A sessão de cinema mais louca da minha vida

A sessão de cinema mais louca da minha vida

Para comemorar o marco de mil inscritos, fiz uma enquete para saber qual seria o tema do vídeo. O tema que ganhou foi falar de algo pessoal em vez de uma análise de filme. Como este é um canal onde falo de cinema, que tal uma história que envolva cinema?

Vamulá. Já contei aqui sobre o Festival do Rio, que é um festival de cinema que acontece todos os anos, onde temos centenas de filmes ao longo de duas semanas. Mas, o que acontecia antes de existir o Festival do Rio? Vamos voltar um pouco na história.

Existia o FestRio. A última edição foi em 1987, heu tinha 16 anos, não acompanhei muito o FestRio – aliás, lembro de uma história que rolou nos corredores do Estação Botafogo, que não sei se foi verdade ou não, que o FestRio iria pra uma cidade do Nordeste, acho que Recife ou Fortaleza, o que não fazia o menor sentido. Com o fim do FestRio, o Estação Botafogo, que aquela época já ocupava um papel de protagonismo no cinema alternativo carioca, criou um festival nos mesmos moldes, a Mostra Banco Nacional, que durou de 1988 até 1998 (a partir de 99, a Mostra se juntou ao Rio Cine e virou o Festival do Rio que existe até hoje).

Assim como o Festival do Rio, a Mostra Banco Nacional era dividida em mostras temáticas. E na edição de 1994 teve uma mostra de filmes trash. E ainda teve o Roger Corman de convidado!

O Estação Botafogo tem 3 salas. A sala 1 é um cinema de tamanho “normal”, são 249 lugares. As outras duas salas são bem menores, 32 lugares na sala 2 e 66 na sala 3. A mostra trash era na sala 3, e, não me lembro por que, tinha ingressos mais baratos que o resto do festival. E heu ainda pagava meia entrada, heu era estudante da UFRJ na época!

Então, vamos ao dia onde passei 13 horas vendo filmes. Ok, não foram 13 horas direto, como o cinema era ao lado da minha casa, quando tinha um intervalo de 10 ou 15 minutos entre uma sessão e outra, dava pra dar um pulinho em casa. Sendo assim, me planejei pra ficar boa parte do dia no cinema.

O primeiro filme não era trash, era um filme da programação “normal”: Xeque Mate. Não me lembro absolutamente de nada deste filme, só me lembro que quis ver porque era o novo filme do Jim McBride, que tinha feito A Fera do Rock alguns anos antes, e também porque o horário era compatível com a maratona trash que viria a seguir.

Não me lembro exatamente quais eram os filmes depois. Achei pelo google uma lista da versão paulista da mostra, e não tenho certeza de quais eram os filmes que vi. Lembro de um Sinthia, a Boneca do Diabo, porque estava com um amigo e a gente tinha uma amiga chamada Cintia. E lembro que logo antes deste Sinthia, vimos Roger Corman passando pelo corredor, em direção à sala 1. (Hoje acho que heu iria ver o filme na sala 1 com a presença do Corman…)

Mas um dos pontos altos do evento começaria logo depois de Sinthia. Sabe The Rocky Horror Picture Show, que a galera faz sessões interativas, onde os espectadores interagem com o que acontece no filme? Pois bem, o filme seguinte era Papai Noel Conquista os Marcianos, um filme bobo, com uma trama absurda, onde o rei de Marte captura o Papai Noel. Mas, a pequena sala 3 do Estação Botafogo estava lotada, e TODOS os espectadores entraram na pilha de fazer troça do filme. Foi uma sessão divertidíssima, parecia que era um grupo de amigos de muitos anos, revendo o mesmo filme de sempre – mas não, ninguém se conhecia, só entramos na mesma pilha de galhofa.

A sessão foi tão marcante que, depois do filme, a organização da Mostra veio nos falar que o cara que trouxe os filmes trash tinha ficado impressionado e que nos ofereceria uma sessão dupla, de graça, depois da última sessão naquele dia!

Ainda teve um filme na programação oficial, não me lembro qual. Pode ter sido Carne e Sedução, pode ter sido Juventude Revoltada, pode ter sido A Caveira – achei esses nomes naquela lista paralela paulista. Mas, sinceramente, não me lembro.

O filme seguinte era o primeiro dos dois extras. Era um filme “inédito”, A Gangue das Garotas, de 1954. A história que contaram pra gente no dia foi que fizeram esse filme como uma peça educativa para alertar sobre o uso de heroína, mas, justamente porque mostrava pessoas se drogando, o filme teria sido proibido. Anos se passaram, acharam uma cópia, e estávamos vendo o “lançamento” de um filme feito 40 anos antes.

