Indicados ao Oscar 2026

Indicados ao Oscar 2026

Um pouco atrasado, mas vou fazer uns comentários sobre os indicados ao Oscar.

Claro, vamos começar com as quatro indicações que O Agente Secreto teve. Contradizendo um vídeo recente meu, heu arriscaria que é o melhor momento do Brasil na história do Oscar. Já tivemos um filme indicado a quatro Oscars – Cidade de Deus concorreu a Diretor, Roteiro Adaptado, Edição e Cinematografia. Mas, entre as quatro indicações de Agente Secreto, está melhor filme. Se a gente pensar num “critério de desempate”, acho que indicação a melhor filme deve servir pra isso!

Vamos às indicações de O Agente Secreto. Ser indicado a melhor filme e uma ótima notícia, mas acho muito difícil o filme ganhar. Mas só de estar entre os dez, já acho uma excelente notícia. Agora, sobre melhor filme internacional, acredito temos mais chances – mas precisamos lembrar que Valor Sentimental também está concorrendo ao mesmo prêmio e está indicado a nove Oscars. Teoricamente, Valor Sentimental teria mais chance. Mas… Ano passado Emília Perez estava indicado a treze Oscars e perdeu o de filme internacional para Ainda Estou Aqui. Ou seja, temos chances.

Wagner Moura está concorrendo a melhor ator, e, depois de ganhar o Globo de Ouro, chega com moral. Mas, infelizmente, acredito que ele não ganha. Timothée Chalamet, em sua terceira indicação, está com o lobby forte. E ainda tem o Leonardo Dicaprio.

O Agente Secreto também concorre a melhor elenco, categoria nova, criada este ano. Ainda não sei exatamente quais são os critérios que direcionam esta categoria, então não sei se temos chances. Nem vou palpitar.

Bora falar dos outros? Pecadores foi o melhor filme de 2025 aqui no heuvi. E vi várias outras listas de melhores do ano, e não lembro de nenhuma outra com Pecadores em primeiro lugar. E agora, Pecadores é o filme com maior número de indicações. Vou além: Pecadores teve 16 indicações, e até o ano passado, o número máximo de indicações que um filme teve foi 14 (A Malvada, Titanic e La La Land). Nunca um filme tinha tido mais do que 14, e agora Pecadores batei esse recorde. Ou seja, a Academia concorda comigo…

Mas, se por um lado Pecadores é o que tem mais indicações, por outro lado todos sabem que a Academia tem preconceito com filmes de terror. E um exemplo disso é que A Hora do Mal só teve uma indicação, melhor atriz coadjuvante pra Amy Madigan, a tia Gladys (e estou torcendo por ela!). Ou seja, não sei se Pecadores é tão favorito assim.

Os dez filmes indicados ao prêmio principal são Pecadores, O Agente Secreto, Valor Sentimental, Uma Batalha Após a Outra, Hamnet, Frankenstein, Bugonia, Sonhos de Trem, Marty Supreme e F1. Tenho dois comentários. O primeiro é que Timothée Chalamet pode até merecer indicação, mas Marty Supreme não, achei o filme bem fraco. O outro é que vi gente criticando F1 nessa lista, mas discordo, porque o Oscar também é um prêmio comercial, e F1 simboliza o cinemão, um filme pra ver numa tela grande e com som alto. Se fossem só cinco indicados, ok, tira. Mas se são dez vagas, deixa o F1 lá! Não vai ganhar mesmo…

Alguns comentários rápidos sobre as outras categorias. Melhor atriz deve ir pra Jessie Buckley, que está muito bem em Hamnet (achei o filme meio chato, mas ela está realmente ótima). Ator coadjuvante os cinco estão bem, heu escolheria Sean Penn por Uma Batalha Após a Outra; atriz coadjuvante minha torcida é pra Amy Madigan mas tem outras que também estão bem. Direção acho que é a vez do Paul Thomas Anderson, grande diretor que nunca ganhou.

O Oscar acontece dia 15 de março, até lá espero estar mais bem estabelecido pra não atrasar os comentários!

O cinema brasileiro não vive um bom momento

Polêmica: “O cinema brasileiro não vive um bom momento”!

Vou expor uma opinião polêmica: na minha humilde opinião o “cinema brasileiro” não vive um grande momento. Estou muito feliz com as vitórias internacionais conquistadas por Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, são dois grandes filmes (achei o primeiro bem melhor, mas reconheço os méritos do segundo), ano passado Ainda Estou Aqui ganhou Globo de Ouro de melhor atriz e Oscar de filme internacional – o primeiro Oscar 100% brasileiro; este ano O Agente Secreto acabou de ganhar Globo de Ouro de melhor ator e melhor filme em língua não inglesa e tem grandes chances de estar no próximo Oscar.

“Caramba, Helvecio, se você reconhece o sucesso internacional desses dois filmes, por que fala que não vivemos um bom momento?”

É porque, pelo meu ponto de vista, são casos isolados. O cinema brasileiro ainda é muito fraco. Ter um bom filme aqui, outro ali, não significa que o resto dos filmes traz qualidade parecida. Vou citar dois exemplos tirados da música. Nos anos 70, o ABBA foi um dos grupos musicais mais vendidos de todos os tempos, com sucessos como “Dancing Queen” e “Mamma Mia” – mas outros suecos a alcançar o sucesso só apareceram anos depois, como Europe e Roxette. Outro exemplo: Shakira faz sucesso mundial, mas não saberia dizer outro artista colombiano.

E aí mando a pergunta que não quer calar: cadê o “terceiro filme” brasileiro? Se vivemos um bom momento, era pra ter outros grandes filmes nos anos anteriores ou com estreia próxima. Cadê outros filmes com capacidade semelhante de fazerem bonito internacionalmente falando?

Vamos pegar o audiovisual sul-coreano. Park Chan-wook conseguiu um grande sucesso em 2003 com Oldboy, e está cotado este ano pra concorrer ao Oscar de filme internacional com o seu A Única Saída. Kim Ki-duk ganhou prêmios em Berlim e Veneza em 2004. Lee Chang-dong ganhou prêmios em Veneza em 2002 e em Cannes em 2010 e 2018. Hong Sang-soo ganhou prêmios em Berlim em 2020, 21 e 24 e já teve filmes exibidos em Cannes em dez edições diferentes. E, claro, Em 2019/20, Bong Joon-ho fez história com Parasita – não só ganhou Palma de Ouro em Cannes, como ganhou quatro Oscars, inclusive foi o primeiro filme de língua não inglesa a vencer o Oscar principal. E isso porque estou falando só de cinema, mas a gente não pode esquecer do grande sucesso mundial da série Round 6. Isso abriu portas pra muitas opções coreanas nos streamings. Podemos dizer que existe cinema sul-coreano atualmente.

