Máquina de Guerra

Crítica – Máquina de Guerra

Sinopse (imdb): Segue os recrutas finais de um extenuante campo de treinamento de operações especiais que enfrentam uma força letal vinda de fora deste mundo.

Apareceu na Netflix um novo filme de ação que parece uma nova versão de Predador. Aliás parece uma mistura de Predador com Transformers, afinal tem um robô gigante vindo do espaço.

Um grupo de soldados treina para entrar para os Rangers, que pelo que entendi seria uma equipe de elite do Exército Americano. No meio de uma atividade eles encontram um robô alienígena que sai matando todo mundo. Agora eles precisam dar um jeito de sobreviver e derrotar o robô.

A direção é de Patrick Hughes. Heu já tinha visto dois filmes desse diretor – um foi bom, outro nem tanto assim. Ele fez Dupla Explosiva, que tem uma premissa interessante e um bom elenco: Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson e Gary Oldman estão em uma trama onde um assassino profissional precisa de um guarda-costas. Ou seja, o filme é bom, mas não necessariamente por causa do diretor. O outro filme foi Mercenários 3, que é bem inferior ao Mercenários 1 e Mercenários 2. O 3 não é tão ruim quanto o Mercenários 4, que é um lixo e muito pior do que qualquer coisa feita nesse estilo. Não é o pior Mercenários, mas é bem fraco.

Mas o que estão usando para vender Máquina de Guerra não é o diretor, e sim o ator principal Alan Ritchson, que é um ator muito grande e muito forte, e que heu tenho uma certa implicância com ele porque não gostei da sua atuação na série Reacher – mas reconheço que já vi ele atuando em outros papéis e acho que ele funciona melhor fora do personagem Jack Reacher. Por coincidência ou não, Predador também tinha um ator muito grande e muito forte, um tal de Arnold Schwarzenegger. A diferença é que Schwarzenegger tem muito mais carisma do que o Alan Ritchson. Mas, ok, Alan Ritchson é o que a gente tem para hoje, então a gente aceita o filme – mas nesse ponto de comparação, o filme perde para Predador.

Máquina de Guerra tem algumas boas cenas de ação, cenas bem filmadas, com bons efeitos especiais. Agora, a gente precisa reconhecer que o roteiro é completamente previsível. A gente já viu essa história várias vezes antes. Além do mais, tem momentos que parece que estamos vendo uma propaganda militar gigantesca.

Tem outra coisa que piora um pouco o resultado final: o robô assassino gera zero interesse. É um robô genérico, sem nenhuma camada a mais pro espectador se interessar sobre o que é aquilo. Mais um ponto de comparação onde perde para Predador…. Além disso, outra coisa que achei estranha, mas não sei se chega a ser uma falha de roteiro – é que a gente precisa se importar com o protagonista. Mas na verdade, o filme nem chega a dizer o nome do cara!

Além do Alan Ritchson, Máquina de Guerra tem outros dois nomes interessantes no elenco: Dennis Quaid e Esai Morales fazem dois oficiais do Exército. E Jai Courtney tem uma breve participação na introdução. O resto é só pra compor elenco.

A história se fecha, mas claro que Máquina de Guerra termina com um gancho pra uma possível continuação. Se a audiência for boa, podem contar com Máquina de Guerra 2 em breve.

No fim, Máquina de Guerra nem vai desagradar o público alvo. Mas vai ser esquecido uma semana depois.

Lindas e Letais

Crítica – Lindas e Letais

Sinopse (imdb): Um grupo de dançarinas que tenta escapar de uma pousada remota depois que o ônibus quebra a caminho de um concurso de dança.

Surgiu na Amazon Prime um filme novo da 87North. Como heu sempre fico de olho em quem está por trás dos filmes, já fiquei interessado, apesar de desconfiar que o filme não ia lá ser grandes coisas. E a prova disso é que o próprio thumbnail da Prime Video tem o nome errado do filme. O nome do filme é Lindas e Letais e na thumbnail eles colocaram “Linda” e Letais.

(Para quem não sabe o que é 87North: é uma produtora feita por dublês, ou seja, os filmes podem até ser ruins em alguns aspectos, mas as cenas de ação são sempre bem coreografadas e bem filmadas. Um dos fundadores da 87North é David Leitch, ex dublê e diretor de filmes como Trem Bala e O Dublê. Sempre fico de olho nos filmes desses caras!)

