Gato de Botas 2: O Último Pedido

Crítica – Gato de Botas 2: O Último Pedido

Sinopse (imdb): O Gato de Botas descobre que sua paixão pela aventura cobrou seu preço: ele esgotou oito de suas nove vidas. O Gato de Botas embarca em uma jornada épica para encontrar o mítico Último Desejo e recuperar suas nove vidas.

Lembro de quando a Dreamworks começou. A Disney reinava sozinha nos longas de animação, então surgiram a Pixar e a Dreamworks, e por um tempo eram as três no topo, com algumas poucas exceções. Mas com o passar do tempo, a Dreamworks investiu em várias continuações e spin offs, e, pelo menos pra mim, perdeu parte da graça (tirando Toy Story, a Pixar demorou bastante pra entrar no mundo das continuações).

E finalmente, 11 anos depois do primeiro filme, chegamos a Gato de Botas 2, que é uma continuação de um spin off de Shrek. Mas… Não é que o filme é bom?

Podemos citar dois méritos de Gato de Botas 2: O Último Pedido. O primeiro é meio previsível: uma boa história, com bons personagens. Nem me lembro se vi o primeiro filme do Gato de Botas, só me lembrava do personagem pelos grandes olhos na cara de pidão. Mas pelo menos neste novo filme, é um personagem muito bom: ele é um guerreiro, um espadachim, canta, toca violão, e depois de tudo isso vai beber leite como um gatinho normal.

E não é só ele, mas temos vários bons coadjuvantes. O time formado pela Cachinhos Dourados e os três ursos é genial, e o Perrito é um coadjuvante sensacional. E, de quebra, ainda tem vários easter eggs de contos de fada – coisa que sempre aconteceu na franquia Shrek.

O outro ponto a ser citado é a qualidade da animação. Hoje, em 2023, quando a gente vê um grande lançamento vindo de um grande estúdio, a qualidade da imagem é meio que obrigação. Ver imagens perfeitas não é mais do que obrigação. Não gostei de Os Caras Malvados, mas não gostei por causa da história e dos personagens, não tenho queixas à qualidade da animação.

Mas… Gato de Botas 2 vai um pouco além. Se chegamos a um ponto onde não tem como a animação ser mais perfeita, como fazer para se diferenciar? As cenas de ação aqui trazem um traço diferente, uma textura diferente. Procurei pela Internet elementos técnicos pra trazer aqui, mas não achei nada que explique muito o que foi feito. O que descobri é que depois do sucesso do Homem Aranha no Aranhaverso – que trazia texturas diferentes – outras animações estão pegando este caminho. E aqui a gente vê, nas cenas de ação, que o filme muda o estilo e essas cenas ficam muito mais agradáveis de se ver do que as mesmas cenas de sempre, repetindo o mesmo estilo de sempre.

Longa de animação muitas vezes é exibido dublado em português. Por sorte vi o original em inglês. O lobo é dublado pelo Wagner Moura! Gostei de vê-lo (ouvi-lo?) com uma voz diferente do que estamos acostumados! Outro detalhe que não sei se conseguiram traduzir: os capangas do vilão são os “baker dozen”, que poderia ser traduzido como “uma dúzia de padeiros”, mas na verdade é uma expressão em inglês que significa treze (catei no Google, parece que quando você comprava uma dúzia de pãezinhos e ganhava um extra de cortesia).

Já que falei do Wagner Moura, vamos ao resto do elenco. O gato é dublado pelo Antonio Banderas, e o filme ainda conta com Salma Hayek, Florence Pugh, Olivia Colman, Ray Winstone, Samson Kayo e Harvey Guillén.

Gato de Botas 2 funcionou tão bem que está concorrendo ao Oscar de melhor longa de animação. Claro que acho que não tem chances, porque o Pinóquio do Del Toro é uma coisa de outro mundo. Mas, ser considerado pela Academia um dos cinco melhores desenhos do ano já é uma coisa boa para um filme que a principio seria apenas uma continuação de um spin off.

