Mortal Kombat 2

Crítica – Mortal Kombat 2

Sinopse (imdb): Os campeões favoritos dos fãs – agora acompanhados pelo próprio Johnny Cage – se enfrentam na batalha final para derrotar o domínio sombrio de Shao Kahn, que ameaça a própria existência do Earthrealm e de seus defensores.

Antes de tudo, uma breve contextualização para quem não me conhece. Heu não tenho o hábito de jogar videogames. Joguei Mortal Kombat umas duas ou três vezes na minha vida e só, não tenho nenhuma referência forte sobre o jogo em si. O filme dos anos 90, heu vi na época, nunca revi, então não lembro de quase nada. Inclusive minhas lembranças se confundem com o Street Fighter de 1994, afinal são filmes quase iguais – heu sei que um dos dois tem o Van Damme, e sei que um tem o Raul Julia e o outro tem o Christophe Lambert, fora isso não lembro de quase nada desses filmes. Heu vi o filme de 2021, que é o importante para este novo, porque afinal este é a continuação daquele. Heu vi e lembro que curti porque tinha mais violência do que um filme comum baseado em videogames, mas fora isso, não achei lá grandes coisas.

Essa longa introdução foi para dizer que heu entrei no cinema para ver Mortal Kombat 2 de coração aberto, sem expectativa nenhuma, e sem a referência dos videogames. E posso dizer que foi uma boa surpresa, curti o filme.

A direção é de Simon McQuoid, que dirigiu o primeiro filme – e só. O currículo do cara tem apenas dois longas, o Mortal Kombat de 2021 e essa continuação. Curioso, não? O cara deve ser um grande fã do videogame…

Mortal Kombat 2 nunca quis ser um grande filme. É apenas um filme baseado num videogame de luta, com personagens bizarros e paisagens exóticas – e MUITA violência gráfica. Mortal Kombat 2 é um filme engraçado, violento e, principalmente, muito divertido.

Claro, o roteiro serve para costurar as lutas, mas não é um bom roteiro, tem umas falhas bizarras. Vou dar só um exemplo aqui: tem um personagem que quer ir para o Underworld, para uma briga que vai acontecer lá. A trama segue em frente, vamos para o Underworld, vemos um bom pedaço da briga, e só depois de um tempão aquele personagem chega lá. Cara, esse personagem veio por onde? Ele fez baldeação em algum lugar? Por que ele demorou tanto tempo para chegar?

Mas quem vai ver um filme chamado Mortal Kombat 2, baseado no videogame, não tá muito preocupado com um roteiro muito coeso, e sim com lutas bem coreografadas e divertidas. E heu queria destacar a qualidade da violência gráfica que a gente vê no filme. Nós estamos acostumados com filmes onde não há muita violência e muito sangue. Mas aqui tem uma quantidade bastante grande de gore, nessa parte o filme é muito bom.

Como heu não conheço bem o videogame, não saberia dizer se os personagens estão bem representados. Mas heu gostei do Johnny Cage do Karl Urban. É um personagem que sabe que não deveria estar lá, que sabe que está um pouco acima da idade correta, mas é um personagem muito bem construído – além de render algumas cenas bem engraçadas. Ah, assim como acontece no primeiro filme, aqui temos algumas boas piadas com referências à cultura pop.

Karl Urban é o maior nome do elenco, e não estava no primeiro filme. O resto do elenco traz basicamente os atores do filme anterior, como Jessica McNamee, Hiroyuki Sanada, Tadanobu Asano e Joe Taslim.

Como falei antes, Mortal Kombat 2 não é um grande filme. Mas acho que os fãs do videogame vão sair satisfeitos da sala do cinema.

Mandaloriano e Grogu – Fan Event

Mandaloriano e Grogu – Fan Event

Ontem, 4 de maio, foi o dia de Star Wars (afinal, em inglês, foi “May the Fourth”, fazendo o trocadilho infame com “May the Fourth Be With You”). Rolou um Fan Event, com direito a exibição de 20 minutos do filme. Foi difícil, mas consegui ir ao evento!

