A Grande Arte

Crítica – A Grande Arte

Sinopse (imdb): Um fotógrafo americano no Rio de Janeiro se envolve no mundo da “cultura da faca” quando decide encontrar o assassino de uma de suas modelos.

Empolgado com o Oscar para Ainda Estou Aqui, fui catar o primeiro longa de ficção dirigido por Walter Salles. Vi na época que passou no cinema, em 1991 ou 92, não sei ao certo, mas nunca tinha revisto.

Baseado em Rubem Fonseca, A Grande Arte (que teve o nome Exposure lá fora) nem parece um filme nacional. Não só é um filme tecnicamente superior à média do que era feito na época, como os três principais nomes no elenco são gringos: Peter Coyote, Tchéky Karyo e Amanda Pays.

Nenhum dos três nomes é muito grande, mas eram nomes com alguma carreira. Peter Coyote talvez seja o maior deles, afinal ele estava num dos filmes mais vistos de dez anos antes, um tal de E.T. – O Extraterrestre. Tchéky Karyo é um daqueles coadjuvantes que a gente já viu em dezenas de filmes, mas não consegue se lembrar dele como protagonista – lembrava dele de Nikita, do Luc Besson, lançado pouco antes (1990). Amanda Pays é menos conhecida, mas lembro de vê-la no trash Criação Monstruosa, que assisti no finado cinema Studio Catete. O elenco nacional conta com Raul Cortez, Giulia Gam, Cassia Kiss, Paulo José, Eduardo Conde, Tonico Pereira e Tony Tornado.

No filme, conhecemos Peter Mandrake, fotógrafo gringo que está passando um tempo no Rio. Ele resolve investigar o assassinato de uma das suas modelos, e acaba se metendo com gente perigosa e poderosa. Quando vê outro gringo se defendendo de um assalto usando uma faca, ele o procura pra aprender a usar a faca como arma. (Não sou um especialista em Rubem Fonseca, não sei se ele usa o nome Mandrake de maneira recorrente. Sei que vinte anos atrás tinha uma série homônima na HBO, também baseada em Rubem Fonseca, com o Marcos Palmeira interpretando um advogado chamado Paulo Mandrake. Mas não sei se seria o mesmo Mandrake. Pena que não sei onde ver esta série hoje em dia.)

Walter Salles estava estreando na ficção, mas já tinha dirigido quatro documentários – três filmes e uma série. Mas ele já mostrava que manjava dos paranauês, tecnicamente o filme é muito bom. Digo mais: tem uma cena logo no início que deve ter sido muito difícil de filmar e “explodiu a cabeça” de muita gente: a câmera está dentro do quarto, sai pela janela e faz um voo pela cidade. Hoje seria moleza, drones comprados na AliExpress filmam isso. Mas, naquela época? Provavelmente uma câmera com zoom, de dentro de um helicóptero…

(Tem outra cena parecida, se afastando de um trem em movimento.)

Ainda na parte técnica: um elogio e uma crítica. O elogio é sobre o treinamento de facas entre Mandrake e Hermes. Tem uma sequência com a câmera rodando enquanto os dois fazem a coreografia que não deixa nada a desejar perante ao cinema hollywoodiano da época. Por outro lado, tem uma cena de briga dentro do trem (logo a cena da Cassia Kiss!) que é bem tosca. Nem parece fazer parte do mesmo filme.

Quase todo o filme é falado em inglês, com algumas cenas em português e outras em espanhol. Talvez pela dificuldade da língua estrangeira, mas achei algumas atuações bem ruins. Aquele anão é péssimo!

A Grande Arte é um filme bonito, mas no geral achei meio besta. Walter Salles fez coisa melhor depois – tanto que seu último filme ganhou o Oscar de melhor filme internacional. Mas foi uma boa estreia!

Vitória

Crítica – Vitória

Sinopse (imdb): Baseado em uma história real, o filme conta a história de uma senhora de 80 anos que, sozinha, desmantelou um esquema de tráfico de drogas em Copacabana.

Lembro de quando gravamos o Podcrastinadores de Expectativas pra 2025, e o host, GG, trouxe este filme. A curiosidade era em dois aspectos. O primeiro era porque era uma história real, e uma história real muito boa. O outro era porque era o novo filme da Fernanda Montenegro – em tempos de overdose de Fernandinha, é legal ver que a Fernandona ainda está em forma.

Mas, infelizmente, temos pouca coisa a mais pra se comentar sobre Vitória

Pra quem não conhece ou não se lembra: em 2005, uma senhorinha, moradora de Copacabana, resolveu denunciar à polícia sobre o tráfico que tomou conta do morro ao lado da janela do seu apartamento. Como é ignorada pela polícia, ela resolve comprar uma filmadora e registra várias irregularidades, incluindo tráfico de drogas, assassinato e corrupção policial. Ela quer tornar públicas suas gravações, mas não quer sair do seu apartamento. Mas, eventualmente, acaba cedendo e entrando no sistema de proteção à testemunha.

