6 Filmes (e uma série) de Futebol

6 Filmes (e uma série) de Futebol

Época de Copa do Mundo, o Brasil inteiro só quer saber de futebol. Resolvi então fazer uma listinha de alguns filmes (e uma série) ligadas ao velho esporte bretão.

Não vejo muitos documentários, então deixei de fora.

Os filmes não seguem uma ordem específica.

Um Time Show de Bola

Estava na dúvida se deveria incluir a animação argentina Um Time Show de Bola, do Juan Jose Campanella, afinal, são jogadores de totó. Mas como os bonecos ganham vida e entram em campo, tá valendo.

Quem Fizer Ganha

O time da Samoa Americana entrou na história por ter levado a maior goleada da história das eliminatórias: perdeu de 31 a zero para a Austrália em 2001. E o sonho dos caras não era ganhar um campeonato, mas simplesmente marcar um único gol. Dirigido por Taika Waititi e estrelado por Michael Fassbender.

Fuga Para A Vitória

Prisioneiros de guerra aliados na Segunda Guerra Mundial aceitam disputar uma partida de futebol contra a seleção nazista. Enquanto os alemães planejam usar o jogo como propaganda, os prisioneiros usam o evento para executar um ousado plano de fuga. Dirigido por John Huston e estrelado por Sylvester Stallone, Michael Caine, Max Von Sydow – e Pelé!

Driblando o Destino

Uma jovem indiana britânica de 18 anos, apaixonada por futebol, sonha em seguir os passos de seu ídolo, David Beckham, e se tornar uma jogadora profissional. Traz Keira Knightley ainda adolescente, antes da fama.

Shaolin Soccer

Um mestre do Kung Fu Shaolin com um chute poderoso reúne seus cinco irmãos de treino para formar um time de futebol improvável, misturando artes marciais e habilidades sobre-humanas para vencer um campeonato nacional. Bobagem divertida.

Ted Lasso

Sim, não costumo falar muito sobre séries, mas essa vale a pena. Um carismático treinador de futebol americano é contratado para gerenciar um time de futebol na Inglaterra. Embora não entenda o esporte, seu otimismo, empatia e inteligência emocional transformam a equipe, conquistam a cidade e revolucionam a vida de todos ao seu redor.

Goal of the Dead

Claro, estamos no heuvi, então aqui sempre tem espaço pra filmes alternativos que quase ninguém conhece. Encerro minha lista com Goal of the Dead, filme francês de 2014 que mistura futebol com apocalipse zumbi.

Hit Para Dois

Crítica – Hit Para Dois

Sinopse (imdb): Uma história musical inspiradora sobre um cantor de casamentos, uma estrela do rock e a música que se interpõe entre eles.

(Sinopse horrorosa…)

Fui convidado para a sessão de imprensa de Hit para Dois (Power Ballad, no original), e quando vi que era o novo filme do John Carney, logo confirmei presença. Mas… Alguns dias depois veio um convite para sessão de imprensa de Dia D, o novo Spielberg – no mesmo dia de Hit para Dois. Infelizmente tive que abrir mão de de Hit para Dois, afinal, Spielberg é Spielberg.

Mas, como sou fã do trabalho do diretor John Carney, assim que estreou, fui ao cinema ver. E posso dizer que gostei muito do filme. Mais ainda do que de Dia D.

Mas antes de entrar na análise, preciso avisar uma coisa: heu entendo que gostei muito do filme porque sou músico, e o John Carney é um cara que sabe fazer filmes que mostram o ponto de vista do músico. Não sei se esse filme agradar qualquer público, mas, afirmo de novo, heu gostei muito.

Em Hit Para Dois, Paul Rudd interpreta um Rick, o vocalista de uma banda que toca em casamentos. Durante uma festa, um dos convidados é Danny, que que foi cantor de uma boy band e agora está tentando alavancar sua carreira solo. Danny faz uma canja no show, e depois Rick e Danny passam a madrugada bebendo e trocando ideias musicais. Seis meses depois, Danny lança uma música nova e vira um grande sucesso. Só que essa música era do Rick. Ou seja, agora Rick quer brigar pela co-autoria da música.

Como John Carney não é um nome muito conhecido, um breve parágrafo sobre alguns filmes anteriores dele. O primeiro filme dele que heu vi foi Apenas Uma Vez, que mostra um músico de rua que conhece uma imigrante, também musicista e, juntos, resolvem gravar suas composições. O segundo foi Mesmo se Nada Der Certo, que mostra o encontro ao acaso entre um executivo de gravadora desempregado e uma jovem compositora que acabou de levar um fora do namorado que ficou famoso. Carney também fez Sing Street, que conta a história de um adolescente que começa uma banda para impressionar uma garota que ele gosta, em Dublin, nos anos 80. Ele fez um outro filme que heu ainda não vi, Flora e Filho, que também tem música na trama – falha grave, preciso ver. Resumindo: John Carney, que foi baixista de uma banda nos anos 90, é um cara que manja dos paranauês do universo de músicos.

Por que heu gosto dos filmes de John Carney? Porque não parece que são atores vivendo músicos, e sim músicos atuando. O ator principal aqui é Paul Rudd, todo mundo conhece de diversos filmes. Já o segundo nome do elenco é Nick Jonas, que era da banda Jonas Brothers. Não sei se podemos considerar Jonas Brothers como uma boy band, mas era uma banda “jovem”, ou seja, o cara tem a ver com o papel. E, principalmente, é um cara que sabe se portar num palco, seja num palco pequeno de uma festa, seja num palco gigante de um estádio.