Antes de falar do filme em si, queria falar um pouco do evento. Críticos de cinema não foram convidados. Mandei emails para a assessoria, mas não tive resposta. Então entrei em contato com o Conselho Jedi RJ (CJRJ), o maior fã clube de Star Wars do Rio de Janeiro, mas o CJRJ não tinha acesso ao evento. Por sorte, consegui ser convidado, através de amigos – um agradecimento especial ao Sergio Kamache, apoiador do Podcrastinadores. Mas, pena, parece que a divulgação não foi boa, a sala estava mais ou menos com a metade da lotação – a quantidade de pipoca que sobrou foi enorme! Fica uma dica para a assessoria: num próximo “evento para fãs”, entrem em contato com fã clubes e façam uma parceria. Se o CJRJ tivesse direito a uma parte dos convites, certamente o cinema não estaria tão vazio, e, principalmente, teríamos uma “plateia especializada”, com vários fãs de verdade (ok, reconheço que quem estava ontem também era fã de verdade, mas poderíamos estar em maior número).

Sobre o filme, sem spoilers: vimos o que supostamente seriam os primeiros 20 minutos do filme. Uma sequência inicial empolgante e cheia de ação pra apresentar o Mando e o Grogu, sequência na neve, que tem várias cenas no trailer. Depois tem os créditos iniciais, e vemos Mando e Grogu numa base, negociando com a Sigourney Weaver. Depois vemos o início do que teoricamente deve ser a missão principal do filme, envolvendo Hutts.

Até essa parte, o filme é muito bom. Foi curioso que quando acabou, quase ninguém se levantou, e várias pessoas gritaram “passa de novo!”. Ouvi algumas pessoas depois do filme dizendo que antes não estavam empolgadas, mas agora estavam.

Foi muito bom ver esse trecho do filme. Mas o mais legal foi o social com antigos amigos, fãs de Star Wars, que também conseguiram ir ao evento.

Sei que o correto quando vamos ao cinema é ter uma experiência imersiva – só o espectador e a tela. E entendo quem reclama de fãs empolgados, vi alguns posts reclamando da postura de alguns fãs de Michael Jackson na sua cinebiografia. Mas, como fã, digo que ver um filme desses cercado de outros fãs é uma experiência incrível! Provavelmente teremos uma pré estreia do CJRJ, aguardo ansiosamente!

Top 10 Ficção Científica Ultra Realista (nova versão)

Top 10 Ficção Científica Ultra Realista (nova versão)

Onze anos atrás, fiz uma lista de filmes de ficção científica ultra realista, ou “hard sci-fi”. Boa parte da ficção científica que a gente conhece anda lado a lado com a fantasia, são obras que criam e apresentam situações bem longe da ciência que conhecemos. O hard sci-fi se refere a obras que procuram o caminho oposto à essa fantasia espacial. Na verdade, não precisa ser 100% cientificamente correto, mas precisa pelo menos tentar seguir a ciência que a gente conhece – e pra grande maioria do público, que não é cientista, funciona (digo isso pelo meu exemplo, que sou de Humanas mas sei que o som não se propaga no vácuo). Por exemplo, nada de fogo no espaço.

Resolvi atualizar aquela lista, afinal temos novos filmes que podem entrar. A ordem não vai do pior para o melhor, é apenas uma ordem que faz sentido na minha cabeça…

Vamos à lista?

2001 – Uma Odisséia no Espaço
Marco da ficção científica hard-scifi e um dos mais complexos filmes de Stanley Kubrick, o filme conta a trajetória da humanidade, desde quando macacos, passando pela era espacial e terminando na evolução final da humanidade. Um dos raros casos de FC que não tem som no espaço.

O Homem da Terra
Uma rara FC sem nenhum efeito especial. Podia ser uma peça de teatro, onde um professor universitário, de mudança, se despede dos colegas de trabalho. Tem dois plot twists – o primeiro é genial, o segundo forçou a barra um pouco.

Gattaca – A Experiência Genética
Um apartheid respaldado pela ciência: de um lado, aqueles concebidos de maneira natural, sujeitos a problemas genéticos; do outro, os que vieram de embriões manipulados em laboratório, mais fortes, mais bonitos, mais inteligentes e com menos risco de doença. Tenho certeza de que isso acontecerá num futuro breve.

Ela
Um homem solitário e traumatizado pela separação compra uma IA para lhe fazer companhia. E ele acaba se apaixonando pela IA. Se Gattaca acontecerá num futuro próximo, se bobear Ela já acontece hoje. Não duvido que tenha gente solitária e carente num “relacionamento” com uma IA.