Mas o segundo ponto alto do evento estava por vir. Durante a exibição de A Gangue das Garotas, o projetor começou a dar um defeito e agarrava o filme. Quando começou o segundo filme extra, 2000 Maníacos, o projetor estava agarrando e o som ficou inaudível. O som fazia um “uóóóuóóóuóóó” o tempo todo, e ninguém conseguia entender o que estava sendo dito.

Para qualquer plateia normal, isso seria uma má notícia e a sessão seria cancelada. Mas, boa parte da plateia de Papai Noel Conquista os Marcianos estava presente. E todos continuavam no mesmo clima de galhofa. Ou seja, o “uóóóuóóóuóóó” era motivo de risos na plateia. Digo mais: em determinado momento, o som voltou ao normal, e a sala inteira, quase em uníssono, soltou um “ahnnn…” de lamento… E, pouco depois, o “uóóóuóóóuóóó” voltou, e todos comemoraram batendo palmas!

Por volta de 02h da madrugada a sessão acabou. Nada mal pra quem tinha chegado no cinema às 13h.

Boba Fett e o mimimi nerd

Boba Fett e o mimimi nerd

Heu estava esperando o fim da série The Book Of Boba Fett pra fazer um texto sobre toda a temporada. Mas essa semana os nerds chatos estão tão chatos que resolvi antecipar e fazer um post só pra falar do mimimi nerd.

Está rolando um hate geral pela série, e não consigo entender por que. Parece que é hate só pelo prazer de hate – tipo o que rolou com o filme do Han Solo, uma divertida aventura espacial, cheia de fan services, mas que tem muito fã que gosta de dizer que é ruim só pelo prazer de ser chato.

Me mandaram um link de um cara que escreveu pro uol – não é um blog pessoal, é o uol! O cara escreveu falando mal, mas parece que o cara não viu a série. Por exemplo, ele fala que determinado momento do episódio tem uma luta onde duas pessoas estão cercadas por seis oponentes, e que os oponentes “começam a cair no chão”. Caramba, chegaram reforços, dois gamorreanos entraram na luta! Amigo, larga o celular e presta atenção no que tá na tela!

O carinha do uol reclama que uma série do Boba Fett já começa errado porque o personagem morreu. Ué, a gente vê logo no início do primeiro episódio como ele se salvou. Por outro lado, o Imperador Palpatine morreu no Retorno do Jedi e volta no episódio 9, e ninguém falou nada. Pior ainda: Darth Maul morreu, a gente viu o cara cortado no meio, e ele volta  em Clone Wars e em Han Solo. E em nenhum desses dois casos explicaram como é que os personagens voltaram à vida.

Cheguei a ler o absurdo de gente criticando The Book of Boba Fett porque alguns personagens têm motos coloridas. Seriously? Se as motos power rangers forem a pior crítica que vocês conseguem achar, a média tá boa.

Até o episódio quatro, estava rolando um mandela effect sobre a direção dos episódios. Recebi comentários vindo de três fontes diferentes a informação de que Robert Rodriguez seria o diretor de todos os episódios. Galera, vocês não leem os créditos? O nome do Robert Rodriguez aparece no primeiro e no terceiro episódios. O segundo foi dirigido por Steph Green, e o quarto, por Kevin Tancharoen. Rodriguez ainda vai dirigir pelo menos mais um, mas não é tudo dele!

O quinto episódio (dirigido pela Bryce Dallas Howard) é bem diferente dos anteriores (e concordo que é bem melhor). Os haters aproveitaram pra dizer “é melhor porque tem o Mandaloriano em vez do Boba Fett!”. Gente, vocês precisam entender que o Mandaloriano existe POR CAUSA do Boba Fett. Fett foi um personagem secundário que apareceu no fim de Império Contra Ataca e início de Retorno do Jedi, e que caiu na graça dos fãs. Os fãs começaram a criar um culto ao personagem – tanto que ele ganhou importância na trilogia prequel. Se a gente teve a excelente série The Mandalorian, precisamos agradecer à existência do Boba Fett. Sem ele, não teria Baby Yoda!

(E, lembrando que a primeira aparição do Boba Fett foi no Star Wars Holiday Special, a gente chega à conclusão que quem gosta do Grogu precisa respeitar o Holiday Special!)

Alguns haters sob o efeito do mandela effect disseram que o quinto episódio foi melhor porque a Bruce Dallas Howard dirigiu episódios de The Mandalorian. Verdade. Mas Robert Rodriguez também dirigiu! Galera, se esforcem mais nos argumentos hater!