Vitória teve um problema grave durante a produção, que não sei ao certo o quanto afetou o resultado. O filme seria dirigido por Breno Silveira (criador da série Dom), mas ele morreu de ataque cardíaco fulminante durante o período de filmagens. Andrucha Waddington, parceiro de longa data, assumiu a direção. E não sei o que foi filmado por cada um – procurei saber, mas ouvi várias versões – desde que Breno só filmou a primeira cena, até que ele teria filmado quase tudo e Andrucha só teria finalizado. Gosto muito do trabalho do Andrucha (Sob Pressão, O Juízo), e ele assina Vitória, mas não sei o quanto do filme é realmente dele.

(Ah, e pra quem não sabe, Andrucha é casado com a Fernanda Torres. Sim, virou um projeto em família, quem assumiu a direção foi o genro da atriz principal.)

Sobre as locações: fui morador de Copacabana por 16 anos, e não sei qual morro é aquele que aparece no filme. As cenas do calçadão foram filmadas no Leme, a rua onde a protagonista mora é no Catete, e existe um morro com o mesmo nome do morro do filme, mas no Centro em vez de Copacabana. Me parece que criaram um local fictício no Rio.

Como falei lá em cima, um dos maiores méritos é a protagonista Fernanda Montenegro. Ela hoje está com 95 anos, não sei que idade tinha quando foi filmado. Mas é impressionante ver uma nonagenária “carregando” um filme. Praticamente todo Vitória é em cima da sua personagem, que passa a impressão de estar muito bem fisicamente! Conheço pessoas com muito menos idade que estão muito mais fragilizadas!

No resto do elenco, queria destacar o menino Thawan Lucas, que faz o Marcinho, garoto que ajuda a protagonista. Ele está muito bem, guardemos este nome para o futuro!

Agora, fora isso, não tem muito mais o que se falar sobre Vitória. Não é ruim, tecnicamente é um filme correto. Mas não é empolgante. A impressão que fica é que se tirasse a Fernanda Montenegro, seria um filme besta.

(Ah, se tem gente pensando na Fernandona pro Oscar ano que vem, calma, galera. Acho muito difícil um filme como Vitória chamar a atenção da Academia.)

Por fim, queria falar de uma polêmica meio vazia. Tem gente reclamando que a “Vitória” original era negra, então seria errado ela ser interpretada pela Fernanda Montenegro, uma branca. Mas, a Vitória original estava escondida, no sistema de proteção à testemunha. Ninguém sabia como ela era fisicamente! Só foi divulgada sua imagem depois que ela faleceu, e o filme já estava sendo feito. Ou seja, não foi “white washing”. E, convenhamos, acho que se ela estivesse viva, duvido que reclamasse de ser interpretada por uma das maiores atrizes do Brasil!

Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa

Crítica – Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa

Sinopse (imdb): Chico Bento e sua turma precisam se unir para salvar a goiabeira de Nhô Lau quando ela é colocada em risco pelo arrogante coronel Dotô Agripino.

E vamos ao aguardado filme do Chico Bento!

Antes, um breve histórico do universo cinematográfico do Maurício de Souza (MSCU?). Em 2019 tivemos Turma da Mônica Laços, e dois anos depois, Turma da Mônica Lições, ambos dirigidos por Daniel Rezende, e ambos muito bons (gostei do primeiro, adorei o segundo!). Ainda rolou uma minissérie de 8 capítulos com o mesmo elenco em 2022. Três bons produtos, com bons roteiros, bom elenco e boa produção. (Tem uma segunda minissérie lançada este ano, mas ainda não vi). Aí outra produtora fez um filme da turma da Mônica Jovem, que falhou em tudo o que os outros filmes acertaram. Era mais ou menos como em 2018, enquanto a Marvel “certa” lançava Vingadores Guerra Infinita, a Marvel “errada” lançava Venom; ou em 2019, uma lançava Vingadores Ultimato e a outra lançava Novos Mutantes

A cena pós créditos de Lições mostrava o Chico Bento, e a expectativa, pelo menos pra mim, era enorme. Primeiro por ser mais um filme da “Turma da Mônica certa”, mas também porque o Chico Bento era um dos meus personagens favoritos. Heu li muitos gibis da Turma da Mônica na minha infância e adolescência, e chegou um ponto onde os quatro principais me cansaram, porque os temas se repetiam sempre: histórias da Mônica quase sempre giravam em torno da força dela; do Cascão, do fato dele não tomar banho; da Magali, da sua fome insaciável. Cebolinha repetia menos, mas eram muitas histórias sobre planos infalíveis. Já o Chico Bento não tinha um tema tão repetitivo. Por isso, a partir de um ponto, passei a preferir gibis dele.

E a notícia é boa! Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa é um ótimo filme!