Em Lindas e Letais, um grupo de cinco bailarinas, mais a professora, vai para a Hungria para fazer uma apresentação. Mas quando chegam lá, o ônibus quebra e elas acabam presas numa espécie de hotel isolado no meio do nada, onde a professora morre e elas são perseguidas.

Como heu tinha desconfiado, Lindas e Letais tem cenas de ação muito boas, mas o filme é bem fraco. O roteiro é cheio de facilitações. Se a gente fosse fazer uma lista de forçações de barra e de conveniências de roteiro, esse vídeo ia ficar enorme… Só pra citar um exemplo: é um grupo de bailarinas americanas indo viajar para a Europa, e o ônibus quebra, ao lado de uma estalagem. E olha só, a dona da estalagem era bailarina também! Que coincidência, não? Pior, elas pegam chuva quando vão até lá, então precisam trocar de roupa. Qual é a roupa que elas colocam? A roupa da apresentação. Vem cá, você vai viajar para outro continente e não vai levar uma muda de roupas? Como assim?

Pelo menos as cenas de ação são bem feitas. Como acontece nos filmes da 87North, são cenas bem coreografadas e bem filmadas. Se a ideia era colocar bailarinas lutando, então as cinco usam suas roupas de bailarinas, batendo nos adversários enquanto fazem as coreografias de dança. É bastante inverossímil e ficou um pouco caricato, mas pelo menos são lutas divertidas de se ver.

É importante avisar que as lutas são muito violentas, não sei se isso pode causar gatilho em alguém. As meninas apanham muito. Isso às vezes fica bastante desconfortável. A coisa boa é que as meninas apanham, mas elas batem mais ainda, então pelo menos temos um “pay off”.

No elenco, o único nome grande é Uma Thurman – achei que ia ser um daqueles casos onde ela entra para fazer duas ou três cenas e some, isso acontece de vez em quando, vendem o nome de um ator ou atriz como uma isca, mas na verdade ele/ela só aparece em poucas cenas. Mas não, Uma Thurman tem um papel grande aqui, ela é a dona do hotel. Também não elenco, Maddie Ziegler, Lana Condor, Lydia Leonard, Avantika, Millicent Simmonds e Iris Apatow.

Lindas e Letais não é bom, mas para quem curte cenas de ação girl power, com mulheres batendo, vale a pena.

Michael

Crítica – Michael

Sinopse (imdb): Filme biográfico sobre o rei do pop, Michael Jackson. Ele retratará o cantor desde seus primeiros dias até sua trágica morte em 2009.

(Mais uma vez, sinopse errada no imdb. O filme para bem antes.)

Michael Jackson foi um dos maiores nomes da música pop, e morreu há mais de 15 anos. Até que demorou para aparecer um filme sobre a vida dele.

Michael conta a história do Michael Jackson desde o início, quando o Jackson 5 ainda ensaiava, até a época do Bad. Sim, o filme não tem fim. A gente não vê um monte de coisas da carreira do astro e o filme acaba com um gancho para uma possível continuação. Não sabemos se essa continuação vai acontecer, provavelmente o que vai definir isso é a bilheteria. O ponto é que muitas coisas importantes da carreira do Michael Jackson não aparecem. E, principalmente, nenhuma polêmica.

Mas pelo menos tem pontos a serem elogiados. Claro, é um filme contando a história de um cantor pop com muitos sucessos na carreira, então o filme tem vários momentos com as músicas do Michael Jackson. Alguns desses momentos são bem legais.

Na música Don’t Stop Till You Get Enough, Michael Jackson está sozinho dentro do estúdio gravando a voz, enquanto Quincy Jones pilota a mesa de som. Inicialmente só ouvimos a bateria e a voz do Michael, aos poucos Quincy Jones vai colocando os outros instrumentos. Essa cena ficou bem legal.

Billie Jean recria aquele especial de TV da Motown, onde ele está sozinho num palco, e, se não me engano, foi a primeira vez que foi que ele fez o Moonwalk. Por um lado, achei que foi uma cena um pouco longa demais – mas aí lembrei que eu sou fã de Queen e eu gostei do momento longo no fim do filme do Queen quando vemos o concerto inteiro do Live Aid. Ou seja, para o fã de Michael Jackson, ver a cena com a música completa deve ser muito legal. A cena toda está muito boa, ou seja, vale, porque os fãs merecem isso.

