Nimona

Crítica – Nimona

Sinopse (imdb): Nimona é a única pessoa que pode ajudar o cavaleiro Ballister Blackheart a provar sua inocência quando ele é acusado de um crime que não cometeu.

Nimona era um projeto da Blue Sky. Quando a Disney comprou a Blue Sky, Nimona foi um dos vários projetos cancelados – segundo o imdb, já tinha 70% finalizado! O motivo do cancelamento não foi divulgado, pode ter sido apenas um “não queremos esse projeto”. Mas, como o protagonista é gay, claro que todos desconfiam ser este o motivo.

E aí que está a genialidade de Nimona. A orientação sexual do personagem tem zero importância para a trama. Por outro lado, o filme usa a personagem título pra falar de preconceito e aceitação. Mas, a sociedade rejeita a personagem porque ela é diferente – no caso, é um monstro, não tem nada de orientação sexual no conflito apresentado no filme. Me lembrei de A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas, outro filme que levanta a discussão mas sem levantar a bandeira.

Polêmicas à parte, o que mais gostei em Nimona foi da personagem título, agitada, anarquista, engraçada, irônica, maluquinha e muito, muito carismática. A personagem é sensacional! Um amigo comentou que ela é meio punk, no sentido literal: ela é contra o sistema e contra tudo o que está por aí!

A Nimona é uma metamorfa, e com isso ela é responsável por várias sequências excelentes. Tem uma cena onde ela vira um dragão e imita uma propaganda de cereal que é genial em mais de uma camada: a trilha sonora ao fundo é Tra La La Song, do seriado Banana Split – mesma música usada em uma sequência parecida em Kick Ass, estrelado por Chloe-Grace Moretz (que faz a voz da Nimona).

Outra coisa bem legal é o visual. Antes do filme rola um prólogo que se passa num passado distante. Aí, mil anos depois, continua tudo meio medieval, mas, ao mesmo tempo, tudo tecnológico, com smartphones e carros voadores. Taí, não me lembro de outro filme ou desenho que conseguiu misturar tudo assim e criar uma sociedade ao mesmo tempo medieval e tecnológica.

Vi o filme com meu filho, ele preferiu ver dublado. Ok, a dublagem é boa, mas deu pena de não ouvir as vozes de Chloe-Grace Moretz e Riz Ahmed, que dublam os principais no original.

Tive um certo problema com a cena final, acho que não deveria acontecer daquele jeito, mas não apaga a boa experiência que o filme proporcionou. Deve ter continuação. Que mantenham a qualidade!

O Assassino

Crítica – O Assassino

Sinopse (imdb): Um assassino começa a colapsar psicologicamente enquanto começa a desenvolver uma consciência, mesmo enquanto seus clientes continuam a solicitar seus serviços.

Dirigido por David Fincher, O Assassino (The Killer, no original) não é um filme de assassino profissional como tantos outros por aí. Temos menos ação e mais momentos reflexivos dentro da cabeça do protagonista. Se por um lado isso deixa o filme um pouco lento (e, reconheço, meio chato às vezes), por outro lado sempre apoio filmes diferentes do óbvio.

O início do filme é muito bom, o protagonista está pronto para cometer um assassinato como sniper, coisa que a gente já viu em dezenas de outros filmes. Mas, o alvo ainda não estava no local. Quanto tempo um sniper precisa ficar esperando pelo tiro perfeito? E o que ele faz enquanto esse momento não acontece? O foco do filme é a rotina do assassino, e não o ato em si!

Agora, precisamos reconhecer que o resto do filme não acompanha esse ritmo. Ele tem tarefas para cumprir e vai seguindo de tarefa em tarefa, e o filme fica meio monótono. Acho que, do resto do filme, a única parte que merece destaque é uma violentíssima luta que acontece mais perto do final.

Ter um nome como Fincher na direção garante a qualidade pelo menos na parte técnica. Se às vezes O Assassino é chato, pelo menos é muito bem filmado. Mas, comparando com outros títulos do diretor (como Seven, O Clube da Luta e Garota Exemplar), na minha humilde opinião O Assassino fica um degrau abaixo.