(Em Mesmo se Nada Der Certo, Adam Levine, vocalista do Maroon 5, tem um papel importante. Como falei, John Carney é o cara que sabe misturar música e cinema).

A banda do Paul Rudd também passa a impressão de serem músicos de verdade. Aliás, o nome da banda é um trocadilho em inglês que heu achei genial, The Bride and the Groove – em inglês, “noiva e noivo” é “bride and groom”, e aqui trocaram “groom” por “groove”, boa sacada. Os músicos não passam a impressão de serem atores interpretando músicos, parecem ser uma banda “de verdade”. Me convenceu que eles realmente poderiam fazer um show daqueles.

Aproveito pra falar do elenco. Paul Rudd está igual a todos os filmes, mas merece um elogio: ele parece que está cantando e tocando de verdade. Nick Jonas já tinha um passado, desde a adolescência, como ator de produções direcionadas ao público infanto juvenil, como Camp Rock, mas admito que nunca tinha visto nada dele. Aqui ele convence, tanto como ator, quanto como músico. Também queria citar Peter McDonald, que faz Sandy, o amigo sem noção do Rick, e que é responsável por algumas cenas bem divertidas. Jack Reynor, que estava em Sing Street, tem um papel menor como o executivo da gravadora.

O roteiro tem algumas forçadas de barra – o reencontro de Rick e Danny não seria tão fácil. Mas reconheço que não tinha sacado a motivação da música principal do filme, foi quase um plot twist. Mas o importante num filme desses não são as mirabolâncias de roteiro, e sim o sentimento que o filme passa ao espectador. E nesse aspecto, Hit Para Dois é excelente.

Infelizmente, Hit Para Dois foi mal lançado e pouca gente vai ver. Mas pra quem gosta de “feel good movies”, recomendo fortemente!

Love Kills

Crítica – Love Kills

Sinopse (imdb): A jovem vampira Helena redescobre sua humanidade por meio de seu vínculo com o humano Marcos, enquanto navega por um mundo onde o vampirismo reflete traumas, exclusão e lutas de identidade.

Se tem filme nacional de terror novo, heu vou querer ver, e vou querer comentar aqui!

Em Love Kills, um garçom com um passado complicado se vê obcecado por uma misteriosa cliente. Ele começa a segui-la, e acaba descobrindo um submundo de vampiros na noite paulistana.

Logo de cara a gente pode fazer um elogio e uma crítica. O elogio é ao visual do filme. A diretora Luiza Shelling Tubaldini conseguiu mostrar uma São Paulo noturna belíssima na sua história de vampiros. Lembrei de Cidade Oculta, outro filme que também sabe explorar muito bem a noite paulistana. A fotografia do filme é muito bonita.

Por outro lado, o roteiro não é muito bom. O filme é baseado no quadrinho homônimo de Danilo Beyruth, que heu não conheço, e deu a impressão de que só vai entender o filme quem leu a HQ. Os personagens não são muito bem desenvolvidos e o final do filme é muito confuso. Vou comentar o final depois, numa parte com spoilers liberados.

Preciso falar dos efeitos especiais. Não são efeitos top, claro, afinal efeitos especiais não são algo comum no cinema nacional. Mas, assim como defendi os efeitos de O Clube das Mulheres de Negócios, também vou defender aqui. Precisamos de mais filmes com efeitos, muito mais filmes com efeitos. Só assim os nossos técnicos alcançarão o nível de Hollywood. Ou seja, “copo meio cheio”: os efeitos são satisfatórios. Além disso, reconheço que alguns efeitos de maquiagem são bem legais.

O casal principal de atores, Thais Lago e Gabriel Stauffer, está ok – curiosamente, o nome do ator principal é o último nome do elenco no imdb. Não gostei de Flow Kountouriotis, que faz uma espécie de líder de vampiros – mas não sei se o problema está no ator ou no roteiro, seu personagem é completamente fora do tom do resto do filme, parece que saiu de um infantil caricato tipo Castelo Rá Tim Bum. Love Kills também tem uma participação especial de Marat Descartes.

O final é bem ruim. Mas vamos aos avisos de spoilers antes.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Antes do final, queria aproveitar o momento “spoiler free” pra comentar um problema que não é exclusivo deste filme: o protagonista Marcos pode até não acreditar em vampiros. Mas quando ele está seguindo a Helena, ela voa e logo depois mostra que tem uma força maior que o normal. Pode até não ser vampira, mas algum superpoder ela tem. Vou além: quando eles estão num beco e são cercados pela gangue rival, ele não teria como defendê-la. E a gangue rival não o deixaria vivo. Mas, repito, centenas de filmes têm problemas semelhantes.

Até aí, heu estava até curtindo, mesmo com ressalvas. No fim, aparece um novo personagem, que era pra ser o grande vilão, mas foi muito mal utilizado. Mas o pior problema é pouco depois. Sabe aquelas gavetas de necrotério? Uma delas começa a vazar água. Aí a gaveta abre, e aparece uma nova personagem, uma mulher loira, de branco (já tinha aparecido numa sequência que parecia um sonho, no meio do filme), que faz chover, e depois some. Oi? De onde veio aquela personagem? Pra que ela serviu na trama, além da chuva? Pra que colocar um novo elemento na cena final, se não vai agregar nada ao filme?

Já comentei aqui antes, um bom final faz o filme somar pontos; um final ruim faz o inverso. Não sei se Love Kills vai voltar aqui na lista de piores do ano, mas vou te falar que esse final me fez não ter vontade de ver se um dia fizerem uma continuação.

