Pluribus

Pluribus

Sinopse (imdb): Em um mundo onde a felicidade domina, uma mulher amarga e pessimista se torna a última esperança para restaurar o equilíbrio emocional da humanidade.

Heu ia falar de um filme em cartaz, como faço quase sempre aqui. Mas estou meio obcecado pela série Pluribus. Então resolvi hoje comentar alguns pensamentos ligados à série.

A primeira temporada de Pluribus terá nove episódios. Já saíram os seis primeiros. O ideal seria aguardar a temporada acabar pra falar de tudo, mas tenho dois motivos pra comentar logo. Um deles é porque deve acabar no Natal, e fim de ano devo estar preso nas minhas listas de melhores e piores do ano. Mas o principal motivo é que esse formato de série misteriosa muitas vezes não conclui nada e termina a temporada com um gancho pra novos mistérios. E, sinceramente, estou meio de saco cheio desse formato. Ou seja, grandes chances do final de temporada ser decepcionante. Então é melhor falar logo. Mas, dependendo do final, posso fazer outro vídeo no início de 2026 comentando a temporada completa.

Sobre spoilers: só vou falar da premissa básica da série. Não trarei altos spoilers sobre a trama, porque na verdade o que me fascina são detalhes sobre o conceito apresentado pela série, não exatamente sobre o desenrolar da trama.

Digo mais: não vou entrar em teorias. Deve ter um monte de teorias pela internet tentando explicar o mistério da série. Mas não li nenhuma, e na verdade nem quero ler. Prefiro aguardar o que cada episódio me apresentar.

Vamos à série. Spoilers leves sobre o argumento.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Pluribus é a nova série de Vince Gilligan, criador de Breaking Bad e Better Call Saul, e mostra um mundo onde um vírus alienígena “assimila” quase toda a população. Mais ou menos como nos clássicos de ficção científica da época da Guerra Fria, tipo Invasores de Corpos, todos perdem a personalidade. Mas em vez de ficarem apáticos, todos passam a ser amistosos e gentis. E todos compartilham o mesmo conhecimento – o que um sabe, todos sabem. Quase toda a população – porque doze pessoas espalhadas pelo planeta estão imunes ao vírus. Mas os “assimilados” tratam muito bem essas doze pessoas, realizando quaisquer desejos. Carol, a rabugenta e mal humorada protagonista, desconfia do que está por trás dos simpáticos humanos contaminados.

(Pra quem estiver curioso, “Pluribus” é uma palavra em latim que significa “para muitos”.)

Sim, a série se baseia num grande mistério: qual é o real objetivo dos alienígenas que mandaram o vírus? O que vai acontecer com a raça humana? E é por isso meu grande pé atrás com a série. Como falei, tem toda a cara do nono episódio terminar com um grande gancho e sem explicar nada…

Mas não estou me ligando na solução do mistério. Pluribus me conquistou porque me fez pensar em dois aspectos conceituais. São ideias lançadas pela série que passam boa parte do dia “morando na minha cabeça”.

A primeira ideia é sobre a consciência coletiva, ou, em inglês, “hive consciousness” (consciência de colmeia). Trata-se de um conceito de inteligência compartilhada onde os indivíduos atuam como partes de um todo unificado, inspirando-se em insetos sociais como abelhas e formigas. Lembro de um filme de Star Trek, acho que foi em 1996, que falou sobre essa ideia, citando que os Borgs seriam assim. Mas não me lembro de Star Trek ter desenvolvido direito esse conceito. E desde aquele filme sempre pensei que um grupo antagonista assim seria quase impossível de se combater – se um indivíduo descobre uma fraqueza sua, automaticamente todos os outros também sabem sobre essa fraqueza. E desde aquele filme estava aguardando alguma obra audiovisual usando isso. Não me lembro de nenhum filme ou série que soube explorar direito esse conceito – até agora.

A outra ideia que pulula na minha cabeça é a que cada um dos doze “não assimilados” tem poderes quase ilimitados. Porque os assimilados se esforçam para fazer de tudo para agradar cada um deles. Imagina se você é um desses doze? Sua vida não vai nunca mais ser como era antes. Pra começar, você não precisa trabalhar ou estudar, afinal, tudo o que você desejar estará à sua disposição. Você pode morar onde quiser, sem precisar pagar. Escolha qualquer comida que você queira, vão lhe trazer. Quer viajar pra qualquer lugar do mundo? Só escolher o destino. (No meu caso, não ia mais fazer vídeos pra cá pro youtube, porque não ia ter gente assistindo. Aliás, não teríamos novos filmes…)

Seria uma vida de multimilionário, num planeta sem guerras e sem violência. Mas, com um agravante: todos os seus amigos e familiares viraram “robôs felizes”. Nunca mais você terá uma companhia genuína de uma pessoa genuína.

(Imagine os prós e contras: você pode namorar uma famosa estrela de Hollywood ou uma grande supermodelo. Mas seus filhos e seus pais saberão exatamente o que você está fazendo…)

Voltando à série, claro que quero saber a conclusão do mistério. Mas só esses pensamentos sobre o conceito da série já valeram pra mim. Gostei muito, se tivesse um top 10 de séries aqui no heuvi, Pluribus certamente entraria nos primeiros lugares.

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