Missão Refúgio

Crítica – Missão Refúgio

Sinopse (imdb): Um homem solitário em uma remota ilha escocesa resgata uma garota do mar, desencadeando uma sequência perigosa de eventos que culminam em um ataque à sua casa, forçando-o a enfrentar sua história conturbada.

Filme genérico do Jason Statham. Dá pra esperar alguma coisa além de apenas um “ok”?

Em Missão Refúgio (Shelter, no original), Mason vive recluso num velho farol em ruínas. Um marinheiro e sua filha adolescente trazem mantimentos para ele. Acontece um acidente com o barco e Mason passa a cuidar da menina. Até que uma câmera de segurança o reconhece e começam a caçá-lo. Claro que ele vai fugir e levar a menina. E claro que ele é o homem mais perigoso e mais mortal do país.

A direção é de Ric Roman Waugh, que se bobear ainda está em cartaz com seu último filme, Destruição Final 2 (dois filmes no início do ano!). Missão Refúgio é coerente com sua filmografia. Tudo é extremamente previsível. Todos os clichês estão presentes. Mas… Quem vai assistir um filme desses não está procurando roteiros elaborados. O lance é ser competente nas cenas de ação. E aqui temos tiroteios, lutas e perseguições de carro. Nada que salte aos olhos, mas pelo menos são cenas bem feitas.

No elenco, este é um “filme do Jason Statham”. Ele nunca foi um grande ator, mas pelo menos convence nas cenas de ação (segundo o imdb, ele fez quase todas as cenas sem dublê!), e tem carisma o suficiente pra segurar a atenção do espectador. Bodhi Rae Breathnach (Hamnet) faz a adolescente, mas preciso dizer que não gostei da atuação dela, ela faz cara de choro quase o filme inteiro. Bill Nighy sempre está bem, mas aqui parece estar no piloto automático. Também no elenco, Naomi Ackie e Bryan Vigier.

Missão Refúgio até vai distrair o espectador que vai conferir no cinema. Mas vai ser esquecido logo logo. O prazo de validade é “até o próximo filme do Jason Statham”, o que deve durar menos de um ano.

Kill Bill: The Whole Bloody Affair

Crítica – Kill Bill: The Whole Bloody Affair

Sinopse (imdb): A noiva deve matar seu ex-patrão e amante Bill, que a traiu no ensaio de casamento, atirou na cabeça e levou sua filha por nascer. Mas primeiro, ela deve fazer sofrer os outros quatro membros do Esquadrão da Morte.

Vai estrear no cinema uma “nova versão” de Kill Bill. Mas, é nova de verdade?

Tive sentimentos opostos depois que acabou a sessão. Por um lado, é sempre bom ver Tarantino no cinema, e como seu último filme foi só em 2019, estava rolando uma certa “abstinência”… Mas por outro lado, tem muito pouca novidade. Basicamente, vemos o primeiro filme, aí tem um intervalo de 15 minutos, depois o segundo filme, aí são créditos estendidos, pra só lá no fim de tudo, uma sequência inédita em animação.

Um breve comentário sobre Kill Bill. É uma saga de uma mulher que quer se vingar de cinco ex companheiros que a deixaram para morrer. E é um filme para fãs de Tarantino. O filme é cheio de exageros estilísticos – além de várias lutas com muito sangue jorrando, rolam cenas em preto e branco, coreografia em contra luz, planos-sequência com a câmera passeando pelo cenário sem cortes à la Brian de Palma – tem espaço até uma sequência em desenho animado! Tarantino aqui confirma a sua vocação de liquidificador de cultura pop e faz inúmeras citações. Faroeste italiano, filme de artes marciais, anime, trash, blaxploitation, seriados antigos, tudo isso fica consonante com as suas características habituais: diálogos afiados, edição fora da ordem cronológica e trilha sonora “cool”.

Agora, vou entrar num assunto polêmico. A divulgação deste novo lançamento diz que esta é a versão que o próprio Tarantino queria fazer na época, mas o estúdio o forçou a dividir em dois filmes. Mas, pra mim, isso é marketing. Porque sempre interpretei Kill Bill como dois filmes diferentes. Calma que vou explicar meu ponto de vista. Tarantino, ao longo de sua carreira, de vez em quando aponta seus filmes para uma direção para logo depois mudar, surpreendendo o espectador. Ele cria uma expectativa, para depois frustrá-la. Esse é um dos motivos que me fazem gostar dos filmes dele: são filmes fora do óbvio. Um exemplo: em Pulp Fiction, a gente acha que o protagonista é o John Travolta, mas seu personagem morre de repente no meio do filme. Outro exemplo ainda mais explícito: em Oito Odiados, de repente o espectador descobre que tem um personagem escondido no subsolo da casa. É um ator famoso, não é um figurante sem importância. A gente vê aquilo e pensa que o filme tomará outro rumo com a entrada do novo personagem – mas este morre logo, e o filme não muda de rumo. Isso sem contar com Bastardos Inglórios, que altera fatos históricos, matando Hitler num incêndio. Analisando sob este ponto de vista, Tarantino encerrou Kill Bill vol 1 com uma longa e sangrenta batalha entre a Noiva e os Crazy 88. Um final bastante catártico. Aí quando vemos o vol 2, e sabemos que a Noiva vai finalmente enfrentar o Bill, vemos uma luta muito mais contida, usando um elemento citado despretensiosamente no meio do filme. Cadê a luta catártica? Não tem. Mais uma vez, Tarantino frustrou a expectativa criada por ele mesmo. Ou seja, pra mim, sempre foram dois filmes separados.