Detesto usar o argumento do “nerd velho”, que é quando uma pessoa argumenta que é mais fã porque viu a trilogia clássica no cinema. Acho que todo mundo tem direito de ser fã, seja o cara que estava lá no cinema em 1978, seja o cara que só conheceu tudo depois do streaming. Todo mundo é fã, ponto. Dito isso… Preciso usar a carta do nerd velho. Heu vi O Retorno do Jedi no cinema em 1983, e esperei 16 anos por um novo filme da saga. A gente viu Caravana da Coragem no cinema achando que era continuação do Retorno do Jedi! E, depois de esperar 16 anos, a gente viu um filme com o Jar Jar Binks! E viu mais de uma vez, e depois comprou o DVD!!! O “nerd novo” tá mal acostumado, desde que a Disney comprou Star Wars em 2012, foram cinco filmes nos cinemas e três temporadas de séries – e não estou contando as animações. Pô, galera, tem material pra caramba, dá pra todo mundo ser feliz, se você não quiser ver um deles, é só não ver.

Quem não quiser gostar de The Book of Boba Fett, não goste. Gosto é pessoal, goste do que você quiser.
Mas não encha o saco!

Cineclubismo

Cineclubismo

Hoje vou falar de um estilo de se consumir cinema.

Nasci em 71, acabei de fazer 50 anos. Nasci no Rio, mas me mudei ainda criança pra Petrópolis. Lá, quando tinha meus 12, 13 anos, já curtia muito cinema, já via quase tudo o que passava nos poucos cinemas da cidade.

Quando tinha 14, entre 85 e 86, me mudei de volta pro Rio, e ao lado da minha nova casa tinha um cinema em reforma. Um cinema que abriria em breve e que entraria na história do cinema brasileiro, o Cineclube Estação Botafogo.

(Na wikipedia fala que o Estação abriu em agosto de 85, mas na minha memória, lembro de um cinema fechado, e só me mudei no fim do ano. E agora?)

Mas, o mês pouco importa. O que importa é que o cineclube Estação Botafogo estava sendo aberto, ao lado da minha casa, e heu era um adolescente com poucos amigos e muito tempo livre.

O Estação Botafogo virou minha segunda casa.

E por que o Estação era diferente dos outros cinemas? É aqui que entra o tema deste texto: a programação era de cineclube. De vez em quando tinha um filme em cartaz, mas uma coisa que tinha muitas vezes eram pequenas mostras temáticas. Tipo, semana Francis Ford Copola. Um dia tinha O Fundo do Coração às 16h e às 20h, e O Selvagem da Motocicleta às 18h e às 22h. No dia seguinte tinha Hammet às 16h e às 20h, e Outsiders às 18h e às 22h. Aí, na semana seguinte, tinha semana Nastassja Kinski. Um dia tinha Infielmente Tua e Paris Texas; no outro dia tinha Tess e Hotel New Hampshire

(Essa “programação” é um exemplo, vi esses filmes todos lá, mas não tenho como me lembrar exatamente qual dia tinha qual filme).

O Estação foi o meu primeiro contato com Felini, Pasolini, Fassbinder, Wim Wenders, Jim Jarmusch, Buñuel, Goddard – heu estava no lado errado da música Eduardo e Mônica, porque heu tinha 16, e preferia ver o filme do Goddard. No Estação, via filmes do Luc Besson antes dele fazer filmes de ação americanos; no Estação vi um filme de um diretor tex mex, que dizia que seu filme tinha custado apenas 7 mil dólares – Robert Rodriguez e seu El Mariachi. Vi muito, muito, muito filme. Aprendi muita coisa sobre cinema lá.

A importância do Estação Botafogo cresceu, heu não era o único que frequentava aquele lugar. O grupo Estação começou a cuidar da programação de outras salas, lembro de ter lido uma matéria no jornal falando que nos anos 90 o Estação juntou 3 décadas de cinéfilos cariocas, porque faziam parte do grupo o Estação Cinema 1, em Copacabana, que foi point de cinéfilos nos anos 60, e o Estação Paissandu, no Flamengo, que foi point de cinéfilos nos anos 70. E tinha o Estação Ipanema, salas no shopping da Gávea, na Barra, em Niterói, no Museu da República. o Estação virou um grupo exibidor, parte do circuito carioca – e longe da proposta inicial de cineclube.

Hoje acredito que não exista mais espaço pra esse tipo de cinema. Naquela época, alguns filmes eram difíceis de se ver. Não tinha internet, não tinha tv a cabo, não tinha dvd, e as locadoras tinham poucos títulos. Hoje tem TUDO à disposição – se não tiver no streaming, vai ter no torrent. Quem iria ao cinema ver “filme velho”?

