Cidade Oculta

Crítica – Cidade Oculta

Sinopse (imdb): Uma misteriosa dançarina de cabaré envolve-se com um bandido e acaba na mira de policiais corruptos. O universo marginal de uma metrópole fundindo elementos da cultura pop, do “film noir” e das histórias em quadrinhos.

E vamos dar continuidade à playlist de filmes ligados ao rock nacional dos anos 80. Hoje é dia de Cidade Oculta, de 1986, dirigido por Chico Botelho.

Cidade Oculta tem pelo menos duas grandes diferenças para os outros seis filmes que citei aqui. Uma delas é a ambientação em São Paulo. Não sou um grande entendedor de Embrafilme nos anos 80, mas os outros filmes da minha playlist têm mais cara de cariocas. Bete Balanço e Rádio Pirata se passam no Rio; não me lembro se Rock Estrela também, ou se é em uma cidade indeterminada. As Sete Vampiras se passa boa parte no Quitandinha, em Petrópolis, cidade serrana ao lado do Rio. Menino do Rio, bem é “do Rio”, né? E na continuação, Garota Dourada, os personagens viajam para o Sul, mas o filme começa e termina no Rio.

Cidade Oculta é assumidamente paulista. Inclusive, descobri que existe uma “trilogia da noite paulistana”, com Cidade Oculta (de 1986), A Dama do Cine Shangai e Anjos do Arrabalde (ambos de 1987). Vi A Dama do Cine Shangai há muito tempo e nem me lembro, e acho que não vi Anjos do Arrabalde. São três filmes de diretores diferentes, não sei qual é a semelhança entre eles pra formarem uma trilogia.

Se os filmes “cariocas” são mais diurnos, Cidade Oculta é mais noturno. Os realizadores paulistas usavam a expressão “neon-realismo” (o nome é um trocadilho com o movimento neorrealismo, do pós guerra). Os filmes que usavam o “neon-realismo” destacavam o neon e outros elementos visuais urbanos presentes na noite paulistana.

A outra diferença é no estilo musical. Os outros filmes que citei usam músicas de artistas que fizeram muito mais sucesso comercial, como Barão Vermelho, Leo Jaime, RPM, Metrô, Marina, Rádio Táxi, Ritchie, etc. Cidade Oculta traz a galera da vanguarda paulista, como Arrigo Barnabé, Tetê Espíndola e Patife Band. A vanguarda paulista era bem conceituada entre a crítica e a galera alternativa, mas nunca foi sucesso de público (talvez só a Tetê Espíndola no Festival dos Festivais, em 1985, com Escrito nas Estrelas). Aposto como boa parte do público do heuvi não conhece esses nomes…

Em Cidade Oculta, conhecemos Anjo, que passou um tempo preso, e quando sai, ao reencontrar o parceiro, este agora é o líder da gangue. Anjo começa a se relacionar com Shirley Sombra, dançarina e cantora do clube SP Zero.

(A boate SP Zero nunca existiu, usaram como set de filmagens o Madame Satã, um dos points culturais mais badalados de São Paulo na década de 1980. Muitas bandas fizeram seus primeiros shows lá, como Titãs, Ira!, RPM, entre outras. A boate foi inaugurada em 1983, fechou em 2009 e reabriu em 2012.)

O clima do filme lembra o cinema noir, com personagens marginais e mulheres fatais. Também tem um que de história em quadrinhos – um dos roteiristas é Luiz Gê, que no mesmo ano de 86 trabalhou como editor da revista Circo, na qual trabalhou com Laerte, Angeli e Glauco.

Os outros roteiristas foram o diretor Chico Botelho e o protagonista Arrigo Barnabé. Foi o segundo e último longa dirigido por Chico Botelho, que faleceu em 1991, com apenas 43 anos de idade.

No elenco, Arrigo Barnabé está bem como o protagonista – curiosamente, ele é o autor da trilha sonora, mas seu personagem não tem nenhum número musical. Carla Camurati também está muito bem como Shirley Sombra. Jô Soares faz uma participação especial em uma única cena. Também no elenco, Cláudio Mamberti e Celso Saiki.

Lembro de ter visto Cidade Oculta no Rio Cine Festival, de 1986, em uma sessão no antigo Ricamar (onde hoje é a Sala Baden Powell). O filme ganhou cinco prêmios neste festival: melhor filme, diretor, fotografia, música original e ator coadjuvante (Cláudio Mamberti).

Cidade Oculta está disponível completo no youtube, inclusive com a cena de nudez e sexo do casal principal…

Bugonia

Crítica – Bugonia

Sinopse (filmeb): Dois jovens obcecados por teorias da conspiração sequestram a CEO de uma grande empresa, convencidos de que ela é uma alienígena que tem a intenção de destruir o planeta Terra.

