Máquina de Guerra

Crítica – Máquina de Guerra

Sinopse (imdb): Segue os recrutas finais de um extenuante campo de treinamento de operações especiais que enfrentam uma força letal vinda de fora deste mundo.

Apareceu na Netflix um novo filme de ação que parece uma nova versão de Predador. Aliás parece uma mistura de Predador com Transformers, afinal tem um robô gigante vindo do espaço.

Um grupo de soldados treina para entrar para os Rangers, que pelo que entendi seria uma equipe de elite do Exército Americano. No meio de uma atividade eles encontram um robô alienígena que sai matando todo mundo. Agora eles precisam dar um jeito de sobreviver e derrotar o robô.

A direção é de Patrick Hughes. Heu já tinha visto dois filmes desse diretor – um foi bom, outro nem tanto assim. Ele fez Dupla Explosiva, que tem uma premissa interessante e um bom elenco: Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson e Gary Oldman estão em uma trama onde um assassino profissional precisa de um guarda-costas. Ou seja, o filme é bom, mas não necessariamente por causa do diretor. O outro filme foi Mercenários 3, que é bem inferior ao Mercenários 1 e Mercenários 2. O 3 não é tão ruim quanto o Mercenários 4, que é um lixo e muito pior do que qualquer coisa feita nesse estilo. Não é o pior Mercenários, mas é bem fraco.

Mas o que estão usando para vender Máquina de Guerra não é o diretor, e sim o ator principal Alan Ritchson, que é um ator muito grande e muito forte, e que heu tenho uma certa implicância com ele porque não gostei da sua atuação na série Reacher – mas reconheço que já vi ele atuando em outros papéis e acho que ele funciona melhor fora do personagem Jack Reacher. Por coincidência ou não, Predador também tinha um ator muito grande e muito forte, um tal de Arnold Schwarzenegger. A diferença é que Schwarzenegger tem muito mais carisma do que o Alan Ritchson. Mas, ok, Alan Ritchson é o que a gente tem para hoje, então a gente aceita o filme – mas nesse ponto de comparação, o filme perde para Predador.

Máquina de Guerra tem algumas boas cenas de ação, cenas bem filmadas, com bons efeitos especiais. Agora, a gente precisa reconhecer que o roteiro é completamente previsível. A gente já viu essa história várias vezes antes. Além do mais, tem momentos que parece que estamos vendo uma propaganda militar gigantesca.

Tem outra coisa que piora um pouco o resultado final: o robô assassino gera zero interesse. É um robô genérico, sem nenhuma camada a mais pro espectador se interessar sobre o que é aquilo. Mais um ponto de comparação onde perde para Predador…. Além disso, outra coisa que achei estranha, mas não sei se chega a ser uma falha de roteiro – é que a gente precisa se importar com o protagonista. Mas na verdade, o filme nem chega a dizer o nome do cara!

Além do Alan Ritchson, Máquina de Guerra tem outros dois nomes interessantes no elenco: Dennis Quaid e Esai Morales fazem dois oficiais do Exército. E Jai Courtney tem uma breve participação na introdução. O resto é só pra compor elenco.

A história se fecha, mas claro que Máquina de Guerra termina com um gancho pra uma possível continuação. Se a audiência for boa, podem contar com Máquina de Guerra 2 em breve.

No fim, Máquina de Guerra nem vai desagradar o público alvo. Mas vai ser esquecido uma semana depois.

Missão: Impossível – O Acerto Final

Missão: Impossível – O Acerto Final

Sinopse (imdb): Ethan e sua equipe estão em uma missão para encontrar e destruir uma IA conhecida como A Entidade. A viagem ao redor do mundo dá origem a cenas de ação incríveis e mais de uma reviravolta inesperada.

E vamos ao oitavo filme de uma franquia que não tem nenhum filme ruim!

Hoje, em 2025, nem todos se lembram, mas Missão Impossível era um seriado, que durou sete temporadas, entre 1966 e 1973, e que teve um remake em 1988 com duas temporadas. Até que em 1996, Tom Cruise assumiu o papel principal da versão cinematográfica e transformou cada novo filme em um grande evento, e, principalmente, em um “evento Tom Cruise”. E agora, Missão: Impossível – O Acerto Final (Mission: Impossible – The Final Reckoning, no original) tem cara de encerramento da franquia, incluindo citações a vários elementos de outros filmes da saga. Será que Tom Cruise, hoje com 62 anos, ainda teria pique pra seguir com a série?

(Ok, sabemos que Hollywood é movida por dinheiro, então claro que pode aparecer um novo filme onde o Ethan Hunt do Tom Cruise se aposenta e “passa o bastão” para outro agente mais novo. Mas acredito que vai ser uma barra difícil de segurar, seja quem for o novo protagonista.)

A direção ficou mais uma vez com Christopher McQuarrie, que dirigiu os três anteriores (os quatro primeiros filmes foram de quatro diretores diferentes). McQuarrie tem uma sólida parceria com Cruise, não só dirigiu quatro Missão Impossível e o Jack Reacher de 2012, como também estava no roteiro de No Limite do Amanhã, A Múmia e Top Gun Maverick. McQuarrie entrega um bom resultado, este oitavo filme pode não ser tão bom quanto o sétimo, mas duvido que alguém saia do cinema decepcionado.

