Superman (2025)

Crítica – Superman (2025)

Sinopse (imdb): Superman reconcilia sua herança com sua educação humana. Ele é a personificação da verdade, da justiça e de um futuro melhor em um mundo que vê a bondade como algo antiquado.

Estreou o aguardado Superman do James Gunn!

Antes do filme, uma breve atualização pra quem está por fora. No audiovisual, décadas atrás, a DC era muito maior que a Marvel. A gente tinha o seriado do Batman barrigudo, o desenho da Liga da Justiça, os filmes do Superman com o Christopher Reeve e, uns anos mais tarde, os dois Batman do Tim Burton. Enquanto isso, pela Marvel, a gente tinha um seriado do Hulk, uns filmes toscos do Homem Aranha, e um desenho muito ruim com Thor e Homem de Ferro. Até que em 2008 a Marvel começou a construir o Marvel Cinematic Universe (MCU), com o primeiro filme do Homem de Ferro. Foram mais de 20 filmes que culminaram em Vingadores Ultimato, de 2019, um “filme evento” que juntou dezenas de personagens apresentados ao longo de onze anos. Já comentei aqui, isso será estudado no futuro como um dos maiores cases de sucesso da história do cinema.

Claro que a “marca Marvel” cresceu. Hoje, pergunte a crianças, Homem de Ferro e Capitão América são personagens tão conhecidos quanto Batman e Superman. E ao ver esse crescimento da Marvel, a DC tentou criar um DC Extended Universe (DCEU), mas os filmes não tinham muita consistência, e podemos afirmar que, pelo menos no cinema, a Marvel ficou muito maior que a a DC.

James Gunn tinha dirigido dois dos melhores filmes do MCU, Guardiões da Galáxia 1 e 2, aí vazaram postagens politicamente incorretas do seu passado, e ele foi desligado da Marvel (lembrando que a Marvel está dentro da Disney). A DC o chamou, e ele fez o excelente Esquadrão Suicida (o melhor filme do DCEU, na minha humilde opinião). Depois ele ainda voltou pra Marvel para fazer o terceiro Guardiões da Galáxia (o melhor filme da fase recente da Marvel), para depois “se mudar de mala e cuia” para a DC, onde ia assumir o filme do maior herói da cultura pop.

E finalmente chegamos ao Superman que estreia esta semana. O meu medo era o quanto Gunn ia sofrer de interferência dos executivos do estúdio, porque até então já tínhamos visto ótimos resultados, mas com heróis desconhecidos e esquisitos (Guardiões da Galáxia e Esquadrão Suicida). E agora ele faria um filme com um dos heróis mais conhecidos de todos os tempos. Mas, boa notícia: se teve interferência do estúdio, não afetou o resultado final!

Os últimos filmes da DC eram mais “escuros”, a DC sempre tinha um tom mais dark. James Gunn assumiu que é um “filme de super herói” e fez um filme bem mais colorido do que o DCEU apresentava. Achei uma escolha certa, o Superman não combina com um filme sombrio.

Uma coisa que achei positiva foi não ter mais uma vez uma “história de origem”. O filme já começa com o Superman sendo Superman, ele já leva vida dupla de herói + repórter do Planeta Diário (não tinha um jornal com esse nome aqui no Rio nos anos 90?). Superman já existe, assim como Lois Lane e Lex Luthor. Vivemos num mundo onde outros super heróis também estão na área, incluindo três da “gangue da justiça” – piada recorrente no filme. Achei uma boa ideia, todo mundo já conhece a história do Superman, aí o filme não perde tempo com isso e já parte para a ação.