Pobres Criaturas foi um filme marcante em vários aspectos: um visual exuberante, uma temática delicada e polêmica, e uma atuação inspiradíssima da Emma Stone. Claro que o diretor Yorgos Lanthimos entrou no radar da maioria dos cinéfilos. Pouco depois de Pobres Criaturas, chegou no circuito Tipos de Gentileza, que heu gostei, mas é um filme claramente “menor” e muita gente não curtiu. Aí a expectativa foi transferida para o seu filme seguinte, este Bugonia.

Quando heu soube que Bugonia era refilmagem de uma ficção científica coreana que ninguém conhece, fui catar o filme original antes de ver o novo. Trata-se de Save the Green Planet!, dirigido por Jang Joon-hwan em 2003. É um filme realmente pouco conhecido – curiosamente, depois da sessão de imprensa, conversei com algumas pessoas, metade não tinha visto o filme coreano, a outra metade nem sabia que era refilmagem.

Não gostei muito do filme coreano, achei os personagens mal desenvolvidos – Bugonia é melhor. Mas respondo logo a pergunta: sim, a história é basicamente a mesma nos dois filmes: um alto executivo de uma grande empresa é sequestrado por dois malucos conspiracionistas que acham que se trata de um alienígena. A diferença é que no original é um executivo homem, sequestrado por um casal, e aqui é uma executiva mulher sequestrada por dois primos.

Uma coisa que o filme sabe muito bem trabalhar é a dúvida sobre a veracidade da tal teoria conspiratória. Afinal, vemos uma pessoa sendo sequestrada por um cara completamente lelé das ideias, que defende uma ideia absurda – será que isso pode ser verdade? Lembrei de Rua Cloverfield 10, quando passamos quase todo o filme sem saber se o papo do John Goodman é real ou não.

Bugonia é um filme bastante desconfortável. A boa trilha sonora de Jerskin Fendrix (o mesmo de Pobres Criaturas) ajuda no desconforto. Curiosidade: Fendrix compôs a trilha antes de ter acesso ao roteiro; Yorgos Lanthimos falou pra ele se basear em quatro palavras chave: abelhas, porão, espaçonave e “Emily bald”, o que seria algo como “Emma Stone careca”.

Visualmente falando, Bugonia não é tão exuberante quanto outros filmes do diretor. Não que isso seja algo necessariamente ruim, mas é que depois de A Favorita e Pobres Criaturas, a gente espera algo mais fora da caixinha, e o visual de Bugonia é mais, digamos, “careta”.

No elenco, Emma Stone e Jesse Plemons estão excelentes, ambos têm personagens desagradáveis e ao mesmo tempo muito interessantes. Outro destaque é para o estreante Aidan Delbis – Lanthimos queria alguém neurodivergente para o terceiro papel mais importante do filme, e Delbis é autista – e manda muito bem. Alicia Silverstone tem um papel mais discreto como a mãe do Jesse Plemons (apesar dos atores terem apenas 12 anos de diferença de idade).

Bugonia é melhor que Tipos de Gentileza, mas está bem abaixo de Pobres Criaturas. Prevejo uma galera “tênis verde” reclamando depois das sessões…

Enterre Seus Mortos

Crítica – Enterre Seus Mortos

Sinopse (imdb): Em uma paisagem rural apocalíptica, o coletor de animais atropelados Edgar Wilson planeja uma fuga com sua namorada Nete, mas tem sonhos violentos.

Enterre Seus Mortos passou no Festival do Rio ano passado, não consegui ver, mas alguns amigos viram, e todos foram unânimes: era um dos piores filmes daquele ano. Mais de um ano depois, passou nos cinemas e finalmente tive oportunidade de assistir, e concordo com eles. Pensei em não fazer texto sobre Enterre Seus Mortos, porque não gosto muito de falar mal de terror nacional. Mas Enterre Seus Mortos foi tão decepcionante que talvez ele volte no top 10 de piores do ano. Então bora comentar logo.

Enterre Seus Mortos é o novo filme dirigido por Marco Dutra. Não sou muito fã do estilo dele, mas já vi alguns dos seus filmes. E ele merece respeito porque quase sempre consegue colocar seus filmes no circuito, coisa rara em se falando em terror nacional. O filme foi baseado no livro homônimo, escrito por Ana Paula Maia, que co-escreveu o roteiro com Dutra.

(Enterre Seus Mortos estava em cartaz. Fui ao Cinemark Downtown numa segunda feira para assistir. E heu era o ÚNICO dentro da sala de cinema. Fico triste pela bilheteria ruim. Mas, olhando pelo lado egoísta, olha só, não tinha ninguem usando celular…)

Enterre Seus Mortos começa bem. O espectador cai direto num mundo apocalíptico, onde pessoas estão fugindo do planeta e uma religião fundamentalista toma conta da sociedade. Somos apresentados a Edgar Wilson, um cara cujo trabalho é recolher animais mortos que podem estar contaminados.

