Coyote vs Acme

Crítica – Coyote vs Acme

Sinopse (imdb): Uma história ambientada no depósito da ACME, a fabricante de tudo e mais um pouco usado pelos personagens dos Looney Tunes.

Finalmente estreou Coyote vs Acme! E desta vez, essa frase não contém nenhum exagero. Você conhece os bastidores por trás dessa produção?

Em uma troca de executivos nos estúdios de Hollywood, o produtor David Zaslav entrou na Warner e resolveu cancelar três projetos que já estavam em fase de finalização. Parece que ele ia obter vantagens fiscais se cancelasse as três produções, mas não entendo da parte de impostos o suficiente pra saber como jogar dinheiro e trabalho fora seria algo lucrativo. O fato é que ele simplesmente cancelou. Um era um desenho do Scooby Doo, que não sei se era só desenho ou misturava com live action, com Mckenna Grace, Ariana Greenblatt, Mark Hamill e Andre Braugher (em seu último papel, ele faleceu pouco depois) no elenco. Outro era o filme da Batgirl, dirigido pela dupla Adil El Arbi e Bilall Fallah (que depois fariam o último Bad Boys), e estrelado por J.K. Simmons, Michael Keaton e Brendan Fraser (disseram que este filme da Batgirl chegou a ser finalizado e fizeram uma “funeral session”, uma sessão única para elenco e equipe). O terceiro era este Coyote vs Acme, que foi finalizado, teve a funeral session em novembro de 2023, e depois engavetaram tudo.

A princípio, a gente nunca veria esse filme. Mas muita gente reclamou por aí, e acabaram vendendo os direitos de distribuição para uma tal de Ketchup Entertainment, empresa com muito pouca relevância no mercado (trabalhou em filmes como Hypnotic, do Robert Rodriguez, ou Ferrari, do Michael Mann). E a Ketchup lançou o filme, que estava aqui no heuvi na lista de expectativas para 2024! (Algo me diz que essa Ketchup vai ganhar muito dinheiro…)

E finalmente o filme chegou aos cinemas. Boa notícia, porque a ideia é genial: por décadas, Wile E. Coyote comprou produtos Acme, que sempre falharam. Ele vê uma propaganda sobre um escritório de advocacia que ganha dinheiro entrando com pequenos processos contra a Acme, e conseguindo pequenos acordos. Mas o Coyote acaba levando o escritório ao seu maior caso, um processo que pode mudar os rumos da poderosa empresa Acme.

(Detalhe curioso: o nome do escritório advocacia é Avery, Jones and Maltese, uma homenagem aos animadores da Warner Bros. Tex Avery, Chuck Jones e Michael Maltese.)

A direção é de Dave Green, que não tem um grande currículo, seu último longa foi aquele insosso As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras, de dez anos atrás. Coyote vs Acme segue a linha de Uma Cilada Para Roger Rabbit, estamos em um universo onde humanos e desenhos convivem em harmonia. E, tecnicamente falando, os efeitos são perfeitos. Se anos atrás existia uma dificuldade na interação entre atores humanos e objetos desenhados, aqui tudo parece muito natural.

Uma coisa bem legal aqui é que os personagens são os mesmos dos desenhos. Digo isso porque às vezes uma adaptação muda algo do traço (tipo criar uma versão 3D), ou da personalidade do personagem. Mas aqui felizmente isso não acontece. É o mesmo estilo de desenho, com as mesmas características no comportamento – nem o Coyote, nem o Papa Léguas falavam no desenho, também não falam aqui. E, claro, temos participações especiais de muitos personagens da galera Looney Tunes, como Pernalonga, Patolino, Gaguinho, Frajola, Piu Piu, Diabo da Tasmânia, etc.

Coyote vs Acme é MUITO engraçado. O mesmo estilo de humor absurdo dos desenhos, quem curtia vai se deliciar. Fico feliz de ver essas piadas no mundo politicamente correto dos dias de hoje, onde a música “Atirei o pau no gato” foi “cancelada”. Sim, o Coyote se arrebenta o tempo todo, e cada vez é mais engraçada que a anterior.

No elenco, o principal nome é Will Forte, o advogado que está quase o filme todo ao lado do Coyote. John Cena tem um papel menor como o advogado da Acme. Também no elenco, Lana Condor e Luis Guzmán.

Coyote vs Acme não tem cenas pós créditos. Mas no fim dos créditos tem a data de 2023, e um agradecimento: “A todos que publicaram, compartilharam, ergueram cartazes e se manifestaram nos momentos decisivos: este filme chegou às telas graças a vocês”. Se o Coyote ainda não conseguiu pegar o Papa Léguas, pelo menos o seu filme conseguiu chegar aos cinemas!

(Será que a gente pode sonhar com um lançamento tardio do filme da Batgirl?)

Ainda preciso falar sobre a dublagem. Reparei num erro feio da dublagem brasileira. A sessão de imprensa foi legendada, mas heu não pude ir, então esperei estrear, e no horário e local que heu podia, só tinha dublado. Ok, a dublagem brasileira costuma ser muito boa. E quase tudo merece elogio, menos um certo detalhe importante. Perto do fim do filme, aparece uma audiência em Washington, e o Hortelino é um dos senadores. Tem uma plaquinha na frente dele, com o nome Fudd – Hortelino no original é Elmer Fudd. Só que ele está falando normal. Ué, não é Hortelino “Troca Letras”? O Hortelino fala errado, que nem o Cebolinha! Erraram no texto da dublagem! Mas calma que piora. Determinado momento chamam o personagem de “senador Eufrazino”. Caramba, o Eufrazino é aquele do bigodão e barbão, ele aparece rapidinho no meio do filme. Erraram o nome e a característica do personagem!!!

Coyote vs Acme é bem divertido. Acho que o único problema é que a expectativa era muito alta, e heu estava esperando algo do nível de Tico e Teco e os Defensores da Lei, e não chega a tanto. Mas é um filme divertidíssimo!

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