Dia D

Crítica – Dia D

Sinopse (imdb): Se você descobrisse que não estamos sozinhos, se alguém abrisse seus olhos e mostrasse para você, você ficaria com medo?

Dia D (Disclosure Day, no original) estava na minha lista de expectativas para 2026, primeiro por ser o novo Spielberg, mas também por ser um Spielberg falando de alienígenas – claro que Contatos Imediatos do Terceiro Grau e ET O Extraterrestre vieram à memória.

Sou fã do Steven Spielberg por dois motivos. O primeiro é emocional: fui adolescente nos anos 80, e naquela época muitos filmes pipoca tinham Spielberg na direção ou produção (como Gremlins, Goonies, De Volta Para o Futuro, O Enigma da Pirâmide e Roger Rabbit, entre outros). Cresci vendo o nome do Spielberg se associando a cinema pipoca de boa qualidade.

Mas também sou fã do cara por um motivo que não sei se consigo descrever. Gosto muito do jeito como ele filma. Spielberg sabe, como poucos, como posicionar e como mover sua câmera. São detalhes discretos, que a maior parte do público nem repara, mas se você prestar atenção, vai se deliciar ainda mais com seus filmes. Faça isso na próxima vez que estiver assistindo um de seus filmes, preste atenção no ponto de vista da câmera. Sua experiência cinematográfica ficará ainda melhor!

Em Dia D, a trama se divide em dois núcleos, que vão se encontrar lá na frente. Em um deles, um homem, que era funcionário de uma empresa de tecnologia, foge com vários segredos, e pretende revelá-los. No outro, uma repórter meteorológica passa a agir de maneira estranha depois que recebe a visita de um passarinho. Sim, essa frase sozinha é meio esquisita, mas tem sentido dentro do filme.

O roteirista é David Koepp, que tem alguns grandes filmes no currículo, como Jurassic Park, O Quarto do Pânico, o primeiro Missão Impossível e o Homem Aranha de 2002. O roteiro tem alguns pontos positivos, mas heu diria que tem mais elementos para crítica do que para elogio. Mas antes de criticar, heu queria elogiar um detalhe: está rolando uma terceira guerra mundial durante o filme, e isso é deixado completamente em segundo plano. O espectador que não estiver prestando atenção nem vai reparar nesse detalhe.

O roteiro tem problemas. Tem problemas básicos e comuns como, por exemplo, uma empresa top que tem alguns seguranças que são completamente bestas, que qualquer um consegue enganar. Ficou meio bobo ter “os Três Patetas” como seguranças. E tem outros problemas que são mais específicos, como por exemplo citar religião mas não se profundar no tema. Existe um questionamento: algumas religiões se baseiam na ideia de que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança – mas se existem alienígenas inteligentes, diferentes de nós, quem os criou? Será o mesmo Deus? Algumas religiões podem entrar em colapso o dia que confirmarem vida alienígena inteligente. Isso é citado, mas não é desenvolvido. Se não vai desenvolver, para que citar? Acho que era melhor nem ter tocado no assunto. A personagem Jane podia protagonizar esse ponto do questionamento religioso, mas o roteiro deixa isso de lado. Acaba que a principal função da personagem é estar na hora certa que o roteiro está precisando que ela entregue um determinado objeto.

Mas heu acho que o pior do roteiro é que eles resolvem criar um plano mirabolante para explicar o que está acontecendo, e é um plano confuso e ineficiente. Se você vai criar algum artifício pra explicar, ou faz direito, ou nem precisa explicar – pelo menos é assim que heu penso. Menos é mais.

O elenco é bom. Emily Blunt está ótima, não será surpresa vê-la na lista de indicadas ao Oscar ano que vem. Josh O’Connor também está bem. E achei curioso ver Colin Firth como vilão. Também no elenco, Colman Domingo, Eve Hewson e Wyatt Russell (dois nepo babies, filha do Bono do U2 e filho do Kurt Russell).

Ah, claro, a trilha sonora é ótima. John Williams tinha decidido se aposentar, Steven Spielberg o convenceu a sair da aposentadoria para este filme.

Quero comentar o final, mas antes queria fazer um mimimi sobre o título nacional. O filme se chama originalmente “Disclosure Day”, ou seja, o nome deveria ser “O Dia da Revelação”. Mas resolveram chamar de “Dia D”, o mesmo nome da maior operação militar anfíbia da história, em 6 de junho de 1944, quando os aliados finalmente começaram a virar o jogo contra o nazismo. Ou seja, o espectador brasileiro entra no cinema achando que vai ver uma história sobre o ponto onde humanos vão começar a reação contra uma possível invasão alienígena – e o filme fala de outra coisa. Péssima escolha de nome brasileiro!

A cena final desagradou parte do público. Conheço gente que não gostou do fim. Heu queria fazer um comentário sobre isso. Mas como estou falando do fim do filme, é claro que é um spoiler. Então vou colocar o aviso de spoilers e se você quiser ouvir comentários sobre o fim, siga até o fim.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Os protagonistas conseguem entrar num telejornal ao vivo e divulgam várias imagens de alienígenas no planeta Terra. Aos poucos outros canais de televisão começam a replicar essas notícias e o mundo inteiro pára para ver a revelação sobre alienígenas na Terra. Ao fim, eles trazem um alienígena que estava com eles para falar a mensagem final. A personagem da Emily Blunt entende a língua dos alienígenas, então ela ouve a mensagem. E ela vai para frente da câmera para falar a mensagem – e o filme acaba. Não ouvimos a tal mensagem, porque quando ela vai começar a falar, começam os créditos.

