Super Mario Galaxy: O Filme

Crítica – Super Mario Galaxy: O Filme

Sinopse (imdb): Depois de derrotar Bowser e salvar o Brooklyn, Mario e seus amigos enfrentam uma nova ameaça: Wario, com Bowser Jr., conspiram para dominar o mundo. Eles devem se unir a Yoshi para deter essa dupla maligna.

(Mais uma vez, acho que quem fez a sinopse não viu o filme. Não tem nenhum Wario aqui!)

Lançado em 2023, Super Mario Bros.: O Filme foi uma boa surpresa. Divertido, engraçado, com personagens carismáticos, e que conseguiu contar uma história coerente dentro de um universo maluco (nada no lore do videogame faz sentido no mundo real!). Além disso, como os personagens principais são muito conhecidos na cultura pop, as referências ao jogo funcionavam – afinal, quem não conhece Mario, Luigi e Donkey Kong?

Era óbvio que fariam uma continuação, afinal a bilheteria foi excelente (hoje é a sexta maior bilheteria da história, dentre longas de animação). Além disso, são vários jogos diferentes. Pensando por esse ângulo, até que demorou.

Demorou, mas infelizmente o resultado é bem mais fraco que o primeiro filme. Mais uma vez roteirizado por Matthew Fogel e dirigido pela dupla Aaron Horvath e Michael Jelenic, Super Mario Galaxy: O Filme (The Super Mario Galaxy Movie, no original) parece um produto feito apenas para quem conhece especificamente o jogo Super Mario Galaxy – o que não é o meu caso. Não tem uma boa história a ser contada, tem personagens inúteis, e a sensação que fica é que o único objetivo era entupir o filme de referências ao jogo.

Um exemplo simples: o filme começa com uma princesa loira sendo sequestrada. Só fui saber que a princesa loira não era a Peach depois de um tempão de filme. Como vou saber que são duas princesas loiras? Por que não avisar pro espectador “leigo” que existe mais de uma princesa?

Tem outra coisa que ficou tão tosca que até o próprio roteiro comenta. O Yoshi, que era a cena pós créditos do primeiro filme, aparece logo no início do filme. Aparece e já vira protagonista – “acabou de entrar no ônibus e já sentou na janelinha”. Por que? Sei lá, mas virou protagonista, se bobear tem mais tempo de tela que o Luigi. Ficou tão abrupto que tem um diálogo no filme reclamando que ele acabou de chegar e já virou importante. Dito isso, reconheço que curti o rápido flashback que mostra a origem dele numa cidade grande.

O filme é feito para fãs, certo? Determinado momento aparece um novo personagem, uma raposa que faz um “Han Solo” (um piloto contratado pra salvar uma princesa), um personagem que parece importante. Só quando acabou o filme que me disseram que esse personagem é uma participação de outro jogo. De novo: por que não criar um contexto? Pra piorar, logo que o Mario conhece esse piloto, o roteiro aponta pra uma possível rivalidade entre os dois, mas logo depois deixa essa rivalidade pra lá.

Nem tudo é ruim. A qualidade da animação é excelente, e a trilha sonora, usando temas do jogo, também é boa. E algumas sequências são legais, como aquela onde Mario e Peach estão numa “fase do jogo” e o Bowser Jr está vendo por uma tela que parece um videogame antigo. A sequência no cassino onde a gravidade muda de direção também é legal.

Ah, sim, a sessão de imprensa foi dublada. A dublagem é boa, mas é uma pena não ter ouvido as vozes de Chris Pratt, Anya Taylor-Joy, Jack Black, Seth Rogen e Charlie Day, que estavam no primeiro filme; mais Glenn Powell, Brie Larson e Donald Glover, personagens novos.

No fim, fica a decepção, porque a gente lembra que o filme de três anos atrás servia para o público geral, enquanto parece que este aqui só quer os fãs mais radicais.

Ah, tem cenas pós créditos. Mas só os fãs radicais vão entender a referência (heu não peguei).

O Sobrevivente (2025)

Crítica – O Sobrevivente (2025)

Sinopse (imdb): Um homem se junta a um reality show no qual os competidores, que podem ir a qualquer lugar, são caçados por “caçadores” empregados para matá-los.

Finalmente estreou o novo O Sobrevivente! E tenho propriedade pra falar essa frase. Coloquei esse filme na minha lista de expectativas para 2023! Citei a existência desse filme em 29 de dezembro de 2022!

Na verdade esta nova versão não é uma refilmagem do filme de 1987, sucesso de Arnold Schwarzenegger. É outro filme baseado no mesmo livro, lançado em 1982, de autoria de Richard Bachman (que era pseudônimo de um tal de Stephen King). Revi a versão de 87, realmente precisava de uma modernizada. Aquele filme é divertido, mas envelheceu muito mal.

