Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Crítica – Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Sinopse (imdb): Forçados a equilibrar seus papéis como heróis e a força dos laços familiares, o Quarteto Fantástico deve defender a Terra de um deus espacial voraz chamado Galactus e sua enigmática arauta, a Surfista Prateada.

Estreou o aguardado Quarteto Fantástico!

Uma breve atualização pra quem está por fora. Este ano seriam três filmes da Marvel. O primeiro, Capitão América Admirável Mundo Novo, foi o que se esperava: um filme pra “cumprir tabela” – não é ruim, não é bom, é apenas mais um filme genérico e esquecível. Depois veio a surpresa com Thunderbolts, um filme que ninguém esperava nada, mas que surpreendeu positivamente a maior parte do público. Mas os fãs aguardavam o terceiro, este novo Quarteto Fantástico, que prometia ser o ponto de partida para uma nova fase da Marvel.

(As HQs do Quarteto Fantástico sempre foram da Marvel, mas por razões contratuais os personagens não faziam parte dos filmes do Universo Cinematográfico da Marvel, o MCU. Foram feitos quatro filmes antes: em 1994 (filme que nem chegou a ser lançado oficialmente), os dois mais famosos, com Jessica Alba e Chris Evans, em 2005 e 2007, e mais uma tentativa em 2015. Nenhum dos quatro é bom.)

O Quarteto tem um fã clube muito grande, mas, como sempre, meu texto será para o “leigo”. Claro que conheço os personagens, mas nunca li os quadrinhos, então meus comentários serão só pensando no cinema.

Dirigido por Matt Shakman, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (The Fantastic Four: First Steps, no original) se passa em uma realidade alternativa, não é no mesmo universo que estamos (e onde está todo o MCU). E preciso dizer que todo o conceito criado para retratar essa realidade é o melhor do filme. Todos os cenários e figurinos têm um visual retro-futurista, tudo parece anos 60, e ao mesmo tempo tudo é muito tecnológico. Esse visual do filme é fantástico! A trilha sonora de Michael Giacchino também é muito boa.

Vale dizer que este é um “filme de origem” mas, assim como aconteceu no recente Superman, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos não perde tempo contando a mesma história que já vimos várias vezes, de como eles ganharam seus super poderes. Logo no início tem um filminho tipo documentário contando o que o espectador leigo precisa saber. Só achei que faltou uma linha de diálogo explicando sobre as roupas. Porque a Mulher Invisível tem roupas que ficam invisíveis, assim como o Tocha Humana tem roupas que não pegam fogo. Podiam comentar algo sobre isso.

(Aliás, uma dúvida que heu sempre tive: Sr. Fantástico, Mulher Invisível e Tocha Humana usam seus poderes e depois voltam à forma anterior. Por que o Coisa continua sendo Coisa? (Ok, uma explicação fácil pode ser “cada um teve o DNA alterado de uma forma diferente”, mas, sempre achei que faltou uma satisfação para o espectador…))

Agora, o visual é bonito, mas por outro lado, a história não empolga. Em vários outros filmes de super heróis a gente fica envolvido, torcendo e sofrendo, mas aqui isso não acontece. Além disso, achei que podia mostrar mais o Quarteto em ação, cada um usando seus poderes e mostrando como a equipe trabalha junta, a gente só vê isso na cena final.

Rolou uma polêmica sobre a mudança de gênero do Surfista Prateado – aqui é uma surfista. Não sei do personagem pelos quadrinhos, mas posso dizer que, pelo filme, tem muita lógica ser uma mulher. Digo mais, tem mais lógica ser mulher do que se fosse homem.

Agora, preciso dizer que não entendo o personagem Galactus. Os leitores adoram, dizem que é um dos melhores vilões, mas nunca consegui ver graça. Porque dizem “ele come planetas!”, mas, galera, se um ser tem tamanho suficiente pra comer um planeta, é muito desproporcional ter um personagem desses interagindo com humanos. Seria tipo um micróbio comprar briga com um humano. Não dá pra colocar no mesmo plano personagens de tamanho tão diferentes. Mas aí, quando o Galactus aparece no filme, ele é grande, mas do tamanho de um edifício. Ok, dá pra interagir. Mas, um ser do tamanho de um edifício consegue comer um planeta? Sei lá. Nos quadrinhos o Galactus deve ser um vilão melhor construído. Aqui não me convenceu.

O elenco é ok. O onipresente Pedro Pascal lidera o grupo, ao lado de Vanessa Kirby, Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach. Gostei da Julia Garner como a Surfista Prateada, e Ralph Ineson faz a voz do Galactus (escolha perfeita, a voz dele é muito boa para um papel assim). Ah, tem um robô, mas é um personagem esquecível.

Claro que veremos esses personagens no MCU que a gente já conhece. A cena pós créditos de Thunderbolts dá uma pista do que pode acontecer. E são personagens que podem agregar. Mas, nesse filme, não empolgaram. Thunderbolts teve um resultado melhor.

Por fim, é Marvel. São duas cenas pós-créditos, uma depois dos créditos principais, outra lá no fim de tudo.