Desencantada

Crítica – Desencantada

Sinopse (imdb): Dez anos depois de “e eles viveram felizes para sempre”, Giselle questiona sua felicidade, abalando a vida de todos ao seu redor, tanto no mundo real quanto na Andalasia.

Encantada, de 2007, era uma divertida brincadeira com os clichês de histórias de princesas clássicas – tipo, se uma princesa conversa com os animais nas florestas; quando essa princesa está em Nova York, quais são os animais disponíveis? Ela conversa com pombos, ratos e baratas!

15 anos depois, temos a continuação: o que acontece depois do “felizes para sempre” (a sinopse fala dez anos, mas deve ser até menos – a atriz que faz a enteada Morgan tinha 9 anos na época do filme, e a personagem ainda é adolescente neste novo filme). Com a chegada de um bebê, a família resolve se mudar para o subúrbio. E acaba que um acidente torna este subúrbio em um conto de fadas.

Se o primeiro filme fazia piadas com uma princesa no mundo real, a piada agora é que como ela é madrasta ela tem que ser vilã. E graças ao talento e inspiração da Amy Adams, isso gera algumas cenas bem legais. E aproveito o gancho pra falar do plot das duas vilãs. Para que a personagem da Maya Rudolph? Se você tira essa personagem, o filme não perde nada. Seria melhor só o plot da mocinha virando vilã.

A direção é de Adam Shankman, o mesmo dos geniais Hairspray e Rock of Ages. Alguns números musicais são bem legais, mas não sei se este será um filme a ser lembrado em sua filmografia. A trilha sonora do Alan Menken é boa, mas não tem nenhuma música memorável, quando acaba o filme na tem nenhuma música grudada na cabeça. Mas preciso dizer que curti a música das duas vilãs.

Ainda na parte musical: a voz da Idina Menzel é impressionante! Todo o elenco canta bem, mas a voz da Idina é um degrau acima. Quando ela começa a cantar, dá até arrepio!

No elenco, assim como aconteceu no primeiro filme, o nome é Amy Adams, que sabe muito bem equilibrar a dualidade da sua personagem. Patrick Dempsey, James Marsden e Idina Menzel reprisam seus papéis (Patrick Dempsey às vezes parece perdido, podiam ter escrito cenas melhores para ele). De novidade, temos Gabriella Baldacchino como a nova Morgan, e a já citada Maya Rudolph.

Ouvi um comentário que compara esse Desencantada com produções que rolavam muito décadas atrás, quando um filme “de cinema” fazia sucesso, era lançada uma continuação com qualidade inferior, direto para o mercado de VHS/DVD. Ok, entendo que este não é tão genial quanto o primeiro filme, mas, ora, é uma continuação, a proposta era repetir o que tinha dado certo em Encantada. Enfim, tem gente que não curtiu por ser inferior, mas heu me diverti.

Mundo Estranho

Crítica – Mundo Estranho

Sinopse (imdb): Os lendários Clades são uma família de exploradores cujas diferenças ameaçaram derrubar sua última e mais crucial missão.

O longa de animação, Mundo Estranho (Strange World, no original) é o novo lançamento da Disney nos cinemas. Sim, nos cinemas – depois de lançar alguns títulos direto no streaming, este vai para o circuito e só chega no Disney+ no fim de dezembro. Quais os critérios pra decidir? Pinóquio foi ruim, ok, mas tinha Tom Hanks e Robert Zemeckis, será que não merecia a tela grande? Sei lá…

Mundo Estranho se vende como uma aventura em um local com visuais fantásticos. Realmente, esse “mundo estranho” tem um visual bem legal, com montanhas com patas, rios de peixes voadores, e seres com tentáculo saindo da boca. O visual realmente impressiona. Mas… É basicamente isso, o filme podia explorar muito mais essas paisagens e seres fantásticos, mas parece que tudo o que tem no filme a gente já tinha visto no trailer.

Não gostei dos personagens. É um excesso de “daddy issues”, o cara tem problemas com o pai e também tem problemas com o filho, e o filme foca demais nesses problemas. É tanto “daddy issues” que a mãe foi jogada pra escanteio, inventaram que ela é piloto pra ela ter alguma função na trama. E acaba que como ninguém se importa com os protagonistas, o único personagem que conquista alguma simpatia do público é o Splat, bichinho que claramente foi criado com a intenção de vender bonequinho, adaptado à geração slime.

