O Bom Dinossauro

bom-dinossauroCrítica – O Bom Dinossauro

Pouco depois de Divertida Mente, mais um Pixar!

Numa realidade paralela onde os dinossauros não foram extintos por um asteroide, temos uma família de apatossauros evoluídos, fazendeiros, que se preparam para o inverno. O caçula da família, pequeno e atrapalhado, tenta capturar um filhote de humano selvagem (que age como um cachorro), que vem roubando comida da família.

Em 2014, a Pixar não lançou nenhum longa. Agora eles estão compensando: são 3 filmes entre 2015 e 16 (ainda teremos Procurando Dory este ano). Mas, se Divertida Mente foi um título para figurar entre os melhores Pixar, acredito que O Bom Dinossauro (The Good Dinosaur, no original) vai passar longe dessa lista.

O problema básico é que, diferente do habitual da Pixar, tudo aqui é muito básico e parece repetição de outros temas. A história, além de ser clichê, parece uma mistura de Procurando Nemo (uma jornada de auto-conhecimento onde o protagonista encontra vários personagens curiosos) e O Rei Leão (são vários elementos semelhantes, como os ladrões de gado que parecem as hienas, além de algumas cenas bem parecidas, como quando o filho se separa do pai). Além disso, se trata de uma história direcionada ao público infantil, mas algumas cenas são muito fortes. Me lembrei de Holocausto Canibal em uma cena!!!

Vamos ao que funciona: o visual é impressionante! Na parte técnica, a Pixar continua mostrando que é top. Os cenários às vezes parecem filme e não desenho animado! Os personagens têm um traço mais simples, acredito que foi proposital, para contrastar com a perfeição dos cenários.

Mas o problema é que a própria Pixar nos ensinou que seus longas de animação têm camadas de complexidade (como Divertida mente, capaz de agradar crianças e adultos). Se fosse de outra produtora, O Bom Dinossauro seria apenas um filme médio. Mas como é Pixar, ficou devendo.

Agora nos resta aguardar pelo Procurando Dory

Podcrastinadores.S03E27 – Pixar Parte 2

Podcrastinadores.S03E27 – Pixar Parte 2Podcrastinadores.S03E27 – Pixar Parte 2

Chegou finalmente a tão pedida continuação do episódio especial sobre as grandes animações da Pixar!

Dessa vez a gente vai debater mais alguns filmes dessa gigante da animação mundial que ficaram de fora da primeira parte. Se você se emocionou com os monstros dentro do armário, com as formigas que precisavam defender a sua vila dos gafanhotos, com a princesa ruiva que não queria casamento arranjado, ou com o ratinho parisiense que queria ser um chef de cozinha, não deixe de baixar agora mesmo esse bate-papo divertidíssimo com Gustavo Guimarães, Helvecio Parente, Rodrigo Montaleão, Tibério Velasquez, Fernando Caruso e Eduardo Sales.

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Divertida Mente

Divertida Mente - posterCrítica – Divertida Mente

A Pixar está de volta!

Depois que a jovem Riley se muda do interior para San Francisco, suas emoções – Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho – entram em conflito para descobrir o melhor meio de se viver na nova cidade, nova casa e novo colégio.

Nem todos repararam, mas ano passado tivemos dois Dreamworks (Peabody e Sherman e Como Treinar Seu Dragão 2), mas nenhum Pixar. Aliás, há quem diga que a Pixar está em crise – afinal, os últimos longas foram o fraco Carros 2 e os médios Valente e Universidade Monstros, e estamos falando da produtora que nos deu obras primas como Toy Story, Monstros S.A. e Wall-E.

Dirigido por Pete Docter (Up, Monstros S.A.), em parceria com Ronaldo Del Carmen, Divertida Mente (Inside Out, no original) pode não ser o melhor longa da história da Pixar (afnal, a concorrência é acirrada), mas traz o essencial que diferencia a produtora de outras por aí. É um filme que nunca subestima a inteligência do espectador, que traz camadas de complexidade para os adultos e ao mesmo tempo é colorido e simples para as crianças. Mais: sabe mexer com as emoções da audiência e a faz rir, depois chorar, depois rir de novo, e por aí vai.

A ideia proposta pelo filme – existem “pessoinhas” dentro do nosso cérebro decidindo pelas nossas ações – é tão básica quanto genial. Básica porque é algo muito simples; genial porque todo mundo vai sair do cinema imaginando as suas próprias “pessoinhas”.

