Jolt: Fúria Fatal

Crítica – Jolt: Fúria Fatal

Sinopse (imdb): Uma segurança com um problema de controle da raiva ligeiramente assassino que ela controla com a ajuda de um colete forrado com eletrodos que ela usa para se chocar de volta à normalidade sempre que fica homicida. Depois que o primeiro cara por quem ela se apaixonou é assassinado, ela parte em uma onda de vingança para encontrar o assassino enquanto os policiais a perseguem como seu principal suspeito.

Antes de entrar em Jolt, um breve comentário para exaltar esse bom momento de filmes de ação estrelados por mulheres. Nas últimas semanas falei de Gunpowder Milkshake e Viúva Negra, e só nos últimos dois anos tivemos Mulher Maravilha 84, Capitã Marvel, The Old Guard (com a Charlize Theron), Anna (do Luc Besson), O Ritmo da Vingança (com a Blake Lively), Ava (com a Jessica Chastain)… Ok, nem todos são bons filmes (não é todo dia que aparece um novo Atômica), mas, ué, nem todos os filmes de ação estrelados por homens são bons, e mesmo assim a gente vê…

Em Jolt: Fúria Fatal (Jolt, no original), é o momento da gente ver a Kate Beckinsale “chutando bundas”. Não que vê-la num filme de ação seja exatamente uma novidade, afinal ela é o principal nome da franquia Anjos da Noite. Aqui ela tem uma personagem ótima, ela tem uma doença que a transforma numa pessoa com uma raiva incontrolável. É muito bom ver na tela uma pessoa assim! Uma boa sacada do filme foi mostrar em um flash o que seria a reação dela, pra depois voltarmos alguns segundos e vê-la tentando se controlar. Esses momentos são divertidíssimos!

Agora, se a personagem é ótima, não posso dizer o mesmo sobre o roteiro. Algumas coisas não fazem muito sentido, como por exemplo a motivação para ela entrar nessa onda de vingança – que justamente é o ponto principal do filme. A gente sabe que ela é uma pessoa desajustada, mas nada me convenceu que ela teria motivos pra se engajar numa jornada como aquela, por um cara que ela mal conhecia.

As cenas de ação são boas. Nada de excepcional, mas são boas. Tem uma dela lutando contra três opositores muito mais fortes que é bem divertida. E tem uma sequência no hospital onde rola um breve plano sequência com uma correria pelos corredores, e logo depois uma cena que provavelmente vai gerar polêmica, envolvendo bebês recém nascidos.

No elenco, o nome a ser citado é a Kate Beckinsale. Ela está ótima, irônica, bonita e brigando bem. Talvez fosse melhor a personagem ser um pouco mais nova, ajudaria a convencer nas motivações – mas, se fosse mais nova, não ia ser ela, então deixa pra lá. Também no elenco, Jai Courtney, Stanley Tucci, Bobby Cannavale, Laverne Cox e Susan Sarandon

O fim do filme tem um plot twist que é um dos piores plot twists que já vi no cinema. Não dou notas aos meus filmes, mas, se desse, só esse plot twist faria a nota descer uns dois pontos. Sério, é um plot twist péssimo.

No finzinho rola uma cena puxando uma continuação. Sabe quando deixam um gancho com algo em aberto? Aqui trouxeram uma atriz ganhadora do Oscar pra uma única cena, só pra fazer esse gancho. Pelo calibre da atriz convidada, heu arriscaria dizer que esta continuação está quase certa.

Gunpowder Milkshake

Crítica – Gunpowder Milkshake

Uma mistura de John Wick com Kill Bill e uma pitada de O Profissional? Ok, vamos ver qualé.

Sinopse (imdb): Em sua vida turbulenta como assassina profissional, Scarlet foi cruelmente forçada a abandonar sua filha Sam e fugir. Anos depois, apesar do afastamento, Sam também se tornou uma assassina de aluguel de sangue frio. Depois que uma missão de alto risco fica fora de controle, colocando uma menina inocente de 8 anos no meio da guerra de gangues que ela desencadeou, Sam não tem escolha a não ser se rebelar. Isso, no final das contas, a leva de volta para sua mãe e suas ex-ajudantes, que unem forças em uma guerra de vingança contra aqueles que roubaram tudo delas.