Thriller e Beat It também têm bons momentos. Em Beat It a gente vê que Michael Jackson queria dançarinos para o videoclipe, então acompanhamos o início das coreografias, outra cena bem legal. Assim como Thriller, que mostra os bastidores da coreografia dos dançarinos. Mas… Heu tenho dois mimimis, um para cada uma dessas duas cenas. Em Beat It, podia ter mostrado o Eddie Van Halen. Eles citam o nome do guitarrista, a gente ouve o solo. Eddie morreu há pouco tempo. Por que não mostrar lá no fundo um cabeludo sorridente com uma guitarra vermelha e branca? Ia ser uma homenagem bem legal. O outro mimimi é porque igualmente falam do John Landis, mas não mostram o diretor do videoclipe Thriller.

Por outro lado, teve um momento mais para o fim do filme, quando ele está na turnê Victory com os Jacksons, onde vemos Human Nature inteira. Aí já acho que foi um pouco demais – não teve Beat It inteira, não teve Thriller inteira, a gente precisa ter Human Nature inteira? É um momento importante na narrativa do filme, mas não precisa ter a música completa. Acaba que o filme ficou um pouco longo.

(Queria comentar que teve um momento que não conseguia parar de pensar em Guardiões da Galáxia. O jovem Michael vai para um estúdio gravar I Want You Back, e pedem pra ele ficar imóvel, e o garoto não consegue parar de dançar. Então pedem pra ele pelo menos ficar com os pés juntos. Lembrei imediatamente do Baby Groot!)

Jaafar Jackson, sobrinho do Michael (filho do Jermanie), faz um trabalho impressionante: ele está igual ao Michael Jackson. Provavelmente a voz não é dele, mas mesmo assim ele está impressionante, ele está muito parecido com o tio. Sobre o resto do elenco, queria destacar Colman Domingo, que faz o Joseph Jackson, o pai – figura polêmica porque foi ele quem criou o “mito Michael Jackson”, mas para isso praticava torturas físicas e psicológicas. Não sei se o Joseph Jackson da vida real era um cara tão caricato quanto esse, me disseram que sim. Colman Domingo está muito bem. Juliano Valdi, que faz o Michael criança, também é uma boa surpresa.

Heu queria fazer um comentário sobre uma participação de um ator em apenas uma cena. Mike Myers faz um executivo de uma gravadora, numa cena muito boa. O que achei curioso foi que o mesmo Mike Myers também fez um executivo de uma gravadora no filme Bohemian Rhapsody. Fiquei imaginando se poderia ser o mesmo personagem da vida real. No filme do Queen, quando isso acontece, é na época que eles estavam lançando A Night at the Opera, ou seja, por volta de 1973 ou 74. E aqui era quando o Michael Jackson estava querendo entrar na MTV, ou seja, por volta de 83, dez anos depois. Fiquei curioso para saber se era o mesmo cara, mas eu descobri pelos créditos do imdb que são pessoas diferentes.

Michael tem seus momentos, mas, pra mim, o pior do filme é não acabar. Tem várias coisas importantes que aconteceram na vida do Michael Jackson, e o filme não aborda isso, como, por exemplo, Michael Jackson gravou três parcerias com o Paul McCartney, mas McCartney nem é citado no filme. E isso porque não estou falando da quantidade de polêmicas que ele se envolveu e o filme nem cita nada. Provavelmente vai ter um segundo filme que deve abordar esses temas.

A Maldição da Múmia

Crítica – A Maldição da Múmia

Sinopse (imdb): Uma família se depara com uma múmia ancestral, desencadeando uma aventura sobrenatural que mistura terror e suspense em uma nova versão do monstro clássico.

Esqueça tudo o que você imagina sobre “filme de múmia”. Não é uma aventura como os filmes do Brendan Fraser,e também não é um terror com um antagonista embalsamado e enfaixado. A proposta aqui é bem diferente. Na verdade A Maldição da Múmia (The Mummy, no original) parece mais um filme de exorcismo do que de múmia.

A direção é de Lee Cronin, que fez um bom trabalho com o Evil Dead de 2023 (tenho minhas ressalvas com esse filme, mas reconheço que é bem melhor que o de 2013). Mais uma vez Cronin mandou bem – também tenho algumas ressalvas aqui, mas igualmente reconheço os méritos. E parece que ele queria fazer uma mistura de O Exorcista com Evil Dead. O “vilão” aqui é um demônio, e não a múmia em si.