Outro exemplo: entre 2014 e 2019, seis anos seguidos, Alfonso Cuarón, Guillermo del Toro e Alejandro G. Iñárritu, três mexicanos, ganharam cinco Oscars de melhor diretor – Cuarón por Gravidade e Roma, del Toro por A Forma da Água e Iñárritu por Birdman e O Regresso (Damien Chazelle foi o “intruso”, em 2017, com La La Land).

Já o cinema nacional vive de momentos, como aqueles exemplos musicais que citei. Orfeu Negro, co-produção Brasil, França e Itália, ganhou Oscar em 1960, mas o filme foi indicado pela França, não pelo Brasil. O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte, até hoje o foi único filme brasileiro a vencer a Palma de Ouro em Cannes (também foi indicado pro Oscar). O Beijo da Mulher-Aranha (1985), de Hector Babenco, tinha cara de filme gringo mas era co-produção Brasil e EUA, foi indicado aos Oscars de melhor filme, diretor e roteiro adaptado, e ganhou melhor ator, pra William Hurt. Central do Brasil (1998), de Walter Salles, ganhou Urso de Ouro em Berlim e foi indicado a dois Oscars, melhor filme em língua estrangeira e melhor atriz (Fernanda Montenegro), mas perdeu ambos. Cidade de Deus (2002) teve 4 indicações ao Oscar (direção, roteiro adaptado, fotografia e montagem), mas também perdeu todos. Tropa de Elite (2007), de José Padilha, ganhou Urso de Ouro em Berlim. O Quatrilho e O Que É Isso Companheiro também concorreram ao Oscar e não ganharam. Além desses, tivemos outras participações indiretas no Oscar, como Carlos Saldanha, indicado duas vezes, mas por produções gringas; Diários de Motocicleta, outro Walter Salles, mas co-produzido por oito países diferentes, concorreu a melhor roteiro adaptado e ganhou melhor canção (Al Otro Lado Del Rio, de Jorge Drexler); Sergio Mendes e Carlinhos Brown também concorreram a melhor canção em 2012, por Rio, mas não ganharam.

E agora, recentemente, tivemos Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto.

Não vejo esse atual momento dos dois premiadíssimos filmes recentes como um ponto de partida para uma grande onda de cinema brasileiro. Na verdade, analisando o quadro geral, acho que são casos isolados. Que, por uma coincidência, vieram um ano depois do outro.

Repetindo o que falei no início: fico feliz pelo sucesso dos dois filmes. Mas infelizmente ainda acho que falta muito pra isso refletir no resto do cinema nacional.

Pluribus

Pluribus

Sinopse (imdb): Em um mundo onde a felicidade domina, uma mulher amarga e pessimista se torna a última esperança para restaurar o equilíbrio emocional da humanidade.

Heu ia falar de um filme em cartaz, como faço quase sempre aqui. Mas estou meio obcecado pela série Pluribus. Então resolvi hoje comentar alguns pensamentos ligados à série.

A primeira temporada de Pluribus terá nove episódios. Já saíram os seis primeiros. O ideal seria aguardar a temporada acabar pra falar de tudo, mas tenho dois motivos pra comentar logo. Um deles é porque deve acabar no Natal, e fim de ano devo estar preso nas minhas listas de melhores e piores do ano. Mas o principal motivo é que esse formato de série misteriosa muitas vezes não conclui nada e termina a temporada com um gancho pra novos mistérios. E, sinceramente, estou meio de saco cheio desse formato. Ou seja, grandes chances do final de temporada ser decepcionante. Então é melhor falar logo. Mas, dependendo do final, posso fazer outro vídeo no início de 2026 comentando a temporada completa.

Sobre spoilers: só vou falar da premissa básica da série. Não trarei altos spoilers sobre a trama, porque na verdade o que me fascina são detalhes sobre o conceito apresentado pela série, não exatamente sobre o desenrolar da trama.

Digo mais: não vou entrar em teorias. Deve ter um monte de teorias pela internet tentando explicar o mistério da série. Mas não li nenhuma, e na verdade nem quero ler. Prefiro aguardar o que cada episódio me apresentar.

Vamos à série. Spoilers leves sobre o argumento.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Pluribus é a nova série de Vince Gilligan, criador de Breaking Bad e Better Call Saul, e mostra um mundo onde um vírus alienígena “assimila” quase toda a população. Mais ou menos como nos clássicos de ficção científica da época da Guerra Fria, tipo Invasores de Corpos, todos perdem a personalidade. Mas em vez de ficarem apáticos, todos passam a ser amistosos e gentis. E todos compartilham o mesmo conhecimento – o que um sabe, todos sabem. Quase toda a população – porque doze pessoas espalhadas pelo planeta estão imunes ao vírus. Mas os “assimilados” tratam muito bem essas doze pessoas, realizando quaisquer desejos. Carol, a rabugenta e mal humorada protagonista, desconfia do que está por trás dos simpáticos humanos contaminados.

(Pra quem estiver curioso, “Pluribus” é uma palavra em latim que significa “para muitos”.)

Sim, a série se baseia num grande mistério: qual é o real objetivo dos alienígenas que mandaram o vírus? O que vai acontecer com a raça humana? E é por isso meu grande pé atrás com a série. Como falei, tem toda a cara do nono episódio terminar com um grande gancho e sem explicar nada…

Mas não estou me ligando na solução do mistério. Pluribus me conquistou porque me fez pensar em dois aspectos conceituais. São ideias lançadas pela série que passam boa parte do dia “morando na minha cabeça”.

A primeira ideia é sobre a consciência coletiva, ou, em inglês, “hive consciousness” (consciência de colmeia). Trata-se de um conceito de inteligência compartilhada onde os indivíduos atuam como partes de um todo unificado, inspirando-se em insetos sociais como abelhas e formigas. Lembro de um filme de Star Trek, acho que foi em 1996, que falou sobre essa ideia, citando que os Borgs seriam assim. Mas não me lembro de Star Trek ter desenvolvido direito esse conceito. E desde aquele filme sempre pensei que um grupo antagonista assim seria quase impossível de se combater – se um indivíduo descobre uma fraqueza sua, automaticamente todos os outros também sabem sobre essa fraqueza. E desde aquele filme estava aguardando alguma obra audiovisual usando isso. Não me lembro de nenhum filme ou série que soube explorar direito esse conceito – até agora.

