Spinal Tap 2 O Último Ato / Spinal Tap II: The End Continues

Spinal Tap 2 O Último Ato / Spinal Tap II: The End Continues

Sinopse (imdb): No 40º aniversário do original, a sequência do lendário mockumentary de rock que colocou a produtora cinematográfica em uma sequência de sucesso.

Quarenta e um anos depois, uma continuação de um dos mais geniais mockumentaries da história!

A ideia é boa. Em 1984, foi lançado This is Spinal Tap, um mockumentary (documentário fake) sobre a turnê da banda Spinal Tap (igualmente fake). Anos se passaram, a banda se separou, mas agora vai ter uma reunião para um único show de despedida. Spinal Tap 2 O Último Ato (Spinal Tap II: The End Continues, no original) é o mockumentary que vai mostrar os bastidores dessa reunião.

Os quatro principais voltam: tanto o diretor Rob Reiner (que interpreta o documentarista) quanto os três principais músicos, Christopher Guest (Nigel Tufnel), Michael McKean (David St. Hubbins) e Harry Shearer (Derek Smalls). Alguns coadjuvantes do primeiro filme também aparecem rapidamente aqui, como Fran Drescher e Paul Shaffer, mas o filme é mesmo dos quatro.

Uma coisa que acho muito legal é que os caras são músicos, então eles convencem nas muitas cenas onde aparecem tocando. Da banda de quarenta anos atrás, não explicam por que o tecladista Viv Savage não voltou (achei uma falha), mas todo fã de Spinal Tap sabe que o baterista tem que ser um novo (spoiler: uma das piadas do primeiro filme é que o baterista sempre morre). E digo mais: a cena da audição para baterista é muito engraçada, e a nova baterista, Didi Crockett, é um ótimo personagem, além de ser interpretada por uma baterista carismática, Valerie Franco.

Spinal Tap 2 O Último Ato tem algumas participações especiais de músicos reais. Pouco antes da entrada da baterista, eles conversam via zoom com Chad Smith (Red Hot Chili Peppers), Lars Ulrich (Metallica) e Questlove (confesso que nunca tinha ouvido falar deste). Paul McCartney e Elton John têm participações maiores e efetivamente tocam com a banda. E Elton John ainda está em uma piada durante os créditos!

O filme é curto, assim como o primeiro (ambos têm uma hora e vinte e três minutos), e o ritmo é meio de piada repetida. Mas preciso falar que a sequência final, com o Stonehenge, me causou gargalhadas. Finalmente conseguiram “consertar” o erro do cenário que rolou no primeiro filme! Pena que não deu tudo certo… Os créditos também trazem boas piadas. Agora, reconheço que é um filme para “iniciados”. Quem não conhece o filme de 1984, provavelmente não vai entender parte das cenas.

A nota triste é que ontem acordei com a notícia do falecimento do diretor / roteirista / ator Rob Reiner. Muito triste essa notícia…

Seis Momentos Geniais em This is Spinal Tap (1984)

Seis Momentos Geniais em This is Spinal Tap (1984)

Sinopse (imdb): A banda inglesa de heavy metal Spinal Tap está em turnê pelos Estados Unidos. Um cineasta americano decide filmar a passagem da banda pelo país, mas a turnê não sai como o esperado.

Estreou no streaming o novo This is Spinal Tap, aí fui rever o original antes de ver a continuação. Pensei em escrever uma crítica mais completa (já comentei o filme em dezembro de 2008), mas optei por trazer alguns trechos que acho geniais. Afinal, estamos falando de um filme de 40 anos atrás, de menos de uma hora e meia de duração, e que, até hoje, traz vários momentos icônicos entre os apreciadores de rock’n’roll no cinema.

Lançado em 1984, This is Spinal Tap é um mockumentary, palavra que nem sei se existe em português. É um documentário fake (tipo a série The Office), sobre uma banda que nunca existiu. O Spinal Tap é uma banda de hair metal dos anos 70/80, exagerada e excêntrica como várias bandas da época, que está mais ou menos entre Van Halen, Manowar, Saxon e Mötley Crüe. O filme acompanha uma turnê nos EUA, e traz várias sequências memoráveis. Digo mais: todo músico vai se identificar com uma ou outra cena.

