Obsessão

Crítica – Obsessão

Sinopse (imdb): Quando um romântico incurável faz um pedido para que sua paixão de longa data se apaixone por ele, um encantamento sinistro se desencadeia.

A ideia aqui não é exatamente original. Aliás, heu poderia dizer que Obsessão (Obsession, no original) poderia ser um episódio de Twilight Zone.

Bear é um cara tímido, apaixonado pela amiga Nikki, que nunca deu sinal de que gosta dele. Numa loja de produtos esotéricos, ele acha uma espécie de amuleto, chamado One Wish Willow, que lhe permite fazer um desejo. Ele então deseja que ela passe a gostar dele. E a parada funciona, ou seja, ela passa a gostar dele – mas ela passa a gostar dele de uma maneira obsessiva. E claro que isso vai dar errado lá na frente.

Ok, já vimos essa história: o cara tem um desejo e quando esse desejo é realizado, outras coisas vêm junto com o desejo. E não são necessariamente coisas que ele desejou. Mas mesmo com uma premissa repetida, Obsessão funciona muito bem.

O diretor Curry Barker tem um certo nome com curtas independentes que estão no youtube, mas confesso que não conheço o trabalho dele. Mas com esse seu primeiro filme a ser lançado no circuito comercial, já dá pra ver que o cara tem um bom conteúdo para mostrar. Algumas das cenas aqui são muito bem filmadas. Heu particularmente gostei de uma cena logo no início da “feitiçaria” que aprisionou Nikki, onde ela está no escuro e só vemos o brilho dos seus olhos.

É uma produção independente de baixo orçamento, então, claro, não tem atores conhecidos. O protagonista Michael Johnston está bem, mas o destaque nitidamente é Inde Navarrette, a Nikki. Ela está sensacional, a personagem tem alterações de humor abruptas e a atriz consegue passar isso perfeitamente.

Heu falei que parece um episódio de série Twilight Zone, certo? Poizé, achei o filme longo demais. São quase duas horas de filme e não tem história pra tudo isso, heu achei que cansou um pouco. Acho que se cortasse uma meia hora, o filme ia ser bem melhor.

Este meu texto/vídeo está saindo atrasado, mas pelo menos tem uma vantagem: heu pude acompanhar o crescimento da exibição do filme nas salas do Rio de Janeiro. Na primeira semana não estava passando em nenhuma sala da Zona Sul, só Barra ou Zona Norte, e quase todas as sessões dubladas. Na segunda semana ele foi, legendado, para a rede Estação, em Botafogo e na Gávea. Tentei comprar ingresso para ver em Botafogo mas a sala estava lotada. Acabei comprando para a terceira semana e o filme já tinha mudado para outra sala, maior. Ou seja, o exibidor está descobrindo que esse filme realmente merece ser visto.

Se o início é um pouco arrastado, quando o filme engrena na parte final, o ritmo é muito bom. Heu quero comentar o final, então vou colocar um aviso de spoilers. Siga por sua conta e risco!

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Sarah, a amiga que gosta do Bear, recebeu uma carta da universidade que ela está querendo entrar, e ela quer abrir a carta junto com ele para ver se ela passou ou não. Os dois estão conversando no carro, e todo espectador acostumado com esse tipo de filme sabe que em algum momento a Nikki vai aparecer – seja para fazer um escândalo, seja para brigar, seja até para matar a Sarah – estamos falando de um amor obsessivo. Seria algo previsível a Nikki aparecer, mas acho que ninguém esperava o tamanho da violência com que Nikki ataca. Ela quebra o vidro do carro com uma pedra, apoia a pedra no volante e bate a cabeça da amiga seguidas vezes na pedra, até desfigurar completamente o rosto e matar a amiga. Obsessão não tem muitas cenas violentas, mas esta única cena é de uma violência gráfica extrema!

Bear vai pedir ajuda para Ian e leva um One Wish Willow, mas Ian pede um bilhão de dólares. Como era um único desejo por pessoa, Ian não pode mais salvar Bear. Bear volta para Nikki, Ian aparece, Nikki atira nele e o mata. Bear então se tranca no banheiro e resolve se matar, ingerindo vários comprimidos.

Heu quis fazer esse vídeo de final explicado porque não sei se todo mundo prestou atenção. Não é nada muito escondido: você ouve a musiquinha do One Wish Willow e depois vê o palitinho quebrado: Nikki desejou que Bear a amasse como ela o ama. Bear sai do banheiro, apaixonado, eles se abraçam, mas os comprimidos começam a fazer efeito e Bear morre. Quando ele morre, Nikki está finalmente libertada da “maldição” – mas agora está com três cadáveres em volta dela!

Se heu já estava gostando dessa parte do filme, quando chegou o final heu achei genial. Obsessão subiu alguns pontos quando começaram os créditos finais. Agora aguardo os novos filmes de Curry Barker e Inde Navarrette!

Mestres do Universo (2026)

Crítica – Mestres do Universo

Sinopse (imdb): Adam caiu na Terra quando era criança e perdeu a espada mágica que o ligava a Eternia. Quase 20 anos depois, ele a recupera e retorna ao seu planeta natal para protegê-lo do malvado Esqueleto, mas primeiro precisa desvendar seu passado.