É claro que isso gera uma frustração no espectador. Afinal você passa duas horas e meia acompanhando uma história sobre um segredo envolvendo alienígenas. E quando vai finalmente ouvir qual é esse segredo, o filme acaba. Mas heu entendi que o propósito do Spielberg não era contar qual era o segredo, e sim contar a história das pessoas que estão querendo revelar esse segredo. Pensando sobre esse ponto de vista, eu até gostei do final.

Heu entendo o espectador que saiu do cinema frustrado. Me diz aqui, você achou o final satisfatório ou você queria saber qual era o segredo?

Obsessão

Crítica – Obsessão

Sinopse (imdb): Quando um romântico incurável faz um pedido para que sua paixão de longa data se apaixone por ele, um encantamento sinistro se desencadeia.

A ideia aqui não é exatamente original. Aliás, heu poderia dizer que Obsessão (Obsession, no original) poderia ser um episódio de Twilight Zone.

Bear é um cara tímido, apaixonado pela amiga Nikki, que nunca deu sinal de que gosta dele. Numa loja de produtos esotéricos, ele acha uma espécie de amuleto, chamado One Wish Willow, que lhe permite fazer um desejo. Ele então deseja que ela passe a gostar dele. E a parada funciona, ou seja, ela passa a gostar dele – mas ela passa a gostar dele de uma maneira obsessiva. E claro que isso vai dar errado lá na frente.

Ok, já vimos essa história: o cara tem um desejo e quando esse desejo é realizado, outras coisas vêm junto com o desejo. E não são necessariamente coisas que ele desejou. Mas mesmo com uma premissa repetida, Obsessão funciona muito bem.

O diretor Curry Barker tem um certo nome com curtas independentes que estão no youtube, mas confesso que não conheço o trabalho dele. Mas com esse seu primeiro filme a ser lançado no circuito comercial, já dá pra ver que o cara tem um bom conteúdo para mostrar. Algumas das cenas aqui são muito bem filmadas. Heu particularmente gostei de uma cena logo no início da “feitiçaria” que aprisionou Nikki, onde ela está no escuro e só vemos o brilho dos seus olhos.

É uma produção independente de baixo orçamento, então, claro, não tem atores conhecidos. O protagonista Michael Johnston está bem, mas o destaque nitidamente é Inde Navarrette, a Nikki. Ela está sensacional, a personagem tem alterações de humor abruptas e a atriz consegue passar isso perfeitamente.

Heu falei que parece um episódio de série Twilight Zone, certo? Poizé, achei o filme longo demais. São quase duas horas de filme e não tem história pra tudo isso, heu achei que cansou um pouco. Acho que se cortasse uma meia hora, o filme ia ser bem melhor.

Este meu texto/vídeo está saindo atrasado, mas pelo menos tem uma vantagem: heu pude acompanhar o crescimento da exibição do filme nas salas do Rio de Janeiro. Na primeira semana não estava passando em nenhuma sala da Zona Sul, só Barra ou Zona Norte, e quase todas as sessões dubladas. Na segunda semana ele foi, legendado, para a rede Estação, em Botafogo e na Gávea. Tentei comprar ingresso para ver em Botafogo mas a sala estava lotada. Acabei comprando para a terceira semana e o filme já tinha mudado para outra sala, maior. Ou seja, o exibidor está descobrindo que esse filme realmente merece ser visto.

Se o início é um pouco arrastado, quando o filme engrena na parte final, o ritmo é muito bom. Heu quero comentar o final, então vou colocar um aviso de spoilers. Siga por sua conta e risco!

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Sarah, a amiga que gosta do Bear, recebeu uma carta da universidade que ela está querendo entrar, e ela quer abrir a carta junto com ele para ver se ela passou ou não. Os dois estão conversando no carro, e todo espectador acostumado com esse tipo de filme sabe que em algum momento a Nikki vai aparecer – seja para fazer um escândalo, seja para brigar, seja até para matar a Sarah – estamos falando de um amor obsessivo. Seria algo previsível a Nikki aparecer, mas acho que ninguém esperava o tamanho da violência com que Nikki ataca. Ela quebra o vidro do carro com uma pedra, apoia a pedra no volante e bate a cabeça da amiga seguidas vezes na pedra, até desfigurar completamente o rosto e matar a amiga. Obsessão não tem muitas cenas violentas, mas esta única cena é de uma violência gráfica extrema!

Bear vai pedir ajuda para Ian e leva um One Wish Willow, mas Ian pede um bilhão de dólares. Como era um único desejo por pessoa, Ian não pode mais salvar Bear. Bear volta para Nikki, Ian aparece, Nikki atira nele e o mata. Bear então se tranca no banheiro e resolve se matar, ingerindo vários comprimidos.

Heu quis fazer esse vídeo de final explicado porque não sei se todo mundo prestou atenção. Não é nada muito escondido: você ouve a musiquinha do One Wish Willow e depois vê o palitinho quebrado: Nikki desejou que Bear a amasse como ela o ama. Bear sai do banheiro, apaixonado, eles se abraçam, mas os comprimidos começam a fazer efeito e Bear morre. Quando ele morre, Nikki está finalmente libertada da “maldição” – mas agora está com três cadáveres em volta dela!

Se heu já estava gostando dessa parte do filme, quando chegou o final heu achei genial. Obsessão subiu alguns pontos quando começaram os créditos finais. Agora aguardo os novos filmes de Curry Barker e Inde Navarrette!

