127 Horas

127 Horas

O filme novo do Danny Boyle, depois do Oscar de melhor diretor de 2009!

127 Horas é baseado na história real de Aron Ralston, montanhista que caiu numa fenda em um cânion e ficou com o braço preso debaixo de uma enorme pedra. Depois de cinco dias sozinho, sem ter como chamar ajuda, ele teve que decidir sobre medidas extremas para conseguir escapar.

Quem só conhece Danny Boyle por Quem Quer Ser um Milionário? talvez estranhe esta nova empreitada, principalmente porque rola uma angustiante e polêmica cena MUITO forte. Mas quem conhece o seu trabalho anterior, sabe que está tudo coerente com a obra do diretor de Cova Rasa e Extermínio.

Acho importante falar do apuro visual dos filmes de Boyle. O argumento de 127 Horas é curtinho – como fazer um longa-metragem com uma história tão curta? O filme é repleto de delírios visuais tirados da imaginação de Aron. E Boyle faz um belo espetáculo visual, inclusive dividindo a tela em três várias vezes ao longo do filme. Isso tornou o filme muito interessante, e em momento nenhum cansativo.

Também precisamos falar de James Franco, praticamente o único ator que aparece na tela. Ele consegue passar toda a credibilidade necessária, alternando momentos de alegria, tristeza, angústia, desespero e quase loucura. O filme tem mais atores, não é espartano como Enterrado Vivo, onde só vemos um único ator em um único cenário. Mas os outros atores têm muito pouca importância – nem consegui achar a Lizzy Caplan, de True Blood!

Voltando à cena polêmica que falei lá em cima, quero fazer um comentário, mas preciso dos avisos de spoiler antes!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

Pra quem não ainda não sabe: Aron amputa o próprio braço para conseguir sair. Ele sabia que não conseguiria cortar os ossos do braço com aquele canivete cego. Então, aproveitou que o braço estava imobilizado para quebrá-lo duas vezes, uma fratura em cada osso, para depois cortar a carne com o canivete. Olha, espero que nunca tenha que passar por algo assim, mas… será que  não ia ser menos doloroso cortar o braço na articulação, perto do cotovelo? Não entendo nada de medicina, mas a cena da fratura de cada osso também é angustiante!

FIM DOS SPOILERS!

O ritmo do filme cai no terço final, temos muitas alucinações, parece que não tinha mais história pra contar, então é só enrolação. Mas em compensação, o fim do filme é catártico, emocionante, com trilha sonora bem escolhida – e aparece até próprio Aron Ralston atualmente.

Quem Quer Ser um Milionário?

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Quem Quer Ser um Milionário?

O grande ganhador do Oscar 2009! Foram oito num total de dez indicações: filme, diretor, roteiro adaptado, edição, fotografia, som, canção e trilha sonora!

Pára tudo! Oscar de melhor diretor? Mas esse não é o novo filme do Danny Boyle, o cara que fez Cova Rasa, Trainspotting e Extermínio???

Sim, é ele mesmo! Agora, com um filme mais “sério”, é o mais novo dono da estatueta de melhor diretor. E o melhor de tudo: o filme continua com “cara de Danny Boyle”!

A história é boa: Jamal é um jovem  que está a uma pergunta de ganhar o grande prêmio de 20 milhões de rúpias na versão indiana do programa de tv “Quem quer ser um milionário”. Ele é preso porque desconfiam de fraude. E, durante o interrogatório, ele conta a sua história e como sabe as respostas.

Logo de cara a gente pensa “já vi algo parecido com isso…” Afinal, o filme começa com uma perseguição a garotos numa favela de uma grande cidade de um “país em desenvolvimento”. Opa, alguém pensou em Cidade de Deus? Danny Boyle disse que não tem nada a ver. Mas, poxa, sr. Boyle, tem até uma galinha no meio da perseguição!

As semelhanças com o filme brasileiro são várias, inclusive ao mostrar dois personagens amigos quando crianças e um deles aliado a bandidos quando adulto (só faltou a fala “Dadinho é o c%$#alho, meu nome é Zé Pequeno!”). A edição também é ágil como no filme brasileiro – coincidência ou não, Cidade de Deus concorreu ao Oscar de melhor edição, prêmio que Milionário ganhou.

Mas, não, não é uma cópia de Cidade de Deus. São filmes bem diferentes, apesar das semelhanças.

Mas acredito que isso deve ter enchido os olhos dos gringos. Se antes o cinema mostrou a favela brasileira para o mundo, agora é a vez de conhecermos a favela indiana.

Apesar de ser uma produção inglesa e com diretor inglês, Quem quer ser um Milionário é essencialmente um filme indiano. Com um elenco todo indiano, Boyle mostra a miséria, a sujeira e a violência da Índia como não estamos acostumados a ver por Bollywood.

Algumas cenas são bem cruas (assim como em Cidade de Deus), chocantes mesmo. Mas nada é gratuito, tudo flui bem ao acompanharmos a difícil infância dos irmãos Jamal e Salim e sua amiga Latika. Os três personagens, inclusive, são interpretados por três atores diferentes cada, para acompanharmos diferentes épocas da infância, adolescência e juventude.

Filmaço. Deve entrar em cartaz em breve, além do mais pela quantidade de Oscars no currículo.

E não percam, no fim do filme, durante os créditos, o elenco protagonizando uma daquelas coreografias bizarras e legais dos clips indianos que vemos pelo youtube!