The Old Guard 2

Crítica – The Old Guard 2

Sinopse (imdb): Andy e sua equipe de guerreiros imortais estão de volta para enfrentar um novo inimigo terrível, que ameaça a existência da humanidade.

Lembro do primeiro The Old Guard, lançado em 2020, no auge da pandemia. Achei um bom filme, parecia uma releitura de Highlander, uma história usando guerreiros imortais que lutam juntos há séculos. Cinco anos depois, chega na Netflix uma continuação, dirigida pela estreante no cinema Victoria Mahoney. Infelizmente, bem inferior ao primeiro filme.

The Old Guard 2 não é bom, mas também não é um lixo total. Gostei de algumas sequências de ação. Algumas lutas trazem boas coreografias. Ok, reconheço que algumas são bem artificiais, como aquela onde Andy e Quynh lutam pela primeira vez, e a Quynh dá umas piruetas completamente falsas. Mas mesmo artificial, é uma luta bonita, me lembrei de O Tigre e o Dragão, lutas artificiais e mesmo assim mostrando um bom resultado. E The Old Guard 2 teve pelo menos um momento muito bom: pouco antes dessa luta, quando Andy está andando por um beco, a cenografia mostra parte da sua história através dos séculos. Essa cena é realmente muito boa!

Agora, precisamos reconhecer que os pontos negativos superam os positivos. Uma das coisas que mais me dava raiva na série Lost era quando algum personagem descobria algum mistério e não compartilhava com os outros. Mas era uma série de mistério, e além disso, um personagem não necessariamente confiava no outro. Aqui em The Old Guard 2, os personagens confiam uns nos outros. Então se algum personagem soubesse algo muito importante, ele compartilharia. E em determinado momento do filme, um personagem descobre uma informação que pode mudar radicalmente o modo como os personagens lidam com a imortalidade. Como é que isso não vai ser dividido com os companheiros?

Junte a isso umas coisas que não fazem o menor sentido, como por exemplo, determinada cena, os mocinhos entram armados e encontram inimigos também armados, e todos estão apontando as armas uns para os outros – mas de repente os inimigos largam as armas e alguém fala no rádio “ok, eles preferem lutar corpo a corpo”. Cara, são inimigos, estão armados, eles nunca largariam as armas daquele jeito. E os outros nunca chegariam a uma conclusão dessas conversando por rádio!

E ainda vou falar um mimimi de fanboy: você traz a Uma Thurman para o seu filme, coloca uma espada na mão dela, e não faz uma referência a Kill Bill???

Agora, o pior de tudo, pior do que todos esses problemas, é que The Old Guard 2 é um filme que não tem fim. The Old Guard 2 engana o espectador, você vai até o fim esperando uma conclusão, e no meio da trama – um gancho para, quem sabe, sei lá daqui a quanto tempo, um possível The Old Guard 3 (lembrando que passaram-se cinco anos entre o primeiro e o segundo).

Minha expectativa para o próximo filme está igual à expectativa para mais um Rebel Moon. Zero vontade de ver, torcendo pra não existir, só verei se for pra criar conteúdo.

Fujam do segundo filme, vale mais a pena rever o primeiro.

Superman (2025)

Crítica – Superman (2025)

Sinopse (imdb): Superman reconcilia sua herança com sua educação humana. Ele é a personificação da verdade, da justiça e de um futuro melhor em um mundo que vê a bondade como algo antiquado.

Estreou o aguardado Superman do James Gunn!

Antes do filme, uma breve atualização pra quem está por fora. No audiovisual, décadas atrás, a DC era muito maior que a Marvel. A gente tinha o seriado do Batman barrigudo, o desenho da Liga da Justiça, os filmes do Superman com o Christopher Reeve e, uns anos mais tarde, os dois Batman do Tim Burton. Enquanto isso, pela Marvel, a gente tinha um seriado do Hulk, uns filmes toscos do Homem Aranha, e um desenho muito ruim com Thor e Homem de Ferro. Até que em 2008 a Marvel começou a construir o Marvel Cinematic Universe (MCU), com o primeiro filme do Homem de Ferro. Foram mais de 20 filmes que culminaram em Vingadores Ultimato, de 2019, um “filme evento” que juntou dezenas de personagens apresentados ao longo de onze anos. Já comentei aqui, isso será estudado no futuro como um dos maiores cases de sucesso da história do cinema.

Claro que a “marca Marvel” cresceu. Hoje, pergunte a crianças, Homem de Ferro e Capitão América são personagens tão conhecidos quanto Batman e Superman. E ao ver esse crescimento da Marvel, a DC tentou criar um DC Extended Universe (DCEU), mas os filmes não tinham muita consistência, e podemos afirmar que, pelo menos no cinema, a Marvel ficou muito maior que a a DC.

James Gunn tinha dirigido dois dos melhores filmes do MCU, Guardiões da Galáxia 1 e 2, aí vazaram postagens politicamente incorretas do seu passado, e ele foi desligado da Marvel (lembrando que a Marvel está dentro da Disney). A DC o chamou, e ele fez o excelente Esquadrão Suicida (o melhor filme do DCEU, na minha humilde opinião). Depois ele ainda voltou pra Marvel para fazer o terceiro Guardiões da Galáxia (o melhor filme da fase recente da Marvel), para depois “se mudar de mala e cuia” para a DC, onde ia assumir o filme do maior herói da cultura pop.