E não é só isso: todo o universo criado para mostrar o “mundo” onde vivem os sentimentos foi bem pensado. É este o ponto que diferencia a Pixar dos seus concorrentes (Dreamworks, Disney, Blue Sky, etc). Ideias novas e bem estruturadas, e personagens carismáticos e bem construídos.

Na parte técnica, hoje é difícil a gente se surpreender – as animações alcançaram um nível de perfeição muito alto. Mesmo assim uma coisa me chamou a atenção: a textura dos sentimentos. Reparem que os personagens não são exatamente sólidos…

A versão que passou na sessão de imprensa foi dublada em português, não deu pra ouvir as vozes de Amy Poehler, Bill Hader, Diane Lane e Kyle MacLachlan. Sobre a versão brasileira, Sidney Magal faz uma rápida e divertidíssima participação especial.

Por fim, o 3D. Correto, mas desnecessário, na minha humilde opinião.

p.s.: “Triple Dent” é o “Tudo é Incrível” de 2015!

Universidade Monstros

Crítica – Universidade Monstro

O primeiro prequel da Pixar!

Na época da faculdade, Mike Wazowski era um cara estudioso, mas não muito assustador; enquanto Sulley era popular e arrogante, graças ao talento inerente para o susto. Após um incidente durante um teste, os dois são obrigados a participarem da mesma equipe na olimpíada dos sustos.

Estamos de volta ao delicioso mundo de Monstros S.A., um dos meus desenhos animados favoritos. Agora, vemos os personagens do outro longa de animação na época da faculdade.

Confesso que rolava um certo receio, já que os dois últimos filmes da Pixar ficaram devendo – Valente foi fraquinho, e Carros 2 é de longe o pior longa do estúdio. Medo infundado: Universidade Monstros (Monsters University, no original), é divertidíssimo!

Digo mais: a Pixar é genial. Em vez de pegarem o caminho mais fácil, o roteiro foge do óbvio – por exemplo, o companheiro de quarto de Mike Wazowski é Randall e não Sulley. Aliás, Sulley nem é amigo do Mike… Outra coisa legal foi a inversão dos protagonistas: agora, Mike é o principal enquanto Sulley é coadjuvante.

Temos um novo personagem bem legal, a diretora Hardscrabble, que no original tem a voz da Helen Mirren (o trio principal de dubladores continua sendo John Goodman, Billy Crystal e Steve Buscemi). O pessoal da fraternidade Oozma Kappa também é interessante, gostei do Art, que parece um muppet com defeito. Aliás, rola um clima de A Vingança dos Nerds

A parte técnica, como era esperado, é impecável. Cada detalhe é bem cuidado, mesmo aqueles de fundo, que quase ninguém repara. E como é um filme no “mundo dos monstros”, a imaginação da equipe de arte podia correr solta.

Como acontece no primeiro filme, Universidade Monstros traz uma mensagem. E a mensagem aqui também foge do lugar comum – em vez do clichê “acredite nos seus sonhos”, está mais para “nem todos conseguem alcançar seus sonhos, mas mesmo assim podem ser felizes”. Gostei!

Vi a versão dublada. Fiquei com pena de não ouvir as vozes originais, mas senti um grande orgulho quando vi que Sergio Stern, meu amigo há mais de vinte anos, é o primeiro nome no elenco de dubladores nacionais. Aliás, reparei num detalhe muito interessante: várias coisas escritas na tela estão em português. Ponto pra Pixar, que deve ter feito cópias específicas para países de línguas diferentes. Legal!

Evitei o 3D. Nada contra, mas também nada a favor, cansei de pagar mais caro por óculos desconfortáveis e efeitos desnecessários. Consegui ver em 2D, mas tive que ir até a Barra – todos os cinemas da Zona Sul carioca têm cópia em 3D.

No fim dos créditos rola uma cena extra, continuação de uma piada. Pena que o cinema onde vi, o UCI do New York City Center, não respeitou os poucos espectadores que ficaram para ver a tal cena. Não só todas as luzes da sala estavam acesas, como tinham alguns refletores iluminando a tela. Lamentável…

p.s.: Sou o único que acha que o título em português está com erro de concordância? Não seria “Universidade Monstro” ou “Universidade dos Monstros“?

Valente

Crítica – Valente

Era uma vez a indústria de longas metragem de animação, dominada pela Disney, garantia de qualidade, mas que usava quase sempre a mesma fórmula. Aí apareceu a Pixar, mezzo parceira, mezzo concorrente, que nos mostrou, através de filmes como Toy Story, Monstros S.A. e Wall-E, que longas de animação poderiam almejar um patamar bem mais alto. A qualidade excepcional da Pixar nos deixou mal acostumados…

Em Valente, a jovem princesa Merida foi criada pela mãe para ser a sucessora perfeita ao cargo de rainha. Mas, rebelde, a menina não quer saber da rígida vida de herdeira, então resolve procurar uma bruxa pra tentar se livrar do destino.

