Homem-Aranha: Um Novo Dia

Crítica – Homem-Aranha: Um Novo Dia

Sinopse (imdb): Um Peter Parker esquecido vive sozinho como Homem-Aranha em tempo integral, até que uma pressão crescente desencadeia uma mudança perigosa e um novo e poderoso inimigo surge.

Sim, estou atrasado, afinal Homem-Aranha: Um Novo Dia já estreou, já tem um monte de vídeos comentando sobre o filme. Heu me atrasei porque passei uns dias fora, mas por um certo lado acho uma boa ter atrasado, porque quero comentar sobre o novo vilão e isso é um spoiler. Vou fazer um vídeo comentando o filme sem spoilers, depois coloco aviso de spoilers e comento sobre o vilão. Se você ainda não sabe quem é o vilão e quer descobrir na hora do filme, então pare o vídeo naquele momento. Vamulá?

Quando surge um filme novo da Marvel, logo duas perguntas vêm à mente. Uma delas é: será que a Marvel vai voltar a ser o que já foi um dia? E a outra é: o que a gente precisa conhecer do MCU antes de ver esse filme? Vou começar meus comentários com esses dois pontos.

Vamos logo à boa notícia. Homem-Aranha: Um Novo Dia é um bom filme – talvez seja o melhor dos quatro filmes do Homem-Aranha no MCU. Se isso significa que a Marvel vai voltar a ser o que já foi um dia, não sei, porque a gente não sabe o que vai acontecer no futuro. Mas posso dizer que, individualmente, este é um bom filme. Ninguém vai se arrepender de ir ao cinema.

Sobre o que a gente precisa conhecer do MCU antes de ver este filme. Dois personagens secundários aqui não são apresentados porque a Marvel supõe que você já deveria saber quem são. Um deles é a Yelena Belova, irmã da Natasha Romanoff, a nova Viúva Negra, que estava nos filmes Viúva Negra e Thunderbolts*, e também na série do Hawkeye. Outro é Frank Castle, o Justiceiro, do seriado homônimo. Outros vilões com importância menor, Scorpion e os ninjas do Tentáculo, também aparecem sem um contexto prévio, mas isso não atrapalha o desenvolvimento do filme.

Homem-Aranha: Um Novo Dia foi dirigido por Destin Daniel Cretton, o mesmo de Shang-Chi. Cretton fez um belo trabalho. São várias cenas de ação, todas bem filmadas, e em cada um delas tem um “momento página dupla da HQ”, onde vemos, em câmera lenta, um momento épico da luta, com os personagens em poses heroicas. Essas cenas são muito boas e dão um toque especial às sequências de ação do filme.

O roteiro, escrito por Chris McKenna e Erik Sommers consegue um feito difícil: trabalha vários personagens, e consegue equilibrar perfeitamente a importância e o tempo de tela de cada um. Só não digo que o roteiro é perfeito porque tem uma falha que incomodou muita gente, e me incluo nisso: o Peter Parker está sozinho e aparentemente usa todo o seu tempo ajudando a polícia. De onde ele tira dinheiro para se sustentar? As outras versões do Miranha trabalhavam como fotógrafo jornalístico, mas este aqui não aparece nenhuma vez nesta função. Tudo bem que ele mora num lugar horrível, mas tem um equipamento super top com ele. Quem banca isso?

O elenco todo está muito bem. Tom Holland já é o Homem Aranha há dez anos, este já é o seu sétimo filme como Peter Parker (quatro filmes “solo”, mais Capitão América Guerra Civil, Vingadores Guerra Infinita e Vingadores Ultimato), e aqui ele mostra maturidade ao lidar com os problemas que o personagem passa. Ele mostra boa química com o Justiceiro do Jon Bernthal, as cenas com os dois são ótimas. Florence Pugh está sensacional, pena que aparece pouco. Mark Ruffalo também volta como Bruce Banner, assim como uma breve participação da Marisa Tomei como tia May num flashback. Zendaya e Jacob Batalon aparecem menos nesse quarto filme, mas quando aparecem também funcionam bem. Sobre o vilão, vou comentar depois…

Vamos aos spoilers?

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Homem-Aranha: Um Novo Dia tem um vilão misterioso, que consegue dominar as mentes das pessoas, e pula de corpo em corpo, quase como uma possessão demoníaca – o filme inclusive fala sobre essa possibilidade. Determinado momento a gente descobre quem consegue dominar mentes daquele jeito: nada menos que Jean Grey – sim, uma das principais dos X-Men!