Agora, falemos sobre esta “nova versão”. A animação inédita traz Aki, uma nova personagem que quer matar a Noiva. Se entendi direito a irmã da Gogo Yubari. Tiro porrada e bomba num desenho curtinho de 8 minutos. Divertido, mas não justifica uma ida ao cinema só por isso.

De resto, tem bem pouca coisa de novidade. O anime mostrando a infância da O-Ren Ishii é um pouco maior, tem uma sequência a mais. Durante a luta contra os Crazy 88, antes tinha uma sequência em P&B, agora é tudo colorido (decisão que achei ruim, era legal de repente tudo ficar P&B, era mais uma surpresa no filme). E acho que trocaram algumas músicas na trilha sonora. Se teve mais alterações além dessas, não reparei – e olha que revi os dois Kill Bill não faz muito tempo. Ou seja, pelas alterações, não vale ver essa nova versão.

(Lembro de quando a trilogia clássica de Star Wars foi relançada nos cinemas em 1997. Eram filmes que heu já tinha visto diversas vezes. E realmente teve novidades – algumas ruins, como o Greedo atirando antes; outras boas, como janelas com paisagens na cidade das nuvens em Bespin. Aliás, a maioria das alterações foi boa. Naquela ocasião, nenhum fã saiu frustrado do cinema por ter visto um filme igual ao anterior!)

Gostei de ter visto Kill Bill: The Whole Bloody Affair. Mas gostei porque Tarantino no cinema é sempre legal. Mas queria ter visto mais material diferente, a divulgação engana o espectador.

Fique até o fim dos créditos!

EPiC: Elvis Presley in Concert

Crítica – EPiC: Elvis Presley in Concert

Sinopse (filmeb): Elvis canta e conta a sua história como nunca se viu antes em uma experiência cinematográfica dirigida pelo visionário cineasta Baz Lurhmann.

No Podcrastinadores de expectativas para 2026, o Pedro Guedes, do canal Depois do Cinema, me sugeriu esse documentário. Não sou muito fã do gênero, mas fui ao cinema ver qualé.

EPiC: Elvis Presley in Concert (idem, no original) foi dirigido por Baz Luhrman. Durante as pesquisas sobre o filme Elvis, provavelmente ele deve ter encontrado muita coisa sobre o cantor, então deve ter separado esse material de arquivo que servia pra um documentário longa metragem.

Minha maior curiosidade era saber como seria um documentário feito pelo Baz Luhrman, que é famoso pelo visual espalhafatoso dos seus filmes. Mas se ele está usando material de arquivo, fica mais restrito na hora de fazer suas extravagâncias. Acho que aqui isso só acontece bem no início, quando vemos algumas colagens de imagens em velocidade acelerada – se o filme fosse todo naquele ritmo, ia ser difícil de acompanhar.

Mas acabou que o problema foi outro. EPiC fala um pouco sobre a carreira hollywoodiana do Elvis e mostra algumas rápidas imagens de shows antigos. Mas quase todo o filme é em cima da fase Las Vegas do cantor. Digo mais: só o início dessa fase, antes do Elvis engordar.

Talvez seja head canon da minha parte, mas, se vou ver um documentário sobre um cantor que começou a carreira em 1954, vou querer ver informações sobre essa época, assim como os anos seguintes. Por exemplo, toda a fase da Sun Records foi deixada de fora. Quase todo o filme foca apenas em 1969.

Além disso, quem viu o filme do mesmo diretor sabe das controvérsias ligadas ao empresário Coronel Tom Parker. Se Luhrman dedica boa parte do seu filme anterior ao Coronel, por que o deixa de lado aqui? Até vemos o Coronel, mas rapidinho. E com zero polêmica. O filme também fala pouco do relacionamento com Priscilla Presley.

