Crítica – Dupla Perigosa
Sinopse (imdb): Uma dupla improvável de meio-irmãos, um detetive impulsivo e outro disciplinado, é atraída pelo assassinato de seu pai no Havaí, levando-os a uma jornada perigosa para desmascarar uma conspiração de longo alcance.
Outro dia vi um videozinho no Instagram com a Morena Baccarin e o Jason Momoa, ele fala com ela em espanhol, e ela responde “I don’t speak spanish, cause I’m from Brasil. I speak portuguese. Seu idiota!” Fui catar de onde era e achei este Dupla Perigosa / The Wrecking Crew, estreia da Prime, com os dois, mais Dave Bautista e Temuera Morrison no elenco. Aproveitei pra ver.
A direção é de Angel Manuel Soto, de Besouro Azul (onde, coincidência ou não, ele dirigiu outra brasileira, Bruna Marquezine). Ele apresenta um resultado cheio de cenas de ação e bom humor. É previsível? Sim, totalmente. Mas sabe aquele feijão com arroz bem feito? É o caso aqui. Soto usa bem os clichês a favor de seu filme.
Tecnicamente, Dupla Perigosa é muito bom. Abre com um plano sequência que começa num take aéreo de uma cidade, entra numa rua onde acontece uma festa popular e segue uma perseguição a pé no meio de uma multidão. E temos várias cenas de lutas bem filmadas – a primeira, com Jason Momoa seminu contra três membros da Yakuza, é divertidíssima. No quesito “tiro porrada e bomba”, Dupla Perigosa não decepciona.
Agora, a gente sabe que é um filme de ação descompromissado, mas tem algumas coisas que forçaram a barra demais. Determinado momento do filme, os personagens estão num carro, sendo perseguidos por vilões armados, numa moto e num helicóptero. Ok, cena cheia de adrenalina, mas… Em primeiro lugar: como os vilões sabiam onde os mocinhos estavam? E se sabiam, não seria mais fácil num lugar menos “aberto”? Mais: era um elevado com duas pistas, cheio de carros batidos e capotados. Como um carro consegue escapar? Não tem espaço! Ok, sei que metade dos filmes com cenas de perseguição têm o mesmo problema, mas é algo que precisa ser dito: quando um carro capota e atravessa a estrada, não dá pra passar!
Heu até aceitava essa cena do helicóptero. Cena absurda, mas está dentro do limite aceitável em filmes do gênero. Mas teve outra que não deu pra passar. Um milionário, badalado na sociedade, quer construir um grande empreendimento – ilegal, mas ele quer mexer os pauzinhos para conseguir seu objetivo. Aí em determinado momento ele grava um vídeo, mostrando o rosto, dizendo que sequestrou pessoas. Galera, esse cara NUNCA iria mostrar o rosto num vídeo que mostra uma ação criminosa! Seria o seu fim!
O elenco é bom. Jason Momoa e Dave Bautista são carismáticos e funcionam bem juntos. E ambos têm porte físico compatível com a proposta de filme de ação com porradaria. Jacob Batalon, o amigo gordinho do Homem Aranha, faz um bom alívio cômico. Morena Baccarin, Roimata Fox e Frankie Adams estão bem, mas têm pouco espaço, Dupla Perigosa é assumidamente um “filme de meninos”. Claes Bang está apenas ok como antagonista, confesso que gostei mais do vilão secundário vivido por Miyavi, o japonês com o corte no rosto, ele aparece pouco, mas pareceu um personagem bem melhor. Por fim, Maia Kealoha, a filha do Dave Bautista, é a Lilo do recente Lilo & Stitch.
Pra quem gosta de filme de ação onde não precisa usar muito o cérebro, Dupla Perigosa é uma boa opção. E, já disse outras vezes mas não canso de repetir: pra mim, “cinema é a maior diversão”, então Dupla Perigosa se encaixa nos meus critérios. Me diverti vendo, apesar dos clichês e da previsibilidade.
Por fim, queria implicar com o título nacional. “The Wrecking Crew” seria algo como “equipe de demolição” – o nome original não é bom. Mas, “Dupla perigosa”??? Detalhe: não é uma dupla qualquer, são irmãos! O título nacional parece uma comédia besta de sessão da tarde! O filme merecia mais do que isso!
Crítica – Destruição Final 2

