Anaconda (2025)

Anaconda (2025)

Sinopse (imdb): Um grupo de amigos que enfrenta a crise da meia-idade se prepara para refazer seu filme juvenil favorito, mas quando entram na selva, as coisas ficam feias.

Quando soube de um novo Anaconda, fui catar a versão de 1997 pra rever. Aquele filme é bem ruim. Mas, pelo trailer, esta nova versão parecia que ia ser mais divertida. E meu pressentimento estava certo. O novo Anaconda é divertidíssimo!

O protagonismo aqui é dividido entre o Jack Black e o Paul Rudd. Quando adolescentes, eles faziam curtas amadores com mais dois amigos; hoje, Jack Black faz vídeos de casamento, enquanto Paul Rudd é um ator frustrado em Hollywood. A turma se reúne para fazer um remake de baixíssimo orçamento do Anaconda de 97, quando uma equipe vai pro Amazonas fazer um documentário sobre uma tribo indígena e é atacada por uma cobra gigante. Mas a grande diferença é que aquele filme se levava a sério, enquanto aqui a galhofa é assumida. Ri alto diversas vezes ao longo da sessão!

Teve uma cena que achei simples e genial, logo no início do filme, quando conhecemos o trabalho do Jack Black. Ele descreve como seria a ideia dele do vídeo de casamento, e começa a cantarolar a música que ele imaginou para a cena, e a trilha do filme começa a acompanhar o que ele está cantarolando. No cinema, música diegética é aquela que os personagens estão ouvindo, tipo o Jack Black cantarolando; música não diegética é quando só o espectador ouve, é a trilha sonora que está acompanhando o cantarolar. Gosto quando um filme quebra essa barreira entre a música diegética e a não diegética.

(Preciso dizer que me identifiquei com o momento que eles se reúnem pra rever o filme que fizeram quando adolescentes. Assisti Anaconda ao lado do Eduardo Miranda, do canal Projeto Cinevisão, e ele estava comigo quando filmei O Boitatá, um dos meus primeiros curtas, há quase 14 anos…)

A direção é de Tom Gormican, o mesmo de O Peso do Talento, aquele filme onde um milionário quer conhecer o Nicolas Cage. Ou seja, o cara sabe brincar com a metalinguagem, usando piadas ligadas ao cinema. E aqui são várias, tem algumas geniais – a do Jordan Peele é sensacional! Aliás, a única coisa boa de ter revisto Anaconda de 97 foi pegar o contexto de todas as piadas sobre aquele filme.

No resto do elenco, o destaque vai pra Selton Mello, e juro que isso não é um comentário bairrista. Selton faz um brasileiro que cuida de cobras. Ele não é um dos principais, mas ele tem um papel bem grande, e posso dizer tranquilamente que ele rouba todas as cenas que aparece. Um dos momentos mais engraçados do filme é quando estão conversando sobre cabeçadas, ele fala de colocar um “brazilian twist” e grita “TOMA!”, e todo o elenco começa a gritar “TOMA!” com ele. Não li em lugar algum, mas não acharia estranho isso ser sugestão do próprio Selton – duvido que um roteirista gringo tenha pensado em gritar “TOMA!” no meio de uma cena de briga. No resto do elenco, Thandiwe Newton, Steve Zahn e Daniela Melchior. Aliás, Daniela, que é portuguesa, aparece falando português, mas sem nenhum sotaque, me pareceu dublada.

(No cinema tinham duas salas passando Anaconda, uma com a cópia dublada e a outra, legendada. Quando o filme começou, com um diálogo em português, fiquei com medo de ter entrado na sala errada. Não, são só algumas cenas em português.)

Aliás, assim como tem uma atriz portuguesa que parece dublada, nos créditos descobri que Anaconda foi filmado na Austrália. Ué, por que não filmar no Amazonas? Pelo menos ouvimos diálogos e lemos cartazes em português. Décadas atrás Hollywood não respeitava isso – inclusive no filme de 97 tem um personagem brasileiro que fala português com sotaque.

(E todo brasileiro vai dar uma gargalhada ao ver que, dos EUA pro Amazonas, eles passam pelo Rio de Janeiro. Tem uma cena mostrando o Corcovado!)

Os efeitos especiais são apenas ok. Em algumas cenas, a cobra não convence. Sorte que o objetivo do filme é galhofa e não mostrar uma cobra assustadora.

Agora, se por um lado o roteiro é bem divertido, por outro precisamos reconhecer que são várias forçadas de barra. Sem spoilers, mas o modo como a cobra é derrotada no final não fez o menor sentido! Além disso, tem uma sequência envolvendo um personagem fazendo xixi que achei uma piada ruim e demasiadamente prolongada.

Ah, tem cenas pós créditos. Uma delas é genial, mostra um videozinho de casamento feito pelo Jack Black. E tem um possível gancho pra continuação. Que seja tão divertido como este!

 

Expectativa Diferentona 2026

Expectativa 2026

Mais uma vez, vou criar uma lista com expectativas fora do óbvio, como fiz nos anos anteriores. Minha lista não vai ter continuações ou filmes de franquias. Seria uma lista fácil – e óbvia. Bora fazer uma rapidinho? Começo pelo novo Star Wars (Mandalorian e Grogu) e pelos filmes de super heróis: o filme da Supergirl, o novo Homem Aranha e o novo Vingadores. Toy Story 5 também entra, assim como o novo Super Mario. Resident Evil normalmente não empolgaria, mas quem está dirigindo é Zach Cregger, então claro que quero ver. Fecho a lista com três filmes de terror: Pânico 7, Casamento Sangrento 2 e o novo Evil Dead. E nem incluí Clayface, terror de super herói, nem o novo Duna. Taí, gostei da lista, quero ver todos.