A Maldição da Múmia tem muito gore. Algumas cenas vão fazer parte do público ter ânsias de vômito – teve uma em particular envolvendo líquido de embalsamento que me embrulhou o estômago, e isso porque não estou falando da cena das unhas. E Lee Cronin é muito eficiente ao criar um clima de tensão ao longo de todo o filme. A Maldição da Múmia não é filme de jump scare, está mais próximo do terror da A24 (apesar de ser Blumhouse). Outro ponto positivo é apostar mais em efeitos de maquiagem do que cgi.

O roteiro tem umas forçadas de barra. Pra que precisariam transportar o sarcófago de avião? Pra onde estavam levando? A policial egípcia precisava ter vindo até os EUA, com uma fita VHS, sem avisar? Quem ainda tem um videocassete em casa? E na cena final, esqueceram do personagem da irmã mais nova. Mas não é nada grave, a gente vê vários filmes por aí com roteiros cheios de facilitações e que trazem resultado inferior a este.

O elenco não tem muita gente conhecida. Heu só conhecia o pai, Jack Reynor, que faz o irmão mais velho em Sing Street. Mas heu quero fazer um elogio: parte do filme se passa no Egito, com atores egípcios. E são diálogos na língua deles – acho que é árabe. Isso mostra uma evolução em Hollywood, se fosse anos atrás, tudo ia ser em inglês.

A Maldição da Múmia é um pouco longo demais, são duas horas e quatorze minutos, acho que dava pra secar um pouco e ser um pouco mais objetivo. Mas mesmo assim o resultado foi positivo.

Filmes Injustiçados (parte 1)

Filmes Injustiçados (parte 1)

Tem alguns filmes que muita gente gosta de falar mal, mas na verdade não são ruins. Chamo esses de “filmes injustiçados”. São filmes que se passassem por uma segunda avaliação, mais isenta, seriam mais respeitados.

Claro, vai ter gente que vai discordar de um ou outro título. Ok, discordar faz parte. Só me apresente argumentos, se não é só hate. E não dou bola pra hate gratuito.

Vamos aos filmes. Vou postar cinco hoje, ainda vou fazer uma segunda parte com outros cinco.

Não tem uma ordem específica…

Han Solo
Fãs de Star Wars gostam de reclamar do filme do Han Solo. Nunca entendi por que. Ok, o motivo pra ele se chamar “Solo” é besta, concordo. Mas se esse for o único ponto negativo, ninguém pode dizer que é um filme tão ruim assim. Revisto hoje, Han Solo realmente tem problemas na parte inicial – tudo é muito corrido até o momento que ele conhece o Chewbacca e começa a acompanhar o personagem do Woody Harrelson – de repente surge na tela um “3 anos depois”. Mas a partir daí, o filme é redondinho.

Robocop do Padilha
O Robocop original do Paul Verhoeven é sensacional, um filme marcante em vários aspectos, realmente difícil de superar. Claro que ia rolar uma grande expectativa para uma refilmagem. Mas o José Padilha não fez feio. Este Robocop de 2014 parece um “Tropa de Elite 3”, com um policial incorruptível que veste preto. E, definitivamente, é melhor que as continuações do filme de 87, Robocop 2 (1990) e Robocop 3 (1994).

Waterworld – O Segredo das Águas
Aqui acho que o maior problema foi a grande expectativa criada pelo orçamento gigante (pra época) de 175 milhões de dólares. Waterworld foi o filme mais caro da história até aquela data (pouco depois Titanic bateria esse recorde, mas a diferença é que Titanic foi um sucesso de bilheteria). Waterworld teve problemas na produção, o diretor brigou com o ator principal e saiu do filme, boa parte do elenco e equipe teve problemas com enjoo ao filmar no mar… E, tem tempos sem muito cgi, temos algumas sequências de ação realmente muito boas. E o trimarã do protagonista Mariner é um barco muito bom.