(Sabe aquelas coisas que só heu penso? Toda vez que ouvia “Edgar Wilson” me lembrava de Ed Wilson, cantor da época da Jovem Guarda, um dos fundadores da banda Renato e Seus Blue Caps…)

A trama é arrastada, mas reconheço que estava gostando desse clima apocalíptico maluco. Mas, na parte final, o filme muda para uma direção completamente diferente. Mas vou ter que entrar nos spoilers pra comentar isso.

SPOILERS!

A distopia apocalíptica estava andando bem. Mas do nada mudam o foco do filme e vira um filme de possessão demoníaca. De onde veio isso?

Depois ainda tem uma maluquice de uma menina polvo. Mas quando isso apareceu, o filme já tinha me perdido com a possessão.

FIM DOS SPOILERS!

No elenco, gostei de ver Selton Mello num papel um pouco diferente do de sempre. Não que seja uma grande atuação, não é. Mas, sabe aquele estilo sempre igual, que ele repete em qualquer filme ou programa de TV? Aqui ele não está igual. Já Marjorie Estiano, grande atriz, aqui só faz o feijão com arroz. Também no elenco, Betty Faria, Danilo Grangheia e Gilda Nomacce.

Gosto do Marco Dutra, gosto de prestigiar terror nacional. Tomara que 2025 tenha dez filmes piores…

O Sobrevivente (2025)

Crítica – O Sobrevivente (2025)

Sinopse (imdb): Um homem se junta a um reality show no qual os competidores, que podem ir a qualquer lugar, são caçados por “caçadores” empregados para matá-los.

Finalmente estreou o novo O Sobrevivente! E tenho propriedade pra falar essa frase. Coloquei esse filme na minha lista de expectativas para 2023! Citei a existência desse filme em 29 de dezembro de 2022!

Na verdade esta nova versão não é uma refilmagem do filme de 1987, sucesso de Arnold Schwarzenegger. É outro filme baseado no mesmo livro, lançado em 1982, de autoria de Richard Bachman (que era pseudônimo de um tal de Stephen King). Revi a versão de 87, realmente precisava de uma modernizada. Aquele filme é divertido, mas envelheceu muito mal.

Em O Sobrevivente, conhecemos Ben Richards, um cara esquentadinho, que perdeu o emprego e tem uma filha doente. Desesperado pela falta de grana, resolve se candidatar a uma vaga em um reality show para conseguir dinheiro para comprar remédio pra sua filha. Mas, como tem um perfil de brigão, o colocam no The Running Man, programa que paga muito bem, mas de onde quase ninguém sai vivo.

Mesmo sabendo que não é uma refilmagem, a comparação é inevitável – e o próprio filme não ignora isso, as cédulas do “new dolar”, dinheiro usado no filme, têm o rosto do Arnold Schwarzenegger. O filme de 87 tem alguns detalhes melhor desenvolvidos, mas, no geral, esta nova versão é melhor.

O filme dos anos 80 era colorido e cheio de divertidas frases de efeito, mas se a gente parar pra pensar, a competição em si não fazia muito sentido – são muitos furos de roteiro. Aqui temos um contexto mais bem estruturado, é uma sociedade futurista distópica com pessoas pobres desesperadas, e uma mídia que sabe explorar esse desespero em números de audiência. E a dinâmica do programa também está melhor, com os corredores escondidos por diferentes cidades, e os caçadores aguardando o horário nobre para agir.

Agora, os caçadores espalhafatosos do outro filme são melhores que os daqui. Na verdade, aqui são cinco, mas a gente só conhece a história da um deles. Outro tem uma única cena com diálogos e só. Os outros três só estão lá como figuração.

Teve uma coisa que não gostei. Ao longo do filme, Ben Richards fica mudando sua postura em relação a confiar ou não no chefão Killian. Porque, se ele não confia no que o Killian diz, como vai confiar que sua esposa vai receber o pagamento?

Ah, tem mais uma coisa: naquele mundo futurista onde postes na rua têm detectores de DNA, aqueles braceletes certamente teriam um GPS!

No elenco, Glen Powell continua galgando seu espaço no panteão de grandes estrelas de Hollywood. Killian é interpretado por Josh Brolin, que consegue ser canalha e sedutor ao mesmo tempo. Já mencionei aqui que sou fã da voz do Colman Domingo, achei legal vê-lo como o apresentador do programa. Também no elenco, Katy O’Brian, William H. Macy, Michael Cera, Emilia Jones e Lee Pace.

(Aliás, impossível não lembrar de Assassino Por Acaso quando o Glenn Powell começa a experimentar disfarces…)

O Sobrevivente tem algumas boas cenas de ação, e toda a sequência com o Michael Cera é bem divertida (lembrando que ele já tinha trabalhado com o diretor quinze anos antes, em Scott Pilgrim). Mas o resultado final parece apenas um filme burocrático, daqueles encomendados por grandes estúdios. Filme que vai divertir o público, mas será esquecido pouco depois. Olhando a carreira do Edgar Wright, é uma pena. Porque, na comparação, talvez O Sobrevivente seja o seu filme mais fraco.