Dirigido por Fernando Fraiha (Daniel Rezende está na produção), Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa é simpático, divertido e, acho que posso dizer, um filme delicioso! Tanto pra crianças quanto para adultos, é daquele tipo de filme que a gente sai da sessão leve e com um sorriso no rosto.

Talvez o maior trunfo de Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa seja seu protagonista, Isaac Amendoim. Nunca tinha ouvido falar dele, e preciso dizer que o moleque é sensacional! O carisma do garoto é tão grande que é impossível ver a sequência inicial e não se apaixonar pelo personagem (sequência onde ele está se arrumando, com ajuda da galinha Giselda, da vaca Malhada e de alguns outros bichos). Logo depois ele quebra a quarta parede, conversa com o público e apresenta o filme. Nesse ponto – logo no início do filme! – heu já estava fisgado.

E não é só o protagonista. Toda a ambientação da cidade, todos os personagens secundários, tudo está perfeitamente retratado (ou quase, já chego lá). Assim como nos gibis, é uma história atemporal. Um mundinho mágico mostrando o interior do Brasil. E ainda tem espaço pra entrar em assuntos ambientais.

Falei do Isaac Amendoim como Chico Bento, mas também preciso citar Pedro Dantas como Zé Lelé. Não consigo imaginar um Zé Lelé live action melhor que este! A trilha sonora também merece elogios.

Gostei muito de Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa, mas preciso reconhecer que o filme tem dois problemas. Um deles é na sequência onde a goiabeira ganha vida (Tais Araújo) e conversa com o Chico Bento. É uma sequência que foge completamente do resto do filme, parece que estamos vendo outra coisa. Além disso é uma sequência longa demais. E pra piorar, parte da sequência é live action, mas parte é numa animação de qualidade duvidável (meu filho comparou com o Dollynho!).

O segundo problema é um assunto delicado. Quando Maurício de Souza criou a turma do Chico Bento, não tinha nenhum negro (Rosinha, Zé Lelé, Zé da Roça, Hiro). Hoje, 2024, tudo a ver incluir uma menina negra no rolê. O problema é que é uma menina urbana, com o cabelo roxo, seus pais têm perfil de cidade grande… Eles não parecem caipiras como TODO O RESTO DO FILME. O nome do filme fala da goiabeira “Maraviosa”! Depois da sessão, me disseram que é uma família que veio da cidade grande. Mas não me lembro dessa informação dentro do filme, no filme, Chico apenas fala que ela “se mudou há pouco”. Custava explicar que ela morava na capital? A personagem ficou muito diferente do resto da turma.

Mesmo com esses probleminhas, ainda gostei muito. Torço muito pra fazerem logo um segundo filme, antes do Isaac Amendoim crescer!

Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa estreia agora no início de janeiro. Quero rever!

O Auto da Compadecida 2

Crítica – O Auto da Compadecida 2

Sinopse (imdb): Os malandros João Grilo e Chicó retornam 25 anos depois da sua última aventura.

Pensei em não fazer conteúdo sobre O Auto da Compadecida 2, porque é um filme que não tem muito o que se falar. Mas como o primeiro foi um grande sucesso, bora pra um texto curtinho.

Antes de tudo, um elogio à dupla de protagonistas. Mateus Nachtergaele e Selton Mello voltam com João Grilo e Chicó, e é uma delícia vê-los em tela. Os dois são muito bons, e, juntos, são ainda melhores. Quase que dá pra dizer que O Auto da Compadecida 2 vale pela dupla.

Mas, o filme tem problemas. O principal é que este filme é igual ao primeiro. Fiquei me perguntando qual seria o público alvo de O Auto da Compadecida 2. Porque se for o cara que gostou do primeiro filme, não seria melhor rever o primeiro filme?

Tem outra coisa que me incomodou, mas não diria que é uma falha, porque faz parte da proposta. Toda a estética é teatral, parece que estamos vendo uma peça de teatro filmada. Chega a ter uma igreja com a janela torta, emulando um cenário teatral. O Auto da Compadecida 2 foi dirigido por Guel Arraes, e lembro que esta mesma característica estilística me incomodou em Grande Sertão, filme dele lançado na primeira metade do ano. Acho isso ruim, linguagem teatral nem sempre funciona no cinema, precisa de uma adaptação…

Voltando ao elenco, queria destacar Humberto Martins e Eduardo Sterblitch como os políticos rivais. São ótimos personagens, e os atores estão muito bem – e ainda abrem espaço pra uma discussão sobre como políticos dominam a massa com motivos eleitoreiros. Infelizmente não posso dizer o mesmo sobre as duas principais personagens femininas. Clarabela (Fabiula Nascimento) está caricata e Rosinha (Virginia Cavendish) pouco aparece. Achei que o roteiro não soube valoriza-las, e ainda tem um problema: elas fazem um triângulo amoroso mal construído com o Chicó do Selton Mello – a princípio parece que Chicó gosta da Clarabela, mas em um estalo de dedos ele se mostra super apaixonado pela Rosinha. Outro problema é o personagem de Luis Miranda, que entra bem, como um malandro carioca que era parceiro de João Grilo, mas que parece que queriam esticar sua presença e inventam que ele vira um padre, e o roteiro não sabe mais o que fazer com o personagem.