Jean Grey já foi interpretada por Famke Janssen e Sophie Turner, em diferentes versões do grupo de super heróis mutantes. Agora quem assume o papel é Sadie Sink, que faz um ótimo trabalho (apesar de algumas cenas parecerem tiradas de Stranger Things).

Vai ter gente que vai se perguntar “ué, mas a Jean Grey não é do time dos mocinhos?”. Bem, na verdade descobrimos que ela não é extremamente uma vilã, ela está procurando a irmã dela, o vilão real é revelado logo depois. E a gente tem que se lembrar que a Jean Grey virou a Fênix Negra nas outras versões dos X-Men, ou seja, é coerente ela ter um pé na vilania.

FIM DOS SPOILERS!

Uma vantagem de escrever um texto atrasado é que posso comentar sobre a bilheteria. Homem-Aranha: Um Novo Dia está batendo recordes, foi a segunda maior bilheteria da história no fim de semana de estreia (atrás apenas de Vingadores Ultimato), só no primeiro fim de semana chegou quase ao bilhão de dólares. E como o filme é bom, deve trazer espectadores para ver mais de uma vez. Palmas para a Marvel, vamos torcer pra não saírem do trilho de novo.

Aumentaram as expectativas para o novo Vingadores, que estreará no fim do ano…

A Odisseia

Crítica – A Odisseia

Sinopse (imdb): Após a Guerra de Troia, Odisseu enfrenta uma viagem perigosa de volta a Ítaca, encontrando pelo caminho criaturas como o ciclope Polifemo, as Sereias e Calipso.

Heu nunca ganhei um Oscar. Mas desconfio que ganhar um Oscar deva abrir portas. Deve ser mais fácil seguir com um projeto complicado. Christopher Nolan ganhou dois Oscars por Oppenheimer, melhor diretor e melhor filme. Nolan é um cara que gosta de projetos grandiosos e complexos. Acho que ele deve ter aproveitado pra encarar um projeto ambicioso e desafiador: adaptar A Odisseia, clássico da literatura, escrito por Homero, e considerado um dos textos mais difíceis de se adaptar.

A Odisseia mostra a jornada de Odisseu, que depois de vinte anos na guerra de Troia, agora enfrenta dificuldades para voltar para casa. Ao mesmo tempo, sua esposa Penelope precisa lidar com pretendentes que que aguardam a confirmação de sua morte, e seu filho Telemaco procura saber se ele ainda está vivo.

O texto é clássico, meio que todo mundo conhece algo dessa história, mas… Mais do que um texto do Homero, este é um filme do Christopher Nolan. Temos uma história grandiosa, contada em ordem não cronológica, com um grande elenco, sublinhada por uma trilha sonora épica em tons graves. Aliás, existe um paralelo óbvio com a sinopse de Oppenheimer: ambos os filmes têm um protagonista que cria algo que acaba causando muitas mortes (a bomba / o cavalo de Troia), e depois passam boa parte do filme envoltos em dilemas éticos e morais.

A jornada do Odisseu tem algumas sequências bem legais. A sequência onde encontram a Circe é uma das melhores partes do filme. E gostei do conceito do ciclope gigante, em vez de um olho na testa, ele tem a cara meio torta, então seu nariz é inclinado, acompanhando o único olho. Isso sem falar do óbvio cavalo de Troia. Por outro lado, não gostei muito da parte onde encontram aquele pessoal de armadura metálica brilhante, com as árvores se movendo. Podiam ter explorado melhor aquele ambiente. E a parte das sereias teve uma boa sacada no som do filme, mas foi curta demais.

A parte técnica é um absurdo. A Odisseia é o primeiro longa inteiramente filmado com câmeras Imax, que são trambolhos difíceis de se manusear. Além disso, Nolan é um perfeccionista, então se preocupou com detalhes que talvez outros diretores deixassem passar. Pesquisaram o quanto tecidos e metais se deteriorariam ao longo de anos de exposição ao sal e à maresia, porque se Odisseu tinha que ficar 20 anos numa praia, as roupas e armas não poderiam continuar com aparência de novas. Outro detalhe: Nolan proibiu perucas e barbas falsas, porque ondas do mar poderiam descolar, ou seja, se o personagem tinha barba, o ator precisou deixar a barba crescer. O barco usado por Odisseu era de verdade, esse mesmo barco já cruzou o oceano Atlântico duas vezes, e todos do elenco daquelas cenas aprenderam a navegar.