This is Spinal Tap foi dirigido por Rob Reiner, diretor de Conta Comigo, Louca Obsessão e Harry e Sally, entre outros, e que aqui, além de roteirista e diretor, ainda interpreta um personagem importante, o documentarista Marty DiBergi. A banda é formada por Nigel Tufnel (Christopher Guest), David St. Hubbins (Michael McKean) e Derek Smalls (Harry Shearer). Nenhum dos três teve carreira relevante no cinema, mas os três aparecem tocando, e convencem nos seus instrumentos. Além disso, os três colaboraram no roteiro, escrito a oito mãos junto com o diretor Reiner. Existe uma piada que justifica por que o baterista tem menor importância, mas não entendi por que o tecladista não ganhou mais espaço… Lembrei do João Fera, que toca com o Paralamas do Sucesso há quase quatro décadas mas nunca foi efetivado membro da banda.

Acho geniais algumas sacadas apresentadas no filme. Como músico, consigo ver algumas daquelas situações na vida real. Mas tenho minhas dúvidas se um público que não é ligado a bandas de rock vai achar graça.

Enfim, vamos aos momentos?

-Uma piada muito boa é sobre o baterista, que sempre morre. A banda já teve vários. Todos morreram, e sempre de mortes bizarras.

-Tem um lance que vários músicos já passaram, que é quando a banda se perde entre o camarim e o palco. Claro que aqui está exagerado, mas já aconteceu comigo num show num Sesc em SP…

-Lembro de amigos meus fãs de Manowar falando que os caras colocavam um pepino dentro da cueca pra parecerem bem dotados. Também lembro exatamente dos mesmos pepinos dentro da sunga numa HQ do Angeli dos anos 90. This is Spinal Tap é anterior aos dois exemplos, e já tem piada sobre isso.

-Nunca soube de, na vida real, um defeito no cenário que chegasse a prender um músico. Mas a piada é ótima!

-Outra boa piada relativa ao cenário é o Stonehenge miniatura. A ideia foi escrita num guardanapo de papel, e quando o cenário foi feito, ficou daquele tamanho.

-Acho que a piada mais famosa de This is Spinal Tap é o amplificador que vai até o 11. Adoro a reação do Nigel quando perguntam “não seria mais fácil um amplificador mais potente?”

Rock Estrela

Crítica – Rock Estrela

Sinopse (imdb): Estudante de música clássica chega de Buenos Aires para morar com seu primo roqueiro no Rio de Janeiro. Entre festas repletas de rock and roll, ele precisa decidir entre sua namorada de infância, e a jogadora de vôlei Vera.

Depois de Bete Balanço, bora comentar Rock Estrela!

Assim como comentei no texto sobre o outro filme, tudo aqui é muito datado. Não dá pra ver um filme desses com a cabeça de hoje em dia. Precisamos nos lembrar de toda a conjuntura sociocultural da época. Aí pode virar uma boa experiência nostálgica.

Lançado em 1985, Rock Estrela é o segundo filme do Lael Rodrigues. O formato é bem parecido com seu filme anterior, Bete Balanço: muita música e pouca história. Talvez a maior diferença é que o primeiro filme tinha mais números de dança, enquanto este segundo tem mais trechos de shows.

Rock (Diogo Vilela), um músico careta, chega de Buenos Aires para morar com Tavinho (Leo Jaime), que tem uma banda de rock. Ele aguarda a namorada argentina, Graziela (Malu Mader), mas acaba se envolvendo com a jogadora de vôlei Vera (Vera Mossa). Isso tudo entre números musicais de gente como RPM, Metrô, Tokyo, Celso Blues Boy, e, claro, Leo Jaime.

A maior parte das atuações é bem ruim. Heu diria que só Diogo Vilela e Leo Jaime estão bem. Malu Mader, estreando no cinema, não está bem, mas pelo menos não atrapalha. Agora, Andrea Beltrão, Tim Rescala e Guilherme Karam estão muito mais caricatos do que o bom senso permite. E Vera Mossa, coitada, que bom que tinha um grande reconhecimento como atleta. Porque, como atriz, é péssima.

Achei excessiva a quantidade de “videoclipes” inseridos, contei 14 inserções de bandas tocando (inclusive três artistas argentinos). Ok, é legal, mas como rola durante todo o filme, chega a cansar. Foi muito, podiam cortar pelo menos metade dos números – principalmente porque a maior parte deles não tem nada a ver com a trama que está rolando.

O final é bem ruim. Vai rolar um jogo da Vera ao mesmo tempo que um show do Tavinho. No meio do show, aparecem as jogadoras de vôlei, o Rock, e também a Graziela – que antes estavam em locais diferentes! Mas até aí, ok, entra na onda de videoclipe que não precisa ter uma precisão temporal. Mas aí entra outro problema: no palco, em alguns takes, Rock está junto com a Graziela; em outros, com a Vera. Caramba, se metade do filme fala do grande dilema sobre qual das duas deveria escolher, o filme deveria ter se decidido. No final, acaba que aparentemente ele fica com as duas.

