Shadow Force – Sentença de Morte – 8 Coisas que não Fazem Sentido

8 Coisas que não Fazem Sentido em Shadow Force – Sentença de Morte

Sinopse (imdb): Um casal separado com uma recompensa pairando sobre suas cabeças deve fugir com seu filho para evitar seu ex-chefe e uma unidade de operações secretas que foi enviada para matá-los.

Joe Carnahan não é um grande diretor, mas reconheço que gosto de alguns dos seus filmes, como a versão cinematográfica de Esquadrão Classe A, Smoking Aces e Boss Level. Por isso resolvi ver este Shadow Force – Sentença de Morte.

Não, o filme não é bom. Mas não é um lixo total, algumas coisas se salvam. A cena do assalto ao banco, logo no início, é muito boa, não vemos toda a ação, apenas flashes, só depois vemos o que aconteceu. E gosto do Omar Sy, bom ator, carismático, é agradável vê-lo em tela. Também gostei do garotinho Jahleel Kamara, a cena dele cantando Lionel Ritchie é muito boa.

Mas não tem muito mais o que se falar sobre Shadow Force. Então vou fazer uma lista de coisas que não fazem sentido no filme.

Claro, spoilers liberados a partir de agora.

1- O carro é blindado, é quase um tanque de guerra. Mas alguém dá um tiro no pneu e o carro capota. Sou carioca, aqui tem carros blindados. Fui no Google, aqui no Rio quando blindam o carro tem solução para o pneu!

2- Super carro com super motor – e um caminhão alcança o carro facilmente?

3- Kyra quer matar cinco inimigos. Ela consegue ter os cinco, juntos, sob a mira de uma arma a longa distância. Ela não conseguiria matar os cinco, quando começasse a atirar, eles iam reagir ou fugir. Mas podia pegar uns dois ou três.

4- Kyra marca um encontro com o vilão. Ele sabe que ela vai tentar matá-lo. Ele nunca ia dispensar os seguranças.

5- Kyra da 3 tiros no peito do inimigo. E nenhum na cabeça! Como é que uma assassina profissional não atira na cabeça???

6- No final rola um tiroteio generalizado. Quase todos na sala estão armados e são bons atiradores. Mas neste tiroteio todo, só um é atingido. Como tantos bons atiradores conseguem errar tantos tiros?

7- Não contei quantos, mas o vilão leva alguns tiros nesse tiroteio. E o cara continua inteiro!

8- Furo de roteiro: o agente atira no vilão, acabam as balas. O vilão atira de volta, também acabam as balas. O agente fala: “agora você tem que correr”, mas o vilão não corre. E não vemos mais o agente, só na cena final. Pra onde ele foi? O que ele foi fazer?

Jurassic World: Recomeço

Jurassic World: Recomeço

Sinopse (imdb): Cinco anos após Jurassic World: Domínio (2022), uma expedição desbrava regiões equatoriais isoladas para extrair DNA de três enormes criaturas pré-históricas para um avanço médico inovador.

O que esperar do sétimo filme de uma franquia onde só o primeiro é realmente bom?

Jurassic World: Recomeço (Jurassic World: Rebirth, no original) é mais uma tentativa de reviver uma franquia “cansada”. Tirando o primeiro, Parque dos Dinossauros, que é realmente muito muito bom (além de ser um marco na história dos efeitos especiais no cinema), nenhum dos outros cinco filmes é unânime. E este sétimo filme segue a mesma linha: é apenas mais um.

(Mas preciso ser justo em uma coisa: o sexto filme, Jurassic World: Domínio, é bem mais tosco. Esse sexto filme talvez seja uma unanimidade, mas negativa.)

A direção ficou a cargo de Gareth Edwards, que manja dos paranauês quando o assunto é filme de monstro, ele fez Monstros (2010) e Godzilla (2014). E nesse aspecto, até que tem uns monstros bem feitos aqui – alguns dos dinossauros são mutações genéticas.

Aliás, vou fazer um elogio na premissa inicial. A gente viu seis filmes com as pessoas tentando criar parques com dinossauros, e sempre deu errado. Aí fica a dúvida: pra que insistir? Nisso, Jurassic World: Recomeço tem mais lógica. Passaram alguns anos, e os humanos não dão mais bola para os dinossauros, não existe mais a novidade, os bichos meio que viraram pragas indesejadas. Ao mesmo tempo, os dinossauros não se adaptaram ao novo clima do planeta, e estão morrendo. Os dinossauros que ainda sobrevivem ficam perto da linha do Equador, onde o clima é mais propício para eles. E essa região fica proibida para humanos. Tá, este conceito inicial me convence mais do que a ideia de criar um novo parque.

