Guerra dos Mundos 2025

Crítica – Guerra dos Mundos 2025

Sinopse (imdb): Uma jornada fictícia com elementos realistas, que explora questões contemporâneas sobre privacidade e vigilância.

Com atraso de cinco anos, chegou na Prime uma nova versão da conhecida história Guerra dos Mundos, escrita por HG Wells em 1898.

Guerra dos Mundos (War of the Worlds, no original) foi filmado em 2020, no meio da pandemia. Os atores não interagem presencialmente, o filme é todo online, através de uma tela de computador, num formato chamado “screenlife”. Um dos produtores é Timur Bekmambetov, que já produziu alguns bons filmes no estilo, como Unfriended (2014), Buscando (2018) e Desaparecida (2023). O filme se passa todo na tela de um computador, o espectador fica acompanhando diferentes abas de navegadores e de redes sociais, além de aplicativos de comunicação como Skype e Messenger. O problema é que – diferente desses três exemplos que citei, não souberam desenvolver a proposta aqui.

A direção é de Rich Lee, que tem uma longa carreira em videoclipes, e que está estreando no cinema. E o resultado foi bem ruim. Os efeitos especiais não são bons, mas isso até nem me incomodou muito. Porque tem tanta coisa pior…

Guerra dos Mundos até começa bem. Heu diria que os primeiros 20 minutos, quando mostra a invasão alienígena, até são bons. O problema é quando começam as reações de defesa dos personagens. O filme toma vários caminhos que não fazem o menor sentido. Começo por um básico: se os aliens estão atacando toda a tecnologia terrestre, como é que o cara continua com acesso à Internet e a vários gadgets, como câmeras e drones?

Tudo é tão absurdo que em determinado momento aparece uma propaganda da Amazon, num dos piores exemplos de product placement da história recente. Detalhe: se o prédio é tão vigiado que cara não pode entrar com um pendrive, como é que um drone consegue facilmente entrar pela janela?

Conforme o filme se aproxima do final, os absurdos são cada vez maiores, a ponto de um dos personagens conseguir acertar os tripods alienígenas com mísseis. De onde vieram esses mísseis? Será que não era uma boa pensar em soluções menos absurdas?

O elenco também não funciona. Durante a maior parte do tempo a gente fica vendo o Ice Cube, que não tem carisma pra sustentar um filme desses. O elenco de apoio também não está bem, com Eva Longoria, Clark Gregg, Iman Benson e Henry Hunter Hall.

Guerra dos Mundos está na Amazon Prime. Fujam!

A Hora do Mal

Crítica – A Hora do Mal

Sinopse (imdb): Um épico de terror de várias histórias inter-relacionadas sobre o desaparecimento de estudantes da mesma sala de aula em uma pequena cidade.

Já falei aqui diversas vezes: fiquem de olho no diretor do filme, porque muitas vezes pode ser um bom indicativo do que virá pela frente. Lembro quando vi Barbarian / Noites Brutais, primeiro filme escrito e dirigido pelo então desconhecido (pelo menos pra mim) Zach Cregger. Barbarian é daquele tipo de roteiro que é bem diferente do padrão, que realmente surpreende o espectador. Gosto de ver filmes diferentes, então guardei o nome do cara. (Acompanhante Perfeita foi vendido aqui no Brasil com o nome do Zach Cregger no poster, mas ele só era produtor naquele filme.)

(Um parágrafo fora do filme para falar de roteiro. Existe uma “fórmula” usada em Hollywood por 90% dos filmes. Tem um livro muito famoso escrito por Syd Field, O Manual do Roteiro, onde ele explica: mais ou menos meia hora pra apresentar e ambientar a trama e os personagens. Aí acontece um ponto de virada, e a trama anda em outra direção. Mais ou menos meia hora antes do fim, outro ponto de virada que vai apontar a trama para a conclusão. Essa fórmula é muito usada. Não tem nada a ver com a qualidade, um filme bom pode ou não usar a fórmula Syd Field. Mas heu particularmente gosto quando um filme larga a fórmula e segue por caminhos diferentes. E os dois roteiros do Zach Cregger até agora não usam essa fórmula. (Parênteses dentro do parênteses: no livro do Syd Field tem um capítulo que ficou completamente desatualizado, que é quando ele sugere comprar um computador pra escrever o roteiro, porque você tem que reescrever várias vezes, então dá muito trabalho pra reescrever tudo em máquina de escrever…))

