Extermínio 3

Extermínio 3 – 7 Tosqueiras Toscas

Sinopse (imdb): Um grupo de sobreviventes do vírus da raiva vive em uma ilha. Quando um do grupo deixa a ilha em uma missão ao continente, ele descobre segredos, maravilhas e horrores que transformaram não apenas os infectados, mas outros sobreviventes.

21 anos depois de Trainspotting, de 1996, Danny Boyle fez uma das continuações mais bem boladas da história, estruturalmente falando. Trainspotting 2, de 2017, trazia mesmo diretor, mesmo roteirista, mesmo produtor, mesmos quatro atores principais, pra contar o que aconteceu com aqueles personagens duas décadas depois. O filme em si não é tão bom, mas trazer todo o universo de volta foi uma sacada genial.

Extermínio 3 traz os mesmos diretor, roteirista e produtor. Achei que isso podia ser sinal de qualidade. Que nada, Extermínio 3 é bem inferior aos outros dois (e olha que o segundo tem outro diretor e outro roteirista!).

O título brasileiro é ruim. O primeiro filme se chama “28 Dias Depois”, e alguém resolveu chamar de “Extermínio”. O problema é que isso bagunça as continuações. Segundo o imdb, originalmente este terceiro filme seria intitulado “28 Meses Depois”, continuando o tema do título do filme, que se baseia na linha do tempo (28 dias – 28 semanas – 28 meses). No entanto, depois de tanto tempo desde a visita a este mundo em 2007, no segundo filme, mudaram de ideia e acharam mais apropriado nomear o filme “28 Anos Depois”.

Gente, 28 anos é muito tempo. 28 anos atrás, 1997, heu trabalhava numa vídeo locadora, alugando fitas VHS. DVD e TV a cabo já existiam, mas nem todos tinham. A Internet ainda não fazia parte do dia a dia das pessoas, nem todos tinham computador ou telefone celular. Em 28 anos, MUITA COISA acontece.

Além disso, esse filme ignora o final do segundo, porque os infectados chegavam ao continente europeu. Começou errado, e continuou errando. Várias coisas no roteiro não fazem sentido. Vou até fazer uma lista de tosqueiras.

Apesar das tosqueiras, nem tudo é ruim. Danny Boyle sabe criar um clima tenso com esse estilo de “câmera nervosa” usada nos primeiros filmes da franquia. Além disso, o elenco é bom, com Aaron Taylor-Johnson, Jodie Comer e Ralph Fiennes. E guardemos o nome do jovem Alfie Williams, que acaba sendo o real protagonista, o garoto é bom!

Mas é pouco. Galera gosta de falar mal do segundo filme (que realmente tem alguns problemas), mas achei esse bem pior. E, notícia ruim, já tem continuação prevista pra ser lançada ano que vem.

Vamos às tosqueiras? Claro, spoilers liberados a partir de agora.

1- O primeiro filme se passa 28 dias depois do vírus ser espalhado. As ruas estão cheias de infectados. O segundo se passa 28 semanas depois, são 7 meses, os infectados morreram de fome, isso é dito no início do filme. Agora se passaram 28 anos. Como eles sobreviveram? E, 28 anos depois, deviam ser todos bem mais velhos.

2- O início do filme dá a entender que isolaram as Ilhas Britânicas. Mas, sério que, 28 anos depois, ninguém tentou voltar, seja pra salvar quem ainda está lá, seja pra recuperar o país? Iam simplesmente abandonar todas as terras do Reino Unido?

3- Determinado momento o garoto resolve fugir com sua mãe. Ok, existe um diálogo no filme que fala que, lá fora, é cada um por si. Mas, o pai era louco pelo menino. Duvido que ele não fosse atrás no dia seguinte.

4- Os dois estão dentro de uma loja de conveniência de um posto, existe um gás espalhado pelo local, o soldado atira pra queimar os infectados. Todo o local explode em uma bola de fogo. Mas os dois saem ilesos. Como?

5- Um grupo de soldados suecos está fazendo a patrulha em um barco, porque ninguém pode sair do Reino Unido. É dito que “quem entra nas Ilhas Britânicas não sai nunca mais”. Aí o barco tem um problema, eles pegam o bote salva vidas – e vão pra ilha. Por que diabos alguém iria para um destino onde obrigatoriamente morreria, em vez de tentar voltar para o continente?

6- Aparece uma infectada grávida. Sério que infectados fazem sexo?

7- Finzinho do filme aparece um grupo que luta contra infectados. Eles usam roupas coloridas e lutam fazendo coreografias. Essa parte não tem absolutamente nada a ver com o resto do filme. Pra que terminar com um momento Power Rangers? Precisava disso pro gancho pra continuação?

Clube dos Vândalos

Critica – Clube dos Vândalos

Sinopse (imdb): Acompanha a ascensão de um clube de motociclistas do meio-oeste americano por meio da vida de seus membros.

Clube dos Vândalos (The Bikeriders, no original) se inspira no livro “The Bikeriders”, lançado em 1967 pelo fotógrafo Danny Lyon, pra mostrar a criação do moto clube Vandals, na Chicago dos anos 60. O elenco é ótimo, a reconstituição de época é perfeita, a trilha sonora é boa. Mas…

Senti que falta história pra ser contada. Clube dos Vândalos foi escrito e dirigido por Jeff Nichols, diretor que já está por aí há algum tempo, mas heu ainda não tinha visto nada dele. Me pareceu que ele quis emular o estilo do Scorsese e criar um filme de gangsters, dentro de um moto clube. Acertou na parte da ambientação, mas faltou história. São quase duas horas acompanhado a vida daqueles caras, mas a trama não te leva pra lugar algum. Simplesmente vemos um retrato da vida daquelas pessoas.

Pelo que entendi, o livro “The Bikeriders” é um livro só de fotos, sem texto. Sendo assim, temos um caso diferente de roteiro adaptado, já que o livro base só tem imagens (durante os créditos, inclusive, rolam algumas das fotos originais). Deve ser por isso que o filme não tem exatamente uma historia a ser contada. Ou seja, temos um belo visual, boa fotografia, bons figurinos, boa reconstituição de época – mas o roteiro em si é fraco.

Outro problema é no elenco. São vários grandes atores, mas senti que alguns estão sub aproveitados. O protagonismo é bem dividido entre três personagens – Jodie Comer, Austin Butler e Tom Hardy. Heu diria que, se tem um principal, seria a Kathy da Jodie Comer, que inclusive narra parte dos acontecimentos. Jodie está bem, assim como Tom Hardy. Mas achei curioso ver que Austin Butler, que abre o filme e aparenta ser o principal, é um personagem de certa forma descartável, tanto que em determinado momento ele sai de cena e o filme segue. Caramba, o cara acabou de ser indicado ao Oscar por Elvis e foi uma das melhores coisas de Duna 2, e aqui ele é desperdiçado. O mesmo posso dizer sobre Michael Shannon, que faz um papel que qualquer ator faria. Também no elenco, Mike Faist, Boyd Holbrook e Norman Reedus.

Apesar dessas críticas, Clube dos Vândalos não é ruim. Grandes atores criam bons personagens, e como falei, a ambientação de época é ótima. mas, se tivesse um fio guiando a trama, seria um filme bem melhor.