Podemos fazer outro elogio a algumas cenas de ação. A sequência do barco é boa, emocionante, lembra Tubarão (coincidência ou não, Steven Spielberg é produtor aqui). E na parte final, o monstrão mutante me lembrou o visual do Rancor, de O Retorno de Jedi. A trilha sonora de Alexandre Desplat, que usa alguns temas da clássica trilha do John Williams, também funciona bem.

Agora, como nos filmes anteriores, o roteiro tem suas derrapadas. A gente acompanha uma equipe de mercenários que vai coletar amostras de sangue de dinossauro pra uma empresa farmacêutica. Até aí ok. Mas no meio do caminho, encontram uma família que estava passeando de barco. Oi? A introdução do filme não nos disse que aquela região estava proibida para humanos? Por que diabos aquelas família estava lá?

E o pior é que a família tem personagens horríveis. O pai é péssimo, está o filme inteiro com a mesma cara, e determinado momento ele machuca a perna, e partir daí, ele alterna algumas cenas onde não consegue andar, com outras onde ele anda normalmente. E a menininha também é bem fraca, tanto a atriz quanto a personagem. E como é uma família resgatada de um naufrágio, a gente sabe que nenhum deles vai morrer. Aliás, isso é um problema aqui, a gente já sabe que alguns personagens entraram na trama só pra morrer.

Some-se a isso algumas sequências que não fazem muito sentido. Uma delas tenta emular a clássica cena do primeiro filme, onde os personagens veem os dinossauros pela primeira vez. Aqui é parecido, eles estão num local com mato alto, da altura de um humano em pé. Aí de repente vários dinossauros com a altura de prédios de três andares começam a surgir. Galera, o mato era alto pra esconder um humano, mas não era tão alto assim! E o “dinossauro pet” deve estar lá só pra vender bicho de pelúcia.

Falei mal dos personagens da família desnecessária, mas o filme também tem outros personagens ruins, O vilão do Rupert Friend é caricato ao extremo. Se salvam Scarlett Johansson e Mahershala Ali, não pelos personagens, mas pelo carisma dos atores.

No fim, fica aquela sensação de mais do mesmo. Não é bom, mas também não é ruim, é apenas mais um. E aguardemos, porque o subtítulo “recomeço” indica que teremos mais continuações em breve.

8 Diretores que só fizeram 1 filme bom

8 Diretores que só fizeram 1 filme bom

Sempre digo que quando vemos um filme bom, devemos anotar o nome do diretor, porque são boas as chances do cara ser talentoso e repetir a qualidade num outro filme dele.

Mas nem sempre isso acontece. Hoje vou trazer aqui alguns diretores “one hit wonder” (termo muito usado na música, quando um artista tem um único sucesso).

Pensei em citar o Neill Blomkamp, porque Distrito 9 é muito melhor do que qualquer outro filme que ele fez, e recentemente ele fez Gran Turismo, que é fraco, e Demonic, que é ruim com força. Mas Elysium e Chappie não são tão ruins assim. Também lembrei do Peter Jackson, que não fez nada relevante depois da excelente trilogia Senhor dos Anéis, mas não posso ignorar que antes ele fez Fome Animal, Almas Gêmeas e Os Espíritos. Outro que também não faz nada bom há mais de dez anos é Zack Snyder, mas gosto de seus primeiros filmes, época que ele fez 300, Watchmen e Sucker Punch. Paul W.S. Anderson é parecido, há tempos não faz nada bom, mas, reconheço que gosto de alguns dos seus filmes antigos, como O Enigma do Horizonte, O Soldado do Futuro e o primeiro Resident Evil. E também não tem graça citar diretores ruins que nunca fizeram nenhum filme bom, tipo Uwe Boll ou Tommy Wiseau.

Pra estar nessa lista, precisa ter um grande filme no currículo, e apenas um. O resto tem que ser de sofrível pra baixo.

Vamos à lista?

Irmãos / Irmãs Wachowskis

Matrix é um grande filme. Foi um grande sucesso comercial, e revolucionou os efeitos especiais, além de ter levantado toda uma filosofia de se encarar realidade que é citada até hoje (não existe o “movimento Red Pill”?). Foi o segundo filme deles, antes fizeram Ligadas pelo Desejo, que tem cara de sexta sexy da Band. E depois fizeram Speed Racer, A Viagem, O Destino de Júpiter e as continuações de seu único filme bom, Matrix 2, 3 e 4.

Kurt Wimmer

Kurt Wimmer é mais conhecido como roteirista, escreveu as esquecíveis refilmagens de Vingador do Futuro e Caçadores de Emoção, e mais recentemente escreveu dois dos piores filmes dos últimos anos, Mercenários 4 e The Misfits. Mas esta é uma lista de diretores. Wimmer dirigiu poucos filmes, entre eles, Equilibrium, um filmaço que infelizmente pouca gente conhece. Seus outros filmes como diretor justificam sua presença nesta lista: Ultravioleta, Estado de Choque e a refilmagem de Children of the Corn.