Tico e Teco e os Defensores da Lei
Acredito que o pior problema de Tico e Teco e os Defensores da Lei é ter exatamente o mesmo nome da série de desenhos animados, que até onde sei, nunca fez muito sucesso. E pra piorar, foi lançado no meio da pandemia, não rolou um lançamento no cinema, o que ajudaria a apagar a má impressão dada pelo nome. Mas o filme é excelente! Tico e Teco e os Defensores da Lei segue a linha de Uma Cilada Para Roger Rabbit: mistura filme live action com personagens animados, e usa muitos personagens de outros filmes ou séries. Além disso, tem uma quantidade enorme de referências e easter eggs espalhados pelo filme. Isso sem contar com a qualidade da animação, que mistura várias técnicas diferentes.
(Fiz um vídeo com 200 referências encontradas no filme!)

Flash Gordon
Um clássico incompreendido! Costumo fazer a piada de que Flash Gordon é um raro caso de filme de mais de quarenta e cinco anos, que podia gerar franquia, mas nunca foi refilmado. Mas, piadas à parte, Flash Gordon pode tranquilamente figurar em qualquer lista de melhores adaptações de quadrinhos. Claro, alguns efeitos especiais perderam a validade (são quase cinco décadas!), e aquela cena do futebol americano sempre foi tosca. Mas o filme é empolgante, a trilha sonora do Queen é sensacional, e o elenco ainda conta com alguns grandes nomes, como Ornela Mutti, Max von Sydow e Timothy Dalton.

Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra

Crítica – Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra

Sinopse (imdb): Um “Homem do Futuro” chega a uma lanchonete em Los Angeles, onde precisa recrutar a combinação perfeita de clientes para se juntarem a ele em uma missão para salvar o mundo da ameaça terminal de uma inteligência artificial rebelde.

Heu gosto de filmes malucos. Gosto de filmes que trilham caminhos fora do óbvio. E quando vi o trailer deste Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra, me chamou a atenção que seria um filme bem fora do padrão.

Um homem com aparência de morador de rua entra num restaurante à noite e diz que veio do futuro e precisa da ajuda de algumas daquelas pessoas para salvar o mundo de um apocalipse tecnológico. Ele diz que já veio mais de cem vezes e todas deram errado. Claro que as pessoas a princípio não acreditam nele, mas ele consegue montar um grupo e eles saem para a missão.

A direção é de Gore Verbinski, mais conhecido por ter feito os três primeiros filmes da série Piratas do Caribe, e que depois ganhou o Oscar pela animação Rango, de 2011. Mas de lá pra cá, ele fez pouca coisa e não acertou: O Cavaleiro Solitário, de 2013, e A Cura, de 2016. Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra é o seu primeiro filme em quase dez anos!

A estrutura do filme usa flashbacks pra mostrar como alguns daqueles personagens foram parar no restaurante naquela noite. Esses flashbacks parecem pequenos episódios de Black Mirror, são pessoas envoltas em problemas ligados à tecnologia – mas uma tecnologia que ainda não existe no nosso dia a dia.

Gostei do ritmo de Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra, mas preciso reconhecer que o filme é um pouco longo demais. Um filme maluco funciona melhor se tem perto de uma hora e meia, aqui são duas horas e quatorze, o filme chega a cansar.

O elenco é bom. Sam Rockwell funciona muito bem no papel de “maluco conspiracionista da vez”. Também no elenco, Juno Temple, Haley Lu Richardson, Michael Peña e Zazie Beetz.

Segundo o FilmeB, Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra tem previsão de estreia dia 23 de abril. Recomendo pra quem gosta de filmes malucos.

O Drama

Crítica – O Drama

Sinopse (imdb): Os planos perfeitos de casamento de um casal entram em caos quando um segredo chocante vem à tona dias antes da cerimônia.

O texto de hoje vai ser um pouco diferente. Em vez de fazer uma análise crítica sobre o filme O Drama, com Zendaya e Robert Pattinson, heu quero comentar o plot do filme. Porque esse plot tem um detalhe que não conseguiu me convencer e por causa disso, não consegui “entrar” na onda que o filme propôs.

Mas, antes, um aviso de spoiler, porque o trailer oculta o assunto que vou comentar agora. Não sei se a sinopse e a divulgação do filme vão falar disso, então, na dúvida, se você não gosta de spoilers, pule esse texto.

Uma semana antes do casamento, Emma e Charlie, junto com um casal de amigos próximos, estão experimentando comidas que vão ser servidas no buffet. Depois de algumas taças de vinho, resolvem lançar um desafio, e cada um vai ter que dizer a pior coisa que já fez na sua vida. Cada um precisa “colocar na roda” o pior podre da sua história. Os dois homens falam relatos que, na verdade, não são lá grandes coisas. Emma, personagem da Zendaya, confessa que, quando era adolescente, pensou em fazer um “mass shooting” – ela pensou em entrar na escola, armada, e matar pessoas. Ela pensou, mas não chegou a executar. E depois o filme ainda traz uma redenção pra a personagem, porque ela se tocou que ia fazer besteira, e resolve justamente entrar pra um grupo de ativistas contra o armamento.