O elenco é fantástico. Poucos filmes conseguem tanto star power junto; Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Charlize Theron, Zendaya, Robert Pattinson, Elliot Page, John Leguizamo, Mia Goth, Benny Safdie, Himesh Patel, Jon Bernthal, Lupita Nyong’o e Samantha Morton, entre outros. Por um lado isso é legal, mas o problema é que o fato de ter muitos personagens acaba atrapalhando o desenvolvimento de alguns deles – por exemplo, vemos que a Mia Goth teria mais história pra contar. Num elenco tão recheado, a impressão que fica é que metade ficou desperdiçado e a outra metade faz apenas o “feijão com arroz”. Acho que o único que realmente se destacou foi, por incrível que pareça, o John Leguizamo.

Existe um mimimi sobre parte do elenco. Tem uma galera dizendo que seria woke a inclusão de Lupita Nyong’o, Zendaya e Elliot Page. Não concordo, mas vou comentar. Sobre a Lupita, é bobagem, a Grécia é perto da África, não seria algo tão irreal ter uma mulher negra por lá (aliás, o elenco todo é multi-étnico). No lance do Elliot Page, o mimimi é porque rolou um boato que ele seria Aquiles, mas não é, é um soldado que tem importância secundária, e um personagem que precisava daquele porte físico. Já o mimimi da Zendaya como deusa Atena, discordo fortemente, achei uma ótima escolha. Explico porque na parte com spoilers.

São quase três horas de filme – Nolan gosta de filmes longos, e aqui realmente tinha muita história pra contar. Mas heu achei cansativo. Aquele diálogo na parte final entre Odisseu e Penelope é interminável! Além disso, não sei se é problema da história original ou da adaptação, mas achei o vilão Antinoo bem fraco. Odisseu não teria tanto motivo para odiá-lo.

Vou fazer um breve comentário sobre a Atena. É spoiler, então vamos aos avisos.

SPOILER!

Tem gente reclamando da Zendaya interpretando a deusa Atena. Mas, pela minha interpretação, a escolha foi perfeita. Vamulá. Em primeiro lugar, não sabemos se é uma deusa de verdade ou se é algo dentro da cabeça do Odisseu. Apenas sabemos que só ele vê a Atena, mais ninguém em volta a vê. Quando acontece a queda de Troia, Odisseu presencia o assassinato de uma jovem inocente – interpretada pela Zendaya. Pela minha interpretação, aquela figura que aparece não é uma deusa, e sim um trauma do passado do Odisseu, que o assombra todos os dias. Principalmente se a gente lembrar que não vemos nenhum outro deus, só a Atena. Pensando sob este ângulo, a escolha da Zendaya foi perfeita para o papel.

FIM DOS SPOILERS!

Até agora só elogiei, né? Poizé. A Odisseia é um bom filme. Mas achei fuén. Talvez por ser apenas um filme “correto”. Tudo está no lugar certo, mas, sei lá, faltou algo que me deixasse mais empolgado. Alguns filmes me deixam com vontade de rever assim que acaba a sessão, mas esse aqui não pretendo rever tão cedo.

O Contador 2

Crítica – O Contador 2

Sinopse (imdb): Christian Wolff aplica sua mente brilhante e métodos não tão legais para montar o quebra-cabeça não resolvido do assassinato de um chefe do tesouro.

O primeiro O Contador foi lançado em 2016, nove anos atrás. Lembro que vi, lembro que gostei, mas não lembro de nada do filme. Ou seja, os comentários serão como se heu não tivesse visto.

Dirigido por Gavin O’Connor (o mesmo do primeiro filme), O Contador 2 (The Accountant 2, no original) é mais um filme genérico de ação. Tecnicamente bem feito, mas teve um detalhe que me incomodou: o protagonista Christian, interpretado por Ben Affleck, é um cara super inteligente, muito rico, bonito, forte, sabe lutar e ainda sabe usar armas de fogo de alto calibre. Caramba, o cara não tem nenhum ponto fraco?

Ou será que Affleck ainda quer ser o Batman?

