Crítica – Backrooms: Um Não-Lugar
Sinopse (imdb): Após o paciente de uma terapeuta desaparecer em uma dimensão além da realidade, ela precisa adentrar o desconhecido para salvá-lo.
(Pra variar, sinopse do imdb não está exatamente correta…)
Quando acabou a sessão de Backrooms: Um Não-Lugar (Backrooms, no original), pensei: curti o filme, mas não entendi muito do que vi. Fui conversar com alguns amigos que estavam na mesma sessão. Alguns gostaram, outros não, mas uma coisa era unânime: ninguém tinha entendido.
Backrooms é daquele tipo de filme que abre espaço para várias interpretações e que não explica muita coisa. Heu queria fazer um comentário sobre o fim do filme, então, claro, vou colocar um aviso de spoilers. Mas não faz muita diferença você saber spoilers, porque afinal é o tipo do filme que você sai da sessão querendo conversar com alguém sobre o que você acabou de ver.
O conceito desses “backrooms” surgiu em 2019 em um post anônimo no 4Chan que falava sobre “uma dimensão paralela ou um labirinto infinito de escritórios vazios e corredores, caracterizados por paredes amareladas, carpete mofado e o zumbido contínuo de lâmpadas fluorescentes”. Em 2022 o jovem diretor Kane Parsons (então com 16 anos) fez uma série de curtas found footage usando esse conceito. Isso o credenciou para ser o mais jovem diretor contratado pela A24: Parsons fez Backrooms: Um Não-Lugar, seu primeiro longa, aos 19 anos de idade.
Antes de entrar na esquisitice, queria fazer um elogio que todos vão concordar: a cenografia do filme é fantástica! Segundo o imdb, a produção construiu cerca de 30.000 pés quadrados de labirintos de salas e corredores – o que fez com que alguns membros da equipe ocasionalmente se perdessem no set. Só aqueles cenários já valem o ingresso!
O conceito é explicado dentro do filme como “imagine se você descrever um cachorro para uma pessoa que nunca viu um cachorro, e depois pedir pra essa pessoa desenhar o cachorro. De longe, vai parecer um cachorro; mas de perto, algumas coisas não vão fazer sentido.” Isso é o que acontece nos cenários do filme.
Sobre o elenco, o filme se baseia, basicamente, nos dois atores principais, Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve (e provavelmente estou pronunciando os dois nomes errados). Ambos estão muito bem. Backrooms não tem perfil de filme que vai concorrer a prêmios, mas cada um dos dois tem uma cena que parece aquele “clipe de Oscar”. Não estou dizendo que são atuações que merecem uma indicação, mas precisamos reconhecer que já vimos outras atuações que não foram lá grandes coisas concorrendo à estatueta, ou seja, não seria algo 100% injusto – mas, repito, acho muito difícil, infelizmente.
Como falei, quero comentar o final. Sim, é spoiler, mas, Backrooms é o tipo de filme que não tem muita importância você saber spoiler porque não tem nenhum grande plot twist. Mas, respeito: se você não gosta de spoiler, só pular essa parte.
SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!
Somos apresentados a um universo maluco onde ninguém entende o que está acontecendo. Aí tem um epílogo – a parte onde aparece o ator Mark Duplass – onde começam algumas explicações. Só que não chega a conclusão nenhuma. Ou seja, era melhor nem ter começado a explicar. Na minha humilde opinião, se você se propõe a explicar o que é aquele mundo, vá até o fundo. Ou então não explique nada. Mas aqui entra uma pincelada de explicação e deixa tudo no ar. Heu particularmente acharia melhor se não explicasse nada, se cortasse aquele epílogo, se acabasse sem a gente ter nenhuma ideia do que estava acontecendo. Porque aí o espectador é apresentado a um mundo maluco, que não faz sentido, e beleza, acaba o filme e vai pra casa pensando nas maluquices vistas na tela – algo meio David Lynch.
FIM DOS SPOILERS!
Backrooms é um filme que vai dividir o público. Duvido que seja um sucesso comercial. Mas gostei de ver algo assim, principalmente depois de saber que o diretor tem menos de vinte anos de idade.