Anaconda (2025)

Anaconda (2025)

Sinopse (imdb): Um grupo de amigos que enfrenta a crise da meia-idade se prepara para refazer seu filme juvenil favorito, mas quando entram na selva, as coisas ficam feias.

Quando soube de um novo Anaconda, fui catar a versão de 1997 pra rever. Aquele filme é bem ruim. Mas, pelo trailer, esta nova versão parecia que ia ser mais divertida. E meu pressentimento estava certo. O novo Anaconda é divertidíssimo!

O protagonismo aqui é dividido entre o Jack Black e o Paul Rudd. Quando adolescentes, eles faziam curtas amadores com mais dois amigos; hoje, Jack Black faz vídeos de casamento, enquanto Paul Rudd é um ator frustrado em Hollywood. A turma se reúne para fazer um remake de baixíssimo orçamento do Anaconda de 97, quando uma equipe vai pro Amazonas fazer um documentário sobre uma tribo indígena e é atacada por uma cobra gigante. Mas a grande diferença é que aquele filme se levava a sério, enquanto aqui a galhofa é assumida. Ri alto diversas vezes ao longo da sessão!

Teve uma cena que achei simples e genial, logo no início do filme, quando conhecemos o trabalho do Jack Black. Ele descreve como seria a ideia dele do vídeo de casamento, e começa a cantarolar a música que ele imaginou para a cena, e a trilha do filme começa a acompanhar o que ele está cantarolando. No cinema, música diegética é aquela que os personagens estão ouvindo, tipo o Jack Black cantarolando; música não diegética é quando só o espectador ouve, é a trilha sonora que está acompanhando o cantarolar. Gosto quando um filme quebra essa barreira entre a música diegética e a não diegética.

(Preciso dizer que me identifiquei com o momento que eles se reúnem pra rever o filme que fizeram quando adolescentes. Assisti Anaconda ao lado do Eduardo Miranda, do canal Projeto Cinevisão, e ele estava comigo quando filmei O Boitatá, um dos meus primeiros curtas, há quase 14 anos…)

A direção é de Tom Gormican, o mesmo de O Peso do Talento, aquele filme onde um milionário quer conhecer o Nicolas Cage. Ou seja, o cara sabe brincar com a metalinguagem, usando piadas ligadas ao cinema. E aqui são várias, tem algumas geniais – a do Jordan Peele é sensacional! Aliás, a única coisa boa de ter revisto Anaconda de 97 foi pegar o contexto de todas as piadas sobre aquele filme.

No resto do elenco, o destaque vai pra Selton Mello, e juro que isso não é um comentário bairrista. Selton faz um brasileiro que cuida de cobras. Ele não é um dos principais, mas ele tem um papel bem grande, e posso dizer tranquilamente que ele rouba todas as cenas que aparece. Um dos momentos mais engraçados do filme é quando estão conversando sobre cabeçadas, ele fala de colocar um “brazilian twist” e grita “TOMA!”, e todo o elenco começa a gritar “TOMA!” com ele. Não li em lugar algum, mas não acharia estranho isso ser sugestão do próprio Selton – duvido que um roteirista gringo tenha pensado em gritar “TOMA!” no meio de uma cena de briga. No resto do elenco, Thandiwe Newton, Steve Zahn e Daniela Melchior. Aliás, Daniela, que é portuguesa, aparece falando português, mas sem nenhum sotaque, me pareceu dublada.

(No cinema tinham duas salas passando Anaconda, uma com a cópia dublada e a outra, legendada. Quando o filme começou, com um diálogo em português, fiquei com medo de ter entrado na sala errada. Não, são só algumas cenas em português.)

Aliás, assim como tem uma atriz portuguesa que parece dublada, nos créditos descobri que Anaconda foi filmado na Austrália. Ué, por que não filmar no Amazonas? Pelo menos ouvimos diálogos e lemos cartazes em português. Décadas atrás Hollywood não respeitava isso – inclusive no filme de 97 tem um personagem brasileiro que fala português com sotaque.

(E todo brasileiro vai dar uma gargalhada ao ver que, dos EUA pro Amazonas, eles passam pelo Rio de Janeiro. Tem uma cena mostrando o Corcovado!)

Os efeitos especiais são apenas ok. Em algumas cenas, a cobra não convence. Sorte que o objetivo do filme é galhofa e não mostrar uma cobra assustadora.

Agora, se por um lado o roteiro é bem divertido, por outro precisamos reconhecer que são várias forçadas de barra. Sem spoilers, mas o modo como a cobra é derrotada no final não fez o menor sentido! Além disso, tem uma sequência envolvendo um personagem fazendo xixi que achei uma piada ruim e demasiadamente prolongada.