Assim como Bete Balanço, só vale pela nostalgia.

Bete Balanço

Crítica – Bete Balanço

Sinopse (imdb): Uma jovem deixa o estado de Minas Gerais para tentar se tornar cantora no Rio de Janeiro.

Me indicaram um site russo semelhante ao YouTube, que tem alguns canais com dezenas de filmes brasileiros. Vou aproveitar pra rever vários. E também vou aproveitar para fazer uma playlist de “filmes de rock nacional dos anos 80”. Começo essa playlist com Bete Balanço, dirigido por Lael Rodrigues e lançado em 1984.

Não dá pra assistir a um filme desses com a cabeça no século XXI. É um filme datado sob vários pontos de vista – não só o visual, mas toda a temática do filme não combina com os dias de hoje. Agora, quem entrar na onda vai ter uma boa viagem nostálgica.

Não tem muita história aqui. Bete sai de Governador Valadares e vai para o Rio de Janeiro para tentar a vida de cantora. Começa a namorar um fotógrafo e a cantar num estúdio. Basicamente é isso. O filme tem uma hora e quatorze minutos e está cheio de números musicais, não tem espaço pra desenvolver uma trama mais elaborada.

A direção é de Lael Rodrigues, que só dirigiu três filmes, mas foi um nome essencial para este estilo. Em 1985 ele faria Rock Estrela, e dois anos depois, 87, Rádio Pirata. A nota triste é que Lael faleceu pouco depois, em 1989. Ele tinha apenas 37 anos.

O roteiro tem uns furos meio bizarros, como por exemplo o fotógrafo ter imagens reveladoras que incriminariam alguém importante, mas esse plot é deixado de lado completamente. O plot com a Maria Zilda também foi mal desenvolvido, mas neste caso acredito que foi porque envolvia um relacionamento entre duas mulheres, coisa que o Brasil da primeira metade dos anos 80 dificilmente aceitaria.

E isso porque não estou falando de vários momentos onde a narrativa é interrompida para entrar um número musical nada a ver com a trama. Tem alguns números de dança meio jogados, acho que Lael Rodrigues queria fazer um musical da Broadway.

Na verdade, Bete Balanço parece um grande videoclipe estendido. Ou seja, alguns números musicais são inseridos, mesmo que não tenha nada a ver com a trama, tipo a participação do Lobão e os Ronaldos. O Barão Vermelho tem um papel pequeno, vê-los tocando faz parte da história. Já o Lobão só aparece “para o videoclipe”.

Revi Bete Balanço, e teve uma coisa que me incomodou bastante. A personagem Bete tem uma voz que se destaca. Mas quem interpreta é Débora Bloch, que não canta bem. Débora não está mal, é uma boa atriz (tanto que está aí até hoje), mas, para um papel desses, precisavam de uma atriz com a voz melhor!

Aproveito pra falar do elenco. Foi o filme de estreia da Débora Bloch, que, enquanto não está cantando, está bem. Lauro Corona faz seu par. Diogo Vilela faz um alívio cômico meio bobo. Também no elenco, Maria Zilda, Hugo Carvana, Cazuza e uma participação especial da Andrea Beltrão, estreando no cinema como uma das dançarinas (pouco depois ela ficaria bem conhecida). A nota triste é que Lauro Corona e Cazuza (que na época geravam piadas sobre serem a mesma pessoa porque eram bem parecidos fisicamente) faleceram alguns anos depois, ambos de Aids.

O final não é bom. Correram para inventar uma solução do nada. Podia ter 10 minutos a mais e concluírem direito as jornadas dos dois personagens principais. Em vez disso, colocaram um número de dança e deixaram pra lá.

Mesmo assim, foi gostoso rever. Só não sei se alguém que não viveu os anos 80 vai curtir.

Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes

Crítica – Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes

Sinopse (imdb): Um músico insone encontra uma estranha misteriosa, o que o leva a uma jornada que desafia tudo o que ele sabe sobre si mesmo.

Quando  recebi o convite para a cabine de imprensa de Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes (Hurry Up Tomorrow, no original), heu não tinha ideia do que se tratava o filme. Fui até catar o trailer, mas mesmo depois de vê-lo, continuei sem saber. (Normalmente evito ver trailers, mas esse heu estava na dúvida, vi para saber se valia a pena ou não.)