A outra ideia que pulula na minha cabeça é a que cada um dos doze “não assimilados” tem poderes quase ilimitados. Porque os assimilados se esforçam para fazer de tudo para agradar cada um deles. Imagina se você é um desses doze? Sua vida não vai nunca mais ser como era antes. Pra começar, você não precisa trabalhar ou estudar, afinal, tudo o que você desejar estará à sua disposição. Você pode morar onde quiser, sem precisar pagar. Escolha qualquer comida que você queira, vão lhe trazer. Quer viajar pra qualquer lugar do mundo? Só escolher o destino. (No meu caso, não ia mais fazer vídeos pra cá pro youtube, porque não ia ter gente assistindo. Aliás, não teríamos novos filmes…)

Seria uma vida de multimilionário, num planeta sem guerras e sem violência. Mas, com um agravante: todos os seus amigos e familiares viraram “robôs felizes”. Nunca mais você terá uma companhia genuína de uma pessoa genuína.

(Imagine os prós e contras: você pode namorar uma famosa estrela de Hollywood ou uma grande supermodelo. Mas seus filhos e seus pais saberão exatamente o que você está fazendo…)

Voltando à série, claro que quero saber a conclusão do mistério. Mas só esses pensamentos sobre o conceito da série já valeram pra mim. Gostei muito, se tivesse um top 10 de séries aqui no heuvi, Pluribus certamente entraria nos primeiros lugares.

Opinião de crítico vs opinião de fã

Opinião de crítico vs opinião de fã

Hoje o texto vai ser um pouco diferente. Está rolando uma treta no youtube nesse assunto crítico vs fã, e acho que tenho algo a acrescentar nesse assunto. Só não vou entrar em fofocas, ok?

Pra quem não viu: PH Santos fez um vídeo onde comenta que outro youtuber teria feito dois vídeos sobre o útlimo Jurassic World, o primeiro seria um “vídeo de fã”, elogiando o filme; o segundo, um “vídeo de crítica”, falando mal. Supostamente o primeiro vídeo teria sido patrocinado. PH Santos não fala nomes, mas fica claro que ele está se referindo ao Peter Jordan, do canal Ei Nerd.

Não conheço pessoalmente nenhum dos dois. Já troquei mensagens com o PH, teve uma época que ele ia gravar um Podcrastinadores, mas acabou não rolando. Acompanho os vídeos do PH, acho ele um dos melhores críticos do youtube, vejo sempre o canal dele (assim como o Otávio Ugá, o Dalenogare e a Isabela Boscov). Não costumo ver muitos vídeos do Peter, porque gosto mais de conteúdo de cinema, e o Peter fala de um monte de assuntos diferentes. Mas reconheço que seus vídeos são realmente mais “papo de fã” do que análise crítica. Mas, nada contra, não sou hater de nenhum dos dois.

Como está rolando essa treta, queria aproveitar pra comentar alguns pontos sobre essa carreira de crítico de cinema, e como heu vejo essa discussão “fã x crítico”, ou “público vs crítica”, que, acreditem, é assunto recorrente em papos entre críticos.

Vamos por partes. Estou nessa há pelo menos uns 15 anos, mas meu site e meu canal de youtube são bem pequenos, comparado com esses que citei. Como sou pequeno, nunca me ofereceram dinheiro pra fazer uma crítica elogiando um filme ruim. Devem existir casos assim, mas comigo nunca rolou. Será que, se me oferecessem uma boa grana, heu falaria? Sinceramente não sei responder isso. Mas posso afirmar que, até hoje, nunca rolou.

Frequento sessões de imprensa, e quando acho que um filme é ruim, falo que é ruim. Nunca aconteceu de alguém da assessoria reclamar sobre isso!

(Uma coisa que já fiz foi publicidade dentro do conteúdo. Por umas três ou quatro vezes, no Podcrastinadores, a gente gravou uma propaganda pra ir no meio do episódio – tipo product placement em filmes. Lembro de uma vez que falamos sobre uma marca de café, e lembro que achei o texto péssimo, porque a gente falava de café pra ficar acordado e não dormir vendo séries. Caramba, não bebo café pra ficar acordado! Bebo porque gosto! Humpf!)

Também existe uma “treta silenciosa” entre críticos e influencers. Tem muito influenciador que não saca nada de cinema ganhando brindes e sessões exclusivas, e já vi muita gente reclamando, afinal, o influenciador, na maior parte dos casos, tem um conteúdo muito raso. Já discuti com amigos críticos, porque entendo o lado da assessoria – o influenciador pode não entender de cinema, mas vai trazer público para o filme. Comentei isso no meu vídeo sobre Cidade Perdida, me colocaram numa sessão junto com a Narcisa, e não posso nem reclamar porque sei que um post dela vai ter um alcance muito maior do que um vídeo meu.

Dito isso, vamos ao segundo ponto: o que é uma crítica? Pra que serve uma crítica? Existe uma grande área cinza aí, tanto sobre quem escreve a crítica, quanto sobre quem a lê. Uma vez o Otávio Ugá fez um comentário que concordo 100%: quando você produz seu conteúdo, você deve colocar a sua vivência no seu texto. Critica é uma arte abstrata, você pode (e deve) mencionar elementos técnicos sobre o filme, mas faz parte você incluir como aquela obra te tocou. Pelo menos pelo meu ponto de vista, não é só um “gostei” ou “não gostei”, mas o “gostei” ou “não gostei” é parte essencial do conteúdo a ser produzido. E posso estender o comentário a quem está consumindo a crítica. Alguns vão preferir um texto mais frio e mais técnico, enquanto outros vão preferir algo mais “papo de fã”. Pessoas diferentes produzem conteúdos diferentes e consomem conteúdos diferentes.

Vou falar do meu caso. Gosto de ver filmes desde que me conheço por gente. E desde a minha adolescência, sempre procurei saber sobre bastidores dos filmes. Em tempos pré Internet, heu comprava livros e revistas, catava informações em qualquer lugar. E, depois de “velho”, ainda fiz vários curta metragens. Ou seja, quase sempre, quando vejo um filme, fico imaginando onde está o câmera, onde está a equipe, o que estava acontecendo em volta daquele set durante as filmagens. Ou seja, pra mim, é fácil fazer uma análise mais técnica e menos apaixonada. Já é algo natural começar a ver um filme analisando cada detalhe técnico.