Dito isso, preciso reconhecer que o material de Las Vegas apresentado no filme é muito muito bom. São vários momentos de ensaios e de shows. Além disso, a qualidade da imagem é excelente. Vemos Elvis de perto, conversando, cantando e fazendo piadas.

Alguns detalhes da edição ficaram bem legais. A música Polk Salad Annie alterna imagens do ensaio só com a banda, ensaio com o coro, e a apresentação no palco, com público. Detalhe: o áudio da música continua como se fosse uma única gravação, enquanto alternam as imagens. Achei esse o melhor momento do filme.

No fim, fica a vontade de ver o show de Las Vegas. Se existem aquelas imagens com aquela qualidade, deve ter o show inteiro em algum lugar. Acho que seria bem mais legal ver o show de Las Vegas completo do que um documentário que diz que vai falar sobre o Elvis mas fala muito pouco sobre o resto da sua rica carreira.

No fim, até vale. Quem curte música vai gostar, quem curte Elvis Presley vai gostar ainda mais. Mas poderia ser bem melhor, ah, poderia…

Pânico 7

Crítica – Pânico 7

Sinopse (imdb): Quando um novo Ghostface surge na pacata cidade onde Sidney Prescott reconstruiu sua vida, seus medos mais sombrios se tornam reais enquanto sua filha se torna o próximo alvo do assassino.

Precisava de mais um Pânico? Claro que não. Mas dá bilheteria, né?

Houve turbulências durante a produção do filme, mas não sei de detalhes. O que sei é que Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, diretores de Pânico 5 (2022) e 6 (2023), optaram por não fazer o sétimo filme, então o roteirista Kevin Williamson sugeriu seu amigo Christopher Landon como um substituto adequado – mas Landon também saiu fora. Williamson tinha convencido Neve Campbell a voltar para a franquia, então Neve convenceu Williamson a assumir a direção.

Kevin Williamson tem um bom currículo como roteirista (Pânico, Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, Prova Final), mas, como diretor, só tinha dirigido um único filme, Tentação Fatal, que não é lá grandes coisas. Agora, em seu segundo filme como diretor, parece que Williamson seguiu um caminho “seguro”. A estrutura do sétimo filme é bem parecida com a dos filmes anteriores – como, por exemplo, começar com um prólogo com personagens que não estarão no resto do filme.

Aliás, aqui também tem uma sequência que fala de metalinguagem, coisa que acontece desde o reboot de 2022. Naquele filme tem uma cena que fala sobre o conceito de requel, mistura de reboot com sequel. No filme de 2023 falam sobre clichês de franquias. Agora a cena fala de nostalgia, de usar elementos dos filmes clássicos nos novos filmes. Boa sacada.

Por outro lado, tudo é muito previsível e cheio de conveniências de roteiro – por exemplo, se a Sidney precisa ir até a filha, que está longe, e não consegue abrir o carro, ia voltar e pedir carona em vez de andar. Ou a entrada triunfal da Gale, no timing exato. Mas pelo menos algumas sequências são boas, como aquela da garagem com os plásticos pendurados. E teve um jump scare que me pegou!

No elenco, o grande lance aqui é a volta de Neve Campbell, que não estava no filme anterior. Aqui ela é a protagonista, Courtney Cox aparece como coadjuvante. Existe todo um elenco novo, de pessoas desconhecidas, mas queria citar um nome, bem secundário para este filme: McKenna Grace. Assim como em Five Nights at Freddy’s 2, ano passado, ela tem um papel bem pequeno aqui. McKenna parece estar querendo se firmar como um nome importante no cinema fantástico, afinal, ela também estava em Ghostbusters, Maligno, Anabelle 3, Amityville O Despertar e, claro, A Maldição da Residência Hill. Belo currículo, e ela ainda tem 19 anos!

Pânico 7 fala sobre deep fake. Não vou entrar em detalhes por causa de spoilers, mas foi uma boa ideia usar um tema bem atual. Só achei que forçaram um pouco na sequência final, porque mostra vários personagens de outros filmes, e não sei se quem criou os deep fakes não teria como saber aqueles rostos todos. Mas foi uma bela homenagem a outros atores que passaram pela franquia.

Por fim, queria reclamar dos títulos dos filmes pós Wes Craven (diretor dos primeiros, já falecido). Pânico 5 foi lançado como “Pânico”, sem número, mesmo nome do filme de 1996 – o que não faz o menor sentido, são dois filmes com títulos iguais. O sexto filme usou algarismos romanos, “Pânico VI”. E agora voltou ao algarismo arábico, “Pânico 7”. Caramba, por que não padronizar???

Pânico 7 tem uma breve cena no meio dos créditos, e estreia hoje no circuito.