Aí a gente lembra da situação curiosa vivida pelo ator. Affleck é quem mais interpretou o Batman no cinema, foram quatro filmes (Batman vs Superman, Liga da Justiça, e pequenas participações em Esquadrão Suicida e The Flash). E, ironicamente, é o único que não teve um filme “solo” – Michael Keaton, Val Kilmer, George Clooney, Christian Bale e Robert Pattinson foram estrelas dos seus filmes.

Vendo este histórico, não parece que Affleck quer transformar O Contador 2 no seu filme do Batman? Afinal, o Batman é um cara muito inteligente, muito rico e que luta muito bem…

Piadas à parte, esse lado “super herói” me incomodou um pouco. Talvez funcionasse melhor nos anos 80 ou 90, mas, hoje em dia, fica difícil ver um personagem sem nenhuma vulnerabilidade e levar o filme a sério.

(E ainda tem uma escola para super dotados que ajuda remotamente o personagem, e é impossível não lembrar de X-Men e a escola do professor Xavier. Mais um “super poder”!)

O elenco é bom. Tem crítico que não gosta do Ben Affleck, mas heu não tenho nada contra, acho que ele funciona bem neste tipo de papel. Jon Bernthal também está bem e tem boa química com Affleck. J.K. Simmons aparece muito pouco, pena, gosto dele. Também no elenco, Cynthia Addai-Robinson e Daniella Pineda

O Contador 2 não é ruim, como falei, tecnicamente é bem feito e tem algumas boas sequências de ação. E a dinâmica entre os irmãos é bem construída. Mas acho que funcionaria melhor se os irmãos tivessem uma dinâmica diferente, um sendo “o cérebro”, outro sendo “os músculos”.

Operação Vingança

Crítica – Operação Vingança

Sinopse (imdb): Quando seus supervisores na CIA se recusam a tomar providências depois que sua esposa é assassinada em um ataque terrorista em Londres, um decodificador decide resolver o problema com as próprias mãos.

Alguns filmes são bons e disputam espaço em listas de melhores do ano, como o recente Pecadores. Outros são ruins e disputam espaço em listas de piores, como o igualmente recente Nas Terras Perdidas. Já outros estão aí só pra “cumprir tabela”. Operação Vingança é um desses. Um filme ok, mas esquecível.

Dirigido pelo pouco conhecido James Hawes, que tem um currículo razoável na TV mas pouca coisa para cinema, Operação Vingança (The Amateur, no original) é baseado no livro “The Amateur”, de Robert Littell, que já tinha virado filme em 1981, estrelado por John Savage e Christopher Plummer. Ou seja, o péssimo nome “Operação Vingança” não é novidade.

Conhecemos Charles Heller, que trabalha nos computadores da CIA. Perfil de nerd que sofre bullying no formato de trabalhar de graça pros colegas. Quando sua esposa morre, vítima de um ataque terrorista, ele chantageia seus chefes para ganhar treinamento para fazer vingança com as próprias mãos.

O melhor de Operação Vingança é que o protagonista Charles Heller não tem o perfil de agente de campo, e não consegue aprender isso no seu rápido treinamento. Ele vai atrás dos vilões, mas continua sendo um “nerd de computador”. E pra piorar, a CIA começa a persegui-lo. Ou seja, ele está atrás de perigosos terroristas enquanto precisa fugir da CIA.

Claro que precisamos de muita suspensão de descrença, porque algumas coisas feitas por Heller são bem difíceis de se aceitar. Mas, faz parte do pacote “filme de espionagem”.

O problema é que Operação Vingança é “correto”, mas em nenhum momento chega a empolgar. Na verdade, parece um produto de streaming, aquele tipo de filme que serve pra entreter por duas horas, e que na semana seguinte você nem se lembra mais.

No elenco, ouvi críticas à atuação de Rami Malek, mas confesso que achei ele bom pro papel (sei que ele fez Mr Robot, mas nunca vi). Rachel Brosnahan, a nova Lois Lane, morre logo no início do filme, mas continua aparecendo por causa de uma boa sacada de roteiro. Também no elenco, Laurence Fishburne, Jon Bernthal, Holt McCallany, Julianne Nicholson e Caitríona Balfe.

Operação Vingança não vai mudar a vida de ninguém, mas pelo menos não vai deixar nenhum espectador com raiva de ter perdido tempo.