(O mesmo acontece quando ouço música. Automaticamente já separo os instrumentos e analiso os arranjos…)

Mas… Existe um nicho onde o Helvecio fã fala mais alto que o Helvecio crítico: Star Wars! Conheço pessoas que falam mal do Star Wars ep 7 O Despertar da Força, mas o fanboy que habita em mim não consegue ver esses defeitos. Vi O Retorno do Jedi quando passou nos cinemas, em 1983, e desde aquela época heu sempre queria uma continuação. Quando lançaram Caravana da Coragem nos cinemas em 1985, acreditei que era uma continuação, mas não só não era, como o filme é péssimo! Quando estreou a trilogia prequel, 1999, 2002 e 2005, outra decepção, não era o que esperava. Até que, em 2015, vi o ep 7, e ao fim do filme estava tão impactado que mal consegui levantar da poltrona do cinema! Era o filme que passei trinta e dois anos esperando! Até hoje, é um dos meus favoritos dentre todos os onze filmes, ao lado dos dois primeiros, Guerra nas Estrelas e Império Contra Ataca.

Ou seja, entendo a visão do crítico, que comigo funciona quase sempre; mas também entendo como é a visão do fã. Se começa a tocar o tema do John Williams, o lado crítico se desliga e incorporo o lado fã.

Ainda existe o lance “critica vs público”. Alguns filmes ruins têm muito público – sempre lembro de Venom, filmes horrorosos mas sempre com boa bilheteria. Nesse caso, heu não saberia dizer o que determina o sucesso de público. E alguns amigos críticos muitas vezes reclamam. Mas é um tema que nem me incomoda muito, porque acho que todos são livres e podem ver o que quiserem. Só tenho pena dessas pessoas, porque poderiam estar vendo filmes bem melhores…

E agora vamos voltar à treta. Peter Jordan é um nome gigante no youtube, ele tem canais sobre vários assuntos, incluindo canais de negócios onde ele ensina as pessoas a ganharem dinheiro na internet. O próprio Peter fala que polêmica é bom para o engajamento! E aparentemente o PH Santos resolveu usar esse caminho: resolveu criar uma polêmica com um cara famoso.

E qual é a minha opinião sobre isso? Bem, por um lado o Peter realmente parece ter feito o vídeo sob encomenda. Se recebeu algo por isso ou não, não se sabe. Mas realmente ficou estranho ter dois vídeos com opiniões opostas. Agora, por outro lado, se o público do Peter curte, o que o PH tem a ver com isso? Deixa o cara fazer os vídeos pro público dele, ora! Tem um amigo meu que faz vídeos em um formato que heu não gosto, mas, ele tem milhares de views por vídeo. Ele tá errado? Claro que não!

Resumindo: ambos parecem estar atrás de views. E pelo jeito conseguiram.

Roberto Sadovski errou feio?

Roberto Sadovski errou feio?

Hoje meu texto ia ser outro, mas recebi um videozinho que o Roberto Sadovski fez para o Uol, e acho que preciso fazer alguns complementos àquele vídeo.

Antes de tudo, uma contextualização. Nasci em 71, passei minha adolescência nos anos 80, não existia Internet, conseguir informações sobre cinema era bem mais difícil. Heu comprava revistas que falavam de cinema (um conceito que talvez as novas gerações não entendam, como assim as pessoas compravam revistas mensalmente?). Heu lia de vez em quando a Cinemin, a Vídeo News e a Fotogramas e Vídeo. E lia SEMPRE a Set. Pra mim, a Set era a melhor revista sobre o assunto. Cheguei a ter a coleção completa, desde o primeiro número até a revista acabar.

Claro, não lembro quem eram as pessoas que escreviam. Naquela época, heu não prestava atenção nos nomes dos jornalistas. Mas sei que o Roberto Sadovski foi editor da revista. Então, antes da crítica, fica um agradecimento pelo trabalho feito na revista Set, que ajudou muito a aumentar a minha cultura cinematográfica.

(Não conheço o Sadovski pessoalmente. Já o vi em algumas sessões de imprensa, talvez já tenha cumprimentado ele, mas nunca conversamos. Ele nem deve saber quem heu sou.)

Enfim, respeito e admiro o Roberto Sadovski, mas, neste vídeo que ele fez pro UOL, tem algumas coisas que não estão 100% corretas. Humildemente, gostaria de complementar as informações que ele deu.

Sadovski fala sobre filmes de terror com o nome “A Hora”. Se a minha memória está correta, isso aconteceu a partir do grande sucesso de A Hora do Espanto, lançado lá fora em 1985, mas que só chegou aqui em maio de 86. Vivi aquela época, vi aqueles filmes no cinema, na época dos lançamentos – e me mudei de cidade no fim de 85, e me lembro de ter visto A Hora do Espanto no Art Copacabana, no Rio de Janeiro. Além disso, vou lançar em breve um vídeo sobre A Casa do Espanto, e pesquisei informações sobre os filmes lançados naquela época, que a imprensa chamou de “Espantomania” (se bobear, foi a própria Set quem cunhou essa expressão).

Mas, no seu vídeo, Sadovski não usou as datas brasileiras e sim o ano de produção dos filmes. Alguns filmes são anteriores ao A Hora do espanto, mas foram lançados aqui depois. Ele começa falando de Savage Weekend, de 1979, mas que segundo o imdb, foi lançado aqui em janeiro de 87, como A Hora do Calafrio – ou seja, pegando carona na Espantomania (sim, às vezes os filmes demoravam muito pra chegar). Depois fala de Final Exam, de 81, que virou A Hora das Sombras – mas esse não tem data de lançamento brazuca no imdb, então esse realmente não sei. Nightmare on Elm Street é de 1984, mas foi lançado aqui em novembro de 86 como A Hora do Pesadelo. Problema semelhante aconteceu com Dead Zone, de 83, que chegou aqui em novembro de 87 como Na Hora da Zona Morta. Re-Animator, de 85, estreou aqui em setembro de 87 como A Hora dos Mortos Vivos.

(Mas reconheço que nunca tinha associado Karate Kid a essa onda de títulos. Sim, Karate Kid, de 84, foi lançado como Karate Kid A Hora da Verdade. Boa lembrança, Sadovski!)