Como já virou tradição, Missão: Impossível – O Acerto Final tem longas sequências de ação de tirar o fôlego, e sempre com o Tom Cruise dispensando o dublê. Aqui são duas sequências, uma em um submarino; outra em pequenos aviões monomotores. Ok, sempre vai ter alguém dizendo “mas duvido que o Tom Cruise estivesse fazendo aquilo tudo, ele estaria preso por cabos de segurança”. Sim, sim, como qualquer cena executada por um dublê, existem alguns artifícios usados para minimizar os riscos que o profissional pode correr. Mas mesmo assim, desafio qualquer leitor deste site: você conseguiria fazer aquela cena?

(Sei que o nome do filme é “Missão Impossível”, e já vimos diversas situações absurdas vividas pelo protagonista. Mas talvez o final da sequência do submarino seja a mentira mais mentirosa de toda a saga…)

Agora, se por um lado essas duas sequências valem o filme, por outro lado o roteiro poderia ser mais enxuto. São quase três horas de filme, e com MUITAS explicações. O filme é tão confuso que dá vontade de ver outra sessão pra tentar pegar todos os detalhes, mas é tão cansativo que não dá vontade de rever.

(Mas reconheço que gostei da dinâmica de algumas cenas que misturam diálogos e ações em dois locais diferentes. Sabe aquela parada de uma pessoa terminar a frase que a outra começou? Desse jeito, mas misturando cenas distintas.)

Pra piorar, o vilão não é bom. Existe o vilão principal, a Entidade, que é uma IA, então é um vilão invisível. E existe o vilão secundário do Esai Morales, que é caricato e não assusta nada.

Agora, depois que passamos pelas sequências de ação, a gente até esquece as falhas. Porque precisamos lembrar que a qualidade dos filmes da franquia é muito alta. Este oitavo filme pode não ser um dos melhores, mas está acima da média do cinema de ação contemporâneo. E ambas as sequências são sensacionais. Sim, vale pagar o ingresso caro do cinema, nem que seja só pra ver as duas sequências.

Sobre o elenco, indubitavelmente é um “filme do Tom Cruise”, e ele não decepciona. Mas outros atores também têm espaço (afinal são duas horas e quarenta e nove minutos de filme!). Ving Rhames, Simon Pegg, Hayley Atwell e Pom Klementieff voltam aos seus papéis como a equipe que ajuda o herói (tem mais um membro, Degas, interpretado por Greg Tarzan Davis, mas o roteiro não o privilegiou, é um personagem desnecessário). E, como falei antes, não gostei do Esai Morales. Dentre as novidades, gostei de dois personagens interpretados por atores mais conhecidos por séries de TV: Hannah Waddingham (Ted Lasso) e Tramell Tillman (Ruptura).

Ainda queria falar da trilha sonora. Gosto muito do tema original, em 5/4. Uns anos atrás fiz um short falando de músicas em 5/4. Quase todas as músicas que ouvimos por aí são em 4/4, que é quando tem um tempo forte a cada quatro tempos, UM dois três quatro UM dois três quatro… O tema de Missão Impossível tem um tempo forte a cada cinco: UM dois três quatro cinco UM dois três quatro cinco. O tema de Halloween também é em 5/4. Você já tinha reparado neste detalhe?

Por fim, temos uma cena em um porta aviões. Caramba, podia ter uma piadinha interna, onde Ethan Hunt podia avistar, ao longe, o Maverick!

Missão: Impossível – Acerto de Contas – parte 1

Crítica – Missão: Impossível – Acerto de Contas – parte 1

Sinopse (imdb): Ethan Hunt e sua equipe do IMF devem rastrear uma arma perigosa antes que ela caia em mãos erradas.

E vamos a mais um filme sem fim! Só este ano já é o quarto (depois de Os Três Mosqueteiros, Velozes e Furiosos 10 e Aranhaverso 3). Pelo menos neste aqui fizeram da maneira correta. Depois volto a esse assunto e explico.

Mais uma vez dirigido por Christopher McQuarrie (mesmo diretor dos dois anteriores, Nação Secreta e Efeito Fallout), este novo Missão: Impossível traz o agente Ethan Hunt envolvido com outra trama rocambolesca que envolve sequências alucinantes. Resumindo: um filmão, já candidato a lista de melhores de 2023.

Todo fã de cinema tem que agradecer que existem pessoas como Tom Cruise. Em tempos de streamings trazendo boas opções dentro do conforto de casa, muitas vezes o espectador se pergunta se vale pagar o ingresso caro para ver um filme. Assim como o Top Gun Maverick do ano passado, Missão: Impossível – Acerto de Contas – parte 1 é outro daqueles filmes que pedem para serem vistos num cinema, de preferência com a maior tela possível!

