Crítica – Predador: Terras Selvagens
Sinopse (imdb): Um jovem predador marginalizado de seu clã encontra um aliado improvável em sua jornada em busca do melhor adversário.
O primeiro Predador, de 1987, apresentava um antagonista diferente. Ele não era exatamente um vilão, na verdade era um caçador em um safári interplanetário, que enfrentava o protagonista porque achava que ele era um bom adversário. A partir do segundo filme isso ficou mais claro: a cultura dos yautjas (o nome da espécie) é guerrear contra adversários mais fortes que eles. Isso abre espaço para um universo gigantesco, afinal podemos ver inúmeros filmes mostrando yautjas lutando em ambientes estranhos, contra adversários ainda mais estranhos.
Dirigido por Dan Trachtenberg (que está cuidando bem da franquia, ele também dirigiu os bons O Predador – A Caçada e a animação Predador: Assassino de Assassinos), Predador: Terras Selvagens (Predator: Badlands, no original) faz algo que a gente ainda não tinha visto: traz um yautja como protagonista. Digo mais: não só não se passa no nosso planeta, como também não tem nenhum humano. E não é que o resultado funcionou?
Predador: Terras Selvagens nos apresenta Dek (acho que é o primeiro filme onde ouvimos o nome de um yautja), que é fraco e rejeitado por um pai abusivo, e que por isso resolve tentar conseguir um prêmio difícil: matar uma criatura que nenhum yautja até hoje conseguiu matar. Detalhe: essa criatura está em Genna, um planeta muito perigoso.
O planeta Genna é um dos pontos altos do filme. A geografia parece a da Terra (foi filmado na Nova Zelândia), mas foram criadas uma fauna e uma flora onde tudo apresenta perigo. Todos os bichos e plantas parecem querer matar o protagonista, que acaba se associando a Thia, uma robô sem pernas, de propriedade da Weyland Yutani – sim, a mega corporação da franquia Alien, deixando claro que no futuro provavelmente teremos novos Alien vs Predador (e espero que melhores do que os que já fizeram). Aliás, o modo de carregar o robô nas costas foi uma homenagem ao Império Contra Ataca, quando Chewbacca carrega C3P0 desmontado do mesmo jeito.
Gostei muito da dinâmica da dupla Dek / Thia. Mas, é uma parte do filme que traz algum humor, e amigos meus não gostaram disso. Como pra mim “cinema é a maior diversão”, não vou reclamar de algumas situações engraçadas criadas pela dupla. E não é só isso: durante parte do filme a dupla vira trio, quando Bud, uma nova criatura que parece um macaco de olhos grandes, se junta à trupe. E Bud tem alguns momentos que são bem engraçados. (Além disso, o visual do Bud é perfeito pra fazer bichos de pelúcia. Me parece que a Disney quer um novo Grogu.)
Tecnicamente falando, Predador: Terras Selvagens é um absurdo. Todo o visual do novo planeta é perfeito – a gente sabe que boa parte é cgi, mas não dá pra saber o que é real e o que é computador. Outro detalhe importante: boa parte do filme os diálogos são na língua yautja. Sim, criaram uma nova língua para este filme. A trilha sonora com vozes graves que lembram mantras tibetanos também é muito boa.
Sobre as cenas de luta, tenho um elogio e uma reclamação. O elogio é pra uma coreografia onde a Thia está separada de suas pernas, mas elas continuam coordenadas com o torso. Assim temos uma luta onde metade do lutador está em um lado, a outra metade está no outro, e as metades atuam em sintonia, foi uma boa sacada. Agora, por outro lado, a cena da batalha final é muito bagunçada, a gente não consegue entender o que está acontecendo, muita coisa embolada na tela, parece um filme de Transformers com aquelas lutas muito mal filmadas.
Quero fazer um mimimi, com cuidado pra não entrar em spoilers. Determinado momento do filme, Dek dá uma magaiverizada e resolve usar a fauna e a flora local para criar armas. Ele pega plantas e bichos para usar contra os inimigos. Até aí, ok, é uma ótima sacada. Mas tem um animal que ele coloca no ombro, e o bicho vira uma arma. Que ele consiga domesticar o animal e usá-lo a seu favor, ok; mas, a ponto do bicho virar adestrado e funcionar junto com o pensamento? Forçou a barra…
O elenco é muito pequeno, na verdade, só existem seis nomes nos créditos oficiais. Thia é interpretada por Elle Fanning, que está bem como a robô tagarela. Dimitrius Schuster-Koloamatangi faz Dek, mas, claro, não vemos seu rosto. Curiosidade: ele tem só 1,80m de altura, foi a primeira vez que um ator de menos de 2 metros interpreta um yautja (Kevin Peter Hall, que fez os dois primeiros filmes Predador, tinha 2,24m!). O filme é quase todo em cima dos dois. Tem outro ator creditado como a voz do Bud, mais o pai e o irmão do Dek, e um único ator interpreta todos os outros robôs que aparecem na parte final do filme.
Predador: Terras Selvagens estreou esta semana no circuito. Boa opção pra quem gosta do gênero.