Ex Machina
Um jovem programador ganha um concurso para passar uma semana na casa do seu patrão, para testar uma Inteligência Artificial que ele está desenvolvendo. A premissa que lembra Ela, mas aqui vai um pouco além, já que a IA tem corpo. Mas o questionamento é semelhante: podemos nos apaixonar por robôs?

Interestelar
Christopher Nolan se propôs a fazer um filme “cientificamente correto”, onde, num futuro próximo, um grupo de exploradores usa um recém descoberto buraco de minhoca para ultrapassar os limites da exploração espacial. Filme superestimado pela garotada, Nolan tem vários filmes muito melhores.

Contato
Baseado no livro do renomado Carl Sagan da série Cosmos, o filme relata um contato via radiotelescópio com uma civilização extraterrestre e o impacto sobre a religião e ciência, e a fé que existe em cada um.

Gravidade
Após destroços destruírem sua nave, dois astronautas ficam à deriva no espaço, sem contato com a Terra, lutando contra o tempo e o oxigênio limitado. Planos sequência alucinantes flutuando em órbita da Terra, numa história curta e tensa. A gravidade zero nunca foi tão bem filmada.

Perdido em Marte
Um astronauta é dado como morto e abandonado pela sua equipe em Marte após uma severa tempestade. Sozinho no planeta, com recursos limitados, ele usa inteligência e conhecimento científico para sobreviver e tentar contatar a Terra enquanto aguarda um resgate.

Devoradores de Estrelas
Um professor acorda sozinho em uma espaçonave, sem memória, e descobre ser a última esperança da humanidade. Ok, a gente sabe que astrofágicos não existem, e não temos como saber se um alienígena seria como o Rocky. Mas fora isso, toda a condução da trama é como se fosse tudo real.

Máquina de Guerra

Crítica – Máquina de Guerra

Sinopse (imdb): Segue os recrutas finais de um extenuante campo de treinamento de operações especiais que enfrentam uma força letal vinda de fora deste mundo.

Apareceu na Netflix um novo filme de ação que parece uma nova versão de Predador. Aliás parece uma mistura de Predador com Transformers, afinal tem um robô gigante vindo do espaço.

Um grupo de soldados treina para entrar para os Rangers, que pelo que entendi seria uma equipe de elite do Exército Americano. No meio de uma atividade eles encontram um robô alienígena que sai matando todo mundo. Agora eles precisam dar um jeito de sobreviver e derrotar o robô.

A direção é de Patrick Hughes. Heu já tinha visto dois filmes desse diretor – um foi bom, outro nem tanto assim. Ele fez Dupla Explosiva, que tem uma premissa interessante e um bom elenco: Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson e Gary Oldman estão em uma trama onde um assassino profissional precisa de um guarda-costas. Ou seja, o filme é bom, mas não necessariamente por causa do diretor. O outro filme foi Mercenários 3, que é bem inferior ao Mercenários 1 e Mercenários 2. O 3 não é tão ruim quanto o Mercenários 4, que é um lixo e muito pior do que qualquer coisa feita nesse estilo. Não é o pior Mercenários, mas é bem fraco.

Mas o que estão usando para vender Máquina de Guerra não é o diretor, e sim o ator principal Alan Ritchson, que é um ator muito grande e muito forte, e que heu tenho uma certa implicância com ele porque não gostei da sua atuação na série Reacher – mas reconheço que já vi ele atuando em outros papéis e acho que ele funciona melhor fora do personagem Jack Reacher. Por coincidência ou não, Predador também tinha um ator muito grande e muito forte, um tal de Arnold Schwarzenegger. A diferença é que Schwarzenegger tem muito mais carisma do que o Alan Ritchson. Mas, ok, Alan Ritchson é o que a gente tem para hoje, então a gente aceita o filme – mas nesse ponto de comparação, o filme perde para Predador.

Máquina de Guerra tem algumas boas cenas de ação, cenas bem filmadas, com bons efeitos especiais. Agora, a gente precisa reconhecer que o roteiro é completamente previsível. A gente já viu essa história várias vezes antes. Além do mais, tem momentos que parece que estamos vendo uma propaganda militar gigantesca.