O Morro dos Ventos Uivantes

Crítica – O Morro dos Ventos Uivantes

Sinopse (imdb): Uma história de amor apaixonada e tumultuada que tem como pano de fundo os pântanos de Yorkshire, explorando o relacionamento intenso e destrutivo entre Heathcliff e Catherine Earnshaw.

Antes de tudo, preciso falar que nunca li o livro. Foram algumas diferentes versões cinematográficas, vi a de 1992, com Juliette Binoche e Ralph Fiennes, mas vi na época e nunca revi, então não lembrava de nada da história. Como de costume aqui no heuvi, os comentários serão sobre o filme, e não sobre o livro que deu origem.

Só queria fazer um breve comentário, porque ouvi gente reclamando que a escolha do Jacob Elordi seria errada, porque no livro o Heathcliff não é branco. Ora, na versão de 92, Heathcliff era o Ralph Fiennes. Essa reclamação está atrasada, não?

O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights, no original) é o terceiro filme de Emerald Fennell, que tirou onda ganhando Oscar de melhor roteiro original (além de indicações para filme e diretora) por seu filme de estreia, Bela Vingança, de 2020. Em 2023 ela fez Saltburn, bom filme, mas não tão bom quanto Bela Vingança. E agora chega seu terceiro filme, bem mais fraco que os dois anteriores…

(Detalhe: o título do filme, no poster, está entre aspas. É um meio discreto que Emerald Fennell usou para avisar “galera, este filme não é exatamente a mesma história, é a minha versão, ok?”)

O Morro dos Ventos Uivantes não é bom. Não é um lixo, mas tem muito mais problemas que virtudes. Duas coisas me incomodaram muito, uma sobre a história, a outra do filme em si. Vamos por partes.

Sobre a história, não sei vocês, mas heu tô de saco cheio com gente que alimenta problemas desnecessários. Ele gosta dela, ela gosta dele, mas ninguém fala nada e eles não ficam juntos. Isso não é um problema exclusivo desse livro/filme, isso tem de monte por aí, inclusive na vida real. Galera, qual é a dificuldade de você verbalizar o que você sente por alguém? Pra que problematizar algo que não é um problema? Aí, no filme, vemos Heathcliff decepcionado com algo que ele ouviu – mas não confirmou – e vai embora. E volta anos depois, dizendo que sempre amou Cathy. Cara, se você a ama, por que foi embora? Você se ausentou, “a fila andou”. Agora não reclame! E ela também fica fazendo jogo duro – pra que??? Sei lá, esse tipo de problema me enche o saco.

Agora, sobre o filme, o problema é que é chato e arrastado. São duas horas e quinze, e aquela história poderia facilmente ser contada em uma hora e meia. É impossível passar pela reta final do filme, repetindo a mesma coisa várias vezes, sem ficar olhando pro relógio.

Além disso, O Morro dos Ventos Uivantes tem algumas coisas meio estranhas. O figurino usa umas roupas que parecem de plástico, talvez celofane. Qual é o sentido de usar um tecido que não parece compatível com a época que o filme se passa? Faço o mesmo comentário sobre alguns momentos musicais usando Charlie XCX, umas músicas que não têm nada a ver com o clima do filme, parecia um videoclipe.

Um amigo comentou que O Morro dos Ventos Uivantes era pra ser um romance gótico, mas virou um thriller erótico. Mas, olhando pelo lado erótico, achei bem fraco. O filme tem zero nudez, e pouquíssimas cenas de sexo. Ok, algumas cenas sugerem erotismo em situações do dia a dia, como por exemplo alguém sovando massa de pão na mesa. Mas na minha humilde opinião é tudo muito discreto pra ser chamado de thriller erótico.

Nem tudo é ruim. A fotografia é muito boa – talvez o único elogio que faço sem nenhuma ressalva. Várias cenas são belíssimas, daquelas que dá vontade de pausar e colocar num quadro. Também gostei das cenas que envolvem Heathcliff e Isabella, uma relação bem tóxica, mas que foi bem escrita e bem filmada.

No elenco, Margot Robbie e Jacob Elordi servem para o que o filme propõe: um casal bonito e carismático. Não precisa de grandes atuações, a ideia é que eles façam o básico. A melhor do elenco é Alison Oliver, que faz Isabella, é um personagem bem mais interessante que o casal principal. E achei legal ver Owen Cooper, o garoto de Adolescência, em seu primeiro papel para o cinema. Também no elenco, Hong Chau, Shazad Latif e Martin Clunes.

O Morro dos Ventos Uivantes está em cartaz, e aparentemente não está agradando. Espero que Emerald Fennell tenha melhor sorte no seu quarto filme.