Tenho sentimentos conflitantes quando falo de um filme como Gunpowder Milkshake. Por um lado, gosto de um filme assim, onde criam todo um universo fascinante, com boas coreografias de luta. Mas, por outro lado, a gente já viu tudo isso…

Vamos por partes. Primeiro a parte boa. Dirigido pelo quase desconhecido Navot Papushado (quase desconhecido, mas dez anos atrás falei de Raiva, um filme dele, aqui no heuvi!), Gunpowder Milkshake tem uma boa fotografia, boa trilha sonora, bons personagens, e as cenas de luta são quase todas boas (quase, mais pro fim volto a esse ponto). Esteticamente falando o filme é excelente. E ainda tem cenas bem humoradas, característica que heu aprecio. Preciso ser coerente comigo mesmo: gosto quando um filme tem mais forma que conteúdo.

Agora, é muito plágio de John Wick. O recente Anônimo, que é do mesmo roteirista de John Wick, traz semelhanças, mas não parece plágio. Por exemplo: é legal ter um ambiente que é uma espécie de “oásis” onde você precisa deixar suas armas antes de entrar, como o restaurante. Mas, caramba, tinha um ambiente igual em John Wick, o hotel!

Seria melhor se fosse um spin off de John Wick, agora com uma assassina mulher. Se fosse um spin off, talvez a vibe Kill Bill não ficasse tão explícita.

O elenco é bom. Karen Gillan faz cara feia o filme inteiro, mas funciona bem no papel, inclusive nas cenas de ação – não sei se ela usou dublê. Lena Headey e Paul Giamatti aparecem pouco, me parece que o roteiro poderia ter usado melhor os personagens. O trio formado por Carla Gugino, Michelle Yeoh e Angela Bassett serve para o propósito: uma espécie de versão das três fadas madrinhas de Bela Adormecida – inclusive usam roupas das mesmas cores, vermelho, verde e azul.

Gostei do filme, gostei das cenas de ação. Mas duas cenas me incomodaram um pouco. Vou tentar falar sem spoilers.

– Uma delas é um clichê que acontece muito em filmes de ação: vários oponentes, mas só atacam dois ou no máximo três de cada vez. Ok, a gente vê isso em muitos filmes, mas tem uma cena aqui que isso chegou a incomodar. Tem um ônibus com oponentes vindo. Por que só entra um de cada vez?

– A outra é quando um filme mostra uma regra e depois ignora a mesma regra que acabou de mostrar. No hotel em John Wick, na única ocasião onde alguém usa uma arma contra outra pessoa, isso é algo muito grave. Aqui, primeiro não pode armas, mas depois, ok, agora pode. Aí não, né?

O fim do filme deixa espaço pra uma continuação (e no imdb tem um click bait que fala de um possível Gunpowder Milkshake 2 com Jennifer Lawrence e Meryl Streep). Mesmo com essas falhas, curto o estilo, então se tiver um segundo, verei. Tomara que algum roteirista crie algo original.

Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime

Crítica – Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime

Sinopse (imdb): A dupla formada pelo guarda-costas Michael Bryce e o assassino Darius Kincaid está de volta em outra missão com risco de vida. Ainda sem licença e sob escrutínio, Bryce é forçado a entrar em ação pela esposa ainda mais volátil de Darius, a infame vigarista internacional Sonia Kincaid. Enquanto Bryce é levado ao limite por seus dois protegidos mais perigosos, o trio se mete em uma trama global e logo descobre que eles são os únicos que podem salvar a Europa de um louco vingativo e poderoso.

Em 2017, tivemos Dupla Explosiva um divertido filme de ação / comédia, com Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson, uma bobagem exagerada e divertida. Como se faz uma continuação de um filme desses? É fácil, é só exagerar ainda mais.

A trama não faz sentido e é cheia de absurdos. Mas quem não se ligar em detalhes como “lógica”, vai se divertir. O grande trunfo aqui é o elenco. Não é qualquer filme que tem Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson, Salma Hayek, Antonio Banderas e Morgan Freeman. Eles estão atuando bem? Não importa, o importante aqui é que parece que eles estão se divertindo muito, e isso passa para a tela. Aliás é curioso analisar a carreira do Ryan Reynolds e ver que ele fazia comédias românticas. Hoje é impossível vê-lo fora do clima Deadpool.

O cgi aqui às vezes é meio capenga, mas pelo menos as sequências de ação são boas, e bem violentas. É, claro, algumas piadas são hilariantes.