Tem outra coisa que piora um pouco o resultado final: o robô assassino gera zero interesse. É um robô genérico, sem nenhuma camada a mais pro espectador se interessar sobre o que é aquilo. Mais um ponto de comparação onde perde para Predador…. Além disso, outra coisa que achei estranha, mas não sei se chega a ser uma falha de roteiro – é que a gente precisa se importar com o protagonista. Mas na verdade, o filme nem chega a dizer o nome do cara!

Além do Alan Ritchson, Máquina de Guerra tem outros dois nomes interessantes no elenco: Dennis Quaid e Esai Morales fazem dois oficiais do Exército. E Jai Courtney tem uma breve participação na introdução. O resto é só pra compor elenco.

A história se fecha, mas claro que Máquina de Guerra termina com um gancho pra uma possível continuação. Se a audiência for boa, podem contar com Máquina de Guerra 2 em breve.

No fim, Máquina de Guerra nem vai desagradar o público alvo. Mas vai ser esquecido uma semana depois.

Lindas e Letais

Crítica – Lindas e Letais

Sinopse (imdb): Um grupo de dançarinas que tenta escapar de uma pousada remota depois que o ônibus quebra a caminho de um concurso de dança.

Surgiu na Amazon Prime um filme novo da 87North. Como heu sempre fico de olho em quem está por trás dos filmes, já fiquei interessado, apesar de desconfiar que o filme não ia lá ser grandes coisas. E a prova disso é que o próprio thumbnail da Prime Video tem o nome errado do filme. O nome do filme é Lindas e Letais e na thumbnail eles colocaram “Linda” e Letais.

(Para quem não sabe o que é 87North: é uma produtora feita por dublês, ou seja, os filmes podem até ser ruins em alguns aspectos, mas as cenas de ação são sempre bem coreografadas e bem filmadas. Um dos fundadores da 87North é David Leitch, ex dublê e diretor de filmes como Trem Bala e O Dublê. Sempre fico de olho nos filmes desses caras!)

Em Lindas e Letais, um grupo de cinco bailarinas, mais a professora, vai para a Hungria para fazer uma apresentação. Mas quando chegam lá, o ônibus quebra e elas acabam presas numa espécie de hotel isolado no meio do nada, onde a professora morre e elas são perseguidas.

Como heu tinha desconfiado, Lindas e Letais tem cenas de ação muito boas, mas o filme é bem fraco. O roteiro é cheio de facilitações. Se a gente fosse fazer uma lista de forçações de barra e de conveniências de roteiro, esse vídeo ia ficar enorme… Só pra citar um exemplo: é um grupo de bailarinas americanas indo viajar para a Europa, e o ônibus quebra, ao lado de uma estalagem. E olha só, a dona da estalagem era bailarina também! Que coincidência, não? Pior, elas pegam chuva quando vão até lá, então precisam trocar de roupa. Qual é a roupa que elas colocam? A roupa da apresentação. Vem cá, você vai viajar para outro continente e não vai levar uma muda de roupas? Como assim?

Pelo menos as cenas de ação são bem feitas. Como acontece nos filmes da 87North, são cenas bem coreografadas e bem filmadas. Se a ideia era colocar bailarinas lutando, então as cinco usam suas roupas de bailarinas, batendo nos adversários enquanto fazem as coreografias de dança. É bastante inverossímil e ficou um pouco caricato, mas pelo menos são lutas divertidas de se ver.

É importante avisar que as lutas são muito violentas, não sei se isso pode causar gatilho em alguém. As meninas apanham muito. Isso às vezes fica bastante desconfortável. A coisa boa é que as meninas apanham, mas elas batem mais ainda, então pelo menos temos um “pay off”.

No elenco, o único nome grande é Uma Thurman – achei que ia ser um daqueles casos onde ela entra para fazer duas ou três cenas e some, isso acontece de vez em quando, vendem o nome de um ator ou atriz como uma isca, mas na verdade ele/ela só aparece em poucas cenas. Mas não, Uma Thurman tem um papel grande aqui, ela é a dona do hotel. Também não elenco, Maddie Ziegler, Lana Condor, Lydia Leonard, Avantika, Millicent Simmonds e Iris Apatow.

Lindas e Letais não é bom, mas para quem curte cenas de ação girl power, com mulheres batendo, vale a pena.