Russell Mulcahy

Russell Mulcahy surgiu no meio audiovisual dirigindo videoclipes de vários artistas, como Duran Duran e Elton John. Estreou no cinema com o quase desconhecido Razorback, mas poucos anos depois dirigiu Highlander. Pena que nunca mais acertou. Ele está na ativa até hoje, mas coleciona filmes ruins no currículo, como Highlander 2, O Sombra, Resident Evil 3 e Escorpião Rei 2.

Tony Kaye

Talvez seja injustiça colocar Tony Kate nesta lista. Ele tem um bom currículo dirigindo videoclipes, inclusive ganhou o Grammy duas vezes. Seu primeiro longa foi A Outra História Americana. Mas se desentendeu com o protagonista Edward Norton durante a edição do filme e acabou sendo colocado “na geladeira”. Kaye só conseguiu dirigir mais dois longas depois, que quase ninguém viu. (p.s.: não confundir com o Tony Kaye homônimo tecladista do Yes!)

Tarsem Singh

Tarsem Singh chamou a atenção em 2000 quando dirigiu A Cela, que era um espetáculo visual. Mas parece que Singh não tinha mais muita coisa para mostrar. Imortais foi fraco, Espelho Espelho Meu foi esquecível, e quase ninguém viu seus outros dois longas, Dublê de Anjo e Sem Retorno.

Richard Schenkman

Richard Schenkman dirigiu um filme que heu acho genial, uma rara ficção científica sem nenhum efeito especial: O Homem da Terra. O texto é genial, e o roteiro traz algumas surpresas. Schenkman dirigiu outros filmes, nenhum relevante – só pra dar um exemplo, dentre eles está o terceiro I Spit on Your Grave.

Robin Hardy

Robin Hardy era escritor, e só dirigiu três filmes. Seu longa de estreia é o incensado O Homem de Palha, de 1973. E ninguém viu seus outros dois, Uma Voz ao Telefone, de 1986, e A Árvore de Palha, de 2011.

James McTeigue

James Mcteigue foi assistente de direção em filmes como Star Wars ep. 2 e trilogia Matrix, até que resolveu estrear na direção com V de Vingança. Depois, fez alguns outros filmes, nenhum relevante, como Ninja Assassino e O Corvo (falando do Edgar Allan Poe).

M3gan 2.0

Crítica – M3gan 2.0

Sinopse (imdb): Dois anos após o incidente M3GAN, Gemma ressuscita sua boneca IA para enfrentar Amelia, um robô militar criado por contratantes que roubaram a tecnologia de M3GAN.

O primeiro M3gan já não foi grandes coisas. Aí anunciaram uma continuação, com o mesmo elenco, o que me parecia ser uma péssima ideia – afinal, no fim do primeiro filme, a boneca tenta assassinar a família e é destruída. Entendo uma corporação gananciosa querer vender uma nova boneca, mas não entendo como a família vai se arriscar de novo. Por causa disso, fui ao cinema com zero expectativas.

E preciso dizer que me diverti. Dirigido pelo mesmo Gerard Johnstone do primeiro filme, M3gan 2.0 não chega a ser exatamente “bom”, mas é muito divertido!

Logo de cara, na sequência inicial, a gente vê uma outra boneca-robô (interpretada por Ivanna Sakhno, que estava em Ahsoka), e ela anda pela parede de uma maneira bem tosca, parecendo um stop motion mal feito, e logo depois a gente vê a sombra dela arrancando a cabeça de um adversário com um soco. Ou seja, o filme está nos dizendo que não é pra levar a sério. Se você entrar nessa onda trash, vai se divertir!

A minha preocupação era que M3gan 2.0 fosse uma cópia mal feita do primeiro M3gan, principalmente pela repetição das duas atrizes principais, Allison Williams e Violet McGraw, cujos personagens não iam querer mais a boneca M3gan. Por isso a boneca entra numa onda Exterminador do Futuro 2 para tentar convencê-las que agora ela está lá para protegê-las. Além disso, o gênero do filme muda, tem pouco terror aqui, M3gan 2.0 está mais para uma ação misturada com ficção científica, além de uma boa dose de humor.

Já que falei de Exterminador do Futuro, queria citar que M3gan 2.0 traz algumas referências bem divertidas. Tem uma citação clara à série Super Máquina, e tem um momento que vemos uma mão andando como em Evil Dead 2 (mas pode ser uma mão inspirada em outro filme). Também tem uma engraçada ligação com os filmes do Steven Seagal. Ah, tem um momento hilário onde a M3gan canta uma música, não sei se a música já existe ou se foi criada para o filme, perguntei para algumas pessoas depois da sessão de imprensa, ninguém reconheceu a música (dei uma googlada, parece que é This Woman’s Work, da Kate Bush, mas não tenho certeza disso).

