Invocação do Mal 4: O Último Ritual

Crítica – Invocação do Mal 4: O Último Ritual

Sinopse (imdb): Quando Ed e Lorraine Warren, o casal de investigadores paranormais, se encontram presos a mais um medonho caso envolvendo criaturas misteriosas, eles se veem na obrigação de resolverem tudo pela última vez.

Os dois primeiros Invocação do Mal, de 2013 e 2016, foram dirigidos por James Wan, um dos maiores nomes do terror contemporâneo, e são dois filmes muito acima da média. E o que acontece com Hollywood quando um filme faz sucesso? Continuações e spin offs, claro. Pena que quase sempre com qualidade inferior.

Aqui, no “Invocaverso”, este é o nono filme. É a terceira continuação de Invocação do Mal, e foram dois spin offs, Annabelle (que teve duas continuações) e A Freira (uma continuação). Rolou um boato de que A Maldição da Chorona ia entrar no Invocaverso, mas não vi nenhuma confirmação sobre isso. James Wan só dirigiu os dois primeiros, e, sim, os sete outros filmes são mais fracos.

Os quatro Invocação do Mal trazem como protagonistas o casal Ed e Lorraine Warren, que, pra quem não sabe, existiu na vida real. Eles realmente eram investigadores de fenômenos paranormais. Ou seja, parte do que vemos nos filmes é real.

A direção deste quarto filme é de Michael Chaves, que já tinha dirigido o terceiro Invocação (além de A Freira 2 e A Maldição da Chorona). Chaves parece querer emular o estilo de câmera do “patrão” James Wan, e às vezes até consegue. Serei generoso: neste Invocação do Mal 4 ele consegue um bom resultado. Não é melhor que os primeiros, mas diria que é melhor que o terceiro. Chaves consegue criar um bom clima e alguns dos jump scares são bem bolados. Vou além: algumas cenas são muito boas. Tem uma cena envolvendo um quarto escuro e um fio de telefone que é simples e muito eficiente, e a cena dos espelhos na prova do vestido de noiva é sensacional. Ah, preciso citar a trilha sonora, muito bem usada.

Agora, nem tudo funciona. O filme às vezes não se decide se a gente vai acompanhar a família que comprou o espelho assombrado, ou os momentos onde a filha do casal Warren tem problemas com a sua crescente mediunidade. E teve uma coisa que achei bem mal feita: vemos três fantasmas ligados ao espelho, mas em determinado momento a gente descobre que existe um mal maior por trás dos fantasmas, e o filme não chega a desenvolver esse mal. Ora, se não é pra ter isso no filme, por que não ficar apenas nos fantasmas?

No elenco, Vera Farmiga e Patrick Wilson continuam ótimos como o casal Warren. Tem um prólogo com eles mais novos, são outros atores, o homem é até parecido com Patrick Wilson, mas a mulher é bem diferente, acho que podiam ter chamado a Taissa Farmiga, irmã da Vera, 21 anos mais nova, bem mais parecida (apesar de Taissa estar em A Freira). Trocaram a atriz que faz a filha Judy, no terceiro filme era Sterling Jerins, agora é Mia Tomlinson, deve ser porque neste filme a filha já é adulta – mas não duvido que Judy Warren apareça em algum spin off.

O final do filme é bem “final de novela”. Preste atenção nas pessoas que estão na plateia do evento, são personagens dos outros filmes da saga. Provavelmente Invocação do Mal acaba aqui. Agora, os Warren têm um quarto com centenas de objetos assombrados ou possuídos. Claro que os spin offs devem continuar.

A Freira 2

Crítica – A Freira 2

Sinopse (imdb): França, 1956. Um padre é assassinado. Um mal está se espalhando. A sequência de A Freira (2018) segue a irmã Irene quando ela mais uma vez fica cara a cara com a força demoníaca Valak, a Freira.

James Wan é um dos maiores nomes do terror contemporâneo. O cara fez quatro filmes excelentes, os dois primeiros Sobrenatural e os dois primeiros Invocação do Mal. O único problema é que os filmes fizeram sucesso e geraram continuações e spin-offs – todos de qualidade inferior.

A Feira 2 (The Nun II, no original) é continuação do spin-off A Freira, que por sua vez veio de Invocação do Mal 2. Ou seja, quem for ao cinema com expectativa alta já começou errado!

Quando acabou a sessão de imprensa, alguns críticos amigos estavam revoltados, dizendo que A Freira 2 é um dos piores filmes do ano. Não achei tanto. Está bem longe de ser um grande filme, mas até que tem uma coisa boa aqui e outra ali. Vamulá.

Começo pelo roteiro, que é uma bagunça. Um exemplo simples: tem uma cena no início do filme onde aparece um entregador, que entra numa casa para deixar compras de mercado. E aparece a Freira e o mata. Ok. Agora, quem era esse entregador? Onde ele estava? Pra que mostrar um evento que não vai ligar a nada mais dentro do filme?

O roteiro segue tropeçando até o bode. Acho que alguém viu A Bruxa e gostou da ideia de ter um bode “do mal” – o bode Black Phillip é realmente assustador. Mas aí criaram um bode meio demônio, que aparece do nada, corre corre corre e some da mesma maneira que apareceu. Sabe a piada “tira o bode da sala”? Poizé, tira o bode do filme que tudo melhora.

