Crítica – Exit 8
Sinopse (imdb): Um homem se perde numa passagem subterrânea. Seguindo um guia, eventos estranhos acontecem. Será este espaço real? Conseguirá escapar?
Ano passado, na live de Halloween do Otavio Ugá, ouvi falar desse Exit 8. Na época não consegui ver, mas ele apareceu agora de “maneira alternativa”, aí finalmente consegui ver.
Dirigido por Genki Kawamura, Exit 8 é baseado no jogo homônimo – que heu nem sabia que existia. Mas vendo o filme a gente consegue sacar qualé a do jogo. Um cara se vê preso num loop, num corredor do metrô, e precisa seguir uma regra simples: se existe alguma anomalia no corredor, precisa voltar, se não, segue em frente – por 8 fases. Tipo um “jogo dos sete erros”, se existe algo diferente no cenário, precisa voltar. Se erra, volta pra fase 0. Assim, vemos o personagem passando dezenas de vezes pelo mesmo corredor, em loop.
Quem me conhece sabe que gosto de cinema bem filmado. E aqui em Exit 8 tem algumas sequências que são impressionantes. O filme abre com um plano sequência de quase 8 minutos, mostrando o ponto de vista do protagonista, primeiro dentro de um vagão de metrô, depois por corredores de uma estação cheios de gente, até chegar no tal corredor onde acontece o loop. E são vários takes longos com o personagem andando pelos corredores repetidos.
A gente sabe que quase todo plano sequência hoje em dia tem emendas digitais. O cara filma até certo ponto, aí corta e depois recomeça como se fosse o mesmo take, e depois emenda digitalmente. Não achei nenhuma informação sobre as filmagens aqui, mas provavelmente fizeram isso, porque se não teriam que ter feito dezenas de corredores iguais. Tem um corredor mais longo, depois três mais curtos fazendo um “S”, pra voltar ao corredor longo. O lance é que são takes longos, com câmera em movimento, sem “pontos de corte óbvios” (como quando a câmera passa por trás de uma pilastra, por exemplo). Essa parte técnica do filme é de “explodir cabeças”! Fiquei procurando pontos de corte e não achei!
Agora, precisamos reconhecer que falta história. O filme tem pouco mais de uma hora e meia e não tem história pra todo esse tempo. A primeira parte do filme é excelente, o protagonista acabou de receber uma ligação da namorada dizendo que está grávida, e ele se vê atordoado sem saber como agir. O filme não deixa claro, mas a minha interpretação é que isso tem a ver com estar preso num loop – ele não sabe qual é a melhor decisão a tomar para direcionar a sua vida, assim como não sabe qual é o melhor caminho para sair do labirinto. O problema é que isso não dá pra preencher um longa metragem. Aí o roteiro muda perto do meio, e a segunda metade não é tão boa.
Existe um personagem secundário que é tipo um npc (non player character, ou “Personagem Não Jogável”, aquele personagem que não é controlado pelo jogador e segue uma rotina repetitiva) – a única função do cara é ser parte do cenário. Mas aí o filme resolve mudar o ponto de vista e em vez do protagonista, passamos a acompanhar este npc. Nada contra mostrar a vida de um npc, já vimos até filme com isso (Free Guy), o problema é que o personagem que conhecemos nessa segunda parte não tem nada a ver com o que vemos na primeira. Além disso não sabemos qual é a história dele para estar preso nesse labirinto, o filme não entrega nenhum background do personagem. Caramba, se você vai expandir sua história para outro personagem, crie um contexto!
Além disso, a parte final tem alguns exageros que fogem bastante da intrigante proposta inicial – o cara procurar alguma falha no cenário é muito mais interessante do que uma inundação que veio do nada e vai pra lugar nenhum.
Mesmo assim, a parte técnica da primeira metade do filme é tão hipnotizante que acabei o filme com vontade de rever, pra ficar procurando anomalias junto com o personagem.
Ah, existe uma cena pós créditos, mas é a cena mais besta possível. Vemos o corredor vazio. Só.
Exit 8 tem previsão de chegar ao circuito brasileiro no fim de abril. Provavelmente verei de novo no cinema.