Todo o drama do filme O Drama gira em torno disso: ela pensou em fazer algo errado quando era adolescente, mas na verdade não fez. E o que mais dá raiva nessa história é que a outra mulher, Rachel, confessa que, quando adolescente, trancou um colega dentro de um armário, dentro de uma cabana, no meio de uma floresta. Ela deixou o garoto lá, à noite o pai do garoto veio perguntar se ela tinha visto, e ela mentiu para o pai do garoto. Ou seja, se a Emma tivesse feito o mass shooting, realmente seria muito pior, mas ela não fez. Por outro lado, Rachel efetivamente fez mal a uma pessoa – o garoto podia ter morrido. E Rachel se acha com moral pra criticar a Emma.

Nos Estados Unidos, onde esses casos de mass shooting acontecem com maior frequência do que aqui no Brasil, talvez lá essa trama funcione melhor. Aqui no Brasil, heu sinceramente não consegui me conectar ao problema do casal. Emma teve pensamentos ruins quando adolescente, ok, todos concordamos – mas depois ela se tocou que eram pensamentos ruins e seguiu o rumo da vida. Ou seja, se teve algo de ruim no passado, já foi completamente superado. Enquanto isso, o resto dos personagens fica tratando isso como se fosse algo muito pior.

O Drama não é ruim, mas esse drama exagerado em cima de um assunto que eu não achei grandes coisas não me deixou gostar do filme. Heu quero saber a sua opinião. O que você acha? Quem você acha que está pior? Seria quem pensou em fazer algo de ruim mas não fez? Ou quem fez algo de ruim mesmo que não seja tão grave?

Super Mario Galaxy: O Filme

Crítica – Super Mario Galaxy: O Filme

Sinopse (imdb): Depois de derrotar Bowser e salvar o Brooklyn, Mario e seus amigos enfrentam uma nova ameaça: Wario, com Bowser Jr., conspiram para dominar o mundo. Eles devem se unir a Yoshi para deter essa dupla maligna.

(Mais uma vez, acho que quem fez a sinopse não viu o filme. Não tem nenhum Wario aqui!)

Lançado em 2023, Super Mario Bros.: O Filme foi uma boa surpresa. Divertido, engraçado, com personagens carismáticos, e que conseguiu contar uma história coerente dentro de um universo maluco (nada no lore do videogame faz sentido no mundo real!). Além disso, como os personagens principais são muito conhecidos na cultura pop, as referências ao jogo funcionavam – afinal, quem não conhece Mario, Luigi e Donkey Kong?

Era óbvio que fariam uma continuação, afinal a bilheteria foi excelente (hoje é a sexta maior bilheteria da história, dentre longas de animação). Além disso, são vários jogos diferentes. Pensando por esse ângulo, até que demorou.

Demorou, mas infelizmente o resultado é bem mais fraco que o primeiro filme. Mais uma vez roteirizado por Matthew Fogel e dirigido pela dupla Aaron Horvath e Michael Jelenic, Super Mario Galaxy: O Filme (The Super Mario Galaxy Movie, no original) parece um produto feito apenas para quem conhece especificamente o jogo Super Mario Galaxy – o que não é o meu caso. Não tem uma boa história a ser contada, tem personagens inúteis, e a sensação que fica é que o único objetivo era entupir o filme de referências ao jogo.

Um exemplo simples: o filme começa com uma princesa loira sendo sequestrada. Só fui saber que a princesa loira não era a Peach depois de um tempão de filme. Como vou saber que são duas princesas loiras? Por que não avisar pro espectador “leigo” que existe mais de uma princesa?

Tem outra coisa que ficou tão tosca que até o próprio roteiro comenta. O Yoshi, que era a cena pós créditos do primeiro filme, aparece logo no início do filme. Aparece e já vira protagonista – “acabou de entrar no ônibus e já sentou na janelinha”. Por que? Sei lá, mas virou protagonista, se bobear tem mais tempo de tela que o Luigi. Ficou tão abrupto que tem um diálogo no filme reclamando que ele acabou de chegar e já virou importante. Dito isso, reconheço que curti o rápido flashback que mostra a origem dele numa cidade grande.