É animação de Disney, mas não é musical. Tem uma única música, dentro de um contexto. Ah, e não tem cena pós créditos.

A parte final traz um plot twist que achei bem legal. Não vou entrar em detalhes, claro. Mas digo que me lembrei de dois filmes que trazem semelhanças no conceito, um de 1966, outro de 1987.

Está rolando uma polêmica na Internet porque o protagonista é gay. Acho isso uma grande bobagem, qual é o problema do garoto ser gay? Sério que em 2022 isso ainda incomoda alguém? Agora, dito isso, o filme podia ter feito uma piada com o avô. Um cara mais velho, de outra geração, até podia achar estranho, mas o filme não usou essa piada.

No fim, fica a sensação de que poderia ter sido melhor. E a dúvida de quando vão lançar o boneco do Splat nas lojas.

Star Wars: Histórias dos Jedi

Crítica – Star Wars: Histórias dos Jedi

Sinopse (Disney+): Um evento em 6 episódios que apresentam histórias sobre os Jedi numa era antes da que conhecemos. Uma jornada pela vida de dois Jedi distintos: Ahsoka Tano e Conde Dookan. Eles serão testados enquanto tomam decisões que determinarão os destinos deles.

Hoje em dia a gente tem muitas opções tanto no cinema quanto no streaming. Muitas opções, pouco tempo. Nesse cenário, fico feliz quando vejo uma série curtinha como essa Histórias dos Jedi (Tales of the Jedi, no original). São 6 episódios de aproximadamente 15 minutos cada. Em uma hora e meia a gente mata toda a temporada! (Melhor que isso só a série do Groot, que eram 5 episódios de 3 minutos cada…)

Agora, preciso avisar que Histórias dos Jedi não é para todos. Não é uma história fechada, são historinhas soltas, que se encaixariam em diferentes pontos da saga. Ou seja, uma pessoa leiga em Star Wars vai ficar perdida.

São seis episódios, três com a Ahsoka, três com o Dooku. Curiosamente, o primeiro é da Ahsoka, depois são os três do Dooku, e fecha com mais dois da Ahsoka. Não vou entrar em detalhes sobre cada episódio, vou fazer apenas alguns comentários por alto, ok?

O primeiro episódio mostra o nascimento da Ahsoka, e ela começa a se mostrar “force sensistive” ainda bebê. Episódio meio besta.

Os três do Dooku mostram uma coisa que gosto de ver no universo de Star Wars. Os filmes clássicos são muito maniqueístas, o bem contra o mal, a luz contra a escuridão, tudo é muito binário. Mas o mundo real tem os tais “tons de cinza”, nada é 100% de um lado ou do outro. Então gosto quando mostram que certas questões são mais complexas do que uma luta do “lado bom” contra o “lado mau”. Vemos o Dooku ainda Jedi, lidando com questões políticas onde existem interesses. A gente consegue entender parte da motivação do Dooku. Não, ele não vira “mocinho”, a série não o transforma em um herói, mas mostra que ele tinha motivações para ir contra o Conselho Jedi. Gosto de ver situações e personagens assim dentro deste universo!

O quarto episódio tem um momento que me arrepiou. Sem spoilers, é o momento que usa o tema da Força.

Meu episódio favorito foi o quinto, que mostra o treinamento da Ahsoka. Seu mestre, Anakin, resolveu dificultar os treinos para melhorar as habilidades da padawan. E essa parte do treino foi muito legal! O episódio termina sem fim, na hora não entendi, mas um amigo me explicou que o que acontece depois é uma parte de Clone Wars onde as pessoas se perguntam “como a Ahsoka saiu viva disso?” Pois bem, aqui está a resposta!

O sexto mostra que a Ahsoka estava no enterro da Amidala, e pra onde ela foi depois. Não tem tanta ação quanto o anterior, mas tem um belo duelo.