Extermínio: O Templo dos Ossos

Crítica – Extermínio: O Templo dos Ossos

Sinopse (filmeB): Dr. Kelson se vê envolvido num novo relacionamento chocante – com consequências que podem mudar o mundo como eles o conhecem – e o encontro de Spike com Jimmy Crystal se torna um pesadelo do qual ele não consegue escapar.

Perdi a sessão de imprensa de Extermínio O Templo dos Ossos, ou Extermínio 4 (mais fácil, né?). Não foi porque achei o Extermínio 3 ruim, na verdade heu tinha outro compromisso no dia. Perdi o “bonde do hype”, mas vou comentar, mesmo atrasado.

Mas antes queria fazer um último comentário sobre o Extermínio 3. Meu maior problema com o filme foi que não consegui “comprar a ideia”. O terceiro filme era pra ter sido “28 Meses Depois”, continuando a proposta do título original, que se baseia na linha do tempo (28 dias – 28 semanas – 28 meses). Mas resolveram mudar pra “28 Anos Depois”. Galera, 28 anos é muito tempo. Em primeiro lugar, não teriam mais infectados – no segundo filme são poucos, porque a maioria morreu de fome. Além disso, ia ter gente querendo voltar pra Inglaterra. A infecção se espalhava muito rápido, imagina quantos ingleses não estariam viajando, fora da Inglaterra, quando estourou a infecção? Eles iam querer voltar pra casa! Fazer o filme 28 anos depois da infecção me pedia uma suspensão de descrença que não consegui aceitar.

Mas, isso é problema meu, não do filme. Se vejo um filme de super heróis, preciso acreditar que o cara tem super poderes. Um dia vou rever Extermínio 3 e talvez tenha uma segunda opinião.

Enfim, vamos ao Extermínio 4. Este é o segundo de uma trilogia no universo dos dois primeiros filmes. Extermínio 3, o terceiro filme, mas primeiro da nova trilogia, terminava com uma cena “Power Rangers”, mostrando um grupo que lutava fazendo coreografias e usando roupas coloridas (aliás, essa cena me fez gostar ainda menos do filme). O quarto filme começa a partir daí: a entrada do garoto Spike nesse problemático grupo. Paralelo a isso, vemos o dr. Kelson estreitando o relacionamento com o infectado Samson, e fazendo experimentos com remédios.

A direção é de Nia da Costa, que não tem um bom currículo (ela fez o Candyman novo, que é meio fuén, e As Marvels, que é ainda pior). Mas ela manda bem aqui. Em algumas partes ela emula o ritmo frenético usado pelo Danny Boyle nos outros filmes, mas em outros trechos temos mais foco nos personagens e seus objetivos. Além disso, ela usa a música como em nenhum dos outros três filmes foi usada (já retorno a esse ponto).

O elenco está muito bem. O filme se divide bem entre os três principais nomes. Alfie Williams, que era o verdadeiro protagonista do filme anterior, aqui está ok como um garoto que acidentalmente caiu numa roubada e precisa dar um jeito de escapar. Jack O’Connel está ótimo como o alucinado e megalomaníaco líder dos Jimmies, um cara que cresceu e viveu a vida toda sem limites morais e éticos, e agora vive essa rotina louca, misturando poder e religião. E Ralph Fiennes está excelente como o velho médico, sobrevivente, cansado da vida, que se arrisca pra tentar mudar o que está em volta. E ele ouvindo e dançando Iron Maiden é sensacional! Ainda no elenco, Erin Kallyman (de Han Solo) e Chi Lewis-Parry, o infectado alfa.

Sobre a música: descobrimos que o dr. Kelson tem um toca discos. São três momentos dele ouvindo e interagindo com músicas do Duran Duran. Mas a melhor cena é quando ele usa Iron Maiden. Tem uma longa sequência na parte final, ao som de “The Number of the Beast”, que é muito boa, talvez a melhor cena do filme. Só essa sequência já vale o ingresso! Ah, o filme termina com a arrepiante “In the House, in a Heartbeat”, que foi tema do primeiro filme, lá de 2002.

Por outro lado, Extermínio 4 sofre por ser o filme do meio de uma trilogia anunciada. O filme não tem início, quem não viu o 3 vai ficar perdido. E também não tem fim, o filme termina com dois ganchos para o próximo filme. Um deles é bem legal, pra quem acompanha a franquia desde o primeiro filme. Mas, precisa deixar tudo em aberto? Bem ruim isso.

Gostei de Extermínio 4. Depois de ver, tenho até mais boa vontade com o terceiro filme. Quem sabe quando sair Extermínio 5 não faço uma sessão tripla pra ver a trilogia inteira?

O Quarto do Pânico (2025)

Crítica – O Quarto do Pânico (2025)

Sinopse (imdb): Após perder o marido e se mudar, uma mulher e sua filha pré-adolescente se escondem na sala secreta de sua nova casa durante uma invasão. O problema é que os ladrões procuram algo guardado justamente naquele cômodo.