Aí apareceu este A Hora do Mal (Weapons, no original), novo filme escrito e dirigido por ele. E mais uma vez um roteiro fora do óbvio. Legal! E melhor ainda: um filmão!

(Parênteses pra falar dos nomes. No original, não entendi por que “weapons”, ou “armas”. Já em português, parece um filme da espantomania dos anos 80, que veio depois de A Hora do Espanto, A Hora do Pesadelo, A Hora do Lobisomem, A Hora da Zona Morta…)

É complicado comentar um filme desses, porque não quero dar spoilers, e acho que você vai ter uma experiência melhor se entrar no cinema sem saber muita coisa. Então, muito por alto: em uma pequena cidade, 17 crianças fogem de casa no meio da madrugada e desaparecem. A partir daí, a história se desenrola sob pontos de vista diferentes. E o roteiro, de maneira inteligente, vai jogando elementos aqui e ali para preencher o quebra cabeças, mas sempre deixando algumas peças de fora, até a parte final, onde finalmente entendemos o que aconteceu.

Mais uma vez, Zach Cregger consegue criar um ótimo clima de tensão ao longo do filme inteiro. O cara sabe posicionar e movimentar sua câmera – em algumas sequências a câmera passeia pelos cenários e o espectador fica tenso na beirada da poltrona! Fiquei envolvido pela trama, e o artifício de mudar o ponto de vista fluiu perfeitamente. O filme é longo, pouco mais de duas horas, e não cansou.

A Hora do Mal não é um “terror de jump scare”, é mais um filme de clima e mistério. Mas tem um ou dois jump scares muito bem construídos! A trilha sonora, que fica boa parte do filme só na percussão, e que também sabe usar o silêncio, também é muito boa e ajuda na construção do clima.

O elenco é bom, e gostei como alguns personagens secundários viram protagonistas dependendo do ponto de vista – me lembrei de Shortcuts, do Robert Altman. Como o filme muda de ponto de vista, o protagonismo é dividido entre Julia Garner, Josh Brolin, Alden Ehrenreich, Benedict Wong e Amy Madigan, todos estão bem (e não comento mais detalhes pra evitar spoilers).

Depois da sessão de imprensa ouvi gente falando mal da parte final. Realmente, A Hora do Mal muda um pouco de tom nessa conclusão da história, e o final do filme gerou gargalhadas no cinema. Mas, não digo por outras pessoas, digo por mim: gostei da mudança.

A Hora do Mal deve estar aqui na minha lista de melhores do ano, não vejo a hora de rever. E agora aguardo o novo projeto do Zach Cregger – seja lá o que for, quero ver!

Drácula: Uma História de Amor Eterno

Crítica – Drácula: Uma História de Amor Eterno

Sinopse (imdb): Após a morte de sua esposa, um príncipe do século XV renuncia a Deus e se torna um vampiro. Séculos depois, na Londres do século XIX, ele vê uma mulher parecida com sua falecida esposa e a persegue, selando seu próprio destino.

Ué, já tem filme novo do Luc Besson em cartaz?