Ah, tem cenas pós créditos. Uma delas é genial, mostra um videozinho de casamento feito pelo Jack Black. E tem um possível gancho pra continuação. Que seja tão divertido como este!

 

A Empregada

Crítica – A Empregada

Sinopse (imdb): Segue uma mulher em dificuldades que está feliz em recomeçar como empregada doméstica para um casal rico e elitista.

A Empregada (The Housemaid, no original) é o novo suspense dirigido por Paul Feig, que tem um longo currículo na comédia (Missão Madrinha de Casamento, As Bem Armadas, Caça Fantasmas (2016)), mas que já tinha entrado no suspense, com Um Pequeno Favor. Seu novo filme é baseado no livro de Freida McFadden – não li o livro, meus comentários serão só sobre o filme.

A Empregada tem aquele formato onde vemos uma trama com alguns elementos estranhos, e depois rola uma reviravolta de roteiro onde tudo passa a ser visto sob uma nova perspectiva. Millie (Sydney Sweeney), que tem um passado misterioso, está procurando emprego, e começa a trabalhar na casa de Nina (Amanda Seyfried). Só que pouco depois que começa o trabalho, Nina se mostra uma pessoa completamente desequilibrada.

Depois da virada de roteiro a gente entende algumas coisas que antes estavam nebulosas. Mas se heu puder fazer uma crítica, achei meio abrupta a mudança de comportamento de alguns personagens. No filme até funciona, mas me pareceu artificial.

O grande lance aqui é a dinâmica entre Sydney Sweeney e Amanda Seyfried. Sydney esteve envolvida recentemente em polêmicas vazias (talvez o maior problema do mundo atual seja essa polarização que transforma tudo em flaxflu), mas já mostrou que é uma grande atriz – e quem discorda de mim, veja o final de Imaculada. Enfim, polêmicas à parte, Sydney, que além de atuar bem, é uma das mais bonitas da sua geração, está bem aqui. Amanda às vezes parece um pouco over, mas ela também funciona bem no papel, principalmente depois do plot twist, quando sabemos o que realmente aconteceu. Enfim, as duas estão bem e valem o filme.

O papel masculino principal é de Brandon Sklenar. Curioso que já vi alguns filmes com ele, mas não lembro de nenhuma das suas atuações. Não sei se é uma falha minha ou se ele realmente é um cara mais apagado. Michele Morrone, famoso pela bomba 365 Dias e por ser um novo “Cigano Igor”, tem um papel muito mal desenvolvido como o jardineiro – ou seja, é um ator ruim num papel ruim. E, pra quem é das antigas, a mãe do protagonista é Elisabeth Perkins, de Sobre Ontem À Noite (1986) e Quero ser Grande (88).

A Empregada é um pouco longo, não precisava de mais de duas horas pra contar essa história. Mas quem curtia aqueles suspenses dos anos 90, com reviravoltas e um toque de erotismo, vai se divertir.

 

Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

Crítica – Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

Sinopse (Netflix): O detetive Benoit Blanc conta com a ajuda de um jovem padre para investigar um crime perfeitamente impossível na igreja de uma cidadezinha que tem uma história sombria.

Em 2019, fomos apresentados ao detetive Benoit Blanc, uma espécie de novo Hercule Poirot, no divertido e bem escrito whodunit Entre Facas e Segredos. Três anos depois, Benoit Blanc voltou em outro novo mistério, em Glass Onion, Um Mistério Knives Out, filme que trazia o mesmo personagem, em uma história completamente independente do primeiro filme. Agora, em 2025, mais uma vez dirigido por Rian Johnson (Star Wars episódio 8), Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (Wake Up Dead Man, no original) repete a ideia: novo filme, mesmo personagem, mestilo, história 100% independente.

(Curiosidade sobre os títulos dos três filmes. Knives Out é uma música do Radiohead; Glass Onion é dos Beatles. Wake Up Dead Man é uma música do U2.)

(Glossário: whodunit é aquele estilo de narrativa de filme, livro ou peça teatral, onde acontece um crime e temos vários possíveis culpados, e o espectador / leitor precisa juntar peças soltas pra tentar descobrir o culpado. A literatura tem pelo menos dois nomes bem famosos no estilo: Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle; e Hercule Poirot, da Agatha Christie.)

Assim como os dois primeiros filmes, Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out traz um grande elenco, e o único repetido é Daniel Craig como Benoit Blanc. Curioso que desta vez o detetive é quase um coadjuvante, porque o filme é muito mais do padre Jud (Josh O’Connor). Digo mais: Blanc só aparece depois de 39 minutos e meio de filme.