Pelo menos O Auto da Compadecida 2 não é de todo ruim. Vale pelo João Grilo e pelo Chicó.

O Clube das Mulheres de Negócios

Crítica – O Clube das Mulheres de Negócios

Sinopse (Filme B): Jongo, um fotógrafo renomado, e Candinho, um jovem e inexperiente jornalista, chegam em um clube de campo decadente da alta sociedade de São Paulo comandado por mulheres de negócios envolvidas com a Justiça.

Escrito e dirigido por Anna Muylaert, O Clube das Mulheres de Negócios claramente quer mostrar uma inversão de papéis numa crítica ao patriarcado. O filme mostra uma sociedade distópica onde todas as mulheres são ricas e poderosas, e todos os homens são objetificados e diminuídos. Ok, essa ideia pode gerar um bom filme. Mas… Aqui tudo é superficial. Quase todos os personagens são caricatos, quase todas as situações apresentadas soam forçadas. Algumas das mulheres estão tão exageradas que algumas cenas chegam a ficar toscas.

Podemos fazer uma comparação com A Substância, filme que aborda o tema de maneira inteligente. Por exemplo, o personagem do Dennis Quaid é o estereótipo do “macho escroto”. Ele é caricato, mas a gente consegue ver um cara desses num cargo de executivo de uma grande empresa. Agora vamos ao O Clube das Mulheres de Negócios. A personagem da Katiuscia Canoro, que passa o filme todo gritando e falando palavrão, é só tosca. Pode existir alguém assim? Certamente. Mas seria uma caricatura.

Façam um exercício de imaginação: pensem neste filme, exatamente como ele é, mas com os gêneros trocados. Os homens ricos e poderosos e as mulheres frágeis e objetificadas. E pense neste filme hoje, em 2024. Alguém levaria este filme a sério?

(Provavelmente vai ter alguém pensando que “fiquei incomodado porque sou homem branco hétero”. Nada a ver. Não tenho nada contra críticas sociais, desde que bem feitas. Fiquei incomodado por ser uma ideia rasa mal desenvolvida.)

O roteiro ainda traz alguns outros problemas que não tem nada a ver com isso. São muitos personagens, e alguns são muito mal desenvolvidos – fiquei imaginando pra que ter o André Abujamra num papel onde acho que ele só tem um diálogo (provavelmente ele só estava lá porque é o autor da trilha sonora). Além disso, alguns pontos são levantados e esquecidos depois, tipo uma cena onde mostra umas pessoas saindo de onde ficam as onças. A gente não precisa saber se alguém soltou as onças ou por que alguém soltou as onças. Mas se o filme mostra pessoas por lá, não seria melhor desenvolver quem são essas pessoas e quais os seus objetivos?

(E isso porque não estou falando de cenas que se estendem demais e ficam chatas, como aquele momento musical pouco antes da dupla principal visitar o “onçário”.)

Ainda preciso falar dos efeitos especiais de computador que mostram as onças. Mas aqui vou enxergar um “copo meio cheio”. Sim, as onças ficaram muito artificiais. Filmes hollywoodianos de 20 anos atrás apresentam efeitos melhores. Mas, a gente lembra que é Brasil, e que aqui não existe essa tradição de cgi pra criar animais, então aceito as onças, apesar de reconhecer que não ficaram muito boas.

O filme já não estava bem, mas a cena final é péssima. É a diretora dizendo que seu público é burro. Preciso comentar isso, então vamos aos avisos de spoilers.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Todo mundo entendeu a inversão de papéis. Os dois homens principais, um usa saia, o outro usa uma blusa curta pra deixar o umbigo de fora. O filme é bem explícito com relação a isso. Mas a diretora deve achar que seu público é burro, então resolveu trocar os atores por atrizes na cena final. No fim, três homens conseguem fugir, de bicicleta. Mas aí rola um movimento de câmera onde trocam os três atores por três atrizes, com as mesmas características físicas. Se já estava ruim antes, conseguiu piorar com essa cena final.

FIM DOS SPOILERS!

Enfim, infelizmente O Clube das Mulheres de Negócios falha como comédia e também falha como crítica social. A ideia era boa, mas precisava de um desenvolvimento melhor.

Arca de Noé

Crítica – Arca de Noé

Sinopse (imdb): Tom e Vini são dois ratinhos boêmios que embarcam na Arca de Noé de forma clandestina. Eles precisam usar seus talentos musicais para participar de um concurso e ajudar a manter a paz entre os animais.