Gostei muito de Histórias dos Jedi, aguardo ansiosamente por outra temporada. Pena que sei que não é um material para indicar para qualquer um.

As Aventuras de Tadeo e a Tábua de Esmeralda

Crítica – As Aventuras de Tadeo e a Tábua de Esmeralda

Sinopse (imdb): Tadeo acidentalmente desencadeia um antigo feitiço pondo em perigo a vida de seus amigos: Mumia, Jeff e Belzoni.

Minha banda tinha um show pra fazer num shopping. Queria levar meus filhos. Pensei “vamos aproveitar pra ver um filme no cinema antes”. Fui catar um filme infantil, e escolhemos este As Aventuras de Tadeo e a Tábua de Esmeralda. O problema é que o filme é tão bobinho que acho que posso passar para uma nova fase da paternidade. Vou falar primeiro sobre o filme, depois uma breve reflexão sobre amadurecimento dos filhos.

(Claro, terá spoilers leves na segunda parte do texto.)

Entrei na sala de cinema sem saber quase nada sobre o filme. Só sabia que era uma produção espanhola. Só fui saber que era o terceiro filme de uma franquia depois que tinha terminado o filme (é o terceiro longa, e ainda tem dois curtas e uma série de tv, segundo o imdb). Mas, já desconfiava disso, porque o personagem da Múmia, do jeito que aparece no filme, tinha que vir de algo previamente conhecido. Personagem bem ruim, aliás, mas já chego lá.

Tecnicamente, As Aventuras de Tadeo é um bom filme. A animação é boa colorida, divertida e tem algumas boas piadas – tem até uma citação a Indiana Jones! O que enfraquece é o roteiro. Vou fazer duas críticas ao roteiro. A primeira é que algumas coisas não fazem muito sentido, tipo a Múmia. A primeira vez que a gente a vê, ela tem que ficar fechada em casa, escondida de todos, porque afinal, é uma múmia viva. Mas, ao longo do filme esquecem disso e o personagem está normalmente à vista de todos. E isso porque não estou falando dos clichês – As Aventuras de Tadeo não tem nada de surpresa.

Mas o que mais me incomodou foi o final do filme, onde todos são bonzinhos demais. O grupo dos três arqueólogos é um grupo rival – podem se respeitar, mas nada levou àquele clima de parceria. E vou além: a “vilã” precisava enfrentar as as consequências dos seus atos.

E aí mudo o assunto do texto. Spoilers leves a partir de agora.

Desde o início do heuvi sempre falei de filmes infantis porque quando comecei, lá em 2008, minha filha estava com 7 anos. E em 2009 nasceu um novo filho, e mais um em 2011. A mais velha já é adulta, 21 anos, mas os outros ainda são novos, 13 e 11 anos.

Só que essa fase já acabou. Meu filho de 13 fazia comentários “adultos” ao meu lado no cinema. Tipo quando vemos pela primeira vez uma personagem ao telefone, com um close na boca e uma música diferente, e meu filho falou “e acabamos de conhecer a vilã!” Ou, num momento onde um personagem se separa do grupo dos protagonistas, e volta num momento chave onde eles precisavam de ajuda, e meu filho comentou “e o filme nunca vai explicar como esse personagem achou o grupo que estava longe!” E fiquei feliz quando ele reclamou do momento “piada de pum” que tem no meio do filme!

Quando o filme acabou – principalmente depois daquele final bobinho – pensei “é, é hora de entrar numa nova faixa etária da ‘paternidade cinematográfica’…”

Pinóquio

Crítica – Pinóquio

Sinopse (imdb): Um boneco é trazido à vida por uma fada, que o atribui a levar uma vida virtuosa para se tornar um menino de verdade.

Vamos para mais um live action Disney que deu errado?

Confesso que ia deixar esse filme passar. Mas quando vi que era mais uma vez uma parceria entre Robert Zemeckis e Tom Hanks, mudei de ideia e fui logo ver, mesmo sabendo do histórico ruim quando se fala em live action da Disney – gravei um Podcrastinadores falando sobre Aladdin, Rei Leão, Dumbo e Christopher Robin, e falei mal de todos eles. Acho que o único live action que se salva é Cruella.