E finalmente chegamos ao Superman que estreia esta semana. O meu medo era o quanto Gunn ia sofrer de interferência dos executivos do estúdio, porque até então já tínhamos visto ótimos resultados, mas com heróis desconhecidos e esquisitos (Guardiões da Galáxia e Esquadrão Suicida). E agora ele faria um filme com um dos heróis mais conhecidos de todos os tempos. Mas, boa notícia: se teve interferência do estúdio, não afetou o resultado final!

Os últimos filmes da DC eram mais “escuros”, a DC sempre tinha um tom mais dark. James Gunn assumiu que é um “filme de super herói” e fez um filme bem mais colorido do que o DCEU apresentava. Achei uma escolha certa, o Superman não combina com um filme sombrio.

Uma coisa que achei positiva foi não ter mais uma vez uma “história de origem”. O filme já começa com o Superman sendo Superman, ele já leva vida dupla de herói + repórter do Planeta Diário (não tinha um jornal com esse nome aqui no Rio nos anos 90?). Superman já existe, assim como Lois Lane e Lex Luthor. Vivemos num mundo onde outros super heróis também estão na área, incluindo três da “gangue da justiça” – piada recorrente no filme. Achei uma boa ideia, todo mundo já conhece a história do Superman, aí o filme não perde tempo com isso e já parte para a ação.

O protagonista David Corensweat tinha uma tarefa complicada, porque, por melhor que fosse, sempre seria comparado ao Christopher Reeve, e é uma comparação dura, porque Reeve foi perfeito no papel. Mas Corensweat não faz feio. Rachel Brosnahan também está bem como Lois Lane, e, para combinar com os dias atuais, ela tem até mais protagonismo que outras Lois do passado. Já Nicholas Hoult está ótimo como Lex Luthor, sua atuação é um dos pontos altos do filme. Aliás, o elenco todo está bem, Superman ainda conta com María Gabriela de Faría, Sara Sampaio, Skyler Gisondo, Frank Grillo, Edi Gathegi, Nathan Fillion e Isabela Merced, além de vozes de Alan Tudyk, Michael Rooker e Pom Klementieff como robôs, e de pontas de Bradley Cooper, Angela Sarafyan, John Cena e Milly Alcock. Se heu puder fazer um mimimi, vou reclamar do Nathan Fillion. Ele não está mal, mas achei o ator velho demais para o papel (Fillion deve ser um grande amigo do diretor. James Gunn dirigiu sete filmes, Fillion estava em todos, só não aparece em Guardiões 2 porque sua cena foi deletada).

Curiosamente, a melhor cena do filme não tem o personagem título. Tem uma cena sensacional com o Mr. Terrific (traduziram como Sr. Incrível, mas pra mim, Sr. Incrível é do desenho da Pixar!). Vemos como ele atua contra diversos adversários simultaneamente, e a cena usa bem a trilha sonora em um plano sequência fake, coisa que o James Gunn já tinha feito em Guardiões da Galáxia. Essa cena é muito boa!

Aliás, lembrei da abertura de Guardiões 2, onde vemos Baby Groot dançando em primeiro plano enquanto rola uma cena de ação ao fundo. Aqui tem uma cena onde Superman e Lois conversam, e ao fundo os outros heróis estão em uma batalha – mas assim como em Guardiões 2, não vemos nada que está rolando.

Preciso falar do cachorro Krypto! A princípio fiquei receoso com a inclusão de um cachorro na trama, mas adorei o cão. Todas as suas participações são ótimas, o Krypto não é um cachorro bem comportado, e isso traz piadas muito boas.

Dois comentários sobre a trilha sonora. David Fleming e John Murphy fizeram um bom trabalho compondo a trilha do filme em cima dos temas clássicos do John Williams – seria difícil ver um filme do Superman e não lembrar do icônico tema. Por outro lado, senti falta do uso de músicas pop na trilha e na trama do filme – o diretor já provou que é bom nesse assunto.

Agora, precisamos reconhecer que é um filme divertido, mas é bem bobinho. Podia ter aprofundado em questões mais sérias do conflito geopolítico ou das críticas às redes sociais, mas ficou só na superfície. Superman dedica mais tempo de tela em uma briga contra um monstro gigante do que nas questões mais sérias. Além disso, algumas soluções do roteiro soam forçadas. Sim, sei que estamos falando de um filme onde o protagonista é um alienígena com super poderes, mas achei meio jogado o Lex Luthor criar um universo paralelo baseado em um buraco negro, assim como achei meio rápida a queda da popularidade do Superman e sua posterior prisão feita por um particular. Ok, é filme, mas, como falei, é bobinho.

Além disso, talvez tenha personagens demais, porque alguns deles até parecem ser interessantes, mas têm tão pouco tempo de tela que a gente nem sabe se realmente são ou não, como a Mulher Gavião. A Engenheira também foi muito mal explorada.

No fim, Superman não supera Esquadrão Suicida, mas é um bom recomeço na DC. Que venham mais bons filmes!