Mestres do Universo (2026)

Crítica – Mestres do Universo

Sinopse (imdb): Adam caiu na Terra quando era criança e perdeu a espada mágica que o ligava a Eternia. Quase 20 anos depois, ele a recupera e retorna ao seu planeta natal para protegê-lo do malvado Esqueleto, mas primeiro precisa desvendar seu passado.

Depois de anos de produções conturbadas, finalmente ficou pronta a nova adaptação de He-Man! Existem boatos sobre um novo filme desde 2007, quando rolaram rumores sobre uma versão a ser dirigida por John Woo. De lá pra cá, foram algumas tentativas, todas frustradas.

Neste novo Mestres do Universo, o príncipe Adam, ainda criança, é mandado para a Terra quando Eternia é atacada pelo Esqueleto. Quinze anos depois ele volta para Eternia e lidera a população contra as tropas do vilão.

Dirigido por Travis Knight (Kubo, Bumblebee), Mestres do Universo (Masters of the Universe, no original) é tudo aquilo que o nostálgico fã de He-Man estava querendo. Um filme leve e divertido, que respeita o material que já existe, e traz várias referências ao desenho. Mestres do Universo não quer reinventar a roda: apenas faz o básico para os fãs. (Aliás, rola uma participação do Dolph Lundgren – o He-Man do filme de 1987 – que é um exemplo perfeito de como respeitar uma franquia.)

Rolava um certo receio de trazer (de novo) a história para o planeta Terra – como aconteceu no injustiçado filme de 1987. Mas, se naquela ocasião, o filme se passa aqui por razões orçamentárias, aqui tem sentido dentro da história. E vou te falar que o Adam sendo criado na Terra gera algumas boas piadas quando ele confronta hábitos sociais de outro planeta.

Falando em Adam criança na Terra, uma sacada genial: usaram isso pra explicar alguns nomes de personagens – como o próprio “He-Man” / “Ele-Homem”. Vários nomes de personagens são bem ruins, e o roteiro conseguiu dar uma explicação para isso.

Mestres do Universo é bem engraçado e tem várias cenas de ação. Nada excepcional, mas é um feijão com arroz bem feito. E não sei se foi proposital ou coincidência, mas tem uma cena com o He-Man numa “moto voadora” que lembra muito o Flash Gordon de 1980.

Queria fazer dois comentários sobre a trilha sonora de Daniel Pemberton. O primeiro é um elogio. Algumas trilhas são boas, mas só dentro do filme. Aqui não só é uma boa trilha, como tem um tema forte, assobiável, daqueles que ficam na cabeça do espectador quando acaba a sessão – saí da sala de cinema com o tema na cabeça. O outro comentário é que, durante o filme, pensei “o cara que gravou a trilha sonora conseguiu um timbre de guitarra IGUAL ao do Brian May (guitarrista do Queen)”. Aí vieram os créditos, e vi que o próprio Brian May participou da trilha…

O papel principal é de Nicholas Galitzine, que é um cara conhecido, mas preciso admitir que heu não lembro dele em nenhum outro filme. Mas lembro que na época que o anunciaram como o protagonista, um monte de gente reclamou porque ele não teria o tipo físico pra ser um cara forte como o He-Man (diferente do filme de 87, que já escolheu logo de cara um ator muito forte). Não sei como era o Nicholas Galitzine antes, mas posso dizer que agora ele consegue ter o tipo físico que o personagem precisa. E vou além: ele funciona muito bem com todos os dilemas que o personagem tem com relação aos conflitos comportamentais entre os planetas Terra e Eternia. O papel principal feminino, a Teela, é Camila Mendes, que nasceu nos Estados Unidos, mas tem pai e mãe brasileiros, ou seja, temos uma protagonista quase brasileira – ela também está bem. E não é a única brasileira no elenco, também tem Morena Baccarin no papel de Feiticeira. Alison Brie está bem como a Maligna (um personagem que no inglês tem um nome muito mais legal, Evil-Lyn). Ainda no elenco, Idris Elba está bem, mas o Idris Elba está sempre bem, então isso não é novidade. E quem for nas sessões legendadas vai ouvir a voz da Kristen Wiig como Roboto.

Novo parágrafo para falar do vilão. Jared Leto foi escalado para interpretar o vilão Esqueleto, o que era uma grande incógnita, porque de um tempo para cá, Leto só tem escolhido papéis ruins em filmes ruins. Ou seja, ter Jared Leto no elenco não necessariamente seria uma boa notícia. Mas heu posso dizer que não dá para ver o Jared Leto lá. É o Esqueleto e só o Esqueleto – ou seja, não atrapalha.

Mestres do Universo é divertido, mas nem tudo funciona. Algumas atitudes dos personagens não fazem muito sentido, tipo o Esqueleto deixar o rei se despedir do jovem Adam logo no início do filme; ou todos os prisioneiros estarem juntos na mesma cela. Além disso o filme é muito longo, não tem história pra duas horas e vinte de projeção, chega a cansar um pouco.

A sessão de imprensa foi legendada, o que heu sempre acho positivo. Mas ouvi alguns amigos reclamando que preferiam o filme dublado. Entendo o lado saudosista, mas sempre vou preferir ver a obra original.

Ao fim, fiquem até o final dos créditos. Esquema Marvel: tem cena depois dos créditos principais, e mais uma lá no final de tudo.

Backrooms: Um Não-Lugar

Crítica – Backrooms: Um Não-Lugar

Sinopse (imdb): Após o paciente de uma terapeuta desaparecer em uma dimensão além da realidade, ela precisa adentrar o desconhecido para salvá-lo.