Aliás, bora falar do elenco, que é fantástico. Daniel Craig está ótimo, e pode tirar uma onda que poucos conseguem no cinema: viveu personagens marcantes em duas franquias diferentes (acho que nenhum outro James Bond conseguiu “se livrar” do personagem). Mas claro que o destaque é Josh O’Connor, o que foi uma agradável surpresa, já que o último filme que vi dele foi o decepcionante The Mastermind. Glenn Close e Josh Brolin também estão excelentes. Também no elenco, Mila Kunis, Jeremy Renner, Kerry Washington, Andrew Scott, Cailee Spaeny, Daryl McCormack, Thomas Haden Church, Jeffrey Wright e Annie Hamilton. Ah, tem um momento que o Thomas Haden Church está vendo baseball na TV, a voz do comentarista é de Joseph Gordon Levitt – que também tinha feito apenas uma voz em Glass Onion.

O assassinato realmente é intrigante e parece impossível, acho difícil algum espectador conseguir solucionar. E na parte final acontece um outro crime, igualmente impossível, que deixa a trama ainda mais misteriosa. Será que Benoit Blanc vai conseguir solucionar o caso dessa vez? Apesar de uma forçadinha aqui e outra ali, achei os dois casos muito bem bolados, e as soluções me convenceram. Além disso, o ritmo do filme é muito bom, são quase duas horas e meia que passam rapidinho.

Por fim, vou repetir o que falei três anos atrás e vou falar mal do nome brasileiro do filme. O primeiro filme aqui foi chamado “Entre Facas e Segredos”. O segundo tem um subtítulo “Um Mistério Knives Out”. Por que não “Um Mistério Entre Facas e Segredos”? E o terceiro filme repete: “Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out”. Bem, pelo menos agora o subtítulo fez um link com o segundo filme…

Avatar: Fogo e Cinzas

Crítica – Avatar: Fogo e Cinzas

Sinopse (imdb): Depois de uma perda devastadora, a família de Jake e Neytiri enfrenta uma tribo Na’vi hostil, os Ash, liderada pela implacável Varang, à medida que os conflitos em Pandora se intensificam e surgem novos dilemas morais.

Antes de tudo, preciso avisar que nunca fui fã de Avatar. Vou além: acho uma série de filmes bem bestas. Vi o primeiro na época que saiu, 2009, não me lembro se cheguei a rever. Vi o segundo no lançamento, três anos atrás, me lembro de quase nada. Precisava de mais um? Não. Mas, já que fizeram, vamulá.

Depois da sessão de imprensa os comentários eram mais ou menos um consenso: o filme é longo demais e com roteiro fraco demais. O diretor James Cameron quis apresentar um belo espetáculo, e conseguiu – o filme é belíssimo. Mas parece que focou todos os esforços e energia na parte técnica, enquanto deveria pensar um pouco mais no roteiro. Deu a impressão de que Cameron está querendo fazer o seu próprio parque temático nas salas de cinema. E, desculpa, mas três horas e quinze de imagens bonitas é muita coisa. Na primeira meia hora, aquilo tudo é lindo. Mas acho difícil algum espectador chegar ao fim sem se cansar.

O roteiro tem várias facilitações muito forçadas. Determinado momento, um personagem está preso e tentando fugir, e ele só consegue porque três ações diferentes, de três personagens diferentes, que não estão em contato, acontecem ao mesmo tempo. Ok, já vimos isso em outros filmes, mas Avatar 3 é uma mega produção, não devemos aceitar erros comuns de filmes de baixo orçamento. Além disso, a contagem de tempo é meio estranha, o cabelo do Spider cresce vários centímetros, o que deveria ser um sinal de passagem de tempo – mas Ronal passa o filme inteiro grávida, com barrigão. Se passou tempo pro cabelo, não passou tempo pra gravidez?

(Se bem que estou entrando na ciência de Pandora, que não necessariamente segue as mesmas regras que no nosso planeta. Isso também explicaria a “gravidade seletiva” – tem uma cena onde personagens caem, mas em pedras que flutuam no ar – por que a gravidade só funciona pra uns?)

