Crítica – Sombras no Deserto
Sinopse (imdb): O filho, conhecido apenas como “O Menino”, é levado a duvidar por outra criança misteriosa e se rebela contra o seu guardião, o Carpinteiro, revelando poderes inatos e um destino além de sua compreensão.
Taí, um filme de terror com Jesus Cristo adolescente pode ser uma boa ideia.
Fui católico, mas não sou um grande entendedor de assuntos bíblicos. Mas sei que, oficialmente, a Bíblia fala do nascimento de Jesus e depois só fala dele depois dos 30 anos de idade. Teoricamente, tudo o que ele fez foi dos 30 aos 33. Fico imaginando uma história de ficção com Jesus aos 25 anos, trabalhando como carpinteiro como seu pai. Será que naquela época as pessoas se casavam cedo? Imagina se Jesus casou e teve filhos antes de descobrir sua vocação? Imagina uma história com um filho de Jesus sofrendo porque ficou órfão?
(Acho que se alguém escrevesse uma história dessas, mesmo dizendo que é ficção, seria cancelado…)
Em Sombras no Deserto (The Carpenter’s Son, no original), acompanhamos um casal com um filho recém nascido, que foge porque estão matando bebês. Anos se passam, o garoto agora é adolescente, quase adulto, e começa a descobrir que tem poderes milagrosos, quando acidentalmente cura um leproso.
Escrito e dirigido por Lotfy Nathan, Sombras no Deserto teoricamente é baseado no evangelho apócrifo de Tomé – um texto não oficial da Bíblia que conta sobre milagres realizados por Jesus ainda criança. Não entendo de evangelhos apócrifos, mas li no imdb que a trama aqui não tem muito a ver com o texto bíblico…
Mas, sabe qual é o problema? Tudo é muito raso. Sombras no Deserto falha em propor uma boa trama usando questionamentos em cima dos dogmas da igreja católica. E também falha em criar um clima de terror, não existe nada assustador aqui. É só um filme arrastado – e chato.
Nem tudo é ruim. A ambientação em locações no Egito é boa. E gostei de como mostraram o diabo. Quando o garoto é tentado, aparece para ele como uma menina jovem – mas quando outras pessoas veem o mesmo diabo, enxergam outras coisas.
Li no imdb que Robert Eggers teria dito que seria um desafio trabalhar com Nicolas Cage. Cage então teria pedido ao seu agente para procurar um roteiro o mais próximo possível aos filmes de Eggers. Deve ter sido assim que Cage entrou no elenco. Mas, não é um “filme do Nicolas Cage”, não temos exageros de over acting comuns no atual momento da carreira do astro. Noah Jupe (Um Lugar Silencioso) faz “o garoto”, que a gente sabe que é Jesus, mas o filme não quer assumir. FKA Twigs (O Corvo) é a mãe, mas está bem apagada, é uma das Marias mais sem graça da história do cinema. Também no elenco, Isla Johnston, gostei dela como a versão do diabo que interage com Jesus.
Sombras no Deserto podia ser um novo A Última Tentação de Cristo, provocando os dogmas cristãos. Mas faltou talento. Será um filme esquecido em pouco tempo.