Claro, como estou falando de alguns filmes que ainda estão em produção, não tenho certeza de que teremos os dez títulos em 2026. Afinal, em nenhum dos quatro anos anteriores os dez filmes estrearam no ano seguinte. E tem alguns projetos que citei lá atrás que foram cancelados. Mas, por outro lado, falei de O Sobrevivente, que acabou de estrear, na minha lista de 2023, publicada no fim de 2022!

Fiquei na dúvida se valia colocar na lista The Adventures of Cliff Booth, com David Fincher na direção, Quentin Tarantino no roteiro e Brad Pitt no papel principal. Mas, é um spin off de Era uma Vez em Hollywood, então saiu da lista.

Matt Damon e Ben Affleck vão atuar juntos novamente em The Rip, filme dirigido por Joe Carnaham. Esse trio valeria um lugar na minha lista de expectativas, mas o último filme do Carnaham, Shadow Force, foi tão ruim que estou com um pé atrás agora.

Queria trazer Young Sinner, direção do Paul Verhoeven, roteiro de Edward Neumeier, mesmo roteirista de Robocop e Tropas Estelares. Mas não achei quase nada desse filme, não tem quase nada no imdb!

Vamos aos filmes? Sem nenhuma ordem específica

Socorro!
Sam Raimi dirigindo um longa de terror, coisa que ele não faz desde 2009, com Arraste-me Para o Inferno. Com Rachel McAdams e Dylan O’Brien no elenco.
Previsão de estreia em 12 de fevereiro.

Devoradores de Estrelas
Ficção científica dirigida pela dupla Phil Lord e Christopher Miller (Uma Aventura Lego) e escrita por Drew Goddard e Andy Weir (Perdido em Marte). E ainda tem Ryan Gosling, Ken Leung e Sandra Hüller no elenco.
Previsão de estreia em 20 de março.

A Lei do Rebanho
Quando um pastor é assassinado, suas ovelhas partem para resolver o caso sozinhas. Não é animação, é um live action – com ovelhas detetives. Com Hugh Jackman e Emma Thompson no elenco.
Previsão de estreia em 08 de maio.

Dia D
Desde a minha adolescência, sou fã do Steven Spielberg. E sou ainda mais fã quando ele resolve fazer filmes blockbuster. Dia D, ou Disclosure Day, é o seu novo projeto de ficção científica, com roteiro de David Koepp (Jurassic Park) e com Emily Blunt e Josh O’Connor no elenco.
Previsão de estreia em 11 de junho.

A Odisseia
Depois do Oscar por Oppenheimer, Christopher Nolan resolveu encarar um épico: a Odisseia, de Homero, com um elenco gigantesco, que inclui Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Charlize Theron, Robert Pattinson, Zendaya, Lupita Nyong’o e Mia Goth, entre outros.
Previsão de estreia em 17 de julho.

The Dog Stars
Filme pós apocalíptico dirigido por Ridley Scott, com Josh Brolin, Jacob Elordi, Margaret Qualley e Guy Pearce no elenco.
Previsão de estreia em 28 de agosto.

Digger
Novo filme de Alejandro Iñárritu, que ganhou dois Oscars seguidos, por Birdman e O Regresso. Tom Cruise embarca em uma missão para demonstrar que é o salvador da humanidade.
Previsão de estreia em 02 de outubro.

Here Comes the Flood
Filme novo de assalto a banco, estrelado por Denzel Washington, Robert Pattinson e Daisy Edgar Jones. Mas entrou na minha lista pelo diretor, um tal de Fernando Meirelles.
Ainda não tem data de lançamento.

The Call of Cthulhu
Vou manter minha tradição de trazer aqui projetos que ainda não estão 100% confirmados. Existem boatos de que James Wan estaria adaptando The Call of Cthulhu, clássico de HP Lovecraft. Se esse projeto sair do papel, claro que quero ver!
Ainda não tem data de lançamento.

A Colt is my Passport
Parece que Gareth Evans não vai voltar pra Indonésia pra fazer The Raid 3. Então fiquemos com seu novo filme, onde um assassino de aluguel precisa fugir depois de matar um chefão do crime. Estrelado por Sope Dirisu (de Gangs of London), e com Tim Roth, Lucy Boynton e Jack Reynor.
Ainda não tem data de lançamento.

Top 10: Maiores Decepções de 2025

Top 10: Maiores Decepções de 2025

Existe uma diferença entre um filme ser ruim e um filme ser uma decepção. A decepção está mais atrelada à expectativa que criamos em torno daquela título. Precisa ser um filme que heu achava que podia ser bom, se heu já achava que ia ser ruim, não existe decepção. Tipo: mais um Avatar, com intermináveis três horas e quinze de duração. Alguém acreditava que ia ser bom?

Me esforcei pra encontrar dez filmes que não estavam presentes na lista de piores do ano, afinal não queria repetir informações.

Vamos à lista? Não tem ordem específica. Todos os dez filmes foram comentados aqui no heuvi.