Antes de entrar no filme, um comentário sobre a carreira do diretor Luc Besson. Lembro na época da faculdade, um amigo falava que certos artistas alcançam o “estágio Roberto Carlos”. É quando o cara tem várias obras boas no início da carreira, mas depois faz tanta coisa de qualidade duvidosa que sua fase ruim supera a fase boa. Às vezes me questiono se Besson chegou a esse estágio… Afinal, o início da sua carreira é fantástico: Subway, Imensidão Azul, Nikita, O Profissional, O Quinto Elemento… Mas a qualidade foi caindo, e já tem uns anos que ele não acerta (June e John, Dogman, Anna, Valerian…)

Aliás, achei curioso lembrar que um mês e meio atrás chegou no circuito outro filme dirigido por Besson, June e John, um filme com uma produção muito menor. Vejam bem, não vou entrar no mérito de se o filme é bom ou ruim, estou comentando sobre ser uma produção infinitamente mais simples. June e John tem poucos atores, poucos cenários, se passa nos dias de hoje, não precisava de muitas “mirabolâncias”. É uma produção que pode ter sido filmada em uma ou duas semanas. Já Drácula é muito mais complexo, superprodução, filme de época, muitos cenários, muitos figurinos, muitos efeitos especiais…

Drácula: Uma História de Amor Eterno (Dracula: A Love Tale, no original) começa muito bem. Toda a parte inicial, antes do Vlad Dracul virar o famoso vampiro, é muito bem feita, incluindo uma sangrenta batalha. Inclusive algumas cenas parecem ctrl c ctrl v da versão mais famosa, o Drácula do Coppola, de 1992. O problema é que lá pro meio do filme o roteiro começa a dar umas viajadas…

O roteiro foi escrito pelo próprio Besson, em cima do livro original do Bram Stoker. Nunca li o livro, mas já vi algumas versões cinematográficas. E posso dizer que este Drácula: Uma História de Amor Eterno tem algumas coisas que heu nunca tinha ouvido falar. Além disso, não traz alguns elementos clássicos – cadê o Van Helsing?

Por outro lado, Besson é um cara experiente e sabe filmar, isso é inegável. Drácula: Uma História de Amor Eterno traz várias imagens belíssimas. Também gostei da trilha sonora do Danny Elfman – em alguns momentos, nem parece o estilo do Elfman, parece mais a trilha da versão do Coppola. Ele fez como o Michael Giacchino às vezes faz, trabalhou em cima de temas já existentes. De qualquer maneira, o resultado ficou bom, gostei de como ele mistura música diegética e não diegética – a música diegética é o que os personagens estão ouvindo; a não diegética é a trilha que só o espectador ouve.

No elenco, o destaque é para Christoph Waltz, que parece que está se divertindo muito com o seu padre que parece uma mistura de personagens clássicos. Já Caleb Landry Jones, o personagem título, às vezes está monocórdico, mas não atrapalha.

Heu gostei do filme, mas tem uma coisa no roteiro que, se a gente parar pra pensar, não faz muito sentido. O cara passa 400 anos atrás de um objetivo. Aí, quando finalmente consegue, desiste? Podia curtir aquele momento por alguns anos antes de desistir, né?

Depois da sessão de imprensa, ouvi gente comentando que essa era uma “versão romântica da história do Drácula”. Pô, galera, o poster do filme de 1992 tinha “Love never dies”, “o amor nunca morre”. Pelo menos pra mim, Drácula sempre foi uma história romântica!

No fim, Drácula: Uma História de Amor Eterno deve desagradar os mais puristas. Mas por outro lado, traz um resultado bem mais palatável do que o Nosferatu lançado na virada do ano. Pra mim, o que mais gostei é que é o melhor filme do Luc Besson em um bom tempo!

Confinado

Crítica – Confinado

Sinopse (imdb): Um ladrão que arromba um carro de luxo percebe que caiu em um sofisticado jogo de terror psicológico.

E vamos para um filme hollywoodiano que é refilmagem de um brasileiro! Bem, mais ou menos. Confinado (Locked, no original) é refilmagem do brasileiro A Jaula, que por sua vez é refilmagem do argentino 4×4. Ou seja, na verdade o argentino é que é o original.

Dirigido por David Yarovesky (Brightburn), Confinado conta a mesma história dos dois filmes anteriores: um ladrão arromba um carro de luxo, mas acaba preso dentro do veículo, porque o dono fez uma armadilha. Quase todo o filme se passa dentro do carro, com diálogos pelo telefone entre o ladrão e o dono do carro.