O roteiro ainda tem um artifício usado de vez em quando, mas que heu particularmente acho péssimo: uma solução “deus ex machina”, que é é um recurso narrativo onde um problema aparentemente insolúvel é resolvido de forma súbita e inesperada por uma força externa. Sem spoilers, mas os “mocinhos” estão perdendo, sem saída, aí do nada aparece um novo elemento para derrotar os “vilões”. Ok, isso não é um problema inventado em Avatar, isso existe desde o teatro grego. Mas, caramba, uma produção do porte de Avatar, e com uma duração tão longa, precisava de uma solução de roteiro tão preguiçosa?

O visual realmente é muito bom. Nisso, precisamos tirar o chapéu para James Cameron, que conseguiu criar o seu mundo com detalhes impressionantes. Sim, o filme é longo e cansativo. Mas quem estiver apenas atrás de belas imagens vai se esbaldar.

Comentários sobre o 3D. Não sou fã de 3D pra dar profundidade. Na verdade, gosto mais quando é “efeito de parque de diversões vagabundo”, que é quando o personagem atira algo na direção da tela e o espectador se abaixa pra não ser atingido. Vou ser franco: só me lembro de duas vezes onde o 3D me proporcionou sensações diferentes, em A Invenção de Hugo Cabret, quando o George Méliès está construindo seus efeitos especiais; e A Travessia, nas cenas onde o equilibrista explica seu plano de como vai colocar o cabo de aço entre as torres do World Trade Center. Fora esses raros casos, sempre que posso, dispenso o 3D, efeito que encarece o ingresso, e traz um resultado que não vale a pena. Dito isso, reconheço que o 3D aqui não é ruim. Acho desnecessário, mas quem curte o efeito vai gostar.

Teve uma coisa na imagem que me incomodou. Não chega a ser exatamente um defeito do filme, acredito que seja mais uma opção estética. Me pareceu que foi filmado em 48 fps ou 60 fps. Explico. O cinema tradicionalmente usa 24 quadros por segundo, ou “frames per second” (fps). Alguns poucos filmes usam mais quadros por segundo, o que causa uma certa estranheza ao olhar. Em algumas cenas, parecia que heu estava vendo um filme para tv, e não para o cinema. Acho estranho um produto tão caro, com visual tão esmerado, ficar com “cara de novela”.

No elenco, os principais voltam aos seus papeis, Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Kate Winslet, etc. A novidade é Oona Chaplin, que faz uma boa nova vilã, é um daqueles vilões que são malvados e curtem essa malvadeza. Gostei da personagem!

No fim, a conclusão é que James Cameron se preocupou mais com a lado “parque temático” e se esqueceu do lado “cinema”. A única boa notícia é que parece que ele desistiu de fazer Avatar 4 e Avatar 5. Sr. Cameron, que tal pensar em novos filmes, longe de Pandora?

Spinal Tap 2 O Último Ato / Spinal Tap II: The End Continues

Spinal Tap 2 O Último Ato / Spinal Tap II: The End Continues

Sinopse (imdb): No 40º aniversário do original, a sequência do lendário mockumentary de rock que colocou a produtora cinematográfica em uma sequência de sucesso.

Quarenta e um anos depois, uma continuação de um dos mais geniais mockumentaries da história!

A ideia é boa. Em 1984, foi lançado This is Spinal Tap, um mockumentary (documentário fake) sobre a turnê da banda Spinal Tap (igualmente fake). Anos se passaram, a banda se separou, mas agora vai ter uma reunião para um único show de despedida. Spinal Tap 2 O Último Ato (Spinal Tap II: The End Continues, no original) é o mockumentary que vai mostrar os bastidores dessa reunião.

Os quatro principais voltam: tanto o diretor Rob Reiner (que interpreta o documentarista) quanto os três principais músicos, Christopher Guest (Nigel Tufnel), Michael McKean (David St. Hubbins) e Harry Shearer (Derek Smalls). Alguns coadjuvantes do primeiro filme também aparecem rapidamente aqui, como Fran Drescher e Paul Shaffer, mas o filme é mesmo dos quatro.

Uma coisa que acho muito legal é que os caras são músicos, então eles convencem nas muitas cenas onde aparecem tocando. Da banda de quarenta anos atrás, não explicam por que o tecladista Viv Savage não voltou (achei uma falha), mas todo fã de Spinal Tap sabe que o baterista tem que ser um novo (spoiler: uma das piadas do primeiro filme é que o baterista sempre morre). E digo mais: a cena da audição para baterista é muito engraçada, e a nova baterista, Didi Crockett, é um ótimo personagem, além de ser interpretada por uma baterista carismática, Valerie Franco.