Dirigido pela dupla Mark Andrews e Brenda Chapman, Valente não é ruim, longe disso. Parte técnica impecável, história envolvente e personagens carismáticos – o problema é que a Pixar nos ensinou a esperar sempre algo mais. E Valente não tem nada demais. Aliás, Valente parece mais Disney do que Pixar: mais uma princesa para vender bonecas no natal, com uma história convencional, e ainda rolam os números musicais pra vender cds com a trilha sonora. Nada contra, mas isso tem cara de Disney.

Bem, como disse, Valente não é ruim (diferente de Carros 2, o único Pixar que ficou devendo até agora). A parte técnica, como esperado, é impressionante, o cabelo desgrenhado de Merida está perfeito. O roteiro traz um bom equilíbrio entre o humor, a ação e o drama – os três moleques ruivos são um alívio cômico sensacional, do nível do esquilo Scrat d’A Era do Gelo. Não posso falar do 3D, vi a versão 2D. Tampouco posso falar das vozes originais de Kelly Macdonald, Billy Connolly, Emma Thompson, Robbie Coltrane e Kevin McKidd, porque vi dublado – a dublagem é boa, felizmente algo comum atualmente.

Só fica aquela decepção no ar por ser uma produção da Pixar. Como falei, ficamos mal acostumados. A Pixar nos ensinou que “bom” não é o suficiente…

p.s.: Não entendi muito o “Valente” do título. A Mulan merecia mais este nome…

Carros 2

Carros 2

Na minha humilde opinião, o primeiro Carros é o mais fraco dos filmes da Pixar. Não que seja ruim, mas perde na comparação – afinal, o nível é alto, são as melhores animações dos últimos anos! Por isso, estava com pé atrás com este Carros 2.

Infelizmente, o pé atrás tinha fundamento…

Nesta segunda parte, Relâmpago Mcqueen, agora um campeão consagrado, é convidado para participar de um torneio mundial, o World Grand Prix, patrocinado por um combustível ecológico. Depois de um desentendimento, ele se separa de seu grande amigo Mate, que acaba confundido com um espião internacional.

A parte técnica continua enchendo os olhos. Não se pode falar uma vírgula sobre a qualidade da animação – não só vemos detalhes com uma perfeição impressionante, como ainda rolam divertidas adaptações automobilísticas de cenários em cidades como Londres e Paris – aparecem até o Papa e a Rainha da Inglaterra. E, para nós, brasileiros, tem uma corredora brasileira, e vemos bandeirinhas do Brasil nas arquibancadas.

Mas isso tudo parece mascarar o pior problema: Carros 2 tem uma história fraca. As partes de espionagem são interessantes, mas nada demais. As corridas ficam em segundo plano. Parece até um spin-off: o foco sai de McQueen e o protagonista vira Mate. Olha, posso estar errado, mas… Acho que ele funciona bem como um coadjuvante, um alívio cômico – porém, como personagem principal, cansa.

Outro problema: uma trama com tiroteios, espionagem, tortura, máfia, combustíveis ecológicos, me parece um pouco adulta. Assim, o filme fica com crise de identidade: é muito adulto para as crianças, mas muito bobo para os mais velhos.

Pra piorar, o filme é mais longo que a média das animações atuais – são quase duas horas de filme. E assim, a gente fica curtindo o visual bem elaborado e procurando piadas e referências ao mundo real, enquanto assite um filme fraco…

O currículo da Pixar ainda é impressionante. Mas torço para o próximo filme voltar à qualidade anterior.

p.s.: Pra piorar ainda mais, li na internet que uma das melhores coisas de Carros 2 é o curta que vem antes. E no cinema do Via Parque só passaram propagandas e trailers, nada de curta!

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Se você gostou de Carros 2, Blog do Heu recomenda:
Toy Story 3
Monstros S.A.
Wall-E
Up – Altas Aventuras

Toy Story 3

Toy Story 3

Cada novo lançamento da Pixar me convence mais que os caras que trabalham lá são gênios. Toy Story 3 é mais uma prova disso.

Neste terceiro filme, Andy, o dono dos brinquedos, está com 17 anos e prestes a ir para a faculdade. Abandonados, os brinquedos não sabem se vão ser guardados no sótão, jogados fora ou doados para uma creche. E assim começa uma aventura atrás de um novo lar com novos donos.