Mas, saudosista que sou, convidei uns amigos e ouvintes do Podcrastinadores e criei um grupo pra ver filmes velhos e bater papo sobre eles. Se alguém se interessar em participar, me avisa!

A banalização do zumbi

banalização do zumbiArtigo: A banalização do zumbi

(Publiquei este artigo em 2013, no extinto site tbbt.com.br. Lembrei dele quando estava escrevendo o texto sobre Invasão Zumbi, que vou postar amanhã. O texto foi escrito três anos atrás, mas ainda está atual!)

Em primeiro lugar, queria dizer que sou fã do George Romero e de todos os seus seis filmes de zumbi. Também sou fã do hilariante A Volta dos Mortos Vivos, do genial Dan O’Bannon. E também de A Maldição dos Mortos Vivos, filme do Wes Craven que mostra zumbis “corretos”. E também dos primeiros Resident Evil, filmes-pipoca de porrada em zumbi. Sou fã até dos dois Extermínio, que não são filmes de zumbi, mas têm infectados que lembram mortos vivos.

Disse tudo isso pra poder afirmar: não aguento mais filmes de zumbi!

Zumbi tá na moda. É Walking Dead na TV, é comédia adolescente de zumbi nos cinemas, rola até a Zombie Walk, uma parada com pessoas fantasiadas de zumbis. Mas você já parou pra pensar que um zumbi não tem muito sentido?

Gosto dos filmes de zumbi, mas admito que, conceitualmente, é um monstro fraco. Explico. Vamos lá: o cara morre, e volta à vida, lento e abobalhado, com um único propósito neste novo pós vida: comer gente viva (conheço gente assim que não morreu, mas é assunto pra outro post). Dá pra fazer uma meia dúzia de filmes, mas não dá pra aprofundar muito no conceito. Vampiros e lobisomens são mais complexos. Heu, particularmente, tenho mais medo do apocalipse boitatá…

Mas, vem cá, o que exatamente volta à funcionar? Se ele tem funções motoras, é porque o cérebro ainda funciona. E se funciona, por que os zumbis são abestalhados?

(Acho que os únicos zumbis “corretos’ são os d’A Volta dos Mortos Vivos, que pensam, falam e só comem cérebros…)

Admito que o apocalipse zumbi traz possibilidades interessantes em termos de roteiro – as boas histórias focam mais nas relações humanas entre os sobreviventes, o que pode gerar bons dramas – imagine um familiar seu se transformar num monstro irracional? Mas, que tal a gente começar a usar outras catástrofes apocalípticas?

Pra piorar, como está na moda, a gente vê um monte de gente “pelas internetes da vida” falando do apocalipse zumbi como se fosse algo tão fácil de acontecer quanto uma catástrofe climática ou um grande desastre natural. Menos, galera. Zumbis são ficção, a chance de um apocalipse zumbi é a mesma de uma invasão de vampiros ou lobisomens. Ou quem sabe, uma manada de unicórnios raivosos assassinos?

E aí a gente começa a pegar implicância com alguns conceitos básicos de zumbis. Vamos a alguns pontos:

– Um zumbi persegue os humanos vivos e os come, certo? Mas, eles engolem o que mastigam? Zumbis ainda têm movimentos peristálticos? E – dúvida técnica – zumbis fazem necessidades depois?

– Por que um zumbi come? Não deve ser fome. Ele tá morto. Mortos não sentem fome.

– Se um zumbi ataca um humano por comida, por que ele não come o colega zumbi que está ao lado? Como um zumbi vai identificar quem tá morto e quem tá vivo?

– Uma coisa nunca ficou definida: o que exatamente transforma uma pessoa em zumbi? (Tirando algumas honrosas exceções, como… olha lá o Walking Dead de novo!) Se é algo que está no ar, como vai atingir aqueles que já estão mortos? O cara tá morto, não respira mais, não interage com o meio ambiente.

– Por fim: gosto da refilmagem de Despertar dos Mortos. Mas um zumbi que corre não rola. De onde o amigo morto vivo vai tirar energia para correr? E, na boa, se um dia aparecer um zumbi que corre, já era, meu irmão. Eles são rápidos e não se cansam…

Comic Con Experience 2015

Heu na CCXPHeu VI! na Comic Con Experience 2015

Uma convenção do tamanho da CCXP – Comic Con Experience é um evento onde é impossível de se ver tudo. Tem muita coisa acontecendo simultaneamente. Um estudo da programação é importante! Procurei o que era ligado a cinema, claro. E consegui acompanhar quatro painéis.