A cena mais famosa do primeiro filme é uma dancinha tosca. Claro que ia ter dança aqui. E preferi a deste segundo filme. No filme anterior, era uma dança que não tinha nada a ver com o resto da sequência, aqui pelo menos inventaram um concurso de dança.

Agora, precisamos reconhecer que o roteiro tem vários momentos que não não seguem nenhuma lógica. Dava pra fazer uma lista, que vai crescendo conforme o filme se aproxima do final. E aquele plot da IA guardada num cofre há décadas não faz o menor sentido!

Os personagens são todos caricatos. Como falei lá no início, se você entrar na onda trash, vai entender a proposta. Tem um policial do FBI que é tosco tosco tosco, e o vilão, além de ruim, é previsível. E Jemaine Clement abraçou a galhofa e está sensacional com o seu milionário caricato. Claro, nesse espírito, funciona quando a M3gan fala um monte de frases de efeito como “segurem suas pepecas!”.

No fim, saí feliz da sessão, M3gan 2.0 é um filme divertido. Não é bom, ficará longe de listas de recomendações. Mas, quem é somelier de cinema trash vai curtir!

Elio

Crítica – Elio

Sinopse (imdb): Elio, de onze anos, se vê transportado pela galáxia e confundido com o embaixador intergalático do planeta Terra.

Hoje, vai ser um texto curtinho, porque não queria deixar passar um longa da Pixar. Mas, não tenho muito a falar sobre Elio.

Talvez o problema não seja do filme, seja meu. É que a Pixar já fez tantos filmes que são muito elaborados, com camadas, filmes que alcançam tanto as crianças quanto os adultos. E Elio é tão bobinho… Não é ruim, mas definitivamente é um filme infantil demais.

Heu soube que Elio teve vários problemas na produção. Era pra ter sido lançado anos atrás, mas foi adiado – chegou a rolar um trailer em 2023 que apontava para uma história bem diferente da que foi lançada (uma das mudanças é nítida: o protagonista antes não queria ser abduzido, e agora ele até pede para que isso aconteça). O diretor era Adrian Molina, que se desligou do projeto (provavelmente por causa do atraso), e outras duas diretoras assumiram a direção, Domee Shi e Madeline Sharafian (mas os três estão creditados). E oito pessoas assinam o roteiro! Não sei até que ponto isso atrapalhou o resultado final, mas o ponto é que, comparado com outros filmes da Pixar, Elio fica bem abaixo.

O roteiro é extremamente previsível. Qualquer um que já viu outros longas de animação vai saber tudo o que vai acontecer, cada passo dos personagens, inclusive o vilão e sua redenção. E, diferente de outras animações para crianças, Elio não tem muitas piadas. Acho que só ri na cena onde o vilão está praticando tiro ao alvo.

Pelo menos o visual é bem bonito. Quando o garoto chega no “Comuniverso”, vemos vários seres diferentes, de muitas cores diferentes. Neste aspecto o filme é bom. Outra coisa que achei boa nessa parte foi que os outros seres não são necessariamente antropomórficos, característica bem comum em desenhos infantis.

Mas, como falei, achei bobo demais. E meus filhos hoje são adolescentes, eles nem devem querer ver este novo Pixar nos cinemas. Mas, repito, talvez o problema seja meu e não do filme. Se você tiver crianças pequenas para levar ao cinema, pode ser um bom programa.

Por fim, queria falar do 3D. A sessão para a imprensa foi em 3D, e nem me lembro qual tinha sido o meu último filme assim, achei que tinham desistido do recurso. Voltaram com o 3D, e, como quase sempre, foi desnecessário. Acho que só teve uma cena onde o efeito foi bem usado, quando a “câmera” passa ao lado de um satélite. No resto, pareceu só desculpa pra vender ingresso mais caro.

F1: O Filme

Crítica – F1: O Filme

Sinopse (imdb): Um piloto de Fórmula 1 sai da aposentadoria para orientar e formar equipe com um piloto mais jovem.

Três anos atrás, o diretor Joseph Kosinski deu um grande presente aos fãs do “cinemão”: Top Gun Maverick, um “filmão”, com tudo de superlativo que isso pode trazer. O modo como Kosinski filmou aviões foi algo nunca antes visto no cinema. E agora o diretor fez algo parecido, mas com carros de Fórmula 1 em vez de aviões.

(F1: O Filme (F1: The Movie, no original) reúne cinco membros principais da equipe de Top Gun Maverick: o diretor Joseph Kosinski, o produtor Jerry Bruckheimer, o roteirista Ehren Kruger, o diretor de fotografia Claudio Miranda e o compositor Hans Zimmer.)