O Sobrevivente
Resolvi abrir com O Sobrevivente, que estava na minha lista de expectativas há anos (falei dele na lista publicada em 2022). O filme não é ruim, na verdade depois da sessão minha impressão era tão positiva que achei melhor que a versão de 1987. Mas, sabe a expectativa alta? Comparando com toda a carreira do Edgar Wright, O Sobrevivente é o mais fraco dos seus oito filmes. Como falei, não é ruim, mas é genérico. O resultado final parece apenas um filme burocrático, daqueles encomendados por grandes estúdios. Filme que vai divertir o público, mas será esquecido pouco depois.
https://www.heuvi.com.br/o-sobrevivente-2025/

Extermínio 3
Gosto do estilo do Danny Boyle, e gostei muito do que ele fez na continuação de Trainspotting: mesmo produtor, mesmo roteirista, mesmo elenco, vinte anos depois. Aqui ele podia fazer algo semelhante, voltar ao universo de seu filme Extermínio, junto com o mesmo roteirista. Mas são vários problemas, a começar pelo fato de que o terceiro filme ignora que existe um segundo – que acaba com os infectados chegando no continente. E preciso dizer que aquele final “Power Rangers” foi tão ruim que coroou a decepção.
https://www.heuvi.com.br/exterminio-3/

Depois da Caçada
O novo Luca Guadagnino é bem filmado, bem atuado, mas, o resultado ficou meio fuén. Depois da Caçada é tecnicamente bem feito e tem bons atores. Mas sabe quando um filme não empolga? É o caso aqui. O filme segue num marasmo interminável – são intermináveis duas horas e dezoito minutos de projeção. E um monte de diálogos com papo cabeça chato não ajudam. Pra piorar, a trama se encerra, mas depois tem um epílogo completamente desnecessário.
https://www.heuvi.com.br/depois-da-cacada/

Morra, Amor
Morra, Amor é o novo filme escrito e dirigido por Lynne Ramsey (mais conhecida por Precisamos Falar Sobre o Kevin), que traz uma grande atuação da Jennifer Lawrence, que deve ser indicada pra prêmios; uma boa atuação do Robert Pattinson, mas num roteiro fraco, cheio de simbolismos vazios. Tudo é muito arrastado, muito chato, cenas se repetem – perdi a conta de quantas vezes a Jennifer Lawrence engatinha pelo cenário. Além disso, tenho quase certeza que existe um erro na edição. Resumindo, como cinema, deixa a desejar.
https://www.heuvi.com.br/morra-amor/

The Mastermind
The Mastermind é o novo projeto da diretora Kelly Reichardt, diretora de First Cow, um filme que ainda não vi, mas que mais de uma pessoa me recomendou. Ok, não vi First Cow, mas posso começar pelo seu mais novo filme. Pena que The Mastermind é bem fraco, foi talvez o pior dos onze filmes que vi no Festival do Rio deste ano. A gente passa o filme inteiro acompanhando um protagonista todo errado. No fim do filme, quando o cara é preso, o espectador nem vai se importar.

The Old Guard 2
O primeiro The Old Guard, de 2020, parecia uma releitura de Highlander, uma história usando guerreiros imortais que lutam juntos há séculos. O segundo até tem alguns pontos positivos, mas tem muito mais pontos negativos do que positivos. O roteiro tem vários pontos sem sentido. E o pior de tudo é que The Old Guard 2 é um filme que não tem fim – você vai até o fim esperando uma conclusão, e no meio da trama tem um gancho para, quem sabe, sei lá daqui a quanto tempo, um possível The Old Guard 3 (lembrando que passaram-se cinco anos entre o primeiro e o segundo). Vale mais rever o primeiro do que ver este segundo.
https://www.heuvi.com.br/the-old-guard-2/

June e John
Luc Besson tem um currículo excelente, mas há tempos não faz um filme realmente bom. Este June e John é um filme bobinho com um casal completamente forçado – uma mulher com aquele perfil, livre e descolada, não ia viver seus últimos dias de vida ao lado de um loser como o protagonista. A  jornada do casal é tão fora da realidade que chega um certo ponto que o espectador já não se importa mais com os personagens.
https://www.heuvi.com.br/june-e-john/

Ameaça no Ar
Mel Gibson, como diretor, fez poucos filmes. Depois da sua estreia em 1993 com O Homem sem Face, todos seus filmes seguintes foram projetos grandiosos e ousados: Coração Valente (95), A Paixão de Cristo (2004), Apocalypto (2006) e Até o Último Homem (2016). Aí em 2025 ele lança um novo que filme só conta com três atores e apenas uma locação, que poderia ser dirigido por qualquer diretor de segunda linha pra ser lançado num streaming qualquer. O resultado é um filme bem genérico.
https://www.heuvi.com.br/ameaca-no-ar/

Aqui
Aqui reúne oito membros do elenco e da equipe de Forrest Gump – os protagonistas Tom Hanks e Robin Wright, o diretor Robert Zemeckis, mais o roteirista, o compositor, o diretor de fotografia, o designer de som e a figurinista. E o filme tinha uma proposta revolucionária de efeitos especiais, coisa que Zemeckis já tinha feito em outros filmes. Mas o roteiro é bem fraco, e o filme é muito chato. Só vale como uma nova experiência cinematográfica. Porque como filme, podia ter sido bem melhor.
https://www.heuvi.com.br/aqui/

Quarteto Fantastico
Na verdade, todos os quatro filmes de super herói do ano poderiam estar aqui na lista. Capitão América foi bem fuén, Superman foi divertido mas bobinho, Thunderbolts foi o melhor mas mesmo assim ainda não foi grandes coisas. Escolhi Quarteto Fantástico porque era o filme que os fãs do gênero tinham maior expectativa – será que o MCU iria voltar aos áureos tempos? Por enquanto, a categoria “filme de super herói” ainda está em baixa. Aguardemos os próximos lançamentos, pra saber se 2026 será melhor.
https://www.heuvi.com.br/quarteto-fantastico-primeiros-passos/

Top 10: Melhores Filmes de 2025

Top 10 Melhores Filmes de 2025

Depois da lista dos piores, vamos aos dez melhores?

