F1: O Filme

Crítica – F1: O Filme

Sinopse (imdb): Um piloto de Fórmula 1 sai da aposentadoria para orientar e formar equipe com um piloto mais jovem.

Três anos atrás, o diretor Joseph Kosinski deu um grande presente aos fãs do “cinemão”: Top Gun Maverick, um “filmão”, com tudo de superlativo que isso pode trazer. O modo como Kosinski filmou aviões foi algo nunca antes visto no cinema. E agora o diretor fez algo parecido, mas com carros de Fórmula 1 em vez de aviões.

(F1: O Filme (F1: The Movie, no original) reúne cinco membros principais da equipe de Top Gun Maverick: o diretor Joseph Kosinski, o produtor Jerry Bruckheimer, o roteirista Ehren Kruger, o diretor de fotografia Claudio Miranda e o compositor Hans Zimmer.)

Já vimos dezenas de bons filmes mostrando corridas de carros, mas nunca com tal realismo. As filmagens ocorreram durante vários fins de semana de Grande Prêmio, nas temporadas de 2023 e 2024. Uma garagem fake foi montada entre as garagens da Mercedes e da Ferrari, de onde os personagens dirigiriam a corrida que vemos no filme. Essa configuração também foi usada em várias etapas europeias da temporada de F1. E o resultado, tecnicamente falando, ficou um absurdo. Recomendo ver no cinema, na maior tela possível!

Heu preciso admitir que não dou bola pra F1. E agora preciso dar a boa notícia: o filme funciona pra quem é noob no assunto, não teve nenhum momento que fiquei me questionando sobre as regras da competição. Agora, acredito que os fãs de F1 vão curtir uma coisa que pra mim não teve significado: por usar o circuito de F1 como pano de fundo, o filme tem cameos de vários pilotos que estão em atividade. Aliás, Lewis Hamilton é um dos produtores do filme.

(O nome do Ayrton Senna é citado três vezes ao longo do filme. Brasil tem moral na F1!)

Inicialmente achei que o roteiro ia ser aquele clichê de sempre, conflito entre o piloto veterano e o novato, dificuldade numa corrida aqui, dificuldade diferente depois, talvez um acidente, e um final apoteótico. Ok, parte disso até acontece, mas, preciso dizer que o roteiro é bem estruturado a ponto de guardar algumas surpresinhas aqui e ali. E adorei as estratégias e “truques sujos” que os personagens usam. Não tenho ideia se são coisas comuns no mundo da F1, mas achei algumas sacadas geniais, de como eles dobram as regras do jogo para ultrapassar as adversidades.

A trilha sonora também é boa, tanto a trilha original do Hans Zimmer quanto as músicas pop espalhadas ao longo do filme. As músicas ajudam na empolgação das corridas.

O elenco é bom. Não é um tipo de filme onde cabem grandes atuações, mas os atores escolhidos funcionam para o que o papel pede. Brad Pitt tem carisma suficiente pra fazer a gente se importar pelo seu personagem, idem sobre Javier Bardem. Também no elenco, Kerry Condon e Damson Idris.

Por fim, uma piadinha para cinéfilos. Parece que Joseph Kosinski está seguindo os passos de Tony Scott, que dirigiu Top Gun em 1986 e em 1990 fez um filme sobre carros de corrida, Dias de Trovão. Será que em breve Kosinski vai dirigir um roteiro do Tarantino?

Oblivion

Crítica – Oblivion

Filme novo do Tom Cruise! Mais: filme novo de Joseph Kosinski, o diretor de Tron – O Legado!

Décadas depois de uma guerra contra alienígenas, o planeta Terra está devastado. Quase toda a população foi transferida para uma lua de Saturno, os poucos que ficaram trabalham cuidando da exploração dos últimos recursos do planeta. Neste ambiente, o técnico de reparos Jack é assombrado por misteriosos sonhos.

Joseph Kosinski tem uma carreira curta – este é apenas seu segundo longa. Por enquanto, o cara tá bem: mais uma vez, ele apresenta um filme acima da média. Oblivion tem uma trama que foge do óbvio, um bom elenco, excelentes efeitos especiais, uma boa trilha sonora e efeitos sonoros que faziam tremer as poltronas do cinema.

Tom Cruise, como de costume, lidera bem o elenco. É impressionante como Cruise sabe administrar bem sua carreira, com muitos blockbusters e poucos fracassos no currículo. Sua interpretação não foge ao habitual, é o mesmo feijão com arroz de quase sempre – mas ninguém pode negar que ele faz muito bem este feijão com arroz. Ainda no elenco, Olga Kurilenko, Andrea Riseborough, Morgan Freeman, Melissa Leo, Nicolaj Coster-Waldau e Zoe Bell.

O visual do filme chama a atenção, os cenários pós apocalípticos são extremamente bem feitos. Foram usadas locações na Islândia, fiquei imaginando o que era real e o que era computador. São belíssimas paisagens, a Nova York destruída de 2070 é impressionante.