Quando A Jaula foi lançado, vi também o 4×4. Os dois filmes são muito parecidos. Já Confinado tem o mesmo começo, mas o terço final é um pouco diferente, porque nos outros filmes o carro está o tempo todo estacionado, e aqui o veículo é autônomo e, em determinado momento, sai do estacionamento, criando umas cenas de perseguição que inexistiam nas outras versões.

Confinado é semelhante aos outros dois, tanto no ponto positivo quanto no negativo. Os filmes conseguem criar um bom clima no cenário restrito do interior do carro, usando criatividade em ângulos e posicionamentos de câmera. Por outro lado, os três filmes começam bem, levantam bons questionamentos sociais, mas se perdem na parte final. Os dois personagens, tanto o ladrão quanto o dono do carro, são seres detestáveis, nenhum espectador vai se identificar com eles. Mas, assim como nos filmes latino americanos, Confinado não traz uma boa conclusão para as questões levantadas.

O que se salva são os dois atores principais. Bill Skarsgard aos poucos vai construindo um ótimo currículo, e está muito bem aqui, o que é essencial, já que quase todo o filme é em cima dele sozinho no carro. E Anthony Hopkins dispensa comentários, ele é bom até quando está mal – o que acontece depois que ele aparece em pessoa (sim, era melhor só ao telefone).

Vale pra quem não viu nenhum dos dois anteriores. Ou para fãs dos dois atores. Mas não espere muita coisa.

O Ritual

Crítica – O Ritual

Sinopse (imdb): Dois padres, um questionando sua fé e outro contando com um passado conturbado, onde devem deixar de lado suas diferenças para salvar uma jovem possuída através de uma sequência difícil e perigosa de exorcismos.

Filme novo de exorcismo, vai entrar no circuito, tem ator bom no elenco… E é ruim com força!

Heu tinha expectativa zero para O Ritual (The Ritual, no original), e mesmo assim o resultado decepcionou. A trama se arrasta acompanhando vários rituais de exorcismo – todos iguais. Não existe nada de criativo na tela, só os mesmos clichês “cansados” de sempre. Sons gururais e vômito não amedrontam mais ninguém!

O Ritual não assusta, em momento nenhum. Causa mais sono do que medo. Digo mais: o diretor David Midell resolveu usar uma câmera na mão, trêmula, com uns closes repentinos. Acho que ele deve ter pensado que isso daria uma tensão maior, mas na verdade toda hora lembrava The Office. E se um filme de terror lembra The Office, é porque errou feio, errou rude.

Ok, tem o Al Pacino. Por ele, O Ritual não ganha nota zero. Ele traz alguma graça ao seu personagem de padre exorcista (ele já teve experiência no outro lado, né? Foi o diabo em Advogado do Diabo). O personagem dele é bom. Pena que é o único elogio possível aqui.

Porque todo o resto do filme é desnecessário. Forte candidato à lista de piores do ano aqui no heuvi.

Faça Ela Voltar

Crítica – Faça Ela Voltar

Sinopse (imdb): Um irmão e uma irmã descobrem um ritual aterrorizante na casa isolada de sua nova mãe adotiva.

Às vezes tenho a impressão de que alguns realizadores querem ser lembrados por terem produzido imagens fortes, com o objetivo de chocar. Como Irreversível e Saló, dois filmes que têm suas qualidades cinematográficas, mas que as pessoas sempre se lembram por causa das cenas chocantes. E me parece que os irmãos Danny e Michael Philippou queriam entrar nesse caminho com seu novo filme, Faça Ela Voltar / Bring Her Back.

Um casal de adolescentes perde o pai de forma traumática e vão para um lar adotivo, onde já existe um menino mais novo muito estranho. Claro que coisas sinistras vão acontecer.