(Ainda farei uma lista de decepções e outra de expectativas fora do óbvio!)

Quase coloquei O Mistério da Lixeira, filme indiano da Netflix. Mas o filme é de 2024, heu que vi atrasado…

Queria fazer uma menção honrosa a três séries. Vejo poucas séries, não rola fazer um top 10. Mas se fizesse, certamente citaria Pluribus, Andor e Adolescência.

Lembrando que esta é a “minha” lista. Discorda? Ok, escreva a sua aqui embaixo, prometo que comento sua lista!

Vamos à lista? Todos os filmes foram comentados aqui no heuvi!

10-Nosferatu
Lançado na virada de 2024 pra 2025, fiquei na dúvida se podia entrar aqui. Mas como vi em janeiro, acho que tá valendo. Esta versão dirigida por Robert Eggers tem várias sequências com visual deslumbrante, a trilha sonora também é muito boa, e além disso, todo o figurino e reconstituição de época são perfeitos. E Bill Skarsgård está assustador, tanto na aparência quanto na voz
https://www.heuvi.com.br/nosferatu-2024/

9-Predador Terras Selvagens
O público se acostumou com a ideia de que o yautja (a espécie dos Predadores) é um vilão, mas na verdade, ele é apenas um caçador. E este novo filme da franquia traz o ponto de vista de um jovem yautja, fraco e rejeitado por um pai abusivo, e que por isso resolve tentar conseguir um prêmio difícil: matar uma criatura que nenhum yautja até hoje conseguiu matar, em um planeta muito perigoso. Detalhe: não tem nenhum humano na trama.
https://www.heuvi.com.br/predador-terras-selvagens/

8-Prédio Vazio
Primeiro terror “urbano” dirigido por Rodrigo Aragão, o filme se passa em um prédio na Praia do Morro, em Guarapari. Claras influências de Sam Raimi, Dario Argento e Zé do Caixão, tudo isso com uma pitada de trash por cima – Aragão saber mostrar sangue e gore. Ainda tem fantasmas escondidos pelo cenário em algumas cenas! Pena que pouca gente viu, boa parte do público tem preconceito com terror nacional.
https://www.heuvi.com.br/predio-vazio/

7-Conclave
Conclave traz uma boa história, numa trama fluida e grandes atuações de Ralph Fiennes, Stanley Tucci, John Lithgow e Isabella Rossellini. Todos os personagens são bem construídos, a fotografia é belíssima e a trilha sonora também é muito boa. É daqueles filmes onde tudo está no lugar certo, era o filme que achei que ia levar o Oscar.
https://www.heuvi.com.br/conclave/

6-Chefes de Estado
Quem me conhece sabe que gosto da frase lema da rede Luis Severiano Ribeiro: “Cinema é a maior diversão”. E, com Ilya Naishuller na direção, mais John Cena e Idris Elba liderando o elenco, Chefes de Estado é divertidíssimo! O filme traz um equilíbrio perfeito entre ação e comédia, e traz várias sequências antológicas. Ok, o roteiro às vezes é forçado, mas preciso admitir que me diverti muito.
https://www.heuvi.com.br/chefes-de-estado/

5-Frankenstein
Finalmente ficou pronta a adaptação que Guillermo del Toro fez para o seu livro favorito. E assim como aconteceu em Pinóquio, cada cena, cada frame, tudo parece esculpido a mão. Frankenstein é um filme ao mesmo tempo grotesco e belíssimo! Todo o visual do filme é digno de prêmios – provavelmente teremos algumas indicações ao Oscar no início do ano que vem. Figurinos, cenários, maquiagem, props, tudo é feito com precisão. E ainda tem grandes atuações de Jacob Elordi e Oscar Isaac.
https://www.heuvi.com.br/frankenstein/

4-F1
Alguns filmes merecem estar em listas de melhores porque representam o que é “cinemão”, com tudo de superlativo que isso pode trazer. Assim como Top Gun Maverick foi um filme que colocou o espectador dentro da cabine de um avião, F1 colocou dentro de um carro de Fórmula 1. Nunca antes na história do cinema uma corrida de carros foi tão bem filmada. A história não é muito original, mas é bem conduzida, e o elenco encabeçado por Brad Pitt e Javier Bardem têm carisma o suficiente pra fazer a gente se importar.
https://www.heuvi.com.br/f1-o-filme/

3-A Hora do Mal
Zach Cregger, diretor de Barbarian Noites Brutais, traz mais um filme de terror fora do padrão. Aqui acontece um evento misterioso, e a trama vai e volta, vista sob vários pontos de vista diferentes, até a gente entender o que aconteceu. O elenco está ótimo e o clima de tensão é muito bem construído. E ainda tem um final catártico que dividiu opiniões – mas heu gostei!
https://www.heuvi.com.br/a-hora-do-mal/

2-A Vida de Chuck
Talvez A Vida de Chuck não merecesse posto tão alto numa lista de melhores filmes do ano, reconheço que não é um grande filme. Mas é um filme que conseguiu me tocar de um jeito que poucos filmes conseguem. Foram dois momentos “mágicos”. Um deles é a cena do diálogo entre a professora e o menino, o espectador esperto vai sacar o que aconteceu na primeira parte do filme. Mas, melhor do que isso foi a cena da bateria, com Tom Hiddlestone dançando. Heu poderia rever aquela cena inúmeras vezes!
https://www.heuvi.com.br/a-vida-de-chuck/