Uma das características da Pixar é não investir em continuações, na contramão da maioria dos estúdios de Hollywood (existe uma regra informal que diz que uma continuação rende pelo menos a metade que o anterior). Até agora, Toy Story foi o único filme que teve continuações (li na internet rumores sobre continuações de Carros e Monstros S.A. para os próximos anos). Fiquei com um certo receio, porque muitas vezes continuações são meros caça-níqueis – ainda não vi o Shrek 4, mas é nítida a queda da qualidade na franquia da Dreamworks.

Mas o meu medo era desnecessário. Toy Story 3 é sensacional!

Não temos nada mais o que falar sobre a parte técnica das animações da Pixar, certo? Os caras já provaram que são os melhores. No máximo, outra animação pode se igualar, mas acho difícil alguém ser superior a eles. Então, já sabemos que o desenho é absurdamente bem feito.

Aí tem o outro lado. Eles sabem que hoje em dia não basta ter uma animação bem feita e algumas boas piadas. Isso até vende, mas não se destaca no meio dos vários lançamentos a cada ano. Então eles investem em personagens muito bem construídos e um roteiro maravilhoso.

Os personagens antigos são muito bons, isso a gente já sabia, tanto os principais quanto os coadjuvantes. E aqui, não só temos novos personagens sensacionais – como o Ken metrossexual – como ainda conhecemos o Buzz Lightyear latino! As cenas do Buzz falando espanhol são de rolar de rir!

E o roteiro, bem… Quantos filmes conhecemos por aí onde temos ação de tirar o fôlego, momentos hilariantes e ainda sobra espaço pra lágrimas nos olhos? Digo mais: tudo isso bem dosado, no timing certo. Toy Story 3 é comédia, drama e aventura ao mesmo tempo. E, melhor ainda: tudo isso num formato que agrada tanto os adultos quanto as crianças!

(Não é à toa que o filme, que estreou há apenas um mês, já foi escolhido como o sétimo lugar no ranking dos 250 melhores do imdB. Isso para um desenho animado que acabou de estrear!)

E o filme ainda tem espaço para os teóricos de plantão, que podem falar sobre crescimento, sobre amadurecimento, sobre amizade… Tudo isso está lá.

Enfim, recomendo. Para adultos, para crianças, para todos. E, se chorar no fim, não se envergonhe!

Monstros S.A.

Monstros S.A.

É bom ter filho pequeno em casa, não? Aproveitei meu filho de dez meses para rever aquele que considero o melhor longa de animação da história!

Vamos voltar no tempo? Nos anos 80, a Disney não andava muito bem, até que, com filmes como A Bela e a Fera (91) e Alladin (92), começou uma nova “era de ouro”. Não tinha pra ninguém, a qualidade Disney era imbatível.

Essa hegemonia foi ameaçada nos anos 90 com o surgimento de dois outros estúdios de animação, a Dreamworks e a Pixar (ligada à Disney). Aliás, essas três são o grande triunvirato que dita a animação em Hollywood nos dia de hoje.

No post de hoje não vou me aprofundar na rivalidade entre a Pixar e a Dreamworks, só quero falar da primeira. A Pixar já existia desde os anos 80, mas só começou a conquistar o mundo em 1995, com o lançamento de Toy Story, o primeiro longa metragem em animação por computador, que virou um março na história do cinema. E, realmente, Toy Story e seu sucessor Vida de Inseto são muito bons: bons personagens, em bons roteiros, formatados numa animação computadorizada de primeira qualidade.

E finalmente chegamos a Monstros S.A.! Por que digo que Monstros S.A. é genial?

1- A animação é deslumbrante. Hoje em dia tem um monte de animações de alto nível por aí, mas, em 2001, quando Monstros S.A. foi lançado, eram bem poucas por ano. E, mesmo hoje, quando estamos acostumados com boas animações, os longos pelos azuis e verdes do monstrão Sulley ainda chamam a atenção, esvoaçando no vento.

2- Parafraseando Conrad, “o humor, o humor!” Este é um dos desenhos animados mais engraçados da história! Na época, os desenhos nem sempre investiam na comédia, foram muitos longas da Disney com cara de musical.

3- A mensagem do filme é sensacional. “Crianças, não tenham medo que um monstro saia do seu armário! Sim, monstros existem, mas eles têm medo de crianças!” 😀

Isso sem contar com uma fantástica trilha sonora composta por Randy Newman!