Achei curioso porque no pôster tinham três nomes de atores. Um nome que heu nunca tinha ouvido falar, e depois outros nomes conhecidos, Jenna Ortega e Barry Keoghan. Heu não sabia quem era esse cara principal, um tal de Abel Tesfaye, mas amigos meus me disseram que ele é o The Weeknd. Conheço a música, mas heu achava que “The Weeknd” era uma banda e não uma pessoa. Achei estranho um cara ter um nome artístico desses.

(Ok, não tenho muita moral pra falar do nome dos outros, mas achei bem estranho o cara se chamar “O Fim de Semana”. E isso acabou me gerando várias “piadinhas de tio” na cabeça, tipo, como é que será que a equipe chama ele? Ele tá na turnê, vão chamá-lo lá no quarto do hotel, “ô, seu The, vamos lá pra passagem de som?” Estranho, né?)

Ou seja, entrei no cinema sem ter ideia do que eu ia ver, e acabei vendo um videoclipe. Um videoclipe longo e chato.

Enfim, pra comentar esse filme vou precisar entrar em spoilers. Nada muito grave, não tem nada bombástico na narrativa, nenhum plot twist que vale a pena ser guardado. Mas heu sempre gosto de avisar quando eu vou entrar em spoilers, e vou falar da trama do filme. Então se você for spoilerfóbico, sugiro que pare o vídeo por aqui.

No filme a gente acompanha duas tramas em paralelo. Uma delas tem a Jenna Ortega, fugindo de alguma coisa que a gente não sabe o que que é. A outra tem um cantor e seu empresário, interpretado pelo Barry Keoghan. O cantor é Abel Tesfaye, também conhecido por The Weeknd. Ele tem mega shows em estádios lotados, e está com problemas. Problemas ligados a álcool e drogas; e problemas porque ele está querendo voltar para uma provável ex-namorada.

Acaba que os dois se encontram, ela vai no show dele e ficam juntos naquela noite. Na verdade, é uma cena bastante inverossímil, porque a Jenna Ortega tem um metro e meio de altura, e ela vai num show num estádio, e consegue chegar na grade, e quando chega lá, ele a vê, e ele sai do palco, e ela pula a grade, e consegue entrar no backstage. Na boa, ela nunca conseguiria entrar no backstage daquele jeito. Mas é filme, então a gente deixa pra lá.

Até aí o filme é bem besta. Mas, no dia seguinte daquela noite, no hotel, o filme ensaia pegar outro caminho, porque ela se mostra uma fã obsessiva. Pensei… Legal! O filme pode entrar numa onda meio Atração Fatal, onde ela vai revelar uma faceta meio obsessiva e não vai deixá-lo sair. Isso podia, finalmente, levar o filme para um caminho interessante. Mas infelizmente o filme só mostra o caminho legal, mas volta para a trama chata que estava desde o início.

Hurry Up Tomorrow me parece uma viagem de ego do The Weeknd, porque é um filme sobre um mega cantor, muito grande, muito importante – temos até um momento onde a personagem fica analisando as letras da música dele. Ok, o cara faz sucesso, respeito isso, reconheço que a música dele é boa, mas… O filme me pareceu um troço meio egocêntrico demais.

Além da história não ser boa, a forma como foi contada também não é. Me parece que o diretor, ou o diretor de fotografia, ou ambos, entraram numa de “quero ser diferente, quero ser cool, quero ser moderninho”. Então o filme abusa de luzes fortes e contrastes, além de ficar mudando o aspect ratio da tela (vários formatos de tela diferentes). Isso pode funcionar num videoclipe de 4 ou 5 minutos, mas não num longa de uma hora e quarenta e cinco.

Hurry Up Tomorrow deve funcionar para os fãs do The Weeknd (ou Abel Tesfaye). É um filme sobre ele, sobre as músicas dele. Mas eu acho que ele falhou, porque podia pensar em pessoas que não são seus fãs. Ele podia ter feito um filme para todos.

Becoming Led Zeppelin

Crítica – Becoming Led Zeppelin

Sinopse (imdb): As origens do grupo icônico Led Zeppelin e sua ascensão meteórica em apenas um ano contra todas as probabilidades.

Antes de tudo, preciso falar que não sou muito fã de documentários. Pra mim, um documentário só serve se heu me interesso sobre o assunto que está sendo documentado. Ou seja, quem vê é porque normalmente já nutre alguma simpatia pelo assunto.

Curto rock’n’roll dos anos 70, claro que curto Led Zeppelin. Então fui ver o documentário que fala sobre a formação da banda e vai até a gravação do segundo Lp. Mas, achei alguns problemas no filme. Problemas de direcionamento do roteiro, e também problemas técnicos.