Já faz um tempo que não revejo o Pinóquio de 1940, então não me lembro de muitos detalhes. Mas tudo que me lembro está na nova versão, e, pelo que li, é isso mesmo, eles seguiram a mesma história do desenho anterior – assim como fizeram no “live action” de Rei Leão (as aspas são porque o novo Rei Leão não tem nada de “live”, é apenas outro estilo de animação).

E deu errado. Assim como o citado Rei Leão.

Se você contar de novo uma história que todo mundo já viu, traga novos elementos. Porque, se é a mesma coisa, pra que ver a nova versão?

Mas, calma, que ainda piora. Você pode argumentar que se passaram mais de 80 anos, aquela animação está datada, podemos refazer com novas tecnologias…

E aí está o maior problema deste Pinóquio de 2022: os efeitos especiais!

É inadmissível que hoje, em 2022, um estúdio cheio de grana e de recursos como a Disney entregue efeitos tão básicos. Parece que a gente está vendo um filme dos anos 90.

E aí a gente “troca de canal” e vê um trecho de Anéis de Poder e vê que sim, os efeitos evoluíram. É possível ter qualidade. Mas precisa trabalhar.

Alguns efeitos eram tão ruins que me tiravam da história. Parece que a produção não conseguiu se decidir entre o real e o cartunesco. Vou dar um exemplo claro: o peixe Cleo parece que saiu de Procurando Nemo, não parece um peixe real. Ok, o peixe não interage com humanos. Mas o gato Fígaro interage com o Gepeto, e às vezes parece um gato real, outras vezes parece um gato de desenho animado, e em todas as vezes parece um gato falso.

E não é só isso. Algumas coisas simples são exibidas de forma desleixada. No parque de diversões, o garoto recebe uma caneca de root beer, caneca grande, deve ter pelo menos um litro. E bebe em um único gole! Ou, outra cena logo antes dos tijolos, onde a gente vê que os atores estavam nas marcas e começam a se movimentar um segundo depois do tempo certo!

É triste a gente ler o nome de Robert Zemeckis e lembrar que, junto com Tom Hanks, ele revolucionou os efeitos especiais com Forest Gump, com seus efeitos “invisíveis”, os efeitos estavam lá justamente para não aparecer – por exemplo, um dos personagens passa boa parte do filme sem as pernas, que foram apagadas pelos efeitos especiais. E isso porque não tô falando de Roger Rabbit, De Volta Para o Futuro, A Morte lhe Cai Bem, Contato e muitos etc.

No elenco, Tom Hanks funciona, como sempre. A voz do Grilo Falante é de Joseph Gordon-Levitt, que serve como narrador do filme. Temos breves participações de Cynthia Erivo e Luke Evans, e as vozes de Lorraine Bracco, Keegan-Michael Key. O garoto Benjamin Evan Ainsworth faz a voz do Pinóquio.

Se tem algo que se salva? Bem, gostei dos easter eggs nos relógios do Gepeto, tem Toy Story, Pato Donald, Sete Anões, tem várias referências a outras animações da Disney. E gostei do parque de diversões. Não dos efeitos, do parque em si.

Mas é pouco. Prefiram o desenho velho de 80 anos.

Minions 2: A Origem de Gru

Crítica – Minions 2: A Origem de Gru

Sinopse (imdb): A história não contada do sonho de uma criança de doze anos de se tornar o maior supervilão do mundo.

Mais um filme da franquia Meu Malvado Favorito. O filme estava previsto para 2020, mas por causa da covid foi adiado várias vezes e, quando finalmente estreou, pelo menos para mim, preciso admitir que a expectativa era zero. É uma boa franquia, os filmes são divertidos, mas sei lá por que, não estava empolgado.

E isso foi bom, porque me diverti muito na sessão! O filme é muito engraçado, e tem umas piadas geniais.

Desde o primeiro filme da franquia, os minions são as coisas mais engraçadas e protagonistas das melhores piadas. Aqui acontece o mesmo. Mesmo quando estão ao fundo, fora da cena, são várias piadas boas, tipo quando um pega fogo e outro fica aquecendo as mãos. E, sem entrar em spoilers, mas tem uma cena envolvendo ovos que me fez gargalhar alto no cinema!