Depois de anos de produções conturbadas, finalmente ficou pronta a nova adaptação de He-Man! Existem boatos sobre um novo filme desde 2007, quando rolaram rumores sobre uma versão a ser dirigida por John Woo. De lá pra cá, foram algumas tentativas, todas frustradas.

Neste novo Mestres do Universo, o príncipe Adam, ainda criança, é mandado para a Terra quando Eternia é atacada pelo Esqueleto. Quinze anos depois ele volta para Eternia e lidera a população contra as tropas do vilão.

Dirigido por Travis Knight (Kubo, Bumblebee), Mestres do Universo (Masters of the Universe, no original) é tudo aquilo que o nostálgico fã de He-Man estava querendo. Um filme leve e divertido, que respeita o material que já existe, e traz várias referências ao desenho. Mestres do Universo não quer reinventar a roda: apenas faz o básico para os fãs. (Aliás, rola uma participação do Dolph Lundgren – o He-Man do filme de 1987 – que é um exemplo perfeito de como respeitar uma franquia.)

Rolava um certo receio de trazer (de novo) a história para o planeta Terra – como aconteceu no injustiçado filme de 1987. Mas, se naquela ocasião, o filme se passa aqui por razões orçamentárias, aqui tem sentido dentro da história. E vou te falar que o Adam sendo criado na Terra gera algumas boas piadas quando ele confronta hábitos sociais de outro planeta.

Falando em Adam criança na Terra, uma sacada genial: usaram isso pra explicar alguns nomes de personagens – como o próprio “He-Man” / “Ele-Homem”. Vários nomes de personagens são bem ruins, e o roteiro conseguiu dar uma explicação para isso.

Mestres do Universo é bem engraçado e tem várias cenas de ação. Nada excepcional, mas é um feijão com arroz bem feito. E não sei se foi proposital ou coincidência, mas tem uma cena com o He-Man numa “moto voadora” que lembra muito o Flash Gordon de 1980.

Queria fazer dois comentários sobre a trilha sonora de Daniel Pemberton. O primeiro é um elogio. Algumas trilhas são boas, mas só dentro do filme. Aqui não só é uma boa trilha, como tem um tema forte, assobiável, daqueles que ficam na cabeça do espectador quando acaba a sessão – saí da sala de cinema com o tema na cabeça. O outro comentário é que, durante o filme, pensei “o cara que gravou a trilha sonora conseguiu um timbre de guitarra IGUAL ao do Brian May (guitarrista do Queen)”. Aí vieram os créditos, e vi que o próprio Brian May participou da trilha…

O papel principal é de Nicholas Galitzine, que é um cara conhecido, mas preciso admitir que heu não lembro dele em nenhum outro filme. Mas lembro que na época que o anunciaram como o protagonista, um monte de gente reclamou porque ele não teria o tipo físico pra ser um cara forte como o He-Man (diferente do filme de 87, que já escolheu logo de cara um ator muito forte). Não sei como era o Nicholas Galitzine antes, mas posso dizer que agora ele consegue ter o tipo físico que o personagem precisa. E vou além: ele funciona muito bem com todos os dilemas que o personagem tem com relação aos conflitos comportamentais entre os planetas Terra e Eternia. O papel principal feminino, a Teela, é Camila Mendes, que nasceu nos Estados Unidos, mas tem pai e mãe brasileiros, ou seja, temos uma protagonista quase brasileira – ela também está bem. E não é a única brasileira no elenco, também tem Morena Baccarin no papel de Feiticeira. Alison Brie está bem como a Maligna (um personagem que no inglês tem um nome muito mais legal, Evil-Lyn). Ainda no elenco, Idris Elba está bem, mas o Idris Elba está sempre bem, então isso não é novidade. E quem for nas sessões legendadas vai ouvir a voz da Kristen Wiig como Roboto.

Novo parágrafo para falar do vilão. Jared Leto foi escalado para interpretar o vilão Esqueleto, o que era uma grande incógnita, porque de um tempo para cá, Leto só tem escolhido papéis ruins em filmes ruins. Ou seja, ter Jared Leto no elenco não necessariamente seria uma boa notícia. Mas heu posso dizer que não dá para ver o Jared Leto lá. É o Esqueleto e só o Esqueleto – ou seja, não atrapalha.

Mestres do Universo é divertido, mas nem tudo funciona. Algumas atitudes dos personagens não fazem muito sentido, tipo o Esqueleto deixar o rei se despedir do jovem Adam logo no início do filme; ou todos os prisioneiros estarem juntos na mesma cela. Além disso o filme é muito longo, não tem história pra duas horas e vinte de projeção, chega a cansar um pouco.

A sessão de imprensa foi legendada, o que heu sempre acho positivo. Mas ouvi alguns amigos reclamando que preferiam o filme dublado. Entendo o lado saudosista, mas sempre vou preferir ver a obra original.

Ao fim, fiquem até o final dos créditos. Esquema Marvel: tem cena depois dos créditos principais, e mais uma lá no final de tudo.