Por fim, são duas cenas pós créditos, fiquem até o final!

Chefes de Estado

Crítica – Chefes de Estado

Sinopse (imdb): O presidente americano e o primeiro-ministro britânico, alvos de uma ameaça externa, devem colaborar contra uma conspiração global.

Outro dia vi que tinha filme novo do John Cena e Idris Elba na Prime, e fui ler mais sobre. Quando vi quem era o diretor, furou a fila!

Conheci o trabalho do Ilya Naishuller quando vi um videoclipe da banda Biting Elbows, onde a câmera estava no capacete do dublê, então víamos as cenas como se estivéssemos dentro da ação. Aí o cara levou isso para um longa metragem, Hardcore Henry (2015), uma hora e meia de ação ininterrupta com a câmera POV (point of view), um filme insano e divertido. Em 2021 Naishuller fez o ótimo Anônimo, mais bem construído que seu primeiro filme, e com algumas excelentes cenas de ação.

Ilya Naishuller na direção, mais John Cena e Idris Elba liderando o elenco – Chefes de Estado (Heads of State, no original) tinha tudo pra ser um filme no estilo que heu gosto. E felizmente heu estava certo: o filme é divertidíssimo!

Chefes de Estado traz o equilíbrio perfeito entre ação e comédia. Digo mais: as cenas de ação são muito boas, e a parte da comédia é engraçadíssima! Várias sequências são antológicas. Adorei como Naishuler conta um flashback do que aconteceu com determinado personagem até aquele ponto do filme. E a curta cena do Jack Quaid, ao som de Beastie Boys, é sensacional!

Outro ponto positivo é a química entre John Cena e Idris Elba (que já tinham trabalhado juntos em O Esquadrão Suicida), os dois parecem estar se divertindo muito. O roteiro é cheio de alfinetadas entre os estilos dos personagens, um americano e outro inglês, isso traz várias boas piadas. O resto do elenco também está bem, com Priyanka Chopra Jonas, Paddy Considine, Carla Gugino, Sharlto Copley (que aparece bem rápido), além do já citado Jack Quaid.

A parte técnica é muito boa. Deu pena de ser um filme para o streaming, heu preferia ver um filme desses na telona. A trilha sonora usando músicas pop também foi muito bem escolhida.

Agora, precisamos reconhecer que o roteiro é bem forçado. Tem várias coisas que não fazem muito sentido. Entre uma gargalhada e outra, se a gente parar pra pensar no roteiro, vai achar um monte de coisas forçadas.

Mesmo com o roteiro forçado, reconheço que me diverti. Provavelmente estará na minha lista de melhores de 2025.

Ah, tem uma cena extra no meio dos créditos. Pode ser um gancho pra continuação, quem sabe?

Shadow Force – Sentença de Morte – 8 Coisas que não Fazem Sentido

8 Coisas que não Fazem Sentido em Shadow Force – Sentença de Morte

Sinopse (imdb): Um casal separado com uma recompensa pairando sobre suas cabeças deve fugir com seu filho para evitar seu ex-chefe e uma unidade de operações secretas que foi enviada para matá-los.

Joe Carnahan não é um grande diretor, mas reconheço que gosto de alguns dos seus filmes, como a versão cinematográfica de Esquadrão Classe A, Smoking Aces e Boss Level. Por isso resolvi ver este Shadow Force – Sentença de Morte.

Não, o filme não é bom. Mas não é um lixo total, algumas coisas se salvam. A cena do assalto ao banco, logo no início, é muito boa, não vemos toda a ação, apenas flashes, só depois vemos o que aconteceu. E gosto do Omar Sy, bom ator, carismático, é agradável vê-lo em tela. Também gostei do garotinho Jahleel Kamara, a cena dele cantando Lionel Ritchie é muito boa.

Mas não tem muito mais o que se falar sobre Shadow Force. Então vou fazer uma lista de coisas que não fazem sentido no filme.

Claro, spoilers liberados a partir de agora.

1- O carro é blindado, é quase um tanque de guerra. Mas alguém dá um tiro no pneu e o carro capota. Sou carioca, aqui tem carros blindados. Fui no Google, aqui no Rio quando blindam o carro tem solução para o pneu!

2- Super carro com super motor – e um caminhão alcança o carro facilmente?

3- Kyra quer matar cinco inimigos. Ela consegue ter os cinco, juntos, sob a mira de uma arma a longa distância. Ela não conseguiria matar os cinco, quando começasse a atirar, eles iam reagir ou fugir. Mas podia pegar uns dois ou três.

4- Kyra marca um encontro com o vilão. Ele sabe que ela vai tentar matá-lo. Ele nunca ia dispensar os seguranças.

5- Kyra da 3 tiros no peito do inimigo. E nenhum na cabeça! Como é que uma assassina profissional não atira na cabeça???

6- No final rola um tiroteio generalizado. Quase todos na sala estão armados e são bons atiradores. Mas neste tiroteio todo, só um é atingido. Como tantos bons atiradores conseguem errar tantos tiros?

7- Não contei quantos, mas o vilão leva alguns tiros nesse tiroteio. E o cara continua inteiro!