O filme é feito para fãs, certo? Determinado momento aparece um novo personagem, uma raposa que faz um “Han Solo” (um piloto contratado pra salvar uma princesa), um personagem que parece importante. Só quando acabou o filme que me disseram que esse personagem é uma participação de outro jogo. De novo: por que não criar um contexto? Pra piorar, logo que o Mario conhece esse piloto, o roteiro aponta pra uma possível rivalidade entre os dois, mas logo depois deixa essa rivalidade pra lá.

Nem tudo é ruim. A qualidade da animação é excelente, e a trilha sonora, usando temas do jogo, também é boa. E algumas sequências são legais, como aquela onde Mario e Peach estão numa “fase do jogo” e o Bowser Jr está vendo por uma tela que parece um videogame antigo. A sequência no cassino onde a gravidade muda de direção também é legal.

Ah, sim, a sessão de imprensa foi dublada. A dublagem é boa, mas é uma pena não ter ouvido as vozes de Chris Pratt, Anya Taylor-Joy, Jack Black, Seth Rogen e Charlie Day, que estavam no primeiro filme; mais Glenn Powell, Brie Larson e Donald Glover, personagens novos.

No fim, fica a decepção, porque a gente lembra que o filme de três anos atrás servia para o público geral, enquanto parece que este aqui só quer os fãs mais radicais.

Ah, tem cenas pós créditos. Mas só os fãs radicais vão entender a referência (heu não peguei).

Velhos Bandidos

Crítica – Velhos Bandidos

Sinopse (imdb): Um casal de idosos aposentados se junta a jovens parceiros para planejar um audacioso roubo a banco, enquanto tenta despistar um detetive determinado a impedi-los.

Heu não ia falar sobre este Velhos Bandidos. Não é um grande filme, é uma apenas diversão bobinha. Mas tem tanta gente falando mal que me vi obrigado a vir aqui defender o filme.

Um casal rouba residências de idosos enquanto estes viajam em cruzeiros. Durante um roubo, o casal de velhinhos que mora naquela casa volta e consegue prender os dois. Mas em vez de levá-los à polícia, os convida para um assalto bem mais ambicioso.

Vamulá. Como falei, Velhos Bandidos não é um grande filme. É uma comédia bobinha, previsível e cheia de clichês. Mas… Sempre defendi que o cinema nacional precisa de maior diversidade de estilos se quiser evoluir. A grande maioria das filmes brasileiros ou são filmes cult querendo premiações em festivais, ou são comédias bestas com Leandros Hassums e Ingrids Guimarães da vida. Nada contra a existência desses filmes – o primeiro grupo traz prestígio internacional, o segundo vende muitos ingressos. Mas precisamos de variedade. Precisamos de terror, de aventura, de ficção científica, de musicais. Então quando aparece um filme nacional que não se enquadra em nenhum desses dois grupos, heu defendo (a não ser que seja um filme muito ruim). Defendi a refilmagem do suspense Quarto do Pânico, vou defender Velhos Bandidos, que é uma comédia de ação em cima de um roubo – estilo chamado de “heist movie” em Hollywood. Nenhum dos dois é um grande filme, mas ambos são diversões honestas. E ambos ajudam a evolução do cinema nacional como um todo.

A direção é de Claudio Torres, filho da protagonista Fernanda Montenegro, que dirigiu A Mulher Invisível e O Homem do Futuro (entre outros) – outras duas comédias leves e divertidas que também não carregam a pretensão de serem grandes filmes. Às vezes um filme pode ser despretensioso e mesmo assim pode ser elogiado!

Além disso, o elenco de Velhos Bandidos é ótimo. Afinal, não é todo dia que reunimos Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Bruna Marquezine, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos e Reginaldo Faria. O elenco secundário também traz alguns grandes nomes, como Vera Fischer, Tony Tornado, Hamilton Vaz Pereira e Nathalia Timberg – mas esses mereciam um roteiro melhor, algumas dessas participações parecem estar ali só pelo nome famoso, alguns personagens são bem bestas. Mas mesmo assim, só por esse elenco, já vale ver o filme.