Michael

Crítica – Michael

Sinopse (imdb): Filme biográfico sobre o rei do pop, Michael Jackson. Ele retratará o cantor desde seus primeiros dias até sua trágica morte em 2009.

(Mais uma vez, sinopse errada no imdb. O filme para bem antes.)

Michael Jackson foi um dos maiores nomes da música pop, e morreu há mais de 15 anos. Até que demorou para aparecer um filme sobre a vida dele.

Michael conta a história do Michael Jackson desde o início, quando o Jackson 5 ainda ensaiava, até a época do Bad. Sim, o filme não tem fim. A gente não vê um monte de coisas da carreira do astro e o filme acaba com um gancho para uma possível continuação. Não sabemos se essa continuação vai acontecer, provavelmente o que vai definir isso é a bilheteria. O ponto é que muitas coisas importantes da carreira do Michael Jackson não aparecem. E, principalmente, nenhuma polêmica.

Mas pelo menos tem pontos a serem elogiados. Claro, é um filme contando a história de um cantor pop com muitos sucessos na carreira, então o filme tem vários momentos com as músicas do Michael Jackson. Alguns desses momentos são bem legais.

Na música Don’t Stop Till You Get Enough, Michael Jackson está sozinho dentro do estúdio gravando a voz, enquanto Quincy Jones pilota a mesa de som. Inicialmente só ouvimos a bateria e a voz do Michael, aos poucos Quincy Jones vai colocando os outros instrumentos. Essa cena ficou bem legal.

Billie Jean recria aquele especial de TV da Motown, onde ele está sozinho num palco, e, se não me engano, foi a primeira vez que foi que ele fez o Moonwalk. Por um lado, achei que foi uma cena um pouco longa demais – mas aí lembrei que eu sou fã de Queen e eu gostei do momento longo no fim do filme do Queen quando vemos o concerto inteiro do Live Aid. Ou seja, para o fã de Michael Jackson, ver a cena com a música completa deve ser muito legal. A cena toda está muito boa, ou seja, vale, porque os fãs merecem isso.

Thriller e Beat It também têm bons momentos. Em Beat It a gente vê que Michael Jackson queria dançarinos para o videoclipe, então acompanhamos o início das coreografias, outra cena bem legal. Assim como Thriller, que mostra os bastidores da coreografia dos dançarinos. Mas… Heu tenho dois mimimis, um para cada uma dessas duas cenas. Em Beat It, podia ter mostrado o Eddie Van Halen. Eles citam o nome do guitarrista, a gente ouve o solo. Eddie morreu há pouco tempo. Por que não mostrar lá no fundo um cabeludo sorridente com uma guitarra vermelha e branca? Ia ser uma homenagem bem legal. O outro mimimi é porque igualmente falam do John Landis, mas não mostram o diretor do videoclipe Thriller.

Por outro lado, teve um momento mais para o fim do filme, quando ele está na turnê Victory com os Jacksons, onde vemos Human Nature inteira. Aí já acho que foi um pouco demais – não teve Beat It inteira, não teve Thriller inteira, a gente precisa ter Human Nature inteira? É um momento importante na narrativa do filme, mas não precisa ter a música completa. Acaba que o filme ficou um pouco longo.

(Queria comentar que teve um momento que não conseguia parar de pensar em Guardiões da Galáxia. O jovem Michael vai para um estúdio gravar I Want You Back, e pedem pra ele ficar imóvel, e o garoto não consegue parar de dançar. Então pedem pra ele pelo menos ficar com os pés juntos. Lembrei imediatamente do Baby Groot!)

Jaafar Jackson, sobrinho do Michael (filho do Jermanie), faz um trabalho impressionante: ele está igual ao Michael Jackson. Provavelmente a voz não é dele, mas mesmo assim ele está impressionante, ele está muito parecido com o tio. Sobre o resto do elenco, queria destacar Colman Domingo, que faz o Joseph Jackson, o pai – figura polêmica porque foi ele quem criou o “mito Michael Jackson”, mas para isso praticava torturas físicas e psicológicas. Não sei se o Joseph Jackson da vida real era um cara tão caricato quanto esse, me disseram que sim. Colman Domingo está muito bem. Juliano Valdi, que faz o Michael criança, também é uma boa surpresa.

