Novocaine – À Prova de Dor

Crítica – Novocaine – À Prova de Dor

Sinopse (imdb): Quando a garota dos seus sonhos é sequestrada, um homem incapaz de sentir dor física transforma sua condição rara em uma vantagem inesperada na luta para resgatá-la.

Já falei aqui mais de uma vez: gosto muito do lema da rede Luiz Severiano Ribeiro, “Cinema é a maior diversão”. Se entro na sala de cinema e me divirto, o filme ganha pontos pra mim. E isso aconteceu com este Novocaine – À Prova de Dor (Novocaine, no original).

Em Novocaine, a gente conhece Nate, que tem uma doença rara, e por causa disso não sente dor, nem calor, nem frio. Por causa de sua doença, ele é extremamente cuidadoso em tudo, porque, se ele se acidentar, não vai nem sentir. Aí quando sequestram sua colega de trabalho por quem ele se sente atraído, ele resolve, pela primeira vez na vida, usar seus “super poderes” e vai atrás dela.

Dirigido pela dupla Dan Berk e Robert Olsen, Novocaine tem duas coisas que, pelo menos pra mim, foram essenciais pra trazer alguma veracidade à trama. A primeira é que, diferente de um filme como Anônimo, onde o protagonista tinha um passado ligado a lutas, Nate nunca brigou. Ou seja, claro que ele vai apanhar quando enfrentar os vilões. E a outra coisa é que ele não sente dor, mas os machucados são reais, e trazem consequências ao personagem, consequências que vão escalando ao longo do filme. Uma das coisas que o time de dublês se preocupou era de dar poucos golpes no rosto, sempre que possível o golpe era transferido para o corpo – porque o rosto ia ficar inchado! Seria bem ruim se, do nada, ele virasse um grande lutador e nunca se machucasse. Ia virar um filme tosco de super herói.

Lendo isso, parece que é um filme sério e super violento, né? Bem, é um filme super violento, mas não é exatamente sério. Novocaine tem sequências muito engraçadas. Em várias cenas o filme apresentava situações inusitadas e exageradas que faziam o cinema inteiro dar gargalhadas. Não diria que é um filme de comédia, mas você certamente vai rir!

O protagonista é Jack Quaid, filho do Dennis Quaid e da Meg Ryan (falei dele há pouco em Acompanhante Perfeita) mas que é mais conhecido pelo papel de Hughie na série The Boys. Ele está muito bem aqui, mas preciso reconhecer que o elogio é mais pelo carisma do ator do que pela atuação, porque se a gente parar pra analisar, o Nate é muito parecido com o Hughie. O principal papel feminino é de Amber Midthunder, de O Predador – A Caçada, enquanto o vilão é outro “nepobaby”, Ray Nicholson (Sorria 2), filho do Jack Nicholson. Jacob Batalon, dos filmes recentes do Homem Aranha, faz um papel menor mas bem divertido.

Novocaine – À Prova de Dor estreia nos cinemas quinta da semana que vem!

Acompanhante Perfeita

Crítica – Acompanhante Perfeita

Sinopse (imdb): A morte de um bilionário desencadeia uma série de eventos para Iris e seus amigos durante uma viagem de fim de semana à sua propriedade à beira do lago.

É complicado falar de um filme como Acompanhante Perfeita (Companion, no original), porque boa parte da graça do filme está nas pequenas reviravoltas espalhadas ao longo do roteiro. Fui ao cinema sem ver o trailer, apenas tinha lido uma sinopse genérica. E posso dizer que entrar na sala sem saber nada é uma experiência melhor! Então vou me policiar pra falar o mínimo possível sobre a trama.

Um grupo de amigos vai passar uns dias numa mansão à beira de uma lagoa, de um milionário russo. Acontece um assassinato, e descobrimos que nem tudo é o que parece. É, acho que isso é o suficiente.

O roteiro e a direção são de Drew Hancock – pelo imdb dele, este é seu primeiro longa, ele já tinha trabalhado em séries e curtas (inclusive dois do Tenacious D, banda do Jack Black). Gostei do estilo dele, tomara que seu próximo filme siga esse caminho. O poster do filme fala “dos mesmos criadores de Noites Brutais / The Barbarian“, mas isso não está correto – na verdade, entre os produtores está Zach Cregger, diretor de Noites Brutais (outro filme que também tem suas surpresas no roteiro, mas são estilos bem diferentes).

O melhor de Acompanhante Perfeita são os pequenos plot twists espalhados pelo filme – confesso que alguns me pegaram de surpresa. Porque, se a gente analisar mais profundamente, o roteiro de Acompanhante Perfeita não é algo muito inovador. Mas, sabe quando um filme sabe usar os clichês? Além disso, o roteiro equilibra bem o humor, algumas cenas são bem engraçadas, apesar do filme não ser uma comédia.

(Achei algumas coisas forçadas no conceito por trás dos plot twists, mas como este é um texto sem spoilers, vou relevar. Mas preciso deixar registrado que tem algumas cenas que a gente pensa “mas será que isso ia funcionar assim?”)

Outro trunfo é o elenco. Sophie Tatcher (O Livro de Bobba Fett, Herege) está ótima num papel que tem mais camadas do que aparenta ter; Jack Quaid (um dos principais da série The Boys, e filho da Meg Ryan com o Dennis Quaid) também está muito bem. O pequeno elenco secundário também é bom: Rupert Friend, Harvey Guillén, Lukas Gage e Megan Suri.

Acompanhante Perfeita ainda abre uma interessante discussão sobre relacionamentos tóxicos. Ouvi gente comentando que seria sobre machismo, mas, como tem um casal gay entre os personagens, acho que relacionamento tóxico tem mais a ver do que machismo…

Acompanhante Perfeita está em cartaz nos cinemas e tem cara de que já já sai do circuito.