(Pra variar, sinopse do imdb não está exatamente correta…)

Quando acabou a sessão de Backrooms: Um Não-Lugar (Backrooms, no original), pensei: curti o filme, mas não entendi muito do que vi. Fui conversar com alguns amigos que estavam na mesma sessão. Alguns gostaram, outros não, mas uma coisa era unânime: ninguém tinha entendido.

Backrooms é daquele tipo de filme que abre espaço para várias interpretações e que não explica muita coisa. Heu queria fazer um comentário sobre o fim do filme, então, claro, vou colocar um aviso de spoilers. Mas não faz muita diferença você saber spoilers, porque afinal é o tipo do filme que você sai da sessão querendo conversar com alguém sobre o que você acabou de ver.

O conceito desses “backrooms” surgiu em 2019 em um post anônimo no 4Chan que falava sobre “uma dimensão paralela ou um labirinto infinito de escritórios vazios e corredores, caracterizados por paredes amareladas, carpete mofado e o zumbido contínuo de lâmpadas fluorescentes”. Em 2022 o jovem diretor Kane Parsons (então com 16 anos) fez uma série de curtas found footage usando esse conceito. Isso o credenciou para ser o mais jovem diretor contratado pela A24: Parsons fez Backrooms: Um Não-Lugar, seu primeiro longa, aos 19 anos de idade.

Antes de entrar na esquisitice, queria fazer um elogio que todos vão concordar: a cenografia do filme é fantástica! Segundo o imdb, a produção construiu cerca de 30.000 pés quadrados de labirintos de salas e corredores – o que fez com que alguns membros da equipe ocasionalmente se perdessem no set. Só aqueles cenários já valem o ingresso!

O conceito é explicado dentro do filme como “imagine se você descrever um cachorro para uma pessoa que nunca viu um cachorro, e depois pedir pra essa pessoa desenhar o cachorro. De longe, vai parecer um cachorro; mas de perto, algumas coisas não vão fazer sentido.” Isso é o que acontece nos cenários do filme.

Sobre o elenco, o filme se baseia, basicamente, nos dois atores principais, Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve (e provavelmente estou pronunciando os dois nomes errados). Ambos estão muito bem. Backrooms não tem perfil de filme que vai concorrer a prêmios, mas cada um dos dois tem uma cena que parece aquele “clipe de Oscar”. Não estou dizendo que são atuações que merecem uma indicação, mas precisamos reconhecer que já vimos outras atuações que não foram lá grandes coisas concorrendo à estatueta, ou seja, não seria algo 100% injusto – mas, repito, acho muito difícil, infelizmente.

Como falei, quero comentar o final. Sim, é spoiler, mas, Backrooms é o tipo de filme que não tem muita importância você saber spoiler porque não tem nenhum grande plot twist. Mas, respeito: se você não gosta de spoiler, só pular essa parte.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Somos apresentados a um universo maluco onde ninguém entende o que está acontecendo. Aí tem um epílogo – a parte onde aparece o ator Mark Duplass – onde começam algumas explicações. Só que não chega a conclusão nenhuma. Ou seja, era melhor nem ter começado a explicar. Na minha humilde opinião, se você se propõe a explicar o que é aquele mundo, vá até o fundo. Ou então não explique nada. Mas aqui entra uma pincelada de explicação e deixa tudo no ar. Heu particularmente acharia melhor se não explicasse nada, se cortasse aquele epílogo, se acabasse sem a gente ter nenhuma ideia do que estava acontecendo. Porque aí o espectador é apresentado a um mundo maluco, que não faz sentido, e beleza, acaba o filme e vai pra casa pensando nas maluquices vistas na tela – algo meio David Lynch.

FIM DOS SPOILERS!

Backrooms é um filme que vai dividir o público. Duvido que seja um sucesso comercial. Mas gostei de ver algo assim, principalmente depois de saber que o diretor tem menos de vinte anos de idade.

Cansei de Ser Nerd

Crítica – Cansei de Ser Nerd

Sinopse (imdb): Aírton, um nerd convicto, vai à festa de reencontro de faculdade determinado a desmascarar o ritual assassino de um culto alienígena, limpar seu nome e recuperar o coração de sua alma gêmea. Ah, sim, e também sair vivo.

Recentemente recebi um link que tinha uma denúncia sobre uma rede de cinemas que estava usando uma brecha na regra de cota para exibição de filme nacional. Existe uma animação nacional chamada Zuzubalândia, de dois anos atrás, que é um desenho de apenas sessenta minutos, então essa rede de cinemas programava o desenho para passar cedo, assim que o cinema abre, num horário que o cinema ainda tem pouco movimento, assim eles podem cumprir a cota do cinema nacional e podem guardar os horários com maior público para os filmes que vendem mais ingressos – afinal o cinema também é um negócio, e precisa dar lucro. Claro que essa denúncia foi feita num grupo onde pessoas defendem a cota para filmes nacionais, porque acham que o filme nacional deveria estar no horário nobre do cinema. E heu até concordo parcialmente com isso, mas defendo que o caminho para se resolver isso é outro. Na minha humilde opinião o melhor caminho não é criar uma cota e forçar que o exibidor passe o filme nacional. O que a gente precisa fazer é ter mais filmes nacionais de qualidade. E, principalmente, uma maior variedade.