Spinal Tap 2 O Último Ato tem algumas participações especiais de músicos reais. Pouco antes da entrada da baterista, eles conversam via zoom com Chad Smith (Red Hot Chili Peppers), Lars Ulrich (Metallica) e Questlove (confesso que nunca tinha ouvido falar deste). Paul McCartney e Elton John têm participações maiores e efetivamente tocam com a banda. E Elton John ainda está em uma piada durante os créditos!

O filme é curto, assim como o primeiro (ambos têm uma hora e vinte e três minutos), e o ritmo é meio de piada repetida. Mas preciso falar que a sequência final, com o Stonehenge, me causou gargalhadas. Finalmente conseguiram “consertar” o erro do cenário que rolou no primeiro filme! Pena que não deu tudo certo… Os créditos também trazem boas piadas. Agora, reconheço que é um filme para “iniciados”. Quem não conhece o filme de 1984, provavelmente não vai entender parte das cenas.

A nota triste é que ontem acordei com a notícia do falecimento do diretor / roteirista / ator Rob Reiner. Muito triste essa notícia…

Seis Momentos Geniais em This is Spinal Tap (1984)

Seis Momentos Geniais em This is Spinal Tap (1984)

Sinopse (imdb): A banda inglesa de heavy metal Spinal Tap está em turnê pelos Estados Unidos. Um cineasta americano decide filmar a passagem da banda pelo país, mas a turnê não sai como o esperado.

Estreou no streaming o novo This is Spinal Tap, aí fui rever o original antes de ver a continuação. Pensei em escrever uma crítica mais completa (já comentei o filme em dezembro de 2008), mas optei por trazer alguns trechos que acho geniais. Afinal, estamos falando de um filme de 40 anos atrás, de menos de uma hora e meia de duração, e que, até hoje, traz vários momentos icônicos entre os apreciadores de rock’n’roll no cinema.

Lançado em 1984, This is Spinal Tap é um mockumentary, palavra que nem sei se existe em português. É um documentário fake (tipo a série The Office), sobre uma banda que nunca existiu. O Spinal Tap é uma banda de hair metal dos anos 70/80, exagerada e excêntrica como várias bandas da época, que está mais ou menos entre Van Halen, Manowar, Saxon e Mötley Crüe. O filme acompanha uma turnê nos EUA, e traz várias sequências memoráveis. Digo mais: todo músico vai se identificar com uma ou outra cena.

This is Spinal Tap foi dirigido por Rob Reiner, diretor de Conta Comigo, Louca Obsessão e Harry e Sally, entre outros, e que aqui, além de roteirista e diretor, ainda interpreta um personagem importante, o documentarista Marty DiBergi. A banda é formada por Nigel Tufnel (Christopher Guest), David St. Hubbins (Michael McKean) e Derek Smalls (Harry Shearer). Nenhum dos três teve carreira relevante no cinema, mas os três aparecem tocando, e convencem nos seus instrumentos. Além disso, os três colaboraram no roteiro, escrito a oito mãos junto com o diretor Reiner. Existe uma piada que justifica por que o baterista tem menor importância, mas não entendi por que o tecladista não ganhou mais espaço… Lembrei do João Fera, que toca com o Paralamas do Sucesso há quase quatro décadas mas nunca foi efetivado membro da banda.

Acho geniais algumas sacadas apresentadas no filme. Como músico, consigo ver algumas daquelas situações na vida real. Mas tenho minhas dúvidas se um público que não é ligado a bandas de rock vai achar graça.

Enfim, vamos aos momentos?

-Uma piada muito boa é sobre o baterista, que sempre morre. A banda já teve vários. Todos morreram, e sempre de mortes bizarras.

-Tem um lance que vários músicos já passaram, que é quando a banda se perde entre o camarim e o palco. Claro que aqui está exagerado, mas já aconteceu comigo num show num Sesc em SP…

-Lembro de amigos meus fãs de Manowar falando que os caras colocavam um pepino dentro da cueca pra parecerem bem dotados. Também lembro exatamente dos mesmos pepinos dentro da sunga numa HQ do Angeli dos anos 90. This is Spinal Tap é anterior aos dois exemplos, e já tem piada sobre isso.

-Nunca soube de, na vida real, um defeito no cenário que chegasse a prender um músico. Mas a piada é ótima!

-Outra boa piada relativa ao cenário é o Stonehenge miniatura. A ideia foi escrita num guardanapo de papel, e quando o cenário foi feito, ficou daquele tamanho.

-Acho que a piada mais famosa de This is Spinal Tap é o amplificador que vai até o 11. Adoro a reação do Nigel quando perguntam “não seria mais fácil um amplificador mais potente?”

