O Contador 2

Crítica – O Contador 2

Sinopse (imdb): Christian Wolff aplica sua mente brilhante e métodos não tão legais para montar o quebra-cabeça não resolvido do assassinato de um chefe do tesouro.

O primeiro O Contador foi lançado em 2016, nove anos atrás. Lembro que vi, lembro que gostei, mas não lembro de nada do filme. Ou seja, os comentários serão como se heu não tivesse visto.

Dirigido por Gavin O’Connor (o mesmo do primeiro filme), O Contador 2 (The Accountant 2, no original) é mais um filme genérico de ação. Tecnicamente bem feito, mas teve um detalhe que me incomodou: o protagonista Christian, interpretado por Ben Affleck, é um cara super inteligente, muito rico, bonito, forte, sabe lutar e ainda sabe usar armas de fogo de alto calibre. Caramba, o cara não tem nenhum ponto fraco?

Ou será que Affleck ainda quer ser o Batman?

Aí a gente lembra da situação curiosa vivida pelo ator. Affleck é quem mais interpretou o Batman no cinema, foram quatro filmes (Batman vs Superman, Liga da Justiça, e pequenas participações em Esquadrão Suicida e The Flash). E, ironicamente, é o único que não teve um filme “solo” – Michael Keaton, Val Kilmer, George Clooney, Christian Bale e Robert Pattinson foram estrelas dos seus filmes.

Vendo este histórico, não parece que Affleck quer transformar O Contador 2 no seu filme do Batman? Afinal, o Batman é um cara muito inteligente, muito rico e que luta muito bem…

Piadas à parte, esse lado “super herói” me incomodou um pouco. Talvez funcionasse melhor nos anos 80 ou 90, mas, hoje em dia, fica difícil ver um personagem sem nenhuma vulnerabilidade e levar o filme a sério.

(E ainda tem uma escola para super dotados que ajuda remotamente o personagem, e é impossível não lembrar de X-Men e a escola do professor Xavier. Mais um “super poder”!)

O elenco é bom. Tem crítico que não gosta do Ben Affleck, mas heu não tenho nada contra, acho que ele funciona bem neste tipo de papel. Jon Bernthal também está bem e tem boa química com Affleck. J.K. Simmons aparece muito pouco, pena, gosto dele. Também no elenco, Cynthia Addai-Robinson e Daniella Pineda

O Contador 2 não é ruim, como falei, tecnicamente é bem feito e tem algumas boas sequências de ação. E a dinâmica entre os irmãos é bem construída. Mas acho que funcionaria melhor se os irmãos tivessem uma dinâmica diferente, um sendo “o cérebro”, outro sendo “os músculos”.

Operação Vingança

Crítica – Operação Vingança

Sinopse (imdb): Quando seus supervisores na CIA se recusam a tomar providências depois que sua esposa é assassinada em um ataque terrorista em Londres, um decodificador decide resolver o problema com as próprias mãos.

Alguns filmes são bons e disputam espaço em listas de melhores do ano, como o recente Pecadores. Outros são ruins e disputam espaço em listas de piores, como o igualmente recente Nas Terras Perdidas. Já outros estão aí só pra “cumprir tabela”. Operação Vingança é um desses. Um filme ok, mas esquecível.

Dirigido pelo pouco conhecido James Hawes, que tem um currículo razoável na TV mas pouca coisa para cinema, Operação Vingança (The Amateur, no original) é baseado no livro “The Amateur”, de Robert Littell, que já tinha virado filme em 1981, estrelado por John Savage e Christopher Plummer. Ou seja, o péssimo nome “Operação Vingança” não é novidade.

Conhecemos Charles Heller, que trabalha nos computadores da CIA. Perfil de nerd que sofre bullying no formato de trabalhar de graça pros colegas. Quando sua esposa morre, vítima de um ataque terrorista, ele chantageia seus chefes para ganhar treinamento para fazer vingança com as próprias mãos.

O melhor de Operação Vingança é que o protagonista Charles Heller não tem o perfil de agente de campo, e não consegue aprender isso no seu rápido treinamento. Ele vai atrás dos vilões, mas continua sendo um “nerd de computador”. E pra piorar, a CIA começa a persegui-lo. Ou seja, ele está atrás de perigosos terroristas enquanto precisa fugir da CIA.

Claro que precisamos de muita suspensão de descrença, porque algumas coisas feitas por Heller são bem difíceis de se aceitar. Mas, faz parte do pacote “filme de espionagem”.

O problema é que Operação Vingança é “correto”, mas em nenhum momento chega a empolgar. Na verdade, parece um produto de streaming, aquele tipo de filme que serve pra entreter por duas horas, e que na semana seguinte você nem se lembra mais.

No elenco, ouvi críticas à atuação de Rami Malek, mas confesso que achei ele bom pro papel (sei que ele fez Mr Robot, mas nunca vi). Rachel Brosnahan, a nova Lois Lane, morre logo no início do filme, mas continua aparecendo por causa de uma boa sacada de roteiro. Também no elenco, Laurence Fishburne, Jon Bernthal, Holt McCallany, Julianne Nicholson e Caitríona Balfe.

Operação Vingança não vai mudar a vida de ninguém, mas pelo menos não vai deixar nenhum espectador com raiva de ter perdido tempo.