Ok, admito que o roteiro poderia ser melhor. Um exemplo claro: o personagem do Frank Grillo aparece e some quando sem explicações. Focaram demais nas piadinhas e aparentemente esqueceram de revisar o roteiro…

Por fim preciso falar mal do título em português. O primeiro filme era The Hitman’s Bodyguard, ou seja, “O Guarda Costas do Assassino de Aluguel” – mas resolveram chamar de “Dupla Explosiva”. Agora, com Hitman’s Wife’s Bodyguard, tiveram que chamar de Dupla Explosiva 2, o que não faz sentido…

Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime é bom? Não. Mas me diverti vendo. Se fizerem um terceiro filme, verei!

The Ice Road

Crítica – The Ice Road

Sinopse (imdb): Após um desmoronamento em uma remota mina de diamantes nas regiões do extremo norte do Canadá, um motorista de caminhões lidera uma missão de resgate impossível através de estradas de gelo sobre um oceano congelado para salvar a vida de mineiros presos, apesar do degelo das águas e de uma ameaça que eles nunca imaginaram chegando.

Hoje meio que existe um subgênero “filme do Liam Neeson”, onde ele quase sempre faz uma versão do coroa badass que ele fez na série Busca Implacável. Aqui em The Ice Road ele não está tão badass, ele funciona melhor quando é apenas um caminhoneiro.

A premissa inicial do filme escrito e dirigido por Jonathan Hensleigh é boa. Mineiros estão presos numa mina e vão ficar sem ar. Precisam de uma peça muito grande e muito pesada, que não tem como transportar de helicóptero, precisa ser transportada por caminhão. E o caminho mais rápido é por cima do lago / oceano congelado, a tal estrada de gelo do título do filme – e estamos numa época que a temperatura começa a aumentar, e o gelo pode ser fino e não aguentar o peso dos caminhões.

Na minha humilde opinião, só essa trama seria o suficiente pra segurar o filme. Temos algumas cenas bem tensas com os caminhoneiros lutando contra adversidades da natureza. Mas… Resolveram criar um vilão humano. É um personagem bem ruim, e todas as cenas com o vilão são mais fracas.

Tem uma parte do filme que isso fica bem claro. São duas sequências intercaladas. Em uma delas acompanhamos um caminhão passando por uma ponte que está quase arrebentando, e o caminhão está derrapando, cena tensa e muito boa. Na outra, Liam Neeson sai na porrada com um cara. Pra que??? Será que o Liam Neeson tem alguma cláusula no contrato que obrigue o filme a ter cena de briga? Bora focar no caminhão na ponte!

Acaba que o filme dedica tempo demais no vilão desnecessário, e o fim do filme é frustrante. O motivo principal que move o filme é que os caminhoneiros precisam levar uma determinada peça para salvar os mineiros. E o filme não mostra como essa peça funciona!!! Pra que perder tempo desenvolvendo um plot com vilão em vez de mostrar o salvamento?

Isso fora algumas decisões burras. Um dos personagens morre por uma falha que heu, que nunca dirigi caminhão, não faria. Mas, decisões burras existem em todos os filmes, vou relevar isso.

No elenco, Liam Neeson mostra a competência habitual. O outro grande nome no elenco é Laurence Fishburne, que está apenas burocrático. Também no elenco, Marcus Thomas, Amber Midthunder, Benjamin Walker e Holt McCallany

No fim, The Ice Road nem é ruim, mas poderia ser bem melhor. Mas vai agradar ao fã clube do Liam Neeson.

A Guerra do Amanhã

Crítica – A Guerra do Amanhã

Sinopse (imdb): O mundo fica chocado quando um grupo de viajantes do tempo chega em 2022 para entregar uma mensagem urgente: Trinta anos no futuro, a humanidade está perdendo uma guerra global contra uma espécie alienígena mortal. A única esperança de sobrevivência é que os soldados e civis do presente sejam transportados para o futuro e se juntem à luta.

Primeiro filme live action dirigido por Chris McKay (que dirigiu Lego Batman e editou Uma Aventura Lego), A Guerra do Amanhã (The Tomorrow War, no original) é muito divertido. Parece uma mistura de Independence Day com Aliens o Resgate. Mas, assim como Independence Day, a gente não pode se ligar muito em detalhes do roteiro, porque aí podemos descobrir várias inconsistências.