Heu queria fazer um comentário sobre uma participação de um ator em apenas uma cena. Mike Myers faz um executivo de uma gravadora, numa cena muito boa. O que achei curioso foi que o mesmo Mike Myers também fez um executivo de uma gravadora no filme Bohemian Rhapsody. Fiquei imaginando se poderia ser o mesmo personagem da vida real. No filme do Queen, quando isso acontece, é na época que eles estavam lançando A Night at the Opera, ou seja, por volta de 1973 ou 74. E aqui era quando o Michael Jackson estava querendo entrar na MTV, ou seja, por volta de 83, dez anos depois. Fiquei curioso para saber se era o mesmo cara, mas eu descobri pelos créditos do imdb que são pessoas diferentes.

Michael tem seus momentos, mas, pra mim, o pior do filme é não acabar. Tem várias coisas importantes que aconteceram na vida do Michael Jackson, e o filme não aborda isso, como, por exemplo, Michael Jackson gravou três parcerias com o Paul McCartney, mas McCartney nem é citado no filme. E isso porque não estou falando da quantidade de polêmicas que ele se envolveu e o filme nem cita nada. Provavelmente vai ter um segundo filme que deve abordar esses temas.

A Maldição da Múmia

Crítica – A Maldição da Múmia

Sinopse (imdb): Uma família se depara com uma múmia ancestral, desencadeando uma aventura sobrenatural que mistura terror e suspense em uma nova versão do monstro clássico.

Esqueça tudo o que você imagina sobre “filme de múmia”. Não é uma aventura como os filmes do Brendan Fraser,e também não é um terror com um antagonista embalsamado e enfaixado. A proposta aqui é bem diferente. Na verdade A Maldição da Múmia (The Mummy, no original) parece mais um filme de exorcismo do que de múmia.

A direção é de Lee Cronin, que fez um bom trabalho com o Evil Dead de 2023 (tenho minhas ressalvas com esse filme, mas reconheço que é bem melhor que o de 2013). Mais uma vez Cronin mandou bem – também tenho algumas ressalvas aqui, mas igualmente reconheço os méritos. E parece que ele queria fazer uma mistura de O Exorcista com Evil Dead. O “vilão” aqui é um demônio, e não a múmia em si.

A Maldição da Múmia tem muito gore. Algumas cenas vão fazer parte do público ter ânsias de vômito – teve uma em particular envolvendo líquido de embalsamento que me embrulhou o estômago, e isso porque não estou falando da cena das unhas. E Lee Cronin é muito eficiente ao criar um clima de tensão ao longo de todo o filme. A Maldição da Múmia não é filme de jump scare, está mais próximo do terror da A24 (apesar de ser Blumhouse). Outro ponto positivo é apostar mais em efeitos de maquiagem do que cgi.

O roteiro tem umas forçadas de barra. Pra que precisariam transportar o sarcófago de avião? Pra onde estavam levando? A policial egípcia precisava ter vindo até os EUA, com uma fita VHS, sem avisar? Quem ainda tem um videocassete em casa? E na cena final, esqueceram do personagem da irmã mais nova. Mas não é nada grave, a gente vê vários filmes por aí com roteiros cheios de facilitações e que trazem resultado inferior a este.

O elenco não tem muita gente conhecida. Heu só conhecia o pai, Jack Reynor, que faz o irmão mais velho em Sing Street. Mas heu quero fazer um elogio: parte do filme se passa no Egito, com atores egípcios. E são diálogos na língua deles – acho que é árabe. Isso mostra uma evolução em Hollywood, se fosse anos atrás, tudo ia ser em inglês.

A Maldição da Múmia é um pouco longo demais, são duas horas e quatorze minutos, acho que dava pra secar um pouco e ser um pouco mais objetivo. Mas mesmo assim o resultado foi positivo.

Filmes Injustiçados (parte 1)

Filmes Injustiçados (parte 1)

Tem alguns filmes que muita gente gosta de falar mal, mas na verdade não são ruins. Chamo esses de “filmes injustiçados”. São filmes que se passassem por uma segunda avaliação, mais isenta, seriam mais respeitados.

Claro, vai ter gente que vai discordar de um ou outro título. Ok, discordar faz parte. Só me apresente argumentos, se não é só hate. E não dou bola pra hate gratuito.

