Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Crítica – Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Sinopse (imdb): Forçados a equilibrar seus papéis como heróis e a força dos laços familiares, o Quarteto Fantástico deve defender a Terra de um deus espacial voraz chamado Galactus e sua enigmática arauta, a Surfista Prateada.

Estreou o aguardado Quarteto Fantástico!

Uma breve atualização pra quem está por fora. Este ano seriam três filmes da Marvel. O primeiro, Capitão América Admirável Mundo Novo, foi o que se esperava: um filme pra “cumprir tabela” – não é ruim, não é bom, é apenas mais um filme genérico e esquecível. Depois veio a surpresa com Thunderbolts, um filme que ninguém esperava nada, mas que surpreendeu positivamente a maior parte do público. Mas os fãs aguardavam o terceiro, este novo Quarteto Fantástico, que prometia ser o ponto de partida para uma nova fase da Marvel.

(As HQs do Quarteto Fantástico sempre foram da Marvel, mas por razões contratuais os personagens não faziam parte dos filmes do Universo Cinematográfico da Marvel, o MCU. Foram feitos quatro filmes antes: em 1994 (filme que nem chegou a ser lançado oficialmente), os dois mais famosos, com Jessica Alba e Chris Evans, em 2005 e 2007, e mais uma tentativa em 2015. Nenhum dos quatro é bom.)

O Quarteto tem um fã clube muito grande, mas, como sempre, meu texto será para o “leigo”. Claro que conheço os personagens, mas nunca li os quadrinhos, então meus comentários serão só pensando no cinema.

Dirigido por Matt Shakman, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (The Fantastic Four: First Steps, no original) se passa em uma realidade alternativa, não é no mesmo universo que estamos (e onde está todo o MCU). E preciso dizer que todo o conceito criado para retratar essa realidade é o melhor do filme. Todos os cenários e figurinos têm um visual retro-futurista, tudo parece anos 60, e ao mesmo tempo tudo é muito tecnológico. Esse visual do filme é fantástico! A trilha sonora de Michael Giacchino também é muito boa.

Vale dizer que este é um “filme de origem” mas, assim como aconteceu no recente Superman, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos não perde tempo contando a mesma história que já vimos várias vezes, de como eles ganharam seus super poderes. Logo no início tem um filminho tipo documentário contando o que o espectador leigo precisa saber. Só achei que faltou uma linha de diálogo explicando sobre as roupas. Porque a Mulher Invisível tem roupas que ficam invisíveis, assim como o Tocha Humana tem roupas que não pegam fogo. Podiam comentar algo sobre isso.

(Aliás, uma dúvida que heu sempre tive: Sr. Fantástico, Mulher Invisível e Tocha Humana usam seus poderes e depois voltam à forma anterior. Por que o Coisa continua sendo Coisa? (Ok, uma explicação fácil pode ser “cada um teve o DNA alterado de uma forma diferente”, mas, sempre achei que faltou uma satisfação para o espectador…))

Agora, o visual é bonito, mas por outro lado, a história não empolga. Em vários outros filmes de super heróis a gente fica envolvido, torcendo e sofrendo, mas aqui isso não acontece. Além disso, achei que podia mostrar mais o Quarteto em ação, cada um usando seus poderes e mostrando como a equipe trabalha junta, a gente só vê isso na cena final.

Rolou uma polêmica sobre a mudança de gênero do Surfista Prateado – aqui é uma surfista. Não sei do personagem pelos quadrinhos, mas posso dizer que, pelo filme, tem muita lógica ser uma mulher. Digo mais, tem mais lógica ser mulher do que se fosse homem.

Agora, preciso dizer que não entendo o personagem Galactus. Os leitores adoram, dizem que é um dos melhores vilões, mas nunca consegui ver graça. Porque dizem “ele come planetas!”, mas, galera, se um ser tem tamanho suficiente pra comer um planeta, é muito desproporcional ter um personagem desses interagindo com humanos. Seria tipo um micróbio comprar briga com um humano. Não dá pra colocar no mesmo plano personagens de tamanho tão diferentes. Mas aí, quando o Galactus aparece no filme, ele é grande, mas do tamanho de um edifício. Ok, dá pra interagir. Mas, um ser do tamanho de um edifício consegue comer um planeta? Sei lá. Nos quadrinhos o Galactus deve ser um vilão melhor construído. Aqui não me convenceu.