O Quarto do Pânico é um filme de 2002, dirigido por David Fincher e estrelado por Jodie Foster, Kristen Stewart, Forest Whitaker e Jared Leto, Vi na época, lembro que gostei, mas nunca revi. Claro, lembro de pouca coisa do filme. Aí agora apareceu uma refilmagem brasileira. Vou comentar a refilmagem como se não tivesse visto o filme original, ok?

Traumatizada pela perda do marido em um assalto, Mari se muda com sua filha para uma casa que tem um “quarto do pânico”, um cômodo onde pode se esconder se a casa for assaltada. Claro que a casa será invadida…

A direção é de Gabriela Amaral Almeida, de O Animal Cordial. Gabriela consegue construir um bom clima de tensão ao longo de pouco mais de uma hora e meia de projeção. As reações dos personagens, tanto dos invasores quanto das vítimas, parecem legítimas. Por outro lado, existe um problema em trazer o filme para os dias de hoje, porque tudo hoje em dia é super conectado. E os ladrões conseguem facilmente entrar na casa e cortar os sinais de telefone e internet, não sei se seria algo tão fácil de se fazer. Em 2002 o mundo era menos online, talvez fosse melhor situar o filme naquela época.

(Tem um outro problema, menor, mas preciso citar. Ela está se mudando pra uma mansão cheia de aparatos tecnológicos, mas tem alguma falha na energia elétrica, e a luz de vez em quando pisca. Aí resolveram incluir uma subtrama de “o fantasma do seu marido está observando através das luzes piscando”. Sério? Quem tem dinheiro pra se mudar pra uma casa dessas tem dinheiro pra chamar um eletricista e checar a fiação da casa! Essa subtrama do fantasma do marido ficou péssima!)

O nome principal do elenco é Isis Valverde, que está ok (pelo menos está bem melhor que em Código Alarum). Mas o melhor do elenco está nos três invasores, cada um com uma personalidade diferente. André Ramiro faz o “ladrão profissional”, o lance dele é o roubo e só; Caco Ciocler faz um cara que prefere a violência quando surge um problema; e Marco Pigossi está ótimo como o ladrão completamente alucinado. Curti o over acting!

Provavelmente alguns dos elogios aqui seriam feitos igualmente ao filme original, não sei se tem algo aqui que se sobressai. Mas, defendo quando o cinema nacional sai do óbvio. E não é todo dia que vemos um suspense feito no Brasil. Então O Quarto do Pânico tem a minha defesa, mesmo que seja ideia reciclada.

O Quarto do Pânico passou no Festival do Rio do ano passado, mas não vai ser lançado no cinema, foi direto pro streaming.

Exit 8

Crítica – Exit 8

Sinopse (imdb): Um homem se perde numa passagem subterrânea. Seguindo um guia, eventos estranhos acontecem. Será este espaço real? Conseguirá escapar?

Ano passado, na live de Halloween do Otavio Ugá, ouvi falar desse Exit 8. Na época não consegui ver, mas ele apareceu agora de “maneira alternativa”, aí finalmente consegui ver.

Dirigido por Genki Kawamura, Exit 8 é baseado no jogo homônimo – que heu nem sabia que existia. Mas vendo o filme a gente consegue sacar qualé a do jogo. Um cara se vê preso num loop, num corredor do metrô, e precisa seguir uma regra simples: se existe alguma anomalia no corredor, precisa voltar, se não, segue em frente – por 8 fases. Tipo um “jogo dos sete erros”, se existe algo diferente no cenário, precisa voltar. Se erra, volta pra fase 0. Assim, vemos o personagem passando dezenas de vezes pelo mesmo corredor, em loop.

Quem me conhece sabe que gosto de cinema bem filmado. E aqui em Exit 8 tem algumas sequências que são impressionantes. O filme abre com um plano sequência de quase 8 minutos, mostrando o ponto de vista do protagonista, primeiro dentro de um vagão de metrô, depois por corredores de uma estação cheios de gente, até chegar no tal corredor onde acontece o loop. E são vários takes longos com o personagem andando pelos corredores repetidos.

A gente sabe que quase todo plano sequência hoje em dia tem emendas digitais. O cara filma até certo ponto, aí corta e depois recomeça como se fosse o mesmo take, e depois emenda digitalmente. Não achei nenhuma informação sobre as filmagens aqui, mas provavelmente fizeram isso, porque se não teriam que ter feito dezenas de corredores iguais. Tem um corredor mais longo, depois três mais curtos fazendo um “S”, pra voltar ao corredor longo. O lance é que são takes longos, com câmera em movimento, sem “pontos de corte óbvios” (como quando a câmera passa por trás de uma pilastra, por exemplo). Essa parte técnica do filme é de “explodir cabeças”! Fiquei procurando pontos de corte e não achei!

