Crítica – Stranger Things – Temporada 5
Sinopse (google): Em 1987, Hawkins está em quarentena militar após as fendas do Mundo Invertido se abrirem, forçando o grupo de amigos a se unir pela última vez para encontrar e derrotar um Vecna desaparecido, enfrentando uma escuridão mais poderosa.
Tenho sentimentos conflitantes quando o assunto é Stranger Things. Por um lado, gosto da série, reconheço que a primeira temporada é muito boa, e as outras temporadas têm vários momentos muito legais – a sequência do Eddie tocando guitarra no fim da quarta temporada é sensacional. Mas por outro lado, acho os episódios longos demais, e esse formato pra fazer “binge watching” acaba cansando.
Explicando o “binge watching”, também conhecido como “maratonar”. Antigamente, séries soltavam um episódio por semana. Você só conseguia maratonar uma série depois de finalizada, em VHS ou DVD. Aí a Netflix resolveu inovar e lançar temporadas de séries completas em sua plataforma, e criou-se o hábito de maratonar séries. Às vezes o hype é grande, e rola um fenômeno chamado FOMO, ou “fear of missing out”, que é quando o cara quer ver correndo pra não ficar pra trás nos assuntos mais comentados.
Inicialmente heu confesso que curti esse formato – às vezes um episódio termina com um gancho que a gente fica tenso a semana inteira pra saber como vai resolver. Problema resolvido, era só dar o play no próximo episódio. Mas… Hoje acredito que o formato tradicional é muito melhor. Um episódio, depois uma semana pensando e digerindo, quando chega a semana seguinte o episódio “desce” muito mais redondo. Vide Pluribus: uma série de mistério, onde cada episódio usou uma semana inteira para ser melhor apreciado.
Além disso, tem o tempo entre uma temporada e outra. Foram três anos e meio desde o fim da quarta temporada. Não dá pra seguir uma história depois de tanto tempo, a gente esquece do que viu. E Stranger Things ainda tem outro problema que é o tamanho dos episódios. O episódio final desta temporada teve duas horas e oito minutos! Isso é tamanho de filme, não de episódio de série!
Esses fatores todos me desanimavam a encarar a última temporada, que ainda foi dividida em três partes – foram quatro episódios lançados no fim de novembro, depois mais três no dia do Natal, e o último (o de mais de duas horas) lançado em 31 de dezembro. Larguei o FOMO, ignorei as primeiras datas, e vi todos os episódios depois que já estava tudo disponível.
E a grande pergunta: valeu? Médio. A temporada teve seus bons momentos, não posso ignorar isso. Mas dava pra dar uma enxugada no roteiro, e o tempo total da série podia ser a metade (somei os tempos dos episódios: são dez horas e vinte minutos, um pouco longo pra ser um “filme”). Porque em alguns momentos a série cansa.
(Li em algum lugar que isso é estratégia da Netflix, pra deixar o espectador mais tempo conectado à plataforma. Tem lógica a curto prazo, mas tenho minhas dúvidas se isso não pode acabar afastando o espectador em produções futuras.)
Vamos aos pontos positivos. Algumas sequências são empolgantes. Ok, nada de inovador, nada que vai marcar a história da TV, mas pelo menos são sequências emocionantes. Também gostei da parte técnica, a batalha final é contra um monstrão tipo um kaiju, os efeitos especiais são convincentes. Além disso, são vários personagens carismáticos, e tivemos uma boa conclusão pra história deles. E preciso dizer que gostei do gordinho mala, que começa como um moleque insuportável e acaba virando um personagem divertido.
Agora, por outro lado, o roteiro tem muitas forçadas de barra. Vou citar só uma: civis atacam o exército, e logo depois tudo está bem, ninguém sofre consequências. Além de várias facilitações de roteiro, tipo não ter demogorgons na batalha final. Mas, um amigo meu deu a dica: Stranger Things, desde a primeira temporada, sempre foi uma homenagem aos anos 80. E naquela época a gente aceitava essas forçações de barra – a gente nunca questionou um Rambo ou um Comando pra Matar, onde um cara sozinho derrotava um exército, e sua munição nunca acabava. Se o espectador entrar na série com esse pensamento, vai relevar esses problemas.
O episódio final tem uma característica que heu achei ruim, mas conversando com amigos, alguns disseram que isso foi visto como algo positivo. É que existe um grande evento final, onde os personagens precisam lutar contra o grande vilão, e depois que isso acaba, ainda tem uma hora de episódio, mostrando o que aconteceu com cada um dos muitos personagens. Heu achei isso uma enrolação que poderia ter sido resolvida com algumas cartelas na tela, contando o futuro de cada um, porque afinal a gente já tinha passado pela adrenalina do final. Mas, preciso reconhecer que teve gente dizendo que isso foi a melhor coisa do episódio.
Uma coisa que me incomodou bastante é a idade dos atores. Harry Potter teve oito filmes ao longo de dez anos, mas os personagens cresciam um ano por filme. Ou seja, quando acabou, os atores estavam bem mais velhos, mas os personagens tinham quase a mesma idade. Mas aqui não. Logo no primeiro episódio desta temporada, tem um breve flashback onde lembramos que a história começou em 1983. Depois rola um salto e passamos pra 1987 – quatro anos. E em algum episódio alguém comenta que Will tinha 11 anos na época do início da série. Ou seja, quase a temporada toda acompanhamos personagens de 15 anos. Mas os cinco atores principais têm entre 21 (Noah Schnapp, o Will) e 24 anos (Caleb McLaughlin, o Lucas). Na boa, não dá pra ter atores com barba na cara se passando por adolescentes de 15 anos!
(Lembrei de uma piada que ouvi numa sitcom que falava que as séries nos anos 90 tinham adolescentes de 25 anos e pais de 35…)
Sobre o elenco, não me lembro da Millie Bobby Brown ser tão ruim nas outras temporadas. Mas aqui ela está péssima. Ouvi um papo de que ela colocou botox e por isso não consegue mais fazer expressões faciais; ouvi outra teoria de que ela estaria de saco cheio e não queria fazer a temporada. Sei lá o que aconteceu, mas o ponto é que ela está com a mesma cara de “menina mimada enfezada” ao longo da temporada inteira! Sorte é que são muitos personagens, e outros têm carisma de sobra. Cada vez que a Maya Hawke aparecia em tela a gente esquecia da Millie Bobby Brown.
Enfim, pelo menos acabou. Mas não sei se um dia vou rever. Talvez só a primeira temporada, naquela época fiquei bem mais empolgado que agora.
The Electric State