Resumindo: Sadovski fez uma lista se baseando nos lançamentos gringos mas se enganou nas datas que os filmes chegaram aqui. Se estamos falando dos nomes brasileiros, acho que a ordem deveria ser outra…

Aproveito aqui pra falar sobre uma dúvida. Agradeço comentários que me esclareçam. Uma delas é sobre Silver Bullet / A Hora do Lobisomem, que é de 85 e segundo o imdb chegou aqui em outubro do mesmo ano – ou seja, antes de A Hora do Espanto. Se essa data está correta, seria o primeiro filme da Espantomania. Mas, sinceramente, acho que o imdb está errado, porque a minha memória diz que chegou depois (esse lembro de ter visto no São Luiz, no Largo do Machado). Mas não achei na Internet alguma data exata. Se alguém souber, me fala?

Enfim, continuo admirando e seguindo o Roberto Sadovski. Só achei que precisava complementar o que ele falou.

Consertando Branca de Neve

Consertando Branca de Neve

(COM SPOILERS!)

1- Em primeiro lugar, a história original fala que a personagem tem “a pele branca como a neve, os lábios vermelhos como o sangue e os cabelos pretos como o ébano.” Não sou contra mudar personagens, desde que seja uma mudança bem feita. Mas tem casos onde não dá. Branca de Neve é um desses casos, não dá pra ser uma latina! Solução: Troque a protagonista!

2- Resolveram tirar o príncipe que salva a Branca de Neve. Acho um erro, porque quem gosta da história original, gosta deste detalhe. Mas, ok, adaptaram pros dias de hoje, o personagem existe mas é um “ladrão do bem”. Aí inventaram um grupo que o acompanha, grupo que não estava na história clássica, e tem várias representatividades. Já é uma grande forçação isso, mas calma que piora. O problema é que, tirando um (o anão), essas pessoas do grupo são meros figurantes. Não têm nomes, não têm diálogos, não têm nenhuma importância para a trama. Caramba, se você vai incluir diversidade no seu filme, dê alguma relevância pra esses personagens! Solução: crie uma sequência deles tentando tirar o amigo da prisão!

3- A Rainha manda o caçador levar a Branca de Neve pra floresta e matá-la, e diz pra trazer seu coração numa caixa. No desenho, o caçador diz pra Branca de Neve fugir e leva um coração de um animal. No filme, tem uma maçã dentro da caixa! Como assim a Rainha não abriu a caixa pra conferir? Solução: não altere a história original!

4- A Rainha manda guardas atrás da Branca de Neve, que está com os bandidos. Os guardas os cercam, com bestas apontadas. O mocinho levanta as mãos e se rende, e pede pra não atirarem, e o bando faz o mesmo. Mas, de repente, eles sacam espadas e atacam os guardas. Caramba! Os guardas estavam armados com bestas! Era só atirarem! Solução: tire as bestas e coloque guardas com espadas, cercando os bandidos.

5- Algumas coisas foram atualizadas para os dias de hoje, ok, a gente entende que se passaram quase 90 anos. Mas não entendo como não adaptaram o beijo do príncipe / ladrão no final. O cara encontra a Branca de Neve morta, e dá um beijo na boca dela? Quem beijaria a boca de um cadáver??? Solução: um beijo na cabeça ou na testa, ia ser menos “creepy”.

Oscar 2025

Oscar 2025 – Bom Resultado, mas com gosto amargo

Ontem à noite rolou o Oscar mais aguardado da história, sob o ponto de vista dos cinéfilos brasileiros. Afinal, pela primeira vez, tínhamos um filme concorrendo ao prêmio principal. E, viva! Merecidamente, Ainda Estou Aqui ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro! Finalmente entramos no seleto “clube” de países que já ganharam este prêmio (aqui na América do Sul, até ontem, só Argentina e Chile tinham ganhado).

Mas, a cerimônia foi besta, previsível, sem graça, e terminou com gosto amargo para os brasileiros.

Vou comentar tudo, mas, antes, um breve histórico do Brasil no Oscar. O Brasil já tinha concorrido quatro vezes ao Oscar de Filme Internacional, ou Oscar de Filme em Língua Estrangeira (popularmente chamado aqui no Brasil de “Oscar de filme estrangeiro”): 1963 com O Pagador de Promessas, 1996 com O Quatrilho, 1998 com O Que É Isso Companheiro?, e 1999 com Central do Brasil. Mas perdemos as quatro vezes. Orfeu Negro, co-produção Brasil, França e Itália, ganhou em 1960, mas o filme foi indicado pela França, não pelo Brasil. O Beijo da Mulher Aranha concorreu, em 1986, a melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado e ganhou melhor ator (William Hurt), mas é uma co-produção Brasil e EUA, falado em inglês. Em 2004, Cidade de Deus concorreu a quatro prêmios, mas não ganhou nenhum: melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia e melhor edição. Carlos Saldanha, carioca, concorreu ao Oscar duas vezes, mas por produções gringas: melhor curta de animação em 2004 (Gone Nutty), e melhor longa de animação em 2018 (Touro Ferdinando). Diários de Motocicleta, outro Walter Salles, mas co-produzido por oito países diferentes, concorreu a melhor roteiro adaptado e ganhou melhor canção (Al Otro Lado Del Rio, de Jorge Drexler). Sergio Mendes e Carlinhos Brown também concorreram a melhor canção em 2012, por Rio, mas não ganharam. Além desses, alguns documentários também concorreram, mas não ganharam.

(Argentina ganhou em 1986 com A História Oficial e em 2010 com O Segredo dos seus Olhos; Chile ganhou em 2018 com Uma Mulher Fantástica).

A expectativa para 2025 era grande, porque pela primeira vez um filme brasileiro estava indicado ao Oscar principal. Em 1999, Central do Brasil concorreu a filme estrangeiro e também a melhor atriz; este ano estávamos concorrendo a filme estrangeiro, atriz e também filme principal! E cinco anos atrás Parasita ganhou filme estrangeiro e filme principal, ou seja, era esta a esperança dos brasileiros!

Agora, a premiação foi burocrática. Não tivemos grandes polêmicas, não tivemos grandes números musicais, não tivemos discursos empolgantes, não tivemos participações especiais emocionantes. Me pareceu o Oscar mais besta dos últimos anos. Conan O’Brien foi o apresentador, ele fez algumas boas piadas, mas outras foram bem bobas.

