fim de dezembro. Quais os critérios pra decidir? Pinóquio foi ruim, ok, mas tinha Tom Hanks e Robert Zemeckis, será que não merecia a tela grande? Sei lá…

Mundo Estranho se vende como uma aventura em um local com visuais fantásticos. Realmente, esse “mundo estranho” tem um visual bem legal, com montanhas com patas, rios de peixes voadores, e seres com tentáculo saindo da boca. O visual realmente impressiona. Mas… É basicamente isso, o filme podia explorar muito mais essas paisagens e seres fantásticos, mas parece que tudo o que tem no filme a gente já tinha visto no trailer.

Não gostei dos personagens. É um excesso de “daddy issues”, o cara tem problemas com o pai e também tem problemas com o filho, e o filme foca demais nesses problemas. É tanto “daddy issues” que a mãe foi jogada pra escanteio, inventaram que ela é piloto pra ela ter alguma função na trama. E acaba que como ninguém se importa com os protagonistas, o único personagem que conquista alguma simpatia do público é o Splat, bichinho que claramente foi criado com a intenção de vender bonequinho, adaptado à geração slime.

É animação de Disney, mas não é musical. Tem uma única música, dentro de um contexto. Ah, e não tem cena pós créditos.

A parte final traz um plot twist que achei bem legal. Não vou entrar em detalhes, claro. Mas digo que me lembrei de dois filmes que trazem semelhanças no conceito, um de 1966, outro de 1987.

Está rolando uma polêmica na Internet porque o protagonista é gay. Acho isso uma grande bobagem, qual é o problema do garoto ser gay? Sério que em 2022 isso ainda incomoda alguém? Agora, dito isso, o filme podia ter feito uma piada com o avô. Um cara mais velho, de outra geração, até podia achar estranho, mas o filme não usou essa piada.

No fim, fica a sensação de que poderia ter sido melhor. E a dúvida de quando vão lançar o boneco do Splat nas lojas.

Star Wars: Histórias dos Jedi

Crítica – Star Wars: Histórias dos Jedi

Sinopse (Disney+): Um evento em 6 episódios que apresentam histórias sobre os Jedi numa era antes da que conhecemos. Uma jornada pela vida de dois Jedi distintos: Ahsoka Tano e Conde Dookan. Eles serão testados enquanto tomam decisões que determinarão os destinos deles.

Hoje em dia a gente tem muitas opções tanto no cinema quanto no streaming. Muitas opções, pouco tempo. Nesse cenário, fico feliz quando vejo uma série curtinha como essa Histórias dos Jedi (Tales of the Jedi, no original). São 6 episódios de aproximadamente 15 minutos cada. Em uma hora e meia a gente mata toda a temporada! (Melhor que isso só a série do Groot, que eram 5 episódios de 3 minutos cada…)

Agora, preciso avisar que Histórias dos Jedi não é para todos. Não é uma história fechada, são historinhas soltas, que se encaixariam em diferentes pontos da saga. Ou seja, uma pessoa leiga em Star Wars vai ficar perdida.

São seis episódios, três com a Ahsoka, três com o Dooku. Curiosamente, o primeiro é da Ahsoka, depois são os três do Dooku, e fecha com mais dois da Ahsoka. Não vou entrar em detalhes sobre cada episódio, vou fazer apenas alguns comentários por alto, ok?

O primeiro episódio mostra o nascimento da Ahsoka, e ela começa a se mostrar “force sensistive” ainda bebê. Episódio meio besta.

Os três do Dooku mostram uma coisa que gosto de ver no universo de Star Wars. Os filmes clássicos são muito maniqueístas, o bem contra o mal, a luz contra a escuridão, tudo é muito binário. Mas o mundo real tem os tais “tons de cinza”, nada é 100% de um lado ou do outro. Então gosto quando mostram que certas questões são mais complexas do que uma luta do “lado bom” contra o “lado mau”. Vemos o Dooku ainda Jedi, lidando com questões políticas onde existem interesses. A gente consegue entender parte da motivação do Dooku. Não, ele não vira “mocinho”, a série não o transforma em um herói, mas mostra que ele tinha motivações para ir contra o Conselho Jedi. Gosto de ver situações e personagens assim dentro deste universo!

O quarto episódio tem um momento que me arrepiou. Sem spoilers, é o momento que usa o tema da Força.

Meu episódio favorito foi o quinto, que mostra o treinamento da Ahsoka. Seu mestre, Anakin, resolveu dificultar os treinos para melhorar as habilidades da padawan. E essa parte do treino foi muito legal! O episódio termina sem fim, na hora não entendi, mas um amigo me explicou que o que acontece depois é uma parte de Clone Wars onde as pessoas se perguntam “como a Ahsoka saiu viva disso?” Pois bem, aqui está a resposta!

O sexto mostra que a Ahsoka estava no enterro da Amidala, e pra onde ela foi depois. Não tem tanta ação quanto o anterior, mas tem um belo duelo.

Gostei muito de Histórias dos Jedi, aguardo ansiosamente por outra temporada. Pena que sei que não é um material para indicar para qualquer um.