O melhor de Bring Her Back é o elenco. Todos os quatro principais nomes estão muito bem. Sally Hawkings (A Forma da Água), a única conhecida, manda bem com uma personagem complexa, porque ela precisa parecer acolhedora e ao mesmo tempo assustadora. Os três jovens, Billy Barratt, Sora Wong e Jonah Wren Phillips, também estão muito bem. Curiosidade: Sora Wong tinha “zero experiência” como atriz profissional antes de ser escalada para o filme. Sua mãe encontrou um anúncio de elenco no Facebook procurando por uma garota com deficiência visual, e levou sua filha, que nasceu com a visão limitada. E preciso falar que o menino Jonah Wren Phillips é assustador, fiquei até preocupado com o ator, mas, segundo o imdb, o garoto se divertiu durante a produção do filme. Mas ainda quero vê-lo em outro papel!

Os irmãos Philippou já tinham mostrado talento no seu filme anterior, Fale comigo, e aqui confirmam que sabem criar um bom clima tenso. Bring Her Back tem um bom ritmo e deixa o espectador angustiado. Mas aí vem o problema que me atingiu: algumas cenas desnecessariamente fortes demais. Eles já tinham mostrado uma cena um pouco mais violenta que a média no seu primeiro filme, quando um personagem bate a cabeça violentamente numa mesa. Bring Her Back tem umas três ou quatro cenas desse tipo, que embrulham o estômago e fazem o espectador passar mal. Não vou falar spoilers, mas uma delas, em particular, traz uma faca em uma criança. Não é pelo filme, é por mim, não me sinto bem com imagens envolvendo violência em crianças. Acho que o filme seria ainda mais forte se não mostrasse, apenas sugerisse, mas, como falei no início do texto, parece que os irmãos querem entrar pra essa lista de filmes com imagens desconfortáveis. Bem, posso dizer por mim: entendo a proposta, mas não gosto.

Além disso, não gostei dos vídeos em VHS que são assistidos pela protagonista. Mesmo sem entender o que está acontecendo nos vídeos, a gente consegue entender o propósito. Mas achei que podiam ser melhor desenvolvidos.

Bring Her Back é um bom filme, vai ter muita gente elogiando, mas o filme me perdeu quando resolveu apelar pra tal cena supracitada. Reconheço os méritos, mas não recomendo o filme.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Crítica – Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Sinopse (imdb): Forçados a equilibrar seus papéis como heróis e a força dos laços familiares, o Quarteto Fantástico deve defender a Terra de um deus espacial voraz chamado Galactus e sua enigmática arauta, a Surfista Prateada.

Estreou o aguardado Quarteto Fantástico!

Uma breve atualização pra quem está por fora. Este ano seriam três filmes da Marvel. O primeiro, Capitão América Admirável Mundo Novo, foi o que se esperava: um filme pra “cumprir tabela” – não é ruim, não é bom, é apenas mais um filme genérico e esquecível. Depois veio a surpresa com Thunderbolts, um filme que ninguém esperava nada, mas que surpreendeu positivamente a maior parte do público. Mas os fãs aguardavam o terceiro, este novo Quarteto Fantástico, que prometia ser o ponto de partida para uma nova fase da Marvel.

(As HQs do Quarteto Fantástico sempre foram da Marvel, mas por razões contratuais os personagens não faziam parte dos filmes do Universo Cinematográfico da Marvel, o MCU. Foram feitos quatro filmes antes: em 1994 (filme que nem chegou a ser lançado oficialmente), os dois mais famosos, com Jessica Alba e Chris Evans, em 2005 e 2007, e mais uma tentativa em 2015. Nenhum dos quatro é bom.)

O Quarteto tem um fã clube muito grande, mas, como sempre, meu texto será para o “leigo”. Claro que conheço os personagens, mas nunca li os quadrinhos, então meus comentários serão só pensando no cinema.

Dirigido por Matt Shakman, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (The Fantastic Four: First Steps, no original) se passa em uma realidade alternativa, não é no mesmo universo que estamos (e onde está todo o MCU). E preciso dizer que todo o conceito criado para retratar essa realidade é o melhor do filme. Todos os cenários e figurinos têm um visual retro-futurista, tudo parece anos 60, e ao mesmo tempo tudo é muito tecnológico. Esse visual do filme é fantástico! A trilha sonora de Michael Giacchino também é muito boa.