Talvez um pouco atrasado, mas finalmente adaptaram os discos Arca de Noé, baseados na obra de Vinicius de Moraes!

Antes de falar do desenho, vamos a uma breve contextualização, afinal esses discos são tão antigos que já existe uma geração de adultos que não os conhece. Em 1980 foi lançado um disco infantil chamado Arca de Noé, baseado num livro de Vinícius de Moraes. Apesar do nome citar algo bíblico, na verdade o vinil trazia músicas infantis, a maioria relacionadas a bichos (mas tinham outras músicas que não tinham nada a ver com animais). Teve um segundo disco lançado em 81 ou 82, e os dois discos fizeram muito sucesso, tanto que músicas como “Lá vem o pato pataqui patacolá” entraram no cancioneiro popular infantil.

(Me falaram que teve uma coletiva onde jornalistas teriam perguntado como é adaptar uma história bíblica. Galera, façam seu dever de casa antes da entrevista!)

Comentei no início do texto que esse desenho está atrasado. Digo isso porque a minha geração foi marcada por essas canções. Mas, já se passaram 44 anos! Meus filhos já não têm mais idade pra curtir! Se a animação fosse feita 30 anos depois, acho que pegaria o público certo: os filhos das pessoas que cresceram ouvindo esses vinis. Só pra dar um exemplo: depois da sessão de imprensa, conversei com dois amigos críticos, mais novos, que sabiam pouco sobre esses discos.

Enfim, vamos ao filme. Dirigido por Alois Di Leo e Sergio Machado, Arca de Noé é a adaptação da obra de Vinícius de Moraes – li em algum lugar que seria uma adaptação do livro, mas me parece que o filme todo se baseia nas músicas. Temos novas versões de músicas conhecidas como O Pato (que antes foi gravada por MPB4), A Casa (Boca Livre), O Leão (Fagner), A Galinha D’Angola (Ney Matogrosso) e O Relógio (Walter Franco), dentre outras. Algumas foram adaptadas, como São Francisco, que virou instrumental (porque não tem como encaixar a letra neste roteiro); ou Os Bichinhos e o Homem, onde cortaram o trecho da música que fala sobre a morte: “E o homem que pensa tudo saber / Não sabe o jantar que os bichinhos vão ter / Quando o seu dia chegar”. E, claro, não tem músicas que hoje em dia seriam “canceladas”, como O Porquinho (que fala de variadas maneiras de se comer carne de porco) e Aula de Piano (que mostra uma relação muito errada entre um professor de piano e uma menininha). (Curioso que aparece um peru pegando uma partitura pro concurso, mas não toca a música O Peru, que no disco foi interpretada por Elba Ramalho).

A parte musical é muito boa, e estendo o elogio pra parte técnica (a animação não vai fazer feio frente aos grande estúdios como Disney, Pixar e Dreamworks), e também para o elenco, cheio de nomes importantes, mas vou focar nos principais. Rodrigo Santoro, Marcelo Adnet e Alice Braga fazem os ratinhos protagonistas, e Lázaro Ramos faz um leão bem divertido. E também queria destacar Gregório Duvivier, engraçadíssimo como a barata. Ah, Seu Jorge faz a voz de Deus, só em uma cena, mas também ficou bem engraçado. Também no elenco, Bruno Gagliasso, Giovanna Ewbank, Eduardo Sterblitch e Marcelo Serrado, entre outros.

(Curiosidade que li nos créditos: Rodrigo Santoro e Marcelo Adnet cantam as músicas dos seus personagens, mas Alice Braga não canta. Vi que Mariana de Moraes (neta do Vinícius) cantou no lugar dela. Mas isso foi o que li nos créditos subindo rapidamente, ainda não tenho mais informações sobre isso).

Se a parte técnica e a parte musical são muito boas, por outro lado o roteiro dá suas escorregadas. A competição musical demora muito a acontecer, e o filme enrola em algumas coisas sem graça, tipo a sidequest da baleia (nem tem música de baleia pra justificar!). E ainda tem umas piadas de “tio do pavê” que fiquei na dúvida se funcionaram ou não. Por sorte, o filme é curto (pouco mais de uma hora e meia) e esses problemas quase são apagados pela riqueza da trilha sonora.

A previsão de estreia é essa semana. Boa opção para levar os pequenos!

Ainda Estou Aqui

Crítica – Ainda Estou Aqui

Sinopse (imdb): Baseado no livro de memórias best-seller de Marcelo Rubens Paiva, no qual sua mãe é forçada a se tornar ativista quando seu marido é capturado pelo regime militar no Brasil, em 1971.

E vamos para as reais chances de Oscar para o Brasil!

Ainda Estou Aqui é o novo filme de Walter Salles (Central do Brasil), que não lançava um longa desde 2012. O filme é baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, e conta a história real de uma família no Rio de Janeiro do início dos anos 70. Marcelo vive com seus pais e suas 4 irmãs em uma boa casa, na Vieira Souto, na praia de Ipanema. Até que seu pai, Rubens Paiva, é levado por agentes do regime militar. E nunca mais volta.