Agora, precisamos reconhecer que falta história. O filme tem pouco mais de uma hora e meia e não tem história pra todo esse tempo. A primeira parte do filme é excelente, o protagonista acabou de receber uma ligação da namorada dizendo que está grávida, e ele se vê atordoado sem saber como agir. O filme não deixa claro, mas a minha interpretação é que isso tem a ver com estar preso num loop – ele não sabe qual é a melhor decisão a tomar para direcionar a sua vida, assim como não sabe qual é o melhor caminho para sair do labirinto. O problema é que isso não dá pra preencher um longa metragem. Aí o roteiro muda perto do meio, e a segunda metade não é tão boa.

Existe um personagem secundário que é tipo um npc (non player character, ou “Personagem Não Jogável”, aquele personagem que não é controlado pelo jogador e segue uma rotina repetitiva) – a única função do cara é ser parte do cenário. Mas aí o filme resolve mudar o ponto de vista e em vez do protagonista, passamos a acompanhar este npc. Nada contra mostrar a vida de um npc, já vimos até filme com isso (Free Guy), o problema é que o personagem que conhecemos nessa segunda parte não tem nada a ver com o que vemos na primeira. Além disso não sabemos qual é a história dele para estar preso nesse labirinto, o filme não entrega nenhum background do personagem. Caramba, se você vai expandir sua história para outro personagem, crie um contexto!

Além disso, a parte final tem alguns exageros que fogem bastante da intrigante proposta inicial – o cara procurar alguma falha no cenário é muito mais interessante do que uma inundação que veio do nada e vai pra lugar nenhum.

Mesmo assim, a parte técnica da primeira metade do filme é tão hipnotizante que acabei o filme com vontade de rever, pra ficar procurando anomalias junto com o personagem.

Ah, existe uma cena pós créditos, mas é a cena mais besta possível. Vemos o corredor vazio. Só.

Exit 8 tem previsão de chegar ao circuito brasileiro no fim de abril. Provavelmente verei de novo no cinema.

O Som da Morte

Crítica – O Som da Morte

Sinopse (imdb): Um grupo de estudantes desajustados do ensino médio se depara com um artefato amaldiçoado, um antigo apito mortal asteca. Eles descobrem que, ao soarem o apito e ouvirem o som aterrorizante que ele emite, suas futuras mortes os assombrarão.

Bora pra mais um terror genérico?

Em O Som da Morte (Whistle, no original), um grupo de jovens estudantes acha um antigo apito maia (ou asteca – já vou comentar sobre isso), e todos os que ouvem o som desse apito são perseguidos pela morte.

Sim, a premissa parece Premonição. A diferença é que em Premonição as pessoas que estão fugindo da morte acabam sofrendo acidentes bizarros e imprevisíveis (e isso acabou sendo o melhor da saga), enquanto aqui a pessoa é perseguida pelo seu “eu futuro”. Tipo assim: se você vai morrer daqui a dez anos em um acidente, você passa a ser perseguido por um fantasma que é você acidentado, dez anos mais velho.

(Existe um problema de conveniência de roteiro. A velocidade que o fantasma te alcança depende de quanto o roteiro está precisando. Pode ser imediatamente, pode ser depois de dias. Mas, não vou reclamar, porque isso é algo recorrente em filmes assim – inclusive no citado Premonição.)

O Som da Morte até tem seus méritos, mas o roteiro é bem fraco. Por exemplo, a protagonista se muda pra casa do primo, e o filme nem mostra se existe uma família ou não (são adolescentes, deveria ter um pai e/ou uma mãe). Todo o núcleo de personagens é muito mal elaborado, eles não se gostam, mas do nada inventam uma festa e todos são convidados – e só eles estão presentes, não tem mais ninguém. Isso sem contar as facilitações tipo um professor que consegue ler o que está escrito em asteca (ou maia), ou uma personagem que só entra em cena para dizer fatos exatos sobre o artefato. Além disso, o roteiro é cheio de clichês que parecem tirados de outros filmes. Tem Premonição, tem Fale Comigo, tem Sorria 2, tem Linha Mortal, tem até Clube dos Cinco!

(Sobre o maia ou asteca: determinada cena eles estão pesquisando cultura asteca, outra cena é cultura maia. Afinal, o artefato vem de onde?)

Mesmo assim, não achei de todo ruim. A direção é de Corin Hardy, de A Freira e da série Gangs of London. Tem algumas boas sacadas na direção, gostei do plano sequência na feira. E algumas mortes são bem legais – a do acidente de carro ficou muito boa.