Um filme nesse formato não funcionaria sem um grande ator no papel principal. E Michael Fassbender está ótimo como o cara metódico e detalhista. Pena que mais ninguém no elenco tem espaço pra desenvolvimento de personagem. Do resto do elenco, a única que tem algum espaço, mesmo que pouco, é Tilda Swinton. O elenco ainda tem um nome que interessaria ao público brasileiro, Sophie Charlotte, mas, diferente da Bruna Marquezine protagonista em Besouro Azul, Sophie quase não aparece aqui.

Enfim, mesmo sendo um filme “menor”, O Assassino ainda tem mais qualidade do que boa parte do que é despejado no streaming. Mas baixe suas expectativas!

Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes

Crítica – Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes

Sinopse (imdb): Anos antes de se tornar o tirânico Presidente de Panem, Coriolanus Snow, aos 18 anos, vê uma chance de mudança de sorte quando é escolhido para ser mentor de Lucy Gray Baird, uma garota tributo do empobrecido Distrito 12.

Antes de tudo, preciso avisar que não sou um fã da franquia Jogos Vorazes. Vi todos os filmes, não são filmes ruins, mas reconheço que tenho uma certa implicância porque acho plágio do trash japonês Battle Royale. Enfim, achei que a franquia tinha acabado, foram quatro filmes entre 2012 e 2015. Mas, olha lá, tem espaço pra um prequel.

Dirigido por Francis Lawrence (que dirigiu três dos quatro filmes da franquia, e que não é parente da Jennifer), Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes (The Hunger Games: The Ballad of Songbirds & Snakes, no original) se passa 64 anos antes do primeiro filme, e mostra a juventude de Coriolanus Snow, que nos filmes anteriores é vivido por Donald Sutherland. O problema é que Snow é um vilão. Você pode até fazer um filme mostrando a origem de um vilão, mas precisa fazer um trabalho bem feito, porque é mais difícil para o espectador se identificar com um personagem malvado. E achei que aqui o trabalho não foi bem feito, não consigo visualizar pessoas torcendo pelo Snow a partir de agora.

Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes tem duas horas e trinta e sete minutos. É dividido em três partes: antes, durante e depois dos jogos. As partes antes e durante parecem uma coisa só é duram aproximadamente uma hora e trinta e sete; a hora final do filme, com o pós jogo, muda completamente o tom e parece um novo filme. Com isso, trago uma boa e uma má notícias. A má é que essa hora final é bem inferior, além de ter várias coisas que não fazem sentido. Mas pelo menos tem uma boa notícia: eles poderiam ter esticado um pouco e ter feito dois filmes. A gente teria que pagar um segundo ingresso para uma continuação bem fuen.

A parte final tem alguns momentos musicais. Acredito que a ideia era tentar concorrer ao Oscar de melhor canção. Ok, pode até ser. Mas, precisava de mais de uma música? Ficou bem chato.

Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes tem outro problema. Pela classificação indicativa, optaram em não mostrar sangue. O que é bizarro é que o tema do filme já é muito forte: jovens entrando numa arena para duelar até a morte. Fiquei me questionando sobre a lógica dessa classificação indicativa: não pode mostrar sangue, mas pode mostrar a galera se matando…

O elenco é ok. Tom Blyth é o protagonista; Rachel Zegler aqui não está dentro de uma polêmica. Viola Davis e Peter Dinklage estão ótimos como sempre. Também no elenco, Jason Schwartzman, Fionnula Flanagan, Hunter Schafer e Burn Gorman.

Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes não chega a ser ruim, acredito que vai ter gente que vai curtir nos cinemas. Mas, na minha humilde opinião, seria um filme muito melhor se 1- cortasse a hora final; e 2- usasse mais violência durante os jogos. Do jeito que ficou é apenas mais um filme esquecível.

As Marvels

Crítica – As Marvels

Sinopse (imdb): Quando os poderes de Carol Danvers, a Capitã Marvel, se entrelaçam aos de Kamala Khan, a Ms. Marvel, e aos de Monica Rambeau, atual astronauta da S.A.B.E.R., elas precisam aprender a trabalhar em conjunto para salvar o universo.

A expectativa para o novo filme da Marvel era zero. Não só tinha um monte de gente falando mal mesmo antes do filme estrear, como As Marvels (The Marvels, no original) não teve sessão de imprensa, sessão que acontece alguns dias antes da estreia para jornalistas, críticos e criadores de conteúdo, com o objetivo de ajudar a divulgar quando o filme estrear. Se a produção acha que não vai ter nenhum retorno, não faz a sessão – e aconteceu isso com As Marvels (pelo menos no Rio).