Algumas coisas funcionam bem, outras nem tanto. Gostei muito dos alienígenas, tanto do visual, quanto do cgi. O conceito é bem legal, são bichos com seis patas e dois rabos que soltam espinhos, e são muitos, e são rápidos. Conseguiram criar um novo monstro, e que é assustador! E, sobre o cgi, muitas cenas são claras, de dia. A gente sabe que muitos filmes usam cenas escuras pra esconder falhas no cgi. Isso não acontece aqui.

Agora, o roteiro… Esse lance de viagem no tempo é complicado. O mais lógico seria voltarem no tempo pra logo antes do surgimento dos monstros, mas eles explicam que não conseguem escolher a data exata. Mas, ora, como é que escolheram a data da final da Copa do Mundo?

(Aliás, cena engraçada pros brasileiros. Logo no início, as pessoas estão vendo pela TV o jogo da final da Copa do Mundo no Qatar, ano que vem. Brasil contra um time de azul que não consegui identificar. Mas vemos o nome do jogador brasileiro: “Peralta”.)

Mas, ok, eles não conseguem ajustar a data. Mas, então, por que mandar pessoas do presente pra morrerem no futuro, numa guerra que não tem como ganhar? Não seria mais lógico voltar e se preparar para o dia e local onde os monstros apareceriam, para evitar que se espalhassem pelo mundo, e assim ninguém morreria nessa nova linha temporal?

(Cada vez que penso mais na viagem no tempo, mais desenvolvo outras soluções melhores que a apresentada. Melhor parar por aqui.)

Ainda no roteiro, um breve spoiler quase inofensivo. Ter um estudante do ensino médio como especialista em vulcões é uma solução que hoje em dia não cola mais. Mais uma vez, me lembrei do Independence Day com os alienígenas sendo derrotados por um vírus de computador. Os anos 80 ligaram, e pediram essa cena de volta!

A Guerra do Amanhã é longo, duas horas e vinte, e tem um bom ritmo nas cenas de ação. Agora, as partes de drama no meio são um pouco cansativas. Tem uma cena na praia onde rola quase uma DR onde fiquei pensando “por que tanta problematização?”

Chris Pratt está bem, apesar de seu personagem não ser muito diferente do Starlord que a gente está acostumado. Uma surpresa positiva foi ver o JK Simmons boladão – um tempo atrás, viralizou uma foto dele malhando, com barba branca, e o diretor, quando o procurou, disse que queria um visual como o daquela foto. Ele aparece pouco, mas está ótimo. Por outro lado, toda vez que aparecia o Sam Richardson, ele atrapalhava. Um dos piores alívios cômicos do cinema recente. Ele realmente travava as cenas com as piadas sem graça e fora de hora. Também no elenco, Yvonne Strahovski, Betty Gilpin, Jasmine Mathews e Keith Powers. Ah, pra quem via 24 Horas, Mary Lynn Rajskub, a Chloe, tem um papel pequeno mas importante.

Por fim, recomendo que você não pense muito nas inconsistências e se divirta. Fiquei até com pena de não ter visto no cinema, algumas cenas com vários aliens pediam uma tela grande!

The Misfits

Crítica – The Misfits

Sinopse (imdb): Depois de ser recrutado por um grupo de ladrões não convencionais, o renomado criminoso Richard Pace se vê envolvido em um elaborado roubo de ouro que promete ter implicações de longo alcance em sua vida e na vida de inúmeras outras pessoas.

Renny Harlin na direção, Kurt Wimmer no roteiro, Pierce Brosnam e Tim Roth no elenco. Ok, tinha chances de dar certo. Mas…

Há anos que Renny Harlin não faz nenhum grande filme, mas ele dirigiu alguns bons filmes nos anos 90, como Duro de Matar 2, Risco Total e A Ilha da Garganta Cortada. E Kurt Wimmer escreveu alguns roteiros como as refilmagens de Caçadores de Emoção e Vingador do Futuro, mas lembro dele por Equilibrium, que acho um bom filme de ação, apesar de um pouco desconhecido do grande público. Ok, reconheço que não são nomes do primeiro escalão. Mas um filme feito pela dupla podia ser bom.

Podia. Mas não foi. The Misfits é um lixo!