Mas antes, queria falar um pouco sobre a minha relação com o Led Zeppelin. Como falei, curto muito rock’n’roll dos anos 70, então claro que curto a “santíssima trindade do rock”: Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple – três bandas inglesas que surgiram no fim dos anos 60 e que lançaram alguns discos fundamentais em toda a discoteca básica de fãs de rock.

Dito isso, preciso confessar que gosto muito mais de Deep Purple do que das outras duas. Principalmente por um nome: Jon Lord. No Led, era o baixista John Paul Jones quem tocava teclado; no Sabbath, quando tinha teclado, ficava escondido*. Já no Purple, o teclado tinha protagonismo. Jon Lord era um excelente tecladista, e o que ele fazia com o órgão Hammond era sensacional. Também sou fã do Keith Emerson e do Rick Wakeman, e conheço pessoas que não curtem o estilo dos dois. Mas nunca conheci quem não gostasse do Jon Lord.

*(Em 1992, vi a montagem do palco do Black Sabbath no Canecão. Vi quando montaram um teclado e colocaram uma cortina preta na frente, pra “esconder” o tecladista. Lamentável…)

Enfim, sou mais fã do Purple, mas também gosto muito do Led. Inclusive posso dizer que vi metade da banda, fui ao Hollywood Rock em 1996 pra ver o sensacional show do Robert Plant e Jimmy Page. Foi uma noite inesquecível: Black Crowes, depois “quase Led Zeppelin”.

Vamos ao filme? Vemos entrevistas recentes com os três membros vivos da banda (John Bonham morreu em 1980). Não sei há quanto tempo as entrevistas foram feitas, hoje Robert Plant tem 76 anos, John Paul Jones tem 79, Jimmy Page tem 81. O documentário traz a voz do John Bonham em uma entrevista que, segundo o que disseram, era inédita, e isso traz um bom equilíbrio aos depoimentos. Os quatro contam como começaram na música, e também comentam sobre algumas coisas bem legais que heu não sabia, tipo, Page e Jones eram músicos de estúdio e tocaram com um monte de gente, inclusive estiveram juntos na orquestra que gravou o famoso tema de Goldfinger, do 007.

Segundo o filme, Plant e Bonham se conheciam por um lado, e Page e Jones por outro, e se encontraram pela primeira vez já para levar um som e começaram a banda direto. Não digo que isso é mentira, mas achei impressionante já rolar química logo de cara, a ponto de criarem uma das mais importantes bandas da história do rock. Se isso for verdade, é bem legal!

Acompanhamos depoimentos e imagens de arquivo falando sobre shows, turnês e gravações dos dois primeiros discos. Algumas das imagens de arquivo são curiosas, como aquela onde eles fazem um show e algumas pessoas na plateia tapam os ouvidos.

Agora, achei que faltou abordarem alguns temas. O Led Zeppelin é famoso por exageros, e não vemos nada sobre consumo de álcool ou drogas. Digo mais, segundo o filme, todos eram pessoas caseiras e com comportamento família. Outra coisa que podia engrandecer o filme era trazer depoimentos de outras pessoas, como músicos de outras bandas – tanto galera da mesma época, que viveu aquele momento; quanto músicos mais novos, que foram influenciados.

Agora, o que mais me incomodou foram algumas decisões técnicas da edição. Vou citar alguns exemplos. Determinado momento, Robert Plant fala que estava sem casa, sem dinheiro, entrou pra uma banda, mas deixa essa história no ar, não conclui. Em outro momento, rola um show em Los Angeles, e as pessoas dançando não combinam nada com a música que está sendo tocada. Ou então quando o filme fala da viagem do Jimmy Page para os EUA, vemos dois produtores, ambos aparecem falando, mas não ouvimos suas vozes, isso confunde o espectador, ficou esquisito. Fora alguns momentos de tela preta que foram um pouco mais longos do que deveriam ser.

Tem outra coisa, mas não sei se é exatamente um problema. Algumas músicas estão completas, em imagens da época. Legal, mas não são músicas famosas e empolgantes, como Black Dog, Stairway to Heaven ou Kashmir (todas essas vieram depois do período retratado no filme). A gente vê longas versões de Dazed and Confused e What is and What Should Never Be. Os fãs radicais devem ter curtido, mas, para o público geral, ficou cansativo.

Resumindo: a banda é nota 10. Já o documentário, esse ficou devendo.

Better Man – A História de Robbie Williams

Crítica – Better Man – A História de Robbie Williams

Sinopse (imdb): Um perfil singular do astro pop britânico Robbie Williams.