Natal Sangrento

Crítica – Natal Sangrento

Sinopse (imdb): Um menino testemunha o assassinato de seus pais por um homem disfarçado de Papai Noel. Anos depois, já adulto, ele veste uma fantasia de Papai Noel e embarca em uma violenta busca por vingança contra os responsáveis.

O público de terror não é muito exigente. Isso explica a grande quantidade de filmes de terror genéricos despejados no circuito. O genérico da vez é esse Natal Sangrento (Silent Night Deadly Night, no original), refilmagem de um terror genérico homônimo de 1984 (que teve algumas continuações, e uma refilmagem em 2012).

(Aliás, tudo é tão genérico que existe outro filme, de 2019, que também ganhou o mesmo nome “Natal Sangrento”…)

Dirigido pelo pouco conhecido Mike P. Nelson, Natal Sangrento usa como marketing ser “do mesmo estúdio de Terrifier“, o que a gente sabe que não significa nada. Principalmente porque, segundo o imdb, são oito produtoras, e só uma delas, a Screambox, também estava em Terrifier.

O filme traz Billy, um homem que viaja para cidades onde ninguém o conhece para cometer assassinatos. E ele tem uma voz interna que passa metade do filme discutindo com ele. Sim, impossível não lembrar de Venom, que também tem um protagonista que conversa o tempo todo com uma voz interna.

Agora, nos anos 80 era mais fácil aceitar uma trama dessas, onde um viajante solitário anda de cidade em cidade matando pessoas aleatórias. Hoje em dia, com câmeras de segurança, com reconhecimento facial, com DNA, a tarefa de Billy ia ser bem mais difícil.

(Fui pesquisar, segundo o Google, a partir de 1986 começaram a usar DNA em investigações criminais. Ou seja, o primeiro filme é antes disso.)

O filme é bastante inverossímil, mas até tem algumas boas cenas. A cena do carro, como o protagonista ainda criança, é boa. E tem uma divertida e absurda sequência contra nazistas – absurda porque é um cara sozinho e desarmado contra dezenas de oponentes.

A trama traz alguns pontos mal explorados, como o livro que o protagonista carrega, mas isso me pareceu proposital, pra deixar assunto para prováveis continuações.

Mas, como falei no início, tudo é genérico demais. Podia ter mais gore (já que se vende junto com Terrifier), mas até nisso o filme pega leve. Vai divertir os menos exigentes e só.

Five Nights At Freddy’s 2

Crítica – Five Nights At Freddy’s 2

Sinopse (imdb): Um ano após o pesadelo sobrenatural na Freddy Fazbear’s Pizza, Abby foge para se reconectar com seus amigos animatrônicos, revelando segredos obscuros sobre a verdadeira origem da Freddy’s e libertando um horror escondido há décadas.

Lançado em 2023, o primeiro Five Nights At Freddy’s não foi bom. Mas teve uma boa bilheteria – custou 20 milhões e rendeu 291 milhões. Além disso, é um filme baseado na franquia de jogos Five Nights At Freddy’s (ou FNAF). Então uma continuação não é surpresa. Pena que o segundo filme é tão fraco quanto o primeiro.

Mais uma vez dirigido por Emma Tammi (mesma diretora do primeiro filme), Five Nights At Freddy’s 2 traz os personagens do filme anterior lidando com os robôs animatrônicos, além de um novo fantasma. Mas o problema é que o roteiro é muito ruim. Ruim do nível de aparecer um novo personagem com o mesmo nome do protagonista – sim, tem dois Mikes no filme.

Dava tranquilamente pra fazer um vídeo “10 furos de roteiro em Five Nights At Freddy’s 2“, mas pra isso heu teria que rever o filme, e não pretendo fazer isso tão cedo. Mas vou trazer dois grandes erros aqui pra dar um exemplo. Um deles é que os robôs fazem muito barulho quando estão andando. Mas quando o personagem não está vendo, os passos são completamente silenciosos! Galera, ou o bicho faz barulho quando anda, ou não. Não dá pra ser os dois.

Outro erro é num momento onde robôs são acionados remotamente, e, do nada, aparece um robô em cima do carro. Em cima do carro, em movimento! E o pior é que esse erro dava pra ser consertado numa revisão de roteiro. O carro não é da personagem, ela pegou o carro que estava lá. Era só ter um enfeite em cima do carro…

Five Nights At Freddy’s 2 é cheio de jumpscares ruins. Todos são baseados em som alto, nenhum tem uma construção de roteiro. Jumpscare de barulho só assusta quem não está prestando atenção no filme. Agora, assustar o filme não assusta. E como é direcionado ao público adolescente, não tem nenhuma cena violenta. Todas as mortes acontecem fora da tela.