A direção é de Michael Chaves (A Maldição da Chorona, Invocação do Mal 3), que é um bom discípulo do James Wan, mas ainda falta comer muito arroz com feijão pra alcançar o mestre. Mas, em defesa de Chaves, ele consegue criar um bom clima em algumas cenas, e, pra quem gosta de jump scares óbvios, o filme tem um monte.

Um parágrafo à parte pra falar daquela que provavelmente é a melhor cena do filme: a protagonista está diante de uma banca de revistas, e o vento começa a virar páginas de várias revistas. A cena é criativa, e o resultado ficou muito bom.

No elenco, temos a volta de Taissa Farmiga, irmã da Vera Farmiga (protagonista da série Invocação do Mal). Storm Reid, de Desaparecida, está num papel completamente desnecessário – mais uma vez: tire o personagem e o filme não perde nada. Também no elenco, Jonas Bloquet, Anna Popplewell e Bonnie Aarons (repetindo o papel de Valak – a freira do título).

Como falei antes, A Freira 2 não é um grande filme. Mas acredito que vai agradar aqueles que vão ao Multiplex atrás de jump scares genéricos.

Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio

Critica – Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio

Sinopse (imbd): Os Warren investigam um assassinato que pode estar ligado a uma possessão demoníaca.

James Wan é “o cara” do cinema de terror recente. O problema é que nem sempre a qualidade se mantém quando colocam outro diretor. Os dois primeiros Sobrenatural, dirigidos por Wan, foram excelentes; já o 3 e o 4, com outros diretores, não foram tão bons assim. O mesmo com Invocação do Mal: os dois primeiros, dirigidos por ele, foram excelentes; os spin offs Annabelle (todos os 3), A Freira e A Maldição da Chorona não foram tão bons.

E agora? Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio também não é do James Wan, foi dirigido por Michael Chaves, o mesmo de A Maldição da Chorona. Mas… Aqui Chaves fez um trabalho melhor, e não faz feio na cadeira de diretor. Aliás, tem um take que achei bem legal, pouco depois da introdução, quando conhecemos o canil – o take começa aéreo, chega na porta da casa, entra e vira um breve plano sequência apresentando o local.
Aliás 2, a sequência inicial é muito boa. Um exorcismo tenso e muito bem filmado!

Diferente dos dois filmes anteriores, aqui o clima não é casa mal assombrada, e sim possessão demoníaca. Invocação do Mal 3 é um filme tenso e sério (só me lembro de uma única piada, que faz referência à Annabelle), com alguns bons jump scares.

Se posso falar mal de uma coisa, vou falar mal da parte final. Sem entrar em spoilers, mas, a trama se divide em dois locais diferentes, e um dos locais era muito mais interessante que o outro. Na minha humilde opinião, a sequência do exorcismo na prisão enfraquece o filme (principalmente se a gente lembrar que aquilo era uma prisão, por que um padre estaria lá?), era melhor ignorar isso e focar só na outra coisa que acontece simultaneamente. Mas, Invocação do Mal 3 é baseado no casal Warren, o caso do preso possuído está registrado na história deles, e o outro acontecimento não. Pena, porque cinematograficamente falando, o outro é bem melhor.

Sobre o elenco, Patrick Wilson e Vera Farmiga são ótimos juntos, já perdi a conta de quantas vezes os vimos interpretando Ed e Lorraine Warren, e eles sempre funcionam bem, são a melhor coisa do elenco. Gostei de ver John Noble, da série Fringe. Já o garoto Julian Hilliard não está muito bem, ele estavava melhor como o moleque de óculos de A Maldição da Residência Hill. Também no elenco, Ruairi O’Connor, Sarah Catherine Hook, Eugenie Bondurant e Shannon Kook.

Invocação do Mal 3 estreia nos cinemas amanhã, dia 02 de junho. Lembre-se que os cinemas já reabriram, mas sempre com distanciamento e de máscaras!

A Maldição da Chorona

Crítica – A Maldição da Chorona

Sinopse (imdb): Ignorando o misterioso aviso de uma mãe conturbada, suspeita de ameaçar crianças, uma assistente social e seus filhos pequenos logo são levados a um assustador reino sobrenatural.

E vamos a mais um filme do “Waniverse”… É o sexto filme no universo do casal Warren (depois de Invocação do Mal 1 e 2, dos dois Annabelle e A Freira).

Dirigido pelo estreante Michael Chaves, A Maldição da Chorona (The Curse of La Llorona, no original) não chega a ser exatamente ruim. Mas é tão sem graça que dá desânimo. E olha que Chaves já está escalado para dirigir Invocação do Mal 3…

A lenda da Chorona é meio boba (pelo menos do modo como é apresentada no filme), e a entidade em si tem inconsistências estruturais. O filme até tem uma boa ambientação e alguns jump scares aqui e acolá, mas, convenhamos, a gente já viu isso tudo antes, e melhor filmado.

A protagonista é Linda Cardelini, que funciona para o que o papel pede (ela foi a Velma na versão cinematográfica de Scooby Doo, rola uma breve homenagem aqui). Por outro lado, Raymond Cruz faz talvez o pior alívio cômico da história do cinema – o seu curandeiro é péssimo, e ainda piora quando resolve fazer piadinhas. Também no elenco, Patricia Velasquez, Roman Christou, Jaynee-Lynne Kinchen, e Tony Amendola, repetindo o papel que fez em Annabelle.

Acredito que a garotada que vai ao cinema de shopping atrás de um terror pra se divertir vai curtir. Mas, infelizmente, A Maldição da Chorona é mais um que ficou devendo. James Wan, volte à cadeira de diretor!