Depois da Caçada

Crítica – Depois da Caçada

Sinopse (imdb): Uma professora universitária se vê em uma encruzilhada pessoal e profissional quando um aluno famoso faz uma acusação contra um de seus colegas e um segredo obscuro de seu próprio passado ameaça vir à tona.

E vamos ao novo Luca Guadagnino, filme escolhido para abrir o Festival do Rio 2025. Bem filmado, bem atuado, mas, pena, o resultado ficou meio fuén.

Depois da Caçada (After The Hunt, no original) segue Alma, que faz parte de um grupo de intelectuais da universidade de Yale. Até que Maggie, sua aluna favorita, acusa Hank, seu colega, de abuso sexual. Alma agora não sabe como lidar com as acusações, afinal ela foi mentora de ambos. Ela se encontra entre a lealdade institucional e a solidariedade; entre a ética e a autopreservação. Ao mesmo tempo vamos descobrir que ela também guarda esqueletos no armário.

Guadagnino constrói uma espiral de desconforto que propõe um estudo sobre o julgamento e o poder: quem tem o direito de decidir o que é verdade? Mas, Depois da Caçada não é um “filme do movimento MeToo”, e sim um estudo sobre o medo do erro moral – medo de ser cúmplice, de julgar injustamente, de perder prestígio.

(Leve spoiler: uma coisa que gostei no roteiro é que não sabemos ao certo quem tem razão, se é a acusadora ou o acusado. Tire suas próprias conclusões!)

Depois da Caçada é bem filmado e tem bons atores. Mas sabe quando um filme não empolga? É o caso aqui. O filme segue num marasmo interminável – são intermináveis duas horas e dezoito minutos de projeção. E um monte de diálogos com papo cabeça chato não ajudam. Pra piorar, a trama se encerra, mas depois tem um epílogo completamente desnecessário.

O elenco tem alguns bons atores, que estão ok, apesar do filme ser desinteressante. Julia Roberts e Andrew Garfield são carismáticos e estão bem. Gostei de ver Michael Stuhlbarg num papel um pouco mais importante, o cara sempre foi aquele coadjuvante que a gente nem lembra o nome. Também no elenco, Ayo Edebiri e Chloe Sevigny.

Os créditos iniciais são iguais ao estilo usado sempre por Woody Allen. Aliás, todo o filme tem um quê de Woody Allen. Será que é uma indireta porque Allen também passou por um problema semelhante?

Por fim, um comentário sobre a trilha sonora. Tem algumas músicas em português. E preciso dizer que isso atrapalhou, porque o cérebro se confunde entre prestar atenção nas legendas ou nas letras das músicas.

Rivais

Crítica – Rivais

Sinopse (imdb): Tashi, uma treinadora de sucesso, transformou seu marido em um campeão mundial. Mas para superar uma sequência de derrotas, ele precisa enfrentar o ex-melhor amigo e ex-namorado de Tashi.

Filme novo de Luca Guadagnino, que está usando como marketing um suposto “trisal” entre a badalada Zendaya e dois homens. Mas, calma que não é exatamente por aí. Vamulá.

Gostei da estrutura do filme. O roteiro do estreante Justin Kuritzkes (marido da Celine Song, diretora de Vidas Passadas) começa o filme logo na cena final, na “grande batalha”, no jogo de tênis entre os dois protagonistas. E logo depois somos levados a um flashback, 13 anos antes, pra começar a entender o que está acontecendo. Mas, provavelmente para criar um paralelo com um jogo de tênis, a trama fica indo e vindo na linha temporal. Um pedacinho do “grande jogo”, volta no tempo, mais um pedacinho, mais uma volta no tempo. A narrativa ficou bem fluida com essas idas e vindas. Ah, e gostei da maquiagem usada pra diferenciar as idades. Ok, talvez não pareça que se passaram 13 anos, mas dá pra ver que estão bem mais novos / velhos.

(Tem uma cena onde um dos personagens se acidenta. Não sei se é spoiler, já que está no trailer. Enfim, na tela, o acidente é bem gráfico. Mas nada tão forte quanto a melhor cena de Suspiria, do mesmo diretor, onde uma mulher se quebra toda…)

A câmera de Guadagnino explora bem a quadra de tênis, vemos vários ângulos inovadores. Nem todos funcionam, heu por exemplo não curti quando vemos parte do jogo em câmera “pov”, com a visão do jogador. Por outro lado, gostei quando o ponto de vista foi da bola, como se a câmera estivesse sendo rebatida pelas raquetes.

Preciso dizer que não curti a trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross, que já fizeram trabalhos ótimos (e já ganharam Oscars duas vezes, por A Rede Social e Soul). Se em outros trabalhos a trilha ajudava a entrar no clima do filme, aqui senti o oposto. Em algumas cenas que eram pra ser mais sérias, as batidas eletrônicas eram altas como se estivéssemos em uma rave. Continuo curtindo a dupla, mas não nesta trilha.

O trio principal de atores está muito bem. Preciso dizer que nunca entendi o fã clube da Zendaya, ela é uma boa atriz, mas, imho, nada que justifique o frisson. Bem, pelo menos aqui ela está bem, e tem uma boa química com Mike Faist e Josh O’Connor. Aliás, é interessante notar que existe um clima de tensão sexual entre ela e cada um deles, e também existe um clima de tensão sexual entre os dois. O filme consegue trabalhar bem a química entre o trio, cada um dos personagens é bem construído, e igualmente bem construídas são as relações entre eles.

(Achei ótimo ver a Zendaya fazer uma breve citação a Homem Aranha!)

Apesar de alguns méritos, achei o resultado final de Rivais apenas mediano. Mas reconheço que gostei muito da sequência final. Na verdade não sabemos como o jogo de tênis acaba, mas o crescente até o final do filme é muito empolgante. Como já comentei antes, assim como um final ruim diminui a nota do filme, um bom final aumenta a nota. E digo que terminei o filme com um sorriso no rosto!

Por fim, uma curiosidade: já tivemos três versões do Homem Aranha nos cinemas, e as três protagonistas femininas fizeram filmes de tênis. Kirsten Dunst fez Wimbledon; Emma Stone, A Guerra dos Sexos; e agora Zedaya estrela Rivais.