Quase todas as premiações foram previsíveis. Se bobear, bolões de apostas tiveram empates. Por exemplo, Kieran Culkin e Zoe Saldaña ganharam vários prêmios antes do Oscar, já era meio óbvio que iam repetir aqui. Podemos dizer o mesmo sobre Flow como melhor animação, ou prêmios de som e efeitos visuais pra Duna.

O grande vencedor da noite foi Anora: filme, roteiro original, edição, direção e atriz (Mikey Madison). Sean Baker, que foi o diretor, roteirista, editor e um dos produtores, saiu da festa com quatro estatuetas! O Brutalista ganhou três: fotografia, trilha sonora e ator (Adrien Brody); Wicked ganhou dois: figurino e design de produção; Emilia Pérez ganhou dois: canção e atriz coadjuvante (Zoe Saldaña). Conclave e A Substância, dois dos meus preferidos, cada um só ganhou um Oscar (roteiro adaptado e maquiagem, respectivamente), o que, na minha humilde opinião, foi uma falha – mas continua dentro da previsibilidade.

Quando Penelope Cruz surgiu para apresentar melhor filme internacional, finalmente os brasileiros puderam respirar aliviados: o prêmio era nosso! Finalmente reconheceram que Ainda Estou Aqui é melhor que Emilia Pérez em todos os aspectos!

E por que digo que terminou com gosto amargo? Porque os dois últimos prêmios da noite foram melhor atriz e melhor filme. Estávamos indicados aos dois. E perdemos os dois… 🙁

Acredito que boa parte do Brasil foi dormir decepcionado por causa das duas derrotas. Mas, caramba! Conseguimos um Oscar! É motivo pra comemorar!

Enfim, já temos o primeiro Oscar. Rumo aos próximos!

Comentários sobre o Oscar 2024

 

Comentários sobre o Oscar 2024

Um pouco atrasado, vou comentar o Oscar, que aconteceu no último domingo.

Tive a impressão de ser uma cerimônia mais curta. Lembro de outros anos de ter entrado na madrugada, e domingo acabou relativamente cedo. O fato de ter começado mais cedo também ajudou.

Foi uma premiação sem surpresas nas categorias principais. Acho que os bolões de apostas devem ter sido decididos nos detalhes.

O host foi Jimmy Kimmel, que fez algumas boas piadas, outras nem tanto – faz parte do formato. E a cerimônia teve alguns momentos bem divertidos. Arnold Schwarzenegger e Danny DeVito subriam juntos ao palco – eles co-estrelaram Irmãos Gêmeos (1988) e Junior (1994), além de DeVito ter feito a voz do cachorro em O Último Grande Herói (1993). Aí DeVito falou “Vocês sabem o que nos une? Nós tentamos matar o Batman!” – DeVito fez o Pinguim no Batman de 1992; Schwarzenegger fez o Sr. Frio no Batman de 1997. Então, DeVito apontou o Michael Keaton na plateia!

Mas, na minha humilde opinião, o momento mais engraçado foi o John Cena pelado apresentando o Oscar de melhor figurino! Ri alto!

Ah, gostei da homenagem aos dublês!

Teve uma mudança nos anúncios de melhores atores. Antes, o melhor ator do ano anterior entregava para a melhor atriz, e a melhor atriz entregava ao melhor ator – assim não tinha risco de alguém entregar para si mesmo (Tom Hanks ganhou dois Oscars seguidos, Philadelphia (1993) e Forrest Gump (1994)). Agora chamaram 5 ganhadores do prêmio, cada um falou de um indicado. Ficou bonito, mas se forem repetir tem que tomar cuidado pra não ter ator “repetido”.

Momento fofo: o cachorro Messi, de Anatomia de uma Queda, aparece batendo palmas. É efeito especial, aquelas patas são falsas. Mas ficou bonitinho!

Vamos aos prêmios. Da’Vine Joy Randolph ganhou melhor atriz coadjuvante por Os Rejeitados. Heu não gostei muito da atuação dela, achei que os outros dois se destacaram mais, mas ela já tinha levado outros prêmios, ninguém pode dizer que foi surpresa. E faço um comentário parecido sobre o Oscar de melhor animação: O Menino e a Garça também estava levando outros prêmios.

Roteiro original foi pra Anatomia de uma Queda, merecidíssimo, comentei isso no meu texto. Roteiro adaptado talvez seja uma das poucas surpresas, porque quem ganhou foi American Fiction, que achei que não levaria nada.

Depois vieram Cabelo e Maquiagem, Design de Produção e Figurino, três seguidos para Pobres Criaturas.

Filme Internacional foi Zona de Interesse, e faço o mesmo comentário que fiz anos anteriores: se já estava concorrendo a melhor filme, a Academia já o considerava o melhor dos cinco indicados (o mesmo aconteceu ano passado com Nada de Novo no Front e em 2020 com Parasita). Agora, achei uma coisa curiosa entre os indicados. O filme inglês é falado em alemão; o filme italiano é falado em francês, inglês, árabe e uolofe (língua falada no Senegal); o filme espanhol se passa entre Uruguai, Argentina e Chile e tem atores argentinos e uruguaios; o filme alemão é falado em alemão, turco, polonês e inglês; e o filme japonês foi dirigido por um alemão (Wim Wenders). Realmente podemos chamar de “Oscar de Filme Internacional”!

Melhor ator coadjuvante foi pra Robert Downey Jr, merecido e previsível. Mas o mais divertido foi ver a cara do Robert De Niro, que claramente não queria estar lá! E o Tim Robbins ainda errou sua fala, dizendo que a atuação dele era “ganhadora do Oscar”!

(Na disputa pata ator coadjuvante, O Homem de Ferro ganhou do Hulk e do N’Jobu (Pantera Negra) – e o Rocket Racoon, o Vigia e o Rhino concorriam a ator principal!)

Efeitos especiais foi para Gozilla Minus One, o que achei muito legal (apesar de Resistência também merecer). Toda a equipe de Godzilla Minus One estava com pequenos bonecos do Godzilla!

Como falei em outras ocasiões, tem quatro categorias que não costumo dar bola: curtas (live action e animação) e documentários (curta e longa). Ok darem os prêmios, só acho que deveriam estar fora da premiação principal. Mas, tenho um comentário. Sábado, véspera do Oscar, queria ver algo curto com meu filho, abri a Netflix e vimos A Incrível História de Henry Sugar, do Wes Anderson, baseado em Roald Dahl. E no dia seguinte ganhou melhor curta! Legal! Mas, péra, o filme tem 39 minutos, não seria um média?