Apesar do nome, este novo filme é mais um prequel do que uma continuação do primeiro Minions, afinal o Gru criança é o protagonista. O nome deveria ser “Meu Malvado Favorito Zero – A Origem de Gru”.

A qualidade da imagem é impressionante, não deixa nada a dever para os gigantes Pixar ou Disney. Mas o que mais chama a atenção é a ambientação nos anos 70, tanto na parte visual como na excelente trilha sonora.

A sessão foi dublada, Leandro Hassum continua fazendo um bom trabalho como Gru. Mas quando li quem eram as vozes originais dos vilões secundários, deu vontade de rever legendado: Jean Claude Van Damme, Dolph Lundgren, Lucy Lawless e Danny Trejo! E ainda tem Alan Arkin e Michelle Yeoh, além da volta de Steve Carell, Julie Andrews e Russell Brand. Excelente elenco, que a gente não vai aproveitar aqui no Brasil. Bem, pelo menos a dublagem é boa.

Longe da pretensão de um filme da Pixar, Minions 2: A Origem de Gru é uma genuína diversão leve.

Lightyear

Crítica – Lightyear

Sinopse (imdb): A história de Buzz Lightyear e suas aventuras ao infinito e além.

A franquia Toy Story é uma das melhores coisas feitas na animação nas últimas décadas. E a gente sabe que continuações costumam enfraquecer as franquias. Quando lançaram Toy Story 3, o pensamento era “tem que parar agora, enquanto a franquia está com a qualidade lá no alto”. Mas fizeram o quarto filme, que pode não ser tão bom quanto o terceiro, mas ainda segurou a barra no alto. Valia a pena fazer um quinto filme?

A saída foi fazer um spin-off. Lightyear não fala do boneco, mas sim sobre o personagem que deu origem ao boneco. Antes do filme, tem um texto na tela explicando: em 1995, Andy foi ao cinema e depois ganhou um boneco do personagem. Este é o filme que ele foi ver.

E afinal, Lightyear é bom? Bem, não mantém a mesma qualidade dos filmes Toy Story, mas é um filme divertido e extremamente bem feito. A parte técnica enche os olhos – não que isso seja surpresa em se tratando de Pixar, mas, não custa reforçar. A animação é tecnicamente perfeita!

Dirigido por Angus Maclane (que está estreando como diretor solo, mas trabalha na Pixar desde Vida de Inseto, de 1998). Lightyear é a volta dos lançamentos nos cinemas – Dois Irmãos foi lançado na época do início da pandemia, sei que teve sessões nos cinemas, mas não lembro se chegou a passar aqui no Rio; os três seguintes, Soul, Luca e Red, foram direto para o streaming. Pelo menos para mim isso é uma boa notícia, senti falta de ver Soul num cinema.

Duas coisas me incomodaram no roteiro de Lightyear. Uma delas é uma das premissas básicas do filme, então não considero que seja spoiler. Buzz está numa grande nave, com centenas (milhares?) de pessoas, e eles ficam presos num planeta desabitado. Em um ano, bolam um plano para sair. O plano dá errado, e mesmo assim eles insistem no plano ao longo de décadas! Caramba, ninguém pensou num plano B? Será que anos depois ninguém ia pensar em outra forma de sair do planeta?

A outra coisa que me incomodou é spoiler. Mas, posso dizer que não gostei das motivações do vilão. O vilão é o Zurg, aparece em Toy Story, mas aqui a gente conhece a história dele, e achei essa história bem ruim.

Sobre os novos personagens, preciso dizer que a princípio achei que o gatinho era uma ideia ruim, mas preciso admitir que ao fim do filme, já tinha virado fã do gatinho. Já o resto dos personagens, não tem nenhum memorável. Uma boa piada aqui, outra ali, mas nada que fique na memória.