Um parágrafo para falar da trilha sonora. Kosinski chamou o grupo eletrônico Daft Punk para a trilha de Tron O Legado e o resultado ficou excelente. Agora, outro grupo eletrônico foi chamado, o M83 (confesso que nunca tinha ouvido falar), e mais uma vez a trilha é um dos destaques do filme. Trilha sonora forte e presente, com bons temas ao longo de todo o filme. E além da trilha sonora, outra coisa que chama a atenção são os efeitos sonoros. O ruído dos drones se destaca, um ruído grave e forte que chega a dar medo.

O roteiro é bom, com uns toques de Matrix, 2001, Prometheus, Moon e pelo menos uma referência explícita a Guerra nas Estrelas (impossível não nos lembrarmos da cena do ataque à Estrela da Morte e da “manobra Millenium Falcon”). As reviravoltas estão bem colocadas no roteiro, mas este não é perfeito – algumas coisas soam forçadas, principalmente na parte final (certa cena me lembrou de ID4). O fim do filme é hollywoodiano, deve agradar a maioria dos espectadores. Heu preferia que tomassem outro caminho, mas não é nada tão grave que atrapalhe o bom conjunto do filme.

Enfim, bom filme. Sr. Kosinski, mantenha o bom trabalho!

Tron – O Legado

Tron – O Legado

Finalmente, estreou o aguardado Tron – O Legado!

Kevin Flynn (Jeff Bridges) desapareceu alguns anos depois do primeiro filme. Nos dias de hoje, seu filho, Sam Flynn, hoje com 27 anos, é o rebelde herdeiro da gigante Encom. Acidentalmente, Sam vai parar dentro do mundo digital, que está sendo controlado ditatorialmente por Clu, uma cópia digital de Kevin Flynn.

Dirigido pelo estreante Joseph Kosinski, Tron – O Legado é provavelmente o filme mais aguardado dos últimos tempos. Lembro de um trailer que rolou na Comic Con de 2008 (algum filme já teve paineis em três Comic Cons seguidas?). E fica a pergunta: valeu tanta espera? A resposta é sim e não. O visual do filme é deslumbrante. Mas infelizmente isso não apaga as falhas do filme…

O primeiro Tron, de 1982, foi um marco na história dos efeitos especiais no cinema. Era um filme passado boa parte dentro de um computador, numa época que quase ninguém tinha intimidade com computadores, uma época que efeitos especiais por computador eram raros. Tron – O Legado seguiu a tradição e trouxe uma inovação que provavelmente será moda em Hollywood em breve: um ator rejuvenescido digitalmente. Jeff Bridges aparece em duas versões: o Kevin Flynn atual, com sessenta anos, e Clu, a versão digital, com a mesma cara que ele tinha 28 anos atrás.

Ficou perfeito? Bem, acho que daqui a alguns anos a gente vai rever e achar tosco. Mas, pela tecnologia que existe hoje em dia, ficou muito bom! É impressionante ver o Jeff Bridges mais novo atuando ao lado do atual. Não é um “Jar Jar Binks”, um simples boneco digital. É o mesmo ator que já vimos em tantos filmes por aí. (Diz a lenda que James Cameron, ao ver o resultado, disse para o Spielberg preparar um novo Indiana Jones para o Harrison Ford…)

Aliado a isso, foi feito um grande upgrade no mundo digital apresentado no primeiro filme. Os mesmos veículos, roupas, objetos, cenários, tudo voltou melhorado. Até os jogos, que às vezes parecem meio confusos (síndrome de Transformers?), estão muito mais bem feitos. O visual é um pouco escuro, mas é de deixar o queixo caído.

(Só não gostei do 3D. Achei um desperdício. Poucas cenas realmente usam todo o potencial. Podia ser só em 2D que não ia fazer diferença.)

Mas aí vem o lado fraco: o roteiro. Alguns elementos são jogados na história e depois deixados de lado, como por exemplo todo o discurso sobre software livre que rola no início do filme. Ou então a interessante e sub-aproveitada história dos ISOs. Isso tornou o filme um pouco longo demais (pouco mais de duas horas), desnecessariamente.

Mesmo assim, achei o resultado positivo. Pode não ser um dos melhores filmes do ano, mas não decepciona.

No elenco, o grande nome é Jeff Bridges, que faz um vilão digital e um mocinho meio guru, meio Lebowski. Outros dois nomes do elenco também chamam a atenção. Um é Michael Sheen, exagerado no ponto exato (adorei a dancinha que ele faz no meio da briga). A outra é Olivia Wilde, linda, linda, linda. Bruce Boxleitner, do primeiro filme, também volta em uma rápida versão rejuvenescida digitalmente, mas, como é um ator muito menos conhecido, aparece pouco na tela. Pena que o ator principal, Garrett Hedlund, é tão fraquinho…

(Fiquei com vontade de rever Turistas, aquele filme ruinzinho filmado no Brasil. Tem a Olivia Wilde de biquini, e também tem nudez gratuita da Beau Garret, que faz a Gem aqui em Tron – O Legado)

A inspirada trilha sonora, a cargo da dupla francesa Daft Punk, é outro dos acertos do filme. Com temas instrumentais meio vintage meio sinfônicos, a trilha funciona perfeitamente. E ainda rola um cameo da dupla: eles são os djs que estão na festa no End Of The Line Club.

No fim, o resultado não ficou de todo ruim. Mas fica aquela sensação de que, com um roteiro melhor e talvez um diretor mais experiente, poderia ser bem melhor.