Garota Dourada

Crítica – Garota Dourada

Sinopse: Em um belo recanto do litoral, uma sensual jovem provoca a rivalidade entre dois surfistas que desejam conquistá-la. Um deles tenta esquecer uma antiga paixão mas esta reaparece, deixando-o dividido.

Fazia décadas desde a última vez que tinha visto Menino do Rio e Garota Dourada. Rever Menino do Rio foi uma agradável surpresa, o filme é melhor do que heu lembrava. Já Garota Dourada foi uma outra surpresa, mas negativa. É bem inferior ao filme anterior.

Se passaram alguns anos, vemos Valente com uma filha e separado da Patrícia. Resolve então viajar para Santa Catarina, com a companhia de Zeca, que hoje é um popstar da música. Lá ele conhece Diana, e arranja um novo rival, Betinho.

Sabe qual é o problema? Parece que não desenvolveram direito nenhum dos possíveis plots. Essa história entre Valente, Patrícia e Betinho podia ser um bom triângulo amoroso, principalmente porque Patrícia volta na parte final do filme. Mas não, em vez disso perdemos tempo com uma trama paralela com um ser místico que fala com voz metálica (e, sem legendas, não dá pra entender nada do que ele fala), e que tem um circo, ou algo parecido. Essa sub trama não leva a lugar nenhum e só atrasa o filme.

Tem outro plot secundário mal desenvolvido que é uma fã do Zeca que viaja até onde eles estão e eles acabam ficando juntos. Mas ele briga com ela quando descobre que ela era uma fã. Ué, ele gosta dela, ela gosta dele, por que brigar?

Teve uma coisa que não sei se achei legal. O personagem Pepeu, vivido por Ricardo Graça Melo, morre no primeiro filme. Mas o ator está de volta, interpretando Kid, o irmão do Pepeu, numa outra trama paralela. O problema é que é uma trama besta – além de uma forçação pra incluir uma participação sem graça da Marina Lima.

Ainda existe um problema geográfico. No primeiro filme, Valente viaja para Saquarema e conhece Patrícia, e depois se reencontram no Rio de Janeiro. Ok, são cidades perto, cerca de 100 km de distância, é algo possível de acontecer, pessoas que foram passar um fim de semana numa cidade pequena perto, mas voltam pra cidade grande depois. Mas, Santa Catarina não é tão perto assim do Rio, são mais de mil quilômetros entre Rio e Florianópolis. Todos se reencontrarem no Rio forçou a barra…

Na parte final, temos algumas participações musicais. Tem trechos de shows com Ritchie (com o Lobão na bateria), Guilherme Arantes e Marina (num dueto com Ricardo Graça Melo). Ok, foi legal ver esses momentos musicais.

Sobre a trilha sonora, tem uma história que ouvi de um amigo, mas não consegui confirmar se é verdade ou lenda urbana. No filme Menino do Rio, toca a música Garota Dourada. E segundo diz a lenda, o diretor Antônio Calmon pretendia fazer uma trilogia, e o terceiro filme se chamaria “Menina Veneno” – música que toca na trilha de Garota Dourada. Catei no google, mas não achei nenhuma fonte confiável que confirmasse esse terceiro filme.

No elenco, temos a volta de André de Biase, Cláudia Magno, Sérgio Mallandro e Ricardo Graça Mello. As novidades são Bianca Byington e Roberto Bataglin (como as outras duas arestas do triângulo), e Andréa Beltrão num papel que parece um protótipo da Zelda Scott que ela faria a partir do ano seguinte em Armação Ilimitada (ao lado do André de Biase). Alexandre Frota, estreando no cinema, faz parte da galera que anda com Valente. Geraldo Del Rey e Carlos Wilson também têm papéis importantes. E, segundo o imdb, Marcos Palmeira está no elenco, mas não vi…

Garota Dourada só vale pela nostalgia. Porque infelizmente não é um bom filme.

Terror em Shelby Oaks

Crítica – Terror em Shelby Oaks

Sinopse (imdb): A busca desesperada de uma mulher por sua irmã há muito tempo perdida torna-se uma obsessão ao perceber que o demônio imaginário de sua infância pode ter sido real.

Fui ver Terror em Shelby Oaks sem saber nada sobre o filme. Achei um terror meia boca, algumas boas ideias aqui e ali, mas um filme esquecível no geral. Só depois que fui ler sobre os bastidores…

Terror em Shelby Oaks (Shelby Oaks, no original) é o filme de estreia de Chris Stuckmann, pioneiro em fazer críticas de cinema no youtube – o canal dele, hoje, tem pouco mais de dois milhões de inscritos. Mas, confesso que não conhecia ele…

Para conseguir financiamento para este filme, Stuckmann fez um crowdfunding no Kickstarter, e acabou levantando um milhão, trezentos e noventa mil dólares, através de 14720 apoiadores – e se tornou o maior sucesso da plataforma no que diz respeito à filmes de terror.