Sobre os animatrônicos, trago o mesmo elogio e a mesma crítica do filme anterior. O elogio é que são bonecos reais, em vez de cgi – mais uma vez chamaram a empresa do Jim Henson, criador dos Muppets. Muito melhor ter bonecos reais do que algo feito por computador. Agora, o problema é que são bonecos que não assustam ninguém. Repito o que escrevi dois anos atrás: “O filme parte do princípio de que as pessoas têm medo dos robôs, mas, você precisa fazer alguma coisa com esse robô pra ele virar assustador. É que nem um palhaço. Um palhaço não é assustador, mas pode virar assustador dependendo de como você apresentá-lo.

No elenco, os três principais, Josh Hutcherson, Piper Rubio e Elizabeth Lail repetem os personagens sem carisma e sem graça do primeiro filme. Matthew Lillard aparece em algumas cenas de sonho (lembrei de outro furo de roteiro, a personagem diz “não tenho medo de você” – e logo depois foge, com medo). Wayne Knight faz um alívio cômico sem graça (como sempre faz), e que destoa completamente do resto do filme. Além disso, tem duas participações que heu queria destacar. Skeet Ulrich (que estava em Pânico com Matthew Lillard), aparece em uma única cena, mas está tão diferente que nem reconheci. E Mckenna Grace, jovem com grande currículo no terror, é desperdiçada em apenas duas sequências.

Como falei, FNAF tem seu público. E Five Nights At Freddy’s 2 termina com gancho pro terceiro, além de uma cena pós créditos só pra fãs. Ou seja, teremos mais FNAFs…

Pluribus

Pluribus

Sinopse (imdb): Em um mundo onde a felicidade domina, uma mulher amarga e pessimista se torna a última esperança para restaurar o equilíbrio emocional da humanidade.

Heu ia falar de um filme em cartaz, como faço quase sempre aqui. Mas estou meio obcecado pela série Pluribus. Então resolvi hoje comentar alguns pensamentos ligados à série.

A primeira temporada de Pluribus terá nove episódios. Já saíram os seis primeiros. O ideal seria aguardar a temporada acabar pra falar de tudo, mas tenho dois motivos pra comentar logo. Um deles é porque deve acabar no Natal, e fim de ano devo estar preso nas minhas listas de melhores e piores do ano. Mas o principal motivo é que esse formato de série misteriosa muitas vezes não conclui nada e termina a temporada com um gancho pra novos mistérios. E, sinceramente, estou meio de saco cheio desse formato. Ou seja, grandes chances do final de temporada ser decepcionante. Então é melhor falar logo. Mas, dependendo do final, posso fazer outro vídeo no início de 2026 comentando a temporada completa.

Sobre spoilers: só vou falar da premissa básica da série. Não trarei altos spoilers sobre a trama, porque na verdade o que me fascina são detalhes sobre o conceito apresentado pela série, não exatamente sobre o desenrolar da trama.

Digo mais: não vou entrar em teorias. Deve ter um monte de teorias pela internet tentando explicar o mistério da série. Mas não li nenhuma, e na verdade nem quero ler. Prefiro aguardar o que cada episódio me apresentar.

Vamos à série. Spoilers leves sobre o argumento.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Pluribus é a nova série de Vince Gilligan, criador de Breaking Bad e Better Call Saul, e mostra um mundo onde um vírus alienígena “assimila” quase toda a população. Mais ou menos como nos clássicos de ficção científica da época da Guerra Fria, tipo Invasores de Corpos, todos perdem a personalidade. Mas em vez de ficarem apáticos, todos passam a ser amistosos e gentis. E todos compartilham o mesmo conhecimento – o que um sabe, todos sabem. Quase toda a população – porque doze pessoas espalhadas pelo planeta estão imunes ao vírus. Mas os “assimilados” tratam muito bem essas doze pessoas, realizando quaisquer desejos. Carol, a rabugenta e mal humorada protagonista, desconfia do que está por trás dos simpáticos humanos contaminados.

(Pra quem estiver curioso, “Pluribus” é uma palavra em latim que significa “para muitos”.)

Sim, a série se baseia num grande mistério: qual é o real objetivo dos alienígenas que mandaram o vírus? O que vai acontecer com a raça humana? E é por isso meu grande pé atrás com a série. Como falei, tem toda a cara do nono episódio terminar com um grande gancho e sem explicar nada…

Mas não estou me ligando na solução do mistério. Pluribus me conquistou porque me fez pensar em dois aspectos conceituais. São ideias lançadas pela série que passam boa parte do dia “morando na minha cabeça”.