Em O Sobrevivente, conhecemos Ben Richards, um cara esquentadinho, que perdeu o emprego e tem uma filha doente. Desesperado pela falta de grana, resolve se candidatar a uma vaga em um reality show para conseguir dinheiro para comprar remédio pra sua filha. Mas, como tem um perfil de brigão, o colocam no The Running Man, programa que paga muito bem, mas de onde quase ninguém sai vivo.

Mesmo sabendo que não é uma refilmagem, a comparação é inevitável – e o próprio filme não ignora isso, as cédulas do “new dolar”, dinheiro usado no filme, têm o rosto do Arnold Schwarzenegger. O filme de 87 tem alguns detalhes melhor desenvolvidos, mas, no geral, esta nova versão é melhor.

O filme dos anos 80 era colorido e cheio de divertidas frases de efeito, mas se a gente parar pra pensar, a competição em si não fazia muito sentido – são muitos furos de roteiro. Aqui temos um contexto mais bem estruturado, é uma sociedade futurista distópica com pessoas pobres desesperadas, e uma mídia que sabe explorar esse desespero em números de audiência. E a dinâmica do programa também está melhor, com os corredores escondidos por diferentes cidades, e os caçadores aguardando o horário nobre para agir.

Agora, os caçadores espalhafatosos do outro filme são melhores que os daqui. Na verdade, aqui são cinco, mas a gente só conhece a história da um deles. Outro tem uma única cena com diálogos e só. Os outros três só estão lá como figuração.

Teve uma coisa que não gostei. Ao longo do filme, Ben Richards fica mudando sua postura em relação a confiar ou não no chefão Killian. Porque, se ele não confia no que o Killian diz, como vai confiar que sua esposa vai receber o pagamento?

Ah, tem mais uma coisa: naquele mundo futurista onde postes na rua têm detectores de DNA, aqueles braceletes certamente teriam um GPS!

No elenco, Glen Powell continua galgando seu espaço no panteão de grandes estrelas de Hollywood. Killian é interpretado por Josh Brolin, que consegue ser canalha e sedutor ao mesmo tempo. Já mencionei aqui que sou fã da voz do Colman Domingo, achei legal vê-lo como o apresentador do programa. Também no elenco, Katy O’Brian, William H. Macy, Michael Cera, Emilia Jones e Lee Pace.

(Aliás, impossível não lembrar de Assassino Por Acaso quando o Glenn Powell começa a experimentar disfarces…)

O Sobrevivente tem algumas boas cenas de ação, e toda a sequência com o Michael Cera é bem divertida (lembrando que ele já tinha trabalhado com o diretor quinze anos antes, em Scott Pilgrim). Mas o resultado final parece apenas um filme burocrático, daqueles encomendados por grandes estúdios. Filme que vai divertir o público, mas será esquecido pouco depois. Olhando a carreira do Edgar Wright, é uma pena. Porque, na comparação, talvez O Sobrevivente seja o seu filme mais fraco.

Twisters

Crítica – Twisters

Sinopse (imdb): Uma atualização do filme “Twister” de 1996, centrado em uma dupla de caçadores de tempestades que arriscam suas vidas em uma tentativa de testar um sistema experimental de alerta meteorológico.

Hollywood gosta de franquias. É mais fácil vender um filme ligado a uma franquia do que um filme “solo”. Sendo assim, agora, 28 anos depois do primeiro Twister, temos um novo filme. Mas o curioso aqui é que este Twisters não é uma continuação, nem um reboot, nem um remake. É apenas mais um filme usando a mesma premissa. A vantagem pra quem tem memória ruim que nem heu é que não precisa rever o original, porque este novo não tem nenhuma conexão com aquele (sorte minha, porque não lembro de nada do original).

Achei curioso ver que a direção é de Lee Isaac Chung, que chegou a ser indicado a dois Oscars por Minari (roteiro e direção), um filme que não tem nada a ver com o estilo de Twisters. Chung já tinha mostrado que sabe fazer filmes mais intimistas, agora prova que dominou perfeitamente o formato blockbuster. A parte técnica enche os olhos. Em momento algum os tornados parecem fake, o cgi é perfeito.

Twisters começa bem, vamos direto pra ação, Daisy Edgar-Jones lidera uma equipe de estudantes que estão caçando tornados. Mas as coisas não vão como o planejado, e ela acaba desistindo. Até que, cinco anos depois, ela acaba voltando ao “circuito de caçadores de tornados”, dominado por dois grandes grupos, de estilos e propostas diferentes.

Tem uma coisa curiosa na construção desses dois grupos rivais. Um deles, liderado pelo co-protagonista Glen Powell, é uma galera arruaceira e espalhafatosa que aparentemente só caça tornados para conseguir views no youtube. Daisy integra o outro, de cientistas que querem estudar o fenômeno meteorológico. Por um lado, o roteiro consegue subverter a importância dos dois grupos de maneira inteligente, o espectador começa o filme simpatizando com um, mas termina apoiando o outro. Mas, teve uma coisa que ficou estranha. O grupo de cientistas usa um dinheiro nada ético, de um cara que faz especulação imobiliária em cima de terrenos devastados pelos tornados. Mas, se por um lado o cara não é ético e ganha dinheiro com a miséria dos outros, por outro lado ele está investindo dinheiro na pesquisa. Ou seja, ele não é de todo mau. Pelo filme, heu entendi que ele quer resolver os problemas a longo prazo.