Antes de tudo, preciso falar que não sou fã do Robbie Williams. Digo mais: não conhecia nenhuma música dele. Achei que podia conhecer alguma música e não saber que era dele – lembro que ano passado, durante o show do Charlie Puth no Rock in Rio, reconheci uma das músicas, não sabia que era dele. Mas, durante o filme, só reconheci My Way, do Frank Sinatra, e Land of 1000 Dances, que, pra ser sincero, confundi com Shake a Tail Feather, que o Ray Charles canta com os Blues Brothers. Ou seja, meus comentários são sobre alguém que não conhecia o artista!

Better Man – A História de Robbie Williams (Better Man, no original) estava na minha lista de expectativas pra 2025, porque era o novo filme do Michael Gracey, mesmo diretor de O Rei do Show, mas também, principalmente, porque trazia uma proposta bem diferente: uma cinebiografia musical onde o protagonista foi trocado por um macaco.

Achei a ideia curiosa. E, depois de ver o filme, me toquei que foi uma sacada genial. Até hoje vejo gente reclamando do Rami Malek interpretando o Feddie Mercury. Se tem um macaco interpretando o protagonista, ninguém vai reclamar que não está igual!

O macaco é muito bem feito, tanto que o filme concorreu ao Oscar de melhores efeitos especiais. Vemos o personagem em diversas fases da vida – isso inclui diversos tipos de cabelos diferentes. E sempre está convincente, nenhuma cena me pareceu falsa a interação do macaco com os atores em carne e osso. Ah, esse formato ainda trouxe outra coisa interessante: o próprio Robbie Williams dublou o seu personagem ao longo do filme. Não me lembro de outra cinebiografia onde o biografado está se “auto interpretando”…

Muitas vezes, uma cinebiografia pega leve com o biografado, principalmente quando este está perto da produção. Isso não acontece aqui. Better Man mostra pontos positivos da carreira do cantor, mas também traz vários podres, incluindo muitas drogas – o filme chegou a ser proibido no Catar pelo uso excessivo de drogas. O filme também foi criativo ao retratar os “fantasmas” que assombram a carreira do cantor: sempre que ele sobe ao palco, ele vê flashes de outros macacos na plateia, sempre desaprovando seus atos. E a sequência onde ele enfrenta esses “fantasmas” é muito boa!

(Como falei, não conheço nada do cantor. Depois de ver o filme, catei a sua entrada no show de Knebworth, e aí a gente vê que os efeitos especiais não foram só pro macaco!)

Falando em sequências boas, Better Man tem algumas. Tem uma música, da época que ele fazia parte de uma boy band, que foi filmada em plano sequência pela Regent Street em Londres. Essa sequência sozinha já vale o filme! E ela ainda tem uma curiosa história nos bastidores. Eles demoraram um ano e meio pra conseguir autorização pra filmar no local. E depois de passar uma semana inteira em ensaios, duas noites antes das filmagens a Rainha Elizabeth II faleceu, e as filmagens tiveram que ser adiadas. Todos tinham que ser pagos de qualquer maneira, incluindo os donos das lojas e a equipe, e o seguro de produção não cobria as perdas devido à morte de um monarca. Os produtores tiveram que levantar fundos adicionais para filmar a sequência, que foi feita cinco meses depois.

Todas as sequências musicais são muito bem filmadas (sempre presto atenção nesses detalhes). Mas, posso fazer um mimimi? Senti falta de mais contato com músicos da sua banda, seja em ensaios ou em shows. Nem sei se tem alguém conhecido tocando com ele, mas heu não ia reclamar se tivesse uma sequência num estúdio de ensaio.

Better Man arriscou, e acertou. Curioso ver Emilia Perez concorrendo a vários Oscars e este, que é um musical muito melhor, só lembrado pelos efeitos especiais.

Wicked

Crítica – Wicked

Sinopse (imdb): Elphaba, uma jovem incompreendida por causa da pele verde, e Glinda, uma jovem popular, se tornam amigas na Universidade de Shiz, na Terra de Oz. Após um encontro com o Maravilhoso Mágico de Oz, a amizade delas chega a uma encruzilhada.

Sim, estou atrasado. A sessão de imprensa de Wicked foi num dia complicado pra mim, então abri mão. E pra falar a verdade, não estava empolgado, vi o trailer e parecia ser meio trash. Mas vários amigos viram e elogiaram, então resolvi ver no circuito.

Mas, preciso dizer que não gostei. Reconheço algumas coisas boas, mas no geral achei um filme excessivamente longo e cansativo.