Uma informação importante sobre a dublagem. O boneco Buzz Lightyear foi dublado por Guilherme Briggs, um dos melhores dubladores brasileiros; e aqui foi dublado por Marcos Mion. Claro que tem um monte de gente reclamando. Mas… Em primeiro lugar, a troca do dublador é algo coerente, porque este Buzz não é o mesmo de Toy Story, aqui é o personagem do filme, lá é o boneco – a mudança de dublador aconteceu também no original, o boneco é dublado por Tim Allen e este é dublado por Chris Evans. E agora, sobre o Marcos Mion: tirando um “paulistês” meio forte, não atrapalhou em nada. Marcos Mion está aprovado.

Está rolando uma polêmica sobre um beijo gay. Sim, acontece um beijo entre duas mulheres, personagens novas, não é o Buzz, ninguém vai poder espernear “arruinaram a minha infância!” Queria dar um recado pra quem se incomodou com o fato de duas personagens, fictícias, desenhadas, que demonstram carinho entre elas. O mundo tem tanto problema real, e você se incomoda com isso? Seriously?

Por fim, são 3 cenas pós créditos. As duas tradicionais, uma ao fim dos créditos principais outra lá no fim. Mas, depois de tudo ainda tem mais uma! Não saia do cinema antes do filme realmente acaba!

Tico e Teco e os Defensores da Lei

Crítica – Tico e Teco e os Defensores da Lei

Sinopse (imdb): Adaptação live action do clássico “Tico e Teco e os Defensores da Lei”.

Quando vi que tinha um filme novo do Tico e Teco, nem dei bola. O desenho Tico e Teco e os Defensores da Lei estreou aqui no Brasil em 1993, nessa época heu já estava na faculdade, nem me lembro se cheguei a ver algum episódio.

Mas, vi que alguns dos youtubers que acompanho estavam falando do filme. Aí depois me recomendaram, no mesmo dia, no grupo de apoiadores do Podcrastinadores e num grupo de amigos. Pensei, “é, esse filme deve ter algo diferente”.

E foi uma agradabilíssima surpresa! Tico e Teco e os Defensores da Lei é um forte candidato a melhor animação do ano!

Dirigido por Akiva Schaffer, que tem um grande currículo no Saturday Night Live, Tico e Teco e os Defensores da Lei segue a linha de Uma Cilada Para Roger Rabbit: mistura filme live action com personagens animados, e usa muitos personagens de outros lugares.

Duas coisas chamam a atenção logo de cara. Uma delas é a quantidade de referências e easter eggs espalhados pelo filme. A outra coisa é a qualidade da animação, que mistura várias técnicas diferentes.

Sobre os easter eggs: são tantos que nem dá pra contar. Como aconteceu em Jogador Nº1, vai ter gente pausado o filme e ampliando a imagem, porque a quantidade é realmente absurda! E sobre as técnicas de animação, achei uma ideia muito boa misturar os estilos. Um dos personagens é em stop motion! Outro personagem tem aquela animação usada em Expresso Polar, onde os olhos ficaram mal feitos (e o filme faz piada em cima disso)! Tem uma cena com uma personagem naquela animação 3D onde a imagem fica borrada meio vermelha meio azul!

A certa altura, me perguntei se o filme teria graça sem essas referências. Mas aí a gente vê que o filme fala de pirataria, e lembra daqueles dvds vendidos nas Lojas Americanas da Vídeo Brinquedos, com títulos como Os Carrinhos, Ratatoing, Ursinho da Pesada e Voando em Busca de Aventuras – parece até que o filme foi feito pensando nesses dvds!

Além disso, o filme ainda propõe uma reflexão sobre o passar do tempo. Temos um personagem que faz uma “cirurgia computadorizada” para se atualizar; temos outro personagem que tem problemas para conseguir novos trabalhos porque ficou adulto.

Sobre o elenco, acho que a única personagem que aparece em forma humana é a policial interpretada por Kiki Layne (tem uma ponta do Paul Rudd, mas só ponta). Mas o elenco animado está cheio de nomes conhecidos, como Andy Samberg, Will Arnett, Eric Bana, Seth Rogen, J.K. Simmons, Dennis Haysbert e Keegan-Michael Key.