A primeira ideia é sobre a consciência coletiva, ou, em inglês, “hive consciousness” (consciência de colmeia). Trata-se de um conceito de inteligência compartilhada onde os indivíduos atuam como partes de um todo unificado, inspirando-se em insetos sociais como abelhas e formigas. Lembro de um filme de Star Trek, acho que foi em 1996, que falou sobre essa ideia, citando que os Borgs seriam assim. Mas não me lembro de Star Trek ter desenvolvido direito esse conceito. E desde aquele filme sempre pensei que um grupo antagonista assim seria quase impossível de se combater – se um indivíduo descobre uma fraqueza sua, automaticamente todos os outros também sabem sobre essa fraqueza. E desde aquele filme estava aguardando alguma obra audiovisual usando isso. Não me lembro de nenhum filme ou série que soube explorar direito esse conceito – até agora.

A outra ideia que pulula na minha cabeça é a que cada um dos doze “não assimilados” tem poderes quase ilimitados. Porque os assimilados se esforçam para fazer de tudo para agradar cada um deles. Imagina se você é um desses doze? Sua vida não vai nunca mais ser como era antes. Pra começar, você não precisa trabalhar ou estudar, afinal, tudo o que você desejar estará à sua disposição. Você pode morar onde quiser, sem precisar pagar. Escolha qualquer comida que você queira, vão lhe trazer. Quer viajar pra qualquer lugar do mundo? Só escolher o destino. (No meu caso, não ia mais fazer vídeos pra cá pro youtube, porque não ia ter gente assistindo. Aliás, não teríamos novos filmes…)

Seria uma vida de multimilionário, num planeta sem guerras e sem violência. Mas, com um agravante: todos os seus amigos e familiares viraram “robôs felizes”. Nunca mais você terá uma companhia genuína de uma pessoa genuína.

(Imagine os prós e contras: você pode namorar uma famosa estrela de Hollywood ou uma grande supermodelo. Mas seus filhos e seus pais saberão exatamente o que você está fazendo…)

Voltando à série, claro que quero saber a conclusão do mistério. Mas só esses pensamentos sobre o conceito da série já valeram pra mim. Gostei muito, se tivesse um top 10 de séries aqui no heuvi, Pluribus certamente entraria nos primeiros lugares.

Morra, Amor

Crítica – Morra, Amor

Sinopse (imdb): Em uma área rural remota e esquecida, uma mãe luta para manter sua sanidade enquanto luta contra a psicose.

Em 2017, comentei no heuvi sobre o filme Você Nunca Esteve Realmente Aqui, dirigido pela Lynne Ramsey. Escrevi que o filme “mostra um bom trabalho do ator Joaquin Phoenix num filme que não é grandes coisas. Oito anos depois, novo filme dirigido pela Lynne Ramsey, Morra Amor, posso dizer que “mostra um bom trabalho da atriz Jennifer Lawrence num filme que não é grandes coisas”.

Novo filme escrito e dirigido por Lynne Ramsey (mais conhecida por Precisamos Falar Sobre o Kevin), Morra Amor (Die My Love, no original) segue por esse caminho. Uma grande atuação da Jennifer Lawrence, que deve ser indicada pra prêmios; uma boa atuação do Robert Pattinson, mas num roteiro fraco, cheio de simbolismos vazios. Resumindo, um filme bem chato.

Ao fim da sessão, achei que o filme falava de uma pessoa desequilibrada. Mas depois li que na verdade é sobre depressão pós parto. No filme, acompanhamos Grace, que de vez em quando tem uns surtos. Claro, prato cheio para a Jennifer Lawrence se soltar.

(Em alguns momentos, aparece um motociclista misterioso, personagem do Lakeith Stanfield. Um dos poucos elogios que consigo fazer ao filme é o lance de não deixar claro se é um personagem real ou fruto da imaginação de Grace. Na minha interpretação, ele não existe, afinal ele não interage com mais ninguém no elenco.)

Mas tudo é muito arrastado, muito chato, cenas se repetem – perdi a conta de quantas vezes a Jennifer Lawrence engatinha pelo cenário… Além disso, tenho quase certeza que existe um erro na edição, porque Grace aparece grávida depois do filho nascer. Heu precisaria rever pra ter certeza, mas tive a impressão de ter visto esse erro quase amador.

Enfim, só se salva o elenco. Além dos três citados, Morra, Amor ainda tem Sissy Spacek e Nick Nolte. Pode até valer um Oscar, mas, como cinema, deixa a desejar.