1-Pecadores
A história é boa, o elenco está ótimo, a ambientação de época é perfeita, os efeitos especiais são excelentes, e uma trilha sonora que me pegou como há muito tempo uma trilha não me pegava. E tem uma cena sensacional no meio do filme, um um plano sequência que começa com o personagem cantando e tocando violão, e a música cresce e toma rumos inesperados, e a câmera começa a passear por caminhos igualmente inesperados. Filmaço!
https://www.heuvi.com.br/pecadores/

Top 10: Piores Filmes de 2025

Top 10: Piores Filmes de 2025 (25/12)

Mais um fim de ano, época de fazermos nossas listas de melhores e piores do ano. Vou começar com a de piores, em alguns dias postarei a de melhores, depois uma de decepções, e logo depois vou mandar uma lista de expectativas fora do óbvio para 2026 (como fiz nos últimos anos).

Antes da lista, um comentário: esta é a “minha” lista. Discorda? Ok, escreva a sua aqui embaixo, prometo que comento sua lista!

Vamos à lista? Lembrando que todos os filmes foram comentados aqui no heuvi!

10-A Vingança do Popeye
A Vingança do Popeye até começa bem. Mas lembra o meme do desenho do cavalo: uma boa introdução, um desenvolvimento capenga e um final bem ruim.
https://www.heuvi.com.br/a-vinganca-do-popeye-popeyes-revenge/

9-Branca de Neve
Além de ser mais um live action desnecessário, ainda teve alterações na história original, aparentemente só pra se aproximar da cultura woke. Tipo o príncipe agora é um ladrão, e anda com uma galera que parece saída de uma turma de Humanas da Universidade Federal.
https://www.heuvi.com.br/branca-de-neve/

8-Bambi: O Acerto de Contas
Todo mundo já sabia que seria ruim, mas conseguiu ser ainda pior que o esperado. CGI tosco e um roteiro cheio de furos. A única cena que se salva é a dos coelhos.
https://www.heuvi.com.br/bambi-o-acerto-de-contas-bambi-the-reckoning/

7-Shadow Force – Sentença de Morte
Joe Carnaham tem alguns filme legais no currículo, mas às vezes erra. Neste Shadow Force ele errou bem mais do que a média. O roteiro é tão tosco que fiz uma lista de 8 coisas que não fazem sentido.
https://www.heuvi.com.br/shadow-force-sentenca-de-morte-8-coisas-que-nao-fazem-sentido/

6-O Ritual
Filme chato e arrastado, repete todos os clichês do cinema de exorcismo, e ainda usa uma câmera na mão que lembra The Office. Al Pacino merecia um filme melhor nessa fase de sua carreira.
https://www.heuvi.com.br/o-ritual-2/

5-Hurry Up Tomorrow
Um longo e tedioso videoclipe do cantor The Weeknd. Tem uma cena interessante no meio, mas tirando isso, tudo é muito chato. Pretensioso e chato.
https://www.heuvi.com.br/hurry-up-tomorrow-alem-dos-holofotes/

4-Código Alarum
A estreia hollywoodiana da Isis Valverde foi péssima. Ela aparece pouco, e o filme é horrível. O roteiro é um lixo, a história é confusa e mal amarrada, as atuações são péssimas, os efeitos especiais são sofríveis, tudo é ruim.
https://www.heuvi.com.br/9-coisas-que-nao-fazem-sentido-em-codigo-alarum/

3-Os Estranhos Capítulo 2
O primeiro Os Estranhos estava na lista de piores de 2024, e este segundo é tão ruim quanto. Pior: como é o “filme do meio” de uma trilogia, nada relevante acontece. Mesmo assim, os furos de roteiro são abundantes! E o pior é que em 2026 vai ter o capítulo 3!
https://www.heuvi.com.br/os-estranhos-capitulo-2/

2-Blindado
Picaretagem vendida como se fosse filme do Stallone. Na verdade parece um episódio de série de meia hora esticado pra virar um longa. E o roteiro tem tantos furos que se heu começar a listar, o vídeo não acaba hoje.
https://www.heuvi.com.br/blindado/

1-Guerra dos Mundos
Difícil tirar de Guerra dos Mundos o título de pior do ano. Tudo deu errado, os efeitos são ruins, o roteiro é péssimo, as atuações são sofríveis. A trama não faz o menor sentido. Parece uma longa e infeiciente propaganda da Amazon.
https://www.heuvi.com.br/guerra-dos-mundos-2025/

A Empregada

Crítica – A Empregada

Sinopse (imdb): Segue uma mulher em dificuldades que está feliz em recomeçar como empregada doméstica para um casal rico e elitista.

A Empregada (The Housemaid, no original) é o novo suspense dirigido por Paul Feig, que tem um longo currículo na comédia (Missão Madrinha de Casamento, As Bem Armadas, Caça Fantasmas (2016)), mas que já tinha entrado no suspense, com Um Pequeno Favor. Seu novo filme é baseado no livro de Freida McFadden – não li o livro, meus comentários serão só sobre o filme.

A Empregada tem aquele formato onde vemos uma trama com alguns elementos estranhos, e depois rola uma reviravolta de roteiro onde tudo passa a ser visto sob uma nova perspectiva. Millie (Sydney Sweeney), que tem um passado misterioso, está procurando emprego, e começa a trabalhar na casa de Nina (Amanda Seyfried). Só que pouco depois que começa o trabalho, Nina se mostra uma pessoa completamente desequilibrada.