The Misfits até começa bem, a sequência inicial lembra um Guy Ritchie, edição rápida com personagens marginais engraçadinhos. Mas pouco depois tudo se perde, o filme resolve focar mais na comédia pastelão e o filme fica tão bobo que dá vontade de desistir.

Sério, heu NUNCA desisto de um filme, principalmente quando é um filme curto que já vi metade. Mas esse aqui deu vontade de parar, no trecho onde eles precisam convencer o diretor da prisão a comprar um determinado equipamento. As atuações são dignas de um humorístico ruim de TV aberta, me senti vendo A Praça É Nossa.

Fui até o fim, mas, olha, foi doloroso. O roteiro força umas barras absurdas, aquele plano não tem a menor lógica, e The Misfits vira um dos piores filmes de heist da história. Não tenho nem o que falar sobre a atuação, a não ser que senti pena do Tim Roth, que já mostrou que é um grande ator. Pierce Brosnam? Quando o vi cantando em Mamma Mia, achei que ele deveria ganhar uma punição por castigar nossos ouvidos daquele jeito. Hoje estou com pena dele, a punição foi severa demais. Pierce, heu te perdoo!

E o fim do filme deixa aberto o caminho pra uma continuação. Tenha medo, tenha muito medo!

Velozes e Furiosos 9

Crítica – Velozes e Furiosos 9

Velozes e Furiosos novo! Ninguém pediu, mas ninguém se importa!

Sinopse (filmeB): Dom Toretto está levando uma vida tranquila fora das pistas com Letty e seu filho, o pequeno Brian, mas sabem que a qualquer momento, isso pode mudar. Desta vez, uma ameaça forçará Dom a confrontar os pecados de seu passado e salvar aqueles que ele mais ama. Sua equipe se une contra uma trama mundial liderada por um assassino e motorista de alto desempenho: um homem que também é o irmão abandonado de Dom, Jakob.

Antes de tudo, preciso explicar a frase da introdução. na época do spin off Hobbes & Shaw a gente gravou um Podcrastinadores sobre a franquia, e durante a gravação a gente repetia diversas vezes “ninguém se importa”, porque a saga tem vários momentos onde tudo é feito de qualquer maneira, porque afinal, “ninguém se importa”. Foi uma gravação muito divertida, recomendo pra quem não ouviu!

Dito isso, preciso dizer que gosto da franquia – a partir do quarto filme. O primeiro Velozes e Furiosos é bom, mas é quase um plágio de Caçadores de Emoção. O segundo é fraco; o terceiro, pior ainda. Aí, no Velozes e Furiosos 4, abraçaram a galhofa, e os filmes passaram a ser absurdos e divertidos. São filmes de ação bem feitos, que nunca se levam a sério, e, principalmente, divertidos. E sempre lembro do lema da rede Luis Severiano Ribeiro: “cinema é a maior diversão”. Se sentei na poltrona do cinema e me diverti, tá valendo.

(Pra mim, Velozes e Furiosos é semelhante a 007 – bons filmes de ação, cheios de mentira e todos parecidos entre si. Mas isso é um assunto polêmico pra outro momento).

A direção está nas mãos de Justin Lin, que dirigiu o 3, o 4 e o 6, e que aqui entrega um filme tão absurdo e tão divertido quanto os últimos. Logo na parte inicial a gente tem uma sequência que mostra bem o tom do filme: uma perseguição que envolve carros, motos, helicópteros, artilharia pesada, e quando um carro vai passar por uma daquelas pontes suspensas, a ponte arrebenta e ele segue acelerando. Não faz sentido, mas… Ninguém se importa!

O novo vilão é o “irmão perdido” do Dominic Toretto. Por um lado isso é meio incoerente, porque um dos temas sempre repetidos na franquia é a importância da família – por que Dom não seguiria o próprio conselho? Bem, a justificativa dada pelo filme me convenceu. Mas, na verdade, o real motivo pra ter um irmão é porque Paul Walker faleceu, mas seu personagem não. Qual seria uma justificativa convincente pra trazer a Jordana Brewster de volta? Ora, o irmão sumido também é irmão dela. Assim ela tem motivo pra querer participar da aventura.

Agora, posso dizer que isso me convenceu, mas não dá pra dizer que o roteiro é bom. Nada faz muito sentido, eles precisam achar um artefato que está com um vilão malvadão, e tem um exército particular e também tem a Charlize Theron presa, e… É, nada faz muito sentido. Sorte que ninguém se importa!