Cauã Reymond, o “Mad Max brasileiro”

Cauã Reymond e o diretor Homero Olivetto vieram apresentar Reza a Lenda, o “Mad Max brasileiro”. Vimos o trailer, um trecho de sete minutos, e alguns detalhes de efeitos especiais. Se o trailer lembra muito os filmes do Mad Max, o diretor Homero explicou que, apesar do visual parecido, a história é bem diferente. Reza a Lenda será lançado no início do ano, poderemos verificar se é diferente ou não. Mas independente disso, acho uma boa notícia termos mais um filme brasileiro de ação tecnicamente bem feito – como tivemos há pouco com Operações Especiais.

O “power ranger” Steve Cardenas

Em outro auditório, Steve Cardenas, o Rocky DeSantos dos Power Rangers, levou ao delírio uma plateia que mostrou que Power Rangers ainda teria espaço nas telas de TV e do cinema. Cardenas comentou que sua carreira de ator veio meio por acidente – ele só atuou em filmes e séries dos Power Rangers, nada além disso – hoje ele trabalha como professor de artes marciais (ele usava uma camisa escrita “Rio de Jiu Jitsu“). Cardenas comentou que começou a praticar artes marciais por causa do Karate Kid e que se emocionou no dia que encontrou Ralph Macchio e por isso ele respeita cada momento que cada fã tem quando o encontra.

Auditório principal

Voltando ao auditório grande, a Sony apresentava cinco grandes lançamentos para 2016: Inferno (continuação de Código Da Vinci), a refilmagem de Ghostbusters, a versão zumbi para o clássico de Jane Austen, Orgulho, Preconceito e Zumbis , a ficção científica apocalíptica A Quinta Onda (com direito a mensagens gravadas exclusivamente pela atriz Chloe Grace Moretz para o público brasileiro), e Angry Birds, num momento que teve participação de Dani Calabresa, que será uma das dubladoras. Se por um lado foi legal ver trechos inéditos de filmes novos, por outro, a Sony poderia ter escolhido trechos mais empolgantes. O trailer de A Quinta Onda foi muito mais empolgante que as cenas inéditas…

Evangeline Lilly

Evangeline Lilly

A última atração do auditório principal era Evangeline Lilly, de Lost, O Hobbit e Homem Formiga, que veio ao Brasil lançar um livro infantil, Os Molambolengos. Exibindo muita simpatia, Evangeline foi ovacionada de pé pelo auditório lotado, mesmo quando explicou que virou atriz “sem querer” e que sempre quis ser escritora.

Findo o primeiro dia de convenção, não existia melhor lugar para visitar que um restaurante temático de Star Wars!

Galera Jedi no Star Wars Burger! Tudo nerd! Star Wars na veia!

Galera Jedi no restaurante “Jedi’s”! Tudo nerd! Star Wars na veia!

 

Como o CGI Mudou o Plano-sequência

Festim Diabólico

Cena de Festim Diabólico

Como o CGI Mudou o Plano-sequência

Antes de tudo, vamos a uma definição de plano-sequência. Segundo o wikipedia, é “um plano que registra a ação de uma sequência inteira, sem cortes“. Ou seja, uma sequência onde a câmera passeia pela cena em um único take.

Não se sabe quando o cinema começou a dar importância aos planos-sequência. Mas queria citar dois clássicos famosos. Primeiro, claro, o filme Festim Diabólico, onde Alfred Hitchcock concebeu um longa metragem como se fosse um único plano. Claro, temos alguns cortes mas, mesmo assim, o filme, feito em 1948, impressiona até hoje. E também queria falar da abertura de A Marca da Maldade, de 1958, onde Orson Welles passeou com a câmera por algumas dezenas de pessoas e vários carros em movimento, incluindo um take do alto de uma grua.

Nos anos 90 e 00, com novas câmeras e novas técnicas, alguns diretores arriscavam planos-sequência cada vez mais ousados, como vimos em Os Bons Companheiros (Martin Scorsese, 1990), Fervura Máxima (John Woo, 92), Boogie Nights (Paul Thomas Anderson, 97), Olhos de Serpente (Brian de Palma, 98), Oldboy (Chan-wook Park, 2003) e Fihos da Esperança (Alfonso Cuarón, 06) – isso porque não estou falando da Arca Russa (2002), teoricamente filmado em um único plano-sequência de 96 minutos!

Até que – não sei exatamente quando – descobriram que o cgi poderia ajudar a continuidade. Um cgi discreto, mais próximo do Forrest Gump de Robert Zemeckis – um efeito que está lá para não aparecer. O cgi neste caso auxilia a arte do cinema, em vez de tentar substituí-la (como acontece com alguns filmes por aí, que são apenas efeitos especiais, sem conteúdo). Atualmente o cgi é usado para ajudar o plano-sequência, a fim de parecer que tudo foi feito em um único take, mesmo que existam cortes ao longo do processo.