Ainda Estou Aqui está badalado para o Oscar, e realmente está um degrau acima da média da produção nacional. Começo pela parte técnica: nunca vi no cinema nacional um cgi de reconstituição de época tão perfeito. A começar pela casa onde mora a família – não existem casas residenciais na Vieira Souto! Provavelmente filmaram em uma casa em outro endereço e colocaram a casa lá. E não é só isso, vemos várias cenas nas ruas, onde vemos carros, pessoas e prédios dos anos 70. E tudo, absolutamente tudo está perfeito. Mostrar uma praia não é uma tarefa tão difícil, mas quando vemos o morro Dois Irmãos sem a favela do Vidigal, a gente leva um susto. Sério, o cgi aqui não deve nada pra super produções gringas.

Mas, mais importante que isso, precisamos falar das atuações. Queria rapidamente citar que Selton Mello não está com “cara de Selton Mello” – gosto do ator, mas ele meio que criou um personagem e repete esse mesmo personagem em diversos filmes (vários atores são assim, Christoph Waltz ganhou dois Oscars por papéis quase iguais). Mas, o nome a ser citado é Fernanda Torres, que está simplesmente sensacional. Caros leitores, anotem isso, estou falando em outubro: Fernanda Torres tem uma chance grande de ser indicada ao Oscar ano que vem, 26 anos depois da sua mãe Fernanda Montenegro (coincidência ou não, também dirigida por Walter Salles). Ah, Fernanda Montenegro aparece no final do filme, em uma cena onde ela interpreta a personagem da filha num futuro onde ela está bem mais velha.

Quase o filme todo se passa nos anos 70. No fim tem um trecho em 1996 e uma cena final em 2004. Na minha humilde opinião, o filme perde a força nesses dois “epílogos”. Não chega a estragar o resultado final, mas acho que Ainda Estou Aqui seria ainda melhor se acabasse no momento que a família deixa a casa, o resto da história podia ser uma cartela com um texto antes dos créditos.

Por fim, e o Oscar? Bem, até onde sei, cada país pode mandar um filme para a categoria “filme internacional” (que era “filme em língua estrangeira” até poucos anos atrás). Escolhem uma pré lista com 9 filmes, que depois é reduzida à lista oficial de 5 candidatos. Mas, a gente sabe que a qualidade do filme não é tudo quando se fala em Oscar. O lobby é algo muito importante. E aparentemente esta vez estão com um lobby forte pra tentar indicar o filme brasileiro. Um boato que ouvi entre amigos críticos é que querem tentar indicar Ainda Estou Aqui para o Oscar principal – nos últimos dois anos, o vencedor do prêmio de filme estrangeiro também estava indicado ao Oscar de melhor filme (Zona de Interesse em 2024, Nada de Novo no Front em 2023). Também é ventilada uma indicação ao Oscar de melhor atriz para Fernanda Torres, o que já estão falando como se fosse uma “reparação ao erro de não ter dado o Oscar para Fernanda Montenegro” (o que talvez seja um exagero, mas tem um fundo de verdade).

Enfim, aguardemos. Mas estou na torcida!

Abraço de Mãe

Crítica – Abraço de Mãe

Sinopse (imdb): Durante uma grande tempestade no Rio de Janeiro em 1996, a bombeira Ana e sua equipe de bombeiros precisam evacuar uma casa de repouso em colapso, mas os misteriosos residentes têm outros planos sinistros.

Ih, olha lá, tem terror nacional novo na Netflix!

Quando li sobre Abraço de Mãe, achei que era um filme argentino, porque o diretor Cristian Ponce é argentino. Mas não, é uma produção brasileira. Legal!

Abraço de Mãe traz a história de Ana. Depois de um prólogo nos anos 70 que explica seu trauma de infância, vemos Ana trabalhando no corpo de bombeiros, na época de uma grande chuva no Rio de Janeiro, em 1996.

(Curioso que pelo filme, o Rio de Janeiro teria tido uma traumática tempestade em 1996. Morei quase minha vida inteira no Rio, já vivi grandes chuvas em diversos anos, não me lembro de 96 ter sido pior…)

Tecnicamente, Abraço de Mãe é muito bom. Bom elenco, bons cenários, boa reconstituição de época, efeitos especiais simples e eficientes. O melhor aqui é o clima de mistério que rola naquele asilo onde boa parte do filme se passa. Excelente uso da locação. Outro ponto a ser elogiado é o elenco. Principalmente a protagonista Marjorie Estiano. Sou fã dela pela série Sob Pressão, e aqui ela dá um show.

Mas… O clima é muito bom, a trama é envolvente e está andando num bom ritmo, mas o final aberto demais me incomodou. Preciso falar do final. Segue um aviso de spoilers:

SPOILERS!