Missão: Impossível – Acerto de Contas – parte 1 tem algumas sequências muito bem filmadas. Tem uma perseguição de carros em Roma que é muito boa (curiosamente, na mesma escadaria onde tem uma cena parecida em Velozes e Furiosos 10). E toda a longa sequência do trem é sensacional – e nem estou falando da impressionante cena do pulo de moto no abismo. A parte final da sequência é ainda melhor.

(Um breve parênteses sobre o momento mais emocionante ser na parte final do filme. Comentei no texto sobre Resgate 2 que foi frustrante ver a melhor sequência na primeira metade do filme. Aqui, guardaram a melhor parte pro final.)

“Ah, mas tem muita mentira!” Caramba, TODOS os filmes da saga são assim! Está até no titulo da franquia: missão “impossível”. Claro que vai ter momentos inacreditáveis. O negócio aqui é como esses momentos são apresentados ao espectador.

A trilha sonora é muito boa. O tema clássico composto por Lalo Schifrin é em 5/4 (vou fazer um short comentando esse compasso composto), e em alguns momentos deste filme a trilha segue no mesmo compasso.

Sobre o elenco, Tom Cruise continua sendo “o cara”. Agora sessentão, continua em forma e dispensando dublês, e continua com charme e carisma suficientes pra segurar uma franquia deste porte. Também estão de volta Simon Pegg, Ving Rhames e Rebecca Ferguson. Não gostei muito do novo vilão, interpretado por Esai Morales, achei que ele tem poder demais, mas não chega a atrapalhar.

Queria comentar duas novidades no elenco. Hayley Atwell está muito bem como uma exímia ladra que não sabemos se merece ou não a nossa confiança. Mas, na minha humilde opinião, a melhor adição ao elenco foi Pom Klemetieff. Muita gente não vai reconhecer apesar de já ter visto outros filmes com ela – ela fez a Mantis em Guardiões da Galáxia. Pom está ótima, parece uma versão da Arlequina, meio louca. Ainda no elenco, Vanessa Kirby, Shea Whigham, Cary Elwes, Henry Czerny e Indira Varma.

Por fim, queria comentar sobre a “parte 1”. Reclamei de Velozes e Furiosos e Aranhaverso, primeiro porque não avisam que não tem fim; depois porque interrompem a trama no meio de forma abrupta. Aqui em Missão: Impossível – Acerto de Contas – parte 1 fizeram essa divisão da maneira correta. Por um lado, está no título do filme; por outro, a trama não é interrompida. Acaba a missão que eles estavam, mas a história deixa pontas soltas, que vão ser concluídas no próximo filme.

Filmão. Tomara que o próximo mantenha o nível!

Caprica

Caprica

BSG – Battlestar Galactica foi sem dúvida uma das melhores séries da história da tv. Um de seus méritos é que soube a hora de terminar, durou apenas quatro temporadas e não enrolou seus espectadores. Mas, e agora? O que fazer para os fãs órfãos?

Que tal um spin off?

(Para quem não conhece o termo: spin off é uma série derivada de outra. Assim como antes era só um C.S.I., e depois apareceu C.S.I. Miami, e depois C.S.I. Nova York.)

Assim chegamos a Caprica, spin off de BSG. Como todos que acompanharam BSG sabem, Caprica era uma das doze colônias, justamente o planeta capital, de onde veio o comandante William Adama e a “astronave de combate” Galactica.

Admito que não estou muito por dentro do universo de spin offs das séries. Por exemplo, os dois de C.S.I. são basicamente a mesma coisa do original, mas ambientados em outras cidades (Las Vegas, Miami e Nova York). Outro que acompanhei foi Joey, que mostrava o Joey Tribianni de Friends depois do fim da série.

Caprica segue outro formato. Em vez de termos uma continuação com alguns personagens, a história se passa 58 anos antes do início de BSG. Até porque quem acompanhou a série até o fim sabe que não tinha muito sobre o que falar depois…

Em Caprica, acompanhamos a história da família Graystone. Daniel Graystone (Eric Stoltz) trabalha com robótica e inteligência artificial. Paralelamente, também acompanhamos Joseph Adama (Esai Morales), pai do comandante William Adama de BSG.

Caprica tem uma coisa que achei genial, e que, sozinha, já daria um filme inteiro: existe um mundo virtual, onde tudo é possível: tomar drogas, fazer sexo arriscado ou até matar alguém. Afinal, ninguém está lá de verdade, é como se fosse um “second life” feito de realidade virtual. Espero que os roteiristas explorem mais isso!

O que Caprica tem de legal para os órfãos de BSG? Bem, um dos personagens principais é o pai do Adama – que, inclusive, aparece ainda criança! Outra coisa legal é que vemos o início da criação dos cylons – as temíveis “torradeiras” que entrarão em guerra contra os humanos!

A bola fora está no ritmo. Um dos pontos fortes de BSG era o ritmo alucinante, que nos deixava sem fôlego o tempo todo. Caprica é mais lento, bem mais lento. Pelo menos o piloto. Tomara que acertem a mão!