Depois da virada de roteiro a gente entende algumas coisas que antes estavam nebulosas. Mas se heu puder fazer uma crítica, achei meio abrupta a mudança de comportamento de alguns personagens. No filme até funciona, mas me pareceu artificial.

O grande lance aqui é a dinâmica entre Sydney Sweeney e Amanda Seyfried. Sydney esteve envolvida recentemente em polêmicas vazias (talvez o maior problema do mundo atual seja essa polarização que transforma tudo em flaxflu), mas já mostrou que é uma grande atriz – e quem discorda de mim, veja o final de Imaculada. Enfim, polêmicas à parte, Sydney, que além de atuar bem, é uma das mais bonitas da sua geração, está bem aqui. Amanda às vezes parece um pouco over, mas ela também funciona bem no papel, principalmente depois do plot twist, quando sabemos o que realmente aconteceu. Enfim, as duas estão bem e valem o filme.

O papel masculino principal é de Brandon Sklenar. Curioso que já vi alguns filmes com ele, mas não lembro de nenhuma das suas atuações. Não sei se é uma falha minha ou se ele realmente é um cara mais apagado. Michele Morrone, famoso pela bomba 365 Dias e por ser um novo “Cigano Igor”, tem um papel muito mal desenvolvido como o jardineiro – ou seja, é um ator ruim num papel ruim. E, pra quem é das antigas, a mãe do protagonista é Elisabeth Perkins, de Sobre Ontem À Noite (1986) e Quero ser Grande (88).

A Empregada é um pouco longo, não precisava de mais de duas horas pra contar essa história. Mas quem curtia aqueles suspenses dos anos 90, com reviravoltas e um toque de erotismo, vai se divertir.

 

Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

Crítica – Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

Sinopse (Netflix): O detetive Benoit Blanc conta com a ajuda de um jovem padre para investigar um crime perfeitamente impossível na igreja de uma cidadezinha que tem uma história sombria.

Em 2019, fomos apresentados ao detetive Benoit Blanc, uma espécie de novo Hercule Poirot, no divertido e bem escrito whodunit Entre Facas e Segredos. Três anos depois, Benoit Blanc voltou em outro novo mistério, em Glass Onion, Um Mistério Knives Out, filme que trazia o mesmo personagem, em uma história completamente independente do primeiro filme. Agora, em 2025, mais uma vez dirigido por Rian Johnson (Star Wars episódio 8), Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (Wake Up Dead Man, no original) repete a ideia: novo filme, mesmo personagem, mestilo, história 100% independente.

(Curiosidade sobre os títulos dos três filmes. Knives Out é uma música do Radiohead; Glass Onion é dos Beatles. Wake Up Dead Man é uma música do U2.)

(Glossário: whodunit é aquele estilo de narrativa de filme, livro ou peça teatral, onde acontece um crime e temos vários possíveis culpados, e o espectador / leitor precisa juntar peças soltas pra tentar descobrir o culpado. A literatura tem pelo menos dois nomes bem famosos no estilo: Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle; e Hercule Poirot, da Agatha Christie.)

Assim como os dois primeiros filmes, Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out traz um grande elenco, e o único repetido é Daniel Craig como Benoit Blanc. Curioso que desta vez o detetive é quase um coadjuvante, porque o filme é muito mais do padre Jud (Josh O’Connor). Digo mais: Blanc só aparece depois de 39 minutos e meio de filme.

Aliás, bora falar do elenco, que é fantástico. Daniel Craig está ótimo, e pode tirar uma onda que poucos conseguem no cinema: viveu personagens marcantes em duas franquias diferentes (acho que nenhum outro James Bond conseguiu “se livrar” do personagem). Mas claro que o destaque é Josh O’Connor, o que foi uma agradável surpresa, já que o último filme que vi dele foi o decepcionante The Mastermind. Glenn Close e Josh Brolin também estão excelentes. Também no elenco, Mila Kunis, Jeremy Renner, Kerry Washington, Andrew Scott, Cailee Spaeny, Daryl McCormack, Thomas Haden Church, Jeffrey Wright e Annie Hamilton. Ah, tem um momento que o Thomas Haden Church está vendo baseball na TV, a voz do comentarista é de Joseph Gordon Levitt – que também tinha feito apenas uma voz em Glass Onion.

O assassinato realmente é intrigante e parece impossível, acho difícil algum espectador conseguir solucionar. E na parte final acontece um outro crime, igualmente impossível, que deixa a trama ainda mais misteriosa. Será que Benoit Blanc vai conseguir solucionar o caso dessa vez? Apesar de uma forçadinha aqui e outra ali, achei os dois casos muito bem bolados, e as soluções me convenceram. Além disso, o ritmo do filme é muito bom, são quase duas horas e meia que passam rapidinho.

Por fim, vou repetir o que falei três anos atrás e vou falar mal do nome brasileiro do filme. O primeiro filme aqui foi chamado “Entre Facas e Segredos”. O segundo tem um subtítulo “Um Mistério Knives Out”. Por que não “Um Mistério Entre Facas e Segredos”? E o terceiro filme repete: “Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out”. Bem, pelo menos agora o subtítulo fez um link com o segundo filme…

Avatar: Fogo e Cinzas

Crítica – Avatar: Fogo e Cinzas

Sinopse (imdb): Depois de uma perda devastadora, a família de Jake e Neytiri enfrenta uma tribo Na’vi hostil, os Ash, liderada pela implacável Varang, à medida que os conflitos em Pandora se intensificam e surgem novos dilemas morais.

