Sinopse (imdb): Uma jovem deixa o estado de Minas Gerais para tentar se tornar cantora no Rio de Janeiro.
Me indicaram um site russo semelhante ao YouTube, que tem alguns canais com dezenas de filmes brasileiros. Vou aproveitar pra rever vários. E também vou aproveitar para fazer uma playlist de “filmes de rock nacional dos anos 80”. Começo essa playlist com Bete Balanço, dirigido por Lael Rodrigues e lançado em 1984.
Não dá pra assistir a um filme desses com a cabeça no século XXI. É um filme datado sob vários pontos de vista – não só o visual, mas toda a temática do filme não combina com os dias de hoje. Agora, quem entrar na onda vai ter uma boa viagem nostálgica.
Não tem muita história aqui. Bete sai de Governador Valadares e vai para o Rio de Janeiro para tentar a vida de cantora. Começa a namorar um fotógrafo e a cantar num estúdio. Basicamente é isso. O filme tem uma hora e quatorze minutos e está cheio de números musicais, não tem espaço pra desenvolver uma trama mais elaborada.
A direção é de Lael Rodrigues, que só dirigiu três filmes, mas foi um nome essencial para este estilo. Em 1985 ele faria Rock Estrela, e dois anos depois, 87, Rádio Pirata. A nota triste é que Lael faleceu pouco depois, em 1989. Ele tinha apenas 37 anos.
O roteiro tem uns furos meio bizarros, como por exemplo o fotógrafo ter imagens reveladoras que incriminariam alguém importante, mas esse plot é deixado de lado completamente. O plot com a Maria Zilda também foi mal desenvolvido, mas neste caso acredito que foi porque envolvia um relacionamento entre duas mulheres, coisa que o Brasil da primeira metade dos anos 80 dificilmente aceitaria.
E isso porque não estou falando de vários momentos onde a narrativa é interrompida para entrar um número musical nada a ver com a trama. Tem alguns números de dança meio jogados, acho que Lael Rodrigues queria fazer um musical da Broadway.
Na verdade, Bete Balanço parece um grande videoclipe estendido. Ou seja, alguns números musicais são inseridos, mesmo que não tenha nada a ver com a trama, tipo a participação do Lobão e os Ronaldos. O Barão Vermelho tem um papel pequeno, vê-los tocando faz parte da história. Já o Lobão só aparece “para o videoclipe”.
Revi Bete Balanço, e teve uma coisa que me incomodou bastante. A personagem Bete tem uma voz que se destaca. Mas quem interpreta é Débora Bloch, que não canta bem. Débora não está mal, é uma boa atriz (tanto que está aí até hoje), mas, para um papel desses, precisavam de uma atriz com a voz melhor!
Aproveito pra falar do elenco. Foi o filme de estreia da Débora Bloch, que, enquanto não está cantando, está bem. Lauro Corona faz seu par. Diogo Vilela faz um alívio cômico meio bobo. Também no elenco, Maria Zilda, Hugo Carvana, Cazuza e uma participação especial da Andrea Beltrão, estreando no cinema como uma das dançarinas (pouco depois ela ficaria bem conhecida). A nota triste é que Lauro Corona e Cazuza (que na época geravam piadas sobre serem a mesma pessoa porque eram bem parecidos fisicamente) faleceram alguns anos depois, ambos de Aids.
O final não é bom. Correram para inventar uma solução do nada. Podia ter 10 minutos a mais e concluírem direito as jornadas dos dois personagens principais. Em vez disso, colocaram um número de dança e deixaram pra lá.
Mesmo assim, foi gostoso rever. Só não sei se alguém que não viveu os anos 80 vai curtir.
