Crítica – Michael
Sinopse (imdb): Filme biográfico sobre o rei do pop, Michael Jackson. Ele retratará o cantor desde seus primeiros dias até sua trágica morte em 2009.
(Mais uma vez, sinopse errada no imdb. O filme para bem antes.)
Michael Jackson foi um dos maiores nomes da música pop, e morreu há mais de 15 anos. Até que demorou para aparecer um filme sobre a vida dele.
Michael conta a história do Michael Jackson desde o início, quando o Jackson 5 ainda ensaiava, até a época do Bad. Sim, o filme não tem fim. A gente não vê um monte de coisas da carreira do astro e o filme acaba com um gancho para uma possível continuação. Não sabemos se essa continuação vai acontecer, provavelmente o que vai definir isso é a bilheteria. O ponto é que muitas coisas importantes da carreira do Michael Jackson não aparecem. E, principalmente, nenhuma polêmica.
Mas pelo menos tem pontos a serem elogiados. Claro, é um filme contando a história de um cantor pop com muitos sucessos na carreira, então o filme tem vários momentos com as músicas do Michael Jackson. Alguns desses momentos são bem legais.
Na música Don’t Stop Till You Get Enough, Michael Jackson está sozinho dentro do estúdio gravando a voz, enquanto Quincy Jones pilota a mesa de som. Inicialmente só ouvimos a bateria e a voz do Michael, aos poucos Quincy Jones vai colocando os outros instrumentos. Essa cena ficou bem legal.
Billie Jean recria aquele especial de TV da Motown, onde ele está sozinho num palco, e, se não me engano, foi a primeira vez que foi que ele fez o Moonwalk. Por um lado, achei que foi uma cena um pouco longa demais – mas aí lembrei que eu sou fã de Queen e eu gostei do momento longo no fim do filme do Queen quando vemos o concerto inteiro do Live Aid. Ou seja, para o fã de Michael Jackson, ver a cena com a música completa deve ser muito legal. A cena toda está muito boa, ou seja, vale, porque os fãs merecem isso.
Thriller e Beat It também têm bons momentos. Em Beat It a gente vê que Michael Jackson queria dançarinos para o videoclipe, então acompanhamos o início das coreografias, outra cena bem legal. Assim como Thriller, que mostra os bastidores da coreografia dos dançarinos. Mas… Heu tenho dois mimimis, um para cada uma dessas duas cenas. Em Beat It, podia ter mostrado o Eddie Van Halen. Eles citam o nome do guitarrista, a gente ouve o solo. Eddie morreu há pouco tempo. Por que não mostrar lá no fundo um cabeludo sorridente com uma guitarra vermelha e branca? Ia ser uma homenagem bem legal. O outro mimimi é porque igualmente falam do John Landis, mas não mostram o diretor do videoclipe Thriller.
Por outro lado, teve um momento mais para o fim do filme, quando ele está na turnê Victory com os Jacksons, onde vemos Human Nature inteira. Aí já acho que foi um pouco demais – não teve Beat It inteira, não teve Thriller inteira, a gente precisa ter Human Nature inteira? É um momento importante na narrativa do filme, mas não precisa ter a música completa. Acaba que o filme ficou um pouco longo.
(Queria comentar que teve um momento que não conseguia parar de pensar em Guardiões da Galáxia. O jovem Michael vai para um estúdio gravar I Want You Back, e pedem pra ele ficar imóvel, e o garoto não consegue parar de dançar. Então pedem pra ele pelo menos ficar com os pés juntos. Lembrei imediatamente do Baby Groot!)
Jaafar Jackson, sobrinho do Michael (filho do Jermanie), faz um trabalho impressionante: ele está igual ao Michael Jackson. Provavelmente a voz não é dele, mas mesmo assim ele está impressionante, ele está muito parecido com o tio. Sobre o resto do elenco, queria destacar Colman Domingo, que faz o Joseph Jackson, o pai – figura polêmica porque foi ele quem criou o “mito Michael Jackson”, mas para isso praticava torturas físicas e psicológicas. Não sei se o Joseph Jackson da vida real era um cara tão caricato quanto esse, me disseram que sim. Colman Domingo está muito bem. Juliano Valdi, que faz o Michael criança, também é uma boa surpresa.
Heu queria fazer um comentário sobre uma participação de um ator em apenas uma cena. Mike Myers faz um executivo de uma gravadora, numa cena muito boa. O que achei curioso foi que o mesmo Mike Myers também fez um executivo de uma gravadora no filme Bohemian Rhapsody. Fiquei imaginando se poderia ser o mesmo personagem da vida real. No filme do Queen, quando isso acontece, é na época que eles estavam lançando A Night at the Opera, ou seja, por volta de 1973 ou 74. E aqui era quando o Michael Jackson estava querendo entrar na MTV, ou seja, por volta de 83, dez anos depois. Fiquei curioso para saber se era o mesmo cara, mas eu descobri pelos créditos do imdb que são pessoas diferentes.
Michael tem seus momentos, mas, pra mim, o pior do filme é não acabar. Tem várias coisas importantes que aconteceram na vida do Michael Jackson, e o filme não aborda isso, como, por exemplo, Michael Jackson gravou três parcerias com o Paul McCartney, mas McCartney nem é citado no filme. E isso porque não estou falando da quantidade de polêmicas que ele se envolveu e o filme nem cita nada. Provavelmente vai ter um segundo filme que deve abordar esses temas.