Não li em lugar nenhum, mas desconfio que o plano-sequência de Presságio (2009), quando Nicolas Cage anda pelos destroços de um avião que acabou de cair, seja um desses casos onde o cgi ajudou. O mesmo penso sobre o filme uruguaio A Casa (2010), filmado inteiramente em um único take. Em ambos os casos, não li nenhuma informação sobre cortes, mas acredito que existam. E mesmo que existam, não tiro o mérito dos realizadores, pois, mesmo com cgi, o plano-sequência ainda precisa de um minucioso planejamento.

É aí que entra a beleza do novo conceito de plano-sequência. Antes, o desafio era técnico: como fazer tudo no set fluir ao longo do take, porque se alguém erra, todos recomeçam do zero. Agora o desafio é a concepção: como bolar um plano-sequência cada vez mais criativo e, se precisar, usar o cgi para unir os takes e apagar os erros.

Um exemplo disso é a cena da perseguição em As Aventuras de Tintim (2011). Aquilo é animação, então não tem problema alguém errar no meio do “take”. E, mesmo assim, o plano-sequência é genial! O recente 300: A Ascenção do Império  (2014) tem um plano-sequência do mesmo estilo – o cavalo passa pelo fogo, cai na água, etc – acredito que quase tudo aquilo foi desenhado no computador.

Em Operação Invasão 2 (2014) temos um take que começa dentro de um carro em alta velocidade, a câmera sai pela janela, entra no carro de trás, e sai pela janela do outro lado do carro – sem nenhum corte! Neste caso, o cgi foi usado apenas para criar uma porta no segundo carro – que não tinha porta para facilitar a entrada da câmera. E A Casa Silenciosa, a refilmagem hollywoodiana de A Casa, também é um único take, mas os produtores admitiram que fizeram planos de aproximadamente oito minutos (o que já é bastante) e depois emendaram digitalmente.

Enfim chegamos aos dois exemplos recentes mais impressionantes. Gravidade, que levou 7 Oscars ano passado, tem planos-sequência geniais, onde provavelmente tudo (menos os rostos dos atores) foi feito no computador: a câmera flutua no espaço, dá cambalhotas, entra no capacete e sai pelo outro lado… Qual a diferença técnica entre isso e uma sequência com vários cortes, já que tudo é digital?

Um ano depois vemos Birdman, de Alejandro González Iñárritu, que está concorrendo a 9 Oscars este ano: um longa de duas horas onde temos um plano-sequência que dura quase o filme todo (tem uma meia dúzia de planos curtos perto do fim). Claro que Birdman não foi filmado em um take único, temos passagens temporais claras (o filme se passa ao longo de três dias). Só que todas essas emendas foram apagadas por cgi, o filme todo flui sem cortes.

Se antes o plano-sequência já era impressionante, agora com o cgi os realizadores podem sonhar alto e impressionar mais ainda. Que venham mais planos-sequência deste nível! Que mais diretores usem os efeitos digitais para melhorar sua arte!

Lucasfilm & Disney

Lucasfilm & Disney

Esta semana, o mundo nerd parou com a notícia da compra da Lucasfilm pela Disney por 4 bilhões de dólares. Pela internet, 9 em cada 10 comentários são negativos. Não entendi por que estão reclamando. Achei a notícia excelente!

A maioria dos detratores cita o Mickey e os desenhos musicais da Disney. Parece que eles não se tocaram que a Disney é muito maior que isso. Vamos ao “Império Disney”?

– A Disney produz longa-metragens “live action” (com atores) de aventura e ficção científica, como Tron – O Legado, John Carter e a série Piratas do Caribe;

– Recentemente a Disney comprou a Marvel. Os Vingadores, um dos melhores filmes de 2012, é Disney.

– A Disney comprou a Pixar. E tirando raros momentos (Carros 2?), ninguém pode questionar a qualidade da Pixar.

– A Disney era dona da Miramax. Pulp Fiction, O Paciente Inglês e Shakespeare Apaixonado são Disney…

Agora voltemos à Lucasfilm. Na época do Star Wars Ep I – A Ameaça Fantasma, ficou claro que George Lucas precisava de alguém para aconselhá-lo. Imaginem uma situação hipotética: Lucas termina o filme, e alguém dá as seguintes dicas para ele:

“Pô, George, o seu filme novo é legal, mas na minha humilde opinião, com três pequenas mudanças, ele ficaria ainda melhor:
– Bacana a ideia do Jar Jar Binks, um personagem digital. Legal isso. Mas ficou over, ele aparece o tempo todo. Que tal cortar pelo menos metade do seu tempo de tela?
– Pra compensar, aumente a participação do Darth Maul. É um vilão muito bom. Tão bom que até merece destaque num futuro poster do filme. 😉
– GL, lembra que você tinha desistido de dirigir, ainda nos anos 70, porque você mesmo assumiu que não gosta de atores? Por que você não faz que nem fez com O Império Contra-Ataca e O Retorno do Jedi, quando contratou diretores de aluguel pra lidarem com o elenco? Aí você aproveita e foca no que você faz melhor: o universo de Star Wars.