O protagonista David Corensweat tinha uma tarefa complicada, porque, por melhor que fosse, sempre seria comparado ao Christopher Reeve, e é uma comparação dura, porque Reeve foi perfeito no papel. Mas Corensweat não faz feio. Rachel Brosnahan também está bem como Lois Lane, e, para combinar com os dias atuais, ela tem até mais protagonismo que outras Lois do passado. Já Nicholas Hoult está ótimo como Lex Luthor, sua atuação é um dos pontos altos do filme. Aliás, o elenco todo está bem, Superman ainda conta com María Gabriela de Faría, Sara Sampaio, Skyler Gisondo, Frank Grillo, Edi Gathegi, Nathan Fillion e Isabela Merced, além de vozes de Alan Tudyk, Michael Rooker e Pom Klementieff como robôs, e de pontas de Bradley Cooper, Angela Sarafyan, John Cena e Milly Alcock. Se heu puder fazer um mimimi, vou reclamar do Nathan Fillion. Ele não está mal, mas achei o ator velho demais para o papel (Fillion deve ser um grande amigo do diretor. James Gunn dirigiu sete filmes, Fillion estava em todos, só não aparece em Guardiões 2 porque sua cena foi deletada).

Curiosamente, a melhor cena do filme não tem o personagem título. Tem uma cena sensacional com o Mr. Terrific (traduziram como Sr. Incrível, mas pra mim, Sr. Incrível é do desenho da Pixar!). Vemos como ele atua contra diversos adversários simultaneamente, e a cena usa bem a trilha sonora em um plano sequência fake, coisa que o James Gunn já tinha feito em Guardiões da Galáxia. Essa cena é muito boa!

Aliás, lembrei da abertura de Guardiões 2, onde vemos Baby Groot dançando em primeiro plano enquanto rola uma cena de ação ao fundo. Aqui tem uma cena onde Superman e Lois conversam, e ao fundo os outros heróis estão em uma batalha – mas assim como em Guardiões 2, não vemos nada que está rolando.

Preciso falar do cachorro Krypto! A princípio fiquei receoso com a inclusão de um cachorro na trama, mas adorei o cão. Todas as suas participações são ótimas, o Krypto não é um cachorro bem comportado, e isso traz piadas muito boas.

Dois comentários sobre a trilha sonora. David Fleming e John Murphy fizeram um bom trabalho compondo a trilha do filme em cima dos temas clássicos do John Williams – seria difícil ver um filme do Superman e não lembrar do icônico tema. Por outro lado, senti falta do uso de músicas pop na trilha e na trama do filme – o diretor já provou que é bom nesse assunto.

Agora, precisamos reconhecer que é um filme divertido, mas é bem bobinho. Podia ter aprofundado em questões mais sérias do conflito geopolítico ou das críticas às redes sociais, mas ficou só na superfície. Superman dedica mais tempo de tela em uma briga contra um monstro gigante do que nas questões mais sérias. Além disso, algumas soluções do roteiro soam forçadas. Sim, sei que estamos falando de um filme onde o protagonista é um alienígena com super poderes, mas achei meio jogado o Lex Luthor criar um universo paralelo baseado em um buraco negro, assim como achei meio rápida a queda da popularidade do Superman e sua posterior prisão feita por um particular. Ok, é filme, mas, como falei, é bobinho.

Além disso, talvez tenha personagens demais, porque alguns deles até parecem ser interessantes, mas têm tão pouco tempo de tela que a gente nem sabe se realmente são ou não, como a Mulher Gavião. A Engenheira também foi muito mal explorada.

No fim, Superman não supera Esquadrão Suicida, mas é um bom recomeço na DC. Que venham mais bons filmes!

Por fim, são duas cenas pós créditos, fiquem até o final!

Twisters

Crítica – Twisters

Sinopse (imdb): Uma atualização do filme “Twister” de 1996, centrado em uma dupla de caçadores de tempestades que arriscam suas vidas em uma tentativa de testar um sistema experimental de alerta meteorológico.