O elenco é ok. O onipresente Pedro Pascal lidera o grupo, ao lado de Vanessa Kirby, Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach. Gostei da Julia Garner como a Surfista Prateada, e Ralph Ineson faz a voz do Galactus (escolha perfeita, a voz dele é muito boa para um papel assim). Ah, tem um robô, mas é um personagem esquecível.

Claro que veremos esses personagens no MCU que a gente já conhece. A cena pós créditos de Thunderbolts dá uma pista do que pode acontecer. E são personagens que podem agregar. Mas, nesse filme, não empolgaram. Thunderbolts teve um resultado melhor.

Por fim, é Marvel. São duas cenas pós-créditos, uma depois dos créditos principais, outra lá no fim de tudo.

Nosferatu (2024)

Crítica – Nosferatu

Sinopse (imdb): Um conto gótico de obsessão entre uma jovem assombrada na Alemanha do século XIX e o antigo vampiro da Transilvânia que a persegue, trazendo consigo um horror incalculável.

Comecemos pelo original, de mais de 100 anos atrás. Em 1922, F.W. Murnau resolveu fazer uma adaptação do livro Drácula, de Bram Stoker. Alterou os nomes dos personagens, alterou o país onde se passa a história, alterou quais são os dentes do vampiro (incisivos em vez de caninos). O resto é exatamente igual. Exatamente a mesma história. A viúva de Bram Stoker descobriu o plágio, entrou com um processo, e pediu para que todas as cópias fossem destruídas. Por sorte, alguns colecionadores e cinematecas guardaram cópias, se não hoje não teríamos essa obra icônica.

Heu nunca tinha visto este Nosferatu de 1922. Vi agora, e entendo todos os méritos, mas preciso admitir que não gosto muito do estilo usado na época. Como era cinema mudo, todas as atuações parecem exageradas, isso me incomoda um pouco. Mas reconheço a importância do filme.

(Existe outra versão de Nosferatu, de 1979, dirigida por Werner Herzog e estrelada por Isabelle Adjani e Klaus Kinski. Vi muitos anos atrás, me lembro de pouca coisa desta versão.)

Finalmente chegamos em 2024 (apesar de já estarmos em 2025). Gosto do estilo do Robert Eggers, gostei de A Bruxa, e gostei mais ainda de O Homem do Norte – apesar de não ter gostado nem um pouco de O Farol, achei chato e pretensioso. Mas estava curioso em ver como Eggers ia apresentar sua versão de Nosferatu.

A história todo mundo conhece: o jovem corretor de imóveis Hutter vai até a Transilvânia para fechar um contrato de venda de um imóvel para o misterioso conde Orlok, que vai até a Alemanha atrás da esposa de Hutter.

Se a história é batida, o visual não é. Goste ou não do estilo de Robert Eggers, seus filmes são sempre belíssimos, com várias sequências com visual deslumbrante. E isso acontece aqui, Nosferatu enche os olhos. A trilha sonora também é muito boa. Além disso, todo o figurino e reconstituição de época são perfeitos.

Um parágrafo à parte pra falar da maquiagem. Bill Skarsgård está irreconhecível. A divulgação do filme fez bem em não explorar o visual deste novo Nosferatu, porque quando ele aparece, está assustador, tanto na aparência quanto na voz – ele treinou a voz por semanas pra baixar uma oitava do seu registro natural para seu personagem ter a voz o mais grave possível.

O vampiro de Bill Skarsgård é assustador, e o clima do filme segue a mesma linha. Nosferatu ainda tem alguns jump scares bem bolados (daqueles que a gente não adivinha quando vão chegar). Mas o mais importante aqui não são os jump scares, e sim o clima tenso de terror. Sim, Robert Eggers sabe trabalhar o clima como poucos no cinema contemporâneo.

(Achei estranho o personagem ter bigode. Deve ser porque Vlad Tepes também tinha.)

