Chove Sobre Babel / Rains Over Babel

Crítica – Chove Sobre Babel

Sinopse (Festival do Rio): Em uma versão tropical-punk do Inferno de Dante, Chove Sobre Babel transporta o público para Babel, um bar lendário que serve como purgatório. Sob a vigilância de La Flaca, almas jogam anos de suas vidas em uma roleta com a própria Morte. Um grupo de desajustados se reúne nesse cenário surreal, onde amor, identidade e destino se entrelaçam em uma narrativa de resistência e reinvenção. Com estética steampunk e elementos de realismo mágico, num universo visualmente exuberante e politicamente audacioso.

A sinopse de Chove Sobre Babel (Llueve sobre Babel, no original) era sem dúvida a melhor sinopse do Festival do Rio. Tem gente que vai ao Festival atrás de filmes badalados e premiados, heu vou atrás de filmes malucos e diferentes. Agora, a sinopse não é 100% real. Tem elementos de realismo mágico (tem um lagarto falante!), mas não tem nada de steampunk…

Mas, ok, reconheço, escrito e dirigido pela hispano-colombiana Gala del Sol, Chove Sobre Babel é um filme bem fora da curva. Vou fazer dois comentários sobre o roteiro, um positivo e um negativo.

Pelo lado positivo, o roteiro traz vários elementos de misticismo e mitologia da Grécia Antiga. Tem referências às musas, ao cão de três cabeças de Hades, ao barqueiro do submundo Caronte, aos oráculos de Delfos, a Thanatos… Quem curte mitologia grega vai se esbaldar.

Dito isso, o roteiro não é bom. São muitos personagens e muitas histórias paralelas, acaba que o filme não aprofunda nenhuma delas. Só pra dar um exemplo simples: Chove Sobre Babel abre com o personagem Boticario e sua esposa, e tem uma narração em off falando características sobre ela – mas sua personagem some no filme. O Boticario tem um papel bem secundário, estranho o filme abrir com ele, mas ele continua lá o tempo todo; já sua esposa é tão irrelevante que até esqueci o nome da personagem.

E por aí o filme segue. Tem um pastor, conservador ao extremo – e seu filho é uma drag queen, que tem medo de se abrir para o rígido pai. Aí quando o jovem aparece como drag queen, o pastor começa a dançar de felicidade. Cadê o desenvolvimento para aquele personagem ter uma mudança tão drástica de comportamento?

Pelo menos o visual com seus cenários extravagantes é bonito. Queria ver outro filme da Gala del Sol, com um roteiro mais bem trabalhado.

Antes de encerrar, queria fazer um comentário sobre as legendas. A cópia exibida estava legendada. Mas era uma legenda muito ruim, cheia de erros. Vou então dizer a minha teoria sobre o que deve ter acontecido com as legendas neste caso aqui. Voltemos no tempo: anos atrás, os filmes eram em rolo. Legendar um filme nem sempre era algo viável, porque era necessário fazer uma nova cópia pra exibir apenas umas 3 ou 4 vezes. Por isso, anos atrás, era comum ter filmes sem legendas, ou com legendas em outra língua – e quando o filme já estava legendado, certamente ia entrar em cartaz. Aí inventaram a legenda eletrônica, uma coisa genial: as legendas ficam embaixo da tela, assim ninguém precisa fazer uma cópia do filme, pode exibir os rolos originais e depois devolver pro país de origem. Depois surgiram arquivos digitais. São arquivos grandes, não cabe num pen-drive, é um HD com o filme. Mas, é bem mais fácil e barato fazer uma cópia de um HD do que de rolos de película.

Minha teoria sobre o que aconteceu: usaram o google tradutor pra traduzir as legendas de Chove Sobre Babel – tem erros de português, erros de tradução, palavras que não foram traduzidas e muita, muita coisa com a formatação errada (tipo um espaço antes do hífen). Aí alguém deve ter pegado essa legenda que ninguém revisou e deve ter colocado no arquivo do filme. Não posso afirmar que foi isso, mas fico na torcida pra alguém revisar essas legendas se esse filme for exibido mais uma vez.

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