Já vimos dezenas de bons filmes mostrando corridas de carros, mas nunca com tal realismo. As filmagens ocorreram durante vários fins de semana de Grande Prêmio, nas temporadas de 2023 e 2024. Uma garagem fake foi montada entre as garagens da Mercedes e da Ferrari, de onde os personagens dirigiriam a corrida que vemos no filme. Essa configuração também foi usada em várias etapas europeias da temporada de F1. E o resultado, tecnicamente falando, ficou um absurdo. Recomendo ver no cinema, na maior tela possível!

Heu preciso admitir que não dou bola pra F1. E agora preciso dar a boa notícia: o filme funciona pra quem é noob no assunto, não teve nenhum momento que fiquei me questionando sobre as regras da competição. Agora, acredito que os fãs de F1 vão curtir uma coisa que pra mim não teve significado: por usar o circuito de F1 como pano de fundo, o filme tem cameos de vários pilotos que estão em atividade. Aliás, Lewis Hamilton é um dos produtores do filme.

(O nome do Ayrton Senna é citado três vezes ao longo do filme. Brasil tem moral na F1!)

Inicialmente achei que o roteiro ia ser aquele clichê de sempre, conflito entre o piloto veterano e o novato, dificuldade numa corrida aqui, dificuldade diferente depois, talvez um acidente, e um final apoteótico. Ok, parte disso até acontece, mas, preciso dizer que o roteiro é bem estruturado a ponto de guardar algumas surpresinhas aqui e ali. E adorei as estratégias e “truques sujos” que os personagens usam. Não tenho ideia se são coisas comuns no mundo da F1, mas achei algumas sacadas geniais, de como eles dobram as regras do jogo para ultrapassar as adversidades.

A trilha sonora também é boa, tanto a trilha original do Hans Zimmer quanto as músicas pop espalhadas ao longo do filme. As músicas ajudam na empolgação das corridas.

O elenco é bom. Não é um tipo de filme onde cabem grandes atuações, mas os atores escolhidos funcionam para o que o papel pede. Brad Pitt tem carisma suficiente pra fazer a gente se importar pelo seu personagem, idem sobre Javier Bardem. Também no elenco, Kerry Condon e Damson Idris.

Por fim, uma piadinha para cinéfilos. Parece que Joseph Kosinski está seguindo os passos de Tony Scott, que dirigiu Top Gun em 1986 e em 1990 fez um filme sobre carros de corrida, Dias de Trovão. Será que em breve Kosinski vai dirigir um roteiro do Tarantino?

Extermínio 3

Extermínio 3 – 7 Tosqueiras Toscas

Sinopse (imdb): Um grupo de sobreviventes do vírus da raiva vive em uma ilha. Quando um do grupo deixa a ilha em uma missão ao continente, ele descobre segredos, maravilhas e horrores que transformaram não apenas os infectados, mas outros sobreviventes.

21 anos depois de Trainspotting, de 1996, Danny Boyle fez uma das continuações mais bem boladas da história, estruturalmente falando. Trainspotting 2, de 2017, trazia mesmo diretor, mesmo roteirista, mesmo produtor, mesmos quatro atores principais, pra contar o que aconteceu com aqueles personagens duas décadas depois. O filme em si não é tão bom, mas trazer todo o universo de volta foi uma sacada genial.

Extermínio 3 traz os mesmos diretor, roteirista e produtor. Achei que isso podia ser sinal de qualidade. Que nada, Extermínio 3 é bem inferior aos outros dois (e olha que o segundo tem outro diretor e outro roteirista!).

O título brasileiro é ruim. O primeiro filme se chama “28 Dias Depois”, e alguém resolveu chamar de “Extermínio”. O problema é que isso bagunça as continuações. Segundo o imdb, originalmente este terceiro filme seria intitulado “28 Meses Depois”, continuando o tema do título do filme, que se baseia na linha do tempo (28 dias – 28 semanas – 28 meses). No entanto, depois de tanto tempo desde a visita a este mundo em 2007, no segundo filme, mudaram de ideia e acharam mais apropriado nomear o filme “28 Anos Depois”.

Gente, 28 anos é muito tempo. 28 anos atrás, 1997, heu trabalhava numa vídeo locadora, alugando fitas VHS. DVD e TV a cabo já existiam, mas nem todos tinham. A Internet ainda não fazia parte do dia a dia das pessoas, nem todos tinham computador ou telefone celular. Em 28 anos, MUITA COISA acontece.

Além disso, esse filme ignora o final do segundo, porque os infectados chegavam ao continente europeu. Começou errado, e continuou errando. Várias coisas no roteiro não fazem sentido. Vou até fazer uma lista de tosqueiras.