Acho que o que pesou para parte das pessoas que reclamaram é que a Fernandona disse que este seria seu último filme – ela está com impressionantes 96 anos! De repente queriam que ela encerrasse a carreira com um grande filme. Ou seja, é uma espécie de head canon: o problema não é o filme, e sim a expectativa criada pelo filme.

Não ouçam os críticos rabugentos. Vá ao cinema e divirta-se!

Eles Vão Te Matar

Crítica – Eles Vão Te Matar

Sinopse (imdb): Uma mulher aceita um emprego como faxineira em um edifício de Nova York, sem conhecer a história de desaparecimentos do prédio. Ela logo percebe que a comunidade está envolta em mistério.

Em 2018, vi um filme russo chamado Morra / Why Don’t You Just Die, que parecia uma mistura de Quentin Tarantino com Jean-Pierre Jeunet – era como se o Tarantino fosse fazer um filme no cenário de Delicatessen. Morra é ao mesmo tempo muito violento e muito divertido. Heu guardei o nome do diretor, Kirill Sokolov, mas nunca mais vi nada dele. Aí vi a divulgação deste novo filme, Eles Vão Te Matar, fui ver quem era o diretor: Kirill Sokolov. Fui para a sala de cinema já imaginando o que ia ver.

Em Eles Vão Te Matar, uma mulher se candidata a um emprego de faxineira, mas logo descobre que existe algo de muito estranho no prédio onde ela vai trabalhar.

O ritmo do filme é alucinante. Uma coisa curiosa é que a violência extrema começa cedo no filme, e não pára, são muitas cenas de sangue e de gore. Com menos de meia hora já tem uma sequência mais intensa que muita conclusão de filme de ação! O filme é curto, pouco mais de uma hora e meia, e tem pouco espaço pra respirar. É porradaria e sangue em quantidade abundante.

Importante falar: são várias cenas de luta, e todas são bem coreografadas, daquele estilo onde a câmera faz parte da coreografia e “passeia” entre os golpes e jatos de sangue. Sim, violência extrema, muito sangue, tudo bem coreografado e bem filmado. E ainda tem umas boas sacadas visuais, como a cena escura iluminada pelo machado em chamas.

Além disso, tem o bom humor. Eles Vão Te Matar tem cenas engraçadíssimas! Quem curte humor negro vai gostar! Tem uma sequência com um olho que achei genial. E tem uma cena, em câmera lenta, que envolve uma mesa, um tiro e um golpe de machado (ou espada, não lembro), onde heu bati palmas na sala de cinema!

(Tem gente que chama de “terrir”, que seria uma mistura de terror com comédia. Heu particularmente não acho correto usar esse termo aqui, porque terrir me lembra os filmes do Ivan Cardoso, que têm uma pegada mais trash.)

Claro, vão comparar com Tarantino – uma mulher, descalça, toda suja de sangue, usando uma espada e matando pessoas. Além disso, em uma cena tem uma música ao fundo que parece Don’t Let Me Be Misunderstood, do Santa Esmeralda, claro que remete a Kill Bill. Mas, vamulá, Tarantino não dirige nada desde 2019, já são sete anos sem um novo filme. E outra coisa que a gente precisa lembrar é que os últimos filmes dele foram mais, digamos, comportados. Ou seja, o próprio Tarantino não está fazendo filmes assim. Se ele não está fazendo, deixa outra pessoa fazer. Não me incomodo com um cara russo que quer ser Tarantino se ele vai entregar um filme violento e divertido como esse.

No elenco, todos os elogios possíveis à Zazie Beetz. Ela teve papeis secundários em Deadpool 2, Coringa, Trem Bala, até no recente Boa Sorte Divirta-se Não Morra (vi semana passada, devo comentar aqui em breve). Aqui ela finalmente é protagonista e não só tem toda a carga dramática de sofrer pela irmã, como faz diversas cenas de luta. Acho que temos uma nova opção para filmes de ação girl power, pra variar um pouco das “heroínas de ação” de sempre, como Milla Jovovich e Kate Beckinsale. E não é só ela, Eles Vão Te Matar ainda tem alguns nomes conhecidos no elenco, como Patricia Arquette, Heather Graham e Tom Felton.

Eles Vão Te Matar deu azar de estrear uma semana depois de Casamento Sangrento 2, os dois filmes têm semelhanças nas propostas de violência exagerada e humor negro. Mas recomendo fortemente pra quem curte o estilo. Grandes chances de voltar aqui no fim do ano entre os melhores de 2026.