Dito isso, posso dizer que não é um grande filme, não é um filme para listar entre os melhores da Marvel. Mas também não é tão ruim assim. Vamulá.

Antes do filme, existe um problema que não é exclusivo deste filme, mas sim um problema da Marvel de um modo geral hoje em dia. Depois de 25 anos de filmes e séries, é difícil você fazer um filme independente. O novo lançamento sempre depende de outras coisas, o espectador tem que ter visto outros filmes e outras séries para conseguir pegar todos os detalhes. Sempre critiquei isso, e preciso continuar coerente comigo mesmo – são filmes que precisam de um “manual de instruções”. As Marvels é continuação de Capitã Marvel, mas também continuação da série Miss Marvel, e também continuação da série WandaVision. Se você não acompanhou o filme e as duas séries, talvez se sinta perdido.

Dirigido por Nia DaCosta, que fez o fraco reboot de Candyman, As Marvels era pra ser o segundo filme da Capitã Marvel, mas Carol Denvers divide o protagonismo com Monica Rambeau e Kamala Khan. As três protagonistas eventualmente trocam de lugar quando usam seus poderes e isso acaba gerando algumas cenas bem legais, com boas coreografias. Mas, por outro lado, temos algumas “roteirices” porque às vezes elas trocam de lugar, outras vezes não – ou seja, o que define essa troca é o que o roteiro está pedindo.

Ouvi críticas com relação a uma sequência onde elas vão para um planeta onde todo mundo só fala cantando, mas heu achei essa ideia muito boa. Entendo que, como gosto de musicais, tenho uma certa facilidade para aceitar uma ideia dessas. Parece um momento Bollywood, tudo muito colorido, com músicas, danças e coreografias. Minha única crítica a esse momento Bollywood é que a produção do filme pareceu tímida, e a sequência é curtinha. Se você vai usar uma ideia absurda, abrace o absurdo! Assuma a galhofa! Pareceu que o filme não queria “se sujar”.

Por outro lado, achei que a cena dos gatos não ficou legal. Era para ser talvez uma piada, mas eu achei que ficou tosco. Ficou mal explicado, mal desenvolvido, não funcionou.

Sobre o elenco: Brie Larson está ok. Ela não é uma pessoa simpática, tampouco uma personagem simpática, mas ela funciona dentro do que a proposta do filme pede. Teyonah Parris (Monica Rambeau) também não é nada demais, mas também funciona para o que o filme pede. Agora, admito que gostei da Iman Vellani (Kamala Khan). A jovem (21 anos) paquistanesa sempre se assumiu muito fã do MCU, e isso passa para a personagem: vemos que ela está muito feliz fazendo o filme. Atriz e personagem são muito fãs, e isso funciona muito bem na tela. Samuel L. Jackson não está bem, o personagem Nick Fury já foi legal, hoje em dia é uma caricatura do que já foi, em Invasão Secreta estava tão ruim quanto. A vilã interpretada por Zawe Ashton (esposa de Tom Hiddleston, o Loki) também não é boa. A Marvel tem alguns vilões muito bons e outros que não são. E a vilã aqui, Dar-Benn, está no segundo grupo.

As Marvels tem uma cena final que parece cena pós créditos, e uma cena no meio dos créditos. As duas são ganchos para possíveis caminhos futuros da Marvel, e as duas são empolgantes!

When Evil Lurks / Cuando Acecha la Maldad

When Evil Lurks / Cuando Acecha la Maldad

Sinopse (imdb): Em uma cidade remota, dois irmãos encontram um homem infectado pelo diabo prestes a dar à luz a própria doença. Eles decidem se livrar do homem, mas só conseguem espalhar o caos.

O mercado cinematográfico é injusto. Tivemos um grande lançamento nos cinemas, O Exorcista: O Devoto, que é um filme bem ruim. Pouco depois a gente teve um outro lançamento, mais discreto, Nefarious, que é um filme ok, mas não é nada demais. E agora a gente tem um terceiro filme que usa o tema “possessão demoníaca”, mais uma vez sob um ponto de vista diferente, When Evil Lurks ou Cuando Acecha la Maldad, muito melhor do que os outros dois, mas sem previsão de chegar às salas de cinema.

