Aconteceu em Woodstock

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Aconteceu em Woodstock

Este agradável filme que mostra os bastidores de Woodstock – talvez o maior festival de música da história – foi o filme escolhido para a abertura do Festival do Rio deste ano.

Em 1969, Elliot Tiber, um jovem artista de Nova York, vai ajudar seus pais, que têm um pequeno hotel de beira de estrada cheio de dívidas. Meio que por acidente, ele acaba participando da organização do Festival de Woodstock, um dos maiores eventos  – talvez o maior – da história da contra-cultura.

Baseado no livro do próprio Tiber, Aconteceu em Woodstock é dirigido por Ang Lee, o mesmo do primeiro Hulk e que ganhou um Oscar por O Segredo de Brokeback Mountain. Lee faz uma impressionante reconstrução da época. Seu filme não usou nenhum material de arquivo, e apesar disso, nós nos sentimos “lá dentro” do burburinho!

Aliás, é bom avisar: não vemos NADA do que rolou no palco de Woodstock, nem atores representando os músicos que lá tocaram. Para quem quer ver a parte musical do festival, sugiro procurar algum documentário, parece que acabou de sair uma super-edição do documentário oficial, em dvd e em blu-ray, para comemorar os 40 anos da data. Este filme se concentra na história por trás do festival.

No elenco, temos o quase desconhecido Demetri Martin no papel principal, fazendo o básico. Os coadjuvantes é que dão show! Imelda Staunton, que foi indicada ao Oscar em 2005, está ótima como a mãe judia rabugenta, e ainda temos Liev Schreiber (o Dente de Sabre no novo Wolverine) como uma grande e musculosa drag queen e Emile Hirsch (Na Natureza Selvagem) como um jovem veterano do Vietnam.

O roteiro não está 100%, não sei a culpa é do livro ou da adaptação. Por exemplo, o momento que o festival passou a ser gratuito foi mal explorado, tudo aconteceu muito de repente, sem repercussões. Por outro lado, como disse lá em cima, toda a reconstrução do clima flower power é perfeita, e temos centenas de extras hippies em cenas que devem ter dado muito trabalho para fazer!

X-Men Origins : Wolverine

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X-Men Origins : Wolverine

No último cinco de abril escrevi aqui sobre a versão incompleta de X-Men Origins, que vazou na internet. Prometi que veria o filme assim que saísse no cinema, ou seja, hoje, dia 30. Cheguei do cinema agora! Vamos ao filme pronto?

A história do filme está no título: conhecemos a origem do Wolverine (Hugh Jackman) e sua relação com personagens como Dente de Sabre e William Stryker. É uma prequel da trilogia X-Men. A desvantagem disso é que sabemos que alguns daqueles personagens não podem morrer. Afinal, eles vão aparecer depois…

Hugh Jackman é “o cara” hoje em dia em Hollywood. Frequenta as listas de “celebridades mais sexy”, tem bons papéis em filmes blockbusters e, de quebra, mostrou no Oscar 2009 que canta e dança. Conheço gente que o critica como ator, mas posso garantir que ele é o Wolverine perfeito!

A princípio achei estranha a troca do ator que faz o Dente de Sabre. Por que não repetir Tyler Mane (que também foi o novo Michael Myers no Halloween 2007), que fez um bom Dente de Sabre no primeiro X-Men? Mane pode não ser lá grandes coisas como ator, mas tem o physique-du-rôle necessário para esse papel. Bem, o novo Dente de Sabre é Liev Schreiber. Se Schreiber tem menos “cara de Dente de Sabre”, pelo menos é muito mais ator. E a química entre ele e Jackman funciona muito bem, o que é essencial pra esse filme!

Como heu tinha constatado há quase um mês atrás, existe um defeito nesse filme, mas que já era esperado: excesso de personagens e pouco tempo para desenvolvê-los. Tem um monte de outros mutantes, poderíamos nos aprofundar muito mais nas histórias e poderes de cada um! Acaba o filme e a gente não sabe exatamente quem são e o que fazem vários dos mutantes que desfilam pela tela. Mas, como disse, esse problema já era esperado. Afinal, os quadrinhos de X-Men sempre mostraram vários heróis, diferente de um único Homem Aranha ou um único Batman, por exemplo. Mas achei que Ryan Reynolds (Blade Trinity, Smokin’ Aces) e Dominic Monaghan (Lost e a trilogia Senhor dos Anéis)  foram sub-aproveitados.

Mesmo a gente tendo de adivinhar qual o poder de cada um, o filme funciona redondinho. A equipe de mutantes do início é bem legal, assim como as poucas cenas do Gambit (aliás, qual é o poder do Gambit? Transformar cartas em balas de canhão?).

Outra coisa interessante deste filme é a escolha pelo diretor Gavin Hood, famoso por ter escrito e dirigido Infância Roubada, filme sul-africano que ganhou  Oscar de melhor filme estrangeiro em 2005. A princípio ele não faz o perfil de “filme de super-herói”. Mas não é que o cara manda bem? Algumas das cenas, como a do “Wolverine vs helicóptero”, são daquelas que dá vontade de rever no dvd!

E agora, vamos à pergunta que está na cabeça de muita gente: qual a diferença entre o filme baixado, o “workprint”, e esse, finalmente pronto?

Olha, não me lembro de nada diferente no desenrolar da história. Até a cena depois dos créditos é a mesma. Mesmo assim, esqueça a versão incompleta. Falta muita coisa no visual do filme. E, num filme como esse, não dá pra ficar satisfeito com imagem ruim. Mais ou menos como a diferença entre ver um filme em blu-ray ou num vhs amassado e mofado… O cinema é onde ele merece ser visto!