Apesar das tosqueiras, nem tudo é ruim. Danny Boyle sabe criar um clima tenso com esse estilo de “câmera nervosa” usada nos primeiros filmes da franquia. Além disso, o elenco é bom, com Aaron Taylor-Johnson, Jodie Comer e Ralph Fiennes. E guardemos o nome do jovem Alfie Williams, que acaba sendo o real protagonista, o garoto é bom!

Mas é pouco. Galera gosta de falar mal do segundo filme (que realmente tem alguns problemas), mas achei esse bem pior. E, notícia ruim, já tem continuação prevista pra ser lançada ano que vem.

Vamos às tosqueiras? Claro, spoilers liberados a partir de agora.

1- O primeiro filme se passa 28 dias depois do vírus ser espalhado. As ruas estão cheias de infectados. O segundo se passa 28 semanas depois, são 7 meses, os infectados morreram de fome, isso é dito no início do filme. Agora se passaram 28 anos. Como eles sobreviveram? E, 28 anos depois, deviam ser todos bem mais velhos.

2- O início do filme dá a entender que isolaram as Ilhas Britânicas. Mas, sério que, 28 anos depois, ninguém tentou voltar, seja pra salvar quem ainda está lá, seja pra recuperar o país? Iam simplesmente abandonar todas as terras do Reino Unido?

3- Determinado momento o garoto resolve fugir com sua mãe. Ok, existe um diálogo no filme que fala que, lá fora, é cada um por si. Mas, o pai era louco pelo menino. Duvido que ele não fosse atrás no dia seguinte.

4- Os dois estão dentro de uma loja de conveniência de um posto, existe um gás espalhado pelo local, o soldado atira pra queimar os infectados. Todo o local explode em uma bola de fogo. Mas os dois saem ilesos. Como?

5- Um grupo de soldados suecos está fazendo a patrulha em um barco, porque ninguém pode sair do Reino Unido. É dito que “quem entra nas Ilhas Britânicas não sai nunca mais”. Aí o barco tem um problema, eles pegam o bote salva vidas – e vão pra ilha. Por que diabos alguém iria para um destino onde obrigatoriamente morreria, em vez de tentar voltar para o continente?

6- Aparece uma infectada grávida. Sério que infectados fazem sexo?

7- Finzinho do filme aparece um grupo que luta contra infectados. Eles usam roupas coloridas e lutam fazendo coreografias. Essa parte não tem absolutamente nada a ver com o resto do filme. Pra que terminar com um momento Power Rangers? Precisava disso pro gancho pra continuação?

Predador: Assassino de Assassinos

Crítica – Predador: Assassino de Assassinos

Sinopse (imdb): Três dos guerreiros mais ferozes da história da humanidade se tornam vítimas do maior assassino de assassinos.

A saga O Predador traz um conceito muito bom, apesar do péssimo nome – o cara não é um predador, ele é um caçador, que pratica caça como esporte, e procura adversários fortes, porque ele quer encarar desafios. (Aliás, por causa deste conceito, a ideia de “Alien vs Predador” é muito boa, porque é um exímio caçador enfrentando um animal muito perigoso. Pena que os dois filmes são ruins.)

Pensando nisso, podemos ter um vasto leque de continuações e spin offs. E acredito que este Predador: Assassino de Assassinos quer abrir essa porta.

Um dos diretores é Dan Trachtenberg, que aparentemente é o novo “dono” da franquia – ele dirigiu anterior, O Predador: A Caçada, de 2022, e também o próximo, Predador: Terras Selvagens, com previsão de lançamento ainda este ano. A diferença é que este Predador: Assassino de Assassinos é uma animação.

Predador: Assassino de Assassinos é curto, pouco menos de uma hora e meia, e traz três histórias independentes, além de uma quarta história que une as três. São três momentos históricos distintos, onde aparece um “Yautja” (a raça dos Predadores) diferente em cada momento, enfrentando um grande adversário – uma guerreira viking no ano 841, um samurai (ou ninja, não sei ao certo) no Japão feudal, em 1609, e um piloto de avião da Segunda Guerra Mundial. Na quarta parte, vemos os três personagens juntos, no planeta dos Yautjas.

Achei as duas primeiras histórias muito boas. Ursa, a guerreira viking, tem uma cena sensacional em “plano sequência” (as aspas são porque é uma animação) onde ela ataca inimigos. Muita violência, muito sangue, a sequência é muito boa. A segunda parte, onde o Yautja entra no meio de uma briga entre os irmãos Kenji e Kiyoshi, também é muito bem executada. Pena que não posso dizer o mesmo sobre a terceira. É uma batalha entre uma nave espacial e pequenos aviões monomotores, uma briga muito injusta – e não me lembro de algum Yautja usando uma nave para brigar nos outros filmes, o lance deles sempre foi a batalha no mano a mano, mesmo usando armas e aparelhos tecnológicos.

