Crítica – A Própria Carne
Sinopse (Festival do Rio): Três soldados desertores durante a Guerra do Paraguai, em 1870, cada um lutando pela sobrevivência à sua maneira, encontram uma casa isolada na fronteira, habitada apenas por um fazendeiro misterioso e uma jovem. O que parecia ser um refúgio seguro se transforma em um pesadelo aterrorizante quando os soldados descobrem que a casa esconde segredos macabros, confrontando-os com um destino ainda mais horrível do que a guerra da qual fugiram.
E vamos ao terror do Jovem Nerd!
Reconheço que A Própria Carne foi uma agradável surpresa. Explico. Em primeiro lugar, Jovem Nerd hoje é mais conhecido como um bem humorado podcast. Não é um podcast de humor, mas certamente tem momentos engraçados. E em segundo lugar, o diretor do filme é Ian SBF, mais conhecido por dirigir dezenas (talvez centenas) de esquetes do canal Porta dos Fundos. Além disso, muitas vezes o cinema de terror flerta com o trash galhofa. Não acho isso algo negativo, gosto muito dos filmes do Rodrigo Aragão e do Paulo Biscaia Filho, ambos têm um pé fincado no trash, só estou constatando que existe essa conexão.
Quando ouvi falar que o Jovem Nerd ia fazer um filme de terror, achei que ia pro caminho da comédia trash. Mas não, olha que boa notícia: A Própria Carne é um filme sério e tenso! Zero trash!
(Não tenho nenhum contato direto com a galera do Jovem Nerd. O Azaghal uma vez gravou um áudio pro Podcrastinadores, mas foi só isso, sem uma interação. Sou amigo do Carlos Voltor e do Afonso 3D, que são ligados ao Jovem Nerd.)
Além do clima sério e tenso, outro elogio aqui vai para a bem cuidada produção de época. Cenários, figurinos e props, tudo está muito bem feito, nem parece uma produção independente.
Agora, o maior mérito de A Própria Carne está na escolha do ator Luiz Carlos Persy, mais famoso por ser o dublador de nomes como Stellan Skarsgård, Ralph Fiennes, Bryan Cranston e John Goodman. Persy está sensacional, cada frase proferida por ele causa medo. Seu personagem, o velho que cuida da cabana, é assustador, e, de longe, a melhor coisa do filme.
Por outro lado, não gostei da Jade Mascarenhas, a personagem dela não me passou consistência – quando estão cuidando da perna de um dos soldados, ela está rindo, achei meio nada a ver. Os três soldados desertores estão ok: George Sauma, Jorge Guerreiro e Pierre Baitelli.
Na parte final, o roteiro dá umas escorregadas. Os três desertores sabem que estão numa roubada, mas nada fazem pra tentar fugir. A história se encerra, mas o final deixa um gancho pra uma continuação – mas na minha humilde opinião, o melhor seria parar por aí mesmo.
A Própria Carne não é um grande marco do terror nacional, mas é uma diversão honesta. Quem venham outros filmes brasileiros do mesmo nível!