Pelo menos as sequências de ação são bem feitas. A parte final, com os eletroímãs, é exagerada e também não faz muito sentido, mas é empolgante e muito bem filmada.

Preciso falar mal de duas coisas. A primeira é a duração do filme, são quase duas horas e meia, e tem umas partes cansativas no meio. Ok, entendo que a família é uma coisa importante, mas não precisa repetir tantas vezes, perdemos muito tempo nos dramas ligados ao tema.

A outra não sei se é spoiler, acho que não, porque está até no poster. Achei a volta do Han desnecessária. Nada contra o personagem, mas, na minha humilde opinião, se um personagem morreu, deixa ele morto. Sou contra essa ideia de ressuscitar personagens, porque acho que desvaloriza o fator morte. Han morreu no 3, mas ainda apareceu no 4 e no 5, que se passam antes do 3. E vamos combinar que a volta dele não era nada essencial para a trama, se ele não aparecesse, não só o filme não perdia nada como ainda seria um pouco mais curto.

Ah, sim, tem cena de carro no espaço. Absurdo, mas coerente com a saga. Quem reclamar disso tem que reclamar de todos os outros absurdos dos outros filmes.

Observações sobre o elenco. Vin Diesel, Michelle Rodriguez e Jordana Brewster fazem o de sempre. Dwayne Johnson e Jason Statham não aparecem no filme, mas John Cena serve como o grandão da vez (não, ele não atua bem, apenas disse que ele serve pro papel). Charlize Theron está maravilhosa como sempre, apesar de pouco aproveitada aqui. Kurt Russell aparece pouco, Gal Gadot aparece menos ainda (aparentemente a cena dela é tirada de outro filme). O destaque é pra Hellen Mirren, maravilhosa, que aparece em uma única cena, e transforma essa em uma das melhores cenas do filme. Também no elenco, Tyrese Gibson, Ludacris, Nathalie Emmanuel, Sung Kang e Thue Ersted Rasmussen

(Pra quem não sabe, Jordana Brewster é filha de uma brasileira, apesar de nunca ter feito nenhum filme aqui. Achei legal vê-la falando português em uma cena no fim do filme.)

Ah, tem uma cena durante os créditos, com gancho pro décimo filme. Claro que vai ter, né. Se vai ser bom? Ninguém se importa!

Infinite

Crítica – Infinite

Sinopse (imdb): Uma ficção científica que examina o conceito de reencarnação por meio de visuais notáveis e personagens bem estabelecidos que precisam usar suas memórias e habilidades aprendidas no passado para garantir que o futuro seja protegido de “infinitos” que buscam acabar com toda a vida no planeta.

(Esse “infinito” da sinopse é como chamam essas pessoas, que são capazes de reencarnar trazendo todas as habilidade das vidas anteriores.)

Infinite traz uma boa ideia inicial, mas falha miseravelmente no seu desenvolvimento. Me parece que quiseram criar um novo Matrix, mas o conceito foi tão mal desenvolvido que não só não convence ninguém, como cansa o espectador no meio do caminho. O filme até lembrou Tenet, que precisa ficar se explicando o tempo todo.

Não sei se isso vai acontecer com outros espectadores, mas esse conceito não me convenceu, de quando uma pessoa morre ela reencarna, mas só depois de um tempo é que descobre os seus “poderes”. Num mundo com 7 bilhões de pessoas, fica difícil de saber onde o cara vai reencarnar e continuar a vida ao lado dos companheiros também infinitos.

E ter o Mark Wahlberg no papel principal atrapalha. Vejam bem, gosto dele, ele é um bom astro de ação, ele tem carisma o suficiente pra segurar um filme desse porte, mas… Ele acabou de fazer 50 anos, este mês, tinha 48 na época das filmagens. Você não pode ter uma história que se baseia em uma pessoa trazer conhecimentos de vidas anteriores, e colocar um “velho” pro papel principal. Faria muito mais sentido se fosse um cara novo.

(Um pequeno parênteses pra explicar: heu tenho 50 anos, nasci no mesmo ano que o Mark Wahlberg. Não me considero velho, ainda acho que tenho muita coisa pra viver. Mas, hoje, se heu descobrisse que tenho várias habilidades de vidas passadas, não sei se mudaria muita coisa na minha vida atual. Agora, se heu descobrisse com 20 anos de idade, aí sim, seria uma nova vida completamente diferente.)