Aí começou a “onda Oppenheimer“, com os prêmios de Edição, Cinematografia, e, pouco depois, Trilha Sonora. Mas perdeu melhor Som, que foi para Zona de Interesse, merecidamente na minha opinião.

Ryan Gosling fez uma ótima apresentação de I’m Just Ken, com dezenas de bailarinos, participação do público e até o Slash! Mas, perdeu a estatueta pra Billie Eilish, o que achei uma pena, I’m Just Ken é muito melhor que a ganhadora. Sei que a menina é talentosa, ela tem 22 anos e acabou de ganhar o segundo Oscar (o primeiro foi dois anos atrás por Sem Tempo Para Morrer), não tem como dizer que ela é ruim, mas, sei lá, não gosto do estilo, ela parece que sofre muito quando esta cantando!

Todo ano rola um momento “In Memorian”, homenagem às pessoas que faleceram no último ano. Este ano resolveram colocar um balé na frente do telão, e achei bem ruim, porque às vezes mal dava pra ver quem estava sendo homenageado.

A reta final foi sem surpresas: Cillian Murphy e Emma Stone ganharam melhor Ator e melhor Atriz, Chrsitopher Nolan ganhou melhor diretor e Oppenheimer, melhor Filme.

Ah, teve uma piadinha durante os créditos. Aparece o cachorro Messi fazendo xixi na estrela da fama do Matt Damon. Existe uma longa piada de rivalidade entre Jimmy Kimmel e Matt Damon, se você não conhece, vale procurar.

Indicados ao Oscar 2024

Indicados ao Oscar 2024

Ontem saiu a lista dos indicados ao Oscar 2024, cerimônia que vai acontecer dia 10 de março. Ninguém pediu, mas vou fazer alguns comentários sobre os indicados.

Antes de tudo, preciso falar algo polêmico: tem 4 categorias que nunca dei bola, e que por mim, seriam retiradas da cerimônia: Documentário Curta, Documentário Longa, Curta de Animação e Curta Live Action. Não estou dizendo que não deveriam ser premiados, mas sim que deveriam sair da cerimônia e ter um evento separado. O Oscar sempre foi uma cerimônia longa e cansativa, e quando estou assistindo, quero ver o Robert De Niro, o Scorsese, a Emma Stone e o Ryan Gosling, não quero ver um ilustre desconhecido que fez um filme que ninguém viu. Sim, o prêmio é importante, mas, deveria ser outro dia, outra hora. A gente ia ganhar uma meia hora sem essas 4 categorias…

Vamos aos indicados. Poucas surpresas esse ano. Dos dez indicados a melhor filme, já vi sete, cinco já têm texto aqui no heuvi, o sexto texto vem nos próximos dias. Mas pretendo ver todos e comentar todos!

Oppenheimer foi o que teve mais indicações, 13 no total – Filme, Diretor (Christopher Nolan), Ator (Cillian Murphy), Ator Coadjuvante (Robert Downey Jr), Atriz Coadjuvante (Emily Blunt), Roteiro Adaptado, Cinematografia, Trilha Sonora, Edição, Cabelo e Maquiagem, Design de Produção, Figurino e Som. Se ganha melhor filme? Não sei, mas certamente vai ganhar algo. Talvez seja a hora do Christopher Nolan finalmente ganhar. E acho que Robert Downey Jr está excelente, também merece.

(Mas, se fossem perguntar pra mim, não achei Oppenheimer isso tudo, tanto que não estava no meu top 10 de 2023.)

Pobres Criaturas teve 11 indicações – Filme, Diretor (Yorgos Lanthimos), Atriz (Emma Stone), Ator Coadjuvante (Mark Ruffalo), Roteiro Adaptado, Edição, Cinematografia, Trilha Sonora, Cabelo e Maquiagem, Design de Produção e Figurino. Na minha humilde opinião, um dos dois melhores filmes da lista dos 10 indicados. Merece vários desses prêmios, falei isso ano passado quando escrevi sobre o filme.

Assassinos da Lua das Flores (o outro dos dois melhores na minha opinião) teve 10 indicações – Filme, Diretor (Martin Scorsese), Atriz (Lily Gladstone), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Edição, Cinematografia, Trilha Sonora, Canção, Design de Produção e Figurino. Achei que faltou indicar para melhor Roteiro e melhor ator para Leonardo DiCaprio.

Barbie teve 8 indicações – Filme, Ator Coadjuvante (Ryan Gosling), Atriz Coadjuvante (America Ferrera), Roteiro Adaptado, Design de Produção, Figurino e duas vezes Canção. Ouvi um monte de mimimi ontem “porque foi o filme mais hypado de 2023 e teve poucas indicações!” Cara, Barbie é filme pop, não é “filme de Oscar”. Vingadores Ultimato teve mais hype que Barbie, e só foi indicado a um único Oscar, de Efeitos Especiais. Barbie concorrer a melhor filme já está muito melhor do que o bom senso diria. E, sim, Margot Robbie está ótima, mas, me desculpem os fãs, mas ela está vários degraus abaixo do trio Emma Stone, Lily Gladstone e Sandra Hüller

Maestro teve 7 indicações – Filme, Ator (Bradley Cooper), Atriz (Carey Mulligan), Roteiro Original, Cinematografia, Cabelo e Maquiagem e Som. Bradley Cooper está indicado três vezes! Pena que a concorrência é grande, se bobear não ganha nenhum dos três.

Anatomia de uma Queda teve 5 indicações – Filme, Diretor (Justine Triet), Roteiro Original, Atriz (Sandra Hüller) e Edição. Para um filme francês, que já ganhou Palma de Ouro em Cannes, já considero excelente estar concorrendo a 4 das cinco estatuetas mais importantes (filme, diretor, roteiro, ator e atriz). E se ganhar qualquer um deles, não será surpresa.

Os Rejeitados teve 5 indicações – Filme, Ator (Paul Giamatti), Atriz Coadjuvante (Da’Vine Joy Randolph), Roteiro Original e Edição. Ok, entendo, é um filme “com cara de Oscar”, mas, sei lá, não achei tudo isso que estão falando. E, na minha humilde opinião, Paul Giamatti merece a indicação, mas Da’Vine Joy Randolph não.

Zona de Interesse teve 5 indicações – Filme, Filme Internacional, Direção (Jonathan Glazer), Roteiro Adaptado e Som. Ouvi falar muito bem, mas tenho pé atrás, porque vi outro filme do mesmo diretor, Sob a Pele, que é ruim com força. Aguardemos.