Antes de tudo, preciso falar que nunca vi a versão teatral do musical. Até gosto de musicais, gosto de A Pequena Loja dos Horrores, Hairspray, Rent, La La Land, O Rei do Show, Hair, gosto de vários. Ou seja, meus comentários negativos não são pelo usual preconceito que pessoas têm com musicais.

Comecemos pelos pontos positivos. Achei que o visual seria trash, mas, ledo engano, o visual aqui é elaboradíssimo. Wicked é muito colorido e tem várias cenas exuberantes. Alguns dos números musicais também são muito bons, gostei do número na biblioteca – mas achei que aquela parte que roda podia ser mais explorada. Também gostei do número quando as duas chegam na cidade das esmeraldas.

É difícil comentar sobre o elenco, porque uma das principais, Ariana Grande, faz uma personagem insuportável. Mas não sei o quanto era do roteiro, pra gente odiar a personagem, ou o quanto é da atriz que não fez um bom papel. Volto a falar dela daqui a pouco. A protagonista é interpretada por Cynthia Erivo, e está bem apesar do papel clichê. Pelo menos as duas cantam bem. Também no elenco, Michelle Yeoh, Jeff Goldblum e Peter Dinklage como a voz do bode professor. Tem ainda uma participação especial da Idina Menzel e da Kristin Chenoweth, que fizeram Elphaba e Glinda no teatro.

Agora, vamos aos problemas? Em primeiro lugar, acho uma grande falta de respeito vender ingresso pra “Wicked” e quando começa o filme a gente ver que é “Wicked parte 1”. Por que diabos não avisam que a história estará incompleta? Fiz a mesma crítica com o primeiro Duna. Essas informações precisam estar na divulgação do filme!

E aí vamos para o principal problema de Wicked: são duas horas e quarenta! E só a primeira parte! (Quando passava no teatro, era quanto tempo? Mais de 5 horas?) O filme é cansativo. Tipo, ok, chega. Se tivesse uma hora a menos, seria muito melhor. A Pequena Loja dos Horrores, o meu musical favorito, tem uma hora e trinta e cinco. Fica a dica!

Duas horas e quarenta aturando uma personagem chata. G(a)linda é uma patricinha rica e mimada, sua personagem é insuportável. Ok, acredito que seja proposital, afinal o filme propõe inverter o que a gente viu no Magico de Oz, quem era do mal virou do bem e vice versa. Mas, isso precisa ser dosado. Focar meio filme numa personagem ruim enfraquece o resultado final.

Outra coisa que me incomodou foi a forçação de barra pras pessoas odiarem quem é verde. Ok, entendi o simbolismo, mas, num mundo onde tem um monte de coisas bem diferentes – como um bode professor universitário – uma pessoa de cor diferente não deveria ser algo tão estranho assim.

Enfim, acho que a produção partiu de uma boa ideia, mas se perdeu. Galera fã do musical deve curtir essa “versão estendida”, mas o público “normal” vai se cansar. E ainda vai ter uma segunda parte. Socorro!

Emilia Pérez

Crítica – Emilia Pérez

Sinopse (imdb): No México, uma advogada recebe uma oferta inesperada para ajudar um temido chefe de cartel a se aposentar de seus negócios e desaparecer para sempre, tornando-se a mulher que ele sempre sonhou ser.

Filme de abertura do Festival do Rio, Emilia Pérez traz uma advogada que é levada à presença de um chefe de cartel que deseja se transformar em uma mulher e precisa de ajuda para conseguir o seu objetivo. E, um detalhe importante: é um musical. Sim, mistura a brutalidade do tráfico de drogas com a leveza de um musical.

O filme co-escrito e dirigido por Jacques Audiard ganhou dois prêmios em Cannes: prêmio do júri, e um prêmio conjunto de melhor atriz, dividido entre Zoe Saldaña, Selena Gomez, Karla Sofía Gascón e Adriana Paz. Todas estão bem, mas, na minha humilde opinião, Zoe Saldaña é a que mais se destaca. Ela canta, dança, faz coreografias, interpreta em espanhol, ela realmente está impressionante.

(Aliás, achei curioso ver que o filme é quase todo em espanhol, e duas das três atrizes principais têm ascendência latina, mas nasceram nos EUA. Zoe Saldaña fala espanhol fluente, mas Selena Gomez de vez em quando soltava algumas frases em inglês. Segundo o imdb, Selena disse em entrevistas que não é fluente e que não estava satisfeita com o seu espanhol.)