A direção ficou com Antoine Fuqua, que tem alguns bons filmes no currículo, como Dia de Treinamento, O Protetor e a refilmagem de Sete Homens e um Destino. Pelo menos Fuqua manda bem nas cenas de ação. A história é mal desenvolvida, mas pelo menos as cenas de ação são bem filmadas.

No elenco o outro grande nome é Chiwetel Ejiofor (Filhos da Esperança, 12 Anos de Escravidão, Doutor Estranho), que está péssimo aqui. Ele, como líder do grupo inimigo, não convence ninguém dos seus propósitos. Também no elenco, Sophie Cookson, Dylan O’Brien, Jason Mantzoukas, Rupert Friend e Toby Jones.

Claro que o filme termina com um gancho pra continuação, com a vantagem de poder trocar todo o elenco (estamos falando de reencarnação, nenhum ator precisa voltar). Mas, se o primeiro filme foi tão fraco, nem sei se quero ver o que vem depois.

Infiltrado

Crítica – Infiltrado

Filme novo do Guy Ritchie!

Sinopse (imdb): O enredo segue H, um personagem frio e misterioso que trabalha em uma empresa de caminhões de dinheiro responsável por movimentar centenas de milhões de dólares em Los Angeles todas as semanas

Gosto muito do Guy Ritchie. Lembro quando ele apareceu, com Jogos Trapaças e Dois Canos Fumegantes, no fim dos anos 90. Por causa do sucesso de Pulp Fiction (marco na cultura pop, palma de ouro em Cannes, Oscar de roteiro e sucesso de bilheteria), surgiram diversos filmes tentando copiar o “estilo Tarantino”: violência, personagens marginais, diálogos cool, trilha sonora moderninha, edição não convencional e às vezes fora da ordem – filmes como Get Shorty – O Nome do Jogo, Smoking Aces – A Última Cartada, Lucky Number Slevin e Coisas Para Fazer em Denver quando se está Morto. Jogos Trapaças pegou carona nessa moda, mas, com o tempo, Guy Ritchie mostrou que tinha mais conteúdo que a maioria da galera que surfou a mesma onda.

(Momento pra contar uma história pessoal. No fim de 1998, heu viajei pra Europa. Estava em Londres com a minha esposa, e a gente resolveu ir ao cinema pra ver um filme novo, de um cara estreante, que estavam comparando com o Tarantino. Claro, na Inglaterra, seria sem legendas, mas não ia ser a minha primeira vez vendo um filme sem legendas (na mesma viagem vi um filme em Amsterdã, com o som em inglês e legendas em holandês – não tem como não ler as legendas, e isso sempre me confundia!). Fomos ao cinema, mas os sotaques dos personagens são muito difíceis! A gente não estava entendendo nada! Mais pro fim, consegui entender mais ou menos a história, mas precisei rever no Brasil com legendas quando voltei…)

Com o tempo, Guy Ritchie se firmou com um estilo característico (apesar de alguns filmes fora da curva, como Rei Arthur e Aladdin). Mas, aqui, em Infiltrado (Wrath of Man, no original), Ritchie está um pouco diferente do que faz habitualmente. Infiltrado tem menos humor, tem menos personagens e situações engraçadinhas, é um filme de um modo geral mais sério.

Trata-se da refilmagem do francês Le Convoyeur, de 2004. Depois de ver a refilmagem, fui catar o original. É bem parecido, mas a refilmagem me pareceu melhor, mais refinado, mais bem construído.

Infiltrado é um filme sério e tenso, que traz mais de um ângulo pra mesma história, e tem alguns plot twists bem elaborados. E, falei tenso, né? A sequência final, quando tudo se resolve, é muito tensa, e muito bem filmada.

Jason Statham deve ser um velho amigo de Guy Ritchie, afinal Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes foi o primeiro longa metragem de ambos. Pouco depois, ainda fizeram Snatch: Porcos e Diamantes e Revolver, mas depois suas carreiras seguiram caminhos diferentes. Statham volta aqui, e se mostra o cara perfeito pra esse papel – um personagem sério, preciso e de poucas palavras. Também no elenco, Josh Hartnett, Holt McCallany, Scott Eastwood e Jeffrey Donovan, e uma ponta de Andy Garcia.