Ou seja: palmas para Stuckmann, youtuber que tinha um sonho, e conseguiu realizá-lo. Pena que o filme é fraco.

Me parece que Stuckmann tinha várias ideias e resolveu misturá-las. E faltou uma revisão mais rigorosa no roteiro para tirar excessos. Um exemplo simples: tem uma longa introdução no formato mockumentary, usando algumas cenas em found footage. Não contei, mas deve ser tipo meia hora de filme. Aí do nada o filme muda para a narrativa convencional. E aí mistura prisão assombrada, bruxa velha, possessão, demônio…

Parece que parte do problema foi uma alteração no projeto original, quando entrou um dinheiro extra além do que foi planejado e fizeram algumas refilmagens para “melhorar” o filme. Inclusive, Mike Flanagan virou produtor executivo e ajudou na divulgação. Não conhecemos o roteiro antes do aporte financeiro, mas, se já era um roteiro bagunçado antes, só piorou depois.

O resultado não “deu liga”. Algumas cenas são boas, mas é pouco. E o roteiro ainda tem várias coisas que não fazem o menor sentido, como por exemplo uma personagem que presencia um homem se matando na frente dela, o sangue do cara jorra no seu rosto, mas ela não se limpa e continua com a cara suja de sangue horas depois.

Enfim, aguardemos por um segundo projeto do youtuber diretor. Porque esse aqui ficou devendo.

Frankenstein

Crítica – Frankenstein

Sinopse (imdb): Um cientista brilhante, mas egocêntrico, dá vida a uma criatura em um experimento monstruoso que acaba levando à destruição do criador e de sua trágica criação.

Guillermo Del Toro é talvez o melhor cineasta que sabe usar o contraste para unir o belo ao grotesco. E ele tinha há anos o sonho de fazer a sua versão da história do Frankenstein, baseada no clássico livro de Mary Shelley. Finalmente conseguiu, e temos mais um belíssimo espetáculo – claro, com um pé no grotesco.

Visualmente, Frankenstein é tudo o que se espera de del Toro, que fez questão de ter cenários inteiramente construídos, com o mínimo de cgi possível. Assim como aconteceu em Pinóquio, cada cena, cada frame, tudo parece esculpido a mão.

Em vez de apostar no terror clássico, del Toro nos entrega um drama gótico sobre criação e abandono. Temos uma criatura humanizada, que é bem mais complexa que o clássico monstro abobado com um parafuso no no pescoço. A criatura aqui sente, aprende e sofre. Del Toro declarou que seu filme é mais sobre abandono paternal do que o mau uso da ciência.

Del Toro já trouxe vários monstros para o cinema – não só o monstro de A Forma da Água lhe deu seu primeiro Oscar, como o monstro de Labirinto do Fauno é um dos mais assustadores da história do cinema. E se aqui temos um monstro como uma das figuras centrais, claro que a criatura é um dos pontos altos. E, olha a ironia, Andrew Garfield ia interpretar a criatura, mas teve que se desligar do projeto por problemas de agenda. A equipe de maquiagem ficou nove meses trabalhando no conceito de Garfield como o monstro, e quando ele foi substituído por Jacob Elordi, tiveram apenas algumas semanas pra adaptar tudo. E mesmo assim o resultado ficou fantástico.

(Jacob Elordi tem 1,96, sua criatura é imponente. Será que Andrew Garfield, com apenas 1,79, não seria pequeno demais para o papel? Ou será que iam usar truques de câmera pra ele parecer mais alto?)

(Um mimimi com relação ao visual da criatura. Dr. Victor Frankenstein usou vários corpos, sempre pegando as melhores partes de cada um. Então tem lógica ele ser todo costurado. Agora, o rosto dele precisava ter tantas costuras? Será que não tinha um rosto inteiro no meio dos corpos?)

Todo o visual do filme é digno de prêmios – provavelmente teremos algumas indicações ao Oscar no início do ano que vem. Figurinos, cenários, maquiagem, props, tudo é feito com precisão. Tem uma cena com vários pedaços de corpos (usados para montar a criatura) onde tudo parece tão real que quase a cena tem cheiro!

O roteiro é dividido em duas partes. Temos primeiro o ponto de vista do cientista dr. Victor Frankenstein, e depois o ponto de vista da criatura. E o roteiro é bem estruturado, porque aos poucos vamos vendo que o monstro não é a criatura e sim o criador.