No elenco, o papel principal é de Dafne Keen, a X23 de Logan. Sophie Nélisse, de Yellowjackets, é talvez a melhor num elenco fraco. O filme também tem participações especiais de Nick Frost e Michelle Fairley.

Tem uma cena no meio dos créditos com um gancho para uma possível continuação. Mas na minha humilde opinião podia parar por aí mesmo.

Dupla Perigosa

Crítica – Dupla Perigosa

Sinopse (imdb): Uma dupla improvável de meio-irmãos, um detetive impulsivo e outro disciplinado, é atraída pelo assassinato de seu pai no Havaí, levando-os a uma jornada perigosa para desmascarar uma conspiração de longo alcance.

Outro dia vi um videozinho no Instagram com a Morena Baccarin e o Jason Momoa, ele fala com ela em espanhol, e ela responde “I don’t speak spanish, cause I’m from Brasil. I speak portuguese. Seu idiota!” Fui catar de onde era e achei este Dupla Perigosa / The Wrecking Crew, estreia da Prime, com os dois, mais Dave Bautista e Temuera Morrison no elenco. Aproveitei pra ver.

A direção é de Angel Manuel Soto, de Besouro Azul (onde, coincidência ou não, ele dirigiu outra brasileira, Bruna Marquezine). Ele apresenta um resultado cheio de cenas de ação e bom humor. É previsível? Sim, totalmente. Mas sabe aquele feijão com arroz bem feito? É o caso aqui. Soto usa bem os clichês a favor de seu filme.

Tecnicamente, Dupla Perigosa é muito bom. Abre com um plano sequência que começa num take aéreo de uma cidade, entra numa rua onde acontece uma festa popular e segue uma perseguição a pé no meio de uma multidão. E temos várias cenas de lutas bem filmadas – a primeira, com Jason Momoa seminu contra três membros da Yakuza, é divertidíssima. No quesito “tiro porrada e bomba”, Dupla Perigosa não decepciona.

Agora, a gente sabe que é um filme de ação descompromissado, mas tem algumas coisas que forçaram a barra demais. Determinado momento do filme, os personagens estão num carro, sendo perseguidos por vilões armados, numa moto e num helicóptero. Ok, cena cheia de adrenalina, mas… Em primeiro lugar: como os vilões sabiam onde os mocinhos estavam? E se sabiam, não seria mais fácil num lugar menos “aberto”? Mais: era um elevado com duas pistas, cheio de carros batidos e capotados. Como um carro consegue escapar? Não tem espaço! Ok, sei que metade dos filmes com cenas de perseguição têm o mesmo problema, mas é algo que precisa ser dito: quando um carro capota e atravessa a estrada, não dá pra passar!

Heu até aceitava essa cena do helicóptero. Cena absurda, mas está dentro do limite aceitável em filmes do gênero. Mas teve outra que não deu pra passar. Um milionário, badalado na sociedade, quer construir um grande empreendimento – ilegal, mas ele quer mexer os pauzinhos para conseguir seu objetivo. Aí em determinado momento ele grava um vídeo, mostrando o rosto, dizendo que sequestrou pessoas. Galera, esse cara NUNCA iria mostrar o rosto num vídeo que mostra uma ação criminosa! Seria o seu fim!

O elenco é bom. Jason Momoa e Dave Bautista são carismáticos e funcionam bem juntos. E ambos têm porte físico compatível com a proposta de filme de ação com porradaria. Jacob Batalon, o amigo gordinho do Homem Aranha, faz um bom alívio cômico. Morena Baccarin, Roimata Fox e Frankie Adams estão bem, mas têm pouco espaço, Dupla Perigosa é assumidamente um “filme de meninos”. Claes Bang está apenas ok como antagonista, confesso que gostei mais do vilão secundário vivido por Miyavi, o japonês com o corte no rosto, ele aparece pouco, mas pareceu um personagem bem melhor. Por fim, Maia Kealoha, a filha do Dave Bautista, é a Lilo do recente Lilo & Stitch.

Pra quem gosta de filme de ação onde não precisa usar muito o cérebro, Dupla Perigosa é uma boa opção. E, já disse outras vezes mas não canso de repetir: pra mim, “cinema é a maior diversão”, então Dupla Perigosa se encaixa nos meus critérios. Me diverti vendo, apesar dos clichês e da previsibilidade.

Por fim, queria implicar com o título nacional. “The Wrecking Crew” seria algo como “equipe de demolição” – o nome original não é bom. Mas, “Dupla perigosa”??? Detalhe: não é uma dupla qualquer, são irmãos! O título nacional parece uma comédia besta de sessão da tarde! O filme merecia mais do que isso!