Imaginem se o Ep I fosse assim…

Ah, tem outra coisa: nós somos “burros velhos”, que curtimos a trilogia clássica quanddo éramos crianças. A criançada hoje em dia prefere a trilogia nova e os desenhos Clone Wars. Pode ser difícil de admitir, mas o universo Star Wars é direcionado ao público infanto juvenil. Agora me digam: existe alguém melhor para gerir um negócio de entretenimento infanto juvenil do que a Disney?

Alguns fãs rabugentos estão reclamando porque a Disney avisou que usaria histórias inéditas em vez de usar as já conhecidas do Universo Expandido – existe uma série de livros contando os possíveis episódios 7, 8 e 9, os livros “Herdeiros do Império”, escritos por Timothy Zahn, livros muito bons, por sinal. Mas, gente, o Lucas já tinha dito que não usaria os livros do Zahn, por que a Disney usaria? Tá, seria legal se um dia esses livros virassem um filme, mas isso é sonho de fã, né?

Vejo a situação assim: George Lucas fez bem em ter vendido seu estúdio pra quem vendeu. A Disney tem gente competente no seu staff, e, principalmente, dinheiro, muito dinheiro. Finalmente poderemos ver novos filmes da saga Guerra nas Estrelas, feito por quem é especialista em entretenimento infanto juvenil.

Uma recomendação aos fãs xiitas: relaxem e deixem a Disney trabalhar. Esperem os resultados antes de falar mal. E lembrem-se: dificilmente veremos algo pior do que o Jar Jar Binks…

Oscar 2012 – Comentários Nerds

(Escrevi este texto para o site TBBT. Como o assunto é cinema, resolvi publicar aqui também!)

Oscar 2012 – Comentários Nerds

Duas semanas atrás rolou a entrega do Oscar, o prêmio maior do cinema mundial. Pra ver a lista de ganhadores, é só dar uma googleada básica. Para fazer algo diferente do óbvio, vou fazer comentários nerds sobre alguns dos prêmios.

Melhor Filme

O Artista é um bom filme, o Oscar ficou em boas mãos. Se fosse para A Invenção de Hugo Cabret ou Meia Noite em Paris também seria justo. Pelo menos não foi pra Árvore da Vida, uma das picaretagens mais pretensiosas dos últimos tempos.

Melhor Diretor

Qualé, Academia? Michel Hazanavicius fez um belo trabalho com o seu O Artista, mas ele precisa comer muito arroz com feijão para barrar Martin Scorsese em qualquer disputa!

Melhor Ator

Jean Dujardin fez um bom trabalho em O Artista. O problema aqui é que alguns dos seus concorrentes têm currículos que falam mais alto. Gary Oldman foi Dracula, Beethoven, Sid Vicious, Sirius Black e Comissário Gordon; Brad Pitt esteve em 12 Macacos, Snatch, Clube da Luta, Seven, Bastardos Inglórios e Queime Depois de Ler. E nenhum dos dois tem Oscar…

Melhor Atriz

Muita gente reclamou que Meryl Streep estava todo ano na lista de indicadas ao Oscar – ela já foi indicada 17 vezes. Mas, convenhamos, há trinta anos ela não ganhava. E, convenhamos, foi merecido. Mas, se fosse a Rooney Mara por Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, não seria injustiça.

Melhor Longa Metragem de Animação

Aqui ficou fácil. Por causa de uma regra estranha da Academia, As Aventuras de Tintim, a melhor animação de 2011, não entrou no páreo – parece que animação por captura de movimento não entra na disputa. E, como 2011 foi a primeira vez que a Pixar nos decepcionou (Carros 2 é fraquinho), a disputa ficou fácil para Rango. Porque, afinal, ninguém viu Um Gato em Paris nem Chico & Rita; e Kung Fu Panda 2 e Gato de Botas podem ser divertidos, mas não podem ser “melhor animação do ano”.