Bill Skarsgård não é o único destaque do elenco. Lily-Rose Depp também está excelente (parece que o papel seria da Anya Taylor-Joy, mas ela teve que passar adiante por problemas de conflito de agenda quando foi fazer Furiosa). Também no elenco, Nicholas Hoult, Willem Dafoe, Aaron Taylor-Johnson, Emma Corrin e Ralph Ineson.

Gostei muito deste novo Nosferatu, mas reconheço que não é um filme para qualquer um. Aliás, todo o cinema de Eggers tem essa característica, seus filmes são o oposto do pop. Provavelmente vai ter parte do público saindo insatisfeita do cinema. Mesmo assim, recomendo: filmão!

Por fim, um mimimi que não é um problema deste filme, porque na verdade estava na versão de 1922. Na história original do Bram Stoker, Drácula vai de navio até a Inglaterra. É longe, sair da Transilvânia e ir até a Inglaterra, mas tem lógica se a gente pensar que a Inglaterra é uma ilha, então teria alguma lógica ir pelo mar. Na versão “pirata”, a história se passa na Alemanha, e mesmo assim, Orlok vai de navio. Não entendo muito de geografia europeia, mas a Alemanha só tem acesso ao mar pelo norte. O navio nesta versão teve que dar uma volta enorme! Não vejo lógica em ele ir de navio da Romênia até a Alemanha. Fui o único que pensei nisso?

A Primeira Profecia

Crítica – A Primeira Profecia

Sinopse (imdb): Uma jovem americana é enviada a Roma para começar uma vida de serviço à Igreja. Ela acaba desvendando uma aterrorizante conspiração que deseja provocar o nascimento do mal encarnado.

Confesso que heu estava com a expectativa lááá embaixo pra ver mais uma releitura de um clássico do terror. Acho que O Exorcista O Devoto me deixou traumatizado. Mas, não é que A Primeira Profecia não é ruim?

Recapitulando a franquia: dirigido por Richard Donner, A Profecia foi lançado em 1976 e hoje é considerado um dos melhores filmes de “terror religioso” da história do cinema. Teve continuações em 78, 81 e 91, e uma refilmagem em 2006 (pra aproveitar a data 06/06/2006). Há 18 anos ninguém mexia na franquia, até que apareceu este prequel.

Longa metragem de estreia da diretora Arkasha Stevenson, A Primeira Profecia (The First Omen, no original), diferente da maioria das releituras recentes, é um filme extremamente respeitoso com o original de 1976. A Primeira Profecia tem cara de filme feito nos anos 70, não só nos figurinos e cenografias, mas principalmente nos posicionamentos e movimentações de câmera. A galera acostumada com o “terror Blumhouse” deve até estranhar.

Um parágrafo à parte pra falar da trilha sonora de Mark Korven. A trilha é sensacional, usa as cordas e o coro de maneira perfeita. E ainda criou uma nova versão para o tema do original, composto por Jerry Goldsmith (e que lhe deu seu único Oscar em toda a carreira). Essa é daquelas trilhas pra se ouvir quando estivermos no clima de algo assustador!

O elenco também é muito bom. Nell Tiger Free, da série Servant, manda muito bem como protagonista. E Sonia Braga tem um dos papeis principais! Tem dois atores que gosto em papeis menores, Bill Nighy (como um cardeal, bem diferente do que ele costuma fazer), e Ralph Ineson (que tem uma das vozes mais legais da atual Hollywood). Também tem uma ponta de Charles Dance. Também no elenco, Maria Caballero, Nicole Sorace e Ishtar Currie-Wilson (sou o único que achei ela parecida com a Mia Goth?).

A Primeira Profecia é bom, melhor do que a média, mas ainda não é um filme perfeito. Rolam alguns jumpscares meio óbvios – por exemplo, o “peguete” da protagonista, dava pra imaginar exatamente o que iria acontecer. O mesmo posso dizer sobre o plot twist que aparece no terço final. Acredito que a maior parte da audiência já desconfiava daquilo. E claro que, por ser um prequel, a gente já sabe mais ou menos como vai terminar – e tem gancho pra uma continuação.

Mesmo assim, A Primeira Profecia foi uma agradável surpresa. Ah, se todas as releituras de clássicos do terror fossem assim…