Queria ainda citar a bela sequência com o homem cego onde a criatura lentamente se desenvolve intelectualmente. Curiosidade: a criatura lê o livro Ozymandias, de Percy Bysshe Shelley, que era marido da Mary Shelley autora do livro.

O elenco é muito bom. O já citado Jacob Elordi tem carisma suficiente pra trazer ao personagem toda a complexidade necessária. Oscar Isaac, por sugestão do diretor, tem uma postura mais de rock star e menos de cientista – Del Toro sugeriu inspiração em Mick Jagger, David Bowie e Prince. Christoph Waltz faz o Christoph Waltz de sempre, e funciona bem – como sempre. Mia Goth talvez pudesse ter mais espaço, mas não está mal. Ainda no elenco, Charles Dance, Felix Kammerer e David Bradley.

Ouvi gente comentando que o filme é longo demais. Não achei, o filme não me cansou, apesar de ter quase duas horas e meia. Talvez seja porque consegui ver no cinema – algumas semanas antes de estrear na Netflix Frankenstein foi exibido em algumas salas, e aproveitei a chance.

Não é o melhor Guillermo del Toro, mas é um grande filme. Em cartaz na Netflix.

The Toxic Avenger 2023

Crítica – The Toxic Avenger 2023

Sinopse (imdb): Quando um padrasto toma medidas drásticas para sustentar sua família, ele é acidentalmente transformado em um mutante hediondo.

É complicado falar de um filme como esta refilmagem do Vingador Tóxico, um dos trashs mais conhecidos da história do cinema. Porque por um lado é um filme que precisa de uma atualização, mas por outro lado, se atualizar, fica desfigurado.

Vamos a uma breve contextualização. A Troma é uma produtora assumidamente trash, especializada em comédias de terror, com elementos de paródia, gore e splatter. Produziu filmes como Tromeu e Julieta (com roteiro do James Gunn!), Poultrygeist e Class of Nuke ‘Em High, além de distribuir títulos como A Camisinha Assassina e Monstro do Armário.

Lançado em 1984, O Vingador Tóxico foi o primeiro grande sucesso da Troma (e talvez o maior sucesso até hoje). Mas é um filme todo errado – só pra dar um exemplo: o vilão do filme gosta de atropelar crianças. Vou além: o espectador comum de hoje, 2025, não vai aceitar uma produção tão tosca, com efeitos especiais mal feitos e atuações caricatas.

Vamos à nova versão. Começo com uma dúvida sobre o ano de produção. Porque no imdb a data é 2023, mas nos créditos do filme tem datas de 2025. Vou considerar o imdb e deixar 2023.

Dirigido por Macon Blair, The Toxic Avenger (não sei se vai ter título em português) tem algumas mudanças estruturais em relação ao filme original de 1984. Acredito que a maior delas é que o protagonista antes era um jovem, faxineiro de uma academia, que sofria bullying de um grupo de marrentos; enquanto aqui o protagonista também é faxineiro, mas é viúvo e padrasto de um adolescente, e descobre que tem uma doença terminal e que seu plano de saúde não cobre o tratamento. Ou seja, deram um contexto pro Toxie. O que é positivo, mas que por outro lado foge da proposta inicial de explorar tosqueira.

A trama segue com semelhanças aqui e diferenças ali. Por exemplo, no original tem uma cena icônica numa lanchonete, que é onde o Toxie conhece uma mulher cega que passa a ser sua companheira. Aqui tem a cena da lanchonete, tem até uma mulher cega, mas ela só aparece nessa cena.

Toxic Avenger segue por aí. Faz acenos ao clássico, mas tem medo de se lambuzar no trash. Nem o gore, que podia ser melhor aproveitado, é bem explorado aqui. E ainda tem algumas “roteirices”, tipo o esfregão do Toxie, que pode ser extremamente letal, mas também pode ser quase inofensivo (vejam a cena do show, onde ele anda cercado de pessoas, com aquele esfregão quase esbarrando em todo mundo).

Agora, precisamos reconhecer que o elenco é impressionante, em se tratando de Troma (que até tem filmes com gente que ficou famosa depois, mas sempre antes da fama, como Vincent D’Onofrio (que fez The First Turn On), ou Billy Bob Thornton (que fez Chopper Chicks in Zombietown)). Aqui é bem diferente, temos Peter Dinklage, Jacob Tremblay, Kevin Bacon e Elijah Wood, os quatro em papéis grandes (Tom Savini está em Queens of The Dead, mas é uma ponta, filmada em outro ambiente separado do elenco). Detalhe de bastidores: Peter Dinklage não está sob a pesada maquiagem do Toxie, é a atriz Luisa Guerreiro (com Dinklage dublando). Agora, se estão bem? Olha, é uma refilmagem do Vingador Tóxico. Não espere boas atuações.

Heu até gostei deste novo Toxic Avenger. Gostei de como atualizaram a temática. Mas acredito que quem for fã do original não vai gostar. Porque, enquanto o Vingador Tóxico de 1984 é um clássico cultuado, esta nova versão apenas é um filme bobinho e esquecível.