Antes de tudo, preciso avisar que nunca fui fã de Avatar. Vou além: acho uma série de filmes bem bestas. Vi o primeiro na época que saiu, 2009, não me lembro se cheguei a rever. Vi o segundo no lançamento, três anos atrás, me lembro de quase nada. Precisava de mais um? Não. Mas, já que fizeram, vamulá.

Depois da sessão de imprensa os comentários eram mais ou menos um consenso: o filme é longo demais e com roteiro fraco demais. O diretor James Cameron quis apresentar um belo espetáculo, e conseguiu – o filme é belíssimo. Mas parece que focou todos os esforços e energia na parte técnica, enquanto deveria pensar um pouco mais no roteiro. Deu a impressão de que Cameron está querendo fazer o seu próprio parque temático nas salas de cinema. E, desculpa, mas três horas e quinze de imagens bonitas é muita coisa. Na primeira meia hora, aquilo tudo é lindo. Mas acho difícil algum espectador chegar ao fim sem se cansar.

O roteiro tem várias facilitações muito forçadas. Determinado momento, um personagem está preso e tentando fugir, e ele só consegue porque três ações diferentes, de três personagens diferentes, que não estão em contato, acontecem ao mesmo tempo. Ok, já vimos isso em outros filmes, mas Avatar 3 é uma mega produção, não devemos aceitar erros comuns de filmes de baixo orçamento. Além disso, a contagem de tempo é meio estranha, o cabelo do Spider cresce vários centímetros, o que deveria ser um sinal de passagem de tempo – mas Ronal passa o filme inteiro grávida, com barrigão. Se passou tempo pro cabelo, não passou tempo pra gravidez?

(Se bem que estou entrando na ciência de Pandora, que não necessariamente segue as mesmas regras que no nosso planeta. Isso também explicaria a “gravidade seletiva” – tem uma cena onde personagens caem, mas em pedras que flutuam no ar – por que a gravidade só funciona pra uns?)

O roteiro ainda tem um artifício usado de vez em quando, mas que heu particularmente acho péssimo: uma solução “deus ex machina”, que é é um recurso narrativo onde um problema aparentemente insolúvel é resolvido de forma súbita e inesperada por uma força externa. Sem spoilers, mas os “mocinhos” estão perdendo, sem saída, aí do nada aparece um novo elemento para derrotar os “vilões”. Ok, isso não é um problema inventado em Avatar, isso existe desde o teatro grego. Mas, caramba, uma produção do porte de Avatar, e com uma duração tão longa, precisava de uma solução de roteiro tão preguiçosa?

O visual realmente é muito bom. Nisso, precisamos tirar o chapéu para James Cameron, que conseguiu criar o seu mundo com detalhes impressionantes. Sim, o filme é longo e cansativo. Mas quem estiver apenas atrás de belas imagens vai se esbaldar.

Comentários sobre o 3D. Não sou fã de 3D pra dar profundidade. Na verdade, gosto mais quando é “efeito de parque de diversões vagabundo”, que é quando o personagem atira algo na direção da tela e o espectador se abaixa pra não ser atingido. Vou ser franco: só me lembro de duas vezes onde o 3D me proporcionou sensações diferentes, em A Invenção de Hugo Cabret, quando o George Méliès está construindo seus efeitos especiais; e A Travessia, nas cenas onde o equilibrista explica seu plano de como vai colocar o cabo de aço entre as torres do World Trade Center. Fora esses raros casos, sempre que posso, dispenso o 3D, efeito que encarece o ingresso, e traz um resultado que não vale a pena. Dito isso, reconheço que o 3D aqui não é ruim. Acho desnecessário, mas quem curte o efeito vai gostar.

Teve uma coisa na imagem que me incomodou. Não chega a ser exatamente um defeito do filme, acredito que seja mais uma opção estética. Me pareceu que foi filmado em 48 fps ou 60 fps. Explico. O cinema tradicionalmente usa 24 quadros por segundo, ou “frames per second” (fps). Alguns poucos filmes usam mais quadros por segundo, o que causa uma certa estranheza ao olhar. Em algumas cenas, parecia que heu estava vendo um filme para tv, e não para o cinema. Acho estranho um produto tão caro, com visual tão esmerado, ficar com “cara de novela”.

No elenco, os principais voltam aos seus papeis, Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Kate Winslet, etc. A novidade é Oona Chaplin, que faz uma boa nova vilã, é um daqueles vilões que são malvados e curtem essa malvadeza. Gostei da personagem!

No fim, a conclusão é que James Cameron se preocupou mais com a lado “parque temático” e se esqueceu do lado “cinema”. A única boa notícia é que parece que ele desistiu de fazer Avatar 4 e Avatar 5. Sr. Cameron, que tal pensar em novos filmes, longe de Pandora?

Spinal Tap 2 O Último Ato / Spinal Tap II: The End Continues

Spinal Tap 2 O Último Ato / Spinal Tap II: The End Continues

Sinopse (imdb): No 40º aniversário do original, a sequência do lendário mockumentary de rock que colocou a produtora cinematográfica em uma sequência de sucesso.

Quarenta e um anos depois, uma continuação de um dos mais geniais mockumentaries da história!

A ideia é boa. Em 1984, foi lançado This is Spinal Tap, um mockumentary (documentário fake) sobre a turnê da banda Spinal Tap (igualmente fake). Anos se passaram, a banda se separou, mas agora vai ter uma reunião para um único show de despedida. Spinal Tap 2 O Último Ato (Spinal Tap II: The End Continues, no original) é o mockumentary que vai mostrar os bastidores dessa reunião.