American Fiction teve 5 indicações – Filme, Ator (Jeffrey Wright), Ator Coadjuvante (Sterling K. Brown), Roteiro Adaptado e Trilha Sonora. Não sei nada ainda sobre esse filme.

Vidas Passadas teve 2 indicações – Filme e Roteiro Original. Ouvi elogios, mas ainda não vi.

Agora alguns comentários sobre outros filmes que não estão indicados a melhor filme.

A Sociedade da Neve foi indicado a Filme Internacional e Cabelo e Maquiagem. No meu texto, comentei sobre a maquiagem! Pena que deve perder Filme Internacional pra Zona de Interesse.

Nyad foi indicado a Atriz (Annette Bening) e Atriz Coadjuvante (Jodie Foster). Me recomendaram, ainda não vi.

Napoleão, Missão Impossível e Resistência, cada um teve duas indicações técnicas. Resistência teve excelentes Efeitos Especiais, mas acho que Godzilla Minus One (que só foi indicado a Efeitos Especiais) pode surpreender.

Indiana Jones e a Relíquia do Destino teve uma indicação, para Trilha Sonora, mais uma indicação na carreira de John Williams, que tem a impressionante marca de 54 indicações, sendo que ganhou 5 vezes.

Guardiões da Galáxia 3 só teve uma indicação, para Efeitos Especiais. Pra provar que os fãs da Barbie estão de mimimi.

Segredos de um Escândalo foi indicado a melhor Roteiro Original, uma indicação que não faz sentido, porque é um roteiro bem fraco.

Por fim, vou comentar as indicações a Melhor Animação: Nimona é muito bom, mas não acho que ganha; O Menino e a Garça ainda não vi, é o novo Miyazaki, ganhou o Globo de Ouro, acho que tem chances; Homem Aranha Através do Aranhaverso, o primeiro Aranhaverso ganhou, não sei se dariam também pro segundo; Elementos acho que nem deveria estar aqui; e Meu Amigo Robô, ainda não tinha ouvido falar.

Fui sondado para participar de uma live este ano comentando o Oscar. Mais perto confirmo aqui!

Comentários sobre o Oscar 2023

Comentários sobre o Oscar 2023

Ontem rolou a premiação do Oscar. Não consegui ver tudo, porque aqui em casa não tenho mais canais de televisão, e achei que ia ser transmitido ao vivo pela internet, mas não achei em lugar nenhum. Mesmo assim, acompanhei do jeito que consegui. Pena que perdi algumas piadas ao vivo.

O primeiro Oscar da noite foi um que heu já tinha comentado: melhor animação para Pinóquio do Del Toro. Oscar merecidíssimo. Digo mais: deveria estar indicado também a melhor filme! Aqui no heuvi foi o número 1 do Top 10 2022!

Ke Huy Quan levou melhor ator coadjuvante por Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, o que não chegou a ser uma surpresa, ele estava muito bem cotado para o prêmio. O prêmio seguinte foi uma surpresa maior, Jamie Lee Curtis pelo mesmo filme, ganhando de nomes badalados como Angela Bassett e Kerry Condon.

Curtas (live action e animação) e documentários (curta e longa) são categorias que nunca dei bola, sempre defendi que deveriam entregar as estatuetas fora da premiação principal…

Nada de Novo no Front levou melhor fotografia, apesar de ter gente achando que Elvis poderia ganhar. Elvis também perdeu o seguinte, melhor cabelo e maquiagem, prêmio dado para A Baleia.

Pantera Negra levou melhor figurino, e logo depois foi um dos prêmios mais óbvios, Nada de Novo no Front para melhor filme internacional (categoria que antigamente era chamada de “melhor filme em língua estrangeira”). Nada de Novo no Front estava indicado para melhor filme, ou seja, a Academia já o considerava o melhor dos cinco indicados. Curiosamente, o filme argentino estava cotado, e parece que a imprensa argentina tentou fazer como uma nova “final de Copa do Mundo” entre Nada de Novo no Front e Argentina 1985.

Melhor design de produção e melhor trilha sonora foram para Nada de Novo no Front, deixando o favorito Babilônia para trás. Achei injusto… Já outro prêmio óbvio foi o de melhores efeitos especiais para Avatar 2.

Depois vieram os prêmios de roteiro. Melhor roteiro original, merecidíssimo, ganhou Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, que não foi surpresa para ninguém. Já o prêmio seguinte, melhor roteiro adaptado, todos estavam achando que seria mais um prêmio para Nada de Novo no Front, afinal já tinha ganhado outros 4 prêmios. Mas a estatueta ficou com Entre Mulheres.

Melhor som (que ficou no lugar de melhor edição de som + melhor mixagem de som) ganhou Top Gun Maverick, outro que estava dentro dos previsíveis. Melhor música foi para Naatu Naatu, do filme indiano RRR, o que mostrou uma grande falha de planejamento da academia cinematográfica da Índia, que não enviou o filme para ser o representante do Oscar de filme internacional.

Melhor edição foi outra barbada, que falei numa dica no dia que saíram as indicações: Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Se esse prêmio fosse pra outro filme, seria um grande erro. Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo também ganhou melhor diretor, o que me balançou porque sou muito fã do Spielberg, e acho válido qualquer prêmio para ele. Mas ele já tem 3 Oscars, melhor diretor por O Resgate do Soldado Ryan e A Lista de Schindler, mais um de produtor por Schindler. Mais um Oscar pra ele não ia mudar sua vida. Já Oscar para os Daniels (Daniel Kwan e Daniel Scheinert) pode alavancar suas carreiras!

Melhor ator foi para Brendan Fraser, sem surpresa para ninguém. Já melhor atriz para Michelle Yeoh dividiu a galera, porque muita gente achava que a Cate Blachett merecia por Tár (e heu acho que a Michelle Williams merecia por Fabelmans). Mas, fico muito feliz com o prêmio pra Michelle Yeoh!

Para melhor filme, heu estava na torcida por Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo, por um motivo simples: é um filme diferente. Não estou entrando no lance de qual filme é melhor, Os Fabelmans é um grande filme, talvez até seja melhor, mas a gente já viu isso outras vezes. Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo traz um sopro de novidade para o cinema. Goste ou não, é preciso admitir que é um filme que veio pra se destacar.

Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo terminou a noite como o grande vencedor, com sete estatuetas, sendo que quatro delas entre as cinco principais do Oscar (que são filme, diretor, ator, atriz e roteiro).