Sinopse (filme B): Hutch e a esposa Becca se veem sobrecarregados e distantes. Por isso, decidem levar os filhos para uma pequena viagem de férias, que inclui também o pai de Hutch. Quando um encontro trivial com valentões locais coloca a família na mira de um operador corrupto de parque temático, Hutch vira alvo da chefe do crime mais insana que já enfrentou.
Anônimo, de 2021, foi uma boa surpresa, apesar de trazer a velha e batida trama de “um assassino profissional muito bom em sua profissão resolve se aposentar mas é forçado a voltar a ação” (premissa bem parecida com John Wick, do mesmo roteirista Derek Kolstad). Pena que foi lançado no meio da pandemia, e acho que nem chegou a passar nos cinemas brasileiros.
Anônimo não pedia uma continuação, mas o resultado até que ficou bom. Anônimo 2 é uma continuação bem parecida com o original, com tudo de positivo e negativo que isso pode significar.
Trocaram o diretor. O primeiro foi dirigido por Ilya Naishuler, que não podia assumir o segundo porque estava dirigindo Chefes de Estado. Convidaram então Timo Tjahjanto, diretor indonésio que fazia filmes de terror, como Macabre, em parceria com Kimo Stamboel (não sei se são parentes, mas eles assinavam filmes como “The Mo Brothers”). Junto com Gareth Evans (The Raid), fizeram Safe Heaven, uma das poucas coisas boas da franquia VHS. Depois disso, Timo seguiu “solo” fazendo filmes de ação, como Headshot e A Noite nos Persegue (com atores que estavam nos dois The Raid). Anônimo 2 é a estreia hollywoodiana de Timo. (Todos esses filmes foram comentados no heuvi)
A troca não atrapalhou o resultado. A produtora é a mesma, 87North, produtora fundada por David Leitch, ex dublê e agora diretor de filmes como Atômica, Trem Bala e O Dublê. Os filmes da 87North sempre privilegiam cenas de ação bem coreografadas e bem filmadas – afinal, o trabalho dos dublês!
Anônimo 2 é bem parecido com o primeiro. Começa com a rotina de Hutch, depois acontece algum incidente que “acende o pavio” e ele entra numa espiral de violência cada vez maior. No primeiro filme ele queimou dinheiro da máfia russa, e agora precisa trabalhar (como assassino profissional) para pagar por essa dívida. Aliás, essa sequência inicial já mostra qual será o tom do filme: muita violência aliada a situações bem engraçadas (e um bônus para o nosso público, porque entra uma música em português quando ele enfrenta personagens brasileiros).
Algumas sequências de ação são muito boas, como aquela no fliperama. A do barco também é boa, mas exige um pouco mais de suspensão de descrença – caramba, tinham outras pessoas no barco, como é que ninguém viu uma briga daquela intensidade? Além disso, Anônimo 2 sabe equilibrar o humor. Não é uma comédia, mas algumas cenas são engraçadíssimas.
Esta continuação é bem parecida com o primeiro filme, inclusive nos pontos fracos. Os vilões são caricatos, mas, o vilão do primeiro filme também era, então ok, foi coerente. Agora, vou reclamar do final. Não gosto do encerramento do primeiro filme, porque sabemos que Hutch é um cara extremamente habilidoso e sabe usar suas técnicas contra os seus adversários, então aceito quando ele está sozinho e briga contra vários. No encerramento do primeiro filme, inventaram uma sequência onde entram outras pessoas para ajudá-lo – incluindo um personagem que só aparece nesta sequência, e foi um final mais fraco que o resto do filme. Aqui temos o mesmo problema: enquanto Hutch está sozinho o filme é melhor. No fim, quando outras pessoas entram na briga, o filme cai um pouco, na minha humilde opinião. E o final da personagem da Connie Nielsen é muito previsível.
O elenco é bom. Bob Odenkirk, com 62 anos, está em forma e convence nas sequências de ação. Christopher Lloyd e Connie Nielsen têm mais importância aqui do que no primeiro filme. Sharon Stone faz a vilã caricata da vez. E Colin Hanks está com um corte de cabelo igual ao papai Tom Hanks em Forrest Gump. Também no elenco, John Ortiz e RZA.
Resumindo, Anônimo 2 é bem semelhante ao 1. Quem gostou do primeiro vai se divertir aqui.