Vale dizer que este é um “filme de origem” mas, assim como aconteceu no recente Superman, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos não perde tempo contando a mesma história que já vimos várias vezes, de como eles ganharam seus super poderes. Logo no início tem um filminho tipo documentário contando o que o espectador leigo precisa saber. Só achei que faltou uma linha de diálogo explicando sobre as roupas. Porque a Mulher Invisível tem roupas que ficam invisíveis, assim como o Tocha Humana tem roupas que não pegam fogo. Podiam comentar algo sobre isso.

(Aliás, uma dúvida que heu sempre tive: Sr. Fantástico, Mulher Invisível e Tocha Humana usam seus poderes e depois voltam à forma anterior. Por que o Coisa continua sendo Coisa? (Ok, uma explicação fácil pode ser “cada um teve o DNA alterado de uma forma diferente”, mas, sempre achei que faltou uma satisfação para o espectador…))

Agora, o visual é bonito, mas por outro lado, a história não empolga. Em vários outros filmes de super heróis a gente fica envolvido, torcendo e sofrendo, mas aqui isso não acontece. Além disso, achei que podia mostrar mais o Quarteto em ação, cada um usando seus poderes e mostrando como a equipe trabalha junta, a gente só vê isso na cena final.

Rolou uma polêmica sobre a mudança de gênero do Surfista Prateado – aqui é uma surfista. Não sei do personagem pelos quadrinhos, mas posso dizer que, pelo filme, tem muita lógica ser uma mulher. Digo mais, tem mais lógica ser mulher do que se fosse homem.

Agora, preciso dizer que não entendo o personagem Galactus. Os leitores adoram, dizem que é um dos melhores vilões, mas nunca consegui ver graça. Porque dizem “ele come planetas!”, mas, galera, se um ser tem tamanho suficiente pra comer um planeta, é muito desproporcional ter um personagem desses interagindo com humanos. Seria tipo um micróbio comprar briga com um humano. Não dá pra colocar no mesmo plano personagens de tamanho tão diferentes. Mas aí, quando o Galactus aparece no filme, ele é grande, mas do tamanho de um edifício. Ok, dá pra interagir. Mas, um ser do tamanho de um edifício consegue comer um planeta? Sei lá. Nos quadrinhos o Galactus deve ser um vilão melhor construído. Aqui não me convenceu.

O elenco é ok. O onipresente Pedro Pascal lidera o grupo, ao lado de Vanessa Kirby, Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach. Gostei da Julia Garner como a Surfista Prateada, e Ralph Ineson faz a voz do Galactus (escolha perfeita, a voz dele é muito boa para um papel assim). Ah, tem um robô, mas é um personagem esquecível.

Claro que veremos esses personagens no MCU que a gente já conhece. A cena pós créditos de Thunderbolts dá uma pista do que pode acontecer. E são personagens que podem agregar. Mas, nesse filme, não empolgaram. Thunderbolts teve um resultado melhor.

Por fim, é Marvel. São duas cenas pós-créditos, uma depois dos créditos principais, outra lá no fim de tudo.

Rosario

Crítica – Rosario

Sinopse (imdb): Rosario passa a noite com o corpo de sua avó enquanto espera a ambulância chegar. Durante uma forte nevasca, Rosario é atacada por entidades sobrenaturais que tomaram controle do corpo dela.

Quando um filme de terror é bom, ele é bom. Quando um filme de terror é ruim, ele também pode ser bom. Agora, quando o filme de terror é só genérico, ele não é bom. Ele é chato.

Dirigido pelo estreante em longas Felipe Vargas, Rosario tem uma protagonista que lida com uma maldição, pelo que entendi, ligada a Palo, religião da sua falecida avó. O problema é que é só isso de história, não tem material suficiente pra fazer um longa-metragem. Rosario tem menos de uma hora e meia e consegue ser arrastado. Poderia talvez ser um bom curta, mas acabou sendo um longa chato, onde nada acontece.