Nem tudo funciona. Por exemplo, tem uma personagem feminina que achei meio forçada – mas aí vi que no filme francês também tem uma mulher, então a refilmagem deve ter seguido a mesma ideia. Já o personagem do Andy Garcia não está no original francês, e se também não estivesse aqui, não faria falta – um personagem que pouco aparece e que não se explica direito o propósito dele.

Mesmo assim, ainda achei Infiltrado um grande filme de ação, com boas chances de entrar num top 10 aqui no heuvi. Recomendo!

Antes de terminar, só um comentário de uma coisa que achei curiosa. Nestes tempos de pandemia – já tem mais de um ano sem cinema como era antes – muitos grandes lançamentos estão sendo guardados pra depois, pra quando pudermos encher os cinemas novamente. E, olha só, já é o segundo filme do Guy Ritchie lançado durante a quarentena: ano passado tivemos Magnatas do Crime, que nem chegou a ser lançado nos cinemas aqui no Brasil, e agora Infiltrado. Será que conseguiremos ver na telona?

Sem Remorso

Crítica – Sem Remorso

Sinopse (imdb): Um Navy SEAL de elite segue um caminho para vingar o assassinato de sua esposa apenas para se encontrar dentro de uma conspiração maior.

Filmes baseados em Tom Clancy costumam ser bons. Com roteiro do Taylor Sheridan (Sicario, A Qualquer Custo), e com Michael B Jordan (Creed, Pantera Negra) no papel principal, vira um daqueles filmes que prometem ser um filmaço. Bora ver qualé.

Tom Clancy é um autor de best sellers, criou o personagem Jack Ryan, que já rendeu cinco filmes longa metragem e uma série de TV – A Caçada ao Outubro Vermelho (1990), onde é interpretado por Alec Baldwin; Jogos Patrióticos (1992) e Perigo Real e Imediato (1994), por Harrison Ford; A Soma de Todos os Medos (2002), por Ben Affleck; Operação Sombra: Jack Ryan (2014), por Chris Pine; e finalmente a série Jack Ryan (2018), com John Krasinski no papel. Vários filmes, vários atores, mas sempre o mesmo Jack Ryan, e sempre em boas tramas de ação e espionagem.

Dirigido pelo pouco conhecido Stefano Sollima (Sicario 2), Sem Remorso (Without Remorse, no original) não tem o Jack Ryan. O protagonista é John Kelly, e a proposta é que este seja o filme de origem de uma nova franquia, baseada nos livros / games Rainbow 6 (tudo do Tom Clancy). Dei uma pesquisada por alto, existe o livro Rainbow 6, mas me parece que o videogame é bem mais popular. Não li o livro e nem joguei o jogo, mas isso pouco importa pra este filme em particular.

(Jack Ryan não aparece e nem é citado, mas… Jamie Bell faz um personagem chamado Robert Ritter, mesmo nome do personagem de Henry Czerny em Perigo Real e Imediato. Ou seja, a princípio está tudo no mesmo universo.)

Não sei se por culpa do diretor (acredito que não), mas Sem Remorso é um filme genérico. O filme não é ruim, tem algumas boas cenas – gostei da sequência do avião – mas simplesmente não engrena.

Acho que o único destaque positivo está em Michael B Jordan, que realmente convence ao segurar um papel de protagonista de filme de ação. Também no elenco, Jamie Bell (que estava em Quarteto Fantástico junto com o Michael B Jordan), Jodie Turner-Smith e Guy Pearce.

Me lembrei dos meus tempos de videolocadora. Os lançamentos eram divididos em dois grupos: os filmes de ponta e os filmes de apoio. De ponta eram os blockbusters, aqueles que todo mundo queria ver, que tinha fila pra conseguir alugar. Os de apoio eram filmes novos, mas menos badalados, e na maior parte das vezes, de qualidade inferior. Daqueles que, se a gente perder, não perdeu muita coisa (Sempre fui mais de cinema e videolocadora do que de tv aberta, mas sei que tinha uma sessão na Globo onde passavam esses filmes, só não vou lembrar o nome da sessão).

Sem Remorso passa essa sensação. Um filme apenas ok.

Pena, porque tem uma cena pós créditos que traz um gancho pra continuação. Tempos atrás, o que definia uma continuação era a bilheteria. Hoje em dia, só no streaming, como é feita esta decisão se a franquia vai seguir ou não?

Aguardemos…