Melhor Figurino

O único comentário que posso fazer aqui é que tinha um filme do Roland Emmerich (Anônimo) concorrendo a um prêmio que não é ligado a efeitos especiais…

Melhor Maquiagem

Ok, a Meryl Streep ficou igual à Margareth Tatcher, por isso A Dama de Ferro ganhou. Mas o Voldemort de Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 não tem nariz! Será que não merecia uma atenção maior?

Melhor Trilha Sonora

Tadinho do John Williams, ele estava indicado duas vezes (As Aventuras de Tintim e Cavalo de Guerra), mas perdeu… Ele só tem 5 estatuetas, apesar de ter sido indicado QUARENTA E SETE vezes… ¬¬
O prêmio ficou em boas mãos, a trilha de O Artista é uma das melhores coisas do filme.

Melhor Canção

Aqui vou contra a maré ufanista que torcia por um Oscar brasileiro. Apesar de gostar do Sergio Mendes, a concorrência era desleal. A música dos Muppets (“Man or Muppet”) tinha participação do Sheldon!

Melhores Efeitos Especiais

Ninguém pode falar mal dos efeitos especiais de A Invenção de Hugo Cabret. Mas o macaco Cesar de Planeta dos Macacos não ganhar foi estranho. Parece que a Academia olhou mais o filme do que o efeito em si.
E se Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 ganhasse nem ia ser tão injusto, afinal, existe um histórico de 8 filmes com bons serviços prestados aos efeitos especiais. Gigantes de Aço é bem feito, mas só isso; Transformers: O Lado Oculto da Lua tem que ficar feliz por ter sido indicado.

Melhor Ator Coadjuvante
(by Edu Starling)

Muita gente boa concorrendo, mas convenhamos que o pomposo Capitão Von Trapp interpretando o “surpreendente” pai (sem spoilers :D) do personagem Oliver (interpretado por Ewan McGregor) era prato feito pra Academia. No final das contas, foi uma belíssima homenagem a esse fantástico ator, que teve vários bons momentos nas telas mas pra mim fica na memória o general Chang (um klingon viciado em Shakespeare) em “Star Trek VI – The Undiscovered Country.

Melhor Direção de Arte

A Invenção de Hugo Cabret ganhou. E Harry Potter e as Relíquias da Morte completou oito filmes sem levar nenhum único Oscar, em nenhuma categoria…

Censura de volta?

Censura de volta?

O polêmico A Serbian Film (Srpski Film), filme sérvio barra-pesadíssima sobre a indústria pornô, estava na programação do Rio Fan. Mas foi CENSURADO pela Caixa Econômica Federal, dona do espaço onde está ocorrendo o festival. Lamentável!

O grupo Estação resolveu se meter pra ajudar, e marcou uma sessão de A Serbian Film para amanhã à noite, no Odeon. Ok, já que a Caixa tomou uma atitude lamentável, vamos consertar isso com uma exibição em outro lugar.

Mas… Em uma atitude ainda mais lamentável, a vara da infãncia emitiu um mandado judicial de apreensão do filme, cancelando assim a sessão! Ora, isso é CENSURA!!!

O pior sobre esse povo que tá por trás da CENSURA é que duvido que alguém tenha visto o filme. Devem estar se baseando em boatos.

Prezados senhores responsáveis pela CENSURA: A Serbian Film é um filme realmente muito pesado, um dos piores que já vi na minha vida. Fica lá, perto de Saló e de Irreversível. Mas em momento nenhum faz apologia a alguma coisa ruim. Justamente o contrário, você vê o filme e fica uma semana passando mal pelo que viu. Isso é motivo para o filme ser CENSURADO?

Olha, vi o filme em questão em agosto do ano passado. Achei um bom filme, mas não o recomendo para ninguém, justamente por ser extremamente pesado. Mas, péra lá, CENSURA? Voltamos à ditadura???

Lamentável…

p.s.: Amanhã começo a postar sobre os filmes do festival!

Oscar 2011

Oscar 2011

Ontem rolou o Oscar, e realmente, O Discurso do Rei confirmou o favoritismo. Ganhou só 4 estatuetas, mas foram 4 importantes: melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro original e melhor ator (Colin Firth) – os cinco prêmios mais importantes são considerados filme, diretor, roteiro, ator e atriz.

A Origem também ganhou 4 Oscars, mas foram 4 prêmios técnicos: efeitos especiais, fotografia, som e edição sonora. A Rede Social ganhou roteiro adaptado, trilha sonora e edição; O Vencedor ganhou ator coadjuvante (Christian Bale) e atriz coadjuvante (Melissa Leo); Toy Story 3 ganhou longa de animação e canção; Cisne Negro ganhou atriz (Natalie Portman); Alice no País das Maravilhas ganhou direção de arte e figurino; e O Lobisomem ganhou maquiagem.