Curiosamente, nunca ouvi a versão legendada, com as vozes de John Goodman, Billy Crystal e Steve Buscemi. Já vi Monstros S.A. dezenas de vezes, mas sempre em português. Bem, pelo menos ouço o meu amigo dublador Sérgio Stern fazendo um bom trabalho como a voz de Mike Wazowski!

Up – Altas Aventuras

up

Up – Altas Aventuras

Finalmente, com umas duas semanas de atraso, vi o novo Pixar, Up – Altas Aventuras.

O desenho animado conta a história de Carl Fredricksen, um velhinho mal-humorado, vendedor de balões aposentado, que resolve levar a sua casa inteira numa viagem. E acaba carregando, por acidente, Russell, um animado escoteiro, que tentava ajudá-lo para ganhar uma medalha.

A Pixar é impressionante. Num mercado repleto de reciclagens, sejam elas sequências ou refilmagens, a Pixar sempre traz histórias novas. Seu único desenho que teve continuação foi Toy Story (e parece que ano que vem estreará a terceira parte!). Todos os outros, Vida de Inseto, Monstros S.A., Procurando Nemo, Os Incríveis, Carros, Ratatouille e Wall-E são histórias originais e, na contra-mão dos outros estúdios, a Pixar declarou que não pretende fazer a continuação de nenhum deles! (Por quanto tempo será que eles resistirão ao mercado?)

E isso porque a gente ainda não falou na “qualidade Pixar”. Cada desenho consegue superar o anterior em qualidade de imagem. É impressionante! Algumas imagens deste Up – todas geradas por computador – são tão reais que quase dá pra gente sentir a textura!

Mesmo assim, não achei este o melhor Pixar até hoje, como andam alardeando alguns críticos. O filme tem um problema: na minha humilde opinião, a segunda parte é inferior à primeira. E, na boa, os cães falantes atrapalharam um pouco o desenrolar da história… Heu gostei de Up, mas ainda prefiro Wall-E.

Mesmo assim, isso não quer dizer que Up é ruim. Longe disso, o filme é maravilhoso! Emocionante e engraçado na doses certas, é mais uma das várias obras primas que a Pixar pode se orgulhar de ter no currículo.

Ah, mais uma coisa: está em 3D em algumas salas! Vale a pena!

Wall-E

Wall-E

Apesar da criançada talvez preferir o também bom Kung Fu Panda, preferi este Wall-E. É um desenho adulto. Não, não falo de nada violento, muito menos sexual, qualquer criança pode ver sem riscos. Mas a temática do desenho é adulta, a criançada não vai achar muita graça…

Num futuro distante, aproximadamente daqui a 700 anos, a Terra está abandonada. Numa cidade vazia coberta de lixo, vemos Wall-E, um solitário robozinho trabalhando initerruptamente. Sua função é simples: compactar lixo em blocos cúbicos e empilhá-los. E, aparentemente, sua única companhia é uma barata, que fica em sua “casa”, uma espécie de garagem onde ele guarda peças de reposição e vários tipos de bugingangas que encontra no lixo.

Assim é o dia-a-dia de Wall-E, até que aparece um outro robô, desta vez um “robô fêmea”, Eva, muito mais avançada do que ele. E ele se apaixona, sentimento que aprendeu vendo um velho filme em vhs que passa em sua garagem.

O filme então se mostra um filme romântico como nos velhos tempos, onde um “adorável vagabundo” faz de tudo pela sua bela amada. Não se vê muito disso hoje em dia…

Eva veio para uma missão secreta, e quando completa sua missão, se desliga, deixando Wall-E novamente sozinho. Até que, quando Eva volta para o lugar de onde veio, Wall-E consegue ir junto, e descobrimos finalmente o que aconteceu com a humanidade.

Falei que era filme adulto, né? Nesta segunda parte, vemos uma feroz crítica à nossa sociedade de consumo. As pessoas obesas e preguiçosas e só se comunicam online e nunca se tocam! Este momento do filme parece meio Kubrickiano, e numa determinada cena, aliás, numa genial cena, vemos que é realmente uma homenagem ao cinema de Kubrick em 2001.

Em se tratando de Pixar, o mesmo estúdio que nos trouxe Monstros S.A., Procurando Nemo e Os Incríveis, nem preciso falar que a animação é de cair o queixo, né? Bem, preciso falar sim. A animação parece ser ainda mais impressionante que nos filme anteriores! Acho que nunca vi algo deste nível antes!

Este é Wall-E. Se não tiver nenhuma criança para levá-lo ao cinema, arrisque sem medo uma sessão só com adultos!