A quarta história traz os três juntos, lutando numa arena. E é a parte que menos gostei. Primeiro porque Torres, o piloto da Segunda Guerra, não teria condições de enfrentar os outros, é um personagem nitidamente mais fraco que Ursa e Kenji. Aí tiveram que transformá-lo em alívio cômico.

Mas tem outra coisa ainda pior (mesmo que seja, infelizmente, algo relativamente comum em filmes). Primeiro, vemos um monstro alienígena, que come um Yautja, e o despedaça com seus dentes. Logo depois, ele come o Torres – que logo aparece, vivo e inteiro, dentro da barriga do monstro. Cara, se o monstro engole sem mastigar, por que mostrar ele mastigando logo antes? Mas calma que piora. Torres é um bom piloto, mas não é bom na parte mecânica. Ele tem dificuldade em consertar um avião, com tecnologia terrestre. Mas, encontra uma peça de tecnologia alien dentro da barriga do monstro, e consegue hackear a tecnologia Yautja, a ponto de fugir do monstro, dirigir um pequeno transporte e depois pilotar a nave deles! Caramba, de onde surgiram essas habilidades? Ele foi apresentado como alguém que não sabia da parte mecânica e tecnológica!

Tem outro problema, mas talvez isso não seja nada grave, heu que sou chato. A primeira história é falada em inglês, a Ursa é viking mas fala inglês. A segunda é em japonês. Aí quando os três estão juntos, o roteiro vem me dizer que existe uma barreira linguística entre eles, porque cada um fala uma língua diferente. Eles precisam lutar juntos mas não conseguem se comunicar. Mas, caramba, se a Ursa falava inglês antes, por que agora não entende???

Por fim, outro problema comum nos dias de hoje: Predador: Assassino de Assassinos não acaba. No fim, os mocinhos fogem, o vilão manda naves atrás deles, e… aguardemos a continuação. Qual é o problema de se fechar uma história?

Durante esta parte final, fiquei na dúvida se o filme envolvia viagem no tempo, mas tem um detalhe bem no finzinho que mostra que os guerreiros que vencem Yautjas ficam congelados para lutas futuras. E o filme acaba com um easter egg, mas nada surpreendente.

No fim, a gente lembra daquele meme do desenho do cavalo. Porque Predador:Assassino de Assassinos começa bem, mas vai piorando cada vez mais.

June e John

Crítica – June e John

Sinopse (imdb): Fascinado por uma mulher enigmática que rouba sua atenção, um homem comum cuja vida é marcada pela monotonia se vê imerso em um romance intenso que o arrasta para uma jornada imprevisível.

Sou fã do Luc Besson desde os anos 80, época que vi Subway e Imensidão Azul no Estação Botafogo. Lembro que fiquei impressionado quando vi Nikita, foi a primeira vez que vi um filme de ação bom, bem produzido, bem filmado, e que não era falado em inglês. E sou muito fã de O Profissional e O Quinto Elemento. Mas, infelizmente, preciso reconhecer que há muito tempo Besson não faz algum filme desse nível. Continuo vendo tudo o que ele faz, mas esse June e John, escrito e dirigido por ele, é mais um dos que deixam a desejar.

June e John começa bem, conhecemos o personagem, entendemos o que ele está passando. O filme flui muito bem nessa primeira parte. Mas a partir do momento que ele começa a interagir com a personagem da June, as coisas começam a degringolar.

John é um jovem que vive uma vida medíocre, trabalha num lugar que ele não gosta, sofre assédio do patrão, toma remédios pra seguir vivendo. Aí ele conhece June, que é uma mulher meio maluquinha e que bagunça a vida dele. Inicialmente, o encontro deles foi tão fantasioso que heu até achei que ela era fruto da sua imaginação e não uma pessoa real. Mas aos poucos a gente descobre que sim, era uma pessoa real.

Aí o filme entra num caminho be, forçado. Tipo, ele consegue encontrá-la numa rede social no meio de centenas de homônimas, e sem nenhuma informação a mais sobre ela. E logo no dia seguinte ela consegue descobrir onde é o trabalho dele, igualmente sem nenhuma informação a mais. Como eles conseguiram? Não sei, o filme não deixa claro, mas acho que é pra gente entrar no clima de fantasia do filme.

Mas pra mim o pior foi ter um casal é completamente forçado. Ele se apaixonar por ela é algo crível, mas ela, com uma doença terminal, não ia viver seus últimos dias de vida ao lado de um loser como ele. Uma mulher com aquele perfil, livre e descolada, teria amigos. E igualmente forçada é a jornada “Thelma e Louise” que eles entram.