8- Furo de roteiro: o agente atira no vilão, acabam as balas. O vilão atira de volta, também acabam as balas. O agente fala: “agora você tem que correr”, mas o vilão não corre. E não vemos mais o agente, só na cena final. Pra onde ele foi? O que ele foi fazer?

Jurassic World: Recomeço

Jurassic World: Recomeço

Sinopse (imdb): Cinco anos após Jurassic World: Domínio (2022), uma expedição desbrava regiões equatoriais isoladas para extrair DNA de três enormes criaturas pré-históricas para um avanço médico inovador.

O que esperar do sétimo filme de uma franquia onde só o primeiro é realmente bom?

Jurassic World: Recomeço (Jurassic World: Rebirth, no original) é mais uma tentativa de reviver uma franquia “cansada”. Tirando o primeiro, Parque dos Dinossauros, que é realmente muito muito bom (além de ser um marco na história dos efeitos especiais no cinema), nenhum dos outros cinco filmes é unânime. E este sétimo filme segue a mesma linha: é apenas mais um.

(Mas preciso ser justo em uma coisa: o sexto filme, Jurassic World: Domínio, é bem mais tosco. Esse sexto filme talvez seja uma unanimidade, mas negativa.)

A direção ficou a cargo de Gareth Edwards, que manja dos paranauês quando o assunto é filme de monstro, ele fez Monstros (2010) e Godzilla (2014). E nesse aspecto, até que tem uns monstros bem feitos aqui – alguns dos dinossauros são mutações genéticas.

Aliás, vou fazer um elogio na premissa inicial. A gente viu seis filmes com as pessoas tentando criar parques com dinossauros, e sempre deu errado. Aí fica a dúvida: pra que insistir? Nisso, Jurassic World: Recomeço tem mais lógica. Passaram alguns anos, e os humanos não dão mais bola para os dinossauros, não existe mais a novidade, os bichos meio que viraram pragas indesejadas. Ao mesmo tempo, os dinossauros não se adaptaram ao novo clima do planeta, e estão morrendo. Os dinossauros que ainda sobrevivem ficam perto da linha do Equador, onde o clima é mais propício para eles. E essa região fica proibida para humanos. Tá, este conceito inicial me convence mais do que a ideia de criar um novo parque.

Podemos fazer outro elogio a algumas cenas de ação. A sequência do barco é boa, emocionante, lembra Tubarão (coincidência ou não, Steven Spielberg é produtor aqui). E na parte final, o monstrão mutante me lembrou o visual do Rancor, de O Retorno de Jedi. A trilha sonora de Alexandre Desplat, que usa alguns temas da clássica trilha do John Williams, também funciona bem.

Agora, como nos filmes anteriores, o roteiro tem suas derrapadas. A gente acompanha uma equipe de mercenários que vai coletar amostras de sangue de dinossauro pra uma empresa farmacêutica. Até aí ok. Mas no meio do caminho, encontram uma família que estava passeando de barco. Oi? A introdução do filme não nos disse que aquela região estava proibida para humanos? Por que diabos aquelas família estava lá?

E o pior é que a família tem personagens horríveis. O pai é péssimo, está o filme inteiro com a mesma cara, e determinado momento ele machuca a perna, e partir daí, ele alterna algumas cenas onde não consegue andar, com outras onde ele anda normalmente. E a menininha também é bem fraca, tanto a atriz quanto a personagem. E como é uma família resgatada de um naufrágio, a gente sabe que nenhum deles vai morrer. Aliás, isso é um problema aqui, a gente já sabe que alguns personagens entraram na trama só pra morrer.

Some-se a isso algumas sequências que não fazem muito sentido. Uma delas tenta emular a clássica cena do primeiro filme, onde os personagens veem os dinossauros pela primeira vez. Aqui é parecido, eles estão num local com mato alto, da altura de um humano em pé. Aí de repente vários dinossauros com a altura de prédios de três andares começam a surgir. Galera, o mato era alto pra esconder um humano, mas não era tão alto assim! E o “dinossauro pet” deve estar lá só pra vender bicho de pelúcia.

Falei mal dos personagens da família desnecessária, mas o filme também tem outros personagens ruins, O vilão do Rupert Friend é caricato ao extremo. Se salvam Scarlett Johansson e Mahershala Ali, não pelos personagens, mas pelo carisma dos atores.

No fim, fica aquela sensação de mais do mesmo. Não é bom, mas também não é ruim, é apenas mais um. E aguardemos, porque o subtítulo “recomeço” indica que teremos mais continuações em breve.

F1: O Filme

Crítica – F1: O Filme

Sinopse (imdb): Um piloto de Fórmula 1 sai da aposentadoria para orientar e formar equipe com um piloto mais jovem.

Três anos atrás, o diretor Joseph Kosinski deu um grande presente aos fãs do “cinemão”: Top Gun Maverick, um “filmão”, com tudo de superlativo que isso pode trazer. O modo como Kosinski filmou aviões foi algo nunca antes visto no cinema. E agora o diretor fez algo parecido, mas com carros de Fórmula 1 em vez de aviões.