Quem me acompanha por aqui sabe que heu defendo a diversidade do cinema nacional. Sabe que heu defendo que existam filmes nacionais de gêneros diferentes. O filme nacional não precisa ser sempre selecionado para festivais, não precisa ser sempre um ganhador de prêmios. Pode ser apenas uma diversão leve e divertida. Existe espaço pra filme maomeno gringo, por que não exibir filme maomeno nacional?

Essa longa introdução é para falar que temos a partir desta semana a estreia de um novo filme desses no circuito nacional: Cansei de Ser Nerd. Não é um grande filme, não é um filme disruptivo, não é um filme que trará prêmios para o cinema brasileiro. Mas é uma boa diversão.

Em Cansei de Ser Nerd, um “nerd velho”, acusado injustamente na faculdade pelo desaparecimento e suposto assassinato de uma colega de classe, convence seu melhor amigo a ir com ele à festa de reunião da turma, para enfrentar fantasmas do passado e reencontrar seu crush da época.

O melhor de Cansei de Ser Nerd é o elenco, principalmente o trio principal. O protagonista Fernando Caruso tem carisma suficiente para segurar o filme, ele tem umas sacadas geniais – heu soube que ele acrescentou algumas coisas nerds no roteiro e que fazem todo sentido já que ele é o nerd do título do filme. Essas partes onde ele demonstra o quanto ele é nerd são as melhores coisas do filme. Inclusive, numa delas, me identifiquei: o personagem comenta que só tem camisas com estampas nerds, não tem nenhuma camisa lisa, e ele quer uma camisa lisa para se sentir um cara mais normal. Isso é a minha cara, meu armário não tem nenhuma camisa lisa…

Os dois principais coadjuvantes, Pedro Benevides e Bia Guedes, também funcionam muito bem. O trio tem uma química boa, eles trabalham juntos há tempos num grupo de stand-up chamado Comédia 4K (a quarta integrante do grupo, Thais Belchior, também está no elenco, mas no núcleo dos vilões). Eles funcionam muito bem juntos.

O filme começa bem, o clima de conspiração maluca misturado com invasão alienígena é bem divertido. Pena que a parte final é meio zoada, o roteiro não se decide entre continuar na comédia ou abraçar o cinema fantástico, e o encerramento não funciona muito bem. Além disso, tem uma parte no meio que o filme fica em preto e branco, não gostei dessa opção estética.

Mas mesmo com esse final bagunçado, achei a experiência positiva. Defendo filmes nacionais “fora da caixinha”! Recomendo!

Star Wars: O Mandaloriano e Grogu

Star Wars: O Mandaloriano e Grogu

Sinopse (imdb): Outrora um caçador de recompensas solitário, o Mandaloriano Din Djarin e seu aprendiz Grogu embarcam em uma nova e empolgante aventura de Guerra nas Estrelas.

Como heu comentei no vídeo sobre a série do Darth Maul, é uma boa época para ser fã de Guerra nas Estrelas. Acabamos de ver uma série bem legal e agora temos um longa metragem para o cinema, coisa que não acontecia desde 2019. Sim, há sete anos não tinha um filme novo de Star Wars em cartaz.

Antes de tudo, a resposta para a pergunta que todo mundo tem logo de cara: sim, é um filme baseado na série do Mandaloriano; mas não, você não precisa ver ou rever a série para entender o filme. A história contada no filme é uma história independente, não tem nenhuma conclusão de algo deixado em aberto na série. Mesmo assim, para quem não viu, heu recomendo, a série é muito boa.

No vídeo sobre o evento do 4 de maio, falei que O Mandaloriano e Grogu começa com uma breve aventura para apresentar ao público quem são Mando e Grogu, e depois eles pegam uma missão para encontrar um oficial imperial foragido que está envolvido com Hutts. O filme tem duas horas e pouco, com mais ou menos uma hora de filme, a missão meio que se encerra, e depois meio que continua – ou seja, sim, realmente parece um episódio duplo de série.

Como bem apontou o GG, meu companheiro de Podcrastinadores, o clima lembra O Retorno do Jedi, uma aventura espacial leve e divertida. E o Grogu é um personagem excelente, fofinho e engraçado, duvido que algum espectador não se apaixone por ele.

O visual do filme é lindo. Algumas cenas parecem inspiradas em imagens do ilustrador Ralph McQuarrie, que foi quem criou conceitos de várias das imagens clássicas de Star Wars. E ainda tem um presente para os fãs. Lembram daquela cena no primeiro filme, Guerra das Estrelas, onde o Chewbacca está jogando com o C3PO um joguinho que parece um jogo de xadrez com uns bichinhos em stop motion? Pois é, aqui temos uma arena onde colocam o Mando lutando contra aqueles bichos – essa cena ficou muito legal, (vou colocar um trechinho aqui)!. A trilha sonora de Ludwig Göransson também é muito boa.

O filme tem momentos eletrizantes, mas tem uma parte na segunda metade onde a gente acompanha o Grogu encontrando uma espécie de pescador que tem naquele planeta. É uma sequência que, na minha humilde opinião, se estendeu um pouco demais. Podia ser menor, ficou um pouco cansativa.

No elenco, claro que o protagonista é Pedro Pascal, mas, na verdade, quase não o vemos, ele passa o filme quase inteiro com o capacete, podia ser um dublê. Sigourney Weaver, depois de Alien e Avatar, consegue um papel em outra grande franquia do cinema fantástico. Jeremy Allen White faz a voz do Rotta the Hutt, filho do Jabba. E Martin Scorsese tem uma divertida participação especial como o pequeno alien de quatro braços que está numa espécie de food truck.

Depois da sessão de imprensa, ouvi alguns amigos reclamando. Mas acho que o problema deles era que criaram uma grande expectativa. Porque heu curti o filme. Que venham outros assim!