Mesmo com essa falha na construção de um desnecessário vilão, gostei do roteiro, que consegue fazer um “feijão com arroz” muito bem construído, tanto na parte de espalhar situações de tornados ao longo do filme (são pelo menos cinco sequências tensas e eletrizantes perseguindo tornados), quanto na construção do casal, que lembra a fórmula das comédias românticas: inicialmente eles não se gostam, mas acabam desenvolvendo um relacionamento. E preciso dizer que ambos os atores, Daisy Edgar-Jones e Glen Powell, estão ótimos – o carisma da dupla é um dos trunfos do filme.

Ainda sobre o elenco, Anthony Ramos completa o trio principal. Mas, prestem atenção no cara que está sempre ao lado dele, interpretado por David Corenswet – esse cara será o novo Superman! Também tem uma ponta da Maura Tierney. Sim, podia ser a Helen Hunt, mas, como falei, esse filme não se conecta ao original.

Queria falar mal de uma coisa do fim, mas é spoiler, então siga por sua conta e risco.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Já comentei aqui diversas vezes sobre decisões burras de personagens. Mas aqui tem uma bem complicada. Eles têm um plano para dissipar um tornado. Estão literalmente ao lado desse tornado. Mas dizem “ele está indo pra uma cidade aqui perto, vamos lá ajudar!”. Ora, se eles não fossem até a cidade e focassem no tornado, a cidade não seria destruída e não precisaria da ajuda deles!

FIM DOS SPOILERS!

Twister, de 1996, era um bom filme pipoca, mas nada demais, tanto que a gente lembra mais de outros filmes da época, como Missão Impossível, Independence Day ou Um Drink Para o Inferno. Este novo Twisters também é um entretenimento competente, galera vai se divertir, ninguém vai sair decepcionado da sala de cinema. Mas assim como o anterior, acho que vai ser esquecido em breve.

Assassino Por Acaso

Crítica – Assassino por Acaso

Sinopse (imdb): Gary Johnson trabalha para a polícia e finge ser um assassino de aluguel para prender aqueles que o contratam. Um dia ele quebra o protocolo para salvar uma mulher desesperada que tenta fugir de um namorado abusivo.

Richard Linklater tem vários bons filmes baseados em personagens e diálogos bem construídos. Não são filmes com muitas “pirotecnias” técnicas, mas são filmes gostosos e agradáveis de se acompanhar. Assassino por Acaso (Hit Man, no original) é um desses casos.

Assassino por Acaso supostamente se baseia numa pessoa real (que heu nunca tinha ouvido falar), um professor universitário que tinha um segundo emprego numa equipe da polícia que prendia pessoas interessadas em contratar assassinos de aluguel. Ele cria personagens pra se aproximar dos suspeitos, e isso é a melhor coisa do filme.

Glen Powell é o nome a ser citado. Não só ele é co-roteirista e produtor, como tem um papel onde pode mostrar muita versatilidade. O cara é bonito e muito engraçado. Seu personagem cria várias situações muito divertidas. Assassino por Acaso não tem o perfil de “filme de Oscar”, mas heu não acharia exagero se ele aparecesse com alguma indicação (se bem que acho que o filme foi lançado lá fora no ano passado, então já era). Enfim, Glen Powell é o cara: bom ator, bom personagem.

Adria Arjona (Andor), que faz o principal papel feminino, também está bem e mostra uma boa química com Glen Powell. Sim, em algumas partes, Assassino por Acaso parece uma comédia romântica. Não conhecia mais ninguém no elenco, mas vou te falar que sempre que aparecia o personagem Jasper, heu me lembrava do Ethan Hawke, que já trabalhou em sete filmes do diretor Linklater: Boyhood, Newton Boys, Waking Life, Nação Fast Food, e a trilogia “Before” – Antes do Amanhecer, Antes do Por do Sol e Antes da Meia Noite (isso porque não estou citando Blaze, dirigido por Ethan Hawke e com Linklater no elenco).

Boa parte do conflito apresentado pelos personagens é porque Gary conheceu Maddison quando estava em um dos personagens que criava para o seu trabalho, então ele precisa continuar esse personagem durante a relação. E isso gera algumas cenas muito boas!

Sem entrar em spoilers, mas o fim tem uma moral meio cinzenta. Quando foi chegando naquela conclusão, fiquei na dúvida de como terminaria. Heu gostei da conclusão, mas entendo quem reclame da “moral da história”.

Leve e divertido, Assassino por Acaso vai agradar a maioria dos espectadores. Só não sei quanto tempo vai ficar em cartaz, porque já está no catálogo da Netflix gringa, não sei quanto tempo até chegar aqui.