Os quatro principais voltam: tanto o diretor Rob Reiner (que interpreta o documentarista) quanto os três principais músicos, Christopher Guest (Nigel Tufnel), Michael McKean (David St. Hubbins) e Harry Shearer (Derek Smalls). Alguns coadjuvantes do primeiro filme também aparecem rapidamente aqui, como Fran Drescher e Paul Shaffer, mas o filme é mesmo dos quatro.

Uma coisa que acho muito legal é que os caras são músicos, então eles convencem nas muitas cenas onde aparecem tocando. Da banda de quarenta anos atrás, não explicam por que o tecladista Viv Savage não voltou (achei uma falha), mas todo fã de Spinal Tap sabe que o baterista tem que ser um novo (spoiler: uma das piadas do primeiro filme é que o baterista sempre morre). E digo mais: a cena da audição para baterista é muito engraçada, e a nova baterista, Didi Crockett, é um ótimo personagem, além de ser interpretada por uma baterista carismática, Valerie Franco.

Spinal Tap 2 O Último Ato tem algumas participações especiais de músicos reais. Pouco antes da entrada da baterista, eles conversam via zoom com Chad Smith (Red Hot Chili Peppers), Lars Ulrich (Metallica) e Questlove (confesso que nunca tinha ouvido falar deste). Paul McCartney e Elton John têm participações maiores e efetivamente tocam com a banda. E Elton John ainda está em uma piada durante os créditos!

O filme é curto, assim como o primeiro (ambos têm uma hora e vinte e três minutos), e o ritmo é meio de piada repetida. Mas preciso falar que a sequência final, com o Stonehenge, me causou gargalhadas. Finalmente conseguiram “consertar” o erro do cenário que rolou no primeiro filme! Pena que não deu tudo certo… Os créditos também trazem boas piadas. Agora, reconheço que é um filme para “iniciados”. Quem não conhece o filme de 1984, provavelmente não vai entender parte das cenas.

A nota triste é que ontem acordei com a notícia do falecimento do diretor / roteirista / ator Rob Reiner. Muito triste essa notícia…

Seis Momentos Geniais em This is Spinal Tap (1984)

Seis Momentos Geniais em This is Spinal Tap (1984)

Sinopse (imdb): A banda inglesa de heavy metal Spinal Tap está em turnê pelos Estados Unidos. Um cineasta americano decide filmar a passagem da banda pelo país, mas a turnê não sai como o esperado.

Estreou no streaming o novo This is Spinal Tap, aí fui rever o original antes de ver a continuação. Pensei em escrever uma crítica mais completa (já comentei o filme em dezembro de 2008), mas optei por trazer alguns trechos que acho geniais. Afinal, estamos falando de um filme de 40 anos atrás, de menos de uma hora e meia de duração, e que, até hoje, traz vários momentos icônicos entre os apreciadores de rock’n’roll no cinema.

Lançado em 1984, This is Spinal Tap é um mockumentary, palavra que nem sei se existe em português. É um documentário fake (tipo a série The Office), sobre uma banda que nunca existiu. O Spinal Tap é uma banda de hair metal dos anos 70/80, exagerada e excêntrica como várias bandas da época, que está mais ou menos entre Van Halen, Manowar, Saxon e Mötley Crüe. O filme acompanha uma turnê nos EUA, e traz várias sequências memoráveis. Digo mais: todo músico vai se identificar com uma ou outra cena.

This is Spinal Tap foi dirigido por Rob Reiner, diretor de Conta Comigo, Louca Obsessão e Harry e Sally, entre outros, e que aqui, além de roteirista e diretor, ainda interpreta um personagem importante, o documentarista Marty DiBergi. A banda é formada por Nigel Tufnel (Christopher Guest), David St. Hubbins (Michael McKean) e Derek Smalls (Harry Shearer). Nenhum dos três teve carreira relevante no cinema, mas os três aparecem tocando, e convencem nos seus instrumentos. Além disso, os três colaboraram no roteiro, escrito a oito mãos junto com o diretor Reiner. Existe uma piada que justifica por que o baterista tem menor importância, mas não entendi por que o tecladista não ganhou mais espaço… Lembrei do João Fera, que toca com o Paralamas do Sucesso há quase quatro décadas mas nunca foi efetivado membro da banda.

Acho geniais algumas sacadas apresentadas no filme. Como músico, consigo ver algumas daquelas situações na vida real. Mas tenho minhas dúvidas se um público que não é ligado a bandas de rock vai achar graça.

Enfim, vamos aos momentos?

-Uma piada muito boa é sobre o baterista, que sempre morre. A banda já teve vários. Todos morreram, e sempre de mortes bizarras.

-Tem um lance que vários músicos já passaram, que é quando a banda se perde entre o camarim e o palco. Claro que aqui está exagerado, mas já aconteceu comigo num show num Sesc em SP…

-Lembro de amigos meus fãs de Manowar falando que os caras colocavam um pepino dentro da cueca pra parecerem bem dotados. Também lembro exatamente dos mesmos pepinos dentro da sunga numa HQ do Angeli dos anos 90. This is Spinal Tap é anterior aos dois exemplos, e já tem piada sobre isso.

-Nunca soube de, na vida real, um defeito no cenário que chegasse a prender um músico. Mas a piada é ótima!

-Outra boa piada relativa ao cenário é o Stonehenge miniatura. A ideia foi escrita num guardanapo de papel, e quando o cenário foi feito, ficou daquele tamanho.

-Acho que a piada mais famosa de This is Spinal Tap é o amplificador que vai até o 11. Adoro a reação do Nigel quando perguntam “não seria mais fácil um amplificador mais potente?”