(F1: O Filme (F1: The Movie, no original) reúne cinco membros principais da equipe de Top Gun Maverick: o diretor Joseph Kosinski, o produtor Jerry Bruckheimer, o roteirista Ehren Kruger, o diretor de fotografia Claudio Miranda e o compositor Hans Zimmer.)

Já vimos dezenas de bons filmes mostrando corridas de carros, mas nunca com tal realismo. As filmagens ocorreram durante vários fins de semana de Grande Prêmio, nas temporadas de 2023 e 2024. Uma garagem fake foi montada entre as garagens da Mercedes e da Ferrari, de onde os personagens dirigiriam a corrida que vemos no filme. Essa configuração também foi usada em várias etapas europeias da temporada de F1. E o resultado, tecnicamente falando, ficou um absurdo. Recomendo ver no cinema, na maior tela possível!

Heu preciso admitir que não dou bola pra F1. E agora preciso dar a boa notícia: o filme funciona pra quem é noob no assunto, não teve nenhum momento que fiquei me questionando sobre as regras da competição. Agora, acredito que os fãs de F1 vão curtir uma coisa que pra mim não teve significado: por usar o circuito de F1 como pano de fundo, o filme tem cameos de vários pilotos que estão em atividade. Aliás, Lewis Hamilton é um dos produtores do filme.

(O nome do Ayrton Senna é citado três vezes ao longo do filme. Brasil tem moral na F1!)

Inicialmente achei que o roteiro ia ser aquele clichê de sempre, conflito entre o piloto veterano e o novato, dificuldade numa corrida aqui, dificuldade diferente depois, talvez um acidente, e um final apoteótico. Ok, parte disso até acontece, mas, preciso dizer que o roteiro é bem estruturado a ponto de guardar algumas surpresinhas aqui e ali. E adorei as estratégias e “truques sujos” que os personagens usam. Não tenho ideia se são coisas comuns no mundo da F1, mas achei algumas sacadas geniais, de como eles dobram as regras do jogo para ultrapassar as adversidades.

A trilha sonora também é boa, tanto a trilha original do Hans Zimmer quanto as músicas pop espalhadas ao longo do filme. As músicas ajudam na empolgação das corridas.

O elenco é bom. Não é um tipo de filme onde cabem grandes atuações, mas os atores escolhidos funcionam para o que o papel pede. Brad Pitt tem carisma suficiente pra fazer a gente se importar pelo seu personagem, idem sobre Javier Bardem. Também no elenco, Kerry Condon e Damson Idris.

Por fim, uma piadinha para cinéfilos. Parece que Joseph Kosinski está seguindo os passos de Tony Scott, que dirigiu Top Gun em 1986 e em 1990 fez um filme sobre carros de corrida, Dias de Trovão. Será que em breve Kosinski vai dirigir um roteiro do Tarantino?

Predador: Assassino de Assassinos

Crítica – Predador: Assassino de Assassinos

Sinopse (imdb): Três dos guerreiros mais ferozes da história da humanidade se tornam vítimas do maior assassino de assassinos.

A saga O Predador traz um conceito muito bom, apesar do péssimo nome – o cara não é um predador, ele é um caçador, que pratica caça como esporte, e procura adversários fortes, porque ele quer encarar desafios. (Aliás, por causa deste conceito, a ideia de “Alien vs Predador” é muito boa, porque é um exímio caçador enfrentando um animal muito perigoso. Pena que os dois filmes são ruins.)

Pensando nisso, podemos ter um vasto leque de continuações e spin offs. E acredito que este Predador: Assassino de Assassinos quer abrir essa porta.

Um dos diretores é Dan Trachtenberg, que aparentemente é o novo “dono” da franquia – ele dirigiu anterior, O Predador: A Caçada, de 2022, e também o próximo, Predador: Terras Selvagens, com previsão de lançamento ainda este ano. A diferença é que este Predador: Assassino de Assassinos é uma animação.

Predador: Assassino de Assassinos é curto, pouco menos de uma hora e meia, e traz três histórias independentes, além de uma quarta história que une as três. São três momentos históricos distintos, onde aparece um “Yautja” (a raça dos Predadores) diferente em cada momento, enfrentando um grande adversário – uma guerreira viking no ano 841, um samurai (ou ninja, não sei ao certo) no Japão feudal, em 1609, e um piloto de avião da Segunda Guerra Mundial. Na quarta parte, vemos os três personagens juntos, no planeta dos Yautjas.

Achei as duas primeiras histórias muito boas. Ursa, a guerreira viking, tem uma cena sensacional em “plano sequência” (as aspas são porque é uma animação) onde ela ataca inimigos. Muita violência, muito sangue, a sequência é muito boa. A segunda parte, onde o Yautja entra no meio de uma briga entre os irmãos Kenji e Kiyoshi, também é muito bem executada. Pena que não posso dizer o mesmo sobre a terceira. É uma batalha entre uma nave espacial e pequenos aviões monomotores, uma briga muito injusta – e não me lembro de algum Yautja usando uma nave para brigar nos outros filmes, o lance deles sempre foi a batalha no mano a mano, mesmo usando armas e aparelhos tecnológicos.