Tico e Teco e os Defensores da Lei é divertidíssimo! Certamente estará no meu top 10 de melhores filmes de 2022!

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

Crítica – A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

Sinopse (imdb): Katie Mitchell é aceita na escola de cinema dos seus sonhos. Sua família inteira leva Katie para a escola quando seus planos são interrompidos por um levante tecnológico. Os Mitchells terão que trabalhar juntos para salvar o mundo.

Perdi o lançamento deste A Família Mitchel e a Revolta das Máquinas. Pra minha sorte, o filme foi indicado ao Oscar, e alguns amigos recomendaram. Sorte minha, quase perdi!

Escrito e dirigido por Mike Rianda e Jeff Rowe (Gravity Falls), A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é a nova produção da Sony Pictures Animation – o que não é exatamente uma certeza de qualidade, é só a gente lembrar que os dois filmes anteriores do estúdio foram o excelente Homem Aranha no Aranhaverso e o fraco Angry Birds 2. Mas… a produção tem dois nomes que me chamaram a atenção: Phil Lord e Christopher Miller, criadores de Uma Aventura Lego e que ganharam o Oscar por Aranhaverso. Opa, antes vocês tinham a minha curiosidade, agora vocês têm a minha atenção!

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é uma divertida e amalucada aventura familiar. O filme tem o meu estilo de humor. Passei o filme inteiro rindo como há muito tempo não ria.

E não é só isso. A história tem um ótimo ritmo e os personagens são muito bem construídos. A gente sente a amizade entre os irmãos, assim como a gente o distanciamento entre a Katie e o pai. E os robôs que “entram na família” também são ótimos. E o cachorro é o alívio cômico perfeito!

(Sim, deixei a mãe de fora, de propósito. Mais tarde falo dela, na parte que vou falar mal do filme).

A qualidade da animação é bem legal. Hoje as animações top (Pixar, Disney, Dreamworks, Blue Sky, Illumination) têm uma qualidade absurda de imagem, um espetáculo visual, muitas vezes parece que estamos vendo algo filmado e não desenhado. A Sony, esperta, em vez de querer barrar essa qualidade, pegou um caminho paralelo. Aranhaverso, por exemplo, não tinha nada de realismo – as imagens lembravam a textura de páginas de HQ impressas. Mais: personagens de estilos diferentes usavam técnicas de animação diferentes. Ideia genial: se você não consegue superar a qualidade da imagem, pegue outro caminho. Aqui em A Família Mitchell, a criatividade apontou pra outro caminho. A qualidade dos gráficos é normal, nada aqui parece real. Mas… Ao longo de todo o filme pipocam na tela vários elementos gráficos, desenhos, textos, colagens, o que deu uma dinâmica especial ao filme. Como falei, gostei muito do humor do filme, e esses elementos gráficos foram um toque extra genial!

A boa trilha sonora de Mark Mothersbaugh ajuda nesse ritmo amalucado. Hoje Mothersbaugh é mais lembrado por trilhas sonoras de Thor Ragnarok e Anjos da Lei, além de várias animações. Mas não vou me esquecer que ele era do Devo!

Agora, preciso falar mal de uma coisa. O filme tem uma ideia absurda de que os robôs vão pegar TODOS os humanos e levá-los para outro planeta. É uma ideia absurda, porque o planeta é muito grande e tem muita gente. Se não me engano, eram sete naves, então cada uma delas deveria ter um bilhão de pessoas. Achei forçado, era melhor não dizer números. “Robôs estão capturando humanos”, ponto. Pode ser local, pode ser global, essa informação não é importante para o filme.

Mas… Essa parte nem me incomodou tanto, a gente vê coisas forçadas em quase todos os filmes por aí. Agora, na parte final a gente vê a mãe ganhar super poderes. Isso ficou estranho, porque nada no filme levou a essa transformação. Ficou engraçado? Ficou. Mas, pra que? Claro que não chega a estragar o filme, mas essa parte da super mãe impede o filme de ser um “10”.

Mesmo assim, A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas foi a melhor animação que vi em um bom tempo. Pena que vi atrasado, porque certamente entraria no meu top 10 do ano passado.