Juntos

Crítica – Juntos

Sinopse (imdb): A mudança de um casal para o interior desencadeia um incidente sobrenatural que altera drasticamente seu relacionamento, suas existências e suas forma físicas.

O sucesso de A Substância ano passado trouxe de volta os filmes de body horror, ou horror corporal. Este ano a gente já teve o bom The Ugly Stepsister, e agora chega aos cinemas este Juntos.

(The Ugly Stepsister é uma versão de terror da história da Cinderela, mas é bem diferente dessa onda recente de filmes vagabundos usando temas infantis, como os filmes do Ursinho Puff, do Mickey e do Popeye. Vale ser visto!)

Escrito e dirigido por Michael Shanks, Juntos (Together, no original) traz um casal em crise que se muda para uma cidadezinha onde algo misterioso parece querer juntar seus corpos. A ideia é boa. Mas o desenvolvimento, nem tanto.

Um problema básico é que estamos diante de um filme que se propõe a ser um “horror corporal” e temos poucas cenas mostrando o tal horror corporal. Sim, aparece, mas muito pouco. Além disso, algumas cenas são demasiadamente escuras, me pareceu que foi para esconder um possível baixo orçamento. Por outro lado, preciso reconhecer que a cena dos braços se juntando foi legal, tanto na parte visual quanto na parte narrativa.

Tem outra coisa, sei que não é grave, mas preciso dizer que me incomodou. Primeiro, o casal cai na caverna, e parece que não querem sair de lá. Ok, caíram, está chovendo muito, bora esperar uma meia hora, a chuva diminui, a gente sai, certo? Que nada. Eles dormem lá embaixo! Mas, até aí ok. O problema é que eles se machucam, suas pernas grudam, aparentemente é um ferimento feio – e eles não vão procurar tratamento médico?

Sobre as atuações, Dave Franco não é um bom ator. Mas, pelo menos ele funciona bem ao lado da Alison Brie (eles são um casal na vida real).

Preciso fazer um último comentário, mas é sobre algo que acontece no fim, então vamos aos avisos de spoilers.

SPOILERS!

Não acho que um filme precise explicar tudo. Existe algo na água daquela caverna que ativa aquela magia / maldição. O que é? Não importa. O espectador só precisa saber que aquilo acontece. Beleza. Agora, acho que se um filme estabelece regras, o filme deve obedecer às próprias regras. Por que o casal do início do filme virou um monstro e o casal protagonista não virou?

FIM DOS SPOILERS!

Juntos não é ruim. Mas é besta. Tem coisa melhor por aí.

Freelance

Crítica – Freelance

Sinopse (imdb): Um ex-agente das forças especiais trabalha fornecendo segurança para uma jornalista que vai entrevistar um ditador. No meio da entrevista, ocorre um golpe militar e eles são forçados a fugir para a selva, onde precisam sobreviver.

Alguns filmes se propõem a ser grandes filmes que vão mudar paradigmas do cinema. Outros apenas querem proporcionar uma leve diversão. Este é o caso de Freelance, novo filme de ação de Pierre Morel, diretor francês que chamou a atenção 20 anos atrás com B13 – 13º Distrito (com roteiro e produção de Luc Besson), e que quatro anos depois dirigiria o filme que mais marcou a carreira do Liam Neeson (Busca Implacável).

Se Busca Implacável foi um grande filme, este Freelance parece uma nova versão de Cidade Perdida, de 2022. Se Cidade Perdida era uma mistura de comédia com ação que se baseava no carisma de seus protagonistas Sandra Bullock e Channing Tatum, Freelance faz o mesmo, só que com John Cena e Alison Brie.

A história é clichê e previsível: uma jornalista vai para um país fictício entrevistar o ditador, e contrata um segurança particular. Quando chegam lá, acontece um golpe de estado, tentam matar o presidente ditador, e o trio “se mete em muitas confusões!”

O que vale no filme é o carisma do elenco. É sempre agradável ver John Cena em cena, se ele aparece pouco em Argylle, pelo menos aqui ele está durante o filme inteiro. A personagem de Alison Brie não é muito consistente, às vezes ela parece querer uma coisa, logo depois parece querer outra, mas a atriz também tem carisma. E gostei de Juan Pablo Raba e seu ditador divertido e irônico. Também no elenco, Christian Slater, Alice Eve e Marton Csokas (como o vilão caricato – por que sempre tem que ter um vilão caricato?).

Agora, todo o filme é genérico. Cenas de perseguição genéricas, tiroteios genéricos… Sim, a gente já viu esse filme antes. Mas serve para os fãs do John Cena e da Alison Brie.