Vamos aos filmes. Vou postar cinco hoje, ainda vou fazer uma segunda parte com outros cinco.

Não tem uma ordem específica…

Han Solo
Fãs de Star Wars gostam de reclamar do filme do Han Solo. Nunca entendi por que. Ok, o motivo pra ele se chamar “Solo” é besta, concordo. Mas se esse for o único ponto negativo, ninguém pode dizer que é um filme tão ruim assim. Revisto hoje, Han Solo realmente tem problemas na parte inicial – tudo é muito corrido até o momento que ele conhece o Chewbacca e começa a acompanhar o personagem do Woody Harrelson – de repente surge na tela um “3 anos depois”. Mas a partir daí, o filme é redondinho.

Robocop do Padilha
O Robocop original do Paul Verhoeven é sensacional, um filme marcante em vários aspectos, realmente difícil de superar. Claro que ia rolar uma grande expectativa para uma refilmagem. Mas o José Padilha não fez feio. Este Robocop de 2014 parece um “Tropa de Elite 3”, com um policial incorruptível que veste preto. E, definitivamente, é melhor que as continuações do filme de 87, Robocop 2 (1990) e Robocop 3 (1994).

Waterworld – O Segredo das Águas
Aqui acho que o maior problema foi a grande expectativa criada pelo orçamento gigante (pra época) de 175 milhões de dólares. Waterworld foi o filme mais caro da história até aquela data (pouco depois Titanic bateria esse recorde, mas a diferença é que Titanic foi um sucesso de bilheteria). Waterworld teve problemas na produção, o diretor brigou com o ator principal e saiu do filme, boa parte do elenco e equipe teve problemas com enjoo ao filmar no mar… E, tem tempos sem muito cgi, temos algumas sequências de ação realmente muito boas. E o trimarã do protagonista Mariner é um barco muito bom.

Tico e Teco e os Defensores da Lei
Acredito que o pior problema de Tico e Teco e os Defensores da Lei é ter exatamente o mesmo nome da série de desenhos animados, que até onde sei, nunca fez muito sucesso. E pra piorar, foi lançado no meio da pandemia, não rolou um lançamento no cinema, o que ajudaria a apagar a má impressão dada pelo nome. Mas o filme é excelente! Tico e Teco e os Defensores da Lei segue a linha de Uma Cilada Para Roger Rabbit: mistura filme live action com personagens animados, e usa muitos personagens de outros filmes ou séries. Além disso, tem uma quantidade enorme de referências e easter eggs espalhados pelo filme. Isso sem contar com a qualidade da animação, que mistura várias técnicas diferentes.
(Fiz um vídeo com 200 referências encontradas no filme!)

Flash Gordon
Um clássico incompreendido! Costumo fazer a piada de que Flash Gordon é um raro caso de filme de mais de quarenta e cinco anos, que podia gerar franquia, mas nunca foi refilmado. Mas, piadas à parte, Flash Gordon pode tranquilamente figurar em qualquer lista de melhores adaptações de quadrinhos. Claro, alguns efeitos especiais perderam a validade (são quase cinco décadas!), e aquela cena do futebol americano sempre foi tosca. Mas o filme é empolgante, a trilha sonora do Queen é sensacional, e o elenco ainda conta com alguns grandes nomes, como Ornela Mutti, Max von Sydow e Timothy Dalton.

Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra

Crítica – Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra

Sinopse (imdb): Um “Homem do Futuro” chega a uma lanchonete em Los Angeles, onde precisa recrutar a combinação perfeita de clientes para se juntarem a ele em uma missão para salvar o mundo da ameaça terminal de uma inteligência artificial rebelde.

Heu gosto de filmes malucos. Gosto de filmes que trilham caminhos fora do óbvio. E quando vi o trailer deste Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra, me chamou a atenção que seria um filme bem fora do padrão.

Um homem com aparência de morador de rua entra num restaurante à noite e diz que veio do futuro e precisa da ajuda de algumas daquelas pessoas para salvar o mundo de um apocalipse tecnológico. Ele diz que já veio mais de cem vezes e todas deram errado. Claro que as pessoas a princípio não acreditam nele, mas ele consegue montar um grupo e eles saem para a missão.