Provavelmente por questões orçamentárias, boa parte do filme só tem um cenário e uma atriz. A personagem fica perambulando pelo apartamento da avó, tentando descobrir informações sobre a maldição. Dá pra fazer um filme inteiro com uma atriz em um cenário? Até dá, mas precisa trabalhar um pouco mais esse roteiro!

Quando a gente está vendo um filme bom, às vezes pode até relevar algumas coisas, mas quando o filme é ruim, essas coisas pesam um pouco mais. Em Rosario teve um detalhe que me incomodou bastante. A protagonista está bisbilhotando as coisas da avó, e acha uma espécie de altar, com alguns pratos com oferendas para a tal religião Palo. Dentre essas oferendas, vemos um potinho com dentes e outro com um absorvente usado. E a personagem pergunta “São meus dentes? É o meu absorvente?” Por que ela iria pensar que aqueles dentes e aquele absorvente eram dela? São dentes, e é um absorvente – qualquer pessoa no mundo ia dizer “eca que nojo”; ela, em vez de dizer isso, falou “ora, é o meu absorvente!” De onde veio essa conclusão???

No elenco, Emeraude Toubia é o nome que está na tela por quase todo o filme. Pena que ela não tem carisma suficiente, então não consegue transformar Rosario num bom programa. José Zuñiga e David Dastmalchian têm papéis menores.

Rosario já está disponível há meses “por meios alternativos”, mas vai estrear no circuito em agosto… Acho que deveriam ter lançado mais cedo, tudo indica que será um fracasso de bilheteria.

Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (2025)

Crítica – Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (2025)

Sinopse (imdb): Um grupo de amigos é aterrorizado por um perseguidor que sabe de um incidente horrível do passado deles.

Antes de tudo, preciso reclamar do título do filme. Já existe um “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado” lançado em 1997. Se este é outro filme, deveria ter outro nome. Lançar uma continuação com o mesmo nome é uma ideia péssima! Pânico 5 tem o mesmo problema, o nome em inglês é igual ao primeiro filme, “Scream”. O mesmo aconteceu com o prequel de O Enigma de Outro Mundo, são dois filmes chamados “The Thing”. Galera, se o nome já foi usado, que tal colocar um nome diferente, ou então um número? Por que não chamar este de “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado 4”?

Enfim, vamos ao filme. Uma onda recente em Hollywood é o “requel”, mistura de “reboot” com “sequel”. É um filme feito muito tempo depois do primeiro filme, com elenco novo que pode começar uma nova franquia, mas que traz elementos do original. Vimos isso em Pânico, Halloween, Caça Fantasmas, Karate Kid e até Star Wars. Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (I Know What You Did Last Summer, no original) é mais um exemplo de requel.

(Lembrando que Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado era um “sub Pânico”, ambos foram escritos por Kevin Williamson. Só que Pânico, lançado um ano antes, é bem melhor.)

A história é parecida com o primeiro filme, um grupo de jovens se envolve em um acidente, mas resolvem não contar pra ninguém, até que um ano depois começam a receber ameaças, e logo depois assassinatos começam a acontecer.

Mas este novo filme já erra na premissa inicial. Porque no filme de 1997, o grupo atropela uma pessoa, e em vez de prestar socorro, levam o atropelado para ser jogado no mar. Detalhe: o cara ainda estava vivo! No novo filme, eles estão no meio da rua, um carro desvia e bate – não foi necessariamente culpa de ninguém, foi um acidente. E eles ainda tentam ajudar! Você pode até dizer que o grupo de 2025 estava errado, mas numa proporção infinitamente menor que o de 1997!

Mas, ok, o filme segue. Slasher besta, algumas mortes aqui e ali, nada muito gráfico. Temos participações especiais de membros do elenco antigo, revemos alguns cenários do outro filme, nada demais, mas também nada que seja muito ruim. Rola até uma boa piada com o personagem mais famoso do currículo do Freddie Prinze Jr. Até que a parte final resolve inventar uma virada de roteiro que azeda todo o filme. Como é um spoiler gigante, só vou comentar no fim do texto.

Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado tem outro problema: as “final girls”, Madelyn Cline (Glass Onion) e Chase Sui Wonders (Morte Morte Morte), não têm muito carisma, o que dificulta o espectador a torcer por elas. O filme ainda traz alguns jump scares aqui e ali, mas nada digno de nota.

Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado estava se encaminhando para ser mais um filme genérico pra se ver num fim de semana no shopping e depois ser esquecido, até o tal plot twist final. Vamos a ele então.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Ray Bronson, o personagem do Freddie Prinze Jr, sobrevivente do filme original, é o assassino. Galera, aquele cara, por tudo o que passou, NUNCA seria o assassino! Forçaram a barra e estragaram o filme!

FIM DOS SPOILERS!

Tem uma cena pós créditos, um gancho pra continuação, ligando com o segundo filme da série, Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, de 1998. Ou seja, vem continuação por aí.

The Old Guard 2

Crítica – The Old Guard 2

Sinopse (imdb): Andy e sua equipe de guerreiros imortais estão de volta para enfrentar um novo inimigo terrível, que ameaça a existência da humanidade.

Lembro do primeiro The Old Guard, lançado em 2020, no auge da pandemia. Achei um bom filme, parecia uma releitura de Highlander, uma história usando guerreiros imortais que lutam juntos há séculos. Cinco anos depois, chega na Netflix uma continuação, dirigida pela estreante no cinema Victoria Mahoney. Infelizmente, bem inferior ao primeiro filme.

The Old Guard 2 não é bom, mas também não é um lixo total. Gostei de algumas sequências de ação. Algumas lutas trazem boas coreografias. Ok, reconheço que algumas são bem artificiais, como aquela onde Andy e Quynh lutam pela primeira vez, e a Quynh dá umas piruetas completamente falsas. Mas mesmo artificial, é uma luta bonita, me lembrei de O Tigre e o Dragão, lutas artificiais e mesmo assim mostrando um bom resultado. E The Old Guard 2 teve pelo menos um momento muito bom: pouco antes dessa luta, quando Andy está andando por um beco, a cenografia mostra parte da sua história através dos séculos. Essa cena é realmente muito boa!

Agora, precisamos reconhecer que os pontos negativos superam os positivos. Uma das coisas que mais me dava raiva na série Lost era quando algum personagem descobria algum mistério e não compartilhava com os outros. Mas era uma série de mistério, e além disso, um personagem não necessariamente confiava no outro. Aqui em The Old Guard 2, os personagens confiam uns nos outros. Então se algum personagem soubesse algo muito importante, ele compartilharia. E em determinado momento do filme, um personagem descobre uma informação que pode mudar radicalmente o modo como os personagens lidam com a imortalidade. Como é que isso não vai ser dividido com os companheiros?

Junte a isso umas coisas que não fazem o menor sentido, como por exemplo, determinada cena, os mocinhos entram armados e encontram inimigos também armados, e todos estão apontando as armas uns para os outros – mas de repente os inimigos largam as armas e alguém fala no rádio “ok, eles preferem lutar corpo a corpo”. Cara, são inimigos, estão armados, eles nunca largariam as armas daquele jeito. E os outros nunca chegariam a uma conclusão dessas conversando por rádio!

E ainda vou falar um mimimi de fanboy: você traz a Uma Thurman para o seu filme, coloca uma espada na mão dela, e não faz uma referência a Kill Bill???

Agora, o pior de tudo, pior do que todos esses problemas, é que The Old Guard 2 é um filme que não tem fim. The Old Guard 2 engana o espectador, você vai até o fim esperando uma conclusão, e no meio da trama – um gancho para, quem sabe, sei lá daqui a quanto tempo, um possível The Old Guard 3 (lembrando que passaram-se cinco anos entre o primeiro e o segundo).

Minha expectativa para o próximo filme está igual à expectativa para mais um Rebel Moon. Zero vontade de ver, torcendo pra não existir, só verei se for pra criar conteúdo.

Fujam do segundo filme, vale mais a pena rever o primeiro.