EPiC: Elvis Presley in Concert

Crítica – EPiC: Elvis Presley in Concert

Sinopse (filmeb): Elvis canta e conta a sua história como nunca se viu antes em uma experiência cinematográfica dirigida pelo visionário cineasta Baz Lurhmann.

No Podcrastinadores de expectativas para 2026, o Pedro Guedes, do canal Depois do Cinema, me sugeriu esse documentário. Não sou muito fã do gênero, mas fui ao cinema ver qualé.

EPiC: Elvis Presley in Concert (idem, no original) foi dirigido por Baz Luhrman. Durante as pesquisas sobre o filme Elvis, provavelmente ele deve ter encontrado muita coisa sobre o cantor, então deve ter separado esse material de arquivo que servia pra um documentário longa metragem.

Minha maior curiosidade era saber como seria um documentário feito pelo Baz Luhrman, que é famoso pelo visual espalhafatoso dos seus filmes. Mas se ele está usando material de arquivo, fica mais restrito na hora de fazer suas extravagâncias. Acho que aqui isso só acontece bem no início, quando vemos algumas colagens de imagens em velocidade acelerada – se o filme fosse todo naquele ritmo, ia ser difícil de acompanhar.

Mas acabou que o problema foi outro. EPiC fala um pouco sobre a carreira hollywoodiana do Elvis e mostra algumas rápidas imagens de shows antigos. Mas quase todo o filme é em cima da fase Las Vegas do cantor. Digo mais: só o início dessa fase, antes do Elvis engordar.

Talvez seja head canon da minha parte, mas, se vou ver um documentário sobre um cantor que começou a carreira em 1954, vou querer ver informações sobre essa época, assim como os anos seguintes. Por exemplo, toda a fase da Sun Records foi deixada de fora. Quase todo o filme foca apenas em 1969.

Além disso, quem viu o filme do mesmo diretor sabe das controvérsias ligadas ao empresário Coronel Tom Parker. Se Luhrman dedica boa parte do seu filme anterior ao Coronel, por que o deixa de lado aqui? Até vemos o Coronel, mas rapidinho. E com zero polêmica. O filme também fala pouco do relacionamento com Priscilla Presley.

Dito isso, preciso reconhecer que o material de Las Vegas apresentado no filme é muito muito bom. São vários momentos de ensaios e de shows. Além disso, a qualidade da imagem é excelente. Vemos Elvis de perto, conversando, cantando e fazendo piadas.

Alguns detalhes da edição ficaram bem legais. A música Polk Salad Annie alterna imagens do ensaio só com a banda, ensaio com o coro, e a apresentação no palco, com público. Detalhe: o áudio da música continua como se fosse uma única gravação, enquanto alternam as imagens. Achei esse o melhor momento do filme.

No fim, fica a vontade de ver o show de Las Vegas. Se existem aquelas imagens com aquela qualidade, deve ter o show inteiro em algum lugar. Acho que seria bem mais legal ver o show de Las Vegas completo do que um documentário que diz que vai falar sobre o Elvis mas fala muito pouco sobre o resto da sua rica carreira.

No fim, até vale. Quem curte música vai gostar, quem curte Elvis Presley vai gostar ainda mais. Mas poderia ser bem melhor, ah, poderia…

Elvis

Elvis

Sinopse (imdb): Elvis segue a história do infame astro do rock n roll Elvis Presley, visto pelos olhos de seu controverso empresário, o coronel Tom Parker. O filme explora os altos e baixos de Elvis Presley e os muitos desafios e controvérsias que ele recebeu ao longo de sua carreira.

Vamos para uma daquelas críticas muito rápidas? “Cinebiografia do Elvis Presley dirigida por Baz Luhrmann”. Isso já é o suficiente pra gente saber o que esperar. Mas, bora desenvolver.

Baz Luhrmann é um cara extravagante, a gente já sabe disso desde Romeu + Julieta e Moulin Rouge. Isso já fica claro antes do filme começar, quando aparece o logo da Warner todo enfeitado – parecendo que saiu do Moulin Rouge.

Apesar disso, o roteiro segue um formato bem tradicional de cinebiografias. A história é contada pelo Coronel Tom Parker, que foi o empresário do Elvis em toda a sua carreira (e que é um nome envolto em várias controvérsias). E o filme começa com o Coronel vendo o Elvis pela primeira vez, e segue acompanhando o desenvolvimento de sua carreira até o seu falecimento.

O filme é um pouco longo demais, são 2h39min, acho que podia ser menor. E Baz Luhrmann declarou que queria mais, ele disse que tem um corte de 4 horas! Ok, reconheço que a transição para a fase Las Vegas foi meio abrupta, e a gente mal vê o Elvis gordão. Mesmo assim, não acho que precise de 4 horas, o que precisava era reduzir esse.

O que me chamou a atenção foram os arranjos das músicas. Mais uma vez, Baz Luhrmann tem arranjos musicais inventivos e fora da caixinha. As músicas começam com arranjos tradicionais, e elementos diferentes são inseridos, uma bateria eletrônica aqui, uma guitarra pesada ali. E os arranjos soam orgânicos, tudo parece natural aos ouvidos.

O visual do filme também é bem legal, Baz Luhrmann manja dos paranauês quando o assunto é visual rebuscado. Algumas coisas são exageradas (incluindo algumas atuações), mas isso faz parte do pacote.

Existia uma dúvida com relação ao protagonista Austin Butler. Ouvi gente comentando que seria melhor um cara mais parecido com o Elvis (confesso que em algumas cenas ele me lembrava o John Travolta em Grease). Mas o garoto é bom, tem presença, tem carisma, e ainda canta algumas músicas. Austin Butler é um dos grandes acertos do filme!

Outro ponto que chama atenção é Tom Hanks, que está muito bem como o Coronel Tom Parker. Não será surpresa vê-lo concorrendo ao Oscar ano que vem. Também no elenco, Olivia DeJonge, Kodi Smit-McPhee, Helen Thomson, Richard Roxburgh e Kelvin Harrison Jr, mas todos em papéis bem secundários.

BB King tem um papel importante, e vemos Little Richard em uma cena. Heu queria ter visto mais da galera da época, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry, talvez os Beatles (que são citados mas não aparecem). Mas admito que é um head canon meu, não é um problema do filme.

Não gostei do fim. Ok, a gente sabe que Elvis morreu, é meio inevitável ter esse baque ao fim. Mas o filme podia terminar com um número musical mais pra cima. Do jeito que terminou, o espectador vai sair deprimido da sala de cinema.

Mesmo assim, é um filmão. Boa opção para quem gosta de filmes ligados à música!