O visual do filme é bonito, Luc Besson é um cara experiente, sabe fazer belas imagens, não tenho queixas com relação ao visual. Os dois atores principais também estão ok, apesar dos personagens serem ruins. Inclusive eu gostei da atriz Matilda Price, achei que ela lembra a Milla Jovovich no Quinto Elemento.

Mas o problema é que a jornada do casal é muito fora da realidade, então chega um certo ponto que o espectador já não se importa mais com aquilo. E June e John vira um filme chato.

Por fim, um último comentário. Deveriam mudar o nome de pelo menos um dos personagens. Porque já temos um Johnny & June bem mais famoso…

Prédio Vazio

Crítica – Prédio Vazio

Sinopse (imdb): Luna, uma jovem determinada, busca sua mãe que sumiu misteriosamente no último dia de Carnaval em Guarapari. Sua procura a leva até um prédio antigo, aparentemente vazio, mas repleto de almas atormentadas.

Ueba! Filme novo do Rodrigo Aragão, e desta vez no circuito!

Se você já conhece a obra do Rodrigo Aragão, pode pular este parágrafo. Se não conhece, chega aqui: Aragão é, provavelmente, o maior nome do cinema de terror feito no Brasil hoje em dia. Este é o seu sexto longa metragem desde 2008, depois de Mangue Negro, A Noite do Chupacabras, Mar Negro, Mata Negra e O Cemitério das Almas Perdidas, além de ter organizado o longa em episódios Fábulas Negras (todos têm textos aqui no heuvi). Tem gente por aí que acha que não existe terror feito no Brasil. Tem gente por aí que deveria conhecer o trabalho dele.

Cinco anos depois de seu último longa, Aragão fez seu primeiro terror “urbano” – pela primeira vez ele filmou numa cidade grande. Aragão morou na Praia do Morro, em Guarapari, local onde se passa o filme, e quando caminhava pelo calçadão à noite, às vezes via prédios quase totalmente apagados, com um ou dois apartamentos acesos. E ele imaginava como seria estar num prédio daqueles, quase vazios. Daí surgiu a ideia para o filme.

Curioso é que o roteiro teve vários tratamentos. Inclusive teve uma versão mais “clean” feita com a ajuda de um gringo, que seria facilmente vendável para uma Netflix da vida. Mas Aragão desistiu deste tratamento e voltou para uma versão anterior, mais puxada pro trash – mais a ver com o estilo dos seus outros filmes.

Prédio Vazio é urbano, mas é coerente com o resto da obra do diretor. Claras influências de Sam Raimi, Dario Argento e Zé do Caixão, tudo isso com uma pitada de trash por cima.

Curioso que o filme se passa num bairro real de Guarapari, mas o prédio onde tudo acontece não existe. O diretor falou que tentou filmar em um prédio já existente, mas diante das dificuldades de conseguir autorizações, desistiu e construiu uma maquete. Ficou boa, parece um prédio velho e caquético.

Aliás, uma curiosidade dita pelo próprio Rodrigo Aragão em um bate papo pós filme no Estação Botafogo: o longa abre com um filminho publicitário turístico sobre Guarapari, feito décadas atrás, e guardado pelo pai do diretor, que trabalhava num cinema. Só trocaram a narração, originalmente feita pelo Cid Moreira, o resto do filminho está lá na introdução.

A história é simples, uma jovem vai procurar a mãe que estava hospedada na Praia do Morro, mas quando chega no prédio, descobre que tem algo de errado lá. E claro que isso abre espaço para muitos efeitos práticos, muito sangue cenográfico, e muitos truques de maquiagem.

Aliás, uma dica pra quem gosta de procurar coisas escondidas nos filmes: assim como acontece na série A Maldição da Residência Hill, Prédio Vazio tem vários fantasmas escondidos pelos cenários. Deu vontade de rever só pra procurá-los. Isso sem contar nos easter eggs do “Aragãoverso”, como o livro de São Cipriano que estava no Cemitério das Almas Perdidas.

Sobre o elenco, Gilda Nomacce está ótima, ela acabou virando um grande nome no terror brasileiro contemporâneo (ela estava em filmes da dupla Marco Dutra e Juliana Rojas, como Trabalhar Cansa, As Boas Maneiras e Quando eu Era Vivo). Também gostei muito do jovem Caio Macedo, meio alívio cômico, meio “donzelo em perigo”.

Nem tudo é perfeito. Algumas atuações não são tão boas, e as cenas de lutas entre os personagens não são muito bem filmadas. Mas a gente está acostumado a ver terror hollywoodiano bem pior que esse e não fala mal…

Por fim, se você apoia o cinema nacional, e se você quer ver mais terror feito no Brasil, vá ao cinema esta semana. É difícil quando um filme desses entra em circuito. Precisamos prestigiar!