Na minha humilde opinião, o final do filme é decepcionante. Abraço de Mãe levanta algumas coisas legais e instigantes, mas não desenvolve nada. Vemos que existe um monstro ou criatura, vemos garras e tentáculos, mas não sabemos o que é a criatura, se é algo sobrenatural ou alienígena ou sei lá o que poderia ser. Vemos que pessoas estavam esperando uma grande tempestade pra fazer um culto ou algo parecido, mas não sabemos o que seria aquilo. A filha do argentino estava sendo preparada, mas não sabemos para que.

Não acho que um filme precisa explicar todos os detalhes, mas levantar ideias boas e não desenvolvê-las me pareceu um desperdício. Sempre defendo filmes curtos, mas neste caso em particular, acho que seria melhor ver mais 10 minutos mostrando mais cenas sobre esses elementos misteriosos.

FIM DOS SPOILERS!

Mesmo decepcionado com o final, ainda acho que Abraço de Mãe foi uma boa experiência. Que vejamos mais terror nacional na Netflix!

Biônicos

Crítica – Biônicos

Sinopse (imdb): Em um futuro distópico em que as próteses robóticas dominam os esportes, duas irmãs competem no salto em distância. Só que essa rivalidade leva a um caminho sinistro.

Opa, ficção científica feita no Brasil!

Biônicos é o novo filme de Afonso Poyart. Poyart é um cara que merece o meu respeito, em 2012 ele fez 2 Coelhos, um dos melhores filmes nacionais que heu já vi. Três anos depois ele dirigiu Anthony Hopkins e Colin Farrell em Presságios de um Crime, e lembro de ter ido numa sessão no Roxy com presença do próprio Poyart. No ano seguinte, 2016, Poyart dirigiu Mais Forte Que o Mundo, contando a história do lutador José Aldo, outro filmão. Só por esses três títulos, Poyart já merece espaço no hall de melhores diretores brasileiros.

De lá pra cá, Poyart deu uma sumida. Vi no imdb que ele fez coisas pra TV. Até que estreou este Biônicos no streaming, anunciado como “o filme nacional mais caro da Netflix”. E apareceram alguns canais de youtube falando mal do filme. Realmente, Biônicos chama a atenção por ser extremamente bem feito. Mas por outro lado, o roteiro deixa a desejar. Vamulá.

O filme se passa num futuro próximo onde atletas amputados usam próteses biônicas que os deixam melhores que os atletas “normais”, a ponto de ter atletas que querem se amputar como uma espécie de “doping tecnológico”. Mas algumas coisas não fazem muito sentido, tipo um amputado tem direito a próteses, mas é acusado criminalmente se for responsável pela própria amputação. E isso acaba gerando uma das coisas mais forçadas do filme: a protagonista quer uma perna biônica, então ela força um acidente onde ela está de moto e um carro bate violentamente nela. Caramba! Como é que alguém vai conseguir controlar um acidente desses pra ser só um ferimento na perna? Ela podia ter morrido!

Agora, pra mim, o pior do roteiro é a personagem Maria, justamente a protagonista. Ela é antipática e invejosa. Sua irmã mais nova era uma atleta pcd, e sempre chegava em segundo lugar quando as duas competiam – por motivos óbvios. Quando surgiram as próteses biônicas, a irmã mais nova passou a chegar em primeiro lugar, e a protagonista nunca aceitou isso. E, pra piorar, a irmã mais nova é simpática e está sempre tratando bem a irmã. Acho que escolheram a protagonista errada.

O roteiro ainda tem mais alguns problemas aqui e ali, tipo um vilão caricato que tem atitudes sem sentido (além de um envolvimento romântico muito forçado com a protagonista), ou provas paralímpicas que mais parecem um videogame. Mas são problemas comuns de filmes desse  estilo, nada muito grave.

Agora, o visual é digno de ser um marco do cinema nacional. Não só toda a ambientação em um futuro meio cyberpunk, com figurinos e props que parecem coerentes com a proposta do filme (ficção científica nacional a gente pensa em figurinos com cara de Castelo Rá Tim Bum), como o cgi das próteses biônicas é muito bom! Essa parte ficou realmente muito bem feita!

(Só reclamo do cgi de um personagem que aparece na cena final, que parece uma cópia tosca do Ciborgue da Liga da Justiça. Aquele ficou com cara de novela do SBT.)

Além disso, tem algumas cenas muito boas. Lembro pouco de 2 Coelhos (não sei onde posso revê-lo, e não tenho o dvd!), mas lembro que tinha uma câmera lenta muito bem executada. Em tempos de Rebel Moon com câmera lenta mal aproveitada, Poyart mostra que ainda sabe usar o efeito. Tem uma cena onde chutam uma mesa que é daquelas pra guardar a cena e rever de vez em quando!