A quarta história traz os três juntos, lutando numa arena. E é a parte que menos gostei. Primeiro porque Torres, o piloto da Segunda Guerra, não teria condições de enfrentar os outros, é um personagem nitidamente mais fraco que Ursa e Kenji. Aí tiveram que transformá-lo em alívio cômico.

Mas tem outra coisa ainda pior (mesmo que seja, infelizmente, algo relativamente comum em filmes). Primeiro, vemos um monstro alienígena, que come um Yautja, e o despedaça com seus dentes. Logo depois, ele come o Torres – que logo aparece, vivo e inteiro, dentro da barriga do monstro. Cara, se o monstro engole sem mastigar, por que mostrar ele mastigando logo antes? Mas calma que piora. Torres é um bom piloto, mas não é bom na parte mecânica. Ele tem dificuldade em consertar um avião, com tecnologia terrestre. Mas, encontra uma peça de tecnologia alien dentro da barriga do monstro, e consegue hackear a tecnologia Yautja, a ponto de fugir do monstro, dirigir um pequeno transporte e depois pilotar a nave deles! Caramba, de onde surgiram essas habilidades? Ele foi apresentado como alguém que não sabia da parte mecânica e tecnológica!

Tem outro problema, mas talvez isso não seja nada grave, heu que sou chato. A primeira história é falada em inglês, a Ursa é viking mas fala inglês. A segunda é em japonês. Aí quando os três estão juntos, o roteiro vem me dizer que existe uma barreira linguística entre eles, porque cada um fala uma língua diferente. Eles precisam lutar juntos mas não conseguem se comunicar. Mas, caramba, se a Ursa falava inglês antes, por que agora não entende???

Por fim, outro problema comum nos dias de hoje: Predador: Assassino de Assassinos não acaba. No fim, os mocinhos fogem, o vilão manda naves atrás deles, e… aguardemos a continuação. Qual é o problema de se fechar uma história?

Durante esta parte final, fiquei na dúvida se o filme envolvia viagem no tempo, mas tem um detalhe bem no finzinho que mostra que os guerreiros que vencem Yautjas ficam congelados para lutas futuras. E o filme acaba com um easter egg, mas nada surpreendente.

No fim, a gente lembra daquele meme do desenho do cavalo. Porque Predador:Assassino de Assassinos começa bem, mas vai piorando cada vez mais.

Bailarina

Crítica – Bailarina

Sinopse (imdb): Uma assassina treinada nas tradições da organização Ruska Roma sai em busca de vingança após a morte do pai.

Não escondo de ninguém que sou fã dos filmes do John Wick. Vou além: gosto de quase todos os filmes feitos pela galera da 87North, produtora fundada por David Leitch, um dos nomes por trás do primeiro John Wick. Leitch é ex dublê, e hoje dirige e produz filmes de ação que valorizam o trabalho dos dublês, filmes como Atômica, Anônimo, Trem Bala e O Dublê.

E Bailarina ainda tinha outro atrativo: Ana de Armas. Lembro que ela teve uma breve participação no último James Bond, e que foi a melhor coisa daquele filme. Depois disso, fiquei na torcida pra um filme de ação com ela protagonista.

Tive um certo receio quando li quem era o diretor. Bailarina foi dirigido por Len Wiseman, que não tem um currículo muito bom (Anjos da Noite, Duro de Matar 4, a refilmagem de Vingador do Futuro…). Mas, segundo o imdb, Chad Stahelski – diretor dos quatro filmes do John Wick – reprovou o corte original e ficou entre dois e três meses em Praga refilmando boa parte do material feito por Wiseman.

E o resultado ficou muito bom. Bailarina não é um filme perfeito, mas é bem acima da média: é empolgante, bem coreografado, bem filmado, e Ana de Armas está excelente.

Bailarina se passa entre John Wick 3 e 4. Eve é resgatada, ainda criança, e levada para ser uma Ruska Roma e virar uma assassina. Acompanhamos seu treinamento e depois a vemos em ação. Até que resolve sair numa jornada de vingança.

Heu tive um problema que é parte minha incompetência, parte erro de casting. O filme começa com um flashback com a protagonista criança. Aparece o líder dos vilões, interpretado pelo Gabriel Byrne com muita maquiagem. Tanta maquiagem que achei que era o Ian McShane, gerente do Hotel Continental, presente em todos os filmes da franquia. O filme segue, ela vai embora com esse cara, e tempos depois diz que quer se vingar. Pensei, “ué, mas não foi ele que estava lá?” Aí mostra o personagem do Gabriel Byrne, e reparei que eram duas pessoas diferentes. Mas passei boa parte do filme confuso, achando que era o mesmo ator. Ok, parte da culpa é minha, sou um péssimo fisionomista. Mas, poxa, podiam ter colocado atores mais diferentes! Não só eles são parecidos como ainda têm postura semelhante.

Além disso, outra coisa me incomodou. Aprendemos nos outros filmes que o Hotel Continental está em trégua permanente. Se um cara com a cabeça a prêmio por 2 milhões está dentro do hotel, não pode ser assassinado. Mas aí aumentam pra 4 milhões e as pessoas resolvem ir matá-lo. Oi? Por que diabos aquelas pessoas foram até o quarto do cara e começaram a atirar???

