Crítica – Capitão América: Admirável Mundo Novo
Sinopse (imdb): Sam Wilson, o novo Capitão América, se vê no meio de um incidente internacional e deve descobrir o motivo por trás de um plano global nefasto.
Antes de tudo, um aviso pra quem ainda não me conhece: não leio quadrinhos de super heróis. Nada contra, mas sempre preferi outros estilos de HQs. Então, meus comentários serão apenas sobre a Marvel no cinema!
Já falei aqui em outras ocasiões: o que a Marvel fez ao longo dos 12 anos entre o primeiro Homem de Ferro (2008) e o Vingadores Ultimato (2019) será estudado como um dos cases mais bem sucedidos da história do cinema. O “evento Vingadores”, juntando dezenas de filmes e dezenas de heróis, foi um feito que dificilmente será superado.
O mais sensato seria parar depois. Ficar uns anos sem lançar nada. A Marvel alcançou um patamar muito alto, seria difícil se manter no mesmo nível. Mas, quem quer parar quando está no topo? Ou seja, se até Ultimato a Marvel era sinônimo de entretenimento de qualidade, de lá pra cá nota-se uma irregularidade nos lançamentos. Por causa disso, muita gente se cansou da “fórmula Marvel”.
Os haters dizem que “Marvel já era”; os fãs torcem para um novo filme que trará tudo de volta aos trilhos. Por enquanto, ficamos com lançamentos meia bomba, como este quarto Capitão América, Capitão América: Admirável Mundo Novo (Captain America: Brave New World, no original), o primeiro de três filmes que a Marvel lançará este ano.
(Chute meu, não li isso em lugar nenhum: pelo que me parece, este Capitão América seria só pra “cumprir tabela”; Thunderbolts* é uma grande incógnita, pode ser tão ruim quanto o primeiro Esquadrão Suicida, ou tão bom quanto o segundo Esquadrão Suicida, mas será um filme “avulso”; e finalmente Quarteto Fantástico tem cara de que será o filme que ditará o novo rumo da Marvel nos cinemas. Mas, repito: isso é um chute meu.)
Capitão América: Admirável Mundo Novo começa com um problema que não acontecia no início do MCU, mas que agora é meio inevitável: é um filme que precisa de “manual de instruções”. O espectador “leigo” vai ficar perdido, porque Capitão América 4 é continuação não só da série Falcão e o Soldado Invernal como também continuação do filme do Hulk de 2008 – sim, aquele do Edward Norton filmado parcialmente no Rio e que quase ninguém se lembra. E ainda tem referência a Eternos.
Capitão América 4 traz Sam Wilson, o novo Capitão América (depois da aposentadoria do Steve Rogers) envolvido em uma trama política internacional, agora que Thaddeus Ross virou presidente dos EUA e quer fazer um tratado entre vários países para dividirem as riquezas encontradas nos Celestiais. Só que um vilão misterioso está manipulando pessoas pra este plano dar errado.
A direção é de Julius Onah, que heu nunca tinha ouvido falar. Mas em termos de Marvel, não acho que isso é algo essencial, afinal alguns dos melhores filmes da Marvel foram dirigidos pelos irmãos Russo, que eram completos desconhecidos antes. E diretores consagrados tiveram resultados irregulares, como Kenneth Branagh (Thor) e Chloé Zhao (Eternos). Mas, Onah não fez nada que saltasse aos olhos. Seu Capitão América é bem inferior aos outros (mas, reconheço que é uma comparação difícil, o segundo filme, Soldado Invernal, é considerado um dos melhores filmes de todo o MCU, enquanto o terceiro é o Guerra Civil.)
Uma coisa que gostei foi que a minha dúvida sobre o Sam Wilson ser o novo Capitão América mesmo sem ser super é abordada no filme. Nada contra o Sam Wilson enquanto era o Falcão, mas, como uma pessoa “normal” fica no lugar de uma pessoa que tinha superpoderes? O filme fala sobre isso, e achei a explicação satisfatória.
Agora, Capitão América 4 tem um problema grande, e que nem é culpa do filme em si. Durante todo o filme o personagem do Harrison Ford está desenvolvendo um problema, que poderia ser um grande plot twist: ele vai virar um Hulk. Mas, parece que o estúdio não dá bola pra plot twist, esse Hulk está em TODA a divulgação!
(Um comentário de alguém que não lê os quadrinhos: não tenho ideia de qual é a diferença entre um Hulk vermelho e um Hulk verde – ou quaisquer outras cores de Hulks. Ouvi vários comentários sobre ele ser um “Hulk vermelho”, talvez a cor tenha algum significado. Mas não é mencionado no filme.)
O roteiro tem alguns furos aqui e ali. Nada grave, são “roteirices”, facilitações de roteiro. Mas não dá pra levar muito a sério. Só pra dar um exemplo: em determinado momento um personagem fala “para o meu plano funcionar, eu preciso ser preso” e então chegam os guardas e o levam. Oi? O plano ia funcionar com ele preso ou não! Pra que aquela cena?
Sobre o elenco: Anthony Mackie está bem, ele tem carisma pra liderar o filme, e a única questão que heu tinha com o personagem foi explorada durante o filme. Harrison Ford também está bem, ele ganhou o papel que foi de William Hurt (que faleceu em 2022). Só achei curioso ver Ford como presidente dos EUA mais uma vez, não tem como não lembrar dele em Força Aérea Um, de 1997. Já Giancarlo Esposito está bem, mas achei o personagem dele mal aproveitado. E não quero falar mais sobre o elenco porque pode ser um spoiler indireto.
Capitão América: Admirável Mundo Novo tem uma cena pós créditos, lá no finzinho de tudo, um gancho pra possíveis continuações. Cena bem besta, mas é o estilo da Marvel.
Por fim, preciso falar que sempre que leio o nome do filme, uma música começa a tocar na minha cabeça: Bravo Mundo Novo, do segundo disco da Plebe Rude. O nome do filme em português é “Admirável Mundo Novo”, mas o original é “Brave New World”. Principalmente porque fui a um show da Plebe Rude semana passada, no Circo Voador (showzaço, aliás). Taí, faltou incluir Plebe Rude na trilha sonora!