Ah, tem cena pós créditos. Duas. Um gancho pra continuação, e uma cena bem sem graça.

Predador: Terras Selvagens

Crítica – Predador: Terras Selvagens

Sinopse (imdb): Um jovem predador marginalizado de seu clã encontra um aliado improvável em sua jornada em busca do melhor adversário.

O primeiro Predador, de 1987, apresentava um antagonista diferente. Ele não era exatamente um vilão, na verdade era um caçador em um safári interplanetário, que enfrentava o protagonista porque achava que ele era um bom adversário. A partir do segundo filme isso ficou mais claro: a cultura dos yautjas (o nome da espécie) é guerrear contra adversários mais fortes que eles. Isso abre espaço para um universo gigantesco, afinal podemos ver inúmeros filmes mostrando yautjas lutando em ambientes estranhos, contra adversários ainda mais estranhos.

Dirigido por Dan Trachtenberg (que está cuidando bem da franquia, ele também dirigiu os bons O Predador – A Caçada e a animação Predador: Assassino de Assassinos), Predador: Terras Selvagens (Predator: Badlands, no original) faz algo que a gente ainda não tinha visto: traz um yautja como protagonista. Digo mais: não só não se passa no nosso planeta, como também não tem nenhum humano. E não é que o resultado funcionou?

Predador: Terras Selvagens nos apresenta Dek (acho que é o primeiro filme onde ouvimos o nome de um yautja), que é fraco e rejeitado por um pai abusivo, e que por isso resolve tentar conseguir um prêmio difícil: matar uma criatura que nenhum yautja até hoje conseguiu matar. Detalhe: essa criatura está em Genna, um planeta muito perigoso.

O planeta Genna é um dos pontos altos do filme. A geografia parece a da Terra (foi filmado na Nova Zelândia), mas foram criadas uma fauna e uma flora onde tudo apresenta perigo. Todos os bichos e plantas parecem querer matar o protagonista, que acaba se associando a Thia, uma robô sem pernas, de propriedade da Weyland Yutani – sim, a mega corporação da franquia Alien, deixando claro que no futuro provavelmente teremos novos Alien vs Predador (e espero que melhores do que os que já fizeram). Aliás, o modo de carregar o robô nas costas foi uma homenagem ao Império Contra Ataca, quando Chewbacca carrega C3P0 desmontado do mesmo jeito.

Gostei muito da dinâmica da dupla Dek / Thia. Mas, é uma parte do filme que traz algum humor, e amigos meus não gostaram disso. Como pra mim “cinema é a maior diversão”, não vou reclamar de algumas situações engraçadas criadas pela dupla. E não é só isso: durante parte do filme a dupla vira trio, quando Bud, uma nova criatura que parece um macaco de olhos grandes, se junta à trupe. E Bud tem alguns momentos que são bem engraçados. (Além disso, o visual do Bud é perfeito pra fazer bichos de pelúcia. Me parece que a Disney quer um novo Grogu.)

Tecnicamente falando, Predador: Terras Selvagens é um absurdo. Todo o visual do novo planeta é perfeito – a gente sabe que boa parte é cgi, mas não dá pra saber o que é real e o que é computador. Outro detalhe importante: boa parte do filme os diálogos são na língua yautja. Sim, criaram uma nova língua para este filme. A trilha sonora com vozes graves que lembram mantras tibetanos também é muito boa.

Sobre as cenas de luta, tenho um elogio e uma reclamação. O elogio é pra uma coreografia onde a Thia está separada de suas pernas, mas elas continuam coordenadas com o torso. Assim temos uma luta onde metade do lutador está em um lado, a outra metade está no outro, e as metades atuam em sintonia, foi uma boa sacada. Agora, por outro lado, a cena da batalha final é muito bagunçada, a gente não consegue entender o que está acontecendo, muita coisa embolada na tela, parece um filme de Transformers com aquelas lutas muito mal filmadas.

Quero fazer um mimimi, com cuidado pra não entrar em spoilers. Determinado momento do filme, Dek dá uma magaiverizada e resolve usar a fauna e a flora local para criar armas. Ele pega plantas e bichos para usar contra os inimigos. Até aí, ok, é uma ótima sacada. Mas tem um animal que ele coloca no ombro, e o bicho vira uma arma. Que ele consiga domesticar o animal e usá-lo a seu favor, ok; mas, a ponto do bicho virar adestrado e funcionar junto com o pensamento? Forçou a barra…

O elenco é muito pequeno, na verdade, só existem seis nomes nos créditos oficiais. Thia é interpretada por Elle Fanning, que está bem como a robô tagarela. Dimitrius Schuster-Koloamatangi faz Dek, mas, claro, não vemos seu rosto. Curiosidade: ele tem só 1,80m de altura, foi a primeira vez que um ator de menos de 2 metros interpreta um yautja (Kevin Peter Hall, que fez os dois primeiros filmes Predador, tinha 2,24m!). O filme é quase todo em cima dos dois. Tem outro ator creditado como a voz do Bud, mais o pai e o irmão do Dek, e um único ator interpreta todos os outros robôs que aparecem na parte final do filme.