Maul – Lorde das Sombras

Sinopse (imdb): Depois das Guerras Clônicas, Maul planeja reconstruir seu sindicato criminoso em um planeta que o Império não tocou.

A série Maul – Lorde das Sombras (Maul – Shadow Lord, no original) terminou na semana retrasada, no dia 4 de maio – que é o dia de Star Wars. Mas no dia 4 de maio fui no evento do Mandaloriano e Grogu, então o vídeo da semana foi sobre o evento, em vez de fazer a análise de Maul. Mas agora é o momento, vamos falar da série – e já vou adiantar: gostei muito!

Mas antes de falar da série, queria falar do personagem Darth Maul. Voltemos no tempo. O Retorno do Jedi acabou em 1983 e os fãs de Guerra nas Estrelas ficaram órfãos. A gente tinha que ler livros, ou quadrinhos, ou jogar videogames, porque não existia nenhum material novo de Guerra nas Estrelas. Aí anunciaram a trilogia prequel, que ia começar em 1999, 16 anos depois do Retorno do Jedi. Claro, todo fã estava muito excitado com o que viria por aí. E, claro, todo fã foi ao cinema várias vezes para ver e rever o Episódio 1 A Ameaça Fantasma. Mas quando a gente revê hoje em dia, constata que não é um filme muito bom, a trilogia clássica é muito melhor do que a trilogia prequel. Mas mesmo assim, heu consigo destacar três coisas muito positivas que tinham naquele filme de 99. Uma delas é a trilha sonora, o tema Duel of the Fates, do John Williams, é um tema muito bom. Outra foi o poster, que era um menininho e sua sombra era o Darth Vader – esse poster é genial, tenho um quadro com essa imagem. A terceira era o vilão Darth Maul. Se você tem um novo vilão que vai competir com o Darth Vader, que é um dos vilões mais icônicos do século 20, este vilão tem que ser bom também. E no caso, Darth Maul é um bom vilão.

É um bom vilão, mas foi mal aproveitado. Ele aparece em poucas cenas, e morre no fim do filme, depois de ser cortado ao meio pelo Obi Wan Kenobi (spoiler de 27 anos atrás!). Sim, morre. Mas Star Wars entrou numa onda meio Velozes e Furiosos, onde a morte nem sempre é pra valer. Assim como em V&F personagens morrem e voltam e ninguém se importa, Darth Maul voltou, e já tinha aparecido nas animações Rebels e Clone Wars, além de uma breve aparição no filme do Han Solo. E agora o personagem ganhou uma série para ser o protagonista.

Finalmente chegamos na série. Maul – Lorde das Sombras se passa logo depois do Ep 3, depois das Guerras Clônicas e durante a consolidação do Império. Maul é um fugitivo reconstruindo seu poder no submundo criminoso, num planeta onde o Império ainda não se estabeleceu. Maul encontra uma padawan e um jedi, e quer levar essa padawan para o lado negro.

O visual da animação lembra Rebels e Bad Batch, mas é um pouco mais elaborado. Não entendo de técnicas de animação, então não saberia dizer exatamente qual é a diferença. Pelo meu olhar de leigo, aqueles outros parecem mais “desenhados”, enquanto esse parece mais “pintado”. Sei lá, talvez heu esteja falando bobagem, mas foi a sensação que tive enquanto assistia. Só sei que gostei bastante do traço desta animação.

A série tem um Jedi, uma padawan, um Sith, e depois aparecem dois inquisidores. Ou seja, temos vários duelos de sabre de luz. Para quem curte duelos de sabre de luz, Maul é uma série ótima. E heu sei, é uma animação, mas mesmo assim heu queria elogiar as coreografias de lutas, porque algumas são muito legais.

Sobre o elenco de vozes, Maul tem um atrativo a mais pro público brasileiro: um dos personagens principais é o policial Lawson, dublado pelo Wagner Moura. Sim, o nosso Wagner Moura, indicado a Oscar esse ano, está na série como um dos personagens principais. A única outra voz que eu conhecia era Dennis Haysbert, que faz o Jedi Daki – heu lembro dele como o presidente amigo do Jack Bauer na série 24 Horas. Também acho importante citar o nome Sam Witwer, que faz a voz do protagonista Maul. Witwer já fez vários personagens em filmes, séries e videogames de Star wars, inclusive já tinha feito o Maul em Rebels, Clone Wars, Solo, Lego Star Wars e dois videogames.

Maul tem participação especial de dois personagens que estão em filmes, mas isso é um spoiler, então vou colocar um aviso, depois falo quem são.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Um deles é Dryden Vos, que foi personagem em Solo, e aqui ajuda a gente a situar a época que se passa a série, porque aqui ele era menos poderoso do que no filme do Han Solo.

A outra participação é ninguém menos que Darth Vader. Assim como um amigo meu falou, Darth Vader é como bacon, se você tem uma comida que está gostosa e você adiciona bacon, ela fica melhor ainda. A série já tava boa, e quando entra o Vader, o efeito é parecido com bacon, porque a série fica melhor ainda. Parecia o final de Rogue One, Vader entra lutando contra vários, sem precisar se esforçar muito – tem um trecho onde ele enfrenta três adversários ao mesmo tempo, e só usa uma mão! Heu já estava gostando da série, o último episódio com o Vader ainda melhorou a experiência!

FIM DOS SPOILERS!

Maul fecha a história, mas deixa uma ponta solta para uma provável segunda temporada. Que mantenha o nível!