Crítica – A Casa do Espanto
Sinopse (imdb): Um escritor se muda para uma casa assombrada depois que sua tia deixa como herança.
E vamos para um dos filmes da chamada “Espantomania” da segunda metade dos anos 80!
Antes, vamos contextualizar. Nos anos 80, muitas vezes os filmes demoravam para serem lançados no Brasil. A Hora do Espanto, de 1985, foi lançado aqui em maio de 86 (segundo o imdb), e foi um grande sucesso (e acredito que essa data esteja correta, porque me mudei para o Rio de Janeiro na virada de 85 pra 86, e lembro de ter visto no Art Copacabana!). Tão grande que vários filmes de terror lançados pouco depois usaram nomes parecidos para “surfarem na onda”. Re-Animator, também de 85, foi lançado com o nome A Hora dos Mortos Vivos; Silver Bullet, de 85, virou A Hora do Lobisomem; Dead Zone, de 83, ganhou o nome A Hora da Zona Morta. Talvez a mais famosa “vítima” dessa onda seja Nightmare on Elm Street, de 84, que virou A Hora do Pesadelo – sim, hoje a franquia do Freddy Kruger é muito mais famosa do que todos os outros filmes da espantomania, mas foi daí que veio o título nacional.
House, de 1985, também ganhou um nome dentro do mesmo contexto: A Casa do Espanto.
A direção é de Steve Miner (que pouco antes tinha feito Sexta Feira 13 parte 2 e parte 3), e um dos roteiristas é Fred Dekker, que tem um currículo pequeno, mas que dirigiu um filme que acho divertidíssimo, Noite dos Arrepios. Dekker falou que viu No Limite da Realidade, feito por Steven Spielberg, Joe Dante, John Landis e George Miller, e teve a ideia de fazer um projeto parecido, em episódios, com seus amigos Steve Miner, Ethan Wiley (que co-escreveu o roteiro com ele) e Shane Black (que depois seria o roteirista de Máquina Mortifera e O Último Grande Herói). O projeto em episódios não foi pra frente, mas Dekker transformou a ideia do seu episódio neste longa metragem.
A Casa do Espanto traz um bom equilíbrio entre terror e comédia, e chegou ao circuito numa época onde essa mistura fazia sucesso. Algumas cenas até tentam assustar, mas acho que o filme vai causar mais gargalhadas do que calafrios.
Os efeitos práticos ajudam a criar esse clima. Claro, são bonecões de borracha, nada parece realmente assustador. Mas, para a proposta meio galhofa, são muito bons. E a maquiagem de alguns “monstros” é realmente bem feita. Essa é uma vantagem dos efeitos “não digitais” – quando envelhecem não ficam tão toscos quanto um “cgi vencido”.
Agora, o roteiro é meio qualquer coisa. A solução final que junta o “monstro” ao filho do protagonista não faz sentido – se era assim, por que a tia dele morreu? Mas, ok, a gente se divertia com a mão de borracha fugindo do cara e nem lembrava de procurar lógica no roteiro.
Nos anos 80, astros da TV eram mais baratos que os do cinema. Como o orçamento aqui era reduzido, A Casa do Espanto traz alguns nomes da TV: William Katt (Super Herói Americano), George Wendt (Cheers), Richard Moll (Night Court) e Kay Lenz (Rich Man Poor Man).
Lembro que quando vi A Casa do Espanto no cinema, curti muito. Tenho até um DVD duplo com os dois primeiros filmes. Agora, visto depois de décadas, o filme envelheceu mal. Na minha memória era melhor do que realmente é. Se lançado hoje em dia, acho que não seria cultuado.
Foram três continuações, lançadas em 1987, 89 e 92. Mas não pretendo rever nenhum desses…