A direção é de Gore Verbinski, mais conhecido por ter feito os três primeiros filmes da série Piratas do Caribe, e que depois ganhou o Oscar pela animação Rango, de 2011. Mas de lá pra cá, ele fez pouca coisa e não acertou: O Cavaleiro Solitário, de 2013, e A Cura, de 2016. Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra é o seu primeiro filme em quase dez anos!

A estrutura do filme usa flashbacks pra mostrar como alguns daqueles personagens foram parar no restaurante naquela noite. Esses flashbacks parecem pequenos episódios de Black Mirror, são pessoas envoltas em problemas ligados à tecnologia – mas uma tecnologia que ainda não existe no nosso dia a dia.

Gostei do ritmo de Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra, mas preciso reconhecer que o filme é um pouco longo demais. Um filme maluco funciona melhor se tem perto de uma hora e meia, aqui são duas horas e quatorze, o filme chega a cansar.

O elenco é bom. Sam Rockwell funciona muito bem no papel de “maluco conspiracionista da vez”. Também no elenco, Juno Temple, Haley Lu Richardson, Michael Peña e Zazie Beetz.

Segundo o FilmeB, Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra tem previsão de estreia dia 23 de abril. Recomendo pra quem gosta de filmes malucos.

O Drama

Crítica – O Drama

Sinopse (imdb): Os planos perfeitos de casamento de um casal entram em caos quando um segredo chocante vem à tona dias antes da cerimônia.

O texto de hoje vai ser um pouco diferente. Em vez de fazer uma análise crítica sobre o filme O Drama, com Zendaya e Robert Pattinson, heu quero comentar o plot do filme. Porque esse plot tem um detalhe que não conseguiu me convencer e por causa disso, não consegui “entrar” na onda que o filme propôs.

Mas, antes, um aviso de spoiler, porque o trailer oculta o assunto que vou comentar agora. Não sei se a sinopse e a divulgação do filme vão falar disso, então, na dúvida, se você não gosta de spoilers, pule esse texto.

Uma semana antes do casamento, Emma e Charlie, junto com um casal de amigos próximos, estão experimentando comidas que vão ser servidas no buffet. Depois de algumas taças de vinho, resolvem lançar um desafio, e cada um vai ter que dizer a pior coisa que já fez na sua vida. Cada um precisa “colocar na roda” o pior podre da sua história. Os dois homens falam relatos que, na verdade, não são lá grandes coisas. Emma, personagem da Zendaya, confessa que, quando era adolescente, pensou em fazer um “mass shooting” – ela pensou em entrar na escola, armada, e matar pessoas. Ela pensou, mas não chegou a executar. E depois o filme ainda traz uma redenção pra a personagem, porque ela se tocou que ia fazer besteira, e resolve justamente entrar pra um grupo de ativistas contra o armamento.

Todo o drama do filme O Drama gira em torno disso: ela pensou em fazer algo errado quando era adolescente, mas na verdade não fez. E o que mais dá raiva nessa história é que a outra mulher, Rachel, confessa que, quando adolescente, trancou um colega dentro de um armário, dentro de uma cabana, no meio de uma floresta. Ela deixou o garoto lá, à noite o pai do garoto veio perguntar se ela tinha visto, e ela mentiu para o pai do garoto. Ou seja, se a Emma tivesse feito o mass shooting, realmente seria muito pior, mas ela não fez. Por outro lado, Rachel efetivamente fez mal a uma pessoa – o garoto podia ter morrido. E Rachel se acha com moral pra criticar a Emma.

Nos Estados Unidos, onde esses casos de mass shooting acontecem com maior frequência do que aqui no Brasil, talvez lá essa trama funcione melhor. Aqui no Brasil, heu sinceramente não consegui me conectar ao problema do casal. Emma teve pensamentos ruins quando adolescente, ok, todos concordamos – mas depois ela se tocou que eram pensamentos ruins e seguiu o rumo da vida. Ou seja, se teve algo de ruim no passado, já foi completamente superado. Enquanto isso, o resto dos personagens fica tratando isso como se fosse algo muito pior.

O Drama não é ruim, mas esse drama exagerado em cima de um assunto que eu não achei grandes coisas não me deixou gostar do filme. Heu quero saber a sua opinião. O que você acha? Quem você acha que está pior? Seria quem pensou em fazer algo de ruim mas não fez? Ou quem fez algo de ruim mesmo que não seja tão grave?