Por fim, um mimimi. No treinamento da Eve, a treinadora fala que ela pode trapacear pra ganhar. Aí ela ganha de um cara com um chute no saco dele. Sério que querem dizer que o melhor que ela consegue é um truque sujo? Não seria bem melhor mostrar que ela venceu a luta porque é habilidosa, em vez de ter que apelar pra golpes baixos?

Relatei alguns problemas, mas achei o resultado de Bailarina bem acima da média. Como acontece nos quatro John Wick, são diversas sequências de lutas, e todas elas muito bem coreografadas. Dá gosto de ver cenas de luta assim!

Não acredito que vou falar agora seja spoiler, porque está no trailer e até no cartaz. Mas sim, aparece o próprio John Wick. E preciso dizer que tive sensações dúbias sobre a participação do Keanu Reeves. Porque por um lado é sempre legal vê-lo em ação; mas por outro, não precisava. Se você tirá-lo, o filme não perde nada. Seria um filme legal sem o “dono da franquia”.

No elenco, Ana de Armas está sensacional. Linda linda linda, e convence nas cenas de tiro porrada e bomba. Keanu Reeves, Ian McShane, Lance Reddick e Anjelica Huston voltam aos papéis que já tinham feito nos filmes da franquia. De novidade, temos Norman Reedus, Catalina Sandino Moreno e Gabriel Byrne (que não está mal, mas, como falei, deveria ser outro ator). E, prestem atenção, a concierge do hotel em Praga é Anne Parillaud, sim, a Nikita do filme de 1990!

Bailarina estreia esta semana nos cinemas. Boa opção pra quem gosta de filmes de ação. Claro que o filme termina com um gancho pra continuação. Que mantenham a qualidade e venham outros!

A Fonte da Juventude

Crítica – A Fonte da Juventude

Sinopse (imdb): Dois irmãos afastados unem forças para buscar a lendária Fonte da Juventude. Usando pistas históricas, eles embarcam em uma jornada épica repleta de aventuras. Se forem bem-sucedidos, a mítica fonte poderá lhes conceder a imortalidade.

Pensa num cara que trabalha muito. Entre 2019 e 2024, Guy Ritchie dirigiu seis longas e dois episódios de série. Lembro que um tempo atrás todo ano tinha filme do Woody Allen, mas eram filmes “pequenos”, com poucas locações e pouca produção, teoricamente mais fáceis. Ritchie fez Aladdin, Magnatas do Crime, Infiltrado, Esquema de Risco, O Pacto e Guerra sem Regras – nenhum filme “pequeno”.

Mais um ano, mais um filme. A Fonte da Juventude (Fountain of Youth, no original) é o sétimo longa dele em sete anos.

(Detalhe que heu coloquei outro projeto dele na minha lista de expectativas para 2025. Será que ele ainda lança mais um este ano?)

A Fonte da Juventude é um filme de aventura genérico seguindo a onda dos filmes do Indiana Jones, ou, A Lenda do Tesouro Perdido (que é um filme que se passa nos dias atuais). Um caçador de antiguidades, meio estudioso, meio mercenário, chama sua irmã, que trabalha em um museu, para formar um time que vai procurar a fonte da juventude, tudo bancado por um bilionário doente. Enquanto isso, uma misteriosa mulher tenta impedi-lo.

Sou fã do Guy Ritchie, vi quase todos os seus filmes (só não vi o que ele fez com a Madonna), vou continuar vendo, mas… A Fonte da Juventude nem parece feito por ele. É bem filmado, mas é tão genérico que qualquer diretor poderia ter feito. (E esse problema aconteceu algumas vezes nos últimos anos…)

Tem outro problema, aliás, bem parecido com o que acontece em Guerra Sem Regras. O filme começa bem, mas lá pelo terço final o roteiro se perde e o filme não termina tão bem assim. Aqui, rola um tiroteio meio sem sentido, alguns personagens têm atitudes meio forçadas, e achei muito over existirem steel drums dentro de uma pirâmide há 3 mil anos (o instrumento foi criado em Trinidad e Tobago há menos de 200 anos!).

Como acontece frequentemente em filmes de streaming, A Fonte da Juventude tem três nomes grandes encabeçando o elenco: John Krasinski, Natalie Portman e Eiza González. E ainda tem o Domhnall Gleeson num papel grande e o Stanley Tucci numa ponta. Bom elenco, mas é daquele tipo de filme que não exige muito dos atores.

Agora, talvez fosse melhor se o Guy Ritchie fizesse menos filmes mas focasse mais na qualidade deles. Desses sete dos últimos anos, gosto muito de dois (Magnatas do Crime e Infiltrados), mas tenho reticências com os outros cinco.

Sim, o filme tem uma queda no meio, sim, Guy Ritchie já fez coisa melhor, mas, pelo menos, o resultado não ficou muito ruim. Tecnicamente o filme é bem feito, os atores são bons, e a gente é levado pela trama. Acredito que quem for assistir sem grandes expectativas pode se divertir por duas horas. Só fica aquela sensação de que podia ter sido bem melhor…