Tive um problema com o final. Como é na conclusão do filme, vou colocar avisos de spoilers.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Na parte final aparece o grande vilão, interpretado por Miguel Falabella. Aí, na cena final, pelo que heu entendi, os irmãos se unem ao vilão. Péra, no fim do filme eles viram “do mal”? Heu entendi direito???

FIM DOS SPOILERS!

Mesmo com os problemas, gostei de ver uma ficção científica brasileira tecnicamente bem feita. Só espero que em uma próxima vez caprichem um pouco mais no roteiro.

Grande Sertão

Crítica – Grande Sertão

Sinopse (imdb): Em uma grande comunidade da periferia brasileira chamada “Grande Sertão”, onde uma luta entre policiais e bandidos assume ares de guerra, Riobaldo entra para o crime por amor a Diadorim, mas nunca tem a coragem de revelar sua paixão.

Heu sempre gosto de defender o cinema nacional. Mas às vezes isso é uma tarefa difícil.

Grande Sertão tem seus méritos, mas tem dois problemas bem complicados. O primeiro é que adaptaram o visual da história e trouxeram para os dias de hoje, mas o texto continua fiel ao original de Guimarães Rosa. Ou seja, os diálogos são rebuscados, parecendo um teatro. Pior, um teatro amador. Todos os diálogos são extremamente artificiais. Entendo a opção da produção de querer usar o texto original, mas, pelo menos pra mim, não funcionou.

(Me lembrei do Romeu + Julieta, de 1995, dirigido por Baz Luhrmann e estrelado por Leonardo DiCaprio e Claire Danes. Era um filme com visual contemporâneo mas com os diálogos em inglês shakespeariano. Mas, talvez por inglês não ser a minha língua nativa, não me lembro de ter ficado tão incomodado com aquela versão.)

E esse problema tem um agravante. Além das cenas normais, o filme tem uma narração, feita por Riobaldo, o personagem principal, mais velho (ele está de barba e cabelos grandes, com um visual diferente do resto do filme). Riobaldo faz uma narração que parece um monólogo teatral. Na minha humilde opinião, todas as cenas com a narração do Riobaldo poderiam ser cortadas do filme. Ficou artificial e arrastado, e ainda reforçou o ar de peça de teatro mal adaptada.

O outro problema é na caracterização do personagem Diadorim. Na história original, Diadorim nasceu mulher, mas se porta como homem para fazer parte do bando de Joca Ramiro (spoiler!). O problema é que Diadorim, interpretado por Luisa Arraes, se porta como mulher, se veste como mulher, tem um corte de cabelo feminino, em nenhum momento se parece com um homem. Diadorim parece um personagem da Michelle Rodriguez, ou da Ronda Rousey, ou da Gina Carano, ou da Ruby Rose, mulheres “porradeiras”, mas mesmo assim, mulheres.

Houve uma adaptação feita pela Globo em 1985 onde Bruna Lombardi interpretou Diadorim. Não vi ou não me lembro de ter visto, mas amigos críticos disseram que Bruna conseguiu criar um personagem que enganava. Aqui, Luisa Arraes não engana ninguém!

E assim como o outro problema, este também tem um “segundo degrau”. Sec XXI, 2024, fica estranho uma história que se passa nos dias de hoje com um protagonista assumidamente homofóbico. Se fosse uma história de época, dois jagunços, no meio do sertão, décadas atrás, era mais fácil de aceitar. Mas hoje, numa cidade grande? Ver uma mulher masculinizada trabalhando no meio de homens não espanta mais ninguém. Já que adaptaram o visual, trazendo do sertão pra uma favela, podiam ter adaptado o dilema moral de Diadorim.

Pena, porque tecnicamente falando, Grande Sertão é muito bem feito. A direção é de Guel Arraes, que tem um grande currículo, não só na TV (o cara estava em Armação Ilimitada e TV Pirata, nos anos 80!), como também no cinema (Arraes dirigiu O Auto da Compadecida, de 2000, um dos filmes nacionais mais populares de todos os tempos). Grande Sertão tem algumas cenas muito bem filmadas. Tem duas sequências, não sei se foram planos sequência, mas são planos longos, uma com Diadorim num corredor enfrentando vários policiais em movimentos que parecem um balé, na outra a câmera passeia entre Riobaldo, Diadorim e Zé Bebelo no meio de um grande tiroteio. Algumas das cenas de briga e de tiros também funcionam bem, o cinema nacional costuma ser deficiente nesse aspecto, e Grande Sertão não decepciona. O elenco também é bom: Caio Blat, Luisa Arraes, Rodrigo Lombardi, Luis Miranda, Eduardo Sterblitch, Luellem de Castro.

Pena, a boa parte técnica e o bom elenco não foram o suficiente, pelo menos pra mim. Porque os diálogos rebuscados e as atuações caricatas me tiravam da experiência cinematográfica, e Diadorim não engana ninguém. Grande decepção.