Predador: Terras Selvagens estreou esta semana no circuito. Boa opção pra quem gosta do gênero.

Menino do Rio

Crítica – Menino do Rio

Sinopse (imdb): Aventuras românticas de um grupo de adolescentes e surfistas do Rio de Janeiro.

E vamos a mais um filme da playlist rock nacional anos 80!

Falei dos três filmes do Lael Rodrigues, lançados em 1984, 85 e 87, época que o rock nacional estava na crista da onda. Menino do Rio é de 1982, o rock era novidade. Ou seja, este está mais para um filme sobre jovens, que usa o rock nacional na trilha sonora; do que um “filme do RockBR”.

Escrito por Bruno Barreto e dirigido por Antônio Calmon, Menino do Rio nos apresenta Valente, típico “playboy da zona sul” (apesar de não morar na zona sul). Ele surfa, voa de asa delta, e trabalha fazendo pranchas. Claro, tem um pai rico. Valente conhece Patrícia, e eles começam a namorar, mas se separam por um motivo bem imaturo, na minha humilde opinião (se bem que até hoje tem gente que pensa que nem ele).

(O filme não deixa claro onde ele mora, mas tem cara de ser naquelas praias depois do Recreio. Me pareceu ser a praia depois do Pontal.)

A história é original, mas o personagem foi inspirado em uma pessoa real, José Arthur Machado, também conhecido como Petit, um surfista com um dragão tatuado no braço (numa época que quase ninguém tinha tatuagens), que inspirou Caetano Veloso a escrever a música Menino do Rio em 1979. Petit tem uma história triste: sofreu um acidente de moto em 1987 e acabou cometendo suicídio dois anos depois.

Menino do Rio tem o perfil das produções nacionais da época. Produção boa, som ruim. E, claro alguma nudez gratuita. Foi um grande sucesso de público na época, tornando-se um fenômeno cultural e um dos filmes nacionais de maior bilheteria do período.

Queria fazer dois comentários sobre a parte musical do filme. O primeiro é que, diferente dos quatro filmes comentados nas últimas semanas (Bete Balanço, Rock Estrela, Rádio Pirata e As Sete Vampiras), a música Menino do Rio, sucesso em 1980 na voz de Baby Consuelo, não toca no filme. Curiosamente, a música Garota Dourada toca, mais de uma vez, na versão conhecida e em uma versão instrumental, mais lenta, num momento triste do filme. E a continuação de Menino do Rio se chama justamente Garota Dourada.

O outro comentário é sobre o momento que a música brasileira estava passando. Nos filmes do Lael Rodrigues, o RockBR estava no auge da fama; mas aqui, em 1982, ainda era novidade. Vamos voltar um pouco no tempo. Em 1980, o rock brasileiro era underground. Rita Lee já tinha deixado o Tutti Frutti e estava fazendo um som mais pop, tinha lançado um disco com Lança Perfume, Baila Comigo e Bem Me Quer; Raul Seixas estava na área, mas sua carreira não estava em alta. Até que, em 1981, a Gang 90 tocou Perdidos na Selva no festival MPB Shell, da rede Globo, e lançou uma fagulha que incendiaria a música brasileira: em 1982, foram lançados discos da Blitz, Lobão, Lulu Santos, Barão Vermelho, Rádio Táxi e Herva Doce. Ou seja, na época que Menino do Rio foi feito, o rock nacional ainda não era um produto consolidado – mas certamente o sucesso do filme ajudou a explosão do RockBR.

O elenco é bom. Valente é interpretado por André de Biase, que alguns anos depois seria protagonista de um seriado que marcou a minha geração: Armação Ilimitada. Patrícia era Cláudia Magno, que fez sucesso em novelas, mas faleceu precocemente aos 35 anos. Dois nomes curiosos estão entre os principais coadjuvantes. Um é Sérgio Mallandro, o caricato “glu glu ié ié” tem um papel grande, rolam boatos de que ele improvisou boa parte dos diálogos. Outro é Evandro Mesquita, vocalista e principal nome da Blitz. Digo que sua presença é curiosa porque não tem Blitz na trilha sonora (Cazuza atua em Bete Balanço, filme que tem mais de uma música do Barão Vermelho). Também no elenco, Ricardo Graça Melo, Cissa Guimarães, Claudia Ohana, Nina de Pádua e Tania Boscoli.

Em 1983 veio a continuação, Garota Dourada, dirigida pelo mesmo Antônio Calmon. Em breve comento aqui!