Filme argentino, When Evil Lurks é uma produção da Shudder, serviço de streaming focado em títulos de terror. O roteiro e a direção são de Demián Rugna, que uns anos atrás fez Aterrorizados, filme que nem sabia que existia e agora preciso ver.

When Evil Lurks fala de possessão demoníaca, mas de um jeito diferente, a possessão aqui se mistura com uma espécie de contágio. O filme se passa num universo diferente do nosso, onde existem possessões e também existem regras para lidar com isso. O filme é tenso, bem filmado, bem atuado, traz gore na quantidade certa, e tem algumas cenas realmente perturbadoras. Não é perfeito, mas é um dos melhores filmes de terror do ano.

Um pequeno parágrafo para falar de jump scares. A tradução literal seria um “susto que te faz dar um pulo”. Isso acontece muito em filmes de terror, mas normalmente são feitos de um modo meio previsível, você já consegue imaginar como é que aquele susto vai aparecer – ou seja, tem o susto, mas não faz pular o espectador experiente. O jump scare bem feito é aquele que você não consegue prever, e isso acontece aqui algumas vezes. Claro, não vou dizer quando acontecem, mas, tem duas cenas envolvendo animais que realmente me fizeram dar um pulo na poltrona.

Tem uma sequência no meio do filme, quando o cara vai encontrar sua ex-mulher, que é uma sequência muito boa com um jump scare sensacional (talvez o melhor jump scare do ano até agora). Mas é uma sequência que acho que fugiu um pouco a regra proposta pelo filme. Como talvez seja spoiler, vamos aos avisos de spoiler.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

O filme deixa claro que este é um mundo onde existem possessões, existem até regras que devem ser seguidas quando se encontra um possuído. Mas quando o protagonista vai até a casa da ex, as pessoas (incluindo policiais) não levam a sério essas regras, agem como se fosse um mundo normal.

FIM DOS SPOILERS!

Não sei se curti muito a parte final, mas mesmo assim recomendo When Evil Lurks para qualquer um que goste de um bom filme de terror diferente do óbvio.

Nefarious

Crítica – Nefarious

Sinopse (imdb): No dia de sua execução, um assassino em série passa por uma avaliação psiquiátrica na qual ele afirma ser um demônio, e ainda alega que antes de seu tempo acabar, o psiquiatra cometerá três assassinatos.

Pouco depois do lançamento do decepcionante O Exorcista: O Devoto, chega um novo filme que usa o tema da possessão demoníaca, mas sob um ponto de vista bem diferente. Sabe quando uma FC é “cientificamente correta”? Então, a proposta aqui é fazer uma possessão “teologicamente correta”.

Dirigido pela dupla Chuck Konzelman e Cary Solomon, Nefarious traz um prisioneiro, no corredor da morte, que precisa ser avaliado psicologicamente para saber se está são ou louco. Se estiver são, será executado; se estiver louco será transferido para outro tipo de presídio. Quase todo o filme se passa em uma sala, onde os dois conversam. Sim, quase todo o filme é um diálogo entre um prisioneiro supostamente possuído e um psiquiatra ateu.

Ou seja, esqueça maquiagens fortes, corpos distorcidos e fluidos corporais coloridos. Aliás, tem gente achando que Nefarious é terror, mas está mais pro suspense. O demônio aqui fica só no papo. E mesmo assim, o filme consegue ser envolvente, mérito de um roteiro bem escrito e de pelo menos um bom ator.

Sean Patrick Flanery é um ator com dezenas de filmes no currículo, mas nenhum grande papel, nunca tinha conseguido chamar a atenção. Mas aqui ele está realmente impressionante, com um vasto repertório de tiques enquanto está possuído, e ainda consegue se mostrar bem diferente quando está “na outra personalidade”. Seu companheiro de tela, Jordan Belfi, não está mal, faz apenas o feijão com arroz.

Nefarious é uma produção assumidamente cristã, então claro que temos mensagens religiosas. Nada contra, mas acho que o filme seria mais rico se tivesse um ponto de vista oposto mais bem elaborado. O psiquiatra se diz ateu mas cai muito fácil no papo religioso.