O melhor de Emilia Pérez é a parte musical. Outro dia falei mal de Coringa Delírio A Dois, onde as músicas não empolgavam; aqui foi o oposto. Não sou fã do estilo das músicas, mas mesmo assim saí do cinema com vontade de procurar a trilha sonora. E as cenas de dança e coreografia são impressionantes e contribuem significativamente para a narrativa visual do filme. Isso sim é um musical de verdade!

Teve um detalhe que não gostei muito: achei que a personagem título muda de personalidade muito rapidamente. Era uma pessoa violenta, de repente vira uma santa, de repente volta a ser violenta… Ok, o filme nos mostra fatos que teriam gerado essas mudanças de comportamento, mas mesmo assim achei as mudanças muito abruptas.

Filmão, saí da sala com vontade de rever. Pena que, como acontece de vez em quando no Festival do Rio, Emilia Pérez vai ser um daqueles filmes que vou falar sozinho por um tempo. Segundo o imdb, só estreia aqui no Brasil em fevereiro de 2025…

Coringa: Delírio a Dois

Crítica – Coringa: Delírio a Dois

Sinopse (imdb): O comediante fracassado Arthur Fleck conhece o amor de sua vida, Harley Quinn, enquanto está encarcerado no Arkham State Hospital. Os dois embarcam em uma desventura romântica condenada.

2019 tivemos Coringa, que parecia uma ideia arriscada: um filme do Coringa mas sem o Batman. Ideia arriscada, mas que deu muito certo: foi um sucesso de público e de crítica, e ainda ganhou dois Oscars entre onze indicações.

Cinco anos depois, o mesmo diretor Todd Phillips apresenta a continuação, Coringa: Delírio a Dois (Joker: Folie à Deux, no original), desta vez um musical, e com a Lady Gaga como Arlequina.

E ver o segundo filme dá vontade de rever o primeiro e esquecer que fizeram uma continuação…

Vamos começar pela parte musical. Não tenho nada contra musicais, sou fã de vários. Mas sempre que lembro de musicais, lembro de músicas e de cenas “pra cima”, sempre alto astral – Pequena Lojas dos Horrores, Rock of Ages, Hairspray, Hair, La La Land, Across The Universe, The Rocky Horror Picture Show, O Rei do Show, heu sempre saio do filme empolgado pelas músicas e coreografias. Mesmo quando o tema do filme é barra pesada, como Rent, a parte musical é empolgante. Os Miseráveis, que não gostei por achar longo e cansativo, tem músicas em momentos tensos, mas mesmo assim são cenas memoráveis. E aqui não, todos os momentos musicais são “pra baixo”, e acabam sendo números chatos. E ainda tem um agravante: as músicas usadas são conhecidas, são standards clássicos, de gente como Frank Sinatra e Burt Bacharach. E mesmo com músicas conhecidas, os arranjos ficaram quase todos ruins.

Provavelmente não foi o primeiro “musical deprê” da história, mas isso pra mim foi um ponto negativo. A ponto de, em determinado momento do filme, quando ia começar uma música, heu pensava “não, de novo não!”

Vamos para outro problema, que é o protagonista. O Coringa é um personagem fascinante porque é desequilibrado e imprevisível. E aqui ele está apático. Joaquin Phoenix está bem, mas o personagem não está. Não vou nem comparar com outras versões, como o Coringa do Heath Ledger, estou falando do próprio Joaquin Phoenix. Depois da sessão de imprensa, ouvi um amigo crítico que falou uma frase que resume isso: “em determinado momento de filme, eu estava vendo o filme do Coringa há duas horas, e estava há duas horas esperando o Coringa aparecer”.

Pra “fechar a tampa”, a Arlequina da Lady Gaga não é boa. Duvido que alguém veja o filme e pense na Arlequina, todos vão ver a Lady Gaga na tela.

Agora, apesar disso tudo, Coringa: Delírio a Dois não é exatamente ruim. Tecnicamente falando, é muito bem feito. A reconstituição de época é perfeita. A fotografia enche os olhos, são várias cenas belíssimas. A trilha sonora da parte “não musical” é muito boa, mais uma vez a cargo de Hildur Guðnadóttir (que ganhou o Oscar pela trilha do primeiro filme). E tem um plano sequência sensacional na parte final do filme.

Mas, repito, é um filme longo demais, e essa proposta cansou. São duas horas e dezoito minutos. Talvez se o filme tivesse meia hora a menos (meia hora de músicas a menos!), acho que a galera ia curtir bem mais.

Por fim, não tem cena pós créditos, mas tem um desenho animado na abertura. O desenho não é engraçado e não se conecta com o filme. Pra que esse desenho? Não sei. Por mim, deveria ser cortado do filme.