Hollywood gosta de franquias. É mais fácil vender um filme ligado a uma franquia do que um filme “solo”. Sendo assim, agora, 28 anos depois do primeiro Twister, temos um novo filme. Mas o curioso aqui é que este Twisters não é uma continuação, nem um reboot, nem um remake. É apenas mais um filme usando a mesma premissa. A vantagem pra quem tem memória ruim que nem heu é que não precisa rever o original, porque este novo não tem nenhuma conexão com aquele (sorte minha, porque não lembro de nada do original).

Achei curioso ver que a direção é de Lee Isaac Chung, que chegou a ser indicado a dois Oscars por Minari (roteiro e direção), um filme que não tem nada a ver com o estilo de Twisters. Chung já tinha mostrado que sabe fazer filmes mais intimistas, agora prova que dominou perfeitamente o formato blockbuster. A parte técnica enche os olhos. Em momento algum os tornados parecem fake, o cgi é perfeito.

Twisters começa bem, vamos direto pra ação, Daisy Edgar-Jones lidera uma equipe de estudantes que estão caçando tornados. Mas as coisas não vão como o planejado, e ela acaba desistindo. Até que, cinco anos depois, ela acaba voltando ao “circuito de caçadores de tornados”, dominado por dois grandes grupos, de estilos e propostas diferentes.

Tem uma coisa curiosa na construção desses dois grupos rivais. Um deles, liderado pelo co-protagonista Glen Powell, é uma galera arruaceira e espalhafatosa que aparentemente só caça tornados para conseguir views no youtube. Daisy integra o outro, de cientistas que querem estudar o fenômeno meteorológico. Por um lado, o roteiro consegue subverter a importância dos dois grupos de maneira inteligente, o espectador começa o filme simpatizando com um, mas termina apoiando o outro. Mas, teve uma coisa que ficou estranha. O grupo de cientistas usa um dinheiro nada ético, de um cara que faz especulação imobiliária em cima de terrenos devastados pelos tornados. Mas, se por um lado o cara não é ético e ganha dinheiro com a miséria dos outros, por outro lado ele está investindo dinheiro na pesquisa. Ou seja, ele não é de todo mau. Pelo filme, heu entendi que ele quer resolver os problemas a longo prazo.

Mesmo com essa falha na construção de um desnecessário vilão, gostei do roteiro, que consegue fazer um “feijão com arroz” muito bem construído, tanto na parte de espalhar situações de tornados ao longo do filme (são pelo menos cinco sequências tensas e eletrizantes perseguindo tornados), quanto na construção do casal, que lembra a fórmula das comédias românticas: inicialmente eles não se gostam, mas acabam desenvolvendo um relacionamento. E preciso dizer que ambos os atores, Daisy Edgar-Jones e Glen Powell, estão ótimos – o carisma da dupla é um dos trunfos do filme.

Ainda sobre o elenco, Anthony Ramos completa o trio principal. Mas, prestem atenção no cara que está sempre ao lado dele, interpretado por David Corenswet – esse cara será o novo Superman! Também tem uma ponta da Maura Tierney. Sim, podia ser a Helen Hunt, mas, como falei, esse filme não se conecta ao original.

Queria falar mal de uma coisa do fim, mas é spoiler, então siga por sua conta e risco.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Já comentei aqui diversas vezes sobre decisões burras de personagens. Mas aqui tem uma bem complicada. Eles têm um plano para dissipar um tornado. Estão literalmente ao lado desse tornado. Mas dizem “ele está indo pra uma cidade aqui perto, vamos lá ajudar!”. Ora, se eles não fossem até a cidade e focassem no tornado, a cidade não seria destruída e não precisaria da ajuda deles!

FIM DOS SPOILERS!

Twister, de 1996, era um bom filme pipoca, mas nada demais, tanto que a gente lembra mais de outros filmes da época, como Missão Impossível, Independence Day ou Um Drink Para o Inferno. Este novo Twisters também é um entretenimento competente, galera vai se divertir, ninguém vai sair decepcionado da sala de cinema. Mas assim como o anterior, acho que vai ser esquecido em breve.