Não gostei da parte final. Depois de boa parte do filme dentro da cadeia, o filme tem um epílogo, e achei esse epílogo longo demais. Nada que estrague a experiência, mas podia ser bem mais sucinto.

Por fim, um breve comentário sobre a polêmica. Assim como aconteceu com Som da Liberdade, existe uma polêmica em volta de Nefarious. Mas, assim como aconteceu com Som da Liberdade, a polêmica não tem a ver exatamente com o filme, mas com quem o fez. E o meu leitor sabe que prefiro comentar a obra e não o autor da obra. Por isso que não vou comentar. Mas posso dizer que dentro do filme não tem motivo para polêmica.

A Chamada

9 tosqueiras em A Chamada

Sinopse (imdb): Um executivo se prepara para levar os filhos na escola. Ao ligar o carro, ele recebe uma ligação anônima informando que há uma bomba embaixo do seu assento e não poderão sair do carro.

Dirigido por Nimród Antal (Predadores), A Chamada (Retribution, no original) é a refilmagem de El Desconocido, filme espanhol de 2015, e que já teve uma versão alemã e uma sul coreana. Não vi nenhum dos três antecessores, não posso comparar. Mas posso dizer que este aqui parece ser apenas mais um filme genérico do Liam Neeson. Pelo menos esse deve ter sido fácil de filmar, ele fica no carro quase todo o filme.

Dois terços do filme são um filme genérico meia boca. Mas, no terço final, vira um genérico ruim. Então, em vez de comentar “mais um genérico do Liam Neeson”, que tal comentar uma lista de coisas que não fazem sentido?

Claro, spoilers liberados a partir de agora!

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

– Começo pelo tradicional erro de casting. Liam Neeson tem 71 anos. Está em boa forma, mas, tem 71 anos. Embeth Davidtz tem 58. E os atores que interpretam os filhos têm 15 e 18 anos. A idade parece ser incompatível. É impossível? Não, inclusive o casal pode ter adotado. Mas, ficou estranha essa diferença de idade tão grande.

– Aos 16 minutos de filme, Liam Neeson descobre que tem uma bomba debaixo do seu banco e para o carro. A primeira coisa que qualquer um faria seria mandar os filhos saírem! Depois você descobre se a bomba é real ou não, primeiro libera os filhos!

– O carro do personagem do Matthew Modine explode. Depois descobrimos que ele é o vilão e que está vivo. Não existe investigação policial pra descobrir que não tinha nenhum cadáver no carro e colocar Modine entre os suspeitos?

– Ainda sobre esta cena. Liam Neeson está conversando ao mesmo tempo com o Matthew Modine e com o vilão, que depois descobrimos que são a mesma pessoa. Só que ele fala com cada um através de um celular diferente. Modine mostra como consegue alterar entre a voz normal e a voz do vilão, mas não tinha como alterar entre dois celulares diferentes.

– Tem uma cena onde o personagem está cercado por dezenas de policiais. E o filme mostra – mais de uma vez – que existe pelo menos um sniper apontando para ele. No momento em que ele arrancasse com o carro, o sniper ia atirar. A policial que estava negociando só disse pra suspenderem as armas depois que ele partiu.

– O cara está cercado por dezenas de policiais. Aí consegue escapar – com o carro sem portas! Dezenas de carros de polícia estão seguindo. Mas, do nada, eles param a perseguição. Wait, what?

– Ele vai para uma manifestação, cheia de policiais, com o carro sem portas. Depois estaciona o carro em um local aberto e fica longos minutos parado conversando com o antagonista. Cadê os policiais? Deu a hora deles e eles resolveram ir pra casa?

– A gente passa o filme inteiro ouvindo que a bomba é ativada pelo peso do Liam Neeson. Que, se ele levantar, a bomba explode. Aí o carro fica de lado. O peso dele estaria no cinto de segurança, não no banco! Por que a bomba não explodiu?

– Por fim, a cena onde ele salta do carro pra bomba explodir é fisicamente impossível. E mesmo que ele caísse em linha reta, a explosão ia pegá-lo, antes no filme a gente vê um carro explodindo e pegando uma pessoa que tentou escapar.

Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim

Crítica – Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim

Sinopse (imdb): Mike Schmidt é um jovem contratado para trabalhar como o vigia noturno do antigo restaurante familiar Freddy Fazbear’s Pizza, um lugar famoso por seus característicos robôs animatrônicos que, quando chega a noite, se transformam em assassinos.

Heu tenho um filho de 14 anos que joga Five Nights at Freddy’s, o “FNAF”. Desde o início do ano ele está empolgado com a adaptação para o cinema. Ele tava tão empolgado que o levei ele na sessão de imprensa. E posso dizer que depois da sessão ele, como fã do jogo, gostou do filme. E heu, como fã de cinema, não gostei.

Antes de tudo, preciso falar que eu nunca joguei o jogo, tudo que são informações que o meu filho falou. Mas sempre defendo que qualquer adaptação, não só de jogos, deveria ser algo independente da obra original. Não gosto de filme que precisa de “manual de instruções”.

A ideia era promissora: um guarda-noturno que tem que enfrentar robôs animatrônicos assombrados por almas de crianças. Isso podia dar um bom filme de terror. Mas… O diretor resolveu focar no problema pessoal do protagonista, que teve o irmão foi sequestrado quando ele era criança. Boa parte do filme fica repetindo a história do sequestro do irmão. Essa história até tem a ver com o fim do filme, só que não é algo tão essencial. Se você tirar essa subtrama do irmão sequestrado, o filme não perde nada. Ou seja, a gente perde um tempão para uma história que não era necessária. E, pra piorar: o espectador entra no cinema pra ver um filme de terror, era melhor dedicar mais tempo com os animatrônicos do mal do que com o drama do protagonista.

Existe outro problema básico: os animatrônicos, a princípio, não são criaturas assustadoras. O filme parte do princípio de que as pessoas têm medo dos robôs, mas, você precisa fazer alguma coisa com esse robô pra ele virar assustador. É que nem um palhaço. Um palhaço não é assustador, mas pode virar assustador dependendo de como você apresentá-lo. Aqui em Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim as pessoas têm medo dos robôs. Mas não, eles não são assustadores.

Dito isso, preciso elogiar o fato de que tinham robôs animatrônicos no set. O mais fácil seria fazer tudo em cgi, mas chamaram a Jim Henson Company para a confecção dos robôs. Não sei se algum robô é cgi (provavelmente é), mas boa parte eram robôs reais. Boa sacada!

Teve uma coisa que me incomodou na parte final, que é não saber se o vilão é algo sobrenatural ou algo humano. Porque existem os animatrônicos sobrenaturais, mas também existe um vilão humano. Péra aí, ou o seu vilão é algo sobrenatural, ou o seu vilão é um cara maluco, humano. Ter os dois ao mesmo tempo não faz muito sentido. Meu filho falou que o jogo tem uma explicação sobre isso. Se a adaptação fosse bem feita, você teria uma linha no roteiro explicando, mas no filme não tem nada disso, ou seja, ficou tosco.

Outro problema é que o filme é direcionado ao público infanto-juvenil, então eles seguraram a mão nas cenas violentas. Entendo a opção comercial, mas precisamos reconhecer que o filme perdeu com isso.

Ainda preciso falar de furos no roteiro. Sem spoilers, prestem atenção na tia do protagonista. Esqueceram dela no fim do filme!!!

O elenco não está bem. Josh Hutcherson faz o protagonista que só pensa no irmão e não nos animatrônicos do mal. Elizabeth Lail faz a “mocinha”, mas, ou ela é bem fraca, ou ela estava passando por uma fase ruim. A menina Piper Rubio não atrapalha, mas é uma criança sem sal. E o filme tem dois nomes “grandes”: Matthew Lillard e Mary Stuart Masterson, que estão no limite da caricatura.

Dito tudo isso, reconheço que a ambientação na pizzaria abandonada é bem legal. E o filme tem alguns jump scares aqui e ali – nenhum muito bom, mas vão divertir a galera. E repito: gostei de ter animatrônicos de verdade no set. Pena que é muito pouco. Five Nights At Freddy’s tem uma hora e cinquenta onde quase tudo decepciona.

Por fim, depois da sessão me falaram de outro filme, Willy’s Wonderland, de 2021, estrelado pelo Nicolas Cage, que seria uma “versão não oficial” do jogo FNAF. Não vi Willy’s Wonderland, vou catar pra ver se é melhor.

Dezesseis Facadas

Crítica – Dezesseis Facadas

Sinopse (imdb): Quando o infame “Sweet Sixteen Killer” retorna 35 anos após sua primeira onda de assassinatos para fazer outra vítima, Jamie, de 17 anos, acidentalmente viaja de volta no tempo para 1987, determinada a deter o assassino.

Sei que estou atrasado. Segundo o imdb, Dezesseis Facadas (Totally Killer, no original) estreou no Amazon Prime no dia 06 de outubro. Mas heu estava focado no Festival do Rio, então deixei esse filme pra depois.

Acabado o Festival, vi Dezesseis Facadas e posso dizer: achei muito divertido!

É um slasher com viagem no tempo. Parece uma mistura de De Volta Para o Futuro com Pânico (ambos os filmes são citados aqui). Aliás, a gente tem que se lembrar que Pânico é slasher mas também tem um “whodunit” na trama, diferente de slashers como Halloween e Sexta Feira 13, onde todos sabem quem e o assassino. Dezesseis Facadas também é slasher com whodunit.

Sim, o clima lembra A Morte te Dá Parabéns, outro slasher que usa viagem no tempo, a diferença é que aqui a personagem volta para o passado e naquele a personagem cai num loop temporal. E olha que curioso, escrevi algumas frases sobre A Morte te Dá Parabéns que servem para Dezesseis Facadas: “Não tem nada de novidade aqui: um pouco de Feitiço do Tempo, um pouco de Pânico, um pouco de Meninas Malvadas, um monte de clichês. Mas a mistura “deu liga”, e o filme consegue o que se propõe: ser uma boa diversão. A Morte te dá Parabéns pega aquele monte de clichês e coloca tudo num formato bem humorado. Em momento algum o filme se leva a sério, e isso é muito bom.” Tirando a citação a Feitiço do Tempo, tudo se encaixa aqui.

Teve gente comparando Dezesseis Facadas com Terror nos Bastidores. Mas só o pontapé inicial é igual. Dezesseis Facadas é sobre uma adolescente que usa uma máquina do tempo para voltar no tempo e impedir o assassinato de sua mãe, desmascarando o assassino; Terror nos Bastidores é sobre um grupo de amigas que são sugadas para um filme de terror dos anos 1980, estrelado pela mãe de uma delas.

Uma das coisas mais divertidas em Dezesseis Facadas são os choques de comportamento por causa de mudanças na sociedade. Para uma jovem de 17 anos de 2023, muitas coisas de 1987 não são mais aceitáveis, como por exemplo uma camisa com uma piadinha machista (ela fala “essa camisa é completamente inapropriada!”); ou quando ela é colocada no time de queimado na aula de educação física – sim, a educação física era muito mais violenta naquela época.

Ok, a ideia da máquina de viagem no tempo deixa espaço pra forçações no roteiro. Concordo. Não podemos ver Dezesseis Facadas como um filme “cientificamente correto”. Mas, pelo menos precisamos reconhecer que o roteiro consegue deixar a história fluida e sem grandes furos. E gostei de como explicam a viagem no tempo aqui, derrubando a “teoria McFly” de que se seus pais não ficarem juntos você desaparece.

Um parágrafo pra listar algumas referências. A protagonista se chama Jamie Hughes – Jamie é homenagem a Jamie Lee Curtis; Hughes é homenagem a John Hughes, diretor de Gatinhas e Gatões e Clube dos Cinco, ambos estrelados por Molly Ringwald (citada mais de uma vez no filme). Aliás, a escola se chama Vernon High School – Richard Vernon era o professor em Clube dos Cinco. A máscara do assassino é uma mistura de Max Headroom (sem os óculos) e Billy Idol. Jamie usa o sobrenome Lafleur quando volta ao passado; em Lost, Sawyer usou o pseudônimo Jim Lafleur quando voltou no tempo. Por fim, uma referência mais obscura: o grupo das “meninas malvadas” aqui são as “Mollys”. No filme Atração Mortal, de 1988, existe um grupo semelhante, as “Heathers”.

Gostei do elenco. A protagonista é Kiernan Shipka, mais conhecida pela série Sabrina (que heu nunca vi). Julie Bowen, conhecida por Modern Family, faz a mãe dela. O resto do elenco tem vários nomes desconhecidos (pelo menos pra mim), mas uma coisa que preciso reconhecer é que encontraram atores e atrizes bem parecidos pra interpretarem os mesmos personagens nas duas linhas temporais.

“Ah, mas não gosto de filme que recicla ideia repetida”. Ok, passe pro próximo. Já disse aqui antes e repito: se for bem feito, não me incomodo com ideias recicladas.

Priscilla

Crítica – Priscilla

Sinopse (Festival do Rio): Quando a adolescente Priscilla Beaulieu conhece Elvis Presley em uma festa, o homem que é uma estrela meteórica do rock se torna alguém totalmente inesperado em momentos íntimos: uma paixão vibrante, um aliado na solidão, um melhor amigo vulnerável. Através dos olhos de Priscilla, Sofia Coppola revela outro lado do grande mito americano no longo namoro e casamento turbulento de Elvis e Priscilla. De uma base do exército na Alemanha à propriedade dos sonhos em Graceland, um retrato profundo e encantadoramente detalhado do amor, fantasia e fama.

Em 2022 vimos um filme do Baz Luhrman sobre o Elvis Presley. E agora, um ano depois, temos um filme da Sofia Coppola sobre a Priscilla Presley. Ok, heu entendo que a proposta da Sofia Coppola é completamente diferente da proposta do Baz Luhrman, um filme não quer competir com o outro. Mas Sofia deu azar porque o filme dela é bem insosso, e o filme do Baz está na memória recente. Todos vão se lembrar, e a comparação será inevitável.

Baseado no livro “Elvis e Eu”, escrito pela própria Priscila Presley, Priscilla tem seus méritos: é um filme bonito, a reconstituição de época é muito bem feita, a protagonista está bem. Mas tem um problema básico: é um filme chato. Heu saí da sala de cinema pensando – a Priscila Presley ficou casada com o Elvis durante anos, será que as melhores histórias que ela tinha para contar são essas? Será que não tinham coisas mais legais para ela apresentar? Ok, eu entendo que o principal objetivo do filme não era contar histórias legais, e sim mostrar como ela vivia uma relação abusiva. Priscilla vivia uma vida de rica, mas não tinha liberdade nenhuma – até seu guarda roupa era controlado pelo Elvis. Mas, mesmo assim, fico me perguntando se não tinha um jeito melhor de se contar essa história.

Priscilla segue então essa rotina de mostrar como a Priscilla Presley levava uma vida infeliz ao lado do Elvis. Um filme correto, mas um filme bobo. Chato e bobo.

Priscilla ainda tem outro problema: eles não conseguiram a liberação para usar as músicas do Elvis Presley. Ou seja, é o filme onde o Elvis é um dos personagens principais, mas não pode usar nenhuma música dele.

Teve um detalhe que me impressionou, que não tem a ver com o filme, mas sim com a história. Heu não sabia que quando o Elvis começou a sair com a Priscilla, ele tinha 24 e ela tinha 14 anos. Talvez isso fosse mais comum na época (Jerry Lee Lewis se casou com a prima de 13 anos), mas hoje em dia, 2023, isso soa muito estranho.

No elenco, Cailee Spaeny (Círculo de Fogo) está muito bem no papel título – é uma das poucas coisas elogiáveis no filme. Já o Elvis de Jacob Elordi dividiu opiniões na sessão de imprensa. Ouvi muitas comparações com o Austin Butler (do filme do Baz Luhrman)…

Por fim, uma curiosidade: Sofia Coppola é prima do Nicolas Cage, que foi casado com Lisa Marie Presley, filha da Priscilla. Tudo em família!

Esse ano vi nove filmes no Festival do Rio. Priscilla é o oitavo texto que publico aqui. Heu não pretendo escrever sobre o nono filme, uma comédia sul-coreana chamada Cobweb, que mostra os bastidores de uma filmagem. O filme é divertido, mas heu acredito que ninguém vai ver esse filme. Acho que talvez seja melhor pular esse e voltar para a programação normal, já tenho essa semana filmes do streaming e do cinema para comentar. Então fica